Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper. 2009)

uma-prova-de-amor_2009Não se trata de crise existencial de adolescente. Do tipo: ‘Quem sou eu?’, ‘Qual é a minha missão nesse mundo?‘… É muito mais! É de ter o direito de ser dona do próprio corpo. Da própria vida. Mesmo que para isso se busque pelos caminhos legais. Por uma lei que faça a família simplesmente deixar a natureza agir. E nessa família quem fechava todas as portas para a morte era uma mãe. Lutou com todas as armas para manter viva uma filha.

Uma Prova de Amor‘ é um filme que leva a várias leituras. Pelo peso de uma doença tão brutal no seio de uma família.

Pela mãe que esquece até dos outros filhos por conta desse que está com leucemia. Uma mãe, jovem ainda, mas que parece sentir-se responsável pela doença que acometeu na filha ainda em criança. Levando a todos a gravitarem em torno da Kate (Sofia Vassilieva).

Por um pai (Jason Patric) que cai em si a tempo de ver que seus filhos cresceram logo que buscam por seus próprios caminhos. Não que tivesse sido omisso demais. Mas sim por concordar com o mundo de Sara. Alguém desconhece o que é viver num matriarcado? Ou mesmo num patriarcado. Mas do tipo: que todos rezem da mesma cartilha.

Pelos filhos. Já que quem ‘rouba’ as atenções para si também se sente mal, não apenas os que se sentem relegados.

Aqui, separam-se também os familiares. De um lado, uma tia que realmente colocou a família da irmã na sua rotina de vida. De outro, os que vão apenas visitar Kate com mensagens de otimismo. Onde Kate em meio as dores sorri para eles. A fé num milagre, era uma utopia. E limpar os vômitos das quimios, são poucos os que aceitam fazer.

My SisterÕs KeeperSara Fitzgerald (Cameron Diaz) é a mãe que largou a própria vida para viver em razão da Kate. Nem viu o pequeno Jesse (Evan Ellingson) crescer, nem que ia mal nos estudos por ser disléxico. Quando o médico sugeriu que um filho de proveta poderia trazer uma cura, ela nem hesitou. E assim veio ao mundo a pequena Anna (Abigail Breslin). Para que doasse partes físicas de si, a Kate. Começou com o cordão umbilical, mais tarde veio o líquido da sua medula, depois vieram várias transfusões. Até que queriam um dos seus rins. Mas e ai?

Doar um órgão ainda em vida, ainda tendo uma longa vida pela frente, por ainda ser adolescente, é um caso a pensar. Até porque quem receberia o rim só ganharia mais um curto espaço de tempo. Uma sobrevida a mais entre quimios, ambientes hospitalares, e quase sem chances de um tempo em casa. É um gesto mais que humanitário, mas também egoísta. Porque fariam de Anna uma pessoa com cuidados de saúde pelo resto de sua vida.

Anna então procura um advogado, Alexander (Alec Baldwin), e conta a sua história. Pedindo a ele que quer emancipação do seu corpo para fins médicos. Ele aceita. Anna fica sabendo depois o porque dele abraçar a sua causa. Essa sua decisão evidencia o racha que havia naquela família. Sara fica sozinha nessa sua missão de tentar salvar Kate. Decide ser ela mesma a advogada contra Anna. E para julgar a questão, uma juíza (Joan Cusack) que voltava de licença: tinha perdido uma filha adolescente.

É Anna quem nos conta a história. Em flashback, até voltar ao desfecho da sua tomada de decisão.

Conheço mães como Sara. Logo, não vi nada incomum no contar esse drama. O único porém, que não o fez ficar um ótimo filme, foi a escolha de Cameron Diaz. Uma outra atriz teria feito de Sara uma mãe memorável. Poderia ter batido um bolão com a pequena grande atriz Abigail Breslin. Essa tem um grande talento. Os outros atuaram bem. Foi a primeira vez que vi Sofia Vassilieva atuando. Gostei muito! Não deu para segurar as lágrimas com a maturidade de Kate no finalzinho.

Eu gostei! É um bom filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper). 2009. EUA. Direção: Nick Cassavetes. +Cast. Gênero: Drama. Duração: 109 minutos. Baseado num Romance de Jodi Picoult.

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Diário de uma Paixão (The Notebook. 2004)

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Após assistir esse filme fiquei com vontade de deixar uma impressão, mas mais por uma escolha que a protagonista fez – escolher entre dois amores – do que por toda a história. O filme conta uma história de amor (O título em português já evidencia isso.)! Como tantas outras. Traz até um contexto previsível, mas que não desmerece a quem se propõe assisti-lo. O diferencial nessa escolha foi que em ambos, um lado dela se completaria. Daí, ficando na escolha o peso de qual deles seria para ficarem juntos para sempre.

Quem nos conta essa história é um senhor. Ao ler, pacientemente, para uma senhora internada numa Clínica, por conta de estar com Alzheimer. Ela fica encantada, ouvindo, perguntando… Ele, segue as páginas daquele Diário. São 50 anos de história contidas naquelas páginas. Quer compartilhar com aquela mulher, essas memórias…

Aqueles que não gostam desse gênero de filme nem deve assisti-lo. Para quem gosta, além das lindas paisagens – uma logo ao iniciar o filme é deslumbrante: um solitário remador e um nascente – aliado a uma belíssima trilha sonora (Clássicos; Jazz…), terá uma boa companhia nas duas horas de filme.

É um filme citado em fóruns tipo: Filmes que te fazem chorar. Confesso que sou chorona; choro até em filmes da Disney (Bambi; Dumbo…). Já chorei em muitos filmes onde retratam uma história de amor. Porém nesse não.

A escolha! Para mim, ela fez a escolha certa. Há uma frase que ele diz a ela nessa hora, que traduz isso. Melhor! Que a traz para o real em um relacionamento a dois . Mesmo a história começando em 1940, é nessa decisão que a torna atemporal. Nessa hora lembrei daquele “Ok!” dito pelo personagem do Jim Carrey no finalzinho do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças“. É o amor, a relação sendo construída no dia-a-dia.

Enfim, não é um filme marcante. O classificaria como um ótimo sessão-da-tarde. Nota: 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Diário de uma Paixão (The Notebook). 2004. EUA. Direção: Nick Cassavetes. Elenco: Ryan Gosling, Rachel McAdams, James Gardner, Gena Rowlands, James Marsden, San Shepard, David Thornton, Joan Allen. Gênero: Drama, Romance. Duração: 115 minutos.