Até que a Sorte nos Separe (2012)

ate-que-a-sorte-nos-separeMais que uma Comédia o filme traz um drama tão comum em muitos lares reais: o do orçamento familiar dando às cartas. Gastar em excesso? Manter um controle rígido dos gastos? Quantos são os que realmente ficam dentro dos limites dos próprios rendimentos? Em “Até que a $orte nos Separe” há eu diria que duas polaridades como exemplos clássicos. A Família do protagonista que vivem esbanjando, gastando em excesso sem a menor preocupação, como se a renda viesse de um poço sem fundo. Já a Família do antagonista vive estritamente dentro do orçamento, contando até as moedinhas desde o iniciar do mês.

Enquanto o dinheiro corria solto, tudo era felicidade para a primeira família. No passado viviam na maior dureza; o que ganhavam mal cobria os gastos com o essencial. Quando então ganham um grande prêmio de loteria. Fazendo então uma promessa: de que nada mais faltaria no novo lar. Assim o casal Tino (Leandro Hassum) e Jane (Danielle Winits) saem da pobreza jovens ainda, com uma filha pequena, e mergulham de cabeça no mundo da riqueza. Onde o céu é o limite, ou nem o é já que o dinheiro compra até o sonho de se sentir no espaço. Compraram o que a infância sonhou…

Ate-que-a-Sorte-nos-SepareMas eis que chega o dia em que o sonho termina. Tino se vê não apenas sem dinheiro, como também que está endividado. Por conta da esposa estar com uma gestação de risco decide não contar a ela, além de ter que ir cortando os gastos. Pior! Voltar a contar cada tostão. Para ajudá-lo nessa empreitada o gerente do Banco (Julio Braga) escolhe seu melhor economista, Amauri (Kiko Mascarenhas). O chefe da Família que vivia sob um rígido planejamento econômico. Que por coincidência moram num prédio vizinho a mansão de Tino. E que sem se dar conta, ele e a esposa invejavam a vida de Tino e Jane. Apimentando a consciência dos adultos, onde ambas as Famílias não chegam a ser Capuletos & Montecchios, tem os filhos adolescentes: Teté (Julia Dalavia) e Juninho (Henry Fiuka). Eles formarão um casal que de certa forma trarão tino, sensatez a guerra instalada.

ate-que-a-sorte-nos-separe_02Tino no fundo tem bom coração. Se no passado de dureza como professor de academia tinha que ralar, ao ficar rico comprou uma para si e seus dois amigos: Nelsinho (Marcelo Saback) e Rickson (Carlos Bonow). Embora um deles ache deplorável ter a presença dele na academia por ter engordado muito, o outro tentará ajudá-lo com as  divídas. Se a compra da academia foi quase um ir as forras em passar de empregado a patrão, a compra de um outro estabelecimento uniu duas paixões: barzinho e o Botafogo. Onde um dia imperou um grande craque da bola: Adelson (Ailton Graça). Esse, ao retribuir a ajuda do amigo, se verá tendo que fazer algo nunca antes pensado. Ou teria sido descobrindo um novo talento em si?

O filme teve como inspiração o livro ‘Casais Inteligentes Enriquecem Juntos‘, de Gustavo Cerbasi. Não li o livro. Mas o mote do filme se baseia no casal, na cumplicidade que deveriam ter até nas questões financeiras. Pois se há discordâncias, e acumuladas, a cobrança no futuro poderá não ter mais volta. Bom quando ainda encontram um caminho para solucionar a crise, e não se chegar a separação de fato e de direito.

Com fortes doses de humor, o filme contou e bem o drama de ambas as Famílias! Gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Até que a Sorte nos Separe. 2012. Brasil. Diretor: Roberto Santucci. Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winitz, Ailton Graça, Kiko Mascarenhas, Rita Elmôr, Henry Fiuka, Maurício Sherman, Carlos Bonow, Julia Dalavia, Julio Braga, Marcelo Saback, Vitor Maia. Gênero: Comédia. Duração: 104 minutos. Classificação: 12 anos. Os atores Marcos Pitombo e Luana de Nigro vivem o casal Tito-Jane quando jovens. Inspirado no livro ‘Casais Inteligentes Enriquecem Juntos’, de Gustavo Cerbasi, pelos roteiristas Paulo Cursino e Angelica Lopes.

Anúncios

Killer Joe – Matador de Aluguel (2011)

Killer-Joe-Matador-de-Aluguel_2011Diante de uma dívida atroz, um jovem traficante de drogas propõe à família decadente, desajustada e desunida que a própria mãe seja morta para ganhar e repartir o dinheiro do seguro em nome da irmã Dottie, que apesar de levemente perturbada, destaca-se dos demais pela delicadeza e sensibilidade. O matador de aluguel e detetive da polícia Joe é chamado nesse ambiente cruel para fazer o trabalho sujo e depara-se com uma situação nova e inesperada.

Faz muito tempo que William Friedkin não faz coisa que preste. Depois de pérolas e clássicos como “O Exorcista” “Operação França” e “Parceiros da Noite”, o diretor desandou a carreira com atrocidades do quilate de “Jade” e “Possuídos”. Curiosamente, o mesmo Tracy Letts que escreveu esta última bobagem citada (Bugs) é também o autor da peça e do roteiro que originou Killer Joe.

No mesmo caminho, William também começa a acertar a mão neste século, com esta adaptação muito bem sucedida que nos remete aos filmes sanguinolentos de vingança dos anos 80 ou mesmo aos atuais exageros Tarantinescos. Na verdade, Joe Killer é bem mais do que isso, com um roteiro ágil, interessante, apurado, sem buracos e, melhor de tudo, fácil de acompanhar. Para desenvolver a estória, William optou por uma direção seca e sem novidades com ênfase aos ótimos personagens defendidos por um elenco afiado, onde todos se destacam, especialmente a doce Juno (Dottie) Temple e o atlético e frio Matthew (Joe) McConaughey, exibindo os talentos e os corpos para deleite da plateia. Gina Gershon também fica peladinha e brilha como Sharla, a madrasta sem escrúpulos. Emile Hirsch é Chris, o pequeno delinquente e Thomas Haden Church interpreta Ansel, o patriarca que completa uma linhagem apodrecida e desmoronada.

A trama engenhosa corre fluente em meio a muitas cenas de ultra violência com toques de humor nigérrimo, nudez sem pudores e sexo pesado que inclui uma inacreditável e desconcertante felação à base de frango frito da KFC.

Se a ousadia da produção como um todo é o ponto alto do filme, o desfecho aberto pode frustrar um pouco parte da audiência, ávida por um justo e completo acerto de contas. Ainda assim, “Killer Joe – Matador de Aluguel“é um filmaço e merece ser visto.

Tempo Real (Real Time. 2008)

Muita coisa pode acontecer em 60 minutos. Já parou para pensar nisso? Se pode passar a própria vida a limpo. E se hoje fosse o último dia da sua vida? O que você faria? Ou como passaria esse tempo que lhe resta? Essa são algumas das reflexões que vem ao assistir “Tempo Real“. Ou apenas curtir o filme. Porque ele é muito bom!

Em “Tempo Real” tem um inusitado encontro entre duas pessoas. Viverão uma experiência única. De um lado temos um jogador compulsivo, Andy (Jay Baruchel). Que já com uma dívida enorme, dá uma tremenda mancada. Então terá que pagar um alto preço: sua própria vida. É quando entra em cena um matador profissional, Reuben (Randy Quaid). Que fora contratado para eliminá-lo. Sem pressa, Reuben dá a Andy uma hora de vida. Onde poderá fazer o que quiser antes de morrer. Desde que junto com ele.

Enquanto Andy vai mostrando que sempre foi um azarão, Reuben tenta mostrar a ele que era tudo por estupidez; burrice mesmo. Que pelo ângulo em que via a própria vida o levou a desperdiçar não só o tempo, mas até o ter seguido por outro caminho. O loser que pensara ser, era na verdade um tremendo egoista. Nem o carinho da avó (Jayne Eastwood) ele soube apreciar.

O filme se passa em tempo real e retrata a questão do que faríamos com o tempo que nos resta neste mundo.

Eu vi pela tv. E gostei muito! De querer rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tempo Real (Real Time. 2008). Canadá. Direção e Roteiro: Randall Cole. Gênero: Comédia, Drama.

Almoço em Agosto (Pranzo di Ferragosto)

Durante o tempo em que morei com a minha mãe, vi de perto o mundo dos idosos. Vi a força e a vida que eles têm e também a solidão e o medo do abandono. E foi aí que tive a idéia de fazer esse filme“, Gianni di Gregorio.

Esse é um filme para um público seleto. Mais! Para aqueles que gostam de ler Crônicas. Pequenas estórias cotidianas. Porque ‘Almoço em Agosto‘ traz algo que aconteceu na casa de um pacato cidadão. Dois dias, que quebraram a rotina de um grupo de pessoas. E aos que procuram por profundidade nas tramas, procurem por outro filme. Pois a proposta desse é apenas contar o que houve nesses dois dias.

O filme nem aborda a entrada do Euro na Itália, mas sutilmente percebe-se que descapitalizou o povão. Outro lance onde vemos essa realidade, que por vezes, a casa onde mora, quando se chega na velhice a aposentadoria não acompanha as correções dos impostos e taxas cobradas. E se onde mora pertence a um prédio, um condomínio… hão de surgir desavenças entre os moradores. Viver num centro urbano, tem um preço…

O filme começa à véspera de um feriado, o Ferragosto – Ascensão da Virgem Maria, celebrado em 15 de Agosto -. Giovanni (Gianni di Gregorio) ao voltar das compras, encontra à lhe esperar, o síndico. Após acalmar sua mãe, vai ver o que o outro quer. Ele sabe que está devendo o condomínio e as demais taxas. Mas no alto dos seus sessenta anos de idade, fica difícil arrumar uma colocação. Também há um outro ponto, o de não poder se ausentar muito de casa, por causa da sua mãe. Não por ela está acamada, mas mais por querer sempre a sua atenção.

O síndico, fingindo-se estar com um problema de saúde, precisando ir para uma Termas… propõe em saldar grande parte da dívida, se ele ficar com a sua mãe nesse feriado. E para arrematar, lhe dá a chave do elevador. É, com isso Giovanni aceita. Mas o síndico não traz só a sua mãe… E Giovanni, pela janela, vê com quem o síndico está indo passear.

Mas se até para as compras, é no pendura… se já cuida de uma idosa, cuidar de três em dois dias valeria a pena. Mas às vezes, parece que não se fica somente num único problema, outros vêem na esteira… É que por coincidência ou não, seu médico pede que fique também com sua mãe nesse feriado. Pois além do Plantão, quem cuidava de sua mãe viajou de repente para a sua terra natal. Algo mais para pesar na balança: o fato desse médico vir em casa. Giovanni ri, e nós com ele.

Ele não cedeu somente por conta das dívidas, é que tem um temperamento dócil. Gosta de cozinhar. E principalmente, de um bom vinho. Que não fica só numa taça. Assim, enquanto cozinha, bebe seus vinhos, tenta conciliar as quatro senhoras. Pois à princípio, se estranham. Talvez pelo fato de viverem sozinhas.

No dia seguinte, ao sair para comprar mais comida… por encontrar só aberto, lojas caras… um conhecido de mesa de cantina, o leva em sua lambreta até a beira de um rio. Onde há uns pescadores. Após comprar o peixe, o convida também para o almoço. Ah! Antes, nem fez pechincha ao comprar o vinho.

Então, o filme é isso: as agruras e alegria que todos irão passar nesses dois dias. E é impossível não sorrir e se emocionar com Giovanni no final do filme. Se a vida lhe traz um limão, faça uma limonada. Um ótimo filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Almoço em Agosto (Pranzo di Ferragosto). 2008. Itália. Direção e Roteiro: Gianni di Gregorio. Elenco: Gianni Di Gregorio (Giovanni), Valeria de Franciscis (Mãe de Giovanni), Alfonso Santagata (Luigi), Marina Cacciotti (Mãe de Luigi), Maria Cali (Tia Maria), Grazia Cesarini Sforza (Grazia), Marcello Ottolenghi (Médico), Luigi Marchetti (Viking), Petre Rosu (o da lambreta). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 75 minutos.

Nossa, que Loucura! (For Pete’s Sake). 1974

Que loucura faria para o seu cônjuge? E para se ver livre dela? Contaria tudo, de imediato?

Esse filme, vi numa das madrugadas insones. Lembrei dele agora por conta do poder que têm os acionistas perante a carreira das pessoas, nos mais recentes filmes que vi. Sendo que num deles, citei que há essa cultura em investir em Ações nos estadunidenses. Bem, pelo menos para quem entende desse Mercado pode obter um cômodo lucro. E é mais palpável do que ficar tentando a sorte nas Loterias.

Aqui nesse filme, a feliz dona de casa Henrietta ‘Henry’ Robbins (Barbra Streisand) fará uma loucura para ajudar a realizar o sonho de seu marido Pete (Michael Sarrazin). Ele é um taxista frustrado. Que sonha em ficar rico, mas sem fazer força. Até para mostrar a sua família. Seu irmão o humilha por não ter grana.

Pete, tal qual as ‘barbadas’ no Jóquei, recebe uma que vem da Rússia: barriga de porcos. Já que o americano adora bacon, sente que é quente. Mas precisaria de um certo capital para investir.

Henrietta que até então, passava os seus dias em casa, em hilárias conversações com sua Faxineira, Loretta (Vivian Bonnel), pede o dinheiro emprestado a um parente seu. Só não conta para o marido que esse parente é um agiota, e que lhe deu o prazo de uma semana para devolver o dinheiro.

Ao tentar por um prazo maior, tem a sua dívida aumentada ao ser “comprada” por outras pessoas. Que cada um deles a obrigam a fazer um servicinho… Bem, ela até que tenta. Mas se atrapalha em todas.

Assim, enquanto as ações do marido despencam, sua dívida cresce.

A turma mais jovem talvez nem lembre de Barbra Streisand. Sua filmografia é bem menor que a sua discografia. Eu gosto, gostava de vê-la atuando.

Fica então a sugestão para se por acaso reprisar na tv, assistirem. É um bom filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Nossa, que Loucura! (For Pete’s Sake). 1974. EUA. Direção: Peter Yates. Elenco: Barbra Streisand (Henrietta ‘Henry’ Robbins), Michael Sarrazin (Pete Robbins), Estelle Parsons (Helen Robbins), Molly Picon (Mrs. Cherry), William Redfield (Fred Robbins), Louis Zorich (Nick Kasabian), Heywood Hale Broun (Juiz Hiller), Vivian Bonnell (Loretta). Gênero: Comédia. Duração: 87 minutos.

Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers. 1980)

Comédia cult, que não foi aquelas coisas no cinema. É o primeiro de duas produções.

Elwood (Dan Aykroyd) vai buscar seu irmão Jake (John Belushi) depois que este tem “alta” da cadeia subcondicional. Ambos são mal humorados, mas sempre tem resposta para tudo e raramente tiram seus óculos escuros.

The Blues Brothers_Dan Aykroyd and John BelushiPrecisam recomeçar a vida. Vão procurar o orfanato onde foram criados.
Conseguem reencontrar o orfanato, mas tomam um choque ao descobrir que o local será fechado por causa de uma dívida de US$ 5 mil com a prefeitura, que o orfanato não consegue pagar.

Tentam bolar um golpe com a melhor das intenções de não ter seu lar de ser fechado. Só que não podem. O dinheiro ilícito é pecado, principalmente para quem dirige o orfanato, a freira (Kathleen Freeman).

Jake e Elwood decidem retomar a The Blues Brothers Band, na intenção de realizar um grande show e arrecadar a quantia necessária para pagar a dívida do orfanato. O problema é para remontar a banda eles terão muitos problemas, porque aprontaram todas com tudo e todos no passado – e por isso serão alvo de vingança dos inimigos.

Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers). 1980. EUA.
Direção: John Landis
Elenco: Alem dos atores ja citados, tem Ray Charles, Aretha Franklin, Cab Calloway, James Brown, John Lee Hooker, Chaka Khan…. (precisa mais?)
Gênero: Comédia, Musical. 134 minutos.