Anomalisa (2015). A Globalização Padronizando Comportamentos

Anomalisa_2015_cartazPor: Carlos Henry.
Charlie Kaufman é um roteirista de temas soturnos recheados de personagens de almas atormentadas e mentes confusas como em “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e “Quero ser John Malkovich”. Em parceria com Duke Johnson criou mais um provável cult: A animação em stop motion com bonequinhos “Anomalisa”.

anomalisa_2015_cenaO personagem principal é o triste e quase frio Michael Stone que voa para Cincinnati para uma palestra como autor de livro de autoajuda. Curiosamente, todas as vozes e expressões das pessoas ao seu redor são as mesmas. Síndrome de Fregoli ou padronização de comportamento ditado pelo mundo? O filme não entrega, mas desfila situações típicas de uma globalização desenfreada embaladas num humor negro e sutil. A única que foge à regra de uniformidade é a simplória Lisa que a princípio arrebata o coração de Stone, tornando-se imediatamente diferenciada inclusive na voz para nortear o marasmo da monótona vida do autor.

As músicas Lakmé de Delibes e “Girls just wanna have fun” da Cindy Lauper pintam em cores pouco vibrantes a trama sombria e desconfortável que não é própria para menores. O enigmático título é uma aglutinação do nome da personagem de Lisa com a palavra brasileira anomalia, citada no livro de Stone como referência à suposta aberração de um país da América Latina que fala português. Ou seja, é um filme difícil, de reflexões incomuns no gênero, que poderia até ser considerado uma animação noir de indiscutível qualidade.

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Curta: Ilha das Flores (1989)

ilha-das-flores_curtaPor: Joma Bastos.
Este filme, Ilha das Flores, embora seja de 1989, continua atual e simboliza as mais variadas situações de profunda Desigualdade Social existentes na nossa Sociedade.

Os políticos só vão ter credibilidade quando sobrepuserem os valores da População aos dos seus partidos, e procurarem as melhores soluções para atender à Sociedade, sem olharem a diferenças econômicas, sociais e sem fazerem distinção entre as Pessoas.

São cerca de 60 milhões de brasileiros muito pobres, que vivem na miséria ou perto dela, quase que excluídos da sociedade, e acontece que pouco fazemos para os inserir econômica e socialmente entre todos nós.

Esperemos que haja um desenlace, um término para o grave problema da miséria e da pobreza no Brasil, e não podemos dar oportunidade para a existência de políticos picaretas, que têm como finalidade o enriquecimento ilícito e a destruição do potencial econômico e social desta Nação.

Por um Brasil com maior Igualdade Econômica e Social!

Ilha das Flores (1989). Brasil. Direção e Roteiro: Jorge Furtado. Elenco: Paulo José (Narração), Ciça Reckziegel (Dona Anete), Douglas Trainini (o marido), Júlia Barth (a filha), Igor Costa (o filho), Irene Schmidt (a compradora), Gozei Kitajima (Sr. Suzuki 1), Takehiro Suzuki (Sr. Suzuki 2), Luciane Azevedo (Ana Luiza Nunes), Antônio da Silva (o dono do porco), Marcos Crespo (o empregado). Gênero: Curta. Duração: 13 minutos.

Sinopse: Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. ILHA DAS FLORES segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

Curta: Ilha Das Flores (1989)

Por Sara Lasi.

O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.

Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.

Ainda dentro do tema trouxe algo sobre a teoria da indústria cultural, para reflexão e apreciação de quem gostou desse Curta:

Os meios de comunicação de massa (veículos da indústria cultural) nos prometem, através da publicidade e da propaganda, colocar a felicidade imediatamente em nossas mãos, por meio da compra de alguma mercadoria: seja ela um CD, um calçado, uma roupa, um comportamento, um carro, uma bebida, um estilo etc. A mídia nos promete e nos oferece essa felicidade em instantes. O público, infantilizado, procura avidamente satisfazer seus desejos. Uma vez que nos tornamos passivos, acríticos, deixamos de distinguir a ficção da realidade, nos infantilizamos e, por isso, nos julgamos incapazes, incompetentes para decidirmos sobre nossas próprias vidas etc. Uma vez que não nos julgamos preparados para pensar, e desejamos ouvir dos especialistas da mídia o que devemos fazer, sentimo-nos intimidados e aceitamos todos os produtos (em formas de publicidade e propaganda) que a mídia nos impõe.” (http://www.urutagua.uem.br//005/14soc_barbosa.htm)

Ilha das Flores“, criado há mais de 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!

ILHA DAS FLORES – curta metragem
Brasil – 1989 – Direção: Jorge Furtado – Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).

A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland. 2008)

a-menina-no-pais-das-maravilhasSensível! Emocionante! Maravilhoso! Essas são algumas das expressões que me veio ao término de ‘A Menina no País das Maravilhas‘. Porque ao longo do filme me emocionei muito com Phoebe (Elle Fanning). Como também cheguei a ficar com raiva da mãe dela, Hillary (Hillary Lichten), numa cena com o psiquiatra.

aliceNão entendo porque um filme como esse chega ao Brasil direto em Dvd. Poderia também ser exibido em Cinemas. Até para ganhar uma maior divulgação. Principalmente para os Professores apresentarem essa obra de Lewis Carroll – ‘Alice no País das Maravilhas‘ -, às crianças. O filme além de introduzir a história de maneira ímpar aborda outros temas. Mas ainda dentro desse universo: a ‘Alice’ leva a criança a discernir qual será o seu papel de fato no mundo tão cheio de convenções. Em não perder-se da sua essência. O ‘Quem é você?‘ em cada situação de sua vida.

Um outro tema abordado, o bullying, eu ressalto sempre que vejo num filme. Fica numa esperança de limpar essa carga negativa nas novas gerações. Já que será mais difícil, nas outras. Em ‘A Menina no País das Maravilhas‘ há uma cena emocionante onde um ‘diferente’ é enfim integrado a turma…

Ainda dentro do universo escolar… Em ‘A Menina no País das Maravilhas‘ temos uma Escola castradora. Não é dado às crianças o direito de perguntar, de questionar aquilo que ensinam. Para eles a lei máxima é: ‘Siga as regras, e seja feliz‘. Mas feliz onde? Ou como? Onde ficaria o verdadeiro eu desse ser ainda em formação? Limites, respeito às regras, devem vir de dentro. Saber escolher entre o certo e o errado, mas não de forma arbitrária. E mais! Podando o raciocínio pode terminar fazendo que muitos vivam querendo sonhos quiméricos, sempre. Sem o menor planejamento. Na infância, a fantasia pode ser uma grande aliada para o futuro. Que em vez de castrar, o adulto deve acompanhar de perto.

Para Phoebe a ajuda veio na nova Professora de Artes Dramáticas. Que iria encenar a obra de Lewis Carroll na Escola. Era a Miss Dodger (Patricia Clarkson). Alguém que veio abalar com toda aquela rigidez. Phoebe ciente de que tem um problema hesita por um tempo em candidatar-se a um papel na peça. Assim como muitas, queria ser a Alice. Um dos outros destaques seria o de que o papel da Rainha de Copas será pretendido por um menino, o Jamie (Ian Colletti). O que dará margens a ser zoado pelos demais. Phoebe e Jamie, os ‘diferentes’, ficam amigos.

Coincidência ou não, a mãe de Phoebe passa por um bloqueio criativo. De não estar conseguindo escrever sobre o tema que escolheu para a sua dissertação: e que seria em cima da história de Lewis Carroll. Por esse, e outros problemas, termina por se culpar. Achando que a Phoebe está assim por não lhe dar mais atenção. Nem se tocando que a filha caçula ressente da falta da atenção da mãe. E nesse universo familiar conflitante o pai (Bill Pullman) se frustra que de onde aceitaram publicar seu livro, ele não será lido.

phoebe-in-wonderlandPhoebe clama por ajuda. Não sabe o que se passa consigo. Não tem controle do que faz, do que fala… o único lugar onde não se vê diferente, onde não sofre pressões, onde pode usar livremente a sua mente, a sua imaginação… é nesse mundo encantado. Mas que também pode ser real se a tal peça teatral for realizada.

Alguns podem achar que estarei trazendo um spoiler ao contar qual é o problema de Phoebe. Mas até pelo caráter educativo do qual gostaria que os Professores assistissem esse filme, pois podem ter alguém assim em Classe – até porque pelo pouco que eu li em cada cem pessoas uma passa por isso -, como também para quem tem alguém com isso na família, ou até o é a própria pessoa… Enfim, direi: a Phoebe tem a Síndrome de Tourette. Eu até tentei trazer um resumo, mas é preferível que vocês mesmo pesquisem. Para não tratar com superficialidade esse problema.

Eu, que o que me motivou a ver esse filme foi por amar a Alice, de Carrol… me vi presenteada com esse excelente filme! Bravo Phoebe! E um outro a pequena grande atriz Elle Fanning!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Daniel Barnz. Elenco: Elle Fanning (Phoebe Lichten), Felicity Huffman (Hillary Lichten), Bill Pullman (Peter Lichten), Patricia Clarkson (Miss Dodger), Campbell Scott (Diretor Davis), Ian Colletti (Jamie), +Cast. Gênero: Drama, Família, Fantasia. Duração: 96 minutos.