Copacabana (2010). Uma “A Cigarra e a Formiga” atual.

O filme só pela Trilha Sonora já merece ser visto. MPB e Bossa Nova nos embalando nessa Fábula moderna. Bom demais ouvir Marcos Valle como fundo musical, por exemplo. Mas o filme tem muito mais! Ele nos mostra um período na vida de uma mãe e sua filha às vésperas de seu casamento. Já adianto que “Copacabana“, de Marc Fitoussi é muito bom! Ele até fez com que eu passe a acompanhar seu trabalho. Até pelo tributo que fez a todos nós, brasileiros. Conto como no decorrer do texto.

Há uma máxima que diz que uma geração aprende o que precisa saber, mas que a seguinte esquece. Deveria ao menos é aproveitar que a anterior tirou as pedras do caminho. Que jogou as cargas inúteis fora. Em “Copacabana” temos a filha como uma pessoa centrada, preocupada demais com o seu futuro. Trabalha num Bistrô. E não está mais achando graça no modo de vida da mãe. Ela seria a “Formiga” dessa Fábula. Seu nome: Esmeralda. Personagem de Lolita Chammah, que embora interprete muito bem, foi eclipsada por quem faz a sua mãe.

A “Cigarra” dessa estória é Babou, a mãe de Esmeralda. Personagem de Isabelle Huppert, dona de um carisma que nos leva a acompanhar essa estória ora sorrindo, ora emocionados, mas sempre com brilho nos olhos. Babou leva a vida a bailar, quase que literalmente. Não está nem ai para as convenções. Se veste e se maqueia de um modo que choca a filha. Além disso, seu comportamento leva a filha a sentir vergonha a ponto de não querer a mãe no seu casamento.

 Mesmo que fosse uma inconsequente, Babou tinha um bom coração. Como também tinha sentimentos, do seu modo, mas tinha. Assim, se o que a prendia ali, era o estar junto à filha, com essa decepção Babou aceita um emprego numa cidade litorânea na Bélgica. Mesmo para um lugar com apenas dois meses de Sol, ela faria dali a sua Copacabana. Seu intuito seria juntar dinheiro para um dia conhecer o Brasil. Que na visão dela era uma terra com um povo amistoso, que recebia a todos sem preconceito. Tal como ela: sem medo de ser feliz! Um lugar multicolorido por natureza. Eu até prefiro que isso que fique na cabeça de quem não conheça de fato o Brasil. Numa comparação mais simples, e sem preconceito, seria a visão do paulista em relação ao carioca. É bem melhor do que ver sendo difundido o país como paraíso dos fora-da-lei, por exemplo. Dai, vi como carinhoso toda a referência do Brasil no contexto da estória. Na visão de Babou.

Em Oostende, tenta fazer amizade com os novos colegas, mas a eles, ela também os assusta. O que até fez bem a ela, pois assim conheceu e fez amizades com alguns moradores. Por uma, ganhou a dica de onde conseguiria possíveis compradores para os apartamentos a serem vendidos. Um jeito novo de ter um imóvel extra, para períodos de férias em outros países, por exemplo. São os Timeshares. Cada proprietário teria o imóvel num terminado período do ano. Num prédio imenso, com algumas unidades já quase prontas, tinham pressa nas vendas para terminarem as demais. Babou até consegue se dar bem sendo a sua vez de ser uma formiguinha-trabalhadeira, mas…

Para quem gosta de conhecer de perto uma relação entre mãe e filha, vai se encantar com esse filme. Além de que, temos em “Copacabana” a ora e a vez da Cigarra mostrar a Formiga que o que se leva dessa vida, é a vida que se leva! Que a verdadeira mudança está em si mesmo, e não contar que o outro é que deva mudar. Aceitar as diferenças. Bravo Babou!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Copacabana (Copacabana. 2010). França / Bélgica. Direção e Roteiro: Marc Fitoussi. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 107 minutos. Classificação etária: 14 anos.

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