Trabalho Sujo (Sunshine Cleaning. 2008)

trabalho-sujo_2008Por Robert Vonnegut.
Filmes sobre fracassados (losers*) são muito comuns no cinema, e a maior parte segue a receita básica: o personagem é um fracassado que traz dentro de si algo que o habilita a uma redenção. Até John Lennon foi recentemente encaixado neste clichê em Nowhere Boy.

Sunshine Cleaning, lançado aqui como Trabalho Sujo, conta a estória de duas losers da melhor espécie, as irmãs Rose e Norah Lorkowsky, que não se deram bem no trabalho nem na vida amorosa. Um dos trunfos do filme foi a escolha das atrizes, excelentes. Amy Adams mais uma vez transforma sua personagem em uma irresistível fofura – mesmo nas cenas que carregam um tanto de erotismo. Emily Blunt dá vida a uma complicada Norah, tumultuada, conflitada – quase o oposto da irmã toda metida a certinha; e prova mais uma vez que sabe fazer o papel de americana, algo não trivial para uma atriz londrina.

trabalho-sujo_2008_01Rose e Norah estão cercadas de outros fracassados: o pai, interpretado por Alan Arkin, cheio de ideias como todo loser que se preza, o filho intratável, e por aí vai. E levam o filme fazendo tudo dar sutilmente errado.

O roteiro de Trabalho Sujo conta uma estória interessante, revelando os personagens pouco a pouco, deixando os pequenos desastres acontecerem bem na nossa cara, introduzindo uma surpresa aqui e ali. Consegue, ainda, que o famoso final feliz chegue sem que ninguém tenha que deixar de ser loser. Nada de redenção, somente um momento de loser heaven.

Um filme simples, despretensioso, delicioso. Até faz rir mas não vá esperando a comédia que o poster do filme insinua.

[*] as legendagens de filme costumam traduzir loser, literalmente, por perdedor; eu prefiro traduzir por fracassado, que tem a mesma “aura” da expressão original.

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No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow. 2014)

no-limite-do-amanha_2014Por Marcos Vieira.
Você já viu No Limite do Amanhã muitas vezes, mas graças a um roteiro relativamente inteligente, uma direção um tanto ousada e a típica dedicação de Tom Cruise, vale a pena ver de novo. Adicione a isso ótimas sequências de ação, um pouco de humor negro (ótimo filme pra quem quiser ver Tom Cruise sendo friamente executado repetidas vezes) e um ritmo bem acelerado, que nunca deixa o filme cair na mesmice.

emily-blunt_no-limite-do-amanhaEssa última característica é bem relevante dada a premissa básica da história: no momento decisivo de uma terrível guerra entre a humanidade e uma raça de alienígenas invasores de mundos (clichê, -1 ponto), um arrogante e covarde publicitário do exército é jogado no fronte desse conflito e passa a reviver o mesmo dia repetidas vezes (clichê, -1). Nesse dia decisivo, a humanidade é completamente derrotada. Essa poderia ser a história dele tentando convencer as pessoas ao seu redor do que vai acontecer, mas essa parte passa rapidamente (clichê evitado, +1) e logo ele entra em contato com uma poderosa aliada: a respeitada e famosa heroína de guerra interpretada por Emily Blunt, uma mulher forte, decidida e marcada pelo conflito (clichê evitado, +1). Até aqui, nada realmente novo, mas é na dinâmica da narrativa que temos as novidades. Ao invés de focar nas diferentes versões dos mesmos acontecimentos do dia, a narrativa mostra apenas as diferenças relevantes para o avanço da história e vai cuidadosamente mostrando momentos que não haviam sido mostrados no dia original (clichê evitado, +1). Isso ajuda a história a manter um bom ritmo e mantém o espectador interessado no que vai acontecer/ser mostrado a seguir. Em outras palavras, o recurso narrativo do “dia que se repete” é utilizado de uma maneira bem mais interessante do que se espera de um blockbuster, evitando insultar a inteligência do espectador (clichê evitado, +1). No mais, vale ressaltar o caos e a intensidade das cenas da batalha decisiva, que são claramente influenciadas pela Invasão da Normandia no Dia D da Segunda Guerra Mundial. Os combates entre os humanos, que usam poderosos exoesqueletos, e as velozes e aterrorizantes criaturas são responsáveis por algumas das melhores cenas de ação do filme.

Tom-Cruise_limite-do-amanhaQuando você já está acostumado com esse divertido ritmo e apenas espera que o protagonista descubra algum super ponto fraco das criaturas para encerrar o filme, alguns plot twists são bem utilizados para colocar a missão em uma nova rota e a coisa toda fica bem mais arriscada, interessante e imprevisível. Uma das surpresas é a utilização de alguns dos elementos secundários da trama no ato final, tornando-os vitais para o sucesso da missão e mudando completamente o estilo da narrativa, que fica mais honesta e desesperadora, levando todos os envolvidos aos seus limites. Levar sua personagem aos seus limites físicos e mentais é algo que Tom Cruise faz na maioria de seus filmes, o que acaba ficando cômico na maioria das vezes. Aqui, o grau de comprometimento de todas personagens faz com que realmente nos importemos com os sacrifícios que eles fazem e o sucesso da missão. Mesmo a típica transição do protagonista, que de um arrogante burocrata se torna um verdadeiro herói de guerra, é apresentada de forma convincente pelo ator (clichê bem gerenciado, neutro).

Por fim, se você ainda está traumatizado por Oblivion, pode assistir esse sem medo. É bom aproveitar, pois não é sempre que Tom Cruise faz um tão bom.

★★★★☆

Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen. 2011)

No meio desse caminho não tinha somente pedras…

Há uma certa magia em “Salmon Fishing in the Yemen” por nos levar como numa das histórias das 1001 Noites. Mas de uma que ultrapassou fronteiras pois foi buscar parte dela em Londres; numa globolização bem atual. Começa por alguém que acreditou num sonho impossível. Ou “fundamentalmente inviável” como rebateu um outro personagem, mas que depois embarcou nessa jornada. Com isso, o filme tem como pano de fundo a visão de dois homens: de um grande sonhador com outro bem pé-no-chão. Ambos, inconscientemente, ajudarão o outro a saber lidar com o que o outro é em si próprios. A conciliarem o pensamento com o sentimento. A racionalizar uma paixão. Mas de uma paixão por peixes, e no caso, por salmão.

Com isso, o título dado no Brasil – “Amor Impossível” -, pode afastar muitos por acharem que se trata de um Romance como tema principal; levando-os a perderem um ótimo filme. E eu diria que esse é o único pecado: o de venderem o filme como uma Comédia Romântica. Título e até cartaz do filme apontam para isso. O Romance em si é um componente, já que a personagem feminina, Harriet (Emily Blunt), tem um papel mais importante na vida dos dois personagens masculinos. Já falo deles. Pois ainda quero ressaltar que o filme foca muito mais no Drama que os dois homens passarão, mas contado com um humor bem refinado; um humor inglês.

Além de Harriet, há uma outra personagem feminina que mostra o quanto ela é camaleônica. Que além de papéis dramáticos, faz humor elegantemente. A sempre ótima Kristin Scott Thomas. Se a personagem Harriet foi a isca, a da Kristin foi o anzol. A que uniu de vez os dois pescadores, por ter como pressionar um deles. Uma sim encontra-se em tentar definir o lado pessoal, e amoroso. Já a outra, no momento, pende mais para a carreira profissional do que a familiar. Há ainda uma terceira personagem feminina, vivida pela atriz Rachael Stirling, que acha que detém o controle em seu relacionamento, se dedicando mais a carreira. As três terão suas vidas alteradas por esses dois cavalheiros.

E quem seria esses dois personagens tão cativantes?

Um deles é muito racional, e terá que aprender a lidar com a porção emotiva; o tímido desabrochando. Já o outro muito extrovertido, que se deixa levar pelo sentimento. E é um desejo seu que será a mola de toda a trama. Por querer realizar a qualquer custo, e sem a análise fria e calculada do outro, mas que pelos percalços, terá que aprender a racionalizar sua vontade. Dinheiro não lhe falta. Dando muito trabalho ao outro em mostrar que seu sonho será possível. Cada um deles terá que tentar equilibrar em si mesmo: razão e emoção.

Clichê ou não, e até fora da ficção, passam a ideia que o introvertido padece mais que o extrovertido para vivenciar uma emoção. Numa liberdade total cujos grilhões fora ele mesmo que criou. Talvez  por conta disso pendeu para o personagem de Ewan McGregor ser o protagonista dessa história. Daí apresentarem o filme como romance. Mas ora bolas! Amar não se fecha em por uma pessoa. Alguém muito fechado, muito voltado para as coisas práticas, onde espera que tudo tenha uma finalidade, pode, por exemplo, não entender em alguém ficar horas em silêncio para pescar um peixe e depois devolvê-lo ao seu habitat. Menos ainda, em ver nisso uma conversa com o Altíssimo. O que nos leva a outra ponta. De que se passa a ideia de que o extrovertido não vivencia o drama em dar coerência naquilo que faz. Que leva tudo na brincadeira. Cabendo a Amr Waked fazer o Sheikh Muhammed. Um idealista, que ao levar esse pequeno prazer para a sua terra natal, o faz também por uma religiosidade. Pois vê como um momento de meditação quando está pescando salmão.

Além disso o filme traz o jogo político onde as fichas parecem estar todas marcadas. Quem faz essa ponte é Patricia Maxwell (Kristin Scott-Thomas), assessora do Primeiro Ministro inglês. Pois vê nesse desejo do Sheik um jeito de amenizar a imagem da Inglaterra com os países do Oriente Médio, além da imagem desse político em solo britânico. Se de um lado há o dinheiro pagando alto por um sonho, de outro há o interesse político por um poder semelhante. Só que nesse filme fica mais na comicidade. Querendo ver um lado mais dramático desse profissional – assessor de imprensa de político -, deixo a sugestão do “Tudo Pelo Poder“.

Então é isso! Um filme de se acompanhar com brilhos nos olhos. Não apenas para os amantes de pescaria, mas principalmente para os que possuem um forte lado aventureiro. Cenários deslumbrantes. Trilha Sonora que nos embala no desenrolar dessa história. Aplaudindo também o Diretor Lasse Hallström que pela junção de tudo e todos fez um filme que vale muito a pena ver e rever.

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Impossível (Salmon Fishing in the Yemen. 2011). Reino Unido. Direção: Lasse Hallström. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 107 minutos. Classificação etária: 12 anos. Baseado no livro homônimo de Paul Torday.

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau). 2011

O destino, como os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho.” Machado de Assis.
Os Agentes do Destino é mais um filme que me chamou a atenção pelo argumento inteligente, misterioso e instigante. Uma mistura de romance, religião, filosofia, aventura, misticismo e ficção-científica, tudo na dose exata. É baseado no conto The Adjustment Team, de Philip K. Dick com roteiro e direção de George Nolfi e já bastante cotado para se tornar um clássico moderno.

O filme conta a história do político David Norris candidato ao Senado interpretado pelo ótimo Matt Damon, fazendo campanha eleitoral pelos cantos da cidade, e que casualmente conhece dentro do banheiro masculino a simpática Elise Sellas, uma bailarina vivida pela atriz Emily Blunt, pela qual se apaixona. Só que a partir daí coisas estranhas começam a acontecer: o destino, literalmente, entra em ação, pregando-lhe uma peça, manipulando a todo custo a história de amor que mal está começando, a fim de que a mesma cumpra o seu destino, não se alterando pela livre escolha conforme o escrito no livro da vida de cada um, e que a união do casal não se concretize.

É aí que entra o genial da história: a religião e a ficção caminhando sutilmente juntos, se mesclando e fazendo crer que o destino está mesmo escrito, e no mundo é representado por um grupo de homens trajando paletó, gravata e chapéu, cuidando para que nada atrapalhe ou mude o já traçado, itinerário do casal. O grupo procura estabelecer regras ao congressista para que nada seja alterado em sua vida predeterminada, nem mesmo a religião para se meter ou ditar normas no que diz respeito ao livre-arbítrio; a sua musa seguindo carreira profissional de bailarina de sucesso e ele como político podendo chegar a presidente da república.

Os “agentes do destino” estão em todos os lugares e deveriam se portar como seres invisíveis agindo para que a sorte de cada um se cumpra, só que, por uma fatalidade do próprio destino do protagonista, o candidato ao Senado, é que  ele consegue ver esses seres por todos os cantos, e assim descobre que não pode manipular ou mudar o já traçado para si, isto é, Elise não deveria fazer parte de seus planos, de sua vida, e ele não poderia voltar a encontrá-la. Mas David reencontra sua amada Elise dentro de um ônibus, porque um dos agentes dormiu no ponto e deixou isso acontecer, alterando o destino de ambos. A partir daí, esses agentes passaram a ter mais cuidado e David perdeu o contato com sua amada por três anos, até que um dia, pela sua força de vontade, a reencontra na rua, entrando aqui a ação do livre-arbítrio.

O ponto culminante deste filme  é a perseguição ao casal pelos agentes por toda Nova Iorque usando os portais como atalho para que fugisse desse destino para eles traçado, e brinca com a percepção dos espaços de Manhattan, passando de maneira genial de um corredor apertado para o imenso estádio dos Yankees, a Estátua da Liberdade, as largas avenidas e outros pontos turísticos nos brindando com ótimas imagens. Eis um contraponto, uma singular releitura do filme Monstros S.A., um imensa fábrica de sustos existente que constrói inúmeros portais que levam os monstros para os quartos das crianças.

O veterano e charmoso ator Terence Stamp dá um tom especial ao filme, agindo como o chefão do grupo. Outro ator de destaque neste filme é Anthony Makie que ficou bem conhecido pela sua ótima atuação em Guerra ao Terror. Makie atuando como o agente Harry Mitchell dividido entre seu trabalho e seus sentimentos de solidariedade, e no ponto de virada ajudando o casal a tornar o relacionamento e esta história em ‘happy end’.  “Tudo deve seguir de acordo com o plano” o plano desses agentes é que  “não pode fugir do teu destino”.

E quanto ao livre-arbítrio? Bem, como é um assunto, digamos, de cunho religioso, comento aqui apenas como forma de ilustrar a história do filme.

O destino do homem já vem traçado ou é ele é que faz? E quanto ao livre-arbítrio? Assunto polêmico, não? Bem… bem explorado neste argumento. Digamos que o destino de Judas seria trair o filho de Deus com um beijo, e ele se quisesse poderia optar não ter feito isso, teria o livre-arbítrio; a prova disso é o seu arrependimento; Diversos textos bíblicos provam que o ser humano possui a liberdade de escolha. A Bíblia diz que o homem possui certa “liberdade” de escolha, mas não específica o quanto ele tem de livre-arbítrio. O livro sagrado está recheado de citações que confirma o tema livre-arbítrio, como, por exemplo em:

Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém abrir…”.
João 6: 37: “O que vem a mim não o lançarei fora…”.
Isaías 28:12: “ao qual disse: Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir”.
Mateus 25:45: “Então lhes responderá: Em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes pequeninos, a mim o deixastes de fazer”.

Independentemente dos assuntos polêmicos abordados na história, vale a pena conferir este romance pela ótima direção, fotografia, atuações e locações.

Bem, agora é com você que tem o livre-arbítrio de escolher assistir ou não a este filme delicioso filme!
Karenina Rostov

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau). 2011

Se a sua pipoca termina logo no início da sessão, compre duas. Ou três. Isso se for muito fã do Matt Damon, como eu sou do Bruce Willis: assistimos qualquer filme que eles estão no elenco. Mas esse, o que me levou a assistir nem foi o elenco e sim uma frase da sinopse: “Quem controla o seu destino?

Pontos negativos!

O filme por um todo. Porque o alongaram demais esse filme. Ok! Avancei na fita. Rebobinando a minha ora a perplexidade, ora “E a minha pipoca acabou!“. No início do filme cheguei a pensar: “Ah tá! Se é uma Sci-Fi porque não! Ele vai voltar no tempo, ver onde errou, e então ganhar a Eleição para Senador pelo Estado de Nova Iorque.” Mas quando os tais agentes entram em cena, vi que não era nada disso. Não era uma volta ao passado, mas sim… Ops! Deixarei esse spoiler para depois. Até porque é um ponto a favor desse filme.

O Romance!

Após perder o Senado, David Norris (Matt Damon) perde três anos da vida dele pensando num amor que nem chegou a ter. Um encontro de pouquíssimos minutos com Elise (Emily Blunt) o deixara apaixonado. Ok! Eu acredito em amor à primeira vista, mas daí perder a vontade política, fica mais difícil de acreditar. O cara não fez nada nem para o colegiado onde liderou os votos: o Brooklyn. Faltou colocarem ele numa de: “Mal-me-quer, bem-me-quer…

Três anos depois, eles voltam a se encontrar…

Graças, a um-Coelho-de-Alice-às-avessas!

Ele é Harry (Anthony Mackie), um afro-americano. Gente! Não estou sendo preconceituosa. Mas eu disse: está no “às avessas“. Ele até tenta correr, mas porque cochilara. Foram segundos que alteraram o destino já traçado. Meio que “Efeito Borboleta“.

A Virada do Destino!

Então, dai achei que com o Romance a história iria ganhar um pouco de emoção. Meio que: “a Cinderela precisa sair do baile(t) à meia-noite“. David vai até o Brooklyn pedir votos para uma nova tentativa ao Senado. De lá, tenta burlar a vigilância dos tais agentes para estar com Elise. E a história cai num tédio. De querer avançar o filme.

Já comentei em outros textos que não precisam alongar um filme para se contar uma boa história. Não li o Conto onde o filme foi baseado. Meio ufanista, a la tio sam. Se enxugassem uns 15 minutos, de um mediano-sessão-da-tarde, passaria a um bom-sessão-da-tarde.

O Mito do Herói!

David -> órfão -> toma para si um ideal paterno -> tendo dois desafios: proteger a amada e tentar reverter uma cadeia de lobotomia parcial a sua volta. E quem estaria com esse controle maior nessa Matrix? O tiro de misericórdia que o atinge em cheio veio por um agente do alto escalão, Thompson (Terence Stamp). Fazendo David recuar.

A ajuda nessa sua missão!

Um Herói recebe ajuda pelo caminho. Por vezes, um anjo da guarda cochila, mas mais a frente, ele tenta pelo menos mostrar uma saída. É quando David descobre o ponto fraco de seus oponentes: o chapéu. Como também que a água será o seu escudo.

O que se tem a destacar!

O que salva o filme de um fracasso total foi a química com a dupla Damon e Blunt. Num Gênero Romance isso é bem relevante. Outro ponto que embora não faça parte da história, seria quase um convite a visitar uma Nova Iorque comum, sem estar tão endeusada. E também a reflexão que fica, mas que também é um spoiler: “Tenho as chaves do meu destino!” Que somos nós que devemos escrever o livro da nossa vida.

Faltou a Georgi Nolfi uma assessoria de alguém da área Psico, por conta dos elementos simbólicos. O filme pendeu mais para “MIB”, o que o deixou mais em tom de burlesco.

Então, é isso: melhor esperar passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau). 2011. EUA. Direção e Roteiro: George Nolfi. +Elenco. Gênero: Romance, Sci-Fi, Thriller. Duração: 106 minutos. Baseado num conto de Philip K. Dick: The Adjustment Team.

O Diabo Veste Prada (2006). Ou: A Arte de Engolir Sapos

Quando criança somos levados a engolir o choro. Numa de frear mais que nossos impulsos, a nossa espontaneidade. Ali meio que sem saber discernir direito somos levados a saber que no mundo dos adultos há normas demais tolhendo em ser uma pessoa única. Tem mais! Já na fase adulta, e no tocante ao lado profissional da mulher. As cobranças são superiores as impostas aos homens. A nós, um pequeno vacilo toma proporções gigantescas. Não se constrói uma carreira sólida, e de respeitarem seu nome, tão fácil. E para se chegar lá, uma das coisas a se aprender é: de engolir sapos.

Assim, Miranda Priestly (Meryl Streep) não chegou ao topo fazendo concessões, relevando erros de membro da equipe, enfim não sendo “boazinha”. E por que? Era o seu nome que estaria na guilhotina. Seu nome, carreira, reputação e emprego. Se ela cobrava de si mesma total dedicação, também tinha o direito de cobrar também da sua equipe. Principalmente para o posto alcançado. Já que a Moda é algo que muda muito rápido. Com isso, seu cargo estava sempre em risco. Pois os acionistas da Runaway Magazine, como todos em geral, só visavam o lucro. A eles não interessavam toda a trajetória dela. Aliás, os estadunidenses possuem essa cultura do Mercado de Ações.

Miranda meio que se visualizou em início de carreira ao contratar a jovem Andrea “Andy” Sachs (Anne Hathaway). Mas mais pela autencidade da jovem. Em não ser mais uma mera cópia. Até porque para chegar onde chegou, Miranda tinha um talento nato. Andy que até então desconhecia esse mundo da Miranda termina se deixando seduzir. Perdendo até o que lhe era mais caro: namorado e amigos. E principalmente, o seu verdadeiro talento: o de escrever. Era o seu sonho: seguir a carreira de jornalista. Mas não de Moda, nem da Alta Costura. Mas sim das mazelas do dia a dia.

Até que descobre que esse não era o mundo que queria. Se teria que engolir sapos, que fosse no que queria seguir. Pois é algo que não escapamos. Sempre terá alguém que nos leve a engolir. Mas sem sombra de dúvida, nenhum com o charme de Meryl “Miranda” Streep. Ela é ótima! E Andy sabe que valeu a pena esse aprendizado. Ah! O personagem de Stanley Tucci, Nigel, também teve que engoli um dos grandes. Ele também é ótimo!

Um bom filme, até para rever. E a trilha sonora é ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada). 2006. EUA. Direção: David Frankel. Elenco: Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne Hathaway (Andrea “Andy” Sachs), Emily Blunt (Emily), Stanley Tucci (Nigel), Adrian Grenier (Nate), Tracie Thoms (Lilly), Rich Sommer (Doug), Gisele Bundchen (Serena), Heidi Klum (Heidi Klum), Valentino Garavani (Valentino Garavani). Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 109 minutos. Baseado em livro de Lauren Weisberger.