À Procura do Amor (Enough Said. 2013)

a-procura-do-amor_2013_capaPor Pedro H. S. Lubschinski.

a-procura-do-amor_diretora-nicole-holofcener_e-atoresIsso vai soar bobo, mas você partiu meu coração e eu estou velho demais pra essa merda.”

À Procura do Amor é um filme sobre pessoas comuns, como eu, você ou alguma pessoa que conheça. Da mesma forma, as situações vividas por essas pessoas não fogem dessa banalidade: uma adolescente acaba de ser aceita na universidade; marido e mulher vivem o dilema em torno da demissão de uma empregada; e o casal protagonista, divorciados de meia-idade que se conhecem e começam uma relação. Não existe nada de espetacular acontecendo nessa produção de Nicole Holofcener. Por outro lado, por trás de todo esse viés de normalidade, existe algo mágico acontecendo: a vida, ora embalada pela doce música de um riso, ora amargurada por um choro salgado.

Assim, não espere ao longo da narrativa cenas marcantes e frases de efeito. As situações vistas aqui podem até vir a tornarem-se marcadas em sua memória, mas isso será muito mais pela empatia com os personagens do que por alguma abordagem inovadora. Albert (James Gandolfini) e Eva (Julia Louis-Dreyfus) são “gente como a gente”: quando percebem estar se apaixonando mal conseguem esconder o nervosismo ao lado do companheiro, o medo de tropeçar nas palavras que faz hesitar durante a fala e aquela ânsia em finalmente beijar os lábios que estão ao seu lado, finalmente libertando-se de um desejo ainda temeroso de não ser retribuído. Da mesma forma, quando os dois embarcam na primeira transa, muito antes de se preocupar com o prazer daquele ato ou com tornar tudo romantizado e inesquecível: o que preocupa é não deixar o parceiro ver as gordurinhas sobressalentes e arriscar um término pela falta de boa forma. Poderiam ser mais humanos que isso?

a-procura-do-amor_2013_02Os textos a seguir contém spoilers.
Mas me precipito. Antes de falar das figuras que habitam esse À Procura do Amor, vamos às devidas apresentações: Eva é uma massagista que está divorciada há alguns anos e convive com a proximidade da partida da filha para a faculdade. Em uma festa ela conhece o divertido – e não atraente, como diz em um primeiro momento – Albert, que tal qual ela, é divorciado e logo verá a filha viajar para a universidade. Logo eles passam a sair juntos e se interessar um pelo outro, descobrindo-se, finalmente, apaixonados. Porém, logo eles enfrentarão um complicador nessa relação, já que na mesma festa Eva conheceu e se tornou massagista e amiga de Marianne (Catherine Keener), que logo começa a revelar diversos detalhes não-agradáveis sobre o ex-marido – e que logo a protagonista descobre ser Albert.

Nas mãos de Nicole Holofcener, que assina o roteiro e a direção da obra, À Procura do Amor se torna um dos filmes mais agridoces do ano. Rimos com seu casal de protagonistas que tanto valor dá ao riso ao lado da pessoa amada – não são poucos os momentos em que os personagens dizem se sentir bem por rir ao lado do parceiro -, mas também sentimos o gosto amargo que o desgaste das pequenas coisas inflige ao cotidiano daquelas duas figuras. Dito isso, por mais leves e simpáticos – ou exatamente em função disso – que sejam os personagens e situações do longa, não deixamos de sentir o peso que determinadas ações despertam, assim, ver Albert em certo ponto se esforçando para deixar sair as palavras que iniciam esse texto é algo dolorido para os dois personagens principais e para o espectador, que precisa ver aquele sujeito com quem se afeiçoou dizer uma frase que impacta não pela intenção de causar o impacto, mas por revelar um sujeito de prosa simples que faz da própria dor um pequeno lapso de poesia.

a-procura-do-amor-2013_julia-louis-dreyfus-e-james-gandolfiniConduzido com mão leve por Holofcener, que jamais tenta chamar a atenção para sua câmera, À Procura do Amor valoriza os diálogos e os atores que os encenam, sendo assim, é uma enorme vantagem contar com dois atores em tamanha sintonia como Louis-Dreyfus e Gandolfini. A primeira prova que há lugar para seu talento também na telona – vale lembrar que a atriz é colecionadora de elogios e prêmios pela participação em três seriados de comédia: Seinfeld, The New Adventures of Old Christine e Vice -, equilibrando com precisão comédia e drama em uma personagem que, muito em função do carisma gigantesco da atriz, logo ganha toda a empatia e torcida do espectador. Já Gandolfini, aqui em seu último papel no cinema, já que veio a falecer pouco tempo antes da estreia da produção, oferece um belíssimo canto de cisne em um desempenho brilhante, que pode ser menosprezado por o ator não se entregar a muletas dramáticas em um papel à primeira vista simples. Basta olhar atentamente para perceber o quanto Gandolfini valoriza os pequenos gestos e expressões na pele de Albert, da timidez palpável do sujeito nos primeiros encontros às pequenas pontadas de decepção que tomam seu rosto em diversos momentos, passando pelo excepcional trabalho vocal do ator, que utiliza sua pesada respiração como forma de evidenciar os sentimentos do personagem ao espectador. Uma performance bonita e recheada de carisma, que merecia muito mais reconhecimento ao longo da temporada de premiações – e digo isso sem em momento algum me deixar levar pela morte do ator, já que considero seu trabalho aqui muito superior ao de Bradley Cooper e Barkhad Abdi.

Derrapando por vezes em uma ocasional quebra de ritmo e na falta de desenvolvimento dos personagens coadjuvantes – Marianne parece viver apenas para reclamar do ex-marido; a relação de Chloe (Tavi Gevinson) e a mãe encontra uma resolução abrupta e insatisfatória; o casal de amigos de Eva, Sarah (Toni Collette) e Will (Ben Falcone), acaba jamais ganhando a empatia desejada do espectador -, À Procura do Amor é um filme leve e despretensioso, mas que ao seu término deixa o espectador se sentindo bem e com um gostinho de “quero mais”, ansiando por mais tempo ao lado dos simpáticos protagonistas que acompanhara ao longo dos poucos mais de noventa minutos de projeção.

Por Pedro H. S. Lubschinski.

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Simplesmente Complicado (It’s Complicated. 2009)

Sensacional! Eu amo os roteiros de Nancy Meyers! Seus diálogos são tão reais. Contando as vicissitudes, as alegrias, as tristezas, as surpresas… tão rotineiras em nossas vidas. E sendo ela a detentora da estória, sua Direção flui melhor.

Mesmo o título explicando bem eu diria que é Realmente Complicado. Viver? Não! Os relacionamentos. Mesmo que cheguemos num ponto que parece já estar tudo estabilizado, o inesperado se faz presente. Com isso, lá vamos nós desatar um novo novelo. Agora se ele vem com o sabor de comida requentada… será preciso achar um ingrediente novo para realçar, ou até para enganar o nosso paladar.

Tendemos a complicar mais onde nem teria porque. Mas insistir para que? Ou por que? O melhor seria virar a página e seguir em frente. Mas tem ocasiões, lances… que até que vale a pena insistir um pouco mais. Numa de: ainda dá um bom caldo. Ou mesmo por esperar que isso aconteça.

Simplesmente Complicado‘ até poderia atrair somente um público bem mais adulto. Mas por eu ver tantos jovens com mentes bem retrógradas, que os convido a assistirem também. Assim, quem sabe já vão deixando de complicar seus relacionamentos. E até para que vejam que três jovens do filme também complicaram a vida dos pais. Conto já, o que fizeram. Só um, o futuro genro – Harley (John Krasinski), que não. Além do que ele é ótimo!

Antes, quero falar dos atores que formam o triângulo amoroso.

Meryl Streep está glamourosa. É de fato uma Grande Diva do Cinema. Nesse filme, enquanto deu química com Alec Baldwim, com o Steve Martin não decolou. A mim, ele parecia intimidado com a presença dela. Fiquei pensando se um outro ator teria esquentado mais a estória deles. Não que fez feio, mas eu ficava querendo que chegasse logo outra cena dela com o Alec. E Martin já conseguiu química contracenando com a Goldie Hawn, Daryl Hannah, Queen Latifah. E creio que nem é pela Meryl. Pois recentemente conseguiu química com Stanley Tucci. Enfim, não gostei da escolha de Steve Martin para esse filme.

Agora sim, entrando na trama do filme…

Meryl faz Jane. Mãe de três filhos – Luke (Hunter Parrish), Gaby (Zoe Kazan), Lauren (Caitlin Fitzgerald). Dona de uma Confeitaria (Padaria). Que enfim, conseguiu manter um bom relacionamento com seu ex marido, Jake (Alec Baldwin). Encontra-se com amigas – Joanne (Mary Kay Place), Trish (Rita Wilson), Diane (Alexandra Wentworth), Sally (Nora Dunn) -, de vez em quando para entre degustações de suas receitas conversarem sobre a vida.

Jake, casado com uma mulher mais jovem, no auge da sua carreira profissional, já pensando num – desfrutar a vida sem mais correrias… se vê envolvido com um enteado pequeno, e a atual esposa querendo um filho com ele. Que pelo jeito, está querendo mais um ‘Lar Doce Lar‘… Filhos criados… Uma mulher boa de cama e fogão… e já resolvida por um todo. Onde mais encontraria tudo isso? Com a atual? Ou com a ex?

Então, Jane e Jake após dez anos de divórcio começam a ter um caso. E ai começa a complicação. Não deveria. Mas

Para Jane estava um gosto nada desejado de vingança. É! Mesmo não sendo ético era como se estivesse vingando daquela que roubara seu marido. Que mandasse às favas as convenções sociais. No auge da sua independência tinha mais que curtir esse caso amoroso. E saber se conseguiriam reacender a velha chama dessa paixão antiga. Jake estava achando que redescobrira o quanto a amara. Será mesmo que estava novamente apaixonado pela ex esposa?

Ambos aproveitam para discutirem a relação de outrora.

Paralelo a isso, Jane conhece o arquiteto que conseguiu colocar no papel a tão sonhada ampliação da sua casa. Ele é Adam (Steve Martin). Ainda sofrendo com um divórcio recente. Mas que se encanta por Jane. Complicando a relação por não querer ser mais um na cama. Querendo exclusividade. Ora! Será que não via que deveria curtir mais a vida nova: voltar a ser solteiro.

Bem nem todo mundo teme a solidão. E chega a uma certa altura da vida… que é melhor cueca pelo chão de vez em quando do que na gaveta permanentemente.

Estaria Jane dividida entre dois amores? Ou pensando em ter um homem novamente em casa?

Mas não fica apenas nisso. Pois mesmo estando já crescidos e morando fora do lar, seus filhos não gostaram dessa novidade: seus pais tendo um caso. Queriam o que? Ver a mãe entre preparando quitutes e cuidando da horta? Achavam que ela estava velha para os romances? Ai, a mãezona se sente insegura. Agradar ou não os filhos?

Em a quem ou o que Jane ouviria… Seu coração? Seu corpo? Sua mente?…

Num Top Ten de Comédia Romântica, ‘Simplesmente Complicado‘ já garantiu um lugar. O filme é excelente! Eu ri muito. E a cena do baseado é quase um convite a experimentar. Ah! A Trilha Sonora é nota mil! Sem esquecer que o lugar onde a Jane mora é paradisíaco: Santa Bárbara.

Por fim… Não compliquem, pessoal! Pois a vida é curta!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Complicado (It’s Complicated). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. +Cast. Gênero: Comédia Romântica. Duração: 118 minutos.