O Monstro (Il Mostro, 1994)

“Um serial killer está à solta e o paisagista e pintor de letreiros Loris, um caloteiro de primeira e artista de segunda que vive fugindo do proprietário de seu apartamento para não pagar o aluguel, é o principal suspeito. Isso graças a seu péssimo hábito de ser surpreendido em situações comprometedoras.

Jessica, uma policial à paisana, é incumbida pelo excêntrico psicanalista policial, Taccone, de seguir Loris e adquirir provas para efetuar sua prisão. Mas as coisas não saem como planejado… Você vai morrer de tanto rir.”

Esta é a sinopse de O Monstro, filme escrito, dirigido e protagonizado pelo cineasta italiano Roberto Benigni, que em 1997 ficaria internacionalmente conhecido pelo brilhante A Vida é Bela – vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Acompanhado de sua inseparável musa (a esposa Nicoletta Braschi) Benigni desenha, em minha opinião, um dos melhores filmes de comédias desde Charles Chaplin. Poucos filmes do gênero fazem parte de minha estante, e este é um deles.

Sua interpretação é impecável, marcante e inigualável. Benigni é uma espécie de Mr. Bean agregado com aquele exagero característico que é peculiar dos cidadãos italianos: articulados, sotaque cantarolado e descontraídos. De fato, os filmes de Benigni sempre ascendem a estes atributos, amplificando em níveis estratosféricos de modo que o humor seja imbatível.

Esta comédia não é aquela pastelona, nem se trata de besteirol, mas sim de um humor sútil e inteligente dado ao roteiro suave idealizado por Benigni, que cria situações cômicas no cotidiano comum de um malandro nato – que é personificado por Lori, nosso anti-herói que se envolve em tantas confusões que acaba se tornando o principal suspeito referente a um assassino em série que estava fazendo vítimas na redondeza.

Desde o princípio já sabemos que Lori não tem nada a ver com isto – simplesmente está sempre no local e na hora errada. Entretanto é esta fórmula que faz desta uma das grandes comédias: no ponto de vista das outras personagens, é quase impossível pensar que Lori não seja de fato o criminoso, afinal todas as situações levam os a esta conclusão. As cenas são hilárias, com diálogos excelentes, visto que as personagens são quase todas excêntricas e carismáticas.

Do ponto de vista de interpretação, este filme é uma aula de atuação. Para quem está iniciando sua carreira como ator, seja no teatro, seja no cinema, não deveria deixar de ver este filme por nada. De fato, ele é quase um laboratório para aquilo que veríamos três anos depois em A Vida é Bela. Os outros atores do filme também estão à altura do filme – não vou falar de Nicoletta Braschi, que interpreta a policial disfarçada que se aproxima de Lori para servir de isca numa operação, afinal seu papel propositalmente é não ofuscar o cintilante mestre.

Temos aí um filme completo, com começo, meio e fim, entretenimento de alto nível que, assim como certas séries, não cansamos de ver: uma, duas, três, quatro, cinco vezes, enfim, independente da quantidade de vezes que assistirmos, não tiramos a expressão de riso do rosto. Filme que eu recomendo para todos que eu conheço, logo não poderia deixar de recomendar neste blog.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

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A Vida é Bela (La Vitta è Bella. 1997)

la-vita-e-bella-1997Filme de Roberto Benigni, vencedor de três Oscars (melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor canção), que perpassa a temática da perseguição aos judeus, na Itália, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa produção italiana de 1998 teve grande repercussão mundial, devido ao enorme investimento em sua divulgação e por ter tocado em algumas questões polêmicas (Holocausto) de uma forma irreverente: com humor sem banalizar e/ou ridicularizar o acontecimento. É difícil tratar de um assunto tão odioso deixando de lado toda a piedade que pode ser explorada, usando o humor e a graça como pano de fundo. Assim, qualquer vida torna-se bela.

Na época em que concorria ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputava o prêmio com um filme brasileiro “Central do Brasil” de Walter Salles. Penso que o filme de Salles não levou a famosa estatueta justo porque apelou para o sentimentalismo da piedade em contrapartida à mensagem: “Tudo está uma merda, mas ainda assim há vida para ser vivida”.

Indiscutivelmente, a vida é mais bela quando é assim.

a-vida-e-bela_1997Contando a história particular do judeu Guido e sua família, a esposa Dora e o filho Josué, a sujeira do fascismo italiano fica em segundo plano sem perder a apreciação dos fatos históricos.

Um dos poucos pontos negativos que foi percebido por mim nessa obra é a sua escancarada “mercadologia!”. Evidente que não foi à toa que Benigni colocou os Estados Unidos (no fim do filme) como os libertadores e salvados dos subjulgados ao nazi-fascismo…

No entanto, a vida continua sendo bela, independente disso…

Por: Deusa Circe.

A Vida é Bela – La Vitta é Bella

Direção: Roberto Benigni

Gênero: Drama, Guerra

Itália – 1997