Simplesmente Complicado (It’s Complicated. 2009)

Sensacional! Eu amo os roteiros de Nancy Meyers! Seus diálogos são tão reais. Contando as vicissitudes, as alegrias, as tristezas, as surpresas… tão rotineiras em nossas vidas. E sendo ela a detentora da estória, sua Direção flui melhor.

Mesmo o título explicando bem eu diria que é Realmente Complicado. Viver? Não! Os relacionamentos. Mesmo que cheguemos num ponto que parece já estar tudo estabilizado, o inesperado se faz presente. Com isso, lá vamos nós desatar um novo novelo. Agora se ele vem com o sabor de comida requentada… será preciso achar um ingrediente novo para realçar, ou até para enganar o nosso paladar.

Tendemos a complicar mais onde nem teria porque. Mas insistir para que? Ou por que? O melhor seria virar a página e seguir em frente. Mas tem ocasiões, lances… que até que vale a pena insistir um pouco mais. Numa de: ainda dá um bom caldo. Ou mesmo por esperar que isso aconteça.

Simplesmente Complicado‘ até poderia atrair somente um público bem mais adulto. Mas por eu ver tantos jovens com mentes bem retrógradas, que os convido a assistirem também. Assim, quem sabe já vão deixando de complicar seus relacionamentos. E até para que vejam que três jovens do filme também complicaram a vida dos pais. Conto já, o que fizeram. Só um, o futuro genro – Harley (John Krasinski), que não. Além do que ele é ótimo!

Antes, quero falar dos atores que formam o triângulo amoroso.

Meryl Streep está glamourosa. É de fato uma Grande Diva do Cinema. Nesse filme, enquanto deu química com Alec Baldwim, com o Steve Martin não decolou. A mim, ele parecia intimidado com a presença dela. Fiquei pensando se um outro ator teria esquentado mais a estória deles. Não que fez feio, mas eu ficava querendo que chegasse logo outra cena dela com o Alec. E Martin já conseguiu química contracenando com a Goldie Hawn, Daryl Hannah, Queen Latifah. E creio que nem é pela Meryl. Pois recentemente conseguiu química com Stanley Tucci. Enfim, não gostei da escolha de Steve Martin para esse filme.

Agora sim, entrando na trama do filme…

Meryl faz Jane. Mãe de três filhos – Luke (Hunter Parrish), Gaby (Zoe Kazan), Lauren (Caitlin Fitzgerald). Dona de uma Confeitaria (Padaria). Que enfim, conseguiu manter um bom relacionamento com seu ex marido, Jake (Alec Baldwin). Encontra-se com amigas – Joanne (Mary Kay Place), Trish (Rita Wilson), Diane (Alexandra Wentworth), Sally (Nora Dunn) -, de vez em quando para entre degustações de suas receitas conversarem sobre a vida.

Jake, casado com uma mulher mais jovem, no auge da sua carreira profissional, já pensando num – desfrutar a vida sem mais correrias… se vê envolvido com um enteado pequeno, e a atual esposa querendo um filho com ele. Que pelo jeito, está querendo mais um ‘Lar Doce Lar‘… Filhos criados… Uma mulher boa de cama e fogão… e já resolvida por um todo. Onde mais encontraria tudo isso? Com a atual? Ou com a ex?

Então, Jane e Jake após dez anos de divórcio começam a ter um caso. E ai começa a complicação. Não deveria. Mas

Para Jane estava um gosto nada desejado de vingança. É! Mesmo não sendo ético era como se estivesse vingando daquela que roubara seu marido. Que mandasse às favas as convenções sociais. No auge da sua independência tinha mais que curtir esse caso amoroso. E saber se conseguiriam reacender a velha chama dessa paixão antiga. Jake estava achando que redescobrira o quanto a amara. Será mesmo que estava novamente apaixonado pela ex esposa?

Ambos aproveitam para discutirem a relação de outrora.

Paralelo a isso, Jane conhece o arquiteto que conseguiu colocar no papel a tão sonhada ampliação da sua casa. Ele é Adam (Steve Martin). Ainda sofrendo com um divórcio recente. Mas que se encanta por Jane. Complicando a relação por não querer ser mais um na cama. Querendo exclusividade. Ora! Será que não via que deveria curtir mais a vida nova: voltar a ser solteiro.

Bem nem todo mundo teme a solidão. E chega a uma certa altura da vida… que é melhor cueca pelo chão de vez em quando do que na gaveta permanentemente.

Estaria Jane dividida entre dois amores? Ou pensando em ter um homem novamente em casa?

Mas não fica apenas nisso. Pois mesmo estando já crescidos e morando fora do lar, seus filhos não gostaram dessa novidade: seus pais tendo um caso. Queriam o que? Ver a mãe entre preparando quitutes e cuidando da horta? Achavam que ela estava velha para os romances? Ai, a mãezona se sente insegura. Agradar ou não os filhos?

Em a quem ou o que Jane ouviria… Seu coração? Seu corpo? Sua mente?…

Num Top Ten de Comédia Romântica, ‘Simplesmente Complicado‘ já garantiu um lugar. O filme é excelente! Eu ri muito. E a cena do baseado é quase um convite a experimentar. Ah! A Trilha Sonora é nota mil! Sem esquecer que o lugar onde a Jane mora é paradisíaco: Santa Bárbara.

Por fim… Não compliquem, pessoal! Pois a vida é curta!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Complicado (It’s Complicated). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. +Cast. Gênero: Comédia Romântica. Duração: 118 minutos.

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O Amor não tira Férias (The Holiday. 2006)

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O título nacional ficaria bem melhor num outro contexto. Mostrando que nossos sentimentos nos acompanharão sempre; e para onde formos. Como também seguindo em paralelo às nossas carreiras profissionais. Estarão presente quer seja para nos deixar alegres ou tristes, surpresos ou não, desejando ou não… O fato é que toda forma de amar nos motiva a seguir em frente. O amor existe, querendo ou não. Agora, parece que quem “traduz” os títulos por aqui prefiram “contar” o filme; ou pelo menos fazem força para isso.

Em relação ao filme. Se não fixarmos na idéia que as mulheres só serão felizes casadas (Com alguém ao seu lado e numa de: felizes para sempre!), está aqui um bom divertimento.

O porque disso? É que o roteiro mostra que mesmo querendo ir para longe daqueles que as enganaram, essas duas personagens bem sucedidas profissionalmente encontram um novo alguém. Não que veja algo errado nisso. Mas deixa a impressão que o lado profissional não basta. Nem tampouco que a liberdade conquistada traria satisfação. Há quem não queira uma relação duradoura. E isso também é válido para nós mulheres. Não é só com os homens que há essa fuga de um altar. E se por vezes queremos “férias” de algo próximo, não tem que ser necessariamente de algo que nos deixou mal. Pode ser apenas uma saída da rotina. Evitar um estresse.

Continuando com a história. Com um forte sentimento de rejeição as duas personagens, pela internet, combinam a troca de casa por uns dias. E às vésperas do Natal. Me perguntei se seria para realçar uma vontade ainda maior de constituir uma família.

Esse tipo de transação – trocar as residências por um período – a princípio assusta a personagem da Cameron Diaz. Talvez pelo padrão elevado de vida; ou mesmo pela violência que vê, que ressalta nos filmes na sua Agência (Fazem trailers de divulgação dos longa-metragem.); ou mesmo do que vê pela tv. Mas acaba cedendo por querer tanto “sair”, afastar-se da desilusão. Mas terá um impacto ao ver onde se meteu. Para a personagem da Kate Winslet, uma jornalista que assina uma importante coluna de um jornal, que mora num local pequeno na Inglaterra, essas férias ainda mais em Los Angeles, veio em ótima hora. Mas só irá se dar conta da diferença de padrões de vida entre elas, também quando chegar na casa da outra. O deslumbramento de uma, com a surpresa da outra, proporcionam gostosas risadas!

o-amor-nao-tira-ferias-2006_02Em alguns textos eu costumo ressaltar certas químicas entre dois atores resultando numa dobradinha gostosa de se ver. Não sendo necessário ser o par romântico. Nesse filme essa química se deu com a Kate Winslet e Eli Wallach. O personagem dele é um Roteirista dos velhos tempo de Hollywood. Famoso em sua época. Os dois fazem o melhor desse filme. São cenas cativantes! Como na que ele diz para ela:

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Como também onde aborda o que tem de mais valor nos filmes atuais. Um tema bem interessante que poderia ter sido melhor explorado. Enfim, Eli Wallach, foi um coadjuvante que roubou a cena! Ou, o filme.

Ah sim! Não poderia deixar de citar outro coadjuvante que fez bonito: Jude Law. Nem tampouco o seu irresistível queixinho!! Uau!!

Para quem curtiu “Alguém tem que ceder”, também assina Direção e Roteiro desse a Nancy Meyers. E que mesmo com todos os clichês, eu recomendo “O Amor não Tira Férias“. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELA).

O Amor não tira Férias (The Holiday). 2006. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Edward Burns, Rufus Sewell, Miffy Englefield, Emma Pritchard, Sarah Parish, Shannyn Sossamon, Dustin Hoffman, Lindsay Lohan, James Franco. Gênero: Romance, Comédia. Duração: 138 minutos.