O Ditador (The Dictator. 2012)

Sacha Baron Cohen! Esse nome trouxe algo um tanto inédito nos últimos tempos: o de “Ame-o ou deixe-o!”. Por causa dos seus filmes. Para um público internacional o peso disso surgiu com o seu “Borat“. Continuando em “Bruno“. Personagens e tramas marcantes e controversos. Agora, não sei se para conquistar um novo público, e quiça uma nova legião de fãs, que temos em “O Ditador” um filme mais comerciável. Diria mais: mais mastigado. O que pode não agradar seus fãs mais puristas. O que seria uma pena! Até por mostrar que mesmo gostando muito de seus personagens não precisa ser tão radical. Os personagens de Sacha mesclam entre um ar patético dos de Jerry Lewis com o humor displicentemente ferino dos do grupo Monty Python. Só que exagerando na dose.

Se Chaplin nos emociona até hoje com seu discurso de o seu “O Grande Ditador” (1940), creiam, “O Ditador” de Sacha, o General Aladeen, nos leva a chorar com o seu discurso na ONU, mas chorar de rir. Só essa cena – texto + performance -, já vale ter visto o filme. E mais! Deixando até uma vontade de rever. Sem tirar a surpresa de todo: o General Aladeen mostra a “diferença” entre uma Ditadura do Oriente Médio e uma Democracia como a dos Estados Unidos. A cara que ele faz dá um peso maior ao que discursa. Diria que é cruelmente hilário!

Sem as cenas escatológicas dos seus dois filmes anteriores citados, e que também foram dirigidos por Larry Charles, “O Ditador” mete o dedão na ferida do jogo político que há entre países ricos: a disputa não pelo poder maior, mas sim em se manter nele. Porque é um poço sem fim de lucros advindos das comissões em grandes transações. Muitas tendo até como fachada: fins humanitários.

Para o público “virgem” se ao assistir o filme focar nesse tipo de mensagem já terá percorrido meio caminho para se tornar fã desse ator. Do tipo de humor do Sacha. Como também para curtir esse filme por um todo. Se divertir com o seu General Aladeen. E quem seria ele? Aladeen não passa de um meninão riquíssimo, mimado, que leva uma vida nabanesca, se achando o maioral em ser um ditador sanguinário da República de Wadiya. Mas que acima de tudo: tem muita sorte em sair ileso dos inúmeros atentados. Tem como braço-direito Tamir; personagem do também sempre ótimo, Ben Kingsley.

Tudo seguia seu rumo em Wadiya, quando Aladeen é persuadido a comparecer na ONU para dizer que não está fazendo armas nucleares com fins militares. É quando descobre que morto será o tesouro dos “Quarenta Ladrões”. Assim, escapando de mais um atentado, numa engraçada cena com a participação do também ótimo John C. Reilly, Aladeen se vê perdido numa terra inóspita. Para ele, é claro! Já que se encontra em plena Nova Iorque.

“O Rei está nu!” Despido até do seu poder, Aladeen chama a atenção de uma jovem com jeitinho moleque. Ela é a dona de um Empório de produtos naturais, sem agrotóxicos. Vegan convicta. Uma Pacifista meia ferrenha. Mas uma empresária que não sabe bem gerenciar os empregados da loja. Pois até à frente de uma loja há de se ter um respeito a hierarquia. Ela é Zoey, personagem de Anna Faris. Aladeen que até então pagava, e muito bem, para prazeres carnais momentâneos, desconhece a atração que começa a sentir por essa mulher com aparência de um menino. Como também fará novas descobertas, até em saber que a arte em comandar não precisa passar por distribuir tesouros.

O filme traz a grosso modo uma radiografia do capitalismo versus o socialismo, mas mais pelo radicalismo dos e nos posicionamentos. Agora, sem esquecer de que essa reflexão mais séria vem com a cara/marca do Sacha. O que me leva a continuar fã desse ator, sem ser xiita.

Então é isso! Um filme para os já fãs e os que ainda não são. Pois terão também em “O Ditador” um humor escrachado. Com quase liberdade total. Onde o “quase” vem pelo fato de que em vez de ter a religião que estaria mais de acordo com a região, Sacha, até para continuar livre e vivo para novos filmes, prefere cutucar os judeus. Safo, não!? No mais, há participações especiais que complementam a trama de um ótimo filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Ditador (The Dictator. 2012). EUA. Diretor: Larry Charles. Roteiro: Sacha Baron Cohen, Alec Berg, David Mandel, Jeff Schaffer. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 94 minutos. Classificação: 14 anos.

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Minha felicidade (Schastye Moe. 2010)

O homem é um produto do meio? Mais! Frente a uma natureza tão inóspita ele tem direito de liberar seus instintos mais selvagens? A ponto de acabar com a felicidade daquele que mais que aceitar vai se adequando a realidade do mundo em que vive? Essas são algumas das reflexões que fiz com esse filme após um certo tempo do impacto com o desfecho que me levou a sonorizar apenas um: “Nossa!”.

Minha Felicidade” não é filme de fácil digestão. Que à primeira vista, me levou a pensar se perdi algo ainda na primeira parte dele. Mas segundos depois as peças começaram a ser encaixar. O Diretor Sergei Loznitsa, que também assina o Roteiro, nos leva a um panorama quase documental de um território esquecido. De uma terra sem lei, ou a lei que de fato existe é da mãe natureza. O que leva o homem a cortar a linha tênue do ser violento que é na sua essência quando em luta pela sua própria sobrevivência. Mas por outro lado tem frente a rudeza, o tentar viver em sociedade. Afinal, o ser humano é um ser social. Ou pelo menos deveria ser.

Pelo filme “Doze Jurados e Uma Sentença” (2007), de Nikita Mikhalkov, temos uma radiografia da Rússia urbana após as separações, divisões, dessa ex-grande potência mundial. Nesse aqui, “Minha Felicidade“, ficamos conhecendo um pouco desse imenso interior, tão desassistido desde a Grande Guerra. Mesmo ciente de que a pobreza não é a vilã em levar alguém a um delito, não dá para não pensar se as condições climáticas do local podem levar sim a cometerem um crime. Não que isso seja um atenuante, mas diante de certas violências não se pode fechar questão dizendo que a pessoa é um sociopatia. Há umas barbáries sim. Mas algumas me fizeram lembrar no que escrevi sobre o filme “No Vale das Sombras“, de que os militares são programados para matar, mas que não há o desprogramar.

Esse retrato cruel que Sergei Loznitsa nos apresenta, e como o faz, já mereceria uma nota máxima. O filme é longo, mas que prende a atenção até para saber a relação do título com o contexto da história. Se estaria diretamente ligada ao caminhoneiro Georgy (Victor Nemets). Porque de início parece ser por esse personagem um road movie. Onde por sua boléia, ou até durante as paradas, conheceríamos um pouco da história daquela gente. E até da sua própria história. Se entre os caronas, estaria alguns fantasmas seus. O que me fez pensar no livro “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas“, de Robert M. Pirsig.

É que Georgy pelo tempo maior na trama, nos mostra um pouco dos muitos outros personagens. Pulando de uma faceta a outra, como se ora mostrasse um lado bom, para em seguida vir com um que faz coisas deploráveis. E qual deles prevaleceria após tantas bordoadas do destino. Que até fica difícil de acreditar! Ficando-se na torcida para que apesar dos pesares, esse lado de pacato cidadão.

Georgy parece querer um tempo para si. Já que não soube enfrentar, lidar com conflitos em sua própria casa. Como se pagasse por uma estadia, sai e pega a estrada. Destino: incerto. Talvez porque ali, na boléia do seu caminhão, ele se sinta um ser livre. E que mesmo tendo sido obrigado a fazer o que fizera, se via como um cara bom. Acontece que é fazendo uma boa ação, que acaba assinando uma sentença de morte. Mesmo que tivesse sido para expurgar esse seu passado recente, o destino já impusera um alto preço a ser pago.

Além dele há outros personagens ao longo da estrada. Que por vezes a principal, noutras pelas vicinais que mais parecem levar a lugar nenhum. Onde todos mais do que viverem, lutam para sobreviverem. Numa luta desigual. Onde os conflitos variam na intensidade. Alguns, tão comuns a nossa realidade atual. E que chocam! Como a prostituição infantil. Além de que, no meio do caminho tinha um certo Posto de Polícia Rodoviária. Aliás, Policiais e Militares dessa história parecia que careciam de um comando maior. Onde se deixa transparecer que perderam um com o fim da Grande Guerra.

Agora, parecem que estão todos ligados por um fio condutor que não é por essa busca pela felicidade. Aliás, uma outra reflexão que fica foi porque usou o “minha” em vez de “nossa”. Se no fundo Sergei Loznitsa quis foi mostrar que a felicidade de cada um deve interagir com as dos demais. Ainda mais num lugar onde o frio é tão intenso que se faz necessário um pouco de solidariedade.

O socialismo significa chegar aos outros, e viver com os outros. Não apenas para sonhar com um mundo melhor, mas tornar este mundo um lugar melhor.“ (Filme: “Adeus, Lenin!)

Parecem todos, quase tudo, parados no tempo. Onde a única coisa a lembrar de que poderiam estar num tempo presente, é um celular. Tão carentes de recursos. De cidadania. Como se com o fim do Comunismo foram esquecidos para trás. Não acompanharam o bonde da História. É um território rural quase animalesco. Feras feridas por não se sabe de que, mas mesmo assim revidam e a troco de nada.

Minha Felicidade” é um filme para poucos. É de difícil compreensão. Que confesso não saber se o recomendo ou não. Agora, se chegou até esse ponto, e é uma pessoa que gosta de correr risco, então assista. Será uma experiência única. De ficar meio estupefato. O termo é antigo, mas é de acordo com a trama do filme. O mais estranho ainda, é que merece uma nota máxima até pelo impacto que me deixou com o final, mas não posso dizer que gostei desse filme. Logo, nem pensar em revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha felicidade (Schastye Moe. 2010). Ucrânia. Direção e Roteiro: Sergei Loznitsa. Elenco: Victor Nemets, Olga Shuvalova, Vladimir Golovin. Gênero: Aventura, Crime, Drama. Duração: 127 minutos.

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012)

Uau! Nem deu tempo de saborear a pipoca. Aliás, é melhor deixar a pipoca para depois. Pois “Protegendo o Inimigo” é acima de tudo um entretenimento muito bom. Confesso que não esperava tanto. Eu adoro quando um filme me surpreende! E nesse não veio por reviravoltas mirabolantes. Nem em descobrir quem são os inimigos. Um deles já se detecta pelo olhar de desconfiança de um dos personagens. A adrenalina ficou mesmo em cima dos dois personagens principais. Pela química entre eles. Pelo crescimento de um dos atores. Pela generosidade do outro em dividir esse palco, como um mestre sentindo orgulho de um pupilo. Por eu nem sentir o tempo passar. Por eu nem querer que terminasse.

Ter Denzel Washington nos créditos já me leva a ver um filme. Mas confesso que em “Protegendo o Inimigo” o motivo maior foi em ver como se sairia o Ryan Reynolds num personagem como esse: um aspirante a agente da CIA. Em Comédia, ele saiu-se muito bem, pelo menos nas duas mais recentes que assisti – “Eu Queria Ter a Sua Vida” (2011) e “A Proposta” (2009), posso atestar. Agora, já não gostei dele no “X-Men Origem: Wolverine (2009)”, que entre outros Gêneros também é um de Ação. Muito embora nesse outro ele foi um coadjuvante. Por conta disso estava por demais curiosa em ver a sua performance neste aqui. E não é que Ryan Reynolds se saiu muito bem em “Protegendo o Inimigo“! Aplausos para os dois pelas excelentes performances!

Faça a Coisa Certa!”  “Não sou seu único inimigo.”

Apesar de não se ter surpresas, eu recomendo que não leiam muito sobre “Protegendo o Inimigo” antes de vê-lo. Tanto que farei quase um pequeno resumo da história, evitando assim em trazer spoiler. Para mim – os dois atores + o tema + a trama -, já bastara. As perguntas, seriam respondidas conferindo o filme. Onde a primeira delas, seria o porque de um deles estar nesse tipo de safe house. Mais! E o porque desse abrigo não ser tão seguro assim. Isso veio com a lida numa simples sinopse. Nela continha que o Agente Matt Weston (Ryan Reynolds), mantendo guarda num dos abrigos da CIA, em plena zona urbana na Cidade do Cabo (África do Sul), receberia como mais um a ser protegido um dos lendários da CIA, o ex-agente Tobin Frost (Tobin Washington).

Frost conseguira sair do mapa por uma década. Acharam até que já tivesse morrido. Pelo seu lado sociopata – de um excelente matador -, quando mudou de vez de lado, ou melhor, quando ele passou a escolher os “seus patrões”, se tornou o mais perigoso dos renegados. Agora, se tornou perigoso para quem? CIA, Mossad, Interpol, MI6…? E por que pediu proteção logo aos Estados Unidos? Cacife, ele tinha. Mas era uma faca de dois gumes. Na era dos chips, pode-se transportar grandes arquivos, e muito bem escondidos. E com a internet pelo celular, saber o que estariam nesses arquivos. Muito ladino, acabou conquistando Weston.

Já Weston se encontrava entendiado em manter guarda entre quatro paredes. Querendo logo entrar em ação. E seu desejo, meio que por linhas tortas, se realiza. Nem tanto com a chegada de Frost ao abrigo, mas sim por ele ter sido invadido, obrigando Weston a fugir com ele dali, enquanto aguardava uma nova ordem. Que para ele seria um novo local até tirarem Frost daquele continente. Mas além de uns imprevistos, ele descobre que terá que se proteger também. O que leva manter Frost vivo era também importante para si mesmo. Ou Frost, ou o que tanto queriam dele.

Meus aplausos também vão para o Diretor Daniel Espinosa! Porque foi brilhante! Não é fácil levar um filme de Ação com quase duas horas do início ao fim. (Final esse que me fez pensar no Wikileaks.) Em nenhum momento o filme perde o ritmo. Como citei antes, mesmo já sabendo quem são os verdadeiros inimigos, a tônica do filme recai mesmo no duelo entre os dois personagens principais. Parte disso também se deve ao Roteiro. Quem assina, e sozinho, é David Guggenheim. Ele conseguiu ser realmente original com um tema tão recorrente: corrupção na CIA. Assim, vida longa na carreira para esses dois: o Diretor Daniel Espinosa e o Roteirista David Guggenheim!

Em “Protegendo o Inimigo” também podemos destacar as atuações dos coadjuvantes. Alguns de peso, como: Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Robert Patrick, Sam Shepard e Liam Cunningham. Também as cenas de perseguições. Além claro, da Cidade do Cabo. O que me fez pensar se seria porque o Agente Weston passaria por incríveis tormentas. Gracinhas à parte! Para mim o único porém do filme foi por não ter Hits conhecidos, e adequados a um filme de Ação. Deveria ter na Trilha Sonora um repertório com Rocks Clássicos. Não que Ramin Djawadi fez feio. Mas as músicas estavam mais para um filme mais lento.

Enfim, é isso! Esqueçam a pipoca. Porque o filme por si só já é muito bom! De querer rever!
Nota 9,5.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012). EUA / África do Sul.
Gênero: Ação, Crime, Thriller.
Duração: 115 minutos.

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010)

Foi uma longa espera para apreciar Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, e infelizmente toda a minha ansiedade foi em vão, mas por que?. Simplesmente porque esse filme não mostra nada mais do que o primeiro filme mostrou– faz exatamente a mesma coisa do que o seu antecessor!.

Tudo que li sobre “Tropa de Elite 2” foi que o mesma era melhor que o original — o achei menos sangrento!. Também que fora o maior sucesso na história do cinema brasileiro, mas nem por isso, eu fiquei impressionado com o que vi!. Por sinal, o achei enfadonho, e bastante arrastado na ilustração sobre a violência patrocinada pelo governo, e a ruína do Brasil. E, honestamente, o uso exagerado de “voice-over” não me ajudou em nada. Achei que o narrador assumido na camera de Jose Padilha era suficiente para nos fazer entender muito do que estava acontecendo. Revelar os pensamentos interiores do tenente Nascimento em muitas cenas foram desnecessários, pois a interpretação de Wagner Moura é tão perfeita que em muitas cenas o uso de “voice- over” não revela nada mais do que nossos olhos já estão vendo.

O enredo inicia-se com o tenente-coronel Roberto Nascimento (Wagner Moura, sempre brilhante!!), que é trazido para ajudar a acalmar uma rebelião na prisão, mas tudo resulta em um banho de sangue colossal. Diogo Fraga (Irandhir Santos), um ativista de direitos humanos quer se certificar de que os prisioneiros sejam tratados humanamente, e assim causa uma grande dor de cabeça na vida de Nascimento. E, para piorar, ironicamente, o ativista é casado com a ex-mulher do tenente-coronel, e ainda prova ser um pai melhor para o filho adolescente dele — o que provoca em Nascimento uma crise de personalidade: ele começa a se perguntar se a vida de violência que ele leva, realmente valeu a pena, e se seus pesares em como ser um bom policial o transformou num péssimo pai e num marido ausente. O filme cai num melodrama bem chatinho!!!

Foi escolhido para representar o Brasil no Oscar deste ano, mas acho que lhe faltou um “lobby” para lhe garantir uma vaga. Não é ruim, mas acredito que o Brasil tinha um filme melhor do que esse. Bem, “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” me fez cochilar…e quando um filme me causa sono é porque ele não me tocou!

Nota 5,5

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). E ficou como comida requentada!

Foi vendo um teaser deste filme que me levou a conhecer mais da Trilogia de Stieg Larsson. Enquanto aguardava por essa versão made in USA eu assisti o original sueco, e que eu AMEI. Mas quando vi o teaser da versão americana eu gostei muito; me motivou mesmo a vê-lo. Aliás, gosto mais de ver os teasers dos filmes do que os trailers; é que o primeiro vende o produto puro e simples, já um trailer o faz pensando mesmo no público alvo. Ai então veio a questão ver ou não ver esse de 2011? É que o outro, o original de 2009, ainda estava na memória. Decidir assistir. E não deveria ter feito isso! Deveria ter deixado passar mais tempo. Porque ficou mesmo um gosto de remake, e sem a emoção e a adrenalina de quando assisti o filme original.

E o que foi que aconteceu? Me perguntei ao final do filme. É um filme muito bem construído. De uma beleza ímpar. Fotografia perfeita. Som, idem. Atuações, também. Bem, não se pode dizer que o Diretor David Fincher pecou em algo. Talvez por ter aceito fazer o filme agora.

Mesmo mudando certas cenas, mesmo assim o filme perdeu o suspense para mim. Ok! Nem teria como ser de outro jeito pois eu já conhecia toda a trama. E até por isso não deveria me incomodar. Se eu até me preparei para ver um remake e de uma excelente história. Então era focar no Drama e na beleza plástica do filme. Mas David Fincher jogou todas as fichas num Thriller. Algo que pode ter agradado a muitos, principalmente os que não viram o de 2009, ou o viram há muito mais tempo que eu. Eu vi não tem nem seis meses.

Então o que ficou desse filme?

Das poucas vezes que faço comparações entre dois filmes uma seria como agora: original e versão, mas tendo um curto espaço de tempo entre eles. Em relação as atuações se for para colocar numa balança atores/personagens de 2009 versus 2011, meu voto penderá mais para atuação/elenco do original.

– Enquanto o Mikael Blomkvist de Michael Nyqvist passava a carga de um homem com uma faca no pescoço, com receio de ser preso, com uma certa raiva de si por ter caído numa cilada, o de Daniel Craig estava mais para um espião que entrou numa fria e em uma sátira. O de Blomkvist passa um ar de intelectual, alguém letrado. O de Craig ficou mais um jornalista que usa muito mais a internet como fonte de pesquisa. Nada contra esse lance pois trouxe o personagem para a atualidade. A questão é que fica um romantismo maior para um jornalista investigativo que vai às ruas, que sente o cheiro do papel, que torce por um “Parem às prensas!“, mas por ter trazido um grande furo. E esse ficou transparecido no de 2009. Craig ficou blasé demais. Na cena onde entra na casa de Martin Vanger, mas parecia que tinha ido pedir uma xícara de açúcar ao vizinho.

– Também para as duas Lisbeth Salander que mesmo com um exterior semelhantes – couro, piercing, tatoo, visual meio agressivo… -, houve diferenças nas performances. Como eu escrevi no meu texto do filme original essa personagem me fascinou. De eu querer me detalhar mais na análise dela, mas o farei após eu assistir os três filmes. Então agora um pouquinho das duas. A de Noomi Rapace fez dela uma fera ferida, mas uma menina em seu olhar. Uma Lisbeth a quem o mundo fora cruel, mas que mais que responder com igual violência era como uma armadura. A Lisbeth de Noomi traz sua história até na sua postura. Já de Rooney Mara não trouxe o passado em si. Foi como se só passou a sofrer as pancadas do mundo recentemente. Dai sua reação tinha mesmo o peso do momento.

– Até o Henrik Vanger do filme original transmitiu mais amargura. Pela família a qual fazia parte. Pela busca da dileta sobrinha. O de Christopher Plummer calcou-se mais na ironia. Talvez por conta disso, dou como empatados os dois Henrik Vanger.

– Para a tal sobrinha desaparecida, a Harriet Vanger ficou um paradoxo. É que gostei mais da história do de 2009, por ficar mais verossímil. Mas mesmo não gostando da história dada a essa personagem por David Fincher, eu gostei da personagem. Talvez por ter gostado da atriz em outro trabalho. Não coloco o nome dela aqui, porque seria um grande spoiler.

– Em relação aos dois Martin Vanger, posso dizer que houve um empate. O de Stellan Skarsgård passou mais um refinamento como algo nato. Já o de 2009, mostrava que fora algo adquirido. Ambos mostraram frieza. Mas o de 2009 mostrou-se mais perverso.

Agora, o que eu gostei mesmo foram os computadores usados. Desempenho e performance dessas máquinas. Amei o tal programa de exibição de fotografias. Como também o uso desse ferramental, aliado a internet como ajuda na elucidação de um mistério. Claro que a trama traz o fator inteligência de quem opera -Mikael e Lisbeth -, em primeiro plano. A investigação avança porque ambos são muito bons. Mas essas maravilhas do século XXI tornaram-se excelentes coadjuvantes nesse filme. E me fez pensar em: “Quero um Mac!

Então é isso! Vou deixar passar um longo tempo para rever essa versão. Quem sabe ai não me venha mais com sabor de comida requentada. Porque agora mesmo com temperos adicionais para apurar o gosto me fez foi querer rever o original que é nota 10; como ver as continuações. Pelo conjunto da obra, esse aqui é um ótimo filme.
Nota 09.

Por: Valéria Miguez(LELLA).

2 Coelhos (2011)

Por Alex Ginatto.

Enfim uma esperança renovada de que “Tropa de Elite” não será a única coisa diferente que veremos no cinema brasileiro nos próximos anos. “2 Coelhos” é inteligente, rápido, ofegante, engraçado e muito mais.

Fiquei sabendo há poucos dias do filme e minha única referência era o trailer, cheio de ação hollywoodiana, grafismos integrados e cenas no melhor estilo americano. Tudo isso me levou a ir a uma sala de cinema na estreia, com apenas mais 6 pessoas na plateia, mas com um sentimento enrustido de que iria me decepcionar: “Devem ter colocado tudo de melhor do filme já no trailer…”, como já me ocorreu com dezenas de filmes.

Grato engano…excelente filme, efeitos que nunca imaginaria ver em um filme brasileiro, tantos e tão bem feitos que às vezes dava a impressão de exagero, mas esse é o ponto: o filme não é monótono, não tem um ritmo apenas, é um vai-e-vem de sequências, frequências e loucuras das melhores possíveis!

Além disso, o roteiro do plano de Edgar, o protagonista de Fernando Alves Pinto, é bem criativo, surpreendente, assim como sua atuação. Alessandra Negrini linda e louca, como sempre, dá um toque especial à personagem Julia.

O plano de Edgar fica exposto apenas na última parte do filme, é explicado por Julia de uma forma descontraída (acho até que não era necessário explicar, tornando o filme um pouco mais confuso e deixando aquela neura de “vou ter que ver novamente!”).

Não vou dar grandes detalhes para não gerar spoilers, mas o plano e o roteiro principal envolvem cerca de 7 pessoas, a maioria sem sabe o que está acontecendo. Envolve dinheiro, vingança, poder, corrupção e amor, muito amor. Lindas cenas das “viagens” de Julia, com uma música de comercial de banco, daquelas que mexem com nossa alma.

O filme ainda dá umas cutucadas em todos os brasileiros, desde os corruptos, passando por personalidades fúteis criadas pela TV (o mais legal é ler as notinhas do rodapé do jornal que passa na TV durante a notícia de certa explosão, quebra totalmente o clima “in a good way”), e chegando a nós, maioria, que estamos acostumados e relaxados com os problemas do nosso país, mesmo sabendo que eles existem (um pouco do que foi feito em “Tropa de Elite 2”).

Enfim, veja! E recomende, espalhe sua opinião!

Se você é fã do estilo de Quentin Tarantino ou Guy Ritchie, deve correr para o cinema!
Nota 8.

“2 Coelhos”. 2011. Brasil
Direção e Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler
Trailer: