Baarìa – A Porta do Vento (2009)

Assisti ontem (06/10/2010) este filme de Giuseppe Tornatore, muito criticado na Itália porque produzido pela Medusa, empresa de Berlusconi,  e também criticado no Brasil por pessoas superficiais, no meu entender, mas principalmente porque mal intencionadas. Leia aqui uma matéria que vale a pena, porque tem também a resposta de Tornatore às críticas.

Lamentável que éramos somente 10 pessoas na sala de exibição, mas convenhamos, o ingresso é muito caro! O filme é para quem lê, para quem conhece a história italiana, porque em pouco mais de duas horas e meia passam na tela 40 anos da história italiana versada no Sul e especialmente em uma pequena cidade, período de muitos eventos e experiências diversas. Tem muita informação neste drama classificado como comédia e assistirei novamente, com certeza.

Se não gosta de história, de política, de gente simples do interior e de italianos, não perca seu tempo.

O filme retrata quatro décadas de história na pequena cidade siciliana que se chama Bagheria, mas em dialeto siciliano é chamada de Baarìa, e foi nesta cidade que nasceu Giuseppe Tornatore!

O filme é claro, retrata um contexto histórico, que não é exemplo para ninguém, ao contrário, é uma aula sobre  o drama das escolhas de cada um e o fracasso de ideais. E para bom entendedor, meia palavra basta. Ali, na história da Itália, se entende o porquê do comunismo, e é possível enxergar como funciona/funcionou.

Por não conhecermos a história européia, muito menos a do Brasil, é que aqui as criaturas votam em massa nos comunistas brasileiros, que hoje estão abraçados na máfia brasileira.

Na Itália o comunismo era uma reação contra a máfia, aqui o comunismo está de braços dados com a máfia política e predatória, e todos fingem que ela não existe, que não está comprando votos, pagando jornalistas, magistrados e convencendo a opinião pública que aqui é o paraíso na terra.

Por: Isa Calhetas.

Baarìa – A Porta do Vento (Baarìa. 2009). Itália / França. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, História. Guerra. Duração: 150 minutos.

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Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso. 1988)

cinema paradisoPor Rafael Lopes

Uma vez me perguntaram: “Porque você gosta tanto de cinema?”. Respondi: “Assista Cinema Paradiso e terá sua resposta.”.

O cinema é algo mágico. Desde garoto, quando ia nas matinês religiosamente acompanhado do meu pai, ficava ali, deslumbrado com a magia causada por “24 quadros por segundo”, numa sala escura, onde assistia a vida contada com sentimentos múltiplos. Talvez o que torna o cinema uma arte tão bela, seja a mitologia que ela consegue criar em todos. Quando nos impressionamos com uma cena de ação mirabolante, onde algo inimaginável está por acontecer e quando acontece, mesmo sabendo que é de “mentirinha”, você continua impressionado com o que viu e se pega perguntando ”…como eles fizeram isso?!”.

Só que através dos tempos essa magia foi se esgotando. Não assistimos mais aos filmes esperando aquele encanto que tanto nos enchia os olhos. Isso infelizmente acabou lá nos anos 50/70, antes de os grandes efeitos especiais dominarem tudo. Agora nos anos 2000, onde tudo parece ser mais artificial, onde tudo é gerado por um computador e não mais causa o impacto devido e fica apenas aquela sensação de diversão temporária. O cinema está desgastado? Não. As pessoas que aprenderam a não gostar mais.

Hoje o que temos é o DVD na casa de todo mundo, onde preferem ver no conforto de seus lares o que a indústria proporciona. Compram seus DVD’s em bancas piratas ou originais ou ainda alugam e pronto. Em casa mesmo. Mas em casa a coisa não é a mesma da sala escura.

Nada supera a magia que só a sala escura proporciona, aquele friosinho que a gente sente quando a luz apaga e a tela mostra a vida em seus “24 quadros por segundo”.

É sobre isso que Cinema Paradiso, filme italiano de 1989 dirigido por Giuseppe Tornatore, inspiradíssimo, que queria contar uma história de amor ao cinema, atrapalhada pelo progresso, como sabiamente comenta o personagem Alfredo em certo momento do filme. A sinceridade e sensação de nostalgia que o filme proporciona é incrível e indescritível, e faz com que os verdadeiros amantes do cinema, sintam a emoção de seus personagens em momentos cuidadosamente criados para despertas essas emoções.

É a história do pequeno Salvatore, ou melhor “Totó”, como é conhecido por todos da pequena cidade onde vivem na Sicília. A diversão do pequeno é passar o tempo livre no cinema Paradiso, uma das poucas opções de lazer da população local. Lá encontramos todo tipo de gente, mal educados, apaixonados, dorminhocos, falastrões, briguentos e porque não, os apaixonados por cinema, sendo um deles o pequeno Totó. Esperto, ele tenta por tudo conseguir a amizade do projecionista Alfredo (Philippe Noiret), um senhor de sorriso amigável e que logo se rende às astúcias do pequeno garoto.

cinema paradiso

Em meio as dificuldades, o garoto torna-se pupilo do velho projecionista e após um acidente, que deixa Alfredo deficiente, começa a trabalhar pra valer no ramo. O tempo vai passando e o pequeno Totó começa a enfrentar o mundo pra valer. A vida real tenta lhe tirar a imaginação que o cinema despertou nele, mas o amor pela sétima arte o transforma num grande cineasta.

Só que tudo isso longe de casa. 30 anos sem visitar a cidade onde cresceu, onde aprendeu a apaixonar o cinema.Tudo isso por causa das descrenças do velho Alfredo, que só queria ver o garoto feliz e com uma vida melhor, sem os fantasmas que ficaram na cidade velha. Totó volta para o enterro de Alfredo e se depara com todo o seu passado, sem fazer julgamentos, apenas o fazendo pensar em como tudo aquilo lhe foi importante, e como tudo aquilo foi crucial na sua vida.

Suas duas horas de duração são uma grande homenagem ao cinema e à magia que a sétima arte causa. Todos os sentimentos que um filme causa, são enaltecidos em praticamente todas as cenas do filme. Tudo o que o pequeno Totó faz para ir ao cinema nos faz sentir pequenos de novo, quando assistíamos aqueles filmes escondidos dos pais de madrugada (fiz muito isso), e juntávamos aqueles trocados pra alugar um filme na locadora, todas essas coisas que nos fazem perceber o que um filme verdadeiramente nos causa. Esse é o principal objetivo do filme e ele o alcança com muita graça e sucesso.

Muito bem dirigido, e emocionante na medida certa, com atuações fabulosas (principalmente por parte de Phillippe Noiret e do pequeno Salvatore Cascio – que interpreta o pequeno Totó na infância) e uma produção maravilhosa, Cinema Paradiso é um filme rico em detalhes, rico em sinceridade e sentimento, rico em cinema. Que além de emocionar – sem ser piegas em nenhum momento – abre espaço para discutir o avanço da tecnologia nesse ramo, e o triste fim das sessões de cinema.

Na cidade onde moro, assisti ao fim de um cinema há dois anos atrás, mais ou menos a época em que vi Cinema Paradiso a primeira vez, e refleti muito a cerca disso. Afinal de contas, era um cinema muito antigo por aqui, desde os anos 30 funcionando, onde assisti minhas primeiras sessões de cinema, e que fechou por causa da pirataria. Há uma passagem no filme onde o antigo dono do cinema comenta algo parecido.

Eles fecharam as portas porque simplesmente deixaram de ir ao cinema. Televisão e videocassete querendo ou não foram revoluções para a exibição de filmes, mas acredito que nenhum consiga fazer a experiência de assistir um filme ser tão mágica e intensa como num cinema.

Claro que tudo é mais intenso garças a trilha do monstro do cinema Ennio Morricone, linda em todos os momentos, perfeita em cada detalhe, encaixada perfeitamente dentro da proposta do filme. Inspiradora durante todo o filme, torna tudo mais agradável e delicioso, dando uma inocência prazerosa ao filme.

E o filme consegue passar tudo isso de maneira formidável, cito como exemplo, a alegria do povo que, sem poder entrar no cinema, consegue com a ajuda do esperto Alfredo, ver o filme sendo fora do cinema, quando o projecionista põe a imagem para ser passada dentro e fora do cinema ao mesmo tempo. Outra cena que mostra bem isso, é o cinema lotado e todo mundo rindo das palhaçadas do vagabundo Charlie Chaplin, ou chorando assistindo a filmes de Renoir, Viscontti, entre outros.

Mas o melhor mesmo, é ver o personagem Totó, já adulto e consagrado, assistindo a uma montagem de beijos, que eram censurados na sua infância pelo padre, e se emocionando muito com o que via. É a magia do cinema acontecendo.

cinema paradiso

Cinema Paradiso é um filme simples e sensível cheio de emoção e sentimento verdadeiro. Uma grande obra dedicada a quem ama a sétima arte, e principalmente, uma obra que quer dizer: “O cinema não morrerá!”.

Viva a Sétima Arte!

Nota: 10 (e com aplausos em pé).

Nuovo Cinema Paradiso, 1988 (Itália)
Direção: Giuseppe Tornatore.
Atores: Antonella Attili , Enzo Cannavale , Isa Danieli , Leo Gullotta , Marco Leonardi.
Duração: 123 min

MALENA (MALÈNA. 2000)

Antes de assistir a esse filme, já tinha boas referências de seu diretor, o cineasta italiano Giuseppe Tornatore, que dirigiu o belo ‘Cinema Paradiso‘, um diretor que gosta de tocar as mais remotas emoções do público. Foi aí que cheguei à Malena.

Ambientado num vilarejo na Itália dos anos 40, um menino, em plena juventude, descobre os encantos e a beleza da jovem Malena, uma nova moradora da região, interpretada pela lindíssima atriz Monica Belucci. Tornatore nos remete aos desejos e devaneios de Renato, o garoto que vê em Malena uma mulher única e deslumbrante, que desperta os olhares dos homens do vilarejo e a inveja das mulheres casadas.

Muito interessante a questão da sexualidade proposta pelo diretor. Vemos um menino que busca sua auto-afirmação como homem, e suas fantasias e suas emoções de um garoto, que o fazem seguir sua “amada” por todos os lugares que ela vá.

Outro tema abordado é a questão da prostituição. Malena, após a suposta morte do marido no front de batalha na 2º Guerra Mundial, ela se vê sozinha e sem recursos para se manter, e se vê a aceitar comida em troca de favores sexuais aos oficiais nazistas (fazendo uma contundente alusão ao governo italiano que se alia aos alemães).

A sua “punição” e seu auge são os pontos máximos do filme, onde Tornatore nos inunda com todo o drama de sua personagem, e depois nos revela a imponência de uma mulher que dá o ar da graça de sua redenção.

Enfim, vale a pena conferir. Um filme com uma belíssima trilha sonora e belas imagens da Itália. Um filme que nos mostra até que ponto chega a questão do preconceito, da inveja, e dos pudores sexuais da época, além de uma bela e envolvente paixão platônica…

Por: Junior Silva. Do Blog: Caixa do Junior.

MALENA (MALÈNA). 2000. Itália. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Elenco: Monica Bellucci, Giuseppe Sulfaro, Luciano Federico, Matilde Piana, Pietro Notarianni, Gaetano Aronica. Gênero: Comédia, Drama, Romance, Guerra. Duração: 92 minutos.

Uma Simples Formalidade (Una Pura Formalità. 1994)

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Uau! Filmaço! De dar vontade em já sair trocando impressões com quem já viu muito mais que motivar aqueles que ainda não assistiram esse filme. Mas irei me conter. Pelo menos vou tentar. Até em não deixar passar spoilers. E o que temos no filme?

Um homem (Gerard Depardieu) é pego por policiais por estar sem documentos, andando sem guarda-chuva numa noite tempestuosa e levado para a Delegacia. Lá chegando ele cria confusões. Com a chegada do Delegado (Roman Polanski) tem início as perguntas. Que por conta de alguns indícios em vez de ser liberado ele fica detido. Para uma simples formalidade. Até porque ocorrera um crime nessa noite. E o filme vara noite nessa investigação, ou melhor, colhendo depoimentos.

Depardieu, entre lapso de memória, diz ser Onoff. Nome de um grande escritor. Que por coincidência é o escritor preferido do Chefe de Polícia. Que a princípio recusa-se a acreditar que está diante de seu ídolo, mas depois usa o fato de conhecer bem seus escritos para avançar nas perguntas. Ou seria na mente do Onoff? Que ora está on, noutras off.

Quem morreu? Quem matou? O que fazem ali todas aquelas pessoas? Que lugar é aquele? Mas muito mais que descobrir essas e outras dúvidas acompanhem a tudo. Até o pinga-pinga das goteiras que não cessam. Além do duelo verbal dos protagonistas, destaco também os personagens do escrivão e o velhinho do leite quente. São peças importantes nesse quebra-cabeça.

Uma inebriante caça ao rato! Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Simples Formalidade (Una Pura Formalità). 1994. Itália. Direção e Roteiro: Giuseppe Tornatore. Gérard Depardieu, Roman Polanski, Sergio Rubini, Nicola Di Pinto, Tano Cimarosa, Paolo Lombardi, Maria Rosa Spagnolo. Gênero: Policial, Suspense. Duração: 108 minutos.