Killer Joe – Matador de Aluguel (2011)

Killer-Joe-Matador-de-Aluguel_2011Diante de uma dívida atroz, um jovem traficante de drogas propõe à família decadente, desajustada e desunida que a própria mãe seja morta para ganhar e repartir o dinheiro do seguro em nome da irmã Dottie, que apesar de levemente perturbada, destaca-se dos demais pela delicadeza e sensibilidade. O matador de aluguel e detetive da polícia Joe é chamado nesse ambiente cruel para fazer o trabalho sujo e depara-se com uma situação nova e inesperada.

Faz muito tempo que William Friedkin não faz coisa que preste. Depois de pérolas e clássicos como “O Exorcista” “Operação França” e “Parceiros da Noite”, o diretor desandou a carreira com atrocidades do quilate de “Jade” e “Possuídos”. Curiosamente, o mesmo Tracy Letts que escreveu esta última bobagem citada (Bugs) é também o autor da peça e do roteiro que originou Killer Joe.

No mesmo caminho, William também começa a acertar a mão neste século, com esta adaptação muito bem sucedida que nos remete aos filmes sanguinolentos de vingança dos anos 80 ou mesmo aos atuais exageros Tarantinescos. Na verdade, Joe Killer é bem mais do que isso, com um roteiro ágil, interessante, apurado, sem buracos e, melhor de tudo, fácil de acompanhar. Para desenvolver a estória, William optou por uma direção seca e sem novidades com ênfase aos ótimos personagens defendidos por um elenco afiado, onde todos se destacam, especialmente a doce Juno (Dottie) Temple e o atlético e frio Matthew (Joe) McConaughey, exibindo os talentos e os corpos para deleite da plateia. Gina Gershon também fica peladinha e brilha como Sharla, a madrasta sem escrúpulos. Emile Hirsch é Chris, o pequeno delinquente e Thomas Haden Church interpreta Ansel, o patriarca que completa uma linhagem apodrecida e desmoronada.

A trama engenhosa corre fluente em meio a muitas cenas de ultra violência com toques de humor nigérrimo, nudez sem pudores e sexo pesado que inclui uma inacreditável e desconcertante felação à base de frango frito da KFC.

Se a ousadia da produção como um todo é o ponto alto do filme, o desfecho aberto pode frustrar um pouco parte da audiência, ávida por um justo e completo acerto de contas. Ainda assim, “Killer Joe – Matador de Aluguel“é um filmaço e merece ser visto.

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Selvagens (Savages. 2012)

Tempos atrás, uma famosa crítica americana declarou estar aliviada no momento de sua aposentadoria por nunca mais ser obrigada a ver um filme de Oliver Stone. Ela tinha razão, pois embora o diretor tenha inegável talento, seus filmes costumam ser longos e chatos. Até mesmo seus melhores trabalhos como “Assassinos por natureza” são difíceis de ser suportados por mais de uma vez de exibição.

O filme se passa na ensolarada Califórnia, onde Ophelia (Blake Lively) divide a cama e os frutos de uma rentável plantação de maconha “da boa” com uma dupla de rapazes musculosos: Ben (Aaron Johnson) e seu melhor amigo Chon (Taylor Kitsch). O lucro fabuloso dos jovens traficantes chama a atenção de uma milícia criminosa comandada por uma mexicana durona.

Conforme esperado, no caso de “Savages” as imagens são bem enquadradas, a fotografia primorosa, o som espetacular, tudo certinho como manda o figurino. Até o trio de atores amantes ligados ao comércio de entorpecentes ilegais é tão perfeito e belo que chega a enjoar.

Como o filme não tem muito foco e vários núcleos, a dispersão é natural. Na segunda metade, a coisa toda se agrava irreversivelmente. Numa sarabanda pasteurizada de acontecimentos atropelados, o que não falta são cenas patéticas como a do jantar de Ophelia com seu algoz, a malvada rainha do pó ou a sequência final quando a maior parte do elenco se reúne no deserto para um confronto inexato com direito a duas versões do desfecho sangrento. Não consegue excitar nas mornas cenas de sexo onde a mulher aparece sempre com muita roupa, nem chocar apesar de pretender ser ultraviolento, ou seja, fica difícil acompanhar a trama sem dar uma olhadinha no relógio mesmo quando a pintura de Sir John Everett Millais (Já melhor utilizada como referência em outros filmes) surge na toca do bando de traficantes. Seria uma homenagem inacreditável do grupo de criminosos para receber a bela refém Ophelia?

A alardeada e pequena participação do ótimo John Travolta como um agente federal corrupto também não merece grande destaque. A boa interpretação do astro não consegue salvar este desastre que no fundo é mera apologia às drogas feita por alguém notoriamente adepto a elas, em todos os sentidos.

Na Natureza Selvagem. Em busca da liberdade!

Por Reinaldo Matheus Glioche
O livro reportagem sobre a vida do jovem Christopher McCandless sempre fascinou Sean Penn que, finalmente, transformou o livro em filme. Na natureza selvagem (Into the Wild, EUA 2007) é um filme apaixonado. Comprometido com a idéia de jogar luz sobre a história do jovem que após se formar em uma prestigiada universidade abandona a civilização para uma viagem sem volta rumo ao Alasca, Penn evita o paternalismo tão caro a produções que se esmeram em fatos reais e recentes.

O diretor oxigena a jornada de Chris(Emile Hirsh) que se rebatizou com o libertário nome de Alexander Supertramp, com a bela música de Eddie Vedder. A trilha sonora realizada pelo líder do Pearl Jam é de uma suavidade e sensibilidade ímpares. É ela que conecta o expectador ao estado de espírito do protagonista. É sem dúvida alguma, um valioso uso da trilha sonora como elemento narrativo.

Penn também mostrou discernimento na escolha do elenco. Emile Hirsch apresenta uma performance devotada como o jovem inconformado que parte para a grande aventura de sua vida. Penn escala grandes atores para cruzar o caminho de Chris, mas o grande destaque recaí sobre Hal Harbrook. O veterano ator é o último personagem a se cruzar com Chris e é também o mais poderoso de todos. Harbrook vive um homem soterrado em sua dor. Que vê em Chris, por mais de uma razão, a força redentora dessa dor.

Na natureza selvagem não é um filme memorável. Talvez seu aspecto lúdico, sua introspecção, sua moral evasiva desviem qualquer avaliação de seu foco. Mas é justamente esse o filme imaginado por Penn. Um filme que não só falasse da busca pela liberdade, mas que a emulasse em cada fotograma. Do ponto de vista da realização, Na natureza selvagem é um triunfo. Enquanto experiência visual é riquíssimo. Sonoramente é estimulante, no entanto, é como  se o todo não fizesse jus as partes. Como diria um personagem: “O importante não é o destino, é a jornada”.

Na Natureza Selvagem (Into The Wild)

into the wild

Apontar algumas noções de Antropologia agora não será um desperdício. Um animal homem sozinho não tem a força de vários animais homens reunidos; isso é óbvio. Não se torna difícil perceber que uma sociedade é composta por vários homens afim de se defenderem de uma natureza dita selvagem. Isso é o bê-a-bá da Antropologia Sócio-Cultural. As chances de um animal homem (que é animal social assim como as formigas, cupins, leões, macacos etc) sobreviver à selva sozinho se torna mínima. O Homo sapiens precisa de “calor humano” para dividir a força-tarefa e para aumentá-la. Um paradoxo inegável no mundo social.

O filme mostra as etapas de um rapaz que decide experimentar a liberdade longe do social e em contato apenas com a natureza mais rústica. Pra isso, ele muda seu nome e desaparece de sua família de origem. Assim, vai viver sem raízes, criando suas próprias origens e referências.

Entende que o poder e o dinheiro são apenas ilusões que prendem o homem na matéria, o ilude em um máximo torpor. E vive assim, como um ‘Supertramp’… um dia de cada vez.

No entanto, seus planos para buscar a liberdade e a felicidade são audaciosos demais… pois foge ao caráter instintual do homem: o convívio com outros homens. Fugir a isso é tentador, mas é negar a própria natureza.

Um paradoxo confuso, por sua vez. Pois o homem não é uma ilha, e ainda que se ilhe interiormente (conheço vários assim), exteriormente necessita de uma comunidade para sobreviver à própria vida. A natureza não tem piedade… e nós fazemos parte da natureza.

Essa obra requer uma certa paciência pois é um “Naufrágio” consensual. (quem viu Náufrago entenderá essa minha colocação).

Diria, inclusive, que a idéia não passou de um suicídio ilusório… Pois onde há liberdade? também quero saber!

Por: Vampira Olímpia (com apoio e colaboração textual de Deusa Circe).

Into the Wild – Na Natureza Selvagem

Direção: Sean Penn

Gênero: Drama

EUA – 2007

Curiosidades retiradas do site Adoro Cinema:
– Sean Penn aguardou 10 anos para rodar Na Natureza Selvagem, pois queria ter a certeza da aprovação da família McCandless para que o filme fosse realizado.
– Sean Penn chegou a fazer um teste com Leonardo DiCaprio, quando teve interesse em rodar Na Natureza Selvagem pela 1ª vez.
– Daveigh Chase fez testes para a personagem Tracy, mas foi preterida por Kristen Stewart.
– Brian Dierker foi inicialmente contratado como consultor para as cenas de rafting do filme. Foi Emile Hirsch quem sugeriu a Sean Penn que o escalasse como o personagem Rainey.
– Emile Hirsch perdeu 18 quilos para seu personagem em Na Natureza Selvagem.
– Foi inteiramente rodado em locações.
– Nenhum dublê foi usado nas cenas de Emile Hirsch em Na Natureza Selvagem.
– Foram necessárias 4 viagens ao Alasca, em diferentes épocas do ano, para a gravação de cenas.
– O orçamento de Na Natureza Selvagem foi de US$ 15 milhões.

Milk – A Voz da Igualdade (2008)

milk_movieAinda não assisti o filme que levou o Brad Pitt a ser indicado ao Oscar, me falta tempo, mas Sean Penn com certeza era mesmo um páreo duro pra ele como Harvey Milk.

Harvey foi um ativista das causas Homossexuais na Política Americana da década de 70; tornou-se, portanto, o primeiro homossexual a ter um cargo importante nos EUA.

O filme retrata essa trajetória de um homossexual que consegue centralizar tanto o povo quanto a Política num único bem comum. À parte do ativismo, se é que há como separar essas instâncias, mostra a vida dele íntima com seu companheiro Scottie, a falência de uma relação pelos motivos de sempre: ausências, falta de atenção etc.

Eu entendo esse filme como “extremamente Shakespeariano”: a tragédia é um fato diante das obscuridades que movem o ser humano.

Nada mais humano do que a inveja e o ciúmes…

Por: Vampira Olímpia.

Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Gênero: Drama, Política

EUA – 2008

MILK – A Voz da Igualdade (2008)

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Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiro não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção.

Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.Até ver o filme eu nem ‘sonhava’ com Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em armários ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.   

milk_james-franco-and-sean-pennMilk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região que vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que uma hétero…  Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.

Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não  gostar de carnaval… Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.

milk_06Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt  (James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada  num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível! 

Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho – e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!  

No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.

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 Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

 Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

 Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média…Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade,  utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!

05_13_nicoletta1Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade. O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união  entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008,  nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.” A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

 Por: Rozzi Brasil.  Blog: Crônicas Urbanas.

MILK – A Voz da Igualdade (MILK). 2008. EUA. Direção: Gus Van Sant. Elenco: Sean Penn (Harvey Milk), Josh Brolin (Dan White), Emile Hirsch (Cleve Jones), James Franco (Scott Smith). Gênero: Biografia, Drama, Romance. Duração: 128 minutos.