Série: “Mossad 101” (2015 – ). No fundo, especialistas em manipulação…

Mossad-101_serie-de-tvPor: Valéria Miguez (LELLA).
Em um universo maior de Filmes e Séries sobre serviços secretosFBI, CIA, Interpol, KGB… creio que com o de Israel figura mesmo dentro deles… Inclusive um dos episódios da 3ª Temporada de “The Blacklist” mostrou uma célula dele e de dentro dos Estados Unidos que com todo o aparato por lá no mínimo me fez pensar nas que teria em outras em outros países… O que aguçou ainda mais minha curiosidade em conhecer com mais detalhes sobre o famoso serviço secreto de Israel em “Mossad 101“. Nos moldes de “Quântico“… Essa Série também traz como ponto central um Curso de Formação de novos agentes, mas que também terá guerrinhas internas… Se pelas mãos dos instrutores eles tornarão-se especialistas em manipulação… Sobrará aulas para todos mais…

Nós operamos fora da lei… O que significa que temos que ser nossos próprios defensores, advogados de acusação e juízes…

Já de início temos alta cúpula do Mossad indo conhecer as novas instalações, tendo alguns da Diretoria se questionando pelos altos custos até com o novo prédio do treinamento… Onde serão apresentados aos três principais instrutores… A frente deles, o nada ortodoxo Yonna (Yehuda Levi), que lhes dá uma mostra do quanto irá valer a pena cada milhão gastos… Que por quem ele escolhe como “parceiro”, o agente aposentado Simon (Yehoram Gaon), é um conselheiro que leva alguns desses diretores a sentir penas dos recrutas… Além de Yonna e SimonAbigail (Liron Weismann), psicóloga, perfiladora… e como ex-mulher de Yonna adicionará questões extras na relação de ambos… Além do que ela foi colocada nesse grupo para tentar colocar freios nos métodos usados por Yonna… Enfim, recordando-os de alguns fracassos do Mossad… Lhes dão o aval de vez cientes que receberão os melhores agentes no final do curso…

Cada um deles estará pronto para mentir, enganar, trair e matar…

Mossad-101_primeira-temporadaQuanto aos aspirantes… Após uma grande festa de apresentação eles já se veem frente ao primeiro desafio: escapar a um cerco policial – já que foram dados como terroristas – e conseguirem chegar no portão da Central de Treinamento num horário marcado. Uma noite bem movimentada… Se protegendo ou em grupo ou individualmente… Até chegarem antes do portão se fechar… Onde então ficamos conhecendo um pouco de cada um deles…

Há biotipos variados: inclusive com alguns esteriótipos que reforçariam uma origem… Biofísicos também variados… Onde de um lado descartaria a ideia de ter que ser um agente a “la 007”: galã e corpo atlético. Muito embora a arte de sedução também faça parte do curso. Pois afinal irão aprender também a arte da manipulação… Onde também já nesse primeiro grande teste descartariam a de ter um corpo atlético não seria a única hipótese viável… Há variedades quanto a classes sociais: de ricos aos “assalariados”… Há faixas etárias diferentes… O que até reforçaria em já se trazer uma certa bagagem também contaria pontos… Ou não! Já que improvisação também faz parte desse jogo…

Entre os novos aspirantes a Agentes do Mossad, não há apenas israelenses, também há: – uma brasileira – que Yonna faz uma “piadinha” dela ser uma sobrevivente por ter sido criada numa favela do Rio; – um inglês onde é a vez de Abigail provocar Yonna colocando ambos com um “perfil” parecido; – dois americanos que por um Trailer levam junto a “própria” trilha sonora; além de uma russa; iraniano; francês…

A Série “Mossad 101” só está começando, mas já nos dois primeiros episódios deu para ver que tem muito a mostrar! Muita Ação, Suspense, Drama e Comédia no tom certo! Traçando uma radiografia também do lado humano e moral não apenas dos recrutas como dos que estão no comando deles. Abrindo um leque de interrogações também para quem assiste… Até onde iria esse serviço de “inteligência”?… Então é isso! E poderão acompanhar “Mossad 101” pelo canal TNT Séries, às terça-feira, no horário das 21h; com reprises nos finais de semana. Fica então a dica!

Série: Mossad 101 (HaMidrasha. 2015 / )
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Minissérie: The Honourable Woman (2014). Dentro do Conflito Israel-Palestina

The-Honourable-Woman_cartazPara um conflito de longa data onde há muitos mais interesses para que se perpetue do que chegar a uma solução definitiva qualquer passo na busca de um entendimento já seria de mais valia. Conflito esse que faz parte da História real e atual. Assim em meio até a uma liberdade de criação pelo autor em nos contar essa história o Diretor Hugo Blick, e que também assina o Roteiro, decidiu humanizar nos dando a visão feminina desse conflito, o da protagonista e de outras mais, como até por alguns personagens masculinos. Com todos eles vivenciando seus próprios dramas pessoais e aos que os ligam um aos outros e por esses longos anos da guerra de Israel contra a Palestina. E que é o pano de fundo da minissérie “The Honourable Woman“.

the-honourable-woman_maggie-gyllenhaalEm “The Honourable Woman” temos uma jovem britânica com raízes judia, ela é Nessa Stein. Personagem de Maggie Gyllenhaal que está se saindo bem na performance de uma inglesinha atrevida em adentrar num mundo que mata em vez de mandar recado. Mesmo assim Nessa investe seu tempo, seus recursos financeiros, e até colocando em risco sua própria vida como também dos seus entes queridos, pela causa Palestina. Onde ciente do campo minado que tem pela frente, tem como armas levar conhecimento a um povo oprimido até no direito de ir e vir. E o faz logo com a fortuna deixada por seu próprio pai. Ele fortificara Israel com morteiros, fuzis, tanques… Ele fora mais um a fazer de Israel um estado poderoso e insaciável.

Entre as maiores ameaças a Israel está a pobreza do povo palestino. O terror prospera na pobreza e morre em riqueza.”

The-Honourable-Woman_02Aos poucos vamos conhecendo essa mulher. Mesmo tendo presenciado o assassinato do próprio pai, ela e o irmão Ephra (Andrew Buchan) já adultos decidem dar uma guinada com o nome da família: ele não mais estaria escrito em armas. Com a fortuna criam então uma Empresa de Telecomunicações e uma Fundação com fins filantrópicos. Construindo Universidades, Escolas, Hospitais em territórios da Cisjordânia. Se os tentáculos dessa guerra em pleno Oriente Médio atravessa até oceanos… Os cabos da internet levaria muito mais do que conhecimento, pois levaria as vozes dessas pessoas ao mundo.

The-Honourable-Woman_01A outra personagem feminina relevante é Atika (Lubna Azabal) que a princípio serviu de tradutora para Nessa, mas indo parar de babá na casa de Ephran. Algo que causa estranheza em sua esposa, Rachel (Katherine Parkinson), mais ainda porque Ephran parece manter um segredo entre Nessa e Atika. No início da história o filho de Atika, Kasim, é sequestrado. E indicando que fora algo político.

The-Honourable-Woman_03As investigações começam até porque paralelo a isso um empresário palestino aparece morto. Justo o que ganhara a concorrência das Indústrias Stein para uma ampliação do cabos de fibra óptica. Uma morte com ares de suicídio, mas com indícios de assassinato. Pior! Com ordens superiores de não evoluírem nas investigações. Mas acontece que o responsável pela pasta Oriente Médio dentro do serviço secreto britânico é um agente um tanto quanto “certinho”: ele é Hugh Hayden-Hoyle. Personagem de Stephen Rea que vem roubando as cenas! Embora sua chefe tenha deixado tranquilo aos seus próprios superiores… ciente de quem é Hugh dá a ele acesso a pasta dos Stein. Sem pressa ele então segue com as investigações.

É o Oriente Médio. Os inimigos são o que você faz.

Há várias passagens de tempo, onde o passado ora volta para mostrar uma situação como uma peça de um intrincado quebra-cabeça, ora até elucidando um fato. Mas sobretudo abrindo um leque de tramas paralelas com muitos segredos a serem elucidados, ou não. Até porque “The Honourable Woman” vem para mostrar o que essa mulher está fazendo na tentativa de igualar o outro lado. Há uma fala onde ela mostra essa discrepância: que enquanto o PIB de Israel ultrapassou 220 bilhões de dólares, no mesmo período o somado pelos Territórios Palestinos mal chegara aos 4 bilhões de dólares. É a pobreza desse povo que ela e o irmão querem diminuir. Com isso, aumentando seus inimigos. “Em quem confiar?” é algo que ela se pergunta no início de cada episódio!

The-Honourable-Woman_04The Honourable Woman” nos coloca dentro de uma crise internacional. Que mesmo com tramas fictícias não deixa de ser uma aula de geopolítica. Com cenários pulando entre esses locais: Inglaterra, Israel, Palestina… Com também um intrincado jogo sombrio do “Quem ordenou?“. Que sendo uma produção da BBC deixa a curiosidade de que jogará com qual a “Inteligência” (Bureau) é a melhor. Há sim vilões até porque é uma guerra de grandes interesses! Numa mistura de Ação, Suspense, Drama, com uma pitada de Comédia, Romance tudo na dosagem certa. Num timing perfeito que nos mantém atentos. Nota 10!

Em oito episódios transmitidos aos sábados pelo canal TNT Séries. Fica a dica! Eu vou até querer rever quando começarem a reprisar!
Minissérie The Honourable Woman. 2014!
Ficha Técnica: na página no IMDb.

A Espiã Que Sabia de Menos (Spy. 2015)

a-espia-que-sabia-de-menos_2015_cartazFazer uma paródia e de filmes do tipo James Bond pode até soar redundância. Porque convenhamos, o cara retirar uma roupa de mergulhador e por baixo já estar com um smoking impecavelmente alisado, é nonsense puro. Ou mesmo quando o 007 mergulha de um penhasco e consegue entrar num avião que despencara antes dele e sair pilotando numa boa. Com isso o Diretor Paul Feig já tinha diante de si um prato cheio, ainda mais que ele também assina o Roteiro: era brincar em cima daquilo tudo. Restando saber então se ele teria conseguido. E sim! Ele acertou a mão! Pois “A Espiã Que Sabia de Menos” é muito bom!

a-espia-que-sabia-de-menos-2015_01Se o próprio personagem James Bond já teria diante uma alta tecnologia em armamentos, é claro que um espião de hoje conta com muito mais. Como por exemplo, um olhar a lhe guiar em tempo real: satélites e drones ligando o espião em campo a alguém numa salinha a milhas dali. Os fãs de 007 podem até não gostar dessa “nova versão” para o seu querido agente, mas enfim uma paródia tem total liberdade para não o primar de um alto QI e sim liberando muito mais o sex appeal desse personagem. Assim temos em “A Espiã Que Sabia de Menos” como o agente galã, o Bradley Fine, o ator Jude Law. Não sei se ele quis participar desse filme como um laboratório tipo quem sabe um dia vir a interpretar o “007“, ou mesmo sendo um fã do personagem ter um gostinho interpretando-o mesmo que numa paródia. Enfim, mesmo para mim que sou fã do ator em Comédias Românticas, ou mesmo nas que pendem para um Drama, ele não me agradou de todo. Não sei se ele também preferiu ficar mesmo no caricato, até para “não queimar o filme” dele nesses outros tipos de filme onde ele é excelente! Mas nesse aqui ele deixou a desejar. Para a sua performance eu daria um 7,5.

a-espia-que-sabia-de-menos-2015_02O tal olhar a guiar esse agente vem de uma sala muito da esculhambada e dentro da própria agência, a CIA em questão. A ela é dado o tal QI que falta no tal agente de campo. Sendo assim usa com maestria toda a parafernália tecnológica a sua frente. Ali comandando tudo aquilo ela se sente uma agente 007 de saia. Ela é Susan Cooper, personagem de Melissa McCarthy. Eu não sei se Paul Feig escreveu já pensando nessa atriz, o certo é que acertou em cheio. McCarthy está excelente! Não apenas pelo biotipo, mas principalmente pela performance: há cenas que ficarão na memória e pela ótima atuação. Nota 10.

a-espia-que-sabia-de-menos-2015_03Por um erro de Bradley, e para não comprometer o andamento da missão, se fez necessário ter um novo agente em campo, e que fosse desconhecido. É quando Susan se oferece dela própria ir investigar mais de perto o tal traficante de armas. Bem, pelo menos é o que promete a sua superior (Allison Janney). Agora uma coisa era trabalhar atrás de um computador, e outra bem diferente era se passar por um espião. Mas de tanto ser os olhos e o cérebro do Bradley, deu a ela confiança de sobra, até em se achar meio invisível. Que de um jeito ou de outro ela vai conseguindo se infiltrar no território inimigo. Quem quase vai entornando o caldo é o agente Rick Ford, personagem de Jason Statham. Esse sim faz um ótima dobradinha com a McCarthy! Statham faz um agente bem tosco e está impagável! Para ele Nota 10.

a-espia-que-sabia-de-menos-2015_04Outro personagem que também rouba a cena é Nancy, interpretado por Miranda Hart. Nancy passa então a ocupar o lugar de Susan na tal sala. Bem, ela até tenta também conviver com os ratos que por lá aparece, mas a questão que ela se empolga com a “promoção” de Susan. Empolgação é pouco! Que pelo jeito a tal salinha ficou pequena demais! Nancy não iria perder a chance… Mesmo sendo uma comédia um pouco de surpresa também conta. Agora, se houver uma continuação para “A Espiã Que Sabia de Menos“, além claro de Melissa McCarthy e de Jason Statham, Miranda Hart também carimba sua participação! Sua Nancy até me fez pensar na personagem Lucy de “Meu Malvado Favorito 2“, que eu também gostei muito! Nota 10!

Claro que um outro “coadjuvante” de peso é a Trilha Sonora. Começando com “Who Can You Trust“, de Ivy Levan, dando uma cara de um real “007”. Para mais tarde “Dancing Lasha Tumbai” mostrar que se trata mesmo de uma comédia escrachada! Até tem um love incendiante com a participação do cantor 50 Cent. Tudo num acorde perfeito, mesmo quando as figuraças parecem sair do tom!

Whoopy-Goldberg_e_Melissa-McCarthyO Diretor Paul Feig está de parabéns! Soube tirar proveito dos nonsenses dos filmes de espionagem num roteiro enxuto. E embora também tenha me levado lembrar do filme “Salve-me Quem Puder” (1986) por conta da personagem de Whoopy Goldberg, talvez numa de uma ideia que leva a outra, mas que acabei vendo como uma homenagem e a ambas atrizes com suas personagens que mesmo que atrapalhadas se saíram bem em suas missões, inclusive em divertir o público! Então é isso! O filme “A Espiã Que Sabia de Menos” é muito bom! Nota 9!

Por: Valéria Miguez.

A Espiã Que Sabia de Menos (Spy. 2015)
Ficha Técnica: na página no IMDb

Intriga Internacional (North By Northwest. 1959)

Não dá para falar sobre Sir Alfred Hitchcock sem mencionar o seu rótulo: Mestre do Suspense. Ele mesmo gostava de ser chamado assim. Uma vez disse que se um dia ele fizesse uma versão de Cinderela, todos iriam procurar por um corpo na carruagem. Nem precisa ser cinéfilo para ter esbarrado com uma obra sua, sendo que muitos dos seus filmes possuem cenas que estão carimbadas na galeria das mais famosas de todos os tempos.

Intriga Internacional (North By Northwest no original) é um destes filmes. Porém consegue a façanha de ir um pouquinho mais além: possui mais de uma cena armazenada neste hall. Antes da análise, segue um pequeno pedaço para vocês apreciarem ou relembrarem:

Ataque do avião pulverizador – http://youtu.be/ETl_rr0SMFI
Perseguição no monte Rushmore – http://youtu.be/Ahd38-eclaI

A mescla das duas cenas é a capa da edição comemorativa de 50 anos do filme onde, graças aos avanços da tecnologia, podemos assistir estes clássicos como se fossem filmes lançados ainda agora – devido ao tratamento de alto nível na restauração para as novas mídias.

Este filme é um dos melhores trabalhos de Hitchcock! Se contextualizarmos com o seu tempo, se torna ainda melhor. É uma história de espionagem e contraespionagem, onde o protagonista é apenas vítima do todo, porém descobrimos que ele era parte do todo sem que soubesse. Além destes ingredientes, temos um que eu particularmente gosto muito: a sobreposição da realidade – ou melhor, o lançamento do homem num universo fictício que acaba por se tornar provisoriamente o verdadeiro.

Roger O. Thornhill é um homem elétrico e vibrante. Publicitário bem sucedido, de uma personalidade muito interessante, observamos que este é o típico menino que nunca cresceu. Com dois divórcios em seu currículo, Thornhill tem uma dependência moral de sua mãe semelhante a uma criança. Esta semelhança também condiz com suas atitudes: o protagonista nunca hesita em arriscar – como se não tivesse medo de nada.

De uma hora para outra ele é raptado e sua realidade é abruptamente alterada: chegando ao de entrega, os raptores se referem ao protagonista como George Kaplan, no qual acreditam ser um agente detentor de informações muito importantes. Logo, os raptores tentam fazer um acordo com Kaplan, que imediatamente nega e diz se tratar de um engano. Claro que eles não acreditam e logo Thornhill/Kaplan é jurado de morte.

Ele consegue fugir do cativeiro. Porém acaba por se envolver num acidente que o levará para a cadeia. Ele tenta argumentar o que aconteceu, mas tudo parece tão fantasioso que nem sua mãe acredita em si. Ainda assim, a polícia resolve investigar o suposto cativeiro, mas ao chegar ao local nada é como parece: nenhuma evidência do que foi dito por Thornhill/Kaplan é encontrada – logo, ele continua sendo um criminoso falastrão.

Por si só, Thornhill decide investigar quem é Kaplan e por que estão em cima dele. Porém observa que para ter sucesso, precisa se travestir de Kaplan e assim o faz, assumindo uma espécie de dupla personalidade. Logo, o misto de Thornhill e Kaplan irá se envolver numa bola de neve gigantesca, onde agências do governo, polícia e criminosos estarão todos envolvidos consigo no cerne do enredo.

Enfim, é um daqueles filmes obrigatórios que ninguém deve deixar de ver, que seria responsável por influenciar uma das maiores franquias do cinema de todos os tempos: o espião 007. Sim, em Intriga Internacional muitos dos elementos apresentados seriam utilizados nos filmes vindouros de James Bond (inclusive um quase remake da cena mais inesquecível do filme – aquela que se encontra no primeiro vídeo que eu coloquei logo no início desta resenha).

Sob a batuta de Hitchcock (que aparece na primeira do filme) e com atuações impecáveis da linda Eva Marie Saint e do inigualável Cary Grant – que, por sinal, recusou o convite para interpretar Bond – Intriga Internacional é um filme para ver, rever e recomendar!

* Para título de curiosidade, o protagonista se apresenta como Roger O. Thornhill. Uma mulher lhe pergunta o que significa o “O” no meio nome e ele responde “nada”. De uma forma inteligente, polêmica e irônica, Hitchcock está dando uma espetada no seu ex-produtor David O. Selznick.

“O Espião que Sabia Demais” (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

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“O Espião que Sabia Demais” é literalmente uma tradução do livro de John le Carre, o qual foi anteriormente adaptado em uma bem respeitada minissérie da BBC de seis horas de duração em 1979, com Alec Guinness. O talentoso diretor Tomas Alfredson cortou as seis horas da minissérie e fez um filme de apenas 2 horas, mas ainda assim, achei o filme extremamente longo, e confuso.

Para quem é? 

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Para quem gosta de filme de espionagem, “Tinker Tailor Soldier Spy” é um bom prato.

Atores:

O elenco é maravilhoso com destaque para Gary Oldman, o qual me fez lembrar de Ryan Gosling, em “Drive” (2011), com uma atuação sutil e minimalista. O desempenho de Oldman está em seus olhos, quando ele faz  perguntas, reage às respostas de uma forma bastante interessante. Oldman simplesmente carrega o filme em seus ombros, oferecendo um desempenho lento, e preciso, e talvez por isso, assim como o Gosling não irão ao Oscar – até uma indicação parece algo distante para eles, mas espero que não seja impossivel!. . ImagemOutro ator que brilha nesse filme é Tom Hardy ( excelente ator!!!!) , o qual também está igualmente perfeito, no interessante filme “Warrior” (2011), fazendo um homem lutando por uma resolução para sua dor e assombrado pelas decisões que ele fez na vida. Celo Silva fez uma boa leitura sobre “Warrior” aqui: http://umanoem365filmes.blogspot.com/2011/12/359-guerreiro-warriorgavin-oconnor2011.html

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Seria muito bom se os roteiristas e o director de “O Espião que Sabia Demais” tivessem injetado mais vida, em termos de entretenimento ao filme. Bem, o requinte dos cenarios, a fotografia de Hoyte Van Hoytema, que respira nos anos 70, com o céu cinza, e esfumaçado; o belo trabalho de edição, e uma trilha sonora muito boa de Alberto Iglesias, apenas enriquece o filme, mas faltou alma/ vida. Um belissimo filme, que custou apenas 21 milhões de dolares – o Polanski gastou 25 milhões no seu “Carnage” o qual é plasticamente inferior ao filme de Alfredson!. Longe de ser um filme ruim, mas “O Espião que Sabia Demais” tem personagens demais, situações demais, e acabei me perdendo em torno da beleza plastica do filme.

Por essa beleza plastica e os atores, dou nota 7,5

Salt

salt

O cinema de espionagem ganha mais um herói. Dessa vez, um pouco fora do comum. Primeiro porque é mulher e segundo porque é soviética. Evelyn Salt tem uma bela carreira na CIA, com direito a troca especial na coréia quando fora capturada. Mas alguma coisa do passado da espiã é cutucada quando o misterioso desertor russo Orlov entra em cena. Segundo ele, Salt faz parte do KA 12, que preparou jovens espiões para se misturarem aos americanos e no dia X, executar o maior ataque em massa para destruir o país capitalista.

Até então tudo dentro da coerência normal. Uma agente secreta, super treinada, posta em uma situação delicada: enfrentar um super ataque de uma nação que protagonizou a Guerra Fria. Mas há defeitos ali, muitos por sinal, que comprometem a produção. E quem é Evelyn Salt? Bom, o filme tenta, mas ela não engrena e a personagem, dividida entre flashbacks fora de coerência e fugas tresloucadas, acaba sendo apenas a Angelina Jolie mais uma vez chamando atenção.

Muito diferente de Jason Bourne ou Ethan Hunt que brilharam em seus filmes, com tramas densas, tensas, maduras e com ação realmente que não se ocupasse em nos subestimar e sim fazer viajar e se divertir, Salt é uma personagem avulsa, que vive à custa de um motivo para correr e fugir. Suas ações chegam a um nível tão absurdo de autismo, que ela se desprende da perfeição que é o KA 12 para enaltecer seus princípios americanos.

Ou seja, aqueles filmes sensacionalistas que vendiam os Estados Unidos como nação superior, estão de volta, e dessa vez, até a inimiga do Estado luta a favor das ideologias americanas.

E o roteiro ainda mais coerente e “inteligente” põe o amor que ela sente pelo marido como motivo para executar seus atos. E se notarem, esse lance de amor acima de tudo é muito americano. E aqui chega a ser cômico, ver que um cara que estuda aranhas conseguiu fazer os americanos desafiarem as relações já estreitas com a Coréia do Norte para efetuar a troca de Salt. E aí entra o maior erro do filme: preencher o vazio da história com cenas de ação. O erro de justificar as ações da espiã se atenuam mais nesse quesito.

O diretor Phillip Noyce usa e abusa de tremedeiras, corridas, barulho e tiros para esconder as falhas do roteiro. Sem contar que usa e abusa de todas as picaretagens que o gênero tem utilizado para se manter vivo: os exageros. Mas não um exagero divertido como em Duro de Matar ou Maquina Mortífera, mas sim, aquele exagero óbvio que só subestima a inteligência de quem assiste. Salt escapa miraculosamente ilesa de uma chuva de tiros e uma explosão a poucos metros dela enquanto outros morrem. Salt leva um tiro nas costas, aparece sangue, e no fim das contas ela estava de colete – e se notarem, o sangue está lá sujando a camisa. Mas o diretor esqueceu da maior picaretagem que um diretor com uma sexy simbol poderia cometer: fez Angelina Jolie emagrecer demais, ficar loira e estranha, e depois, quando se assume como Femme Fatale de verdade, não há nem ao menos ela com pouca roupa para chamar atenção. Pelo menos não se usou de sexo para manter o público atento em seu filme.

Ou seja, o compromisso aqui está apenas em fazer mais um filme de ação e não fazer nascer uma heroína que se iguale a Bourne ou Hunt. Colocar uma mulher como protagonista de uma trama desse calibre é uma proposta interessante, uma vez que homens dominam esse ramo. Tom Cruise chegou a estar ligado ao filme, mas desistiu por se parecer demais com Ethan Hunt de Missão: Impossível. Angelina Jolie e toda a protuberância de seus lábios seria a escolha certa. E de fato é, tanto que dispensou dublês e participou das cenas de ação, porém, parece ter desempenhado a mesma Lara Croft que fez anos antes e que mancham a carreira da atriz que arrasou em Garota Interrompida e foi oscarizada.

Aliás, Jolie cada vez mais se distancia das personagens realmente fortes que fez. Sua imagem ganhou um apelo forte para tudo que seja mais comercial. Ela teve sucesso nisso, não há como negar, porém, tem apresentado atuações abaixo do que se espera de alguém com talento como ela. Angelina ainda é uma pedra esperando realmente ser lapidada com mais força. Apenas apresentou bons lampejos que diretores competentes podem apostar. Clint Eastwood certamente não e arrependeu-se.

A trama se desenrola com bastante precisão. Bom. Porém, o fato de o diretor remoer o passado dela, para contar uma história de amor e nos fazer crer que ela faz o que faz apenas pelo amor do cara que a salvou é muito maçante.

Chega um momento do filme que é preferível crer no que se vê e torcer pra ser isso, do que esperar pelo óbvio. E nisso, o filme começa a se tornar cada vez mais previsível.

E a previsibilidade e tudo se tornando óbvio enterra as chances de Salt – tanto a espiã como o filme – ganharem a simpatia do público. O filme termina e fica a pergunta: ”e daí?”. Um final sem pé nem cabeça para algo que começou sem pé nem cabeça, se explicou, deu brecha para ser interessante, e no fim das contas, terminou como mais do mesmo, meio que implorando por uma continuação.

Salt seria um suspiro de inteligência e cinema de espionagem, mas por incompetência, tornou-se repetitivo e involuntariamente engraçado. Se o filme não colar, espero que os produtores entendam.

Nota: 3,5
Cotação: **.

Salt, EUA (2010)

Direção: Phillip Noyce.
Atores: Angelina Jolie , Liev Schreiber , Chiwetel Ejiofor , Daniel Olbrychski , August Diehl.
Duração: 100 minutos.