Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015)

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_cartazmad-max_tina-turner_e_mel-gibsonDa Saga Mad Max iniciada 1979 (Um outro em 1981 e mais um em 1985) as lembranças se foram quase por completo. Ficando mais de dois personagens, ou melhor, da caracterização deles: de um Mel Gibson com uma jaqueta de couro preta e uma Tina Turner com um visual meio que de uma amazonas futurista… O forte mesmo na lembrança vem de um dos temas musicais de um dos filmes com a poderosa voz de Tina Turner cantando “We don’t Need Another Hero“. Aliás a simples menção do nome “Mad Max” é essa música que de imediato vem da memória. Sendo assim era pegar a pipoca para assistir “Mad Max: Estrada da Fúria” com sabor de uma primeira vez. E o que o tempo dirá do que ficará dessa nova versão também com a assinatura de George Miller.

vietnam-napalm_criancas_foto-de-nick-utMas antes um pouco da história real da década de 70 já que foi quase no final dela que a história do filme foi escrita. Uma década recém saída de Woodstock: o mundo não era nada “paz e amor“. Da corrida armamentista. Da revolução iraniana. Da União Soviética ganhando status de potência mundial. Das Ditaduras Militares na América Latina. Do genocídio em Timor Leste. Dos Estados Unidos perdendo na Guerra do Vietnã. Onde a imagem de uma menina correndo fica como símbolo dos inocentes das guerras estúpidas. Onde se manterem no poder institucionalizam a censura, a tortura, a repressão e um clima de terror do tipo “alerta laranja” em nome de uma segurança nacional. Década da grande crise do petróleo com os países árabes dando às cartas. Com isso afetando a Economia de vários países… Com jovens saídos da era de aquário e mulheres tentando se integrar no mercado de trabalho, mas sem muita formação especializada. Com as migrações até em busca de uma vida melhor, mas deixando-os marginalizados nas novas pátrias… Agora, para não dizer que não falei das flores… A preocupação pela devastação dos recursos naturais do planeta assumiu um caráter mais coletivo, saindo do campo visionário e colocando o timbre em documentos: os primeiros passos na proteção do meio ambiente! Pelo menos algo positivo numa década que no mínimo bem explosiva e com um futuro pouco animador: meio apocalíptico. E esse era o mundo que inspirou George Miller: um mundo onde a realidade supera a ficção…

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_Tom-HardyAgora sim entrando na história do filme o qual tentarei não trazer spoiler. Mesmo não sendo um Thriller, deixar um pouco de suspense é sempre bom num filme de muita Ação.

Nessa nova versão, além dos avanços tecnológicos, a história coloca o herói já na estrada tentando fugir dos seus próprios fantasmas ao mesmo tempo que tentando sobreviver num mundo pós apocalíptico: Max Rockatansky já se tornara um selvagem solitário e ele é o mestre de cerimônia em “Mad Max: Estrada da Fúria“. Uma pausa para falar do ator Tom Hardy que nas primeiras cenas me fizeram lembrar de Russell Crowe do que de Mel Gibson. Sinal de que para mim o filme continuava com ares de primeira vez, mas em pensar em outro ator para o personagem daria a Tom Hardy um peso maior na performance até o final… E posso dizer que ele conseguiu! Conquistou de vez papel: atuou muito bem!

Max é logo capturado por um grupo e feito prisioneiro para algo um tanto quanto estranho. Mais ainda quando o levam em uma missão com “garotos da guerra“: jovens preparados para morrer com a promessa do paraíso. Algo familiar ao mundo real, não? Como também pelo contexto da trama me fez lembrar da do livro “Os Meninos do Brasil“, de Ira Levin.

Não só esses jovens, mas um grande exército, aliás são três porque mais dois se juntam a esse primeiro numa perseguição a algo maior que fora roubado desse primeiro. E quem o levara fora alguém dessa elite. Logo a Imperatriz que se rebela e foge com esse pequeno grande tesouro; e à ela irão se juntar Max e mais um dos tais jovens, (Nicholas Hoult). Bem nem se trata de um spoiler pois faz parte do contexto de um herói: os mosqueteiros ajudando a mocinha do filme. Muito embora, e com o nome de Furiosa, ela é uma destemida guerreira. Parte dessa trama com ela entre essas perseguições e outras coisas mais, me fizeram lembrar do filme “Tank Girl“, de 1995. Que em nada descaraterizou a heroína desse aqui: a uma lembrança me levou a sorrir. Sei lá, mas talvez o Diretor George Miller tenha deixado um lado também para o humor, ou mesmo mais leve para essa personagem. Até porque ela ainda tem história para contar num próximo filme. Agora, em uma da cena onde ela se prostra ao chão… ficaria muito melhor tendo ao fundo a música “We don’t Need Another Hero“, muito embora eu também pensei nesse trecho de uma das nossas: “Um homem pra chamar de seu, mesmo que ele seja eu“… Contudo mesmo com todo o elenco estando ótimos… a performance de Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria” foi magistral.

mad-max-estrada-da-furia-2015_01Em “Mad Max: Estrada da Fúria” parece que o mundo fora dividido entre três governos tiranos. Com cada um controlando algo muito importante: um é a água, o outro combustível e o terceiro os alimentos. O do combustível parece que queria mais ser um astro de rock (Richard Carter)… Mas é o que detém o controle da água, o tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) o grande vilão dessa história. E é a sua Cidadela que iremos conhecer um pouco mais de perto. Digo isso porque até como o título do filme mostra ele se passa quase todo por estradas num deserto com direito a corridas também em desfiladeiros. Possesso, Immortan Joe, vai pessoalmente, e com todos os outros, atrás dos fugitivos numa perseguição alucinante.

Então é isso! A nova roupagem para a “Saga Mad Max” está aprovada! Já ansiosa para a continuação! Peguem bastante pipoca para não perder nenhum segundo em quase duas horas de filmes! Parabéns a George Miller pelo conjunto da obra! Um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015).
Ficha Técnica: na página do IMDb.

Anúncios

O Cinema Mostrando o Lado Sombrio da História da Humanidade

hotel-rwandaNo princípio quando o homem decidiu viver em grupo o que seria para compartilhar até tarefas veio junto o sentimento de posse. Em uns, muito mais exacerbado. Dai só um passo para que sentissem donos do mundo. Onde vidas humanas eram mercadorias sem o menor valor; descartáveis ao seu bel prazer. O pior é que isso ainda existe… Então trazendo alguns Ditadores, como também Guerras, Genocídios… Enfim, páginas lastimáveis na História da Humanidade mostradas em Filmes. Vem comigo!

A foto inicial é do filme “Hotel Ruanda“, de 2004, que nos mostra um genocídio real e de um passado recente, em que o personagem do Joaquim Phoenix diz na cena desta foto ao de Don Cheadle vem com o efeito de um soco no estômago de tão verdadeiro. Assistam e vejam o que ele está dizendo. Ainda em território africano… “Lágrimas do Sol“, de 2003, nos mostra sobretudo a bestialidades de alguns homens quando estão em guerra. O pior é que fazem as barbáries também com mulheres… É! Aonde vão com a tortura… É por demais chocante! E saindo do território africano indo para a Europa, mas onde temos também um outro que mostra as selvagerias com mulheres, é o “A Vida Secreta das Palavras“, de 2005. São fatos que chocam até por saber por quem foi feito! Além do que é muita crueldade em todos.

in-the-valley-of-elah-posterUm pouco antes da internet invadir os lares, as guerras reais foram parar nas televisões: num acompanhamento quase ao vivo… Numa delas e desse passado recente foi a da invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Claro que há inúmeros filmes sobre esse fato, mas eu citarei dois deles e saberão o porque. Num para não apenas conhecer um pouco do tão sem propósito foi essa guerra, mas principalmente porque “Soldado Anônimo“, de 2005, traz como enfoque maior quem são os que se alistam nessas guerras que o título original traduz bem: são mentes vazias na espera de encher com ideais dos outros. Um quase aliciamento desses jovens até no propósito de continuar com a cultura do porte de armas para qualquer cidadão americano. Agora, esse outro mostra com propriedade o quanto eles são programados para matar, mas que depois se esquecem de “desprogramar” esses mesmos jovens quando voltam dos campos de batalha, é o “No Vale das Sombras“, de 2007. Filmaço!

Focando essa região ainda, Oriente Médio, mas voltando o tempo em alguns anos, chegaremos ao Afeganistão… Mostrando um pouco da invasão pelos russos temos o “Caçador de pipas“, de 2007. Muito embora o filme trouxe uma versão muito mais leve do que foi relatado no livro… Mas temos nele a visão dos que moram nesses territórios sitiados. Dos que perdem muito mais do que os bens materiais. Agora, mostrando como os russos saíram de lá do Afeganistão, assistam “Jogos do Poder“, de 2007. Por ele também se vê como se dá as reais regras do jogo, e que só por isso já vale a pena assistir!

Paradise-Now-2005_02Subindo no mapa… E parando ali entre a Palestina e Israel… Um filme que muito que querer tentar entender o que se passa na cabeça de um homem-bomba, “Paradise Now“, de 2005, nos deixa a certeza que tanto por uma nação como para outra os jovens não passam de joguetes nas mãos desses que detém o poder. Que são meras peças dessa engrenagem até para os que continuam fomentando a guerra e num conflito que não tem previsão de acabar. Principalmente por Israel pois poderia vir a perder grande parte de um território que usurpou ao longo desses anos. Mas também é um filme que mostra como é viver num território muito sitiado. Sem o direito de ir e vir onde se vive.

Essa outra história ocorreu em 2002… E na apuração dos fatos ao ataque as Torres Gêmeas, um jornalista americano é sequestrado no Paquistão. O filme é “O Preço da Coragem“, de 2007, quem conta essa história é sua esposa. O que pesou também sobre ele era o fato de ser judeu. Um filme que também de certo modo faz uma homenagem aos jornalistas que apuram os fatos, que não ficam nos achismos. Vale muito a pena ser visto!

der-untergangPor falar em judeus… Não dá para esquecer do carrasco-mor desse povo: Hitler. Nesse filme “A Queda – Os Últimos Dias de Hitler“, de 2004, quem conta a história foi a secretária particular desse ditador. Nele também se vê o que motiva mais as pessoas, como também o quanto disso “ajuda” aos que se aproveitam disso. Esse é um dos filmes que deveria ser passado sempre nas escolas até pelo documento histórico. Agora por outro lado tem quem resolve contar de um jeito muito divertido essa terrível perseguição aos judeus: o filme “Trem da Vida“, de 1998. Onde os esteriótipos são inseridos de propósitos até para ver o quanto é insano todas as guerras. E ainda por conta do nazismo… Naqueles que conseguiram sair… Um que retrata uma única família, mas por ser contada por alguém que era criança nessa época, o enfoque foi onde foram morar fugindo dessa perseguição nazista: na África. É um belíssimo filme o “Lugar Nenhum na África“, de 2006, até em mostrar quais são as reais bagagens a se levar quando se vê  frente até em escapar de uma guerra insana ao abraçar uma nova terra, como também por fazer frente ao preconceito racial muito mais do que ao cultural.

Infelizmente não são poucas essas páginas lastimáveis na História da Humanidade e que o Cinema sempre traz.. Sendo assim posso voltar à elas com outros Filmes… E para encerrar esse, a história contada por um jovem quando conviveu com um dos mais cruéis ditadores desse passado, é o “O Último Rei da Escócia“. Até porque é mais um a mostrar o quanto alguém se deixa iludir por um podre poder. Ficando a esperança que as novas gerações venham até com mais humildades para não perpetuarem um poder que enoja e que em nada é pensando na população.

Uma ótima releitura a Todos!
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

P.s: Esse texto faz parte de uma coletânea que escrevi e postados numa coluna de uma revista eletrônica, a qual não exite mais. Dai readquiri o direito sobre eles até para postar onde eu quisesse. Por conta disso tenho trazido eles para cá. Já trouxe outros dando uma repaginada. Neste aqui também. E que é 2008.

O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland. 2006)

the_last_king_of_scotland1.jpgUau! Forest Whitaker não me decepcionou nesse filme: deu um show de interpretação! Nos mostra um Idi Amin que chega a nos incomodar… Pode até ser que aqueles que não saibam quem foi Idi Amin, venham a nutrir uma simpatia por ele no início do filme. Não a nós que sabemos que ele se encontra numa reduzida lista de Ditadores sanguinários (ou carniceiros) da História Recente da Humanidade. Ficamos nós numa de tentar entender esse início, em querer saber o que se passou na mente desse homem. Não pode ser por apenas um: o poder lhe subiu à cabeça.

Claro que essa visão inicial nos é passada por um jovem (James McAvoy, que fez uma ótima parceria com Whitaker). Alguém que saiu da Escócia também atrás de uma aventura. Isso é visto pela maneira como escolheu para onde ir… Por não ter gostado da primeira opção, direciona o seu destino para abaixo do Equador…

Levava na bagagem: o querer ser médico de fato. Não quis ficar apenas dividindo um Consultório com o pai. Ih! Estaria aqui o deslumbre por tudo aquilo que Idi Amin lhe colocara nas mãos? Pode ser… Mas todo encantamento um dia termina. Se bem que aqui esse jovem avançou demais nesse Trono. Abusou e…

Vamos ao longo do filme num crescente acompanhando a relação desses dois personagens. Essa amizade. A cumplicidade. O respeito. A confiança. Até o declínio desse relacionamento. Desse jogo do poder e de se deixar seduzir por ele.

E se houve um herói nessa história sem a menor dúvida fora o médico destronado para dar o lugar ao jovem aventureiro. O personagem do David Oyelowo.

Deixo aqui um convite aos mais jovens, não apenas por uma aula de História, mas sobretudo para um abrir os olhos… Em não se deixarem enganar, se levar por certos discursos, nem mesmo por certas regalias, certas mordomias, por falsos e podres poderes…

Gostei muito desse filme! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland). 2006. Inglaterra. Direção: Kevin Macdonald. Com: Forest Whitaker, James McAvoy, Gillian Anderson, David Oyelowo, Kerry Washington. Gênero: Ação; Drama; Guerra. Classificação: 16 anos. Duração: 122 minutos.