Laços de Ternura (Terms of Endearment. 1983)

lacos-de-ternuraRevendo o filme, ‘Laços de Ternura‘, após tanto tempo, me levou a pensar num paralelo com a atualidade. Além do ato de ser mãe. Nesse tocante vem a máxima que diz que mãe é tudo igual, só mudando o endereço. E pela época do filme, pela história contida nele, nem dá para dizer que muita coisa mudou de lá para cá.

Mais de 20 anos se passaram e ainda vemos muitas mulheres gerando um filho atrás do outro sem o menor planejamento. Meio frio de minha parte, concordo. Mas há sim o de se pesar o orçamento do casal. Se terá como arcar financeiramente com a educação. Jogar nos ombros dos avós essa responsabilidade eu não acho justo. Não com uma imposição velada. Uma das ajudas que poderia ser, seria por conta de algo como nesse filme. No final dele.

O filme também fala do aborto. Numa conversa entre mãe e filha. Para que vejam que nada mudou em todos esses anos ainda é feito em larga escala, mesmo sendo ilegal. Recentemente foi feito uma pesquisa sobre esse tema, chegando nesse resultado: “Quase 4 milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos. Em sua maioria, o grupo não é formado por adolescentes, mas por mulheres entre 20 e 29 anos. Mais da metade se declarou católica. E mais de dois terços já têm filhos. A maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar.” Como podem ver, faltou o o planejamento que citei anteriormente.

O filme também traz as puladas de cerca. De um lado, procurando nisso dar vazão aos desejos do corpo. Do outro, por não querer romper de vez com o matrimônio. Naquela de até que a morte os separe? Há também um terceiro motivo: os filhos. E até por conta deles também pesará as pensões advindas num rompimento. Se a grana anda curta, o que dirá tendo que manter duas casas? Então, enquanto ninguém reclamar, mantém-se toda a situação.

Entraria aqui até essa máxima: “O que os olhos não vêem, o coração não sente“. Ou outra mais cínica: “Se quer trair, que o faça sem deixar rastros“. Até aqui como podem verem todos esses anos nada mudou. Muito de nós conhecemos relacionamentos assim. Mas apesar de pontos em comuns, cada relação é única.

Entrando no filme… Aurora (Shirley MacLaine) só quis ter uma filha. Talvez pelo seu temperamento. Com mais um tempo de casada, enviuvou. O filme dá outro salto no tempo, e então começa de fato toda a trama. Às vésperas do casamento de sua filha Emma (Debra Winger) com Flap (Jeff Daniels). Aurora não aprovava o casamento. Para ela, a filha iria sofrer por ele ganhar muito pouco. Flap era Professor. Mas Emma nasceu para ser Dona de Casa. Nem quis continuar os estudos, nem arrumar um emprego fora de casa. Queria mesmo cuidar do Lar, do marido e dos filhos. Então foram morar longe de Aurora.

jack-nicholson_and_shirley-macLaine_terms-of-endearmentAurora por sua vez embora sempre cortejada por uns amigos se fechou a um novo amor, ou mesmo as simples relações. Bloqueando os seus apetites sexuais. Diferente da filha que mantinha um caso extra-conjugal com Burns (John Lithgow). Flap também mantinha um caso com uma aluna. Tudo seguia sua rotina na vida de Aurora até que entra em cena um barulhento vizinho, Garret (Jack Nicholson), e que não saía mais de seus pensamentos. Mas passaram-se 15 anos para ela tomar a iniciativa. A cena da primeira saída dos dois é memorável.

Por não gostar de rédeas, após um namoro, Garret mesmo gostando dela, resolve sair de cena. Até que com uma virada do destino, pela perda de um membro da família, todos se unem para cuidarem das três crianças.

Um belo filme! Para ver e rever. A trilha sonora é linda, mas uma em especial, é de querer ouvir várias vezes. Ouça-a:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Laços de Ternura (Terms of Endearment). 1983. EUA. Direção e Roteiro: James L. Brooks. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado em livro de Larry McMurtry.

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Melhor é Impossível (As Good as It Gets. 1997)

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Aqui, pretendo expor minhas impressões sobre o filme baseando-me na Psicanálise.

O neurótico obsessivo tem a característica de evitar entrar em contato com o seu desejo, pois entrar em contato é sair de seu lugar de morto-vivo, é estar na posição de desejante e ter de se haver com isso é o que o neurótico obsessivo mais teme, assim ele desloca para o real dos objetos a sua obsessão em não querer tocar em nada.

Tocar, pegar, entrar em contato equivale para o Obsessivo se responsabilizar por algo. E como sujeitos que padecem dessa neurose não suportam sentir culpa por seus erros e acertos, eles atribuem ao Outro tal sentimento. Logo, evitam tocar.

Esse Neurótico do filme tem TODA a sintomatologia de um Obsessivo de carteirinha rs, daí: Melhor é IMPOSSÍVEL.

Ele não toca, pula as rachaduras do chão e do piso, usa luvas, lava as mãos com mais de 5 sabonetes, usa talheres descartáveis… porque o contato é ‘sujo’, daí vem a mania de limpeza.

Freud nos ensina que a ‘salvação’ do Obsessivo é quando ele ama, pois amar é sair do lugar. Quando ele ama, ele se vê frente a frente ao seu objeto de desejo, então um lado dele repele (com ironias e sarcasmos típicos dessa estrutura clínica) e o outro o condena a entrar em contato.

Primeiro Jack Nicholson se afeiçoa ao cachorrinho do vizinho homossexual; isso já é o primeiro sinal de mudança. Tem uma fala dele que diz:

-“…Por causa de um cachorrinho”.

Quando ele está tocando piano pro cachorro comer rs.

E depois Carol, a garçonete, que provoca nele um sentimento que o faz, inclusive, voltar a clínica de seu psiquiatra para melhorar.

Não é gratuito quando ele fala que a garçonete o fez ser alguém melhor. Pois, o Obsessivo padece dos pensamentos, e seu temor é de que alguém o escute, daí seu louvor a Deus (já que este é Onipresente, Onisciente e Onipotente -> tudo vê, tudo escuta, tudo sabe e em tudo está). Pensar é o exercício mais frequente de um obsessivo, pensa “maldade em cima de maldade”, mas não assume isso, daí seus atos serem de bondade; justo para tamponar seus pensamentos. Carol consegue, aparentemente, torná-lo mais leve, mais vivo e mais desejante.

Por ela e pelo cachorro, ele consegue até se afeiçoar e cuidar do Simon, seu vizinho gay.

Melhor do que isso? Impossível 😉 Só mesmo o amor pra fazer essas revoluções acontecerem.

Melhor é Impossível – As good as it gets, 1997, EUA. Direção: James L. Brooks.

Por: Vampira Olímpia.