O Voo (2012). Anjo ou Demônio no Comando Daquele Avião?

o-voo_2012O Diretor Robert Zemeckis sem dúvida nenhuma merece o crédito maior em “O Voo“. Muitos aplausos por me deixar quase em suspense ao longo do filme. Eu digo “quase” porque não poderia ficar indiferente ao drama maior dessa história: o alcoolismo e o vício por drogas como a cocaína. Primeiro que quando se conhece pessoas que sofrem dessa doença, arrastando para esse vendaval familiares e amigos, fica difícil não oralizar algumas interjeições. Depois, por levar sem pressa esse “day after” na vida desse que apesar de todos os pesares conseguiu salvar dezenas de vidas inocentes. Também porque não deu para segurar as lágrimas no finalzinho.

Agora, a turma de elenco vem logo atrás nesse merecimento: performances excelentes. A destacar: Denzel Washington, Don Cheadle, Kelly Reilly, John Goodman e Bruce Greenwood. Tirando a personagem feminina, os demais orbitando no problema do personagem do Denzel. Sendo que, enquanto dois deles iriam tentar atenuar, ou até tentar inocentar, o terceiro era o que alimentava o problema do protagonista. Mas também estava em jogo o emprego de muita gente. Pois é! Não tinha apenas álcool e cocaína como vilões dessa história. Tinha também uma companhia com aviões que já deveriam ter virado sucata e um dono querendo se livrar desse elefante branco. Colocando mais lenha nessa fogueira.

O comandante Whip Whitaker (Denzel Washington) mesmo ciente que ainda teria um voo para fazer passa a noite bebendo e cheirando. Que para piorar usa a droga para acordar de vez. Ciente que é muito bom no que faz, faz uma loucura para tirar a aeronave do meio de uma tempestade, com isso forçando ainda mais a máquina. Num voo longo, bate a sede por uma bebida, o cansaço e o sono. Daí não pesou também a falta de experiência do co-piloto. Existem fatalidades. Assim como há também propabilidades de algo que começou errado, terminará errado. Mas existe também aqueles que funcionam bem sob forte pressão. E foi o que Whip fez tornando-se um herói, a princípio.

Mas um acidente dessa monta atrai investigações de todos os lados. Entrando em cena o responsável pelo sindicato Charlie (Bruce Greenwood), amigo de longa data de Whip. Ciente de que uma condenação para Whip atrairia uma avalanche de pedido por indenizações, contrata um grande advogado, Hugh (Don Cheadle). Esse, mesmo sendo bom no que faz sabe que terá um outro desafio: o de conseguir levar um Whip limpo perante a personagem de Melissa Leo, um osso duro de roer. Numa de “os fins justificando os meios”, Charlie e Hugh farão algo inimaginável até então.

Ainda no hospital Whip conhece Nicole (Kelly Reilly), que também por um “milagre” não perde a vida, mas em uma overdose. Nasce uma empatia entre os dois. Ele a convida para morarem juntos. A princípio, ela recebe como uma dádiva: ter onde morar. Mas para alguém que quer sair do vício, termina sendo um inferno. Ela não tem forças para nem para resistir, nem para ajudá-lo a sair dessa. Até porque Whip tem fornecedor “à domicílio”, o Harling, personagem do sempre ótimo John Goodman. Que abstraindo o que Harling representa, sua performance me levou a rir.

A pessoa mais fascinante que eu jamais conheci.”

Não sei se pode-se definir como regra geral que os que mais fazem loucuras exercem um fascínio maior aos demais. Se o carisma em parte vem pela ousadia. Mas que diante de uma tragédia onde o vício esteve como coadjuvante o que dizer, por exempplo, pelo “tapinha” que aspirou para deixá-lo ligadão? Claro que assustou vendo-o fazer isso e ciente do que estaria para acontecer. Mas se é algo não raro fora da ficção, fica a pergunta do porque fazem isso. Duas pessoas podem vivenciar as mesmas pressões, mas uma não procura amparo no vício.

Outro ponto alto de “O Voo” é que embora a história mostre que muitos acreditarão que fora um milagre, ou até que mesmo por linhas tortas foi obra de Deus colocar aquele competente piloto salvando a vida de muitas pessoas, Zemeckis mantém-se imparcial ao mostrar os fatos. Com isso crédulos e céticos terão as respostas que queriam. Como por exemplo o co-piloto e a comissária de bordo que ajudaram Whip a pousar aquele avião e evitando uma tragédia muito maior. Onde ambos terão que passar por mais um desafio: no que dirão em seus depoimentos. Se irão contra seus próprios princípios, morais, éticos, ou se apoiarão na fé, e com isso vendo-o como um enviado de Deus naquele momento? Mas para os que não veem Whip como um Anjo da Guarda, verão que nele talento para pilotar fazia dele o número um.

E quanto a Whip? A quão tanto mais ele iria descer na tentativa de salvar a carreira? Qual seria a provação que o levaria a sair da vida do vício? Até porque precisaria de fato de um milagre para voltar a pilotar um avião comercial. De herói a vilão estava bem próximo. Mas ele mesmo que foi o vilão do seu talento. É muito triste quando o vício arruina a vida de uma pessoa. Whip tinha um preço à pagar! Um preço alto.

Para finalizar, além do Roteiro, Fotografia, a Trilha Sonora também fazem de “O Voo” um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

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Reine Sobre Mim (Reign Over Me. 2007)

Fica, ó brisa fica pois talvez quem sabe /  O inesperado faça uma surpresa / E traga alguém que queira te escutar / E junto a mim queira ficar.”

Como pano de fundo em “Reine Sobre Mim” vemos dois tipo de fugas. Um, por não ter superado um grande trauma. O outro por não saber como resolver uma pendência doméstica. O que me levou a algumas reflexões. Algumas vezes basta uma noite do sono para desanuviar a mente e então se chegar ao solução de um problema. Noutras, se faz necessário procurar por ajuda de um profissional. Noutras ainda, há quem prefira se agarrar em tentar sanar um problema alheio como meio de não pensar no próprio. Mesmo achando que esse de outra pessoa seja muito mais sério que o próprio em algum momento terá que ter uma tomada de decisão. Mas adiar também pode dar chance de algo inesperado trazer a solução.

E quem seria esses dois fugitivos que o destino fez suas vidas se cruzarem?

Um deles é Alan Johnson (Don Cheadle). Que está passando por uma crise pessoal. Se divide entre o consultório dentário e a família, quase literalmente. O que não lhe deixa espaço para si próprio. Até sente falta de um amigo com o qual teria esse momento só seu. Sem querer fazer uma terapia, meio que tenta obter esperando a Psicóloga Angela Oakhurst (Liv Tyler) na saída do consultório dela. Um dia Alan vê passar por ele um ex-colega de quarto da faculdade, mas esse parece não reconhecêlo.´Alan ciente da tragédia que abateu sobre esse amigo, decide investir seu tempo na recuperação dele.

Esse outro é Charlie Fineman (Adam Sandler). Charlie se colocou dentro de muros invisíveis, protegido pelo contador (Bryan Sugarman) e a síndica do prédio (Melinda Dillon). O que dificulta ainda mais a aproximação a ele. Como se não bastasse, Charlie para não ouvir os próprios pensamentos, ouve música quase o tempo todo, com um enorme fone de ouvidos. Se dedica a duas coisas. Uma é colecionar discos em vinis. Sendo que uma de suas músicas preferidas também dá título ao filme, é “Love, Reign O’er Me“. Meio paradoxal já que não quer pensar na perda da esposa que tanto amava, fica ouvindo um hino ao amor. Sua outra atividade compulsiva, e que o faz como uma penitência é reformar sempre a cozinha.

Tudo isso tem um elo que leva Alan a ir atrás do fio da meada. Um jeito de abrir uma passagem até a mente de Charlie. Angela termina ajudando Alan nesse resgate a Charlie. Mas os ex-sogros, Jonathan (Robert Klein) e Ginger (Melinda Dillon) Timpleman, de Charlie que tentavam uma reaproximação terminam piorando ainda mais. Mas pareciam mesmo que queriam interditar o genro para se apoderarem da grana que ele recebeu com seguro pela morte de sua  filha e neta que estavam num dos aviões do 11 de Setembro. Deixando nas mãos do Juiz Raines (Donald Sutherland) decidir o destino de Charlie.

Não me vejo como uma estudiosa no tocante a Cinema, mas sim uma cinéfila que de um tempo para cá buscou se aprofundar um pouco no trabalho de alguns Diretores. Talvez por ser recente o escrever sobre filmes, ou mesmo por uma simples curiosidade. A questão é que buscando um elo entre os filmes de cada um deles, a tal marca pessoal, pode-se ver em qual temática ele se identifica mais. Curioso também que tenho feito isso a partir de um filme que gostei. Como agora após assistir “Reine Sobre Mim“. No qual acrescento a lista o Diretor Mike Binder. Sendo dele também o Roteiro fui olhar quais mais ele escreveu. Dos que eu já vi, foram “O Cadillac Azul” (1990), que me deu vontade de rever, e o “A Outra Face da Raiva” (2005). Que me leva a dizer que Mike Binder é muito bom em histórias com um divisor de água.

“Reine Sobre Mim” leva o drama maior sem cair na pieguice. Até porque há momentos de humor. Claro que emociona. Até porque houve uma invasão de privacidade. O que leva a se perguntar se os fins justificam os meios? Até onde um amigo pode ir para tirar um amigo de quase um mundo paralelo. Ainda mais quando se sente que ele deixou uma porta entreaberta. E o final do filme vem com a sensação de alma lavada, de ter valido a pena ter pego esse atalho pois uma missão foi cumprida e enfim conseguiu ter um momento só seu. Aplausos também para Don Cheadle e Adam Sandler! Ambos os atores estiveram ótimos!

Então é isso! O filme por um todo é muito bom! E que me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Reine Sobre Mim (Reign Over Me. 2007). EUA. Direção e Roteiro: Mike Binder. Gênero: Drama. Duração: 124 minutos.

O Guarda (The Guard. 2011)

Além de gostar muito de Comédias, o título desse me fez ficar com saudades de uma série de filmes onde o ator Louis de Funès interpretava um gendarme. É no mínimo curioso em ver os holofotes focando um cara da lei. Mas também tem Don Cheadle no elenco. Um ator que arrasa em Drama. Dai, quis vê-lo num papel cômico. E por último, o país de origem desse filme: Irlanda.

Começo então pelo Cinema desse povo insular europeu, que possuem um tipo de humor admirável. Se o tema é contravenção acobertada até pela sociedade local, eu lembro de “O Barato de Grace“. Eu não sei se o Diretor, que também assina o Roteiro, John Michael McDonagh, foi, ou é um também fã dos Monty Python. É que há um quê deles aqui. Até em mostrar personagens cultos, mesmo escrachando o modus operandi deles próprios. “O Guarda” transita entre a paródia e uma homenagem a filmes de mocinho versus bandido. Se posicionando contra o FBI, para logo em seguida mostrarem-se fãs da série CSI. Hilário essas cenas.

Embora os caras-da-lei também ajam como foras-da-lei, há um trio de bandidos bem inusitados. Na realidade eram quatro, um deles aparece morto logo no início do filme. Quanto ao trio, temos: o que se acha o poderoso chefão, o Francis (Liam Cunningham); o insatisfeito com a passividade da polícia local dando a eles plena liberdade de agirem, o Clive (Mark Strong); e o que faz questão de dizer que não é um psicopata, mas sim um sociopata, o Liam (David Wilmot). Esses trio, enquanto aguardam um grande carregamento de drogas, que chegará pelo mar, entre matar e corromper tiras, discutem Filosofia e Literatura. Ou melhor, que filólogo ou escritor cada um prefere. Se Schopenhauer, Nietzsche, Bertrand Russell… Ah! O Liam também é fã trompetista Chet Baker.

O personagem principal é o policial nada ortodoxo Sargento Gerry Boyle (Brendan Gleeson). Com ele também teremos o aprofundamento em como chegaram a essa cumplicidade quase explícita com um sistema já tão corrompido. Pode não ser a causa, mas pelo menos explica o fato. Gerry tenta lidar bem com o fato da mãe estar com pouco tempo de vida. Pois não entende como, se ela ainda se mostra cheia de vida. A atriz Fionnula Flanagan é quem faz a mãe de Gerry. Ao visitá-la, entre outros assuntos, gostam de conversar sobre escritores russos.

Em se tratando da Irlanda, não haveria de faltar o IRA. Ou, de quem facilita a chegada de armas até eles. Mas esse não é o motivo que levará um agente do FBI até lá, mas sim o tal carregamento de drogas. Wendell Everett (Don Cheadle) ficará que nem cego em tiroteio para conseguir o seu intento. Além de não perceber o quanto de liberdade tem os bandidos por ali, se sentirá perdido porque os habitantes não falam inglês. Numa de: ‘Se você quer ouvir alguém falar inglês, vá para Londres‘. É um escracho total com o FBI.

Gerry e Everett serão uma dupla para lá de dinâmica. E nesse ponto, é melhor deixar o modo politicamente correto desligado para se divertir com com o que Gerry diz, e a cara de Everett ao ouvir. Gerry não tem papas na língua. A grande questão é que certas falas podem sim magoar as pessoas, por conta do racismo. Mas o exagero aqui fica por conta dos esteriótipos até enfatizados pelo Cinema. Como também pelo filme debochar de muito mais coisas.

Assim, com um Roteiro enxuto e afiado, uma Direção que mostrou que veio pegar o seu lugar ao sol, com ótimas atuações, uma Trilha Sonora também perfeita, temos em “O Guarda” um ótimo filme. De querer rever. Nota 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Guarda (The Guard. 2011). Irlanda. Direção e Roteiro: John Michael McDonagh. Gênero: Comédia, Crime, Policial, Thriller. Duração: 96 minutos.

Atraídos pelo Crime (Brooklyn’s Finest). 2009

A ocasião faz o ladrão?
No início do filme alguém conta que foi absolvido porque o juiz não interpretou o fato como certo ou errado, mas sim em mais certo ou mais errado. Numa de que mesmo fazendo algo ilegal, se o que levou a fazer isso fora por algo extremamente necessário reverte-se a questão. Desqualificando o crime. Complicado? É que vou seguir por esse caminho ao falar de ‘Brooklyn’s Finest‘. É! Ficando, focando o título original. E quem seria essa fina flor do Departamento de Polícia de Nova Iorque?

No filme há todos ingredientes iguais a tantos outros. Mas creiam em nada diminui esse. Até porque há um diferencial: serão três tiras postos em xeque. Tudo convergindo para uma cilada do destino. Se é que se pode chamar de um fato ocasional. Os três foram parar lá de livre e espontânea pressão. Dos superiores? Não. De suas próprias cabeças.

Com o Tolerância Zero tão decantado… ficou algumas indagações. Entre elas: A onda de crimes urbanos foi varrida de vez? Ou apenas mudou para outro local fora do circuito turístico?

Eu gosto do Gênero Policial. Mas confesso não lembrar de nenhum com uma tomada aérea do Brooklyn como nesse filme. À primeira vista seria logo identificado como um belo condomínio da Classe Média. Bem espaçoso entre um Bloco e outro. Bastante arborizado. Quadras de Esportes… Mas estamos falando de Nova Iorque. Do Brooklyn. Que pelo jeito colocaram nesses prédios o núcleo pobre da cidade. Se desassistidos pelos governantes, dá espaço para o narco-tráfico, a prostituição… Um governo paralelo.

Para tentar chegar no dono da área o Caz (Wesley Snipes) um tira se infiltrou entre eles. Iniciando a missão já na cadeia para dar mais veracidade. Ele é Tango (Don Cheadle). Tudo ia nos conformes até que um policial é morto por um jovem negro. Nas cercanias dos tais prédios. Então o andar de cima pede algo mais a Tango. Esse, a princípio recusa. Já cumprira sua missão. Queria mais voltar a condição de tira, e com uma promoção. Acontece que o chantageiam no seu ponto fraco. Tango, mesmo contrariado, vai em cumprimento do seu dever.

Mas que dever era esse? Um ato criminoso para acalmar aqueles que moravam fora daquelas cercanias? Mesmo que a tal pessoa fosse um criminoso estaria mais certo pagar por algo que não cometeu? Agora, se era um traficante, se revendia drogas, ele alimentava uma cadeia de crimes. Aliciava jovens para esse mundo. Afinal, os superiores de Tango estavam com a razão? Qual era a ética seguida por Tango?

Ainda falando sobre as drogas… O filme mostra que jovens indo atrás de um “barato” podem terminar ficando presas de uma rede de prostituição. Drogadas, algemadas… Só saindo dessa vida se tiver alguém disposto a tirá-las dai. Pensem nisso!

Falando em ética própria… temos um outro tira. Ele é Sal (Ethan Hawke). Cheio de filhos, com a mulher grávida de gêmeos… Sonha alto. Como a maioria que em vez de dar um passo de cada vez quer dar um bem maior que pode alcançar. Cansado de só prometer uma casa maior e melhor para a família vai em busca de dinheiro. Procura na Igreja a sua absolvição. Se vê como um bom ladrão. Tem como desculpa perante aos outros tiras que o dinheiro apreendido nas operações policiais, nos bunkers das drogas, que esse dinheiro fica nas mãos do alto escalão. Patrocinando seus luxos. Que nada é revertido para os tiras que arriscam suas vidas nessas operações. Nem muito menos numa ressocialização dos jovens infratores. Assim, para Sal, se eles podem, ele também quer o seu quinhão.

Por fim temos Eddie (Richard Gere). Um policial a poucos dias de se aposentar. Tudo o que quer nesses últimos dias de Tira é se manter vivo. Mas seu Chefe lhe dar como derradeira missão: ser instrutor de recém ingressos na Corporação. São jovens cheio de idealismo. Que acreditam que porão ordem no caos urbano. Mais. Querem ação e não ficar só observando. Íntegro, mas cansado pelos anos já prestados, Eddie antevê que não será uma missão fácil. Pois falta a esses jovens: jogo de cintura. Para aguentar a pressão nessas rondas. Mas como diz seu Chefe, o Sistema o escolheu.

Eddie, Sal e Tango possuem cada um um grande amor. Sonham em lhes dar uma vida segura. A esposa de Sal o ama sem lhe pedir nada. A do Tango não suportou ser casada com um Tira Detetive. Tango quer reconquistá-la com a promoção prometida. Eddie é apaixonado por uma prostituta. Sonha com que ela largue essa vida e vá viver com ele após se aposentar e longe de Nova Iorque.

No meio do caminho tinha… Ronny (Brian F. O’Byrne), que mesmo na melhor das intenções, se precipitou… É! Todos foram parar naquele local sem se preocuparem com a própria vida. Sem seguirem as normas de segurança que aprenderam na Academia de Polícia. E deu no que deu.

As participações femininas foram medianas. São elas: Lili Taylor como a esposa de Sal. Shannon Kane a prostituta amada pelo Eddie. E Ellen Barkin, a Agente que pressiona Tango. Essa é a que ficará um pouco mais na memória.

O filme é lento na primeira metade, mas nem por isso perde o brilho. Por nos mostrar um pouco desses três tiras. A ação mesmo fica mais para a meia hora final. São tantas as informações que me deixou com vontade de rever para então apurar tudo. É um ótimo filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Atraídos pelo Crime (Brooklyn’s Finest). 2009. EUA. Direção: Antoine Fuqua. +Elenco. Gênero: Ação, Crime, Drama, Policial, Thriller. Duração: 132 minutos.

Traffic: Ninguém Sai Limpo (2000)

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Por: Giovanni Cobretti C.O.B.R.A.
Filmaço. Em forma de documentário, lembra-me muito o falecido Nélson Rodrigues e sua coluna: a vida como ela é. O diretor tentou de todas as maneiras dividir o tempo de aparecimento e das falas de cada personagem. Cronometricamente ajustados. Para não existir um ator principal. Falhou. Benício Del Toro, como Javier Rodrigues & Rodriguez (provavelmente a sua mãe era prima do seu pai, como em Goiás Velho…) está sobrando!

Estamos em Tijuana, fronteira mexicana. Filtro ostensivamente amarelado e desértico na câmera. Efeito estupendo na platéia. A palavra “tingado” é repetida inúmeras vezes. Show. Como “prego” em italiano, “porra” em português e “fuck” em inglês. Ela é de multi-uso. Podendo designar desde uma vida toda lascada, até uma grande transa com a mulher desejada… Mas devido as condições fuderosas que se apresentam, tingado é tingado mesmo!

Corta para um juiz da Suprema Corte de Ohio, tá tudo azul! Deparamos com o não menos “mala” Michael Douglas, que já foi de tudo um pouco no cinema. Desde presidente da república até policial detonado que fatura a loiraça belzebu, Sharon. Neste ambiente pasteurizado e desnatado, seu destino é traçado. Mal sabe ele que quem vai traça-lo é sua menina. Literalmente. Ela o implode. Como dirigir o DEA se sua filha tá largada?

Ledo engano achar que somente a pobreza fuma crack. Mais ainda pensar que só os desajustados são chegados no cortado. Muita gente boa fuma, cheira, bebe e aplica. Mesmo tirando notas altas e sendo o destaque no colégio. Se explica? Algo como… Se eu não tenho mais nada pra fazer, porque não … besteira? Se ninguém presta atenção em mim, que tal eu sair deste mundo palha e viajar?

A esposa dedicada e amorosa, Catherine Zeta-Jones é gata aos 6 meses de gestação. Casada com um traficante-mor, não sabia disso. Surpreendente, mas real. De pequena felina transforma-se em leoa. Defende a cria e peita – insofismável – os chefões mal-vestidos do tráfico. Pede até a polícia para ajudá-la. E sutilmente não dá moral pro advogado melífluo que quer faturá-la e ficar com a herança do big-boss. Atirando pra todo lado consegue atingir o alvo. A grana escondida no quadro. Todas as suas cenas são claras e brilhosas, diferente do resto do filme, marcado pelo pastel-poeira e azul-hospitalar.

Dupla de excluídos, os dois policiais investigadores são um caso à parte. Amizade sincera e total entrosamento. Seus diálogos são a lá “Pulp Fiction”. Seus sonhos são simples e diretos como eles. Pegar os “big-fish”. Melhor que isso só churros na porta de supermercado.

Todos temos perdas e ganhos. Steven Soderbergh mostra habilmente uma lista, em que se ganha e perde; respectivamente:
– Juiz Robert Lewis= um cargo respeitável X uma filha querida
– Javier Rodrigues= destaque na profissão X seu melhor amigo
– Helena Ayala= um novo cargo X a inocência
– O policial preto= certeza de que o que faz é o certo X best friend, again
– Traficante de Segunda classe= ninguém é amigo no tráfico X sua vida
– Carlos Ayala= a liberdade X a mulher dedicada, o respeito, o advogado bom, mas ladrão
– A filha do juiz= um pai presente X a dignidade

Não existe um fim explícito. É um contínuo. Adorei a crueza da coisa. Apesar de toda minha experiência, fiquei chocado com algumas cenas. Não tem jeito.

O que há de bom: a direção criativa e direta ( nem sempre essas duas qualidades se somam)
O que há de ruim: o governo claramente não pensa em reabilitar os adictos, só punir e prender, alguma sugestão poderia pintar
O que prestar atenção: alguns personagens se cruzam durante o transcorrer do história, e nessas cenas a fotografia não sabe se fica borrada, clara ou viva…
A cena do filme: a crueza da mocinha com o negrão, a piadinha da primeira vez do policial na praia ( única hora em que ri neste tempo todo )

Obs.: liçãozinha pros que acham que seus parceiros de rock são amigos de verdade: quando a coisa aperta, eles vão te deixar na chapada, babando no chão, na porta do pronto socorro. Verdade.

Cotação: filme excelente ( ***** )

Traffic: Ninguém Sai Limpo. 2000. EUA. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Steven Bauer (Carlos Ayala), Don Cheadle (Montel Gordon), Erika Christensen (Caroline Lewis), Benicio Del Toro (Javier Rodriguez), Michael Douglas (Juiz Robert Lewis), Miguel Ferrer (Eduardo Ruiz), Luis Guzmán (Ray Castro), Amy Irving (Barbara Lewis), Dennis Quaid (Arnie Metzger), Catherine Zeta-Jones (Helena Ayala), Salma Hayek, Albert Finney, James Brolin, Benjamin Bratt. Gênero: Crime, Drama, Suspense.. Duração: 147 minutos. Baseado na mini-série escrita por Simon Moore.

Crash – No Limite (2004). Você acha que se conhece?

Por: Eliude A. Santos.
Recentemente ganhei o DVD do filme Crash – No Limite. Esse filme se encaixa numa categoria especial para mim. Eu fui ver Crash no cinema sem grandes expectativas e o filme me surpreendeu… Fiquei impressionado com as histórias e os dilemas dos personagens e com a sensibilidade com que foram abordadas… Fiquei impressionado com o talento de Paul Haggis, roteirista e diretor, em encaixar temas tão nobres num roteiro tão bem amarrado: uma dona de casa e seu marido procurador de Justiça, uma família Persa dona de uma loja, dois detetives, um diretor de televisão e sua mulher, um chaveiro, dois ladrões de automóveis, dois policiais e um casal coreano, todos vivem em Los Angeles e durante um dia e meio entram em colisão uns com os outros das maneiras mais surpreendentes e reais.

O modo sensível como são contadas essas colisões pessoais já fica evidente na primeira frase que se ouve no filme: “É o sentido do tato… Numa cidade de verdade você anda, esbarra nas pessoas, elas topam com você. Em Los Angeles, ninguém toca em você. Estamos sempre atrás de metal e vidro. Acho que sentimos tanta falta desse toque que damos esbarrões uns nos outros só para sentirmos alguma coisa“, fala um personagem referindo-se a um acidente de carro que acaba de acontecer.

O tema central de Crash é o preconceito e a maneira como ele se manifesta das mais diferentes formas, mas não é um filme de denúncia. O preconceito é pano de fundo para o filme falar sobre relacionamentos e a teia de relações que existe entre pessoas. E, pelo modo como as histórias são contadas, você começa a desenvolver empatia pelas personagens que supostamente menos mereciam tal sentimento se víssemos somente parte de sua história. Isso nos ajuda a perceber que dificilmente conseguimos enxergar todas as ramificações de uma situação ou de uma personalidade para que nos coloquemos como juízes diante de qualquer fato, mesmo que a pessoa na tribuna esteja sendo julgada por si mesma, afinal o argumento do filme é “Você acha que se conhece? Você não tem a menor idéia!

O filme tem um argumento poético e utiliza-se dessa licença poética para conduzir a narrativa. O efeito da neve em Los Angeles (a exemplo da chuva de sapos em “Magnólia“, de Paul Thomas Anderson) não foi um erro. O filme é direcionado para americanos que sabem que não neva na Califórnia. Ele fala da frieza (gelo) de relações entre essa massa de americanos (de tantas partes do mundo) e de todo o preconceito que gira por trás dessas relações. Mostrando nos relacionamentos desses poucos personagens que todos estamos de certo modo conectados. Mas que a percepção dessa conexão é tão rara quanto seria nevar naquela cidade. Que normalmente sentimos essa ligação somente naquilo que reconhecemos, mas dificilmente o reconhecemos quando não  vemos essas ligações.

Com uma trilha sonora encantadora e um elenco talentosíssimo, Crash é um filme que nos faz parar e pensar, uma lição de vida que nos surpreende.

Por: Eliude A. Santos  Blog: Ode ao Ego.

Crash – No Limite (Crash). 2004. EUA. Direção e Roteiro: Paul Haggis. Elenco: Don Cheadle, Jennifer Esposito, Alexis Rhee, Shaun Toub, Marina Sirtis, Ludacris, Larenz Tate, Sandra Bullock, Brendan Fraser, Art Chudabala, Matt Dillon, Loretta Devine, Michael Peña, Ryan Phillippe, Terrence Howard, Thandie Newton, Ashlyn Sanchez, Beverly Todd, William Fichtner. Gênero: Crime, Drama. Duração: 113 minutos.