As Montanhas se Separam (2015). Numa Promessa de uma Vida Melhor

as-montanhas-se-separam_2015_cartazPor Christine Marote.
Assisti o filme “As Montanhas se Separam”, do diretor chinês Jia Zhang-ke, e resolvi dividir com vocês, por alguns motivos. O filme é em mandarim, legendado em português. E sempre se fala que uma boa maneira de se aprender uma outra língua é assistindo filmes… Isso é fato. Mas nunca me atrevi a assistir um filme em mandarim desde que comecei a aprender essa língua. Achava que nunca iria entender nada, que ficaria perdida. Ok, também morando na China nunca havia encontrado um filme com legenda em português. Mas o fato é que fiquei super empolgada em reconhecer as palavras e expressões da fala cotidiana. Como usam expressões que eu achava que só servia para uma situação, e percebi que não. E faz todo sentido. Muito legal.

as-montanhas-se-separam_2015_02“As Montanhas se Separam” retrata a China do começo do século 21. Ele começa na virada do século, e algumas cenas que vi, me lembrou muito algumas situações que presenciamos em Chang Chun, quando chegamos na China em 2004. Até porque ele é rodado no interior do país, o que mostra uma outra realidade, bem diferente de Shanghai, mesmo naquela época.

A abertura econômica e as possibilidades que se abriram para o enriquecimento da população, ou não. As consequências que esse dinheiro, que chegou muito rápido, trouxe para as pessoas e a sociedade chinesa. Bem interessante.

Ele está em todos os cinemas do Brasil! Essa é a melhor parte, né? Estou falando de um filme que todos terão acesso. Não esperem uma produção hollywoodiana, mas um filme cativante e bem interessante sobre uma sociedade, que apesar de estar na mídia mundial, poucos conhecem de perto.

as-montanhas-se-separam_2015_01Um resumo de “As Montanhas se Separam”: Uma história narrada em três períodos: 1999, 2014 e 2025. Começando pela China em 1999. A professora Tao (Zhao Tao) é cobiçada pelos seus dois amigos de infância, Zang (Zhang Yi) e Lianzi. Zang (Jing Dong Liang) é proprietário de um posto de gasolina e tem um futuro promissor, enquanto Liang trabalha em uma mina de carvão. No coração dos dois homens, Tao terá de fazer uma escolha que determinará o seu destino e o futuro de seu filho, Dollar. Zhang, com espírito empreendedor capitalista, vai se tornar dono da mina em que Liangzi trabalha e, assim, o confronto amoroso se espelha e se reflete no confronto da China moderna, entre trabalho e capital, que põe em xeque a própria identidade do país.

Tempo depois, entre uma China em profunda mutação e uma Austrália com a promessa de uma vida melhor, esperanças, amores e desilusões, esses personagens irão encontrar os seus caminhos.

As Montanhas se Separam (Shan he gu ren. 2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Série: Jornadas nas Estrelas (1966/1969). E o Futuro Imperfeito

jornadas-nas-estrelas_seriePor Morvan Bliasby.
jornadas-nas-estrelas_Kirk-e-UhuraJornadas nas Estrelas, o seriado que encantou, desde a década de 1960, até os dias atuais, toda uma geração de fãs (não, não se refere aos Trekkers; eu disse fãs, sem o ‘nático’.) inovou em tudo, ou quase. Foi a primeira série a apresentar, principalmente para a sociedade estadunidense, reconhecidamente refratária, a possibilidade de coexistência de pessoas, humanas ou não, e até de haver interação e romance entre estas. Foi a primeira vez, por exemplo, que um homem australoide beijou uma mulher afrodescendente, clara e ostensivamente (a tevê estadunidense já havia ensaiado esta ousada cena, com a desculpa de esbarros, para não irritar os sulistas, reconhecidamente etnicistas) no episódio Plato´s Stepchildren (Enteados de Platão, literalmente) entre o Capitão James T. Kirk (William Shatner) e a Tenente Nyota Uhura (Nichelle Nichols).

jornadas-nas-estrelas_alimentacao-e-lixoJornadas nas Estrelas inovou em quase tudo, reitere-se. Para início de conversa, deixou Malthus falando sozinho, ao resolver o problema alimentar, pelo menos na Enterprise e onde a Federação aparecesse. Nada que as pesquisas em agrobiologia não já o fizessem, mas os sintetizadores de alimentos da Enterprise resolviam também o problema da limpeza e da reciclagem dos utensílios. O melhor de dois ou mais mundos, não?

Inovou na medicina, na tecnologia em rádio-transmissão (os comunicadores, mesmo os trambolhos da série original, são o protótipo do sistema de codificação do celular de Hedy Lamarr e dos nossos, claro).

jornadas-nas-estrelas_federacao

Uma das maiores abordagens utópicas de Jornadas nas Estrelas talvez venha a ser a possibilidade de haver paz e colaboração entre raças, não restringindo mais o problema da intolerância à espécie humana. Vulcanos, klingons, cardassianos, romulanos, vidianos, ferengui, talaxianos, todos, um a um, acabariam por se filiar à Federação dos Planetas Unidos (uma versão bem abrangente, ecumênica, sincrética, até, da Organização das Nações Unidas — se só há uma raça, aqui, a humana, então, a Federação haveria de comportar as outras espécies inteligentes dos Universos. Um bom recado aos intolerantes humanos contemporâneos). No caso dos vulcanos, malgrado seu passado violento, a aliança com a Federação pareceu mais natural, apesar disto, mas, no caso dos klingons, eles só se aliaram à Federação após ter, em um dos filmes da franquia, seu mundo iminentemente destruído, caso não recorressem à aliança; de qualquer modo, é pouco crível que uma raça beligerante e de hierarquia vertical, os klingons, consiga construir naves espaciais. É uma licença poética da franquia, sem dúvida.

Registre-se o fato de ser a Capitã[o] Janeway a primeira mulher a comandar uma nave. Há mulheres em altos postos na Federação, humanas ou não. Mas só em Jornadas nas Estrelas – Voyager, há uma capitã.

A série e os filmes da franquia pouco a pouco foram deixando ‘recados’ para as suas diversas gerações. Estes falam em tolerância, paz, avidez por descobertas, divulgação, tendo sempre como foco a Primeira Diretriz, que parece ser o mais próximo do conceito da autodeterminação das raças.

jornadas-nas-estrelas_simbolosMas há um aspecto na franquia que causa questionamentos: existe um irrecorrível apelo marcial, apesar das mensagens subliminares de paz e de congraçamento entre raças de todos os universos. Há muito símbolos náuticos na série, bem mais do que aquela saudação fúnebre, sempre que um corpo é ejetado da nave, e em toda a franquia, até aqui, mas não se discuta isso. Mais e além.

Para uma franquia que sobrepujou o preconceito étnico, pregou a paz universal, erradicou a cobiça, o dinheiro, o comércio como simplesmente fonte de lucros (a Federação comercia, mas, nota-se, claramente, numa abordagem de intercâmbio cultural, exceto, por eles claro, com os Ferengui), faz alianças com raças extremamente belicosas, como os hyrogens, ou os romulanos, etc., a inexpugnável tutela militar parece incoerente e muito mal explicada. Seria esta a verdadeira distopia conceitual de Jornadas nas Estrelas, nosso futuro imperfeito? A Federação não encontrou meios de organização civis, só há a saída pela via militar? Todas as raças elencadas, durante toda a marca Jornadas, parecem ter a tutela militar como forma irrecorrível de organização.

Seria intencional, esta “marciogonia”, seria fruto da inspiração de seus roteiristas, medo de propor temas espinhosos, como a verdadeira democracia, sem protetores e sem salvadores, de propor um “indo além”, no caso, uma sociedade anárquica, autorregulada, por estarem inseridos numa sociedade, como a estadunidense, refratária a qualquer ideia que possa redundar em comunismo, em superação de Governos e de tutores?

jornadas-nas-estrelas_personagensSão muitas perguntas. Nenhuma resposta, por ora. E o leitor, o que pensa? Param aí, as inovações de Jornadas nas Estrelas? Ou Mad Max, Ellysium e outros distópicos têm razão, o futuro é sombrio, ou seja, só nos resta sermos tutelados ou rebelados? Gostaria de ouvir o que você pensa, sobre isso.

Série de Tv: The Big Bang Theory

the-big-bang-theory_serie-de-tv_2007Algumas (muitas) pessoas costumam detonar um filme argumentando que têm clichês demais. Daí não deixo de ter uma curiosidade de se fariam então o mesmo com essa série já que em “The Big Bang Theory” há uma explosão deles. São mais que conceitos. É como a personificação e junção de cada um dos esteriótipos tão usados no Cinema. Basicamente em “The Big Bang Theory” temos um grupo de nerdsSheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali – convivendo pacificamente com uma que seria a “loura” – Penny -, mas que no fundo tem inteligência bastante para lidar com eles. Onde a escolha dos atores assim como a caracterização de cada um foi mais que perfeita!

jim-parsons_como_sheldon-cooperComeço por aquele que deu vida a Sheldon, o ator Jim Parsons. Que o faz de um jeito que não dá para pensar em outro ator fazendo o Sheldon. Dizer que esse personagem é inteligente seria um eufemismo. Ele é um super dotado com uma mente brilhante no campo científico. Físico teórico com doutorado, trabalha na Universidade Caltech. Além disso possui outras particularidades. Manias bem sintomáticas que nele acaba unindo uma síndrome à outra. Como TOC (Transtorno obssessivo compulsivo) à Asperger, por exemplo. Uma outra mania é o pavor aos germes; de ser infectado. Também se ver inapto para dirigir automóveis. O que o leva a depender dos outros que possuem carros. Bem, dependência em termos! Já que Shelton no fundo vence porque assim se livrarão mais rapiamente dele. Como um meio de se sociabilizar usa o termo “Bazinga” para mostrar sua “emoção” a algo. Ficando para os demais interpretar o que de fato ele expressou com ela. Até porque para ele que interpreta tudo literalmente, e naturalmente, há diferenças significativas em seu comportamento. Outra de suas manias é ser totalmente avesso às mudanças. A performance de Jim Parsons é tão perfeita que nessa onda de dublarem tudo na televisão até bate um receio do dublador não captar também a mesma essência do Sheldon. Até o seu modo de bater à porta de sua vizinha: “Penny, Penny, Penny!

johnny-galecki_como_leonard-hofstadterCom Sheldon vai morar Leonard. Tão bem interpretado por Johnny Galecki. Esse é um nerd mais tranquilo e o mais sensato do grupo. O que até vem a calhar para aturar todos os tiques e manias de Sheldon. Do grupo, Leonard seria a ponte que levaria a todos para um mundo nada acadêmico. Mas é como ele ter um manual para uma vida bem social sem saber como colocar isso em prática. O que seria o seu lado sombra, já que profissionalmente sabe executar o que estava em teoria. Sua timidez não faz dele um líder. Para poder dividir o apartamento com Sheldon teve que passar por um extenso interrogatório. Mais que um acordo de uma agradável convivência, foi mesmo um contrato que teria que ser cumprido. Algo que levaria qualquer um a desistir. Denotando o quanto ele não se importa com bizarrices alheias. Alé de Penny, Leonard irá namorar a irmã de Raj, a Prya (Aarti Mann). Ele trabalha num dos Laboratórios da Caltech.

kunal-nayyar_como_raj-KoothrappaliNo prédio, mas em outro andar mora o indiano Raj. Uma ótima interpretação de Kunal Nayyar. Ele vive com o receio de ter que voltar à terra natal, e lá voltar a conviver novamente com os costumes locais. Ele não se ocidentalizou de todo, mas muito mais por ser extremamente tímido. Sem esquecer de aprendeu a amar Hambúrguer de carne de vaca. Mantém contato pela internet com os pais que moram na Índia, e que sonham ver os filhos Raj e Prya casados. Mas Raj só consegue dialogar com as mulheres quando bebe, e mesmo assim não sai muito bem nas conquistas. Aliás, foi por conta de um drinque criado por Penny que todos eles notaram que ele precisava desse “aditivo” para vencer a timidez. Raj também trabalha na Caltech.

raj_coquetel-grasshopperReceita do Coquetel Grasshopper,o favorito do Raj:
Ingredientes:
40 ml de vodka
20 ml de creme de menta
20 de creme de cacau branco.
Modo de preparo: Coloque todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Chacoalhe e depois verta o conteúdo em um copo de martini. Algumas pessoas acrescentam creme Chantilly à receita. (Fonte.)

simon-helberg_como_howardO quarto integrante desse grupo é Howard. Também fica difícil pensar em outro ator interpretando-o. Aplausos também para Simon Helberg. Dos quatro é o único que ainda mora com a mãe, e em outra parte de Pasadena. Não se sabe ao certo se ele foi agregado ao grugo por fazer parte do mesma universidade, a Caltech, ou pela paixão em comum aos quatro: historias em quadrinhos, star wars, jogos virtuais… Howard se acha um grande conquistador, mas fica mais na vontade. Dos quatro amigos é o único que não tem doutorado. Seu mestrado em engenharia vira piada para os outros três. Ele trabalha com Engenharia Espacial. Howard ainda é bem dominado pela mãe judia, fato esse que quem tentará cortar esse cordão umbilical será Bernadette (Melissa Rauch). Ela tem doutorado em Biologia, o que faz com que ele se sinta inferiorizado. Bernadette também terá um salário bem mais alto. Fato esse que deixará Howard em dúvida, pois seria como deixar de depender financeiramente da mãe e passar a depender da futura esposa. A questão maior é que ele não abre mão de gastar seu salário com seus hobbies e invenções. Aliás, as suas invenções são um show à parte. Howard também gosta de fazer mágicas.

apartamentos_the-big-bang-theorykaley-cuoco_como_pennyDesde a primeira Temporada temos a Penny, a “loura” da história. Outra grande interpretação dessa Série: Kaley Cuoco. Ela mora no apartamento frontal ao de Sheldon e Leonard. Penny veio morar na Califórnia para tentar uma carreira de atriz, mas enquanto não “acontece” é garçonete da lanchonete Cheesecake Factory, onde os quatros amigos vão lanchar num certo dia da semana. Consumidora, acaba deixando suas contas sempre no vermelho. Aliás esse seu orçamento acaba “enriquecendo” a trama. Além das compras, se endivida por emprestar dinheiro para seus namorados. Que aliás só namora caras fortes e nada inteligentes. O que dá um um tempero maior em sua vida, já que no lado profissional é decepcionante. Após ter um envolvimento com Leonard não vê mais graça nos de então. Ambos após terminarem o namoro volta e meia transam. No fundo ela é apaixonada por ele. Talvez por ele ser além de inteligente, é um cavalheiro. Algo tão diferente dos truculentos que cruzaram a sua vida amorosa. Sua cultura se baseia em saber tudo das celebridades. De todos é a única personagem sem sobrenome, o que deixa a ideia de que o motivo irá aparecer mais tarde. E Penny é então a ponte entre os nerds e a vida social.

mayim-bialik_como_amy-farrah-fowlerMas a Série não ficou só em “meninos” nerd, trouxeram uma “menina”. Que não é a Bernadette, já que essa faz a mulher moderna: inteligente, que trabalha fora, e desencanada até com o fato de deixar as tarefas domésticas para o marido. A entrada dessa jovem nerd veio para abalar outra estrutura. Pois é! Se Penny já fazia Sheldon estremecer até por sua casa está quase sempre bagunçada, suas discussões se tornam um drama menor com a entrada de Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) na vida dele. Sem o conhecimento desse, Howard e Raj o inscrevem em um programa de encontros pela internet na busca de um par perfeito para Sheldon e terminam encontrando a Amy. Ela é uma neurocientista. Levando todos a verem-na como uma versão feminina do Sheldon. Sheldon e Amy então começam uma amizade. Até porque namorar não está nos planos dele. Ele se dedica mesmo a carreira profissional, como também a uma premiação maior: o Nobel de Física. Amy acaba se apaixonando perdidamente por ele. Como também aceita ter um falso namoro porque a ajudaria a dar uma satisfação a pressão que sofre da própria família por sua solteirice. Para alguém que diz ser desprovido de sentimentos, o arrojo de Amy vira um grande pesadelo para Sheldon. Mas que até por sua curiosidade científica ele aos poucos acaba deixando-a avançar nesse terreno. A convivência com Penny e Bernadette levará Amy a se preocupar mais com a aparência. Ficar mais feminina.

sheldon-socorre-pennyAgora, o grande contraponto de Sheldon é mesmo Penny. Quando juntos, Sheldon e Penny, roubam a cena. Desde ele batendo incessantemente na porta do apartamento dela, até em situações onde ele a leva a um hospital, por exemplo. É o 8º Episódio da 3ª Temporada. Se reprisarem, assistam. É hilário! Deixo aqui parte do diálogo já na sala de espera do hospital:
_ De acordo com a enfermeira inexplicavelmente irritada, será atendida após o homem alegando ataque cardíaco. Mas bem o suficiente para jogar doodle jump no iphone. Temos que preencher isso. Descreva a doença ou ferimento.
_ Desloquei meu ombro.
_ Certo. E como o acidente ocorreu?
_ Já sabe como foi.
_ Causa do acidente? Ausência de adesivos de patos. Histórico médico. Já foi diagnosticada com diabetes?
_ Não.
_ Doenças renais?
_ Não.
_ Enxaqueca?
_ Começando a ter.
_ Está grávida?
_ Não.
_ Tem certeza? Está meio gordinha.
_ Mude enxaqueca para sim.
_ Quando foi sua última menstruação?
_ Próxima pergunta.
_ Vou colocar “em andamento”. Passando para transtornos psicológicos. Liste os sintomas recorrentes, ex: depressão, ansiedade, etc…
_ O que isso tudo tem a ver com meu ombro, estúpido?
_ Ocorrência de raiva psicótica.
_ Idiota.
_ Possível síndrome de Tourette. Verrugas, lesões, ou outras doenças de pele? Tatuagem de sopa na nádega direita.”

kevin-sussman-como-stuartAinda há mais um outro personagem nerd ligado aos demais justamente por trabalhar no local onde os quatro amigos vão muitos: a loja de revistas em quadrinhos. Ele é Stuart (Kevin Sussman). Também é do time dos tímidos como os dos enamorados por Penny. O que deixa Leonard com ciúmes. Por ser ele “um igual”. Stuart é outro aficcionado pelas HQ. Promovendo sempre eventos onde os clientes podem ir com fantasias de seus super heróis preferidos.

Os quatro amigos – Sheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali -, se dão o direito de zoarem entre si. Até como um jeito de vencerem as barreiras dos preconceitos que sofrem. Ante a um olhar reprovador pelo ângulo politicamente correto, é bom lembrar de um outro grupo bem heterodoxo que também zoavam entre si, no filme “Quinteto Irreverente“. Só para citar um exemplo fora do mundo dos nerds. E é válido também como um “tratamento de choque” para enfrentarem seus piores pesadelos. Como também a história deles mostra que o bullying também se de na própria casa. Onde o trauma perdura com mais força.

the-big-bang-theory_jogos-e-fantasiasEu compro o que a infância sonhou!

Pois é! Todos eles seguem essa máxima. Com o salário na fase adullta eles compram tudo o que desejaram em criança. O que de certa forma não pode ser visto como “síndrome de Peter Pan”. No caso deles pesa o fato que dentro dessa fantasia, se sentem fortes. Se veem como super heróis. Mas sendo eu leiga no campo psico, deixo como sugestão de estudos aos profissionais dessa área. E mais! Excentuando a Penny, que pouco se sabe do seu passado, os quatros amigos tiveram, ou melhor, não receberam carinho e respeito de suas mães. Onde ainda ficam intimidados diante elas.

the-big-bang-theory_a-sexuaidadeMesmo com tanta bagagem cultural excetuando a Penny, todos os demais estão engatinhando na vida sexual. Como também na descoberta da própria sexualidade. Com isso a Série vai deixando no ar até a dúvida de alguns personagens acerca de suas preferências sexuais. Como Raj, por exemplo, que tende às vezes para a homossexualidade. No caso de Amy, ela parece ser bissexual: está apaixonada por Sheldon ao mesmo tempo que sente uma grande atração por Penny. Tesão mesmo. A Série não explicita esses lances, talvez para não bater de frente com os Censores Oficiais. Por outro lado, não mostrando tudo de vez dá vida longa a “The Big Bang Theory”.

The Big Bang Theory” uma criação de Chuck Lorre e Bill Prady teve início em 2007. Com seis Temporadas completas, entrando já na sétima. O que tem deixado a nós, fãs da Série, alegres e na torcida por uma vida bem mais longa. No Brasil é exibida pelo canal Warner.

Então é isso! Uma Série muito engraçada! De se ver e rever. Nota 10!

jargao-do-sheldonPor: Valéria Miguez (LELLA).

Intocáveis (2011). Quando Dois Párias se Encontram.

Não dá para dissociar a realidade do filme com a minha, uma cadeirante, ao analisá-lo. Sem esquecer também que foi baseado numa história real. Mas o cadeirante do filme está num patamar muito superior: de ser riquíssimo. O que também me fez pensar numa celeuma com também uma cadeirante rica numa novela. Por ambos mostrarem universos muito diferentes dos da maioria de nós. Até porque com muita grana, tudo é muito mais fácil, principalmente para um cadeirante. Mas meio paradoxal ou não, eu continuo afirmando que é melhor mostrarem as dificuldades de um cadeirante rico, do que de nenhum. Primeiro, porque a massa gosta mesmo de ver luxo e riqueza. Depois, que aproveitando-se dessa grande exposição, cria no inconsciente coletivo um olhar para se há ou não acessibilidade a sua volta. Isto posto! Vamos ao filme!

Ao traduzirem o título original por “Intocáveis“, dá uma vontade de perguntar: “Mas intocáveis por que?” Muitos ainda acham que ao se ficar cadeirante se chegou ao fim de linha. De se ficar “entocado“, numa de: “coloca-se a comida no cocho e se der por feliz!” Acontece que o personagem do filme sendo muito rico, além dos serviçais habituais, pode se dar ao luxo de ter um personal-faz-tudo: enfermeiro, motorista, acompanhante… Caso essa pessoa também se tornasse um amigo, aí já seria um presente dos deuses. Mas até isso acontecer, pairá sobre ambos o estigma de ser um serviço muito bem pago. O que até por conta disso entre eles haverá uma outra barreira, a física, mas de um modo metafórico. Porque o primeiro passo será um tocar ao outro. Vencendo essa primeira barreira, o passo seguinte seria algo do tipo: “Viu? Somos de carne e osso!” Cujas limitações acabam abrindo espaço para viver a vida por um outro caminho. Mas de pertinho com qualquer pessoa, a ponto de se tocar e ser tocado. Um simples beijo na testa já faz um bem enorme, que dirá sair às ruas, sair da “toca“.

E quem seriam esses dois personagens? Dois homens de temperamentos fortes. Como dois párias na busca de uma nova regra social: a de que a amizade deve transcender a tal “normalidade” das sociedades vigente em qualquer esfera, em qualquer cultura.

De um lado temos Philippe. Interpretado pelo sempre ótimo François Cluzet. Um aristocrata meio esnobe, cujo dinheiro pode comprar tudo o que desejar, menos saber se é verdadeiro o apreço dos que o cercam. Tetraplégico. Ciente o quanto isso torna difícil uma convivência mais íntima. Até porque se faz necessário alguém com força física para levantá-lo da cama para a cadeira de rodas, por exemplo. Então, para Philippe esse secretário particular já se fazia urgente a contratação.

Agora, se para se lidar com um tetraplégico já criam muita resistência… Que dirá sendo ele um ricaço em querer empregar um ex-presidiário. Grandalhão. Que já pela aparência afastava as pessoas por temerem sua força física. Ele é Driss. Uma magistral interpretação de Omar Sy. A qual abro um parêntese para desejar vida longa a sua carreira! Bravíssimo! Driss é quase um produto do meio senão fosse pelo bom coração. Arredio. Explosivo. Espontâneo. Sem travas. Mas no fundo também um ser carente de afeto assim como Philippe.

Juntos, Philippe e Driss, nos levarão a variadas explosões de sentimentos. Ora se divertindo com eles. Ora se emocionando. Onde não se tem que pesar que nesse há uma classe social para lá de privilegiada, pois se ambos fossem pobres seria uma outra história. Assim, é um filme que vale muito a pena ver, e rever. Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen. 2011)

No meio desse caminho não tinha somente pedras…

Há uma certa magia em “Salmon Fishing in the Yemen” por nos levar como numa das histórias das 1001 Noites. Mas de uma que ultrapassou fronteiras pois foi buscar parte dela em Londres; numa globolização bem atual. Começa por alguém que acreditou num sonho impossível. Ou “fundamentalmente inviável” como rebateu um outro personagem, mas que depois embarcou nessa jornada. Com isso, o filme tem como pano de fundo a visão de dois homens: de um grande sonhador com outro bem pé-no-chão. Ambos, inconscientemente, ajudarão o outro a saber lidar com o que o outro é em si próprios. A conciliarem o pensamento com o sentimento. A racionalizar uma paixão. Mas de uma paixão por peixes, e no caso, por salmão.

Com isso, o título dado no Brasil – “Amor Impossível” -, pode afastar muitos por acharem que se trata de um Romance como tema principal; levando-os a perderem um ótimo filme. E eu diria que esse é o único pecado: o de venderem o filme como uma Comédia Romântica. Título e até cartaz do filme apontam para isso. O Romance em si é um componente, já que a personagem feminina, Harriet (Emily Blunt), tem um papel mais importante na vida dos dois personagens masculinos. Já falo deles. Pois ainda quero ressaltar que o filme foca muito mais no Drama que os dois homens passarão, mas contado com um humor bem refinado; um humor inglês.

Além de Harriet, há uma outra personagem feminina que mostra o quanto ela é camaleônica. Que além de papéis dramáticos, faz humor elegantemente. A sempre ótima Kristin Scott Thomas. Se a personagem Harriet foi a isca, a da Kristin foi o anzol. A que uniu de vez os dois pescadores, por ter como pressionar um deles. Uma sim encontra-se em tentar definir o lado pessoal, e amoroso. Já a outra, no momento, pende mais para a carreira profissional do que a familiar. Há ainda uma terceira personagem feminina, vivida pela atriz Rachael Stirling, que acha que detém o controle em seu relacionamento, se dedicando mais a carreira. As três terão suas vidas alteradas por esses dois cavalheiros.

E quem seria esses dois personagens tão cativantes?

Um deles é muito racional, e terá que aprender a lidar com a porção emotiva; o tímido desabrochando. Já o outro muito extrovertido, que se deixa levar pelo sentimento. E é um desejo seu que será a mola de toda a trama. Por querer realizar a qualquer custo, e sem a análise fria e calculada do outro, mas que pelos percalços, terá que aprender a racionalizar sua vontade. Dinheiro não lhe falta. Dando muito trabalho ao outro em mostrar que seu sonho será possível. Cada um deles terá que tentar equilibrar em si mesmo: razão e emoção.

Clichê ou não, e até fora da ficção, passam a ideia que o introvertido padece mais que o extrovertido para vivenciar uma emoção. Numa liberdade total cujos grilhões fora ele mesmo que criou. Talvez  por conta disso pendeu para o personagem de Ewan McGregor ser o protagonista dessa história. Daí apresentarem o filme como romance. Mas ora bolas! Amar não se fecha em por uma pessoa. Alguém muito fechado, muito voltado para as coisas práticas, onde espera que tudo tenha uma finalidade, pode, por exemplo, não entender em alguém ficar horas em silêncio para pescar um peixe e depois devolvê-lo ao seu habitat. Menos ainda, em ver nisso uma conversa com o Altíssimo. O que nos leva a outra ponta. De que se passa a ideia de que o extrovertido não vivencia o drama em dar coerência naquilo que faz. Que leva tudo na brincadeira. Cabendo a Amr Waked fazer o Sheikh Muhammed. Um idealista, que ao levar esse pequeno prazer para a sua terra natal, o faz também por uma religiosidade. Pois vê como um momento de meditação quando está pescando salmão.

Além disso o filme traz o jogo político onde as fichas parecem estar todas marcadas. Quem faz essa ponte é Patricia Maxwell (Kristin Scott-Thomas), assessora do Primeiro Ministro inglês. Pois vê nesse desejo do Sheik um jeito de amenizar a imagem da Inglaterra com os países do Oriente Médio, além da imagem desse político em solo britânico. Se de um lado há o dinheiro pagando alto por um sonho, de outro há o interesse político por um poder semelhante. Só que nesse filme fica mais na comicidade. Querendo ver um lado mais dramático desse profissional – assessor de imprensa de político -, deixo a sugestão do “Tudo Pelo Poder“.

Então é isso! Um filme de se acompanhar com brilhos nos olhos. Não apenas para os amantes de pescaria, mas principalmente para os que possuem um forte lado aventureiro. Cenários deslumbrantes. Trilha Sonora que nos embala no desenrolar dessa história. Aplaudindo também o Diretor Lasse Hallström que pela junção de tudo e todos fez um filme que vale muito a pena ver e rever.

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen. 2011). Reino Unido. Direção: Lasse Hallström. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 107 minutos. Classificação etária: 12 anos. Baseado no livro homônimo de Paul Torday.

Um Conto Chinês (Un cuento chino. 2011)

Não foi o bater de asas de uma borboleta na China que provocou uma mudança noutro continente, como na Teoria do Caos. Em “Um Conto Chinês” foi a queda de uma vaca do céu em um lago na China que mexeu com a rotina de um meio ermitão cidadão argentino. Por mais incrível que isso possa parecer, o filme é baseado num fato real, que aparece nos créditos finais. E o mais admirável, e digno de aplausos, foi que o Diretor, e também Roteirista, de uma notícia meio surreal, fez um filme excelente. De querer rever!

Levando uma vida super controlada, temos Roberto, personagem de Ricardo Darín. Um muito mal-humorado dono de uma loja de ferragens. Mora sozinho. De poucos amigos. Tem o estranho hábito de colecionar notícias com alguma estória bem absurda. O porque, ele contará quase no final do filme. Roberto se fecha tanto numa concha que nem cede as investidas de uma também solitária, mas alegre, fazendeira. Ela é Mari (Muriel Santa Ana).

No início do filme é que teremos a tal queda com a vaca, numa província chinesa. Que de pronto mudará o destino de um jovem. Pela força dos acontecimentos, ele se vê perdido na Argentina, à procura de um tio. Sem falar uma única palavra em espanhol. Ele é Jun (Ignacio Huang).

Jun cai literalmente na vida de Roberto. Esse reluta em levar Jun para a sua casa até encontrarem o tal tio, mas acaba cedendo. Assim, com essa convivência somos brindados com uma amizade inusitada. Ora, muito divertida, ora dando um aperto no coração. Um homem rabugento com um gentil rapaz, numa química perfeita.

“Um Conto Chinês” mostra que a vida tem um sentido sim. Mesmo que o destino tenha pregado uma peça de muito mal gosto. Que o sentido é viver, mas não no sentido de só estar sobrevivendo. É um filme que nos deixa leve após assistí-lo. Não deixem de ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Conto Chinês (Un cuento chino. 2011). Argentina. Direção e Roteiro: Sebastián Borensztein. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 93 minutos.