Filmes que Citam Livros

Já falei aqui numa outra ocasião que o cinema está sempre citando os clássicos da literatura ou é a própria literatura.

O livro O Apanhador no Campo de Centeio deve ser o recordista, tanto que já perdi a conta de quantos filmes o citaram, (exagero da minha parte) aparece em “Teoria da Conspiração” e no filme “Capítulo 27“. “Oliver Twist” é o Charles Dickens, não? Woody Allen cita constantemente Dostoievski em suas obras. Em “Match Point”, no desfecho, o protagonista está lendo Crime e Castigo, depois de se tornado assassino, comemorando por não ter sido descoberto (Crime perfeito?). Em O Morro dos Ventos Uivantes é o próprio de Emily Bronte; e é citado no filme “A Proposta”. “Meu Primeiro Amor” cita Guerra e Paz de Tolstói. Já o filme “10 Coisas que Odeio em Você” é o próprio de Shakespeare. O filme “O Clube de Leitura” de Jane Austen que obviamente fala sobre as obras da própria. Em “Um Amor para Recordar“, há uma encenação de obras de Shakespeare. No filme “O Leitor” cita obras de Tchekhov, e por aí vai…

O filme “A Casa do Lago” que revi recentemente, além de citar Persuasão de Jane Austen, cita também o clássico de Dostoiévski, Crime e Castigo, logo na cena inicial na conversa entre mãe e filha:

Kate (Sandra Bullock) – O que é isso?
Mãe – Nada de importante. É um livro do seu pai.
Kate – Dostoievski?
Mãe – Huuuummm, sim! É sobre um homem que quebra o pescoço de uma pobre mulher com um machado. Aí ele se martiriza e se arrepende.
Kate – Gostou?
Mãe – Gostei, muito bom!
Mãe – Hummm, o que está pensando?
Kate – Nada…
Mãe – Quando seu pai faleceu foi penoso…. ao segurar os livros dele eu sinto que está comigo… saber que ele leu as mesmas páginas, as mesmas palavras…

*
CRIME E CASTIGO – DOSTOIEVSKI (Fragmentos):

Há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente.”

Mas a ciência hoje diz: ‘Antes de mais nada ama-te a ti próprio, porque tudo no mundo está baseado no interesse pessoal. Se amares a ti próprio farás os teus negócios como devem ser, e o teu cafetã permanecerá inteiro’.”

Acham que eu estou assim porque eles mentem? Tolice! Eu gosto que eles mintam! A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais. Mente, que vais acabar atingindo a verdade! É precisamente por ser homem que eu minto. Nem uma só verdade poderias alcançar se antes não mentisses quatorze vezes, e até cento e quatorze vezes, o que representa uma honra sui generis; simplesmente, nós nem sequer sabemos mentir com inteligência! Tu mentes, mas mentes de uma maneira especial, e eu ainda por cima te dou um abraço. Mentir com graça, de uma maneira pesssoal, é quase melhor que dizer a verdade igual todo mundo; no primeiro caso é um homem e, no segundo, não se é mais que um papagaio! A verdade não anda depressa, mas podemos fazer a vida correr; há exemplos disso.”

Nesse sentido, efetivamente, todos nós, e com muita frequência, somos quase dementes, com a única diferença que os doentes são um pouco mais loucos do que nós, porque repare, é preciso distinguir. Mas é verdade que não existe o homem normal, de maneira nenhuma; talvez entre dezenas, e pode até ser que entre centenas de milhares, apenas se encontra um, e, ainda assim, em exemplares bastante fracos…

Após ter pronunciado essas palavras tornou a ficar perplexo e empalideceu; outra vez como que uma nova e terrível sensação de frio mortal lhe correu pela alma, de repente compreendeu claramente que acabara de dizer uma mentira horrível, que não só não teria mais oportunidade de falar com ninguém, como jamais teria de que nem com quem falar. Foi tão violenta a impressão que essa dolorosa idéia lhe causou que, por um momento, se esqueceu praticamente por completo de tudo, levantou-se do seu lugar e, sem olhar para ninguém, quase saiu do quarto.”

*
Folhear livros que alguém já tenha lido e uma sensação estranha e uma experiência única. Não sei bem quem leu antes de mim ou quantos leram o meu Crime e Castigo comprado num sebo na época de estudante. Ler é viajar através das palavras e quando o livro é usado, então, como diz um filme que fala de livros, é uma “Historia sem Fim“, queremos saber quem, quando, onde, e tudo o mais do livro e dos leitores anteriores, do autor, dos personagens, lugares… lemos e descobrimos novos encantos ao relermos.

K.R.

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Cisne Negro (Black Swan. 2010)

Não esperava outra coisa, que não fosse excelente, de um diretor do gabarito de Darren Aronofsky. Ainda muito jovem este é um dos iluminados do cinema, visto que desde Pi – seu filme de estreia – todos os seus trabalhos são clássicos do novo cinema (a título de curiosidade, no IMDB, seu pior filme tem a nota 7.4).

Logo já sabia que o filme seria algo melhor do que temos nos habituados a averiguar no cenário atual – onde remakes e continuações persistem num cinema que está ficando sem criatividade e a beira da falência. O que eu não sabia é que Cisne Negro era a principal obra de Aronofsky até o momento, candidato à melhor filme dos últimos anos.

Aronofsky demonstra ter habilidade de sobra para retratar os homens e seus demônios, parece conhecer como ninguém a loucura presente em cada um de nós, o grito contido na garganta e as consequências do sentimento reprimido. Como diria Gabriel Garcia Marques – “todo escritor sempre escreve o mesmo livro”, neste caso este diretor sempre dirige o mesmo filme, explorando cada vez mais a angústia do homem presente no mundo, assim como doenças da alma e do coração.

Uma breve sinopse: Cisne Negro é uma história que mostra a expectativa e o esforço da bailarina Nina em busca da apresentação perfeita para a estreia da nova montagem de O Lago dos Cisnes, balé composto em quatro partes pelo russo Tchaikovsky. Nina, já com 28 anos, sempre treinou arduamente para o papel principal, e agora que é selecionada, exerce uma enorme pressão em torno de si mesma.

Esta pressão faz com que Nina se torne uma mulher atormentada, perturbada e com mania de perseguição, que passa a ver coisas e imaginar situações que se confundem com o nível real. Logo Nina passa da breve pressão para ataques constantes de psicose e delírio pré-loucura. De certo modo, lembra muito o declínio de Raskólnikov, protagonista de Crime e Castigo, obra clássica de Fiódor Dostoiévski – tenho lá minhas dúvidas se o filme não foi influenciado pela literatura do escritor russo (coincidência ou não, existe um filme brasileiro chamado Nina que é baseado em Crime e Castigo).

O Cisne Negro permite uma série de análises complexas nos seus diferentes atos. É um filme que traz algumas fendas de reflexão que nos autorizam a mergulhar por horas em suas diretrizes distintas. Entre estes pontos podemos destacar a relação entre Nina e sua mãe, uma mulher protecionista que abdicou de sua carreira de bailarina, para cuidar de Nina – fruto de um relacionamento do que podemos classificar como “Uma Noite e Nada Mais”.

Nina pode ser vista como uma consequência de sua mãe (e não como uma filha ou uma cria): Nina é a oportunidade de sua mãe vingar-se como a continuidade da carreira de bailarina que foi “obrigada” a abandonar. Além disto, Nina é sempre vista como uma menina por sua mãe – o quarto decorado como uma menina de 12 anos, mais as regras e deveres impostos a protagonista, causam uma repressão e uma espécie de fúria contida, que traz graves sequelas posteriores.

Este relacionamento complexo entre mãe e filha corrobora ainda mais com minha teoria: nunca um escritor explorou tão bem a conturbada relação entre pais e filhos do que Dostoiéski, ilustrada tão perfeitamente em Os Irmãos Karamazov. Inclusive o ápice do delírio chega a um notável grau de semelhança entre o Cisne Negro e o livro. Deveras, os traços de influência estão lá, como se fossem easter eggs para os apreciadores do escritor russo.

Outro ponto de destaque é a conversão da menina ingênua, que é uma abstração do cisne branco, para a menina perversa, que nada mais é do que o cisne negro tão almejado. De fato, o cisne branco tem uma apresentação impecável, perfeita, onde devido aos traços inocentes da personalidade de Nina, não há dificuldade em preservar o papel. Entretanto o cisne negro peca em excesso: o cisne negro está muito distante de Nina e acaba por influenciar a sua apresentação.

Para que ela consiga chegar ao seu objetivo, há uma série de iniciativas provenientes principalmente de Thomas Leroy – o diretor da montagem – que tenta despertar o espírito malvado em Nina tão necessário para encarnar a personagem obscura do balé. Este dualidade entre o negro e branco desperta constantes desequilíbrios na protagonista, que chega a ter acessos esquizofrênicos durante boa parte do filme.

Por fim, não menos importante, é o relacionamento entre Nina e Lily, uma colega do balé que é personificação do próprio cisne negro. Lily é substituta direta de Nina, que vê em sua colega uma ameaça para o seu papel, o que acalenta ainda mais a pressão exercida por si mesma. Lily é o Gral de Nina, objeto de perseguição e obsessão. É para lá que Nina deve caminhar se quiser se tornar o cisne negro perfeito.

É neste clima que o filme se desenvolve. Não irei citar nenhum caso em específico para não diminuir a experiência daqueles que irão assistir. Entretanto é interessante guardar estes pontos em sua mente para que se possa criar uma posterior reflexão dissertativa, visto que possibilidades não faltam. Ademais, outros pontos, que não os apresentados neste texto, podem ser explorados. O filme é quase inesgotável.

Portanto Clint Eastwood que se cuide, pois está chegando Darren Aronofsky, um diretor da nova safra que ainda trará outras preciosas iguarias para o nosso cinema. Arrisco-me a dizer que no futuro ele será considerado o melhor de todos os tempos. Se continuar neste ritmo, o que eu disse não será nenhuma adivinhação, mas um fator lógico a ser considerado.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Nina (2004)

Este filme brasileiro, do cineasta Hélio Dhalia, que posteriormente nos trouxe uma outra obra muito interessante (O Cheiro do Ralo), traz em sua história uma livre adaptação do mais famoso romance de Fiódor DostoiévskiCrime e Castigo. Contextualizada com os dias atuais, num ambiente alternativo e underground paulista, Nina é a contraparte de Rodion Raskolnikov, uma jovem excêntrica e miserável que mal tem dinheiro para comer, muito menos para pagar o aluguel do quarto a qual vive. Com o atraso no pagamento, a velha mesquinha, proprietária do imóvel, a pressiona de todas as maneiras, chegando, inclusive, a racionar a comida de Nina, além de cobrar juros exorbitantes para cada dia que o pagamento deixa de ocorrer.

Nina, numa situação desesperadora, com fome, vivendo na miséria das ruas paulistas, utiliza-se de todos os recursos para adquirir algum dinheiro. Nas vezes em que consegue, a velha lhe tira tudo, sem demonstrar a menor piedade do estado precário da jovem – mesmo quando esta tenta lhe agradar. Com prazo final para efetuar o pagamento, Nina começa a declinar rumo a insanidade, sem saber o que fazer, sem poder sonhar com um futuro, com toda a pressão possível exercida em cima de si. Logo passa a idealizar, de forma inconsciente, o assassinato da proprietária de seu imóvel.

A velha decide, então, colocar o quarto de Nina para alugar e logo aparece um interessado, que faz pagamento adiantado. Nina observa toda a cena e entrar num estado eloquente, ainda pior do que se encontrava. Com os nervos a flor da pele, ela precisa agir. Da pior maneira possível, ela resolve o seu problema e assassina a velha mesquinha. Porém, o sentimento de culpa surge no mesmo momento, ainda mais quando o novo inquilino passa a bater na porta e não encontra a velha disponível para lhe receber.

Logo ela passa a delirar sobre um sentimento de constante perseguição. Acredita que todos desconfiam de si perante o crime. Logo Nina não conseguirá suportar sua própria existência mediante um sentimento de culpa incalculável. Ela sente a necessidade de pagar pelo ato cometido e sua consciência não lhe deixe em paz por um minuto sequer.

É dentro desta narrativa que encontramos os personagens sombrios de Nina. O movimento e a direção dá um tom extremamente desconfortável na película, o que ressalta a proposta do filme em demonstrar os sentimentos da protagonista. Tirando a personagem título, temos uma série de outros personagens marcantes e característicos, que reforçam ainda mais o teor da obra de Heitor Dhália.

Porém, ainda assim, Nina é um filme que transita em minhas sensações de forma negativa e positiva simultaneamente. Até agora não sei se gosto ou não do resultado final. Para melhor atestar a minha mensagem, fico feliz por um brasileiro, dentro do cenário nacional, trazer uma leitura cinematográfica para uma das melhores obras de literatura do mundo (sim, o terceiro mundo também lê Dostoiévski!), por outro lado a complexidade das personagens de Dostoiéski não se resolvem também quando transportados para a sétima arte.

A trama principal de Crime e Castigo, embora encurtada e adaptada, foi bem construida no roteiro de Nina. Porém quem já leu algo de Dostoévski sabe que o enredo principal é mero detalhe perto da grandiosidade de cada livro. O trunfo de Dostoiévski reside nas entrelinhas e nos conflitos psicológicos de cada personagem. Isto, obviamente, foi deixado de fora em Nina. Em Crime e Castigo temos personagens que são essências para que este se tornasse um dos mais respeitados livros da literatura e que foram totalmente abandonados nesta adaptação: como vislumbrar um releitura do livro sem equivalentes para Porfiry Petrovich e sua grande habilidade de dedução e persuação ou mesmo a irmã de Raskolnikóv? E o seu grande e fiel amigo Razumikhin, que desempenha papel tão importante? E o sacana Ludin? E pior, onde está Sônia – talvez a mais importante das personagens de apoio à Raskolnikóv?

Enfim, Nina faz bem aquilo que se propõe a fazer, porém a proposta não está a contento para os fãs de Dostoiéski. De alguma forma bebemos roteiro que não saceia a sede de literatura. Pela limitação do tempo em que uma história deve ser contada para os cinemas, entendemos o que Heitor Dhália fez com Nina (talvez seja por isto que ele não se atreveu a chamar o filme de Crime e Castigo, e nem mesmo diz que é uma adaptação, mas tão somente foi inspirado pela obra). Mesmo assim, por vezes penso que se é para ficar na retaguarda e não ser mais ousado (como Meirelles foi em Ensaio Sobre a Cegueira), melhor não filmar e deixar como está.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Nova York, Eu Te Amo

O filme Nova York, Eu Te Amo é uma colcha de retalhos sobre o projeto “franquia” seguindo o modelo de Paris, Eu Te Amo de 2006. São várias situações, várias histórias de amor e de encontros sob diferentes prismas, algumas confusas, outras nem tanto.

Trânsito caótico, pessoas brigando pelo mesmo táxi; a eterna questão do preconceito racial, a calma e a paz que a convivência na terceira idade traz; na passarela pessoas conhecidas no meio de anônimas. A selva de pedra, a Estátua da Liberdade imponente, um convite ao mundo para ela conhecer.

A miscigenação começa pelos onze contadores dos curtas-metragens; a maioria de nacionalidade não-americana. Há cineastas de origem indiana, japonesa, árabe, chinesa etc; pode-se constatar no final, nos créditos a pluralidade de países representados, exceto Brasil, ficou de fora desta vez como foi em Paris, Te Amo, representado por Walter Salles e faltando também de origem hispânica  para criar esse fantástico mosaico que a cidade representa.

Cada qual narrando uma história de amor, à sua versão para a mesma cidade; contando o encontro de todos os povos num só lugar. Uma das historias achei um tanto incompreensível, meio surrealista sobre uma diva que depois de anos volta a se hospedar no mesmo hotel e relembra de cenas que não se sabe exatamente o propósito.

O charme da burguesia e da 5ª Avenida; A ponte do Brooklyn e o centro financeiro de Manhattan; o revoar dos pássaros, diretores mostram os elementos que ligam aqueles que trabalham e circulam pelas ruas e avenidas, através de costumes, religiões, diversos sotaques, sinais fechados, pedestres, turistas…

O novo trabalho é assinado por diretores que foram escolhidos justamente por representarem o elemento de liga entre todos aqueles que circulam pelas ruas de Nova York à revelia de sobrenomes, raças, credos, nações e sotaques. O filme é arrumado e editado de tal forma que quase não se nota nessa versão nova-iorquina o limite entre um filme e outro, onde uma história termina e outra começa; não está evidente, e um personagem acaba transitando pelo espaço da próxima história.

Curtas para todos os gostos. Gostei da história do músico interpretado por Orlando Broom e por Christina Ricci; ela fazendo uma leitora assídua dos escritores russos, em especial Dostoievski, e o casal só se conhecia por telefone, até que um dia ela toma coragem e bate à sua porta.

Nova York, Eu te Amo é um filme de sentimentos e relacionamentos casuais ou não.

O próximo projeto está previsto para 2010, e será sobre uma cidade brasileira, ou melhor Rio, Eu Te Amo!

Sim, Rio, Eu te Amo! Uma declaração de amor.

Karenina Rostov

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Sinopse:

Na cidade que nunca dorme, o amor está sempre presente. Conexões humanas espontâneas, surpreendentes e eletrizantes criam um caleidoscópio que bombeia o coração da cidade. De Tribeca ao Brooklyn, passando pelo Central Park, pequenos contos dirigidos por dez realizadores de todas as partes do mundo exploram os cinco cantos de Nova York, compondo um retrato complexo e apaixonante de seu rico universo urbano.

Cast.

Biografia do diretor:

– Jiang Wen nasceu em 1963, na China.

– Mira Nair nasceu em 1957, na Índia.

– Shunji Iwai nasceu em 1963, no Japão.

– Yvan Attal nasceu em 1965, em Israel, mas cresceu na França.

– Brett Ratner nasceu em 1969, nos EUA.

– Allen Hughes nasceu em 1972, nos EUA.

– Shekhar Khapur nasceu em 1945, na Índia.

– Natalie Portman nasceu em 1981, em Israel, mas cresceu nos EUA.

– Fatih Akin nasceu em 1973, na Alemanha.

– Joshua Marston nasceu em 1968, nos EUA.

– Randall Balsmeyer nasceu nos EUA.

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Nova York, Eu Te Amo faz parte do projeto concebido pelos produtores franceses Emmanuel Benbihy e Marina Grasic. A ideia é convidar vários cineastas a fim de dirigirem histórias que se passam numa cidade. Paris, Eu Te Amo (2006) foi o primeiro filme da série e o próximo, Rio, Eu Te Amo será filmado na cidade brasileira, com estreia prevista para 2011.

Os produtores propuseram aos cineastas convidados que filmassem em 24 horas, editassem em uma semana e mostrassem as características marcantes de cada local da cidade onde filmaram. Por isso, Nova York, Eu Te Amo tem muitas cenas rodadas nas particulares ruas de Nova York. Diferentemente de Paris, Eu Te Amo, que tinha segmentos bem distintos, preservando de uma forma bem clara a identidade de cada diretor, este segundo filme do projeto soa mais como um longa sobre pessoas que vivem em Nova York do que uma união de curtas-metragens, como ocorria na produção sobre a cidade francesa.

Há Tanto Tempo que te Amo (Il y a longtemps que je t’aime. 2008)

Ha Tanto Tempo Que Te AmoPhilippe Claudel estréia na direção em grande estilo. Kristin Scott Thomas é Juliette, que sai da prisão após cumprir pena por um crime terrível e se hospeda na casa da irmã criando um certo conflito na harmonia da família.

Il y a longtemps que je t’aime” – que também é a letra da canção que pontua o filme – contém um saboroso desfile de interpretações exímias (incluindo a engraçada menininha vietnamita que ajuda a amenizar a amargura da estória e parece ter nascido para brilhar na tela grande) e sequencias muito naturais e bem filmadas como as da festa no campo.

O roteiro interessante mantém a atenção de quem vê este curioso jogo de crime, culpa, castigo e julgamento. Dostoievski aqui não é citado à toa.

Carlos Henry