Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008)

Bem-vindos ao Século XXI, Queridos!

Pois é! Uma das falas do filme. Pontuando o tempo. Onde Pais e seus Filhos Adolescentes vivem em um mundo com internet e celulares. E isso a princípio seria o ponto que faria a diferença de quando eram esses pais, os adolescentes. Mas ao longo do filme vem é a frase símbolo da música de Belchior: “Nós ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais.” Só que ela teria que vir sempre com uma “interrogação”. Como um alerta. Como uma parada para uma reflexão. Como lições.

O que mudou de uma geração para outra? Não pode só ser os avanços tecnológicos. Os anseios, os medos, os conflitos, os abusos, os desejos… Enfim, todas as emoções vivida quando se é bem jovem não podem ser esquecidas. Ou usando um termo atual, toda essa história passada não deveriam ser deletadas da mente. Se quando adultos, e com filhos querendo também construir a sua própria história, e num período onde a sexualidade está à flor da pele, muitos desses pais acabam por ser tornarem reacionários. Mas por que? O “É Proibido Proibir!” tomou outro rumo? Levando-os agora a terem uma marcação cerrada com seus filhos, e até com uso da tecnologia cerceando as pequenas fugas no meio da noite. A liberalização que tanto ansiaram deixou de existir quando se tornaram pais?

Então o que de fato mudou? Ou melhor, qual seria a tônica nesse filme?

Embora a trama põe no centro a jovem Lola, o que pontua mesmo é: Filhos ontem, pais atuais numa rota de colizão. Creio que muitos de nós, ainda na adolescência, ao ouvir um sonoro “Não!” dos pais, também ouviu como uma explicação, um: “Filho hoje, Pai serás!“. E em vez de se especular sobre esse passado real, fica a sugestão para assistir esse filme que no Brasil ganhou o título de: “Rindo à Toa“. Uma tradução literal de uma expressão do mundo da internet: LOL. Um acrônimo de: laughing out loud. Para mim seria como: “Adolescência – última parada para curtir a vida sem compromissos!”.

Até porque o filme traz os adolescentes voltando das férias escolares mais longas. Para alguns, foram as últimas dessa fase descompromissadas. Por aflorar talentos, e então investirem nisso que já pode ser um passo para uma carreira futura. Mas também para muitos ainda terá a vez e o tempo de zoar com tudo e todos. E nessa volta ao colégio, entre vivenciarem mais um tempo juntos, há o de querer saber o que aconteceu nesse período em que estiveram afastados.

Lola, também chamada de Lol, descobre que seu namorado transou com outra. Com raiva, resolve ter a primeira transa com o melhor amigo de ambos, mas… Paralelo a isso, outros conflitos entre pais e filhos. A própria Lola também está passando por um com a mãe. Pelas páginas de seu Diário é que vamos conhecendo toda a trama. Ou todo o drama dos personagens que por conta da diferença de idade, acaba tendo dois pesos. Pois é! O que pode ser um verdadeiro drama para um, pode não ser para outro.

Nessa em ter “dois pesos – duas medidas”, segue a mãe de Lol, Anne. Personagem da sempre linda Sophie Marceau. Ela que no passado sonhou por uma liberização feminina em relação a sexualidade, no presente se reprime por conta da sociedade local. Assim, transa furtivamente com o ex-marido. Os filhos fingem que não sabem. Como também não ligam pelo fato. Anne também se vê presa a outros preconceitos. Um deles quanto a um cara na moto. Age como se ele tivesse saído de “Sem Destino“. Depois, numa palestra na escola de Lol, percebe a grande mancada. Ele é Delegado da Narcótico. Envergonhada, tenda fugir, mas acabam se encontrando de novo. Mas certos pré-conceitos acabam sendo como manuais para alguns. Como para ele que por força do trabalho consegue traça o perfil de um jovem pelo esteriótipo. Mas diferente de Anne, a sua balança não é de discriminação, e sim em sacar se terá repercussão futura ou não esses pequenos deslizes de quando se é adolescente.

Esses paradoxos também é um dos pontos altos desse filme. Como quando Anne sem querer se depara com o Diário da filha. Não resistindo, lê. E fica assustada pelo o que está escrito ali. Ao mesmo tempo que sabe que foi uma invasão de privacidade e se sente culpada, também pensa num jeito de dar um castigo para a filha. Nem passando por sua cabeça de que ali estaria um talento de Lol aflorando: um dom para romancear seu dia-a-dia. Nem pensou que ali se misturavam ficção e realidade. E a cobrança termina por afastar a filha.

Para os jovens, uma excursão da escola à Inglaterra ganha a dimensão de ficarem juntos e sem a vigilância dos pais. Para esses, também. Só que se tivessem um diálogo maior com os filhos poderiam canalizar toda essa gana por essa breve liberdade numa sutil conversa de que irão conhecer uma outra cultura, de um costume diferente, que terão acesso a uma outra língua, por ai. Sem ser careta, despertar no filho a curiosidade em aumentarem a própria cultura de forma prazeirosa nesse intercâmbio. Até para não estranharem tanto as pessoas como fizeram por lá.

A cada vivência nessa fase, a vida parece não acompanhar a pressa dos adolescentes. Mas de certa forma, para alguns o amadurecimento vem sim rapidamente. Assim, em vez dos pais criarem só barreiras, deveriam deixar umas portas abertas. Inclusive a do coração. Porque num aperto maior, serão a esse pai/mãe que irá pedir por ajuda. E diálogo sempre traz bons resultados.

Por último, embora esses conflitos entre pais e filhos adolescentes seja algo universal, a história do filme tem-na na França. Mesmo não sabendo muito dos costumes desse país transparece em “Lol” que a história nasceu ali. Que é dali. Essa identidade salta aos olhos. Tanto que me levou a pensar se a Diretora, e também Roteirista, conseguiu transferir toda essa história e identificá-la com a cultura estadunidense quando aceitou também dirigir a versão hollywoodiana.

Então é isso! Paisagens lindas. Uma ótima Trilha Sonora! Todos estão em uníssono! Um filme gostoso até de rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008). França. Direção e Roteiro: Lisa Azuelos. Elenco: Sophie Marceau (Anne), Christa Theret (Lola), Jérémy Kapone (Maël), Marion Chabassol (Charlotte), Lou Lesage (Stéphane), Émile Bertherat (Paul-Henri), Félix Moati (Arthur), Louis Sommer (Mehdi), Adéle Choubard (Provence), Jade-Rose Parker (Isabelle de Peyrefitte), Warren Guetta (David Lévy), Alexandre Astier (Alain), Jocelyn Quivrin (Lucas), Françoise Fabian (Mãe de Anne), Christiane Millet (Mãe de Charlotte), Liza Azuelos (Psiquiatra). Gênero: Comédia. Duração: 103 minutos.

Anúncios

Happy Feet – O Pingüim (2006)

happy-feet_01

Prepare-se para entrar num mundo de magia, diversão, música e dança. Se não estiver satisfeito, inclua a exclusão social, o preconceito, o meio ambiente. Ainda assim não bastou? Some o amor, o romance, a vida em família, os costumes ancestrais. Bem; pingüins. Pingüins, pingüins e mais pingüins.

Para quem não viu “A Marcha do Imperador”, veja. É didático. Um pinguim imperador é monogâmico e somente pela voz, especificadamente pelo canto, eles se reconhecem e acasalam. Cada um tem a sua “canção do amor”. Norma Jean, é isso mesmo, o nome de solteira da Marlyn Monroe canta uma sensualíssima “Kiss” do Prince. Seu par, com o nome de Memphis -precisa explicar?- responde com o não menos charmoso “Hart Break Hotel” do imortal Elvis.

Depois de inverno mais do que polar, glacial, em que o ovo dá uma caidinha no gelo, nasce Mano. Doces olhos azuis. Maduro desde o nascimento. Romântico. Mas não canta. Dança. Sapateia. Ele é uma aberração. A mãe aceita, o pai fica triste e olha como se ele fosse de gelo transparente, através dele. E a pequena fêmea, Gloria, não consegue entender como alguém tão legal não possa cantar. Mas ela sabe que o seu coração, um dia, será dele. Paciência e doação, Gloria. “Boggie Wonderland”, do Earth, Wind and Fire.

Rejeitado pelos mais velhos, Mano é praticamente expulso da colônia. Cenas fantásticas dele deslizando e nadando por aí. Seu encontro com as skuas – gaivotas predadoras – e o diálogo com uma que foi anilhada é importantíssimo. Mas nada é comparável ao achado dos verdadeiros amigos. Os pingüins da raça adele, pequenos, machos, sotaque argentino e de um bom humor inigualável. O líder é Ramón. Que mostra que ser pingüim é uma questão de geografia. Num lugar vale a música, noutro, pedras.

Ramón é o amigão que todo mundo quer ter. Simpático, peitudo, e a voz de Robin Williams arrebenta. Sua versão de “My Way”num ritmo sincopado tipo Gipsy Kings em espanhol é de arrepiar o cabelo da cauda. Daí em diante o Mano participa de uma grande coreografia orquestrada por seus amigos para achar quem está acabando com os peixes.

Sei que ele parte com o peito rachado e lembrando de “Somebody to Love” do Queens na sua cabeça. Glória não sai dela. Mas seu destino é incerto. Ele precisa fazer algo para a colônia. Após se orientar com o pinguim-Barry White, o Amoroso, vai em busca do seu destino. Amoroso é outro figuraço, um tipo místico-picareta e adorável. Este é o time de Mano, cinco argentinos, um doidão, ele e Deus. Melhor só um time de pólo-aquático.

O filme então dá uma guinada de 360 degraus. Mano descobre a razão da mortandade marinha e Amoroso narra suas desventuras com voz embargada. De desenho animado vira um tema pesado, mas não menos crucial. Tudo tem lógica. Ele vai para o Zôo e vê os humanos como nós somos. Bichos presos atrás de um vidro, previsíveis, e destruidores. Porém a arte de Happy Feet o salva.

O final é apoteótico e ao mesmo tempo singelo. Se é que isso pode acontecer. Ele reencontra sua amada, e ela soube esperá-lo amando-o ainda mais na sua ausência. Os humanos os vêem do seu helicóptero e Mano faz o que melhor sabe, dança. E uma revolução começa.

O que há de bom: roteiro primoroso e desenho absolutamente perfeito, ação e humor na dose certa

O que há de ruim: nem todo mundo vai pegar a manchinha da fêmea, ou a voz do pingüim de Magalhães do zoo que fala igual ao Hal do “Odisséia no Espaço 2001”…

O que prestar atenção: minha canção do coração é “I Loved You” do Freddy Cole, e a sua, mulher?

A cena do filme: a chegada de Glória para acompanhá-lo e os palpites e comentários de Ramón, impagável

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.  Blog do C.O.B.R.A.

Happy Feet – O Pingüim (Happy Feet). 2006. Austrália. Direção: George Miller. Elenco: Robin Williams (Ramón/Lovelace/Cletus), Hugh Jackman (Memphis), Elijah Wood (Mumble), Nicole Kidman (Norma Jean), Brittany Murphy (Gloria), Hugo Weaving (Noah), Johnny A. Sanchez (Lombardo), Carlos Alazraqui (Nestor), Lombardo Boyar (Raul), Jeff Garcia (Rinaldo), Steve Irwin (Kev), Anthony LaPaglia (Boss Skua), Miriam Margolyes (Sra. Astrakhan), Magda Szubanski (Miss Viola), Elizabeth Daily (Mumble). Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família, Musical. Duração: 108 minutos.

2 Dias em Paris (2 Days in Paris. 2007)

Nós sempre teremos Paris!(Casablanca)

Creio ter ido com muita expectativa com essa Direção e por conta de ser uma mulher. Não tanto pela atriz, Julie Delpy. Mas sim por ansiar ver na lista dos Grandes Diretores mais mulheres. Por elas agora terem as portas se abrindo. Bem, estarei na torcida pelos próximos dela. Ainda não foi com esse filme que ela ingressou nesse seleto rol.

Para mim ela errou ao explicar detalhadamente sua história. Por ser dela o roteiro talvez achou que nem todos entenderiam. Ou para que não associássemos a outros filmes. Mas não tem como não lembrar de outros filmes assistindo esse. Nesse ponto eu até não me importaria nada. Até porque na primeira hora do filme eu ri bastante. O que me incomodou mesmo foi na voz em off explicar tudo. Teve momentos que me deu vontade de falar: “Para de falar mulher! Pare de explicar! Me deixe divagar sobre a história!” Como também, talvez pelo peso de estar na Direção, ela atuou presa. Parecia que não queria errar. E acabou complicando esse seu primeiro trabalho. Pena!

O personagem do Adam Goldeberg me fez lembrar dos de Woody Allen. Mas até ai tudo bem! Ele também fez um hipocondríaco engraçado. Assim como soube levar um americano assustado com o jeito de ser dos parisienses. Como também mostrou um jeito de ser de um turista estadunidense. Agora, faltou algo mais no sentir ciúmes dos “ex” da companheira. Parecia mais assustado e até chocado com a vida sexual dela antes de se conhecerem do que enciumado.

Quem sabe daqui a alguns anos um remake dê uma boa enxugada nesse roteiro e então eu curta mais o filme. Porque a história até que é boa: Um casal – já numa leve crise conjugal – saem em férias até Veneza. Como numa 2ª lua de mel. Mas que não fora do jeito que ela sonhou. Daí antes voltarem para Nova Iorque resolvem passar dois dias em Paris. Para apresentá-lo com mais tempo a seus pais e a sua irmã. Como também apanhar o gatinho. E nesses dois dias – entre os vários “ex” que aparecem -, eles discutem a relação. Mais! Acabam conhecendo o que até então desconheciam um do outro.

Enfim, ficou com um gosto de sessão-da-tarde.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

2 Dias em Paris (2 Days in Paris). 2007. França. Direção e Roteiro: Julie Delpy. Elenco: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Bruhl. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.