Deus da Carnificina (Carnage. 2011)

Parece que Polanski andava engasgado com alguma coisa e finalmente conseguiu vomitar literalmente suas angústias em cima de grandes obras de artes e na frente de estranhos. E não satisfeito, lavou roupa suja em público. Uma chacina moral numa ‘análise grupal’ sendo quatro divãs número suficiente para se economizar no troco, complementando com vozes em off da mamy de um do…s envolvidos. Freud explica? Um dos protagonistas seria vendedor de drogas consideradas lícitas, matando aos poucos seus pobres consumidores, o da poltrona consegue testemunhar pela conversa entre Walter e Alan via aparelho celular; o outro é vendedor de quinquilharias domésticas, e um dos seus produtos seria descarga de privadas.

E as Tulipas não foram escolhidas, como um dos adereços, por acaso. Elas têm um significado singular.

O significado principal da tulipa é o amor perfeito, as tulipas sempre dão um sentido de charme e elegância para qualquer ambiente.

As tulipas vermelhas são fortemente ligadas ao amor verdadeiro, enquanto que a tulipa roxa simboliza quietude e paz; quanto as tulipas amarelas uma vez representam o amor impossível ou a luz do sol generoso. As tulipas brancas são vistas para reivindicar os valores ou emitir uma mensagem de perdão.

Não se iluda: gente elegante também quebra barraco… e com classe! É questão de oportunidade.

E tudo começou num parque de diversões… brincadeira de criança grande…

Clap,clap clap! Roman POLANSKI sempre nos surpreendendo com suas deliciosas inovações.

Karenina Rostov

Anúncios

Deus da Carnificina (2011). Mostrando Quando Um Peso Tem Duas Medidas

Uau! O texto da Yasmina Reza, aliado a sagacidade de Roman Polanski mete o dedão na ferida e com vontade! É de um brilhantismo ímpar! Onde nos deparamos com a desconstrução da sociedade atual na pele de dois casais. Por uma fachada de que se vive em prol da coletividade, são os valores individuais que irão imergir. Será muito mais do que um lavar a roupa suja, irão se despir ora dos conceitos, ora das armaduras, mas numa troca muito rápida de posicionamento. Será um mergulho profundo e individual que não ficará pedra sobre pedra. Um dia que lembrarão para sempre.

A trama do filme é calcado em diálogos que variam do desconcertante para os massageadores de ego. Se foram edificantes, só saberão no day after. O melhor de tudo é que temperada com muito humor. Para nós, é claro!

Onde ainda no início parece que alguns deles não se deram conta de que usam de um peso com duas medidas. Mesmo ela sendo mostrada numa simples fala de um dos personagens. É o óbvio encoberto por: “coisas do passado“, “agora os tempos são outros“, “vivemos num mundo civilizado“… O Roteiro é tão genial, que essa cutucada vem com essa simples fala: “– Não é tão diferente.”. Acompanhem a cena, e tirem as suas próprias conclusões.

Claro que desde o início do filme há muito mais questões levantadas, até nas entrelhinhas. Onde todo o contexto parte de um ato entre dois adolescentes: um, portando um galho de árvore, agride um outro, e tendo como testemunhas oculares um grupo na mesma faixa etária. Na área recreativa de um Parque. Aliás, essa cena é mostrada meio de longe. Numa de que seu parecer ficará em cima do que os seus olhos viram, mas sem ouvir as partes envolvidas. Ouviremos sim, mas relatados pelos pais. E ai, com o peso e medida deles.

Para mim, em “Deus da Carnificina“, Polanski nos coloca em cadeiras de um corpo de jurados onde a sentença também levaria em conta os nossos próprios valores. E é ai que eu digo que esse filme deveria ser visto pelas pessoas de mão única. Que nem mostrando por a+b que estão se contradizendo, não aceitarão. Até porque seguem a máxima que seus valores são irrefutáveis.

Houve uma agressão, num local público, onde há danos físicos, e entre dois adolescentes. Após esse incidente, caberia aos pais que papel nessa história? Até porque não estavam presentes no tal parque. Um local que para a mãe do agredido era imune a violência como essa, por ser frequentado por uma classe social de mais posse.

Claro que não dá mais para banalizar a violência do dia-a-dia, como em algo já decantado por João Bosco: “Sem pressa foi cada um pro seu lado…“. Mas por outro lado não se deve fechar questão entre o que está certo ou errado. Acima de tudo, ainda não passam de crianças onde o instinto fala mais alto que a razão. Mesmo que o ato seja reflexo do que se sente em sua própria casa, há algo cultural, milenar, de que na rua é o instinto de sobrevivência que fica em alerta. Quando se sente ameaçado, usará as armas que tem, no ali e agora. E é aqui, nesse ato-reflexo, que entrará também como bagagem quem ele é na essência. Voltando ao fato de que se fechar a questão poderá não ver alguém que fez o que fez porque só quis ser aceito pelo grupo.

– Crueldade e esplendor.
– Caos e equilíbrio.”

E é por ai, uma das premissas em “Deus da Carnificina“: pesar os atenuantes expostos. Tentar ser impessoal porque serão os pontos de vistas de cada um dos personagens que estarão em julgamento. Só que não em um Tribunal de Júri e sim numa Sala de Estar que até poderia ser em um Lar qualquer se não pertencesse ao casal Penelope (Jodie Foster) e Michael Longstreet (John C. Reilly), pais do filho agredido, recebendo o casal Nancy (Kate Winslet) e Alan Cowan (Christoph Waltz), pais do filho agressor, para o que na cabeça de Penélope: se houve um ato condenável deve haver um castigo.

Mas a lição que fica é: “Conte até 10, até 100… antes de entrar numa contenda entre crianças.”

Um filme Nota 10 em tudo! De não querer perder nem um gesto dos personagens, muito menos das falas. Os quatros atores estão soberbos. Em nenhum momento eu pensei em outros. Aliás, é um filme que se piscar corre o risco de perder algo. No filme todo, só há duas cenas externas. A do início, que eu já mencionei. E a outra que fecha o filme com chave de ouro. Explêndida!

Preferi não trazer spoiler. Muito embora cada um dos quatros personagens daria análises mais detalhadas. Onde como argumentavam seus posicionamentos me levaram a sonorizar baixinhos uma interjeições meio impróprias. Como também, o personagem do Christoph Waltz me fez lembrar do filme “Obrigado Por Fumar“. Ele parecia ser o advogado do diabo dessa história. Seu cinismo foi bárbaro, bem condizente com sua profissão. John C. Reilly transitava entre um Fred Flinstones e um político daqueles cheios de “agrados”, muito embora seja um vendedor de itens domésticos. Kate Winslet soube pesar bem um hamster com a agressão que seu filho praticou. Jodie Foster com suas caras e bocas meio histriônicas, mas bem de acordo com “uma mulher à beira de um ataque de nervos” pelo casamento que levava. Será que os opostos se atraem de fato? E quem teria rodado a baiana em primeiro lugar nessa contenda? Hilária, por sinal!

Então é isso! É mais um filme que entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Ô! E como vale!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Deus da Carnificina (Carnage). 2011. França. Diretor: Roman Polanski. Roteiro: Yasmina Reza. Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, John C. Reilly, Christoph Waltz. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 80 minutos. Adaptação da peça homônima de Yasmina Reza.

Deus da Carnificina (Carnage. 2011)

Yasmina Reza adaptou junto com Roman Polanski, a sua magnífica peça “God of Carnage”, que cheguei a ler. Não vi no palco, mas estava ancioso para ver o filme de Polanski , que particularmente, vale cada centavo que eu gastei!.

Situado em um apartamento em Nova York, dois casais cujos meninos tiveram um “desacordo” no playground, o que resultou na “disfiguração” de um deles. Jodie Foster e John C. Reilly interpretam os pais da “vítima”, e Kate Winslet e Christoph Waltz fazem os pais do menino “culpado”. Na tentativa de resolver questões em relação aos seus filhos, o que seria uma troca cordial se transforma em uma “guerra”.

Para quem é? 

“Carnage” é para quem gosta de atores. E, esse é o meu tipo de filme. Tem um elenco de quatro atores talentosos, jogados em um apartamento, onde discutem – com diálogos inteligentes.  Na verdade, “Carnage” é uma comédia, porque a vida é realmente engraçada e igualmente absurda.  A mistura de emoções, e  álcool –  o filme só fica melhor e melhor quanto mais álcool é consumido.

Expectativas:

Não vou dizer que este é um filme perfeito, porque não é, mas isso não diminue a minha apreciação a obra de Polanski. Por exemplo,  dentro dos primeiros minutos, eu questionei o fato de  Winslet e Waltz já estarem na casa do outro casal, e depois vão indo ao caminho do elevador. Parecia que as questões já tinham sido resolvidas, mas…

Atores: 

O elenco é simplismente perfeito.

Imagem

Jodie Foster interpreta Penelope Longstreet, que se auto-declara como uma “pessoa boa”. Foster excessivamente domina o filme, fazendo essa mulher cheia de raiva incontida – porque seu filho perdeu dois dentes e ficou “desfigurado” como ela diz para os Cowans.  John C. Reilly faz Michael, que é o tipo de marido que mostra total paciência para sua esposa, mas que para ele também existe limite para tudo. Reilly é uma ator singular na capacidade de retratar a comédia e o drama como parte de suas nuances interpretativas.

 

Imagem

Christoph Waltz faz Alan Cowan –  talvez seja o melhor dos quatro personagens e apresenta a melhor atuação do filme. Toda vez que  ele abre a boca, o filme fica melhor. E, as constantes ligações do celular, são irritantes e brilhantes ao mesmo tempo. Kate Winslet faz Nancy Cowan, que é tão perturbada por tentativas de Penélope em lhe contar como criar seu filho como pelas interrupções do seu marido ao telefone. Winslet  é responsavel pelas duas melhores cenas do filme – a do vomito e do celular.

“Carnage” é sobre a batalha dos sexos, e também sobre a batalha de classes, mas o filme não se aprofunda sobre as questões  socioculturais,  Polanski ilustra mais o comportamento humano emergindo das sombras. “Carnage” não revelou nada mais do que eu já sabia, mas me fez balançar a cabeça em reconhecimento do comportamento que vejo nos outros e, Deus me perdoe, que até vejo em mim.

Nota 8,5

Lua de Fel (Bitter Moon. 1992)

lua

No início o amor é tudo rosas. Pra tanto, o que temos é um casal nascendo em Paris, o melhor lugar do mundo para viver uma paixão, e o aspirante a boêmio e escritor revolucionário Oscar (Peter Coyote) descobre que as charmosas ruas parisienses e suas mulheres belas e a sua cosmopolita característica, irão render a ele não só uma grande paixão, ardente, engraçada e trágica, como também entender mais sobre si e sobre as outras pessoas, aprenderá que não está só no mundo, e que pode sim, ao contrário do que imagina, tornar-se escravo. Escravo de Mimi.

Quando se completa sete anos de casamento, há de se comemorar de uma maneira diferente e especial, que seja romântica e traga bons momentos e que engrandeçam a vida amorosa de um casal. Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) estão lá. Mas o que se vê não é um casal em busca de comemorar uma data gloriosa, já que 7 anos é bastante tempo. Mas sim, entender como se deixaram estagnar e ainda assim não encontrarem saída para seus dilemas pessoais como casal. O que eles procuram na verdade é um reencontro, e que possam fazer valer a pena essa viagem, fazendo seu mor voltar a florescer.

Seu caminho é cruzado por Mimi (Emmanuelle Seigner), a bela e enigmática Mimi. Ao socorrerem ela, acabam envolvendo-se com Oscar, seu marido. Preso numa cadeira de rodas, ele precisa relatar à Nigel, que cresceu os olhos para Mimi numa noite, tudo o que se passou no seu relacionamento, para que ele pudesse ver suas verdadeiras intenções com a moça, e que não se arrependesse depois.

Mas na verdade, aquilo serve mais como terapia de relacionamento, uma vez que (sem sucesso) Oscar tenta dizer a ele como reacender o fogo com Fiona. Cego por Mimi, tudo que Nigel quer é ter aquela mulher. O homem é fraco.

E desde Adão e Eva, onde Eva, nascida da costela de Adão, conseguiu dominá-lo de tal maneira que foram expulsos do paraíso (e isso rendeu às mulheres o ingrato estigma de pecadoras por tanto tempo) é distorcido aqui. A mulher é forte e dominadora, mas isso só quando se sente ameaçada. O filme segue essa linha de raciocínio. As mulheres aqui aparentam fragilidade, ser submissas, aparentam ser controladas, mas quando menos se espera, enquanto ainda se pensa em agir, elas já estão descansando. Podem fazer sua vida ir do céu ao inferno, mas claro, se você fizer por onde.

A história de Oscar e Mimi começa como o poema de Oswald de Andrade:

Amor:
Humor.

E que humor. Uma relação saudável, de duas criaturas enamoradas, descobrindo o melhor da vida nas quatro paredes. Seguem seqüências de um humor sem compromisso, de gags divertidas e claro, acompanhadas de muita sensualidade. Inesquecível a antológica cena em que Mimi dança para Oscar. Em algum sentido, Mimi completa Oscar, e ele gosta disso. No início pensamos que isso irá durar para sempre. Tudo o que podem fazer para apimentar a relação eles fazem, mas uma hora isso começa a se tornar irrelevante. O amor acabou?

Brigas, discussões, tapas, poucos beijos, muito ódio e ternura disfarçada. O amor acabou? Em um dos momentos mais incríveis do filme, ela diz que vai embora e ele pouco se importa. Mas antes que ela saia, logo volta correndo e se declara, dizendo que ele é o grande amor de sua vida.

O sentimento antes belo torna-se escravidão. Ou não. O relacionamento deles começa a ruir. E ele se achando esperto , logo trata de dar fim a isso, para que ainda saia ileso. Torna a vida dela um inferno, que inferno, com direito a trocar o nome dela na hora do sexo e a bater na sua cara (ato mais repugnante do mundo a meu ver), mas quando chega nível, algo está fora do controle.

A solução que ele toma é mais drástica ainda, a manda embora simplesmente para se ver livre dela. O que ele não sabe é que ela jamais esquecerá.

Oscar começa a viver intensamente a vida, com várias mulheres, vários exageros, uma vida trocando a noite pelo dia, que desencadeará sua própria ruína. Um acidente e ele fica de cama. Ela volta e prova que jamais esqueceu o que ele havia feito com ela. É hora de se vingar. Oscar vai do céu ao inferno em um fade. Ela o leva pra casa, na cadeira de rodas, com o intuito de cuidar dele. Mas a perversidade com a qual ela o trata é maior do que o amor que ela diz sentir. Chegando a dançar com outro e fazendo sexo com outro na frente dele. A que ponto isso chegou ele se pergunta. Ou então, porque deixou chegar a isso.

Quando essa história é contada a Nigel, e o diretor inspirado Roman Polanski desconstruindo o amor de forma degradante e de certa forma doentia, o filme chega a seu clímax. O casal em busca de um sentido e o casal que já encontrou seu sentido e hoje é escravo disso, juntos. Quem Mimi irá escolher e qual será a reação que isso irá desencadear. O momento final é tenso, mas de tão tenso que só mostra o óbvio: o homem é fraco e o amor o torna escravo.

Um texto forte e uma direção repleta de ironias e mensagens (a melhor delas quando Oscar fala sobre traição, levantando a mão com sua aliança), Polanski diz muito e arrasa, atingindo todas as feridas que ele quer.

Diferente da abordagem intimista que filmes como “9 Canções” deram, ou da choradeira desgraçada e açucarada dos romances modinha, Lua de Fel é um massacre psicológico. Mesmo depois do filme ainda nos sentimos incomodados com a crueza de detalhes e construção verdadeiras de cenas. E ao mesmo tempo que o filme é sexy e provocante, quando transforma esse sentimento aparentemente lindo em slasher de terror, faltam reações positivas.

E se ele conseguiu isso, certamente conseguiu o que queria mostrar. A saga de ambos casais é montada de uma maneira soberba. Belas imagens (como a do carrossel) contrastam com não tão belas e o estado de espírito das personagens, evoluindo, degradando, sendo construída, é dual e irônica. Polanski brinca com o que chamamos de amor e só mostra que isso é um produto do ódio, ódio de si mesmos. O sentimento em questão é na verdade uma busca por outra a quem possa depender para ser feliz e realizado, e sem precisar ser pessimista, isso é feito.

Com uma fotografia impressionante de bela, atuações fortes – com exceção de Hugh Grant e Kristin Scott Thomas, que não passam a energia pesada e forte do diretor, sendo apáticos e em muitos momentos sem graça – por parte de Peter Coyote e Emmanuelle Seigner, essa mostrada em sua totalidade e realmente se entregando ao personagem, e uma trilha sonora incrível (assinada pelo mestre Vangelis), Lua de Fel não chega a ser o filme definitivo sobre o amor. Mas é um dos que melhor mostrou suas implicações e conseqüências.

fel

O mais engraçado é o ar cosmopolita do filme, com várias personagens de várias partes do mundo, dizendo que o amor é universal. Irônico, não? Levando em consideração tudo o que mostrou no filme…

Forte e incrível do início ao fim, mas ainda aquém de outras obras primas que ele fez, Lua de Fel é imperdível.

Nota: 9,0
Cotação: *****.

Bitter Moon, França/Inglaterra (1992)

Direção: Roman Polanski.
Atores: Hugh Grant , Kristin Scott Thomas , Emmanuelle Seigner , Peter Coyote , Victor Banerjee.
Duração: 139 minutos.

Lua de Fel (Bitter Moon. 1992)

lua_fel03

Muito cuidado ao pensar nesse filme, pois ele dá margem para muitos viéses de pensamentos pela temática abordada que vai de encontro com questionamentos inevitáveis de serem feitos.

Direção de Polanski com elenco que “prometeu e cumpriu”, o filme é um mergulho em queda livre numa relação que mescla o sadismo e o masoquismo no amor e no ódio. Uma viagem – materializada num Cruzeiro – sem voltas e ao extremo de uma paixão desproporcional e perigosa.

Os elementos sadismo/masoquismo e exibicionismo estão no filme com um requinte inigualável. O vouyerismo fica por conta de quem vê e enxerga o que o filme quer mostrar, pois a sedução é tão bem explorada por Polanski que os olhos vidram na tela pedindo por mais e mais.

Polanski não é econômico! Ele dá! Ele dá um filme que retrata a relação de Mimi (Emmanuelle Seigner) e Oscar (Peter Coyote) e nos provoca ao extremo com a seguinte questão dita por ele, mas através da boca de Oscar: “os casais deveriam se separar no auge da paixão e não esperar por seu inevitável declínio”.

Será que em algum momento deixaram de se amar?

Eu penso que não.

Penso que se amaram até o fim numa ambição desenfreada sustentada por uma completude sintomática de perder o fôlego.

E viva o sadismo!

“Todos têm traços de sadismo, nada como ter alguém a sua disposição para revelá-los”; diz Oscar pra si mesmo…

Ele usufruiu seu sadismo de todas as maneiras, viveu seus fetiches com paixão e Mimi até o acompanhou como pôde. Deu conta de muita coisa, coisas que não fazem parte de uma submissão e entrega BDSMista, inclusive. Seu erro, se é que existem erros no jogo incerto da vida, foi deixar de se olhar para obter o olhar do outro…

Apenas olhou pra si quando Oscar já não tinha condições de enxergá-la além de sua própria culpa…

… é… também acho que vocês dois foram ambiciosos demais, babies… Mas com paixão, quem não é guloso?

Ficha Técnica: Lua de Fel (Bitter Moon). Direção: Roman Polanski. França – Reino Unido . 139 minutos. 1992.

Por: Deusa Circe.