Drop Dead Diva. (Série). E o “Patinho Feio” Aprende o Quanto Pode ser Belo!

drod-dead-diva_cartazSem querer fazer aqui um patrulhamento em relação ao peso corporal das pessoas, mas quando mais de um terço da população dos Estados Unidos se encontram “acima do peso” o esperado seria ver muito mais personagens e artistas “gordinhos” protagonizando bons Filmes. Como também por conta não apenas do politicamente correto, mas também do quanto de bullying essas pessoas padecem no mundo real… eu fico meio sem saber como descrever… Enfim, gordinhos, acima do peso… É mais do que justo que mais e mais Filmes e Séries deem espaços a eles atores e personagens com histórias mostrando que mesmo com alguns percalços eles levam uma vida como todo mundo. Por isso e muito mais “Drop Dead Diva” merece ser vista!

Foi por acaso que eu comecei a acompanhar essa Série, numa de zapear pela grade de canais… E foi justamente por ver uma protagonista interpretada por uma atriz “gordinha” e o que seria melhor ainda sendo a personagem uma advogada. (Um tema que gosto muito: os bastidores de um Tribunal.). Além claro do sugestivo título! Algo como: o espírito de uma louca baixou em mim… A Série até traz o tema da reencarnação, mas ai como “uma segunda chance“. O que também seria o motivo da profissão escolhida para essa personagens. A Série já seguia em temporadas adiantadas, que por sorte o canal Lifetime em paralelo passou a reprisar desde a primeira temporada. Pois mesmo tendo um resumo dessa reencarnação antes de cada episódio – em quem se apoderou do corpo de quem -, além de também ser um tema interessante e meio surreal, dentro dessa realidade algumas perguntas me viam acompanhando já pelo meio “Drop Dead Diva“. Assim, fui montando aos pouco o quebra cabeça dessa nova Diva/Advogada.

drop-dead-diva_deb-e-janeA história de “Drop Dead Diva” une dois esteriótipos tão propagandeados pela indústria cinematográfica: a “gordinha” com a “loura burra”. E faz mesmo uso disso até para tentar quebrar outros mais. Um deles seria em relação a indústria da moda que ainda segue com o padrão de que ser magro que é belo. Numa de que se a pessoa fora desses padrões não pode se vestir com elegância, dentro da “moda”. Nessa história a personagem da “loura burra” tentava ser uma modelo famosa, mas já sentido o peso de um outro padrão: o da idade. Pois nessa indústria… Ter mais de vinte anos de as chances diminuíam. Agora, ela volta ao mundo dos vivos no corpo de uma “gordinha” que já está com quarenta anos de idade. São duas coisas a mais para lidar. De cara dá, ou melhor, se dá um banho de loja, dos pés a cabeça, se sentindo mais “atraente” aos olhos de todos. Até provocando certas invejas à princípio em quem se situava dentro dos padrões de beleza convencional. Toda essa “maquiagem” externa é passado com humor, sensibilidade e em certos momentos até com certa ironia para quebrar certas convenções. Um “Bravo!” a mais para essa Série! Até porque certos paradigmas merecem mesmo ser quebrados, pois se para muitos possam até parecer cômicos, no fundo são bem cruéis. O que também acena para que a Indústria da Moda repense o seu establishment.

drod-dead-diva_jane_antes-e-depoisAgora, embora eu possa ter dado um caráter mais pesado, a Drop Dead Diva mostra de um jeito leve a vida de uma advogada que por conta de um acidente do destino “trocou” de mente. Pois quem ganhou uma segunda chance de vida foi a modelo. Essa por sua vez, se não ganhou o corpo de antes, se deslumbrou com a inteligência que até então não tinha. Até porque com ela veio saber que se pode ter sucesso vindo além da aparência física. O que nos leva a pensar no passado de nerd da advogada, de anos dedicado ao estudo até por conta de sentir discriminada socialmente… Mas meio que como compensação…ela amou o carro conversível “herdado”. Até por conta disso, pelo seu jeito extrovertido de ser, faz com que o “patinho feio” além de ir aprendendo que já é um “belo cisne”, que use e abuse dos prazeres que o dinheiro possa comprar. Sem querer trazer um spoiler, mas já trazendo… Essa lição em será também aproveitada pelo então “patinho feio” num dos episódios… O que devo confessar que em igual situação, eu também teria feito a mesma escolha.

Em “Drop Dead Diva” a advogada Jane Bingum é interpretada pela atriz Brooke Elliot. Até então desconhecida para mim. Agora, fico na torcida para que paralelo a esse personagem deem a ela outros personagens em Filmes, mas sem ser muito caricatos como estão dando a atriz Melissa McCarthy. Que nem estou me referindo ao da Série “Mike & Moly” que aborda o romance e a vida em família entre dois personagens “de peso”: merecedor também de aplausos. Enfim, personagens não apenas caricatos: onde o peso maior seja o do próprio corpo. A menos que tal e qual as histórias como nessas duas Séries numa de derrubar preconceitos. Já a modelo que reencarnou no corpo de Jane, a Deb Dobkins (interpretada por Brooke D’Orsay), visualmente só aparece em alguns episódios até porque ela era namorada de um advogado, Grayson Kent (Jackson Hurst). O que estreita mais a relação entre ambas. Mais ainda por conta de acontecimentos na temporada atual (2014)…

O contraponto entre ambas, Jane e Debb, que é a tônica da história: a união de duas personalidades distintas até fisicamente num único corpo. Debb deu a Jane beleza, vaidade, leveza, elegância, sedução… Jane deu a Debb inteligência, talento, compromisso, seriedade… E ambas aprendendo que melhor mesmo é não perder tempo em vida!

drod-dead-diva_elencoDrop Dead Diva também traz tramas paralelas, não apenas os personagens das causas que advogam, mas sobretudo dos que por lá trabalham. Onde o destaque maior vai para a assistente de Jane, a “investigadora” Teri Lee, vivida pela atriz Margaret Cho. Teri tem seus momentos revenge pelos bullying de outrora de carona com a nova personalidade de Jane. Sendo que a ajuda com a “nova roupagem” veio mesmo com a antiga amiga de Debb, que por contingência do destino, se torna também grande amiga da nova Jane. Falo da Stacy Barret, vivida pela atriz April Bowlby. Stacy ainda vive o sonho de ser uma atriz famosa, mas mesmo sem perceber muito sabe que o tempo também está passando por ela. Com isso, um outro sonho toma ponto em sua vida: o de ser mãe. Onde na busca por um pai ideal para seu filho… Termina por abalar a nova/velha amizade com Jane. Tudo por conta do escolhido: Owen French (Lex Medlin). Pois ambos, Stacy e Owen, não contaram com o fato de se apaixonar um pelo o outro. E Owen seria como uma “Jane de calça comprida“: também gordinho, também se viu cobrado pela sociedade… Enfim, Owen sem querer mais desperdiçar o tempo na terra, resolve se entregar a espontaneidade e vitalidade de Stacy. Em meio a tantos romances… ainda há a presença dos anjos da guarda de Jane meio que a policiando para que Dedd encarne de vez Jane. O destaque vai para Fred (Ben Feldman), o mais atrapalhado. Além desses, vale também a menção de mais dois personagens: Kim (Kate Levering) e Parker (Josh Stamberg): ambos também advogados.

Enfim, Drop Dead Diva é de ver e rever! Com personagens atuando em uníssonos: há química entre eles. A Trilha Sonora também como um coadjuvante de peso! Em destaque os sonhos de Jane onde se vê como uma grande Diva da Música. Onde solta a bela voz aliado a nova postura ousada, que faz até pegar o microfone nos karaokês em idas a bares algo também inusitado para ela. Aplausos também para o criador da Série Josh Berman! Berman quis mesmo com essa Série tentar quebrar os paradigmas de beleza de manequim 38 e com menos de 28 anos de idade. Bravo! E na torcida para que Drop Dead Diva emplaque novas Temporadas, pois pelo o que eu li, a atual que já está terminando veio mesmo por pedidos de fãs! Com isso, segue aqui mais uma fã querendo mais continuações! A Série merece ter vida longa!
Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

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Pelo Malo (2013)

pelo-malo_2013_cartazNossa magnífica poetisa e atriz Elisa Lucinda não gosta do termo “cabelo ruim”, porque afinal, como ela bem diz: ele, o pobre cabelo, nunca fez mal a ninguém. Mas no caso do nome traduzido desse surpreendente filme de Mariana Rondon, o título – Pelo Malo – não poderia ser mais adequado. Sob a ingênua pretensão do menino Junior (excelente escolha do ator-mirim Samuel Lange) de ter suas madeixas alisadas simplesmente para aparecer bem na foto da escolinha, a diretora desenvolve um poderoso drama familiar que transborda com habilidade para o terreno político-social.

Pelo Malo Mariana RondonAmparada por um elenco sensível o suficiente para trabalhar num roteiro cheio de nuances, Mariana orquestra com precisão os conflitos e pechas naturais de Marta (Samantha Castillo), uma mãe que luta sozinha para criar os filhos numa favela vertical em Caracas. Ignorante, protetora e instintiva, ela teme pela masculinidade do filhinho que simplesmente quer ter cabelos lisos para ficar parecido com um cantor. O menino tem como cúmplice de suas aspirações a avó que o treina e veste, bem como uma amiguinha espirituosa que almeja ganhar um concurso de beleza apesar do perfil pouco indicado. No incompreendido universo infantil, a única saída para a dolorosa miséria seria a fuga desesperada para uma utópica fama instantânea através de imagens retocadas grosseiramente pelo fotógrafo do lugar.

Tudo se passa numa Venezuela que agoniza junto com o Presidente Hugo Chávez, mas bem que “Pelo Malo” poderia perfeitamente se encaixar no Brasil, não somente por uma conhecidíssima canção eternizada por Wilson Simonal que permeia a trama, mas também pelos graves problemas de desequilíbrio social que os países têm em comum.
Por Carlos Henry.

Uma Radiografia do Bullying pelo Cinema!

bullyingSerá que um dia o Bullying terá um fim?

Onde tudo isso começa? Se já vem de berço e com o tempo ganha forma? Se é por não saber como lidar com suas próprias emoções? Nesse tocante ela pode ser por revolta, frustração, medo, raiva… ou um mix de tudo isso. Se é por não saber canalizar toda a força que traz dentro de si, e com isso sai cometendo barbaridades? Se o meio influi? Por conta disso, e muito mais, eis o tema da conversa de agora. E que mais que do descobrir o que se passa dentro dos que praticam o bullying, também em ver se há um fim para isso. Vem comigo!

ben-xO tema reacendeu em mim após assistir “Ben X – A Fase Final“. Nele, o personagem Ben padece desde os primeiros anos escolares nas mãos dos colegas de classe. Por não o aceitarem no grupo, por ele ser ‘diferente’. O rapaz sofre da Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. Frequenta o mesmo colégio dos tidos como normais porque a doença não lhe tirou o entendimento das coisas. É até muito inteligente, com notas altas. Mas em vez de ter solidariedade, recebe é hostilidade. O de ficarem atirando bolinhas de papel o tempo todo é até algo menor diante das outras agressões. A ponto dele querer dar um fim a tanto sofrimento. Pois seu limite chegara ao fim. Tal qual o jogo de RPG que usava como uma válvula de escape. É revoltante o que fazem. Não deixem de ver esse filme.

O filme também deveria ser visto por educadores, que o levassem para sala de aula. Que colocassem em discussão esse fenômeno bullying. Se já recebeu até um nome próprio, também poderia vir a ser um fato passado. Nossa! Seria bom demais se isso viesse a acontecer. As conseqüências dos que padecem nas mãos desses sociopatas, creio que muitos de nós é sabedor. Ou por experiência própria, ou por ter presenciado. Quando não, por o ter praticado.

BULLYING_na-escolaAgora, como cortar esse mal pela raiz? Lembrei da minha avó, em algo que dizia ao ver uma criança fazendo alguma malcriação, pirraça, malfeito… Ela olhava para o responsável pela criança e apenas dizia: ‘É de pequenino que se endireita o pepino!‘.

Eu já citei em um outro texto que filme é antes de tudo um entretenimento. Mas se por ele também se pode suscitar uma busca por uma causa maior. Por que não usá-lo? A partir dele, levar o tema à mesa de debates. Eu meio que entrei numa cruzada após ver esse filme. Levei o tema em algumas comunidades no Orkut. Teve depoimentos emocionantes de pessoas que sofreram nas mãos desses valentões.

rebel-without-a-causeComo também estou numa de ver e rever filmes onde há esse tipo de agressão entre pessoas de uma mesma geração. Dai, fui buscar primeiro em rever um Clássico. O filme “Juventude Transviada” (Rebel without a cause). Nele, o curto diálogo abaixo traz um indício, ou não. Eis:

_Por que temos que fazer isso?
_Porque temos que fazer alguma coisa.

Pois é, antes de iniciarem a tal prova estúpida para provar que não era covarde, o personagem do James Dean pergunta isso. Com a resposta do outro… Não seria apenas por falta do que fazer. Fica mais parecendo que não param nem para questionarem a si próprio. Fazer por fazer é atributo de uma máquina, não de um ser humano. E uma fala da personagem da Natalie Wood, meio que se constata isso. Que se tornam robozinhos. Ela diz mais ou menos assim:

_Não dê créditos ao que eu falo quando estou com o grupo. Ali ninguém está falando a verdade. Somos fachada.

greaseEsse lance de ser apenas uma aparência, que é regra geral nesses grupos, tem como um exemplo o filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina“. Onde não mostram, alguns deles, o seu verdadeiro ‘eu’. Onde têm sempre que não apenas bancar o durão, como também mostrar que o é de fato. E nesse também há os que são discriminados. Esses, por assumirem o que são de fato. Parece até que só é aceito no grupo se vier com o carimbo de fábrica. De que saíram da mesma linha de montagem. Por que não aceitar a diversidade da vida?

Agora, onde tudo começou? Não dá para aceitar apenas de que todos eles vieram de uma família (lar) desestruturada. Embora seja um fator preponderante. Numa de manterem o ciclo de violência. Mas tem que ter algo mais que aflore neles esse lado violento. Bem, as sociopatias não são a minha praia. Não tenho o conhecimento que me embase. Dai fico nas conjecturas.

a-curaSe querem no grupo ‘iguais’, isso viria de copiar os pais, ou alguém que foram eles que elegeram como a figura paterna/materna? E até nisso há exceções. Pois há os que não seguem a mesma carga de preconceitos que veem em seus pais. Ou mesmo num deles. No filme “A Cura” (The Cure) há uma cena onde a mãe de um menino aidético é que mostra a mãe de um outro o quanto o filho dela é humano. Usando uma gíria antiga… O quanto ele é gente paca! Pois ele, por amizade, por carinho ao filho dela, enfrentou o mundo… Gente! A primeira vez que eu vi esse filme, eu chorei muito. Esse é outro filme que deveria ser exibido nos colégios. É lindo demais!

tepegolaforaAs afinidades entre uns, por ser discriminados por outros. Ou os que discriminam… Me fazem lembrar de alguns filmes que eu vi nas sessões da tarde… Que eu até gostaria de rever. Citando alguns: “Te pego lá fora” (Three O’Clock High); “Manobra Super Radical” (Airbone)… Um outro que eu não consegui lembrar o título, mas se a memória não falhou de todo, nele há a união de dois ‘diferentes’: um é deficiente físico, e o outro só é bom de briga, mas como o valentão precisa de notas há uma troca de favores entre eles. Um acordo de cavalheiros: o valentão o protege da turma dos bullying.

Um outro que faz os ‘diferentes’ se unirem para mostrarem os seus reais valores é o “Dias Incríveis” (Old School). Esse me pegou de surpresa por fazer a diferença entre outros tão iguais. No caso, refiro-me a trama. Por levar uma história nada rara – em mostrar rixas entre as fraternidades estudantis. Ele é um ótimo sessão pipoca.

freedom-writersUm que mesmo eu já o tendo sugerido em outro texto não tem nem como deixar de trazê-lo para esse. Refiro-me ao “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers). Onde uma Professora mostra a eles, seus alunos, o peso em discriminar um ‘diferente’. E o bom é que entenderam a lição! Pondo um fim nas discriminação.

E para finalizar, um que se não é a solução definitiva para por um fim nesse ‘fenômeno bullying’, pelo menos é um caminho. Por ser um mostrando um Diretor de Escola que traz uma punição adequada a um desses valentões. É o “Um Amor para Recordar” (A Walk to Remember).

Talvez esse assunto também toquem em velhas feridas… Sorry! Mas não dá para evitar se o que queremos de fato é não mais ver isso acontecendo. Principalmente com as crianças. Nem para as que poderão vir a sofrerem tal perseguição. Como também as que poderiam continuar perpetuando o bullying. Ficando um desejo de tirá-las disso. See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 29/08/08).

P.s. (Em 02/08/10): Serginho Groisman – Campanha contra o Bullying. Para quem conhece meus textos sobre filmes sabe que também estou nessa cruzada, e já há algum tempo. Agora, é muito bom quando uma Campanha contra o Bullying, tem uma mídia como a Globo. Até pelo alcance dela. Valeu Serginho!

P.s 2 (Em 07/10/2013): Em 2011 eu postei esse texto numa das páginas desse blog, mas resolvi trazer para cá, em post, por ter um alcance maior. Também vou repostar os comentários.

GONZAGA – De Pai para Filho (2012)

por Mario Braga

Confesso que não sou um admirador do filme “Os 2 filhos de Francisco” feito pelo diretor Breno Silveira, pois pareceu uma obra encomendada. Confesso também que fui assistir “Gonzaga – De pai para Filho” e me surpreendi com a capacidade do diretor Breno possui de saber narrar uma estória sem se perder no meio do caminho, ter essa  narrativa linear.

A vida desse brasileiro Luiz Gonzaga (conhecido também como Gonzagão) é muito importante para nós todos que somos brasileiros e queremos conservar o que há de melhor na nossa cultura.  A película conta à saga desse nordestino criado na cidade de Exu, nos confins do sertão nordestino e toda a sua trajetória de: luta, discriminação por ser pobre, analfabeto, mas uma pessoa bastante determinada a se tornar um músico consagrado e um pioneiro em divulgar a música do Nordeste (o baião) pelo Brasil a fora. Quem não conhece “Asa Branca” como um hino da luta do povo nordestino?

O filme também conta o relacionamento conturbado com o seu filho Gonzaguinha, que viveu no morro de São Carlos e com o tempo se revelou um excelente compositor. O conflito entre ambos é latente. Apesar das interpretações excepcionais do ator Giancarlo di Tomazzio (como Gonzaguinha) e do ator que interpreta o Gonzagão, já mais velho. Não há como imaginar um nordestino arretado como Gonzagão abraçando o filho Gonzaguinha como se fosse um pedido de perdão. É algo inverossímil, talvez  haja ali mais uma composição poética que o diretor quis moldar do que realmente tenha acontecido tal fato. A produção é muita bem cuidada, apesar da falha da estação do bondinho no morro do Pão de Açúcar ser muito moderna para a época (pessoal de plantão, cadê a computação gráfica?). Mas nada disto subtrai o comprometimento do filme.

Você percebe o grande clímax do filme quando sai da ficção e na fusão do filme para um documentário nos momentos finais. Aflora toda a nossa emoção e é merecido todo o seu reconhecimento desse filme como uma obra-prima. Dá um baita orgulho de ser brasileiro e vestir a camisa verde e amarelo que só usamos no período da Copa do Mundo (infelizmente).

Gonzaga – De Pai para Filho (2012). Brasil. Diretor: Brano Silveira.
Gênero: Drama. Duração: 130 minutos. Classificação: 12 anos.
Elenco:
Adelio Lima … Luiz Gonzaga (70),
Chambinho do Acordeon … Luiz Gonzaga (25/50),
Land Vieira … Luiz Gonzaga (17/23),
Julio Andrade … Gonzaguinha (35/40),
Giancarlo di Tomazzio … Gonzaguinha (17/22),
Alison Santos … Gonzaguinha (10/12),
Nanda Costa … Odaleia,
Silvia Buarque … Dina
Luciano Quirino … Xavier
Claudio Jaborandy … Januario
Cyria Coentro … Santana
Olivia Araujo … Priscila
Domingos Montagner … Coronel Raimundo
Zezé Motta … Priscila (70)
João Miguel … Miguelzinho
Cecilia Dassi … Nazinha

E Buda Desabou de Vergonha (Buda as Sharm Foru Rikht. 2007)

E Buda Desabou de VergonhaQueria mostrar o efeito da guerra sobre as crianças. Se vivem essa violência, a copiam e acham que é o correto.” (Hana Makhmalbaf)

Eu fiquei na dúvida em qual caminho seguiria para iniciar a falar de ‘E Buda Desabou de Vergonha‘. Se já pelo drama da pequena protagonista, ou se pelas brincadeiras de criança que também estão na trama, mas por conta do que citaram nela vi que os adultos influenciaram nisso.

Assim, parto da fala acima da Diretora. Que me fez pensar nas crianças de todo o mundo, já que a violência urbana não se restringe a poucos países. E mesmo dentro de um mesmo país há nichos que quando vemos alguma é muito mais pela mídia. Sendo que as crianças que convivem de perto com essa violência serão mais testadas na sua essência. Como nas favelas, enquanto algumas crianças brincam inocentemente, outras já tenderão para o lado do crime.

Dai, me pergunto se as brincadeiras na infância teriam mesmo grande influência na formação do caráter da criança? Lembrei-me de quando quiseram impetrar um politicamente correto em simples cantigas de rodas. Cantei muito a ‘Atirei o Pau no Gato’, e nunca me vi motivada a machucar um.

Acreditar, ou melhor, creditar que todo o caráter já nasce com a pessoa seria também dizer que não há recuperação para todos que seguem o caminho do antiético. Algo vem de berço sim, mas também uma parte é formada nesse início de vida: na infância. E é onde entra o adulto: em passar boas lições, como também observar as atitudes das crianças. Porque pode haver certos indícios na infância para um desvio comportamental futuro. Como pistas a seguir, mas que por vezes passam despercebidas.

afeganistaoA história do filme se passa no local onde a grande estátua de Buda foi destruída pelos talibãs, em Bamiyan, no Afeganistão. Onde uma população mais carente foram viver nas cavernas que ficaram após a destruição. Uma favela afegã. Um povo que convive, ou que vive num estado de guerra.

Dentro de uma dessas cavernas vive a pequena Baktay (Nikbakht Noruz), com a mãe e uma irmã ainda bebê. Com a ida da mãe até o rio para lavar roupas Baktay fica tomando conta da irmãzinha. Algo tão comum em muitos lares no mundo inteiro.

Na caverna ao lado, vive o pequeno Abbas com a sua mãe. Abbas ao fazer o seu dever de casa, lê o texto em voz alta. Baktay, meio irritada porque se a irmãzinha acordar, lhe dará mais trabalho, o repreende. E nessa discussão, ela descobre que se aprender a ler, conhecerá muito mais histórias. Decidindo então a ir para a escola.

Então iremos acompanhar toda sua saga ao querer estudar.

Primeiro, ela terá que conseguir comprar o caderno. Não é nada fácil. Ela nos leva a acompanhá-la com coração apertado. Noutras, nos leva a sorrir. Ou que por conta dessa dificuldade na compra, nos entristece ao ver com o que fazem com o caderno dela.

Depois, o drama em conseguir uma escola que aceite meninas. A única que existe fica bem distante. E no meio desse caminho… um grupo de meninos brincando de talibãs. A fazem de refém. Mais tarde eles brincam de soldados americanos.

meninos-brincando_vovo-moinaAqui, temos algumas reflexões. Crianças gostam de brincar de mocinho e bandido. Copiando filmes, livros, ou até o meio em que vivem. E isso não é indicador de algo ruim. O que irá pesar sim, será aquilo o que o adulto dirá sobre tais fatos. A criança será um mero repetidor. Nem estou contando com as que já mostram uma tendência sociopata.

Nesse filme, se vê uma população bem carente de recursos. Assim, esse grupo de meninos podem ter aprendido pelos livros escolares, ou mesmo por curiosidade, perguntando aos adultos do porque daquela destruição toda. Conhecendo a História mais recente do seu país. Mas a fala que faz referência ao Vietnã denota um peso maior, e que foi recebido por adultos. Então foi algo lido, ou ouvido, e não algo visto.

Se naquela região há um tipo de conflito, se nas nossas cidades o narcotráfico é que gera a violência, claro que quem mais irá sofrer as consequências serão as crianças. O direito de brincar nas ruas, ficará impraticável.

e-buda-desabou-de-vergonha_01Com tudo isso, para mim, o conflito maior em ‘E Buda Desabou de Vergonha‘, foi a dificuldade para a mulher estudar. É algo da cultura deles. Que são poucos os que permitem. No filme, se vê que há muitas mais turmas de meninos. Baktay teve também que disputar por um lugar para sentar. E com aquela professora… aquela turma de meninas não irão longe nos conhecimentos.

A atriz que faz a Baktay é um doce de criança. Não tem como não se apaixonar por ela. O que faz o Abbas, também. Ele será o pequeno grande herói para ela. Muito embora ela seja muito mais corajosa que ele, por ser mais destemida. Mas ele se mostra mais centrado. Mesmo que aos olhos de muitos possa denotar medo, era a solução mais acertada para escapar do cerco…

Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

Eu gostei do filme. De querer rever. Mas o filme poderia ter sido muito melhor. Não sei se o vi com um olhar mais feminista, dai pesar contra esse tipo de cultura onde a mulher fica à sombra dos homens. Então, se o que a Diretora quis foi somente mostrar os malefícios das guerras perante as crianças, acabou se perdendo. Ou, eu me perdi por focar mais na dificuldade da menina em estudar. Nesse contexto sim, o filme foi excelente.

Bravo Baktay! Por ser uma criança que também gosta de brincar! Além da sede por querer aprender a ler e escrever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

E Buda Desabou de Vergonha (Buda as Sharm Foru Rikht). 2007. Irã. Direção: Hana Makmalbaf. Elenco: Nikbakht Noruz (Baktay), Abbas Alijome (Abbas), Abdolali Hoseinali (Talib boy). Gênero: Drama, Guerra. Duração: 84 minutos.

P.s: A ilustração dos meninos brincando, trouxe daqui: Histórias da Vovó Moina.
http://vovomoina.blogspot.com/2009/06/as-aventuras-da-dupla-dinamica.html

O Galinho Chicken Little (Chicken Little. 2005)

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Eu sou fã de desenhos animados. E ultimamente eles são certeza de uma boa pedida. Fui. Esse é o primeiro da Disney sem a ajuda da Pixar. Antes teve “Procurando Nemo”, “Toy Story”, “Monstros SA” e “Os Incríveis”. Cada um melhor do que o outro. Aí eu vejo na tela um galinho cabeçudo, com uns óculos verdinhos e camisa listrada. Ele pode ser até fofinho, mas é um chato.

No começo pensei que ele fosse assim um tipo de nerd. Mas ele é style… As figuras que o cercam são todas estereótipos da sociedade infantil norte-americana. A menina feia e dentuça, mas cheia de amor pra dar… O gordinho meio gay, que é um porco. Só gostei do menino-peixe. Ele não fala, talvez por isso. Caladinho fica legal. Não dizendo baboseiras psicanalíticas e de auto-ajuda.

No início o galinho sofre um acidente e alarma toda a cidade. Não vou negar que os desenhos são bem feitos. Mas são estandartizados. Tudo igual. E as musiquinhas inseridas são fraquíssimas. Que saudades de “Rei Leão” com seu início gradiloquente e roteiro fantástico. Este foi o último desenho animado, só da Disney, que prestou.

Mas vamos ao filme… Tentando provar ao pai e à população em geral que ele é confiável, o galinho se esforça. Na seqüência dos treinos e jogo de beisebol é boa. Gosto em especial da maneira como um pai lida com o filho que tem dificuldades de socialização. Nem todos serão campeões ou os bonitões do colégio. A grande massa é comum, assim como a maioria dos filhos e das pessoas.

O carinho do galão é lindo. Mas a falação da marreca, desnecessária. Esse negócio de discutir a relação é coisa de revista Capricho e similares. Então acontece o inevitável. Cai novamente na cabeça do menino um pedaço de uma nave espacial. E dessa vez nem dá para comparar com a avelã…

Entre a terrível dúvida de contar ou não para o povo o que está acontecendo, o galinho e seus amigos padecem. Boas cenas dos alienígenas. Nessa hora meus filhos gostaram. Antes, só comentários esparsos… Adorei o fenômeno-espelho da nave.

A ação aumenta e o filme fica legal. Ufa! O final é uma lição de moral muito boa e também uma feliz crítica ao endeusamento de Hollywood às pessoas que fazem algo de diferente. Só então o enredo cresceu.

O que há de bom: cores e cenas modernas com soluções de estilo, típico de desenhos da Disney

O que há de ruim: em vez de só mostrar os conflitos e suas naturais resoluções, fica com blá-blá-blá, criança não gosta e nem adulto

O que prestar atenção: a dublagem é feita por profissionais do ramo, e não atores globais, ficou perfeita! Aliás, a voz do porco e a tradução do seu nome, são melhores do que o original

A cena do filme: momento de respiração e de discothéque do porcão, hilário

Cotação: filme regular (@@)

Por Giovanni Cobretti – COBRA.

O Galinho Chicken Little (Chicken Little). 2005. EUA. Direção:  Mark Dindal. Elenco (Vozes): Zach Braff (Chicken Little), Joan Cusack (The Ugly Duckling), Katie Finneran (Goosey Lucy), Don Knotts (Turkey Mayor), Garry Marshall (Father), Amy Sedaris (Foxy Loxy), Jeremy Shada (Alien Boy), Steve Zahn (Runt). Gênero: Animação, Aventure, Comédia, Family, Sci-Fi. Duração: 81 minutos.