Angel-A

Angel-A

“O que conta é o que está no interior, não o exterior.” Luc Besson

Dizem que o ser humano é diariamente acompanhado por três anjos: dois bons e um mau.
Depois de assistir ao filme Angel-A tente descobrir qual dois três é que se materializa para ajudar o personagem encrencado.

Angel-A é um roteiro surpreendente e instigante mostrando os dois lados de uma mesma moeda, ou cara e coroa, corpo e alma, dois em um, de Luc Besson que também é o responsável pela direção e produção. É a história de André, um rapaz de 28 anos totalmente endividado e por isso é perseguido por perigosíssimos gângsteres que lhes dá um prazo mínimo de algumas horas apenas para quitar a alta dívida, caso contrário, ele sofrerá terríveis conseqüências.

André se vê sem saída, e seu desespero é infinito. A solução que ele encontra é o suicídio. Quando está preste a pular de uma das mais altas pontes de Paris, ele se depara com uma linda mulher, alta, loira, aos prantos e muito triste, também com a mesma intenção de deixar de viver.

A presença dessa misteriosa moça atrai a atenção de André, que a todo custo tenta convencê-la que isso que ela pretende fazer é loucura que não vale a pena. Há um jogo de palavras interessante entre eles, dando a entender que ambos são a mesma pessoa.
Ela acaba pulando e ele, ironia do destino, acaba resgatando-a e a salva do afogamento.

André e essa misteriosa mulher descobrem que têm muito mais coisas em comum, além da tentativa de suicídio, e vão se conhecendo aos poucos. Ela passa a segui-lo, na tentativa de ajudá-lo a mudar sua vida. Decide retribuir a ajuda de seu salvador. Os dois passam a noite tentando resolver seus problemas, além de um mistério que os cerca. Ele lhe conta que deve dinheiro a Deus e ao mundo e que esse era o motivo do seu desespero. Bem, ele precisava de um anjo. E Angel-A caiu do céu no momento certo.

O céu mandou um anjo e o anjo estava com ele; e o anjo era ele. Um dia um anjo apareceu na vida dele e teve a gentileza de julgá-lo. E esse anjo o amou mesmo não sendo grande coisa.
“Nós podemos fazer escolhas justas. Eu te amo quero passar o resto da minha vida com você. Minha vida é você. Você me ensinou o essencial, a não mentir. O que eu faço. Meu Deus? Eu estou morta?”O filme é todo em preto e branco, com momentos singelos, tocantes e divertidos.

André e Angel-A são a mesma pessoa. Um é a extensão do outro. Angel-A é o anjo protetor que veio para ajudá-lo. É como aquela história de a outra metade da laranja. Só que um é um ser carnal; o outro angelical; o encontro do corpo com a alma. A simbologia significante e significado; linguagem completamente metafórica.Angel-A é um anjo pornográfico. A forma que encontrou para solucionar os problemas de seu protegido seria como prostituta. Isso vai contra todos nossos conceitos concebidos de anjo em nossas mentes. Todas as leis do paraíso. Um ser sublime. Sem pecado ou mácula. Em uma só noite conseguiu uma fortuna em “programas” que daria para pagar toda a dívida de André e ainda sobraria um bom troco.

Para quem gosta de romance angelical, este é uma boa pedida; nos faz lembrar vagamente do formidável Asas do Desejo de Wim Wenders.

O filme é uma lição de amor, com muitos ensinamentos, principalmente o de não desistir da vida. É uma história de descobertas, encontrar a si próprio, buscar saídas. Acreditar em si mesmo, alimentar as esperanças, achar soluções para os problemas por mais difíceis que possam parecer. A busca da auto-estima e da felicidade constante.

Angel–A falando com André:

“- Sou seu reflexo, sou sua imagem. Eu sou você!”

CREDITOS

Título Original: Angel-A

Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (França): 2005
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Produção: Luc Besson
Música: Anja Garbarek
Fotografia: Thierry Arbogast
Desenho de Produção: Jacques Bufnoir
Figurino: Martine Rapin
Edição: Frédéric Thoraval
Efeitos Especiais: BUFO filme surpreende do início ao fim. Ótimo é pouco.

Por: Karenina Rostov. Blog: Letras Revisitadas.
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Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic)

os-delirios-de-consumo-de-becky-bloomAmei! Eu ri muito com as agruras da personagem principal em ‘Os Delírios de Consumo de Becky Bloom‘. Ela tem compulsão por compras. E de roupas, bolsas, calçados e acessórios de marcas famosas. Como é assalariada, ainda morando com uma amiga, apela para os vários cartões de créditos. Passar em frente a uma vitrine, ainda mais vendo uma plaquinha de ‘saldo’ então, ela não resiste mesmo.

Ela é Rebecca Bloomwood (Isla Fisher). Jornalista de uma revista de Paisagismo e Jardinagem. Mas de olho numa vaga para trabalhar numa outra. Uma das grandes, do mundo Fashion. Quando a vaga surge… no caminho, não resiste a um echarpe verde. Por conta da peripécia em comprá-lo, conhece, informalmente, Luke (Hugh Dancy). Que depois, por receber o envelope errado… Luke a convida para trabalhar na revista com ele.

Agora, a que ele dirige, é sobre investimento, finanças… Dai, dá para imaginar o que vem por ai. Já que ela é uma tremenda gastadeira. Sua dívida chegou num nível, que sua amiga a faz entrar para um Grupo de Ajuda para Compradores Compulsivos. Mas ela é tão carismática, que…

Melhor parar por aqui. Assistam. É uma comédia romântica gostosa de ver; e rever. Com ótimas participações. Uma trilha sonora perfeita.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (Confessions of a Shopaholic). 2009. EUA. Direção: P.J. Hogan. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 104 minutos. Baseado em livro de Sophie Kinsella.

A Partida (Okuribito. 2008)

a-partida_okuribitoGosta do seu trabalho? Sente-se bem nele? Desqualifica alguém por conta de sua profissão? Se ela está fora dos seus padrões, se envergonha do que a pessoa faz? E aqui nem estou entrando em algo ilícito, criminoso. Pois não é o caso do filme. Falo em adotar um trabalho que muitos acham indigno. O vê como algo a se envergonhar. Mas onde estaria a vergonha em exercer certas funções? Ela está no preconceito que reside nas pessoas. Chegando até a fazer chacota. Eu já passei por isso. Uma pessoa na época dizia ao me ver: ‘Chegou a Sarah!‘. Confesso que por não saber perguntei a uma irmã dela… Quanta ingenuidade minha! Duplo preconceito por parte dessa pessoa. O personagem dessa história passou por preconceitos desse tipo. Já volto a esse tema.

É que antes eu quis saber o significado de ‘Okuribito’. Um amigo contou: Okuri = levar; Bito = pessoa. Assim, Okuribito é uma pessoa que leva outra a algum lugar. Com isso até que ‘A Partida‘ não ficou tão despropositada. Por conta da profissão que o protagonista irá exercer: preparar o defunto. Ele é o jovem Daigo (Masahiro Motoki).

Como ele chegou a ela? Ao ser demitido junto com todos os músicos de uma Orquestra Sinfônica. Como ele ainda acreditava no seu potencial comprou um caríssimo violoncelo. Tinha até planos de pedir a sua mulher, Mika, uma Web Designer, para criar um site. Onde promoveriam a Orquestra. Mas o sonho acabara… Ficando a dívida e como contar a Mika.

A situação o pôs em cheque. Até em perceber que nunca chegaria a um solo. Seria somente uma peça da engrenagem. Que poderia ser logo trocado por outro, se tivesse partido dele sair do grupo. Havia ai um certo preconceito. Mesmo não sendo o primeiro, o mais importante, todos são relevantes.

Mika ao ficar sabendo que ocultara dela fica dividida. Para ela não deveria haver segredos entre um casal. Será? Nem tudo precisa ser compartilhado no tocante a coisas pessoais. Agora, se é algo que irá interferir na vida do casal, ai sim. Principalmente se for mexer no orçamento doméstico. Mika até se ofereceu a saldar a dívida. Mas não imaginava que tinha custado tanto o violoncelo. Daigo se desfaz do Cello, ficando com o antigo… Uma pausa para dizer que ver alguém tocando um Cello… É algo tão sensual!

Mika propõe de irem morar no interior. Na casa que a mãe de Daigo deixara como herança. E com a mudança para lá… somos levados a acompanhar o mergulho desse jovem em sua alma. Onde velhos fantasmas serão revividos. Um longa jornada. E ao lidar com os mortos… ele vai despertando para a vida. Em solos emocionantes.

Eu nunca tinha visto um trabalho como esse. Esse ritual. Os mortos que vi já se encontravam dentro dos caixões cobertos de flores. De pronto, só me veio o maquiar o rosto do defunto do filme ‘Meu Primeiro Amor‘. Agora, nem se compara com o que é mostrado nesse filme. É! É é uma cultura admirável em certos aspectos. Esse, mostrado em ‘A Partida‘, foi um deles. Me fez rever conceitos…

As lágrimas desceram no finalzinho do filme… Valeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009. Assistam! Excelente filme! Ah! A trilha sonora é lindíssima! Um aperitivo:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Partida (Okuribito). 2008. Japão. Direção: Yôjirô Takita. Elenco: Masahiro Motoki (Daigo Kobayashi), Tsutomu Yamazaki (Ikuei Sasaki), Ryoko Hirosue (Mika Kobayashi), Kazuko Yoshiyuki (Tsuyako Yamashita), Kimiko Yo (Yuriko Kamimura), Takashi Sasano (Shokichi Hirata). Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro (Mad Money. 2008)

_Não quero o que não posso ter.
_Você vive nos Estados Unidos da América?

Huhu! Um filme com com uma quadrilha feminina! Muito bom! E fora do politicamente correto. O que temos nessa história?

Bridget (Diane Keaton) fica sabendo pela vizinha que a sua casa está à venda. Ao questionar o marido, Don (Ted Danson), esse lhe diz que por conta de estar desempregado, estão com muitas dívidas.

Inconformada, ela sai à caça de um emprego. Após várias tentativas, a dica vem de sua ex-empregada. Ser faxineira no Banco de Reserva Federal. E ela fica deslumbrada com todo aquele dinheiro. Mais! Como entra em todas as salas, inclusive na que monitora tudo, descobre uma falha na vigilância. Com isso elabora um plano para um roubo perfeito.

Mas para isso precisará de outras pessoas que também trabalham lá dentro. Bridget consegue convencer mais duas funcionárias. São elas: Nina (Queen Latifah) e Jackie (Kate Holmes). Então as três conseguem o impossível que é roubar aquele banco. Tudo estava indo bem até que…

Paro por aqui para não lhes tirar a surpresa. Por fim, amei o filme! Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro (Mad Money). 2008. EUA. Direção: Callie Khouri. Elenco: Diane Keaton, Ted Danson, Katie Holmes, Adam Rothenberg, Queen Latifah, Roger R. Cross, Stephen Root. Gênero: Comédia, Crime, Drama, Romance. Duração: 104 minutos.

O Barato de Grace (Saving Grace. 2000)

É comovente ver a Grace levar adiante a tradição local de desrespeitar a lei. Isso nos deixa orgulhosos.

Grace (Brenda Blelthyn) após o suicídio do marido, descobre que além das muitas dívidas que ele lhe deixou, poderá também perder a casa que já pertence a sua família a muitas gerações. Suas habilidades são com plantas. Mas suas orquídeas não lhe darão o retorno financeiro e imediato que precisa.

Paralelo a isso e por ela entender de plantas, seu empregado, Mathew (Craig Ferguson), lhe pede para ir ver o porque de umas plantinhas dele estarem definhando. Que ele as mantém escondidas no terreno dos fundos da Igreja. Mesmo sabendo que se trata de mudas de maconha, condoída, ela resolve levar para a estufa em sua casa. No dia seguinte, Mathew fica admirado com a recuperação da planta. E Brenda ainda lhe mostra umas gemas aparecendo.

Mathew então lhe propõe uma sociedade. Brenda recusa, mas com a casa posta à Leilão, ela aceita.

Grace e Mathew, já de posse de uma boa quantidade da erva irão tentar vendê-la. De um traficante menor, um maior fica interessado. Pela erva ser de primeira qualidade. É, é algo criminoso. Eles estão cientes dos riscos. Mas que não deixa de ser engraçado para nós. É filme, esqueçam o politicamente correto. Relaxem! Nem é preciso um baseado para curtir o filme.

Essa comédia inglesa é de ver com sorriso nos olhos! Os moradores são divertidíssimos. A frase que coloquei no início já mostra um pouco do humor, do jeito displicente de ser dessa gente. De curtirem, todos sentados na pracinha, algo novo que vem da casa de Grace, à noite.

O cenário é lindo! O lugarejo fica à beira-mar! A trilha sonora é ótima! Esse filme entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Ah! No final além de um – Pena que acabou! -, eu fiquei com lágrimas nos olhos.

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Barato de Grace (Saving Grace). 2000. Inglaterra. Direção: Nigel Cole. Roteiro: Craig Ferguson. Elenco: Brenda Blethyn, Craig Ferguson, Martin Clunes, Tchéky Karyo, Jamie Foreman, Bill Bailey, Valerie Edmond, Tristan Sturrock, Clive Merrison, Leslie Phillips, Diana Quick, Phyllida Law, Linda Kerr Scott, Ken Campbell, Philip Wright, John Fortune, Bill Wheston. Gênero: Comédia. Duração: 98 minutos.

Primavera para Hitler (The Producers. 1968)

Eu costumo dividir o meu tempo para os filmes entre os recentes e os mais antigos. Como também para rever alguns. E esse, “Primavera para Hitler“, entrou nessa. O revi após muitos anos. Daí ficou um gosto de primeira vez. Sei que fizeram uma nova versão, como não a vi não posso opinar. Agora, esse original do Diretor Mel Brooks, eu assino e sacramento: assistam. Ele é ótimo! Uma comédia divertidíssima.

Entrando na história… Max Bialystock (Zero Mostel) é um produtor teatral que caiu no ostracismo. Sendo assim para ainda ir levando a vida namora mulheres idosas a fim de conseguir dinheiro. Acontece que sem ter nenhum talento para as finanças, cada vez se afunda mais. Até que surge um contador, Leo Bloom (Gene Wilder). Que em meio aquela papelada diz que há uma saída para saldar a dívida. Que seria em produzir um fracasso. Pelos tramites das leis uma peça fracassada gera um lucro.

Até aqui parece que não há nada para rir. Mas creiam tanto Max como Leo são hilários. Tanto no encontro dos dois, como também na que o Max tenta convencer o outro para serem sócios, com o sorriso do Max para acalmar o Leo por esse não suportar pressões. O Leo mesmo sendo tão correto vê uma chance de sair do seu próprio ostracismo até por conta de seu temperamento. Vê ali a chance de mostrar o seu talento, mesmo que seja com o numerário. Então acaba topando montarem juntos um musical na Broadway. Para a felicidade do Max. E alegria nossa.

Ainda com o Max destacaria uma cena em mais umas das suas investidas com as senhorinhas, uma só com ele e o som das travas da porta sendo aberta. Eu quase cai da cadeira de tanto rir. Até por me fazer lembrar de algumas que presenciei de fato.

Bem, decisão tomada partem para escolher a pior peça que tem arquivada. Após lerem inúmeros roteiros, veem numa o fracasso. Por enaltecer Hitler. E saem em campo para obterem a autorização para encenarem: Primavera para Hitler.

A cada passo a frente as situações continuam para lá de cômicas. Quer seja no encontro com o autor da peça; quer seja no com o Diretor mais excêntrico que existe; ou até na escolha do elenco; ou quando perguntam o nome do personagem que então será escolhido para fazer o Hitler… Tudo é pura diversão.

Enfim, na estréia do musical… Melhor não tirar-lhes a surpresa. Nem a do final do filme.

Assistam, o filme é bom demais!! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Primavera para Hitler (The Producers. 1968). EUA. Direção e Roteiro: Mel Brooks. Com: Zero Mostel, Gene Wilder. Gênero: Comédia. Duração: 88 minutos.