Livro: Um Dia (2009), de David Nicholls.

Livro_Um-Dia_de-David-NichollsAcabei de ler ‘Um Dia‘ e ainda me sinto no mundo deles. Eles: Dex e Em, Em e Dex. Dois amigos que se conheceram bem no último dia de faculdade, justo quando cada um iria seguir sua vida e provavelmente nunca mais iriam se ver, a não ser pelo fato de que eles resolveram manter contato. Eles se apaixonaram, porém nem um, nem outro teve coragem de assumir (até pra eles mesmos).

Em é a garota inteligente e que não tem nem um pouco de confiança em si; não quer mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor; sonha em ser escritora e ter uma carreira bem sucedida. Dex é aquele que não liga pra nada e acha que a vida vai se resolver sozinha, mesmo que não faça nada pra ela se resolver; tem muita confiança em si e se acha o lindo (e ele é mesmo); vive bêbado e drogado e acha que a juventude nunca vai embora.

Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar um presente para o resto da vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada.” Dex para Em.

É um livro com tantas emoções que as vezes eu precisava fechar o livro e respirar. Eu ficava muito curiosa nos finais dos capítulos, o autor, David Nicholls, fez questão de terminar todos os capítulos nas partes de maior emoção. Eu ficava curiosa até que em alguns capítulos depois algum deles acabava comentando sobre aquele dia, já que o próximo capítulo seria um ano depois. O que me irritava era como eles acabavam se afastando sempre, mesmo se gostando (ou amando); ou como Dex estava acabando com sua vida estando sempre bêbado e vivendo na farra; ou como Em acabava com sua vida, colocando o diploma na gaveta e trabalhando com coisas idiotas e falando o quanto odeia sua vida; ou como eles sempre tinham oportunidade de ficarem juntos, mas desperdiçavam.

É um romance, mas não é aquele romance que o casal se olha, se apaixona, ficam juntos, algo da errado, ficam juntos de novo e pronto: final feliz. É mais real, é mais intenso. É especial. A vida realmente da voltas. As pessoas realmente vão por caminhos errados e fazem coisas que se arrependem. A vida é feita de erros e desencontros. Acho que é por isso que o livro é tão especial e entrou pra lista de favoritos no skoob (aliás, me adiciona lá).

O autor é demais e eu pretendo ler outros títulos dele ♥ A margem, a fonte e o espaçamento são ótimos e a as páginas são amareladas (♥). A capa é linda, linda. Eu encontrei alguns erros na edição, mas nada que tenha me atrapalhado muito e que eu tenha guardado pra falar (sou muito cabeça de vento e esqueci hehe).

Super recomendo o livro, é muito lindo e intenso.

Por Isabele Martins.

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O Som ao Redor (2012)

o-som-ao-redor_2012Por Carlos Henry.
Em meio a enxurrada de filmes medíocres e grosseiros que infesta o cenário do cinema nacional em busca de bilheteria certa nos últimos tempos, “O Som ao Redor” surpreende especialmente por ter um diretor novato: O talentoso Kleber Mendonça Filho.

o-som-ao-redor_cenaÉ uma obra incomum, aclamada internacionalmente, repleta de insinuações e um suspense quase insuportável de algo terrível que nunca acontece. A trama é simples: Gira em torno de um poderoso “Senhor de Engenho” que expande seus negócios no ramo imobiliário em uma área urbana elitizada de Recife, marcando sua influência despótica naquela região onde se concentra a ação do filme. Os personagens, encarnados por atores desconhecidos, começam a desfilar suas características cercados por condomínios gigantes e uma superpopulação incômoda que inclui uma porção mais carente. Uns convivem pacificamente com seus supostos opressores, a classe mais rica; outros agem com mais agressividade. Este jogo sutil de camadas sociais conflituosas permeia todo o roteiro e norteia a trama a um confronto hierárquico representado por um violento acerto de contas num desfecho dúbio, impactante e original.

De um lado a força do dinheiro, acima de tudo, ignorando ameaças como o aviso de tubarões à beira-mar; do outro, um povo oprimido que não titubeia em reprimir por pequenos delitos mas teme um menino delinquente por conta de sua posição social. A tensão constante gerada pelas diferenças e pela densidade demográfica recheia a obra com latidos de um cão vizinho que incomoda, crianças que ajudam a mãe a relaxar, mulheres que se engalfinham sem razão específica, empregadas que se rebelam, encontros furtivos de casais na casa alheia (com direito a um susto hitchcockiano) e num cinema abandonado (Uma sequência antológica de rara beleza). Tudo realizado com uma sensibilidade cinematográfica impressionante.

Seria uma injustiça não mencionar a trilha sonora especialíssima e o som direto que dá o tom e nomeia o filme, enchendo a sala com barulhos de carro, animais, crianças, máquinas e ruídos da cidade superpovoada insinuando um perigo iminente e sem hora marcada.

É talento indiscutível, com sotaque nordestino.
Carlos Henry.

Intocáveis (2011). Quando Dois Párias se Encontram.

Não dá para dissociar a realidade do filme com a minha, uma cadeirante, ao analisá-lo. Sem esquecer também que foi baseado numa história real. Mas o cadeirante do filme está num patamar muito superior: de ser riquíssimo. O que também me fez pensar numa celeuma com também uma cadeirante rica numa novela. Por ambos mostrarem universos muito diferentes dos da maioria de nós. Até porque com muita grana, tudo é muito mais fácil, principalmente para um cadeirante. Mas meio paradoxal ou não, eu continuo afirmando que é melhor mostrarem as dificuldades de um cadeirante rico, do que de nenhum. Primeiro, porque a massa gosta mesmo de ver luxo e riqueza. Depois, que aproveitando-se dessa grande exposição, cria no inconsciente coletivo um olhar para se há ou não acessibilidade a sua volta. Isto posto! Vamos ao filme!

Ao traduzirem o título original por “Intocáveis“, dá uma vontade de perguntar: “Mas intocáveis por que?” Muitos ainda acham que ao se ficar cadeirante se chegou ao fim de linha. De se ficar “entocado“, numa de: “coloca-se a comida no cocho e se der por feliz!” Acontece que o personagem do filme sendo muito rico, além dos serviçais habituais, pode se dar ao luxo de ter um personal-faz-tudo: enfermeiro, motorista, acompanhante… Caso essa pessoa também se tornasse um amigo, aí já seria um presente dos deuses. Mas até isso acontecer, pairá sobre ambos o estigma de ser um serviço muito bem pago. O que até por conta disso entre eles haverá uma outra barreira, a física, mas de um modo metafórico. Porque o primeiro passo será um tocar ao outro. Vencendo essa primeira barreira, o passo seguinte seria algo do tipo: “Viu? Somos de carne e osso!” Cujas limitações acabam abrindo espaço para viver a vida por um outro caminho. Mas de pertinho com qualquer pessoa, a ponto de se tocar e ser tocado. Um simples beijo na testa já faz um bem enorme, que dirá sair às ruas, sair da “toca“.

E quem seriam esses dois personagens? Dois homens de temperamentos fortes. Como dois párias na busca de uma nova regra social: a de que a amizade deve transcender a tal “normalidade” das sociedades vigente em qualquer esfera, em qualquer cultura.

De um lado temos Philippe. Interpretado pelo sempre ótimo François Cluzet. Um aristocrata meio esnobe, cujo dinheiro pode comprar tudo o que desejar, menos saber se é verdadeiro o apreço dos que o cercam. Tetraplégico. Ciente o quanto isso torna difícil uma convivência mais íntima. Até porque se faz necessário alguém com força física para levantá-lo da cama para a cadeira de rodas, por exemplo. Então, para Philippe esse secretário particular já se fazia urgente a contratação.

Agora, se para se lidar com um tetraplégico já criam muita resistência… Que dirá sendo ele um ricaço em querer empregar um ex-presidiário. Grandalhão. Que já pela aparência afastava as pessoas por temerem sua força física. Ele é Driss. Uma magistral interpretação de Omar Sy. A qual abro um parêntese para desejar vida longa a sua carreira! Bravíssimo! Driss é quase um produto do meio senão fosse pelo bom coração. Arredio. Explosivo. Espontâneo. Sem travas. Mas no fundo também um ser carente de afeto assim como Philippe.

Juntos, Philippe e Driss, nos levarão a variadas explosões de sentimentos. Ora se divertindo com eles. Ora se emocionando. Onde não se tem que pesar que nesse há uma classe social para lá de privilegiada, pois se ambos fossem pobres seria uma outra história. Assim, é um filme que vale muito a pena ver, e rever. Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)

Não li a trilogia “The Hunger Games” de Suzanne Collins, e nunca me interessei com a estória que envolve uma batalha até a morte entre crianças. Porém, fiquei curioso de ver o filme por causa de seu tema frio, escuro e triste e como seria transposto esse sentimento dentro um filme para adolescentes.

Para quem não conhece a estória de “The Hunger Games,” eu entendi que tudo se passa nas ruínas da América do Norte chamada de “Capitol.” Uma sociedade futuristica, onde os ricos e privilegiados, se vestem como se estivessem revivendo os anos 80, e olham com desdém para os 12 distritos numerados abaixo deles. Estes distritos representam níveis variados de pobreza e de habilidades, incluindo mineiros, agricultores, metalúrgicos e outros. Numa tradição anual chamada de “The Hunger Games”, em que um adolescente e uma menina de cada distrito são selecionados como “tributos” para lutar em uma batalha até a morte como um lembrete do poder do “Capitol.”

Nos jogos mais recentes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, graciosa, e repetindo a mesma determinação de sua Ree em “Inverno da Alma”, 2010), uma residente do mais pobre de todos os distritos, Distrito 12, onde ela caça esquilos apenas para ter algo para trocar no mercado para manter o bem estar de sua mãe e irmã. Seu melhor amigo é Gale (Liam Hemsworth, cujo papel é extremamente limitado). Katniss se voluntaria para lutar após o nome de sua irmã foi selecionado para participar do “The Hunger Games.” O filho do padreiro, Peeta Melark (Josh Hutcherson, o filho das lésbicas em “Minhas Mães e Meu Pai”, 2010) é o representante masculino. De acordo com as regras, apenas um ou nenhum desses dois combatentes vai retornar ao Distrito 12 vivo.

O filme tem cara de video game, e também muito me fez lembrar de “The Truman Show” (1998)– os jogos são televisionados para todos os 12 Distritos, onde as pessoas assistem como seus filhos são assassinados para a satisfação do governo opressor. Duas vezes no filme um gesto de mão é feita em três dedos, que é mantido como uma forma de solidariedade– a platéia pareceu ser SUPER fã do livro, pois levantaram as mãos, repetindo o mesmo jesto!.

Fiquei realmente dividido se gostei tanto do filme ou não. No início, onde somos apresentados a esse mundo moderno — e ao mesmo tempo cafona–, emoldurado na fotografia pálida assinada pelo fotografo de Clint Eastwood, Tom Stern, me entediadou em alguns momentos!. Stern pinta o filme com tons cinzas, e depois faz um contraste bem brilhantes de cores (na “The Capitol”) e os verdes da arena do “jogos da fome.” Tudo alinhado nos inumeros cortes das cenas editadas por Juliette Welfling (The Diving Bell and the Butterfly, 2007), e Stephen Mirrione (Traffic, 2000).

Honestamente, achei que o filme tem muitas cenas bobas, e que me deixaram com aquela vontade sair da sala de cinema, porém a estória do filme em si me envolveu e eleveu os meus animos por explorar temas como “reality shows”, controle da mídia e dessensibilização da sociedade para a violência.Infelizmente, o roteiro se arrasta demais em coisas irrelevantes, e não desenvolve plenamente esses temas. Por exemplo, Katniss é aconselhada por seu mentor Haymitch (o sempre talentoso Woody Harrelson) para se “engraçar” para os espetadores, na esperança que os patrocinadores lhe enviará auxílio – alimentação, água, remédios – enquanto ela está presa dentro da arena.

Infelizmente, o filme nunca explora esse engraçamento da personagem com o expectador, apenas se limita em mostrar um romance entre ela e Peeta. E, com exceção de Katniss e Peeta, nenhuma das crianças (personagens) na “arena” são adequadamente desenvolvidas. Não tive idéia quem são ou o que eles são capazes de fazer, e não existe nenhuma conexão emocional com Katniss. Entre as crianças, há um rosto conhecido, o de Isabelle Fuhrman (“Orphan”, 2009, que é talentosa e não merecia ganhar um papel quase sem falas!).

Quando o abate começa, senti o impacto. E, achei excelente a direção de Gary Ross, que não mantem a câmera com firmeza – filma numa forma irregular girando ao redor, de um modo a distorcer o que realmente está acontecendo. E, pelo que vi, ele foi capaz de levar as coisas muito longe em termos de violência. Me perguentei se o material teria ganho algumas restrições em termos de avaliação se Ross e os outros roteiristas Suzanne Collins (a autora do livro!) e Billy Ray tivessem desenvolvido e nos dessem a oportunidade de nos envolvermos um pouco com crianças que estavam sendo mortas.

O elenco de apoio é bom, Elizabeth Banks mesmo nauseante como a emissária, não compromete; Lenny Kravitz — que deveria fazer mais filmes–, tem alguns momentos de ternura, como o estilista encarregado de fazer Katniss apresentável. O melhor de todos é Stanley Tucci, fazendo uma combinação perfeita de extrovertido e assustador como o apresentador de talk-show.

Não existe efeitos visuais de cair o queixo neste filme, e dá para justificar a razão, pois os efeitos não são tão importantes quanto a estória, e se alguma coisa em “The Hunger Games” prova é que ninguém precisa gastar 300 milhões dólares em efeitos especiais, desde que você tenha uma boa estória.

Honestamente, para quem leu livro comprende melhor as lacunas nos personagem por trás da estória—isso é preenchido, onde o filme está faltando. E, creio que assim faz o filme parecer melhor do que ele realmente é.

Certamente, “The Hunger Games” possue um enredo muito interessante, e também é um filme de ação bem melhor do que muitos que vi nos ultimos anos!. Não que ele seja uma obra-prima, mas vale ser visto…principalmente, quem está com uma grana extra!. E, o que achei perfeito “The Hunger Games” foi a linda trilha sonora escrita por James Newton Howard!.

Nota 7.0

O Homem ao Lado (El Hombre de al Lado. 2009)

O filme é muito bom! Mas ao término dele fiquei pensando se nas mãos de um outro Diretor teria ficado memorável. De exclamar um “Uau!”. Até por conta do final que então fecharia com chave de ouro. A história por si só é ótima: uma invasão de privacidade não tão moderna assim. Já que a quebra da intimidade de uma família se deve pela proximidade de uma janela aberta na casa vizinha. Somado a isso, e então posicionando o filme numa atualidade, o fato de se ter uma legislação que proíbe a abertura da tal janela. Com a aglomeração populacional, com a proximidade entre os prédios, houve necessidade dessa legislação mais específica para tentar assegurar os limites físicos de cada unidade.

Quando se trata de uma unidade de um único pavimento um muro mais alto é uma solução. Mas a partir de um segundo andar, uma cortina, ou mesmo um toldo na janela cria uma barreira, não deixando o interior do imóvel tão devassado. Agora, quando se tem várias paredes de vidro e numa casa com mais de um pavimento, complica. Uma casa assim pediria um terreno em torno que a deixasse livre pelo menos do alcance do olhar humano.

O filme “O Homem ao Lado” partiu de uma casa real para criar a história na ficção. O que leva a algumas reflexões.

Uma delas seria que posicionamento leva uma família a morar num prédio assim. Mais! Com a parte real há a importância até histórica da tal casa. Pois se trata da Casa Curutchet – a única na América Latina projetada pelo famoso arquiteto Le Corbusier. Fazendo dela também um ponto turístico na cidade argentina de La Plata. No ficcional, toda a fachada deixa o interior de parte da casa devassada aos olhares dos que param na calçada para admirar, ou até estudar a arquitetura da casa. Deixando os cômodos do meio para o fundo livre dessa invasão. Que não é tão invasão assim, vejo mais como uma exposição dos moradores. De minha parte, eu gosto de uma parede de vidro, mas voltada para um jardim interno, ou mesmo que para uma bela paisagem do exterior desde que não haja um outro prédio no meio dessa visão. No filme, o prédio vizinho infringiu também a lei pelo fato de ter subido uma das paredes já no muro divisório. Mesmo não tendo explicação, um furo maior recairá na história do vizinho que abre a janela. Falo dele mais adiante. Ressalto que o que deixava os moradores livres de olhares indiscretos, nos outros cômodos da casa seria a certeza de que tinham nos fundos, os fundos desse prédio vizinho.

Mesmo partindo de um terreno inapropriado para uma casa envidraçada, a história dá como desculpa que quem foi morar nela é um arquiteto. Denotando alguém que não colocaria o fato dessa exposição sobrepujando a importância da obra arquitetônica. Sendo ele um designer, morar na Casa Curutchet o deixaria com muita evidência, até internacionalmente. Ele é Leonardo (Rafael Spreguelburd), um designer industrial que ganhou fama internacional com o projeto de uma cadeira.

Mas Leonardo passa por um bloqueio criativo. Pressionado profissionalmente, pelo atraso, acaba descontando sem querer na própria família, e em seus alunos. A esposa reclama de mais intimidade. Com a filha adolescente ele não consegue dialogar. Com os alunos, cobra por mais criatividade, enquanto ele mesmo se encontra sem nenhuma. E é assim que a pendenga com o vizinho, Victor (Daniel Aráoz) lhe pega: desnudando o seu interior também.

Victor abre a janela para que entre luz em sua sala. Um cara bem tosco, mas que não esconde o seu jeito de ser. Leonardo já é o contrário. Dinheiro, fama, só o deixou com uma camada de verniz. No fundo, é tão bronco como o outro. Tudo fachada!

O início do filme é brilhante! O final é de deixar sem palavras… Mas como falei no início faltou algo. Talvez se enxugassem um pouquinho, pois teve momentos que me fez querer ter um controle para avançar com o filme por ter dado um tédio. Não sei também se porque não houve química entre os dois atores: Rafael Spreguelburd e Daniel Aráoz. Por conta disso não me deixou vontade de rever. Mas vale a pena ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Homem ao Lado (El Hombre de al Lado. 2009). Argentina. Direção: Mariano Cohn, Gastón Duprat. Atores: Rafael Spreguelburd, Daniel Aráoz, Ruben Guzman, Eugenia Alonso. Duração: 110 minutos. Gênero: Drama.

Atraídos pelo Crime (Brooklyn’s Finest). 2009

A ocasião faz o ladrão?
No início do filme alguém conta que foi absolvido porque o juiz não interpretou o fato como certo ou errado, mas sim em mais certo ou mais errado. Numa de que mesmo fazendo algo ilegal, se o que levou a fazer isso fora por algo extremamente necessário reverte-se a questão. Desqualificando o crime. Complicado? É que vou seguir por esse caminho ao falar de ‘Brooklyn’s Finest‘. É! Ficando, focando o título original. E quem seria essa fina flor do Departamento de Polícia de Nova Iorque?

No filme há todos ingredientes iguais a tantos outros. Mas creiam em nada diminui esse. Até porque há um diferencial: serão três tiras postos em xeque. Tudo convergindo para uma cilada do destino. Se é que se pode chamar de um fato ocasional. Os três foram parar lá de livre e espontânea pressão. Dos superiores? Não. De suas próprias cabeças.

Com o Tolerância Zero tão decantado… ficou algumas indagações. Entre elas: A onda de crimes urbanos foi varrida de vez? Ou apenas mudou para outro local fora do circuito turístico?

Eu gosto do Gênero Policial. Mas confesso não lembrar de nenhum com uma tomada aérea do Brooklyn como nesse filme. À primeira vista seria logo identificado como um belo condomínio da Classe Média. Bem espaçoso entre um Bloco e outro. Bastante arborizado. Quadras de Esportes… Mas estamos falando de Nova Iorque. Do Brooklyn. Que pelo jeito colocaram nesses prédios o núcleo pobre da cidade. Se desassistidos pelos governantes, dá espaço para o narco-tráfico, a prostituição… Um governo paralelo.

Para tentar chegar no dono da área o Caz (Wesley Snipes) um tira se infiltrou entre eles. Iniciando a missão já na cadeia para dar mais veracidade. Ele é Tango (Don Cheadle). Tudo ia nos conformes até que um policial é morto por um jovem negro. Nas cercanias dos tais prédios. Então o andar de cima pede algo mais a Tango. Esse, a princípio recusa. Já cumprira sua missão. Queria mais voltar a condição de tira, e com uma promoção. Acontece que o chantageiam no seu ponto fraco. Tango, mesmo contrariado, vai em cumprimento do seu dever.

Mas que dever era esse? Um ato criminoso para acalmar aqueles que moravam fora daquelas cercanias? Mesmo que a tal pessoa fosse um criminoso estaria mais certo pagar por algo que não cometeu? Agora, se era um traficante, se revendia drogas, ele alimentava uma cadeia de crimes. Aliciava jovens para esse mundo. Afinal, os superiores de Tango estavam com a razão? Qual era a ética seguida por Tango?

Ainda falando sobre as drogas… O filme mostra que jovens indo atrás de um “barato” podem terminar ficando presas de uma rede de prostituição. Drogadas, algemadas… Só saindo dessa vida se tiver alguém disposto a tirá-las dai. Pensem nisso!

Falando em ética própria… temos um outro tira. Ele é Sal (Ethan Hawke). Cheio de filhos, com a mulher grávida de gêmeos… Sonha alto. Como a maioria que em vez de dar um passo de cada vez quer dar um bem maior que pode alcançar. Cansado de só prometer uma casa maior e melhor para a família vai em busca de dinheiro. Procura na Igreja a sua absolvição. Se vê como um bom ladrão. Tem como desculpa perante aos outros tiras que o dinheiro apreendido nas operações policiais, nos bunkers das drogas, que esse dinheiro fica nas mãos do alto escalão. Patrocinando seus luxos. Que nada é revertido para os tiras que arriscam suas vidas nessas operações. Nem muito menos numa ressocialização dos jovens infratores. Assim, para Sal, se eles podem, ele também quer o seu quinhão.

Por fim temos Eddie (Richard Gere). Um policial a poucos dias de se aposentar. Tudo o que quer nesses últimos dias de Tira é se manter vivo. Mas seu Chefe lhe dar como derradeira missão: ser instrutor de recém ingressos na Corporação. São jovens cheio de idealismo. Que acreditam que porão ordem no caos urbano. Mais. Querem ação e não ficar só observando. Íntegro, mas cansado pelos anos já prestados, Eddie antevê que não será uma missão fácil. Pois falta a esses jovens: jogo de cintura. Para aguentar a pressão nessas rondas. Mas como diz seu Chefe, o Sistema o escolheu.

Eddie, Sal e Tango possuem cada um um grande amor. Sonham em lhes dar uma vida segura. A esposa de Sal o ama sem lhe pedir nada. A do Tango não suportou ser casada com um Tira Detetive. Tango quer reconquistá-la com a promoção prometida. Eddie é apaixonado por uma prostituta. Sonha com que ela largue essa vida e vá viver com ele após se aposentar e longe de Nova Iorque.

No meio do caminho tinha… Ronny (Brian F. O’Byrne), que mesmo na melhor das intenções, se precipitou… É! Todos foram parar naquele local sem se preocuparem com a própria vida. Sem seguirem as normas de segurança que aprenderam na Academia de Polícia. E deu no que deu.

As participações femininas foram medianas. São elas: Lili Taylor como a esposa de Sal. Shannon Kane a prostituta amada pelo Eddie. E Ellen Barkin, a Agente que pressiona Tango. Essa é a que ficará um pouco mais na memória.

O filme é lento na primeira metade, mas nem por isso perde o brilho. Por nos mostrar um pouco desses três tiras. A ação mesmo fica mais para a meia hora final. São tantas as informações que me deixou com vontade de rever para então apurar tudo. É um ótimo filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Atraídos pelo Crime (Brooklyn’s Finest). 2009. EUA. Direção: Antoine Fuqua. +Elenco. Gênero: Ação, Crime, Drama, Policial, Thriller. Duração: 132 minutos.