Série: The Family (2016 – ). Estilhaçaram novamente aquelas vidraças… E agora?

the-family_serie_00Por: Valéria Miguez (LELLA).

Estariam todos eles em busca de uma identidade própria?

A Série “The Family ao nos levar para dentro de um drama familiar o faz com pitadas de um thriler! Até porque mais do que revelar os acontecimentos, somos conduzidos a refletir quem são cada um deles individualmente! Tanto no núcleo da família protagonista, como também com alguns de fora, mas diretamente envolvidos na trama, voluntariamente ou não, personagens do passado dessa família como também aderidos as circunstâncias atuais. É que o foco principal se dá com a volta de um dos filhos do casal dado como morto há dez anos atrás. Onde até houve uma pessoa que foi condenada por tal crime.

Assim, temos segredos entre si e para além daquelas vidraças novamente estilhaçada!

Do núcleo familiar temos: conflitos entre o casal central; um dos filhos sentido o peso de ser o ‘loser‘; carreiras profissionais que os afastam até afetivamente do lar, inclusive num jogo perverso quando a ambição fala mais alto… Por ai segue! A saber, temos: a matriarca é Claire Warren, personagem de Joan Allen (de “A Outra Face da Raiva“). Que se com a comoção com a perda ela foi eleita para Prefeitura local, agora com o retorno do filho aproveita para voos mais longe, ser a Governadora. Ajuda não apenas pela atenção midíatica, mas também pela própria filha do casal, a jovem Willa Warren, personagem de Alison Pill (de “Scott Pilgrim Contra o Mundo“). Dela, Claire recebe “ajudas” que nem faz ideia. Com a volta do filho, o pai que se encontrava em viagens, volta então para casa. Ele é John Warren, personagem de Rupert Graves (de “V de Vingança”). John sem querer ficar à sombra da esposa tornara-se um notório escritor e palestrante sobre com o tema “Luto em Família”. Embora feliz com a volta do filho caçula, perde um pouco seu chão profissional, além de ter também a volta de um antigo affair. Ele também fica dividido se o jovem é ou não o seu filho, mas não tanto como o outro filho, Danny, personagem de Zach Gilford. Outrora um adolescente alegre e desportista, encontra-se perdido no álcool. O que pode lhe deixar desacreditado se o irmão é ou não um impostor. Até porque o então Adam (Liam James, de “2012“) deixa dúvidas em quem assiste, se ele é o não o verdadeiro Adam.

the-family_serie_01Com a volta de Adam…

Temos Hank Asher, personagem de Andrew McCarthy (de “O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas“). Vizinho dos Warren e já tendo sobre si um caso de pedofilia, fora coagido a confessar o assassinato de Adão: o que lhe rendeu dez anos atrás das grades. Inocentado, e até recebendo uma alta quantia pelos danos morais, tenta voltar com a vida. Só que agora parece que terá uma mais isolada: todos na localidade o reconhecem e se distanciam. Além de ter que conviver com o ódio dos Warren. Que em vez de um pedido de desculpas, recebe a fúria de John por culpá-lo das privações que o filho passara nesses dez anos. É que com a confissão, o caso fora encerrado pela Justiça, não havendo mais buscas.

Também volta à cena a então Sargento de Polícia Nina Meyer (Margot Bingham). Nina fora a detetive encarregada de resolver o caso do sumiço do pequeno Adam. No afã até de se promover, baseando-se mais em disse-me-disse do que provas, ela então forçara Hank a se confessar culpado. Agora, não lhe resta outra alternativa em ir em busca do verdadeiro culpado e com o que colheu agora do Adam. Além de se ver novamente envolvida amorosamente com John.

Além de também entrar em cena dessa vez uma repórter local, Bridey Cruz (Floriana Lima). Talvez em busca de voos mais longe, Bridey que até então tem uma coluna/blog sobre o estilo de vida de uma homossexual, agarra a notícia da volta de Adam como o seu passaporte. Para isso até fará um jogo de sedução com Danny, que até estava junto com ele no dia em que ele desaparecera.

E com eles e mais outros personagens a trama segue pulando entre o passado e presente, mas com cortes precisos onde vai mostrando a história além de manter o suspense do que ainda está por vir. E todos estão bem ambientados com o contexto. O que é muito bom! As performances estão de fato ótima! Assim como o desenvolvimento da trama!

Ponto para a criadora, Jenna Bans, que em “The Family” dá o seu voo solo, após ser co-roteirista em “Scandal” e “Grey’s Anatomy“, entre outras séries. O que lhe dá bastante base para emplacar nessa sua primeira obra. Tomara que agrade também os fãs em solo americano já que é audiência nos Estados Unidos que conta ponto para ir ganhando mais temporadas. Estando ainda com poucos episódios nessa sua primeira temporada exibida pela canal Sony. Eu estou gostando!the-family_serie_2016

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Cidade dos Anjos (1998). Um dos Mais Belos Romances do Cinema

cidade-dos-anjos-1998_cartazPor Cristian Oliveira Bruno.

Você já amou alguém em sua vida? Não falo de se apaixonar, pois nos apaixonamos todos os dias por coisas diferentes e, muitas vezes, essa paixão dilui-se com o passar do tempo. Falo de amar de verdade. Do fundo da alma. Sentir algo que você não sabe explicar. Um sentimento capaz de deixar sua vida e sua existência completamente desorientada, sem rumo. Falo de não pensar duas vezes antes de abandonar tudo o que você sempre desejou e buscou na sua vida e fazer os mais indizíveis sacrifícios em nome desse sentimento. Tudo isso só para poder estar com a pessoa amada, mesmo que “estar” não signifique “ficar” com esta pessoa.

cidade-dos-anjos-1998_01Se a resposta for ‘sim’, você entenderá e gostará de Cidade dos Anjos (City of Angels, 1998). Se a resposta for ‘não’, você pode até achar insólita a estória de Seth (Nicolas Cage), um anjo do reino de Deus disposto a tornar-se mortal e abandonar a eternidade para ficar com a Dr. Meggie Rice (Meg Ryan), mas você ainda irá gostar do filme.

O porquê de tanta certeza? Não sei. Mas o fato é que Cidade dos Anjos é um filme muito bom puramente como cinema. O diretor Brad Silberling (Gasparzinho; Desventuras em Série) realiza seu único trabalho maduro e sério (embora Um Astro em Minha Vida seja um bom filme também), mas o faz com grande competência e esmero, e nos entrega um romance agradável e singelo. Bonito, acima de tudo.

A trilha sonora é ótima, com destaque para a canção “Iris“, da banda Goo Goo Dolls, que embalou muitos corações apaixonados na época. O visual gótico dos anjos dá um charme especial ao filme. Nicolas Cage ainda levava sua carreira a sério e Meg Ryan não compromete em nada o filme, além de contarmos com o excelente Andre Braugher (Duets; O Nevoeiro) no elenco.

cidade-dos-anjos-1998_02O simples roteiro (esmiuçado em apenas duas linhas logo acima) apresenta os elementos básicos do gênero: dois seres apaixonados e uma barreira aparentemente intransponível entre os dois, que exigirá um sacrifício hercúleo para ficarem juntos. O ritmo dado pelo diretor ao filme é muito bom, distribuindo os atos pelos 115 minutos do filme de maneira com que este não nos canse nos momentos em que deveria prender nossa atenção. Mesmo assim, alguns furos chamam a atenção, como Sr. Messinger (Dennis Franz) deixa o hospital para dar uma volta pela cidade com Seth – afinal, como ninguém viu um homem em vestes pós-operatórias zanzando por aí – e a relativa naturalidade com que Meggie encara a situação de se apaixonar por um anjo, mas nada muito fora do contexto.

cidade-dos-anjos-1998_03Mesmo determinado, Seth se encontra em dúvida, em um dilema. Como deixar a eternidade para um inseguro salto para o desconhecido? Seth acaba descobrindo que ser humano livre é mais difícil do que viver toda a eternidade sob os dogmas de uma doutrina celestial. Como anjo, Seth poderia ver de perto toda a transformação do universo e da humanidade, mas sem nunca poder senti-la na pele, na alma. Caindo na terra, viveria apenas mais algumas décadas, mas teria algo que a imortalidade jamais poderia lhe conceder: uma vida. Uma vida feita de momentos para recordar, motivos para lamentar e um amor para viver.

A tragédia anunciada parece, num primeiro instante, tornar a jornada de Seth desastrosa. Mas, na verdade, dá todo o sentido às escolhas que fez. Seth entendeu que as maiores dádivas concedidas por Deus estão ao nosso redor. Descrevê-las, observá-las e presenciá-las não são o mesmo que senti-las. E isso é passado com muita eficiência pela direção.

Cidade dos Anjos continua sendo um dos grandes romances do cinema, mesmo 16 anos após seu lançamento, e ainda hoje é capaz de emocionar, ou pelo menos, agradar em um nível bem acima da média.

Avaliação: 08.

Cidade dos Anjos (City of Angels. 1998)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Minha Querida Dama (2014). Com a Herança, um Divã a Três em Paris!

Minha-Querida-Dama_2014_cartazSó em ter Maggie Smith e Kristin Scott Thomas – duas Divas do Cinema Britânico – nos créditos de um filme já é um belo convite para assistir. Mesmo se seus personagens só iriam orbitar em torno do protagonista já que a presença delas deixaria no ar que seriam coadjuvantes de peso. Agora quando uma delas está até inserida no título deixa no ar que os papéis podem no mínimo inverter. Mais! Quando a sinopse do filme diz o peso de que sua personagem terá na vida do protagonista e com quem seria o ator, Kevin Kline, se vislumbra grandes cenas entre eles. Era então conferir a Comédia Dramática “Minha Querida Dama“. E sendo em Paris, com direitos a um Romance.

Minha-Querida-Dama_2014_01O personagem de Kevin Kline é Mathias Gold. Que de repente seus problemas monetários acabariam: herdara uma mansão na encantadora Marais, região nobre da capital parisiense. Se despede de Nova Iorque e parte para a França com a intenção de vender a propriedade e começar uma nova vida em algum lugar qualquer. Onde a vinda desse dinheiro sepultaria de vez todos os seus fantasmas. Sem saber que foram juntos na bagagem. Até porque essa herança lhe mostra que nem manteve um relacionamento com o pai após se tornar adulto. Mas uma relação como essa – Pai e Filho – para ser mantida num clima razoável a aproximação deveria partir de ambos os lados. Mathias sentiu o impacto dessa indiferença ainda muito jovem. Pior! Fora punido por sua própria mãe: algo que vem à tona durante o filme. Ele até tentou manter relações amorosas, mas que terminaram levando sua estima por si próprio como também o seu dinheiro da venda de seus livros. E a bebida levou o que restara até das amizades. Assim, ele chega na França: com uma esperança, livros em fase final e sem um tostão no bolso.

Acontece que não seria tão simples como desejara na venda da tal mansão. É que a antiga proprietária, e ainda moradora, teria que morrer primeiro. Tudo porque seu pai a comprara no sistema de “viager“: paga-se por um preço bem abaixo do valor do imóvel, mas não apenas permitindo que o antigo proprietário resida no local até morrer, como também que o novo contribua mensalmente com uma renda para que o antigo até possa cuidar do imóvel.

Minha-Querida-Dama_2014_02A proprietária anterior é a personagem de Maggie Smith, Madame Mathilde Girard já por volta dos 90 anos. Que ouvindo o relato de Mathias, de que estaria sem dinheiro, permite que ele resida num dos quartos. Onde além de uma serviçal, na mansão também reside a filha de Mathilde, a Chloé, personagem da atriz Kristin Scott Thomas. Essa a princípio não concorda com a presença de Mathias, mas depois aceita até para demovê-lo da ideia em vender para alguém que demoliria a mansão para construir um hotel. Que não deixa de ser uma crítica que o Diretor Israël Horovitz faz para as especulações imobiliárias que acabam com o lado histórico de certas regiões e em grandes metrópoles.

Com a tal renda mensal já preste a ser paga, Mathias encontra uma solução nada ortodoxa para conseguir o dinheiro. Uma outra também para não se sujeitar ao ultimato dado por Chloé. E enquanto ganha tempo para vender a mansão… Mas revirando as coisas um certo quarto… Descobre coisas do seu próprio passado que até então não lembrava mais: fotos dele em criança… Ao inquerir Mathilde, lhe bate uma de “meu mundo caiu”, entregando-se as bebidas da ótima adega da mansão. Acontece que sobram estilhaços também para Chloé e a própria Mathilde… Pronto! Estava formado um Divã a Três!

O Diretor Israël Horovitz, que também assina o Roteiro, coloca dois únicos cenários como pano de fundo nessa história. Onde de um lado ficaria a mansão com todo o peso do passado principalmente para Mathias que foi quem mais sentiu, já que ela trouxera novos fantasmas. E de outro, os passeios pelas margens do Sena, como a convidar Mathias que mesmo diante das coisas mais improváveis enquanto seu próprio coração pulsar há de se adequar as novas mudanças.

Minha-Querida-Dama_2014_03Minha Querida Dama” traz os ressentimentos como sequelas das falhas dos próprios pais. Num raio-X do que estaria por trás de alguém que se sente um fracassado na vida. Sem julgá-lo, apenas nos levando a conhecer por esse personagem, e já perto de completar 60 anos, um sentimento que pesa em muitos vivendo conflitos iguais. São segredos de família que quando verbalizados podem sim gerar explosões de raiva, dor, frustração, impotência… mas que mais do que uma aceitação se vier como lições pode revigorar e cicatrizar de vez essas feridas na alma.

Então é isso! Num timing perfeito entre tudo e todos! Com uma ótima também participação de Dominique Pinon cujo personagem juntamente com Mathias voltam após os créditos finais comentando sobre um outro tema também abordado no filme: aulas de língua estrangeira. Mas em qual delas é de mais serventia para cada pessoa. É o uso dos meios mais prazerosos para chegar a um fim! Fica a dica! Fica também a sugestão de um filme Nota 10! Mas que não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha Querida Dama (2014. My Old Lady)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Duas Vidas (2000). O que Faria da Vida que Resta e sem Saber o Quanto?

duas-vidas_2000_capabalanca_o-ter-versus-o-serCulturalmente nos Estados Unidos a chegada dos 40 anos de idade para o homem é como um rito de passagem. O porque dessa idade, talvez porque o homem ainda estaria em pleno vigor físico o que lhe daria mais tempo de ainda aproveitar a vida de maneira satisfatória caso venha a dar uma guinada nela. Ou até tenha começado quando a expectativa de vida era bem menor do que a de hoje. De qualquer forma, também podemos juntar um outro padrão comportamental muito arraigado por lá: “winner x loser“. Dois outros filmes que também abordam toda essa temática seriam: “Beleza Americana” e “Amigos, Sempre Amigos” (1991). Sendo que o primeiro, com Kevin Spacey, mostra essa balança dos 40 anos com um peso bem maior do que o segundo com Billy Crystal que nem seria por ser uma Comédia, mas sim por colocar como peso a relação com os amigos. Mas todos mostram: o peso do ser com o ter. O diferencial estaria no fato de que em “Duas Vidas” o protagonista é levado a fazer a tal revisão já que até então ele seguia com a vida tranquilamente.

Levo a vida como eu quero…
Eu compro o que a infância sonhou

duas-vidas_2000_01Assim, às vésperas de completar 40 anos idade uma criança surge na vida do protagonista levando-o a reavaliar se valera a pena até ali! Não apenas o presente, mas principalmente revisitando seu próprio passado. Agora, aí com um olhar onde entra também o peso da experiência de vida até então. Claro que um confronto com certos fantasmas é algo dolorido, mas que depois também pode ser revigorante. Enfim, esse rito de passagem na fase adulta, acrescidos de novos valores, com novas posturas, pode vir a deixar mais leve a vida dali para frente. Até em saber se teria comprado/realizado tudo que a infância sonhara e que ou qual valor teria para o futuro.

Em “Duas Vidas” temos Bruce Willis como Russ Duritz, um consultor de imagem. Um tipo de personal style multifacetado: assessorando e cuidando da imagem pessoal de políticos, executivos, desportistas… Altamente competente, antenado o que o faz ser um profissional bem respeitado e requisitado. Onde também tal e qual a personagem de Meryl Streep em o “O Diabo Veste Prada“, para ser manter no patamar alcançado e num campo muito competitivo, a cobrança também vem de si próprio: daí até colocando em segundo plano o lado da emoção. Ou mesmo sufocando-o tanto que nem mais se dar conta disso. Russ se tornara um cara frio que não se deixava levar por sentimentalismo.

duas-vidas_2000_03Falando nesse lado da emoção que na área psico seria o lado feminino… Ao lado de Russ, duas mulheres. Uma seria o suporte técnico de base, a secretária Janet, personagem da sempre ótima Lily Tomlin. Janet é também quase uma babá, ou a mãe, desse meninão, até por fazer suas vontades, como o colocando para dormir por telefone. A outra mulher em sua vida é Amy, personagem da atriz Emily Mortimer, que seria a assessora de Russ: uma agente em campo. Amy nutre um amor por ele, mas pelo jeito ele trancara o coração e jogara a chave fora. A grande questão era que ele não sabia lidar com os próprios sentimentos.

Tudo corria bem na vida do metódico Russ até a chegada de um garotinho, personagem do ator Spencer Breslin. Como uma lufada de vento ele veio trazer mudanças na vida de Russ. Agitar, bagunçar todo aquele ambiente esterilizado até de sentimentos… Assim, enquanto ajuda o garoto a procurar a encontrar sua casa, Russ é levado a se auto analisar. Até porque não se dá um tempo para as sessões de fato com uma psiquiatra (Dana Ivey). E o menininho é show! Vida longa para a carreira de Spencer Breslin!

Enfim, mesmo com todos os clichês até por ser uma produção da Disney – logo voltado para a Família -, o filme nos leva a sorrir, a se encantar e até a se emocionar. O Diretor Jon Turteltaub além de ter ao seu dispor o sempre ótimo Bruce Willis, ele conseguiu alinhar bem todo elenco e num timing perfeito deixando a trama com uma cara de uma história original. Lembrando que em “Duas Vidas” o culto às aparências como garantia de elevar o status social é uma crítica a sociedade atual que valoriza muito mais o ter do que o ser. Onde também o agir/reagir diante às adversidades pode no mínimo mostrar como conviver com os próprios fantasmas/defeitos. Até porque essa idade, 40 anos, também pode ser vista como o início dos primeiros anos do que resta da sua vida mesmo sem saber de quanto tempo ainda falta. O que fazer/agir a partir daí?

Então é isso! E que eu gostei muito! Nota 09!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Duas Vidas (Disney’s The Kid. 2000)
Ficha Técnica: na página do IMDb.

Garimpando pelo Blog uma Homenagem ao Dia do Pais!

São Filmes que mostram um Pai, biológico ou não, presente ou ausente até de fato inexistente, onde por vezes é um outro parente – um avó, um tio, um irmão mais velho -, ou mesmo um professor, enfim a figura paterna que de certa forma teve um papel ou não na vida de uma criança. E o Cinema nos traz alguns desses relacionamentos. Histórias que nos emocionam, nos alegram, ou até nos deixam tristes por algumas maldades… Lembrando ainda que não é uma via de mão única nesse relacionamento, mais pai e filho até tentando se entenderem.

Um Feliz Dia dos Pais a Todos!

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Enquanto Somos Jovens (While We’re Young. 2014)

enquanto-somos-jovens_cartazmad-about-you_serie_e_enquanto-somos-jovens_filmeNa natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier)

Uma ideia levando a outra para um tipo de homenagem? Ou apenas servindo de inspiração para uma outra história? Se foi o que aconteceu ou não… Foi o que me ocorreu logo no início como também ao longo de “Enquanto Somos Jovens“: me levou a pensar na série “Mad About You“, com Paul Reiser e Helen Hunt. Não sei o quanto ou se o Diretor Noah Baumbach gostava dessa série, mas a mim pareceu sim ter-se inspirado nela para escrever o roteiro desse seu filme. Nada contra, até porque eu curto ver a reprise dessa série. Mas ao término do filme vi que nem ficou como homenagem… De qualquer forma, além da temática principal, “Enquanto Somos Jovens” traz como pano de fundo as gravações de Documentários: o processo de criação. Mais! O quanto ao fazer uma Biografia dá o direito de não o ser tão literal: é o diretor dando asas a sua imaginação.

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_charles-grodinEnquanto Somos Jovens” traz um momento na vida de um casal. Unidos há anos, de repente se veem colocando a prova tal relação: como casal, como também individualmente. Onde um dos pesos seria a importância que cada um ainda tem na vida do outro. Onde quase sempre o que se ressente é o que mais se anulou. Até porque há um lado meio egoísta no outro. Nessa relação, o peso de não ter conquistado a fama que tanto queria. São eles Cornelia e Josh Srebnick, interpretados por Naomi Watts e Ben Stiller. Atuação mediana onde até poderiam ter tido grandes solos. Talvez porque eu tenha esperado um carisma igual ao casal da tal série. Talvez porque um outro personagem ter roubado a cena, o filme… Onde até um outro coadjuvante também marca presença. Falo de Charles Grodin, que faz o Leslie, o sogro de Josh. Cineasta famoso, colhendo os frutos da glória, até tenta ajudar o genro, mas esse por orgulho não aceita nem críticas construtivas.

enquanto-somos-jovens-2014_adam-driver_e_amanda-seyfriedO outro tal personagem é Jamie (Adam Driver), casado com Darby (Amanda Seyfried). Ele meio que de repente caiu de paraquedas na vida do casal; ou porque assim deixou acreditar… Como um Diretor de um Documentário “interferindo” na vida de outra pessoa e deixando ali desde o início sua marca pessoal. Algo que Josh nunca alcançou ao longo de sua carreira: em ser ousado. Enquanto tudo tinha que ser certinho, para esse outro deixava correr livremente, mas a partir de algo previamente calculado. Embora possa ser paradoxal, é que estaria em aproveitar até os imprevistos no correr do dia, do trabalho. A relação de ambos será um duelo de ego que só irá pesar para o lado de Josh. Até porque para o outro, não apenas por ser mais jovem e por ainda estar em início de carreira, mas porque era como pegar o caminho já quase sem as pedras tiradas por Josh e sem a menor preocupação. Como também aproveitar do que Josh desdenhou, ignorou. Até em ter mais visão do todo favorecia Jamie. Só que nem era pelo fato de Josh não ser mais tão jovem, mas sim por inaptidão frente as mudanças. Faltava a Josh o que Jamie tinha de sobra: de jogo de cintura. Bem, Jamie até pode ter roubado a cena, mas…

Mas é a vida de Josh e Cornelia que está sendo passada a limpo. De pronto, ambos se encantam com o estilo de vida do casal mais jovem. Onde até por não terem tido filhos já estavam se sentido deslocados na vida dos antigos amigos: o casal Marina (Maria Dizzia) e Fletcher (Adam Horovitz). Mas ao se afastarem acabam, mesmo que involuntariamente, dando a eles um certo alerta… Pois é! Marina e Fletcher entendem mais rapidamente a nova realidade em suas vidas: um filho adentrou nela sim, mas não precisam excluir, e sim se adequar a essa nova fase. E que pelo jeito não incorporaram Josh e Cornelia nela…

enquanto-somos-jovens-2014_ben-stiller_e_naomi-wattsAssim, enquanto Josh se sente “o cara” como um mestre para Jamie, Cornelia tenta acompanhar o estilo de Darby. Usados ou não, até pelos propósitos de Jamie, esse nem pode ser considerado um vilão já que deu um “acorda” na vida do casal. Na rotina em que caíram após anos de casamento. Onde mais por parte de Josh quase sem perceberem que no mundo atual há espaço para tudo: passado e presente se integrando. Que deveriam se adequar a esses novos rumos que por vezes batem à porta. Sem esquecer também de ir se desfazendo “bagagens” sem mais necessidade numa de depurar a nossa essência. É nessas quebras de ciclo que de fato ocorre uma mudança significativa na vida de uma pessoa. Do contrário irá continuar fazendo tudo igual Que no caso de Josh continuará sendo o panaca de sempre…

Enquanto Somos Jovens” é um bom filme! Pelos diálogos. Pela Trilha Sonora, do Clássico “Concerto for Lute“, de Vivaldi, ao Pop “Eye Of The Tiger“, de Survivor. Pela escolha do ator Adam Driver. Cujo Roteiro até deixa uma vontade de rever muito mais pela construção de um Documentário do que pela crise de meia idade do casal de protagonistas. Pois mesmo que tenha passado essas impressão, o filme focou mais em algo cultural naquele país: o se sentir um derrotado. Onde até poderia ter sido um ótimo filme, mas para mim Ben Stiller não soube aproveitar. Uma pena! Nota 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Enquanto Somos Jovens. While We’re Young. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.