Sedução e Vingança (Ms.45. 1981)

seducao-e-vinganca_1981Por Francisco Bandeira.

Diretor Abel Ferrara

Ferrara subverte as regras de filmes sobre estupro e vingança, mostrando a cidade de Nova York como uma verdadeira selva petrificada, transformando um simples entretenimento de ação em um estudo sobre a sociedade, com uma violência descontrolada e que oferece algo muito mais profundo sobre a natureza humana do que aparenta, e ainda dando uma nova vida ao (sub)gênero exploitation.

seducao-e-vinganca_1981_02A trama de Ms. 45 gira em torno de Thana (Zoë Lund, espetacular), uma jovem tímida que está indo para casa após mais um exaustivo dia de trabalho. No caminho, ela é surpreendida por um homem (Abel Ferrara, parecendo um antagonista do subgênero slasher) e acaba sendo violentamente estuprada por ele. Desesperada, ela só pensa em ir embora daquele lugar, porém, ao chegar em casa ela é surpreendida por um intruso que, ao não encontrar nada de valor, resolve estuprá-la. A partir daí, a moça sai em busca de vingança, carregando uma pistola .45 com ela.

É através dessa premissa insana que Abel Ferrara trabalha de forma bastante inteligente a violência constante em seu filme, nunca soando um simples sádico, pois há sempre um motivo bastante coerente a ser abordado através deste tema. Aqui, o cineasta mostra que sua protagonista começa uma matança sem fim, primeiro por proteção, em seguida se transforma em um simples ato de vingança e chega ao extremo com a protagonista realmente ficando viciada com toda aquela sanguinolência.

seducao-e-vinganca_1981_01O cuidado na criação da atmosfera da obra é realmente singular. Desde a fotografia ficando cada vez mais escura e opressiva, da trilha sonora perfeitamente encaixada na obra, da adesão de maquiagem e mudança do figurino usados pela protagonista durante a projeção, que a tornam realmente intimidante. No modo que Ferrara filma os becos da cidade, abusando do plano fechado (close-ups) e frontal.

A composição da persona de Thana feita por Lund é fascinante, desde a mudança em seu olhar do primeiro para o segundo estupro, da menina abalada, amedrontada e traumatizada, passando pelo espanto e a perca de inocência, indo até o grito silencioso, do olhar desolado até a naturalidade da transformação em uma espécie de femme fatale, uma vigilante noturna em uma incessante busca de vingança contra o sexo masculino.

seducao-e-vinganca_1981_03O mais interessante na direção de Ferrara está na busca de planos longos durante as cenas que a protagonista é estuprada, mantendo sempre o foco no rosto dela, evitando o passeio pelo corpo da jovem, mostrando claramente que sua intenção é colocar o espectador na perspectiva da mulher sendo abusada, antecipando isso quando sua câmera filma as calçadas que estão preenchidas por homens lascivos, devorando as fêmeas com seus olhos e instinto de animais predadores.

A simbologia da obra também é bastante notável, desde o ferro de passar, a maçã de vidro vermelha, o homem colocando o saco no sexto do lixo (lembrando o modo que se coloca uma camisinha), o cachorro, os objetos cortantes (penetrando a carne) e até mesmo a sua arma.

seducao-e-vinganca_1981_04Thana, a jovem doce, calada e assustada, que agora encontra sua voz em disparos de uma. 45, que acha o beijo um ato agressivo, que exala terror, ainda mais vindo de homens que exalam confiança. Confiança essa que a protagonista adora exterminar de seus rostos, substituindo-a por medo, sentindo prazer por fazer seres tão dominantes parecerem tão frágeis. Mas ela tem um ponto fraco, as lembranças em sua mente, e que ver a penetração como uma sombra que a persegue, sabendo que a mesma pode significar seu fim.

E isso culmina em um clímax bastante complexo e intrigante, quando o cineasta subverte os papéis de mocinha x vilão, nos deixando com uma enorme dúvida na cabeça: afinal, para quem devemos torcer no final? Thana é sim uma pessoa pura que foi corrompida, se transformando em uma espécie de anjo da morte – e que sua missão é trágica e prazerosa ao mesmo tempo. Ms. 45 vai muito além do que um simples filme de vingança, seguindo como um perfeito exemplo de que a exploração também é arte.

Por Francisco Bandeira.
Avaliação: 9.5

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Poesia (Shi/Poetry. 2010). Um Ode a um Basta a Violência Contra a Mulher.

Poesia_2010Qual o papel de fato da mulher na atualidade? Independente da cultura onde vive, ou mesmo da classe social. Ainda cabe a ela se deixar subjugar aos machos alfas? Se sim. Como quebrar esse ciclo? E sem uma perda de identidade feminina!

A poesia é um jeito de olhar para um fato com emotividade. Tirando de si mesma todas as armaduras que muita das vezes a própria sociedade impôs. Mesmo que se utilize de palavras para expressar, houve antes um olhar puro, desnudo, sentido entre o observador e o objeto. Mesmo que leve um tempo nisso, mais do que uma transcrição será uma tradução do sentimento naquele momento: alegria, dor, vazio, paz, descontentamento, impotência, segurança, amor, ternura…

O filme “Poesia” mostra a quebra de um ciclo. Dando um “Basta!” a algo que choca em todos os sentidos. Mais! Até porque ainda é aceito por muitas culturas, ou mesmo por parte da sociedade em muitos países. A violência contra a mulher.

A protagonista dessa história (Jeong-hee Yoon) antes que a doença de Alzheimer lhe tirasse todo o discernimento da vida, mergulha fundo em si. Sem mesmo saber se sairia de alma lavada. Mesmo tendo que abdicar de valores que até então lhe eram muito caro. Seria como um último sopro de consciência. Como se fosse a última vez que se sentiria dona do seu próprio destino. As aulas de poesia foram a folha em branco e o lápis para aquele réquiem… Seria um ato de coragem.

Falar mais é tirar até o crescimento das reflexões sentidas durante o filme. Sim! A tradução correta são pensamentos advindos das emoções sentidas em “Poesia“. Onde como as águas de um rio: cada momento é único.

Belíssimo! Tristemente inspirador observar a natureza humana em toda a sua essência.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Poesia (Shi/Poetry. 2010). Coréia do Sul. Direção e Roteiro: Lee Chang-dong. Elenco: Jeong-hee Yoon, Hira Kim, Da-wit Lee. Gênero: Drama. Duração: 139 minutos. Curiosidade: Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2010.

Livro “TARÂNTULA” de Thierry Jonquet

Pessoal, sei que já foram feitas análises sobre o filme A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar. Entretanto o que será discutido agora é o livro de Thierry Jonquet. Apesar de focar na relação do médico Richard Lafargue e sua aparente esposa, Ève, tal qual a adaptação cinematográfica (com nomes trocados). O romance possui caminhos totalmente diferentes do longa-metragem, fornecendo personagens com atitudes distintas, porém ligados pelo mesmo segredo. Mesmo assim, o livro de Jonquet consegue, surpreendentemente, escrever uma história sobre a crueldade humana, algo mais distante do ambiente romântico do filme e próximo de “Laranja Mecânica”. Numa história envolvente onde todos possuem culpa, o autor “dá a cara a tapa” sem receios de mostrar as doenças do mundo real, evitando suavizar o lado da mocinha como o roteiro da película de Almodóvar.

Sinopse: O cirurgião plástico renomado (Richard Lafargue) e a bela mulher prisioneira de suas vontades (Ève), a adolescente que se automutila em um hospício (Viviane), o jovem acorrentado no porão obscuro depois de uma perseguição implacável (Vincent), o assaltante fugitivo condenado pelo próprio rosto (Alex). Um erro fatal do passado reúne esses personagens na mesma teia, no romance mais aclamado pelo público e crítica do autor francês Thierry Jonquet. Adaptado livremente ao cinema com o nome A Pele Que Habito sob a condução do famoso diretor espanhol Pedro Almodóvar.

Uma das coisas interessantes do livro é propor metáforas sobre zoomorfismo. O título Tarântula faz referência ao apelido dado por Ève ao seu seqüestrador, numa analogia da aranha envolver sua presa e, dessa forma, torturá-la na espera pelo pior. Além disso, a civilidade humana é posta a prova quando Vincent passa longos dias sem comer ou conversar com alguém, de maneira a ser comparado a um cachorro de estimação quando Lafargue chega, trazendo presentes e outros agrados. O sexo é retratado da forma mais cruel possível com a prostituição, criando um horrível pesadelo masculino relacionado a estupro consensual.

Já li algumas opiniões comparando a história a um Frankenstein moderno, todavia, até então, não entendia o porquê da trama lembrar-me tanto A Bela E A Fera. O item em comum com o conto-de-fadas é a Síndrome de Estocolmo, onde a vítima, numa tentativa inconsciente de autoproteção, busca uma maneira de se identificar com o raptor ou conquistar a simpatia do mesmo. Isso é uma das coisas mais angustiantes, afinal após tudo feito a Ève, ela continua tentando se aproximar do doutor, não da forma interesseira mostrada no filme, mas impulsivamente. O médico também se sente atraído, na verdade isso é ainda mais polêmico pela sugestão de que ele seja homossexual. É algo sem resposta e ofuscado pela atuação de Antonio Banderas, mas na obra de Jonquet fica no ar com a desconfiança momentânea de Vincent, fisicamente fraco demais para analisar melhor a situação. A saída do longa-metragem para essa suspeita foi fazer Vera (Ève, na literatura) com o rosto da esposa do doutor. Mas há outras peculiaridades semelhantes ao conto mencionado, o doutor a mantém presa, porém com o tempo passa a ser afetuoso, apesar do sofrimento imposto por ela a Viviane (filha de  Lafargue). Portanto, essa história  é mais próxima de uma versão ultraviolenta e sombria de A Bela E A Fera.

Tarântula e suas semelhanças macabras com A Bela E A Fera devido ao Complexo de Estocolmo, onde a vítima busca afeiçoar-se ao sequestrador, e as circunstâncias que levam o médico a aproximar-se da refém por solidão, culpa, piedade, irresistível beleza da moça, etc.

Ève não é santa ou inocente na história original, na realidade ela é capaz de tocar “The Man I Love” ao piano só para irritar Lafargue e abrir as pernas provocando o desejo proibido sentido por ele, o qual evita até tocá-la por conta do segredo. Mesmo tendo razões gigantes para torturar a “esposa”, Tarântula consegue ser perverso. O simples ato de prostituí-la e observar o ato é horrível, mas tudo é confrontado quando sabemos a identidade da mulher. Honestamente, li o livro após assistir ao filme e esse conflito de opiniões é bastante evidenciado. Afinal, o médico está certo ou não impondo sua tortura? a humanidade existente no homem deve ser ignorada, mesmo havendo motivos suficientes para fazer alguém culpado sofrer? Cabe ao médico condenar Vincent ao sofrimento até o fim da vida?

Nesse ponto descobrimos o porquê do título ser justamente Tarântula, o personagem chave é Lafargue, uma vítima tentando se vingar e sendo confrontado com sua natureza: tenta fazer durar seu ódio, mas a piedade na consciência é pesada, ainda precisa controlar seu desejo pela aparência de Ève, sente orgulho de sua criação e não pode usufruir dela por dogmas unidos ao passado sombrio.  Após esse texto, consegue-se descrever o livro em uma palavra: desafiador. Tudo isso condensado em apenas 150 páginas, provando algo esquecido por alguns autores: estimar qualidade ao invés de quantidade. Não focando apenas na questão de manter a identidade sexual da pessoa, o livro vai bem além dos temas do filme, explorando o sentimento de punição aos limites com um resultado intrigante através de reviravoltas inusitadas onde o conflito de humanidade e castigo é debatido sem o temor de não agradar um público acostumado a distinguir personagens bons de maus.

Por Alexandre Cavalcante (Alecs)

PROMETHEUS – 2012

O que você faria se pudesse descobrir a origem da humanidade e estivesse frente a frente com o seu criador? Essa é a pergunta inicial proposta por Prometheus, talvez um dos maiores filmes de ficção científica dos últimos anos. Após confrontar o homem com o terror do desconhecido em “Alien: O Oitavo Passageiro” (utilizando metáforas sobre estupro, bem como a polêmica questão do aborto) e refletir de maneira surpreendente sobre as responsabilidades do criador em “Blade Runner: Caçador de Andróides”, o diretor Ridley Scott decidiu mesclar os melhores de sua carreira, entregando um longa onde os personagens enfrentam suas crenças para aceitarem a verdade sobre a criação e, acima de tudo, sua consequência: destruição.

Sinopse:Em 2089, um grupo de exploradores descobre um mapa através de desenhos arqueológicos datados há milênios por civilizações de épocas distintas e partes mais diferentes do globo. A partir daí fazem uma viagem espacial a fim de identificar os possíveis Engenheiros/deuses criadores da humanidade, porém ao buscarem a revelação dos segredos acabam alterando o curso natural da história, podendo desencadear o fim da raça humana ao confrontar seu Criador.

Cenários de tirar o fôlego

Os temas aqui desenvolvidos ultrapassam séculos e já haviam sido destacados no livro “Seriam Os Deuses Astronautas?”, entretanto talvez jamais houvera no cinema um filme (sem ser documentário) dedicado inteiramente à essa teoria. Em entrevista, Ridley Scott comentara “Prometheus” como um “2001: Uma Odisséia no Espaço” com asteróides. Concordo com ele, porém o maior erro do lançamento de Scott talvez seja a ausência de um clima singelo. “O Oitavo Passageiro” e “Odisséia no Espaço” possuem o mistério como fonte inteligente de suspense, todavia seu novo trabalho peca ao tornar-se quase exclusivamente ficção científica, desagradando os fãs da série do xenomorfo. Mas isso pode ser explicado justamente pelo fato de “Prometheus” preocupar-se em revelar os mistérios da humanidade, um assunto necessariamente amplo a fim de obter resultado coerente (pelo menos no universo criado por ele) e aceitação do público.

Quem já conhece a série Alien sabe da escolha obrigatória do personagem central ser mulher. Isso se deve às inúmeras metáforas contidas nas tramas, afinal todas as histórias passadas nesse universo fictício preservam as mensagens de independência feminina, principalmente no que diz respeito ao aborto (analisado como libertação da repressão imposta pela sociedade, representada pela Empresa patrocinadora das viagens espaciais cuja preferência sempre é pelo feto alienígena, tornando o corpo estuprado da mãe inteiramente descartável). A sofredora da vez é a sueca Noomi Rapace. A atriz já havia mostrado todo seu talento na versão original de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” e agora vive sua primeira protagonista hollywoodiana em “Prometheus”, tal qual Sigourney Weaver em Alien. Honestamente, talvez não houvesse escolha melhor. Rapace provavelmente é uma melhores atrizes da atualidade, sua atuação sempre é surpreendentemente natural e a aparência comum auxilia ao distanciá-la dos estereótipos estéticos do cinema, aproximando-a mais da personagem por ainda ser desconhecida de grande parte do público. Sua personagem vive um dos momentos mais perturbadores do filme, o qual provavelmente será inesquecível às mulheres da platéia.

Noomi Rapace sofre em Prometheus

Para quem aguarda um épico, não sairá decepcionado quanto aos cenários, é bastante notável o empenho da direção de arte (as filmagens ocorreram em várias partes do mundo), portanto os cenários e paisagens são de tirar o fôlego. A única ressalva que faço é quanto à aparência dos engenheiros. Quem viu Watchmen, só precisa imaginar um Dr. Manhattan cinza, sem brilho, cujos olhos são completamente negros. Mas é aí que surge uma ironia MUITO interessante. (Se você não leu a obra-prima Watchmen e tiver interesse, por favor pare de ler esse parágrafo) Ao final da revista em quadrinhos, o Dr. Manhattan (um físico atingido por radiação que o faz adquirir poderes de um Deus) vai embora da Terra após afirmar que talvez irá tentar criar uma nova forma de vida em outro planeta. Nós sabemos que ele pode se multiplicar e possivelmente originar vida humana pela matéria, os engenheiros de Prometheus são todos iguais e fazem a humanidade, logo qualquer semelhança será mera coincidência?

Respectivamente, Dr. Manhattan (Watchmen) e Engenheiro (Prometheus). Seria o Dr. Manhattan um engenheiro?

Uma das características mais aterrorizantes de Alien são as criaturas. Apesar de se passar no mesmo universo que o filme de 1979, nós estamos falando de um parente próximo, portanto Prometheus mostrará espécies distintas, todavia com as mesmas referências. Nesse caso, a aparência dos monstros sempre é inspirada nos órgãos reprodutores humanos, por isso “O Oitavo Passageiro” contém simbologia para o estupro e aborto (lembrando aquela garra que infiltra sua semente no corpo da pessoa, a qual servirá de receptáculo involuntário para o monstro), logo esse lançamento segue a tradição com os mesmos significados, porém inovando na estética grotesca.

Com inúmeras referências, Prometheus desbanca vários exemplares desse ano com sua versatilidade. O andróide interpretado por Michael Fassbender (outra estrela em ascenção) é um dos personagens mais interessantes (ele é cinéfilo, além de tudo), promovendo diálogos inteligentes. Em um momento, é comparado a Pinócchio (o boneco que queria ser de verdade). Talvez não despreze inteiramente a raça humana, mas sua decepção de reconhecer o propósito de sua criação faz referência direta ao momento pelo qual os humanos da história estão passando, encontrando seu criador.

O fato do encontro dos astronautas com os Engenheiros poder desencadear o fim da humanidade é plausível no cinema. Se refletirmos sobre outras ficções como “Planeta dos Macacos” e “2001: Uma Odisséia no Espaço”, onde o ser humano encontra a própria destruição nos seus avanços tecnológicos e na ousadia da curiosidade. Os personagens de Prometheus desafiam suas próprias limitações humanas ao enfrentar os engenheiros, rendendo referências incríveis à famosa cena “filho pródigo versus criador” de Blade Runner. Após anos, finalmente podemos dizer que Ridley Scott voltou para casa e, na época atual, é sempre bom tornar a ter surpresas no cinema. Desejo uma ótima seção legendada (pois a dublagem brasileira desse ficou medonha) para todos.

Incêndios (Incendies. 2010)

Por: Lidiana Batista.

Drama canadense dirigido por Dennis Villeneuve e estrelado por Rémy Girard, Lubna Azabal e Mohamed Majd.

A história de dois irmãos gêmeos tentando realizar o desejo da mãe após sua morte. No testamento, Narwal Marwan diz que quer ser enterrada nua, sem caixão, sem lápide e nem funeral. “Nenhuma lápide será colocada para aqueles que não cumprem suas promessas“. E diz ainda que Jeanne deveria encontrar o pai, e Simon o irmão desaparecido. Para cumprirem a missão designada pela mãe, ambos vão parar na Palestina, inciando assim uma investigação sobre suas vidas e sobre a mãe.

Primeiramente devo dizer que tive de refletir muito para escrever sobre este filme. Sabem aqueles filmes que quando terminam, você olha os créditos finais e mesmo assim não consegue se desligar? Incêndios fez isso comigo. Um excelente drama sobre verdade, força, perdão e obstinação.

E todos esses adjetivos não cabem somente ao filme, mas a uma mulher: Narwal Marwan, que teve a audácia de enfrentar a família para viver um amor, teve de doar seu filho e prometer a si mesma que jamais desistiria de encontrá-lo.

Enquanto os gêmeos caminham pelas áridas paisagens do oriente médio procurando pistas sobre o pai e o irmão, a história da mãe vai sendo contada. Não há como não sentir admiração por essa personagem que consegue forças para superar a perda de um filho, se envolver em uma guerrilha e viver 15 anos em uma prisão sendo torturada constantemente. Esta, é “a mulher que canta”.

Aos poucos os mistérios vão sendo desvendados, e a cada pergunta respondida, uma surpresa para os irmãos e para o espectador que assiste tudo admirado, fascinado e louco para saber quem é a misteriosa Narwal Marwan.

Narwal Marwan é sem dúvida alguma uma heroína como há muito tempo não via. Sua história de vida é apaixonante, e o diretor conseguiu transmitir isso com muita competência! A força da mulher que sonha, que não teme, que canta e encanta.

Incêndios queima a alma com a verdade, com o passado ignorado, com a crueldade e injustiça expostas para serem digeridas pelos protagonistas e pelo espectador.

Jeanne, um mais um pode ser um?