Curta: A Inovação da Solidão (2013). As Redes Sociais e o Medo da Solidão

curta_a-inovacao-da-solidaoPor Josie Conti
A sociedade atual valoriza o individualismo e a competitividade.

Os funcionários das empresas, hoje chamados erroneamente de colaboradores, recebem mensagens de que trabalhar em equipe é um valor da empresa. Entretanto, qualquer pessoa com um pouco de bom senso e olhar crítico verá que o que acontece o tempo todo é um total aniquilamento da individualidade e da fidelidade entre eles. Quem não se destaca é demitido. As terceirizações não param de crescer. Logo, o colega de trabalho é tido como rival.

A pessoa passa muito mais horas trabalhando em um ambiente que é hostil e onde não pode confiar verdadeiramente nas pessoas, portanto, sem vínculos verdadeiros. Resultado: menos tempo com família e amigos, pois precisa manter o emprego.

Quando chega em casa, muitas vezes sozinha, a pessoa ainda tem que vender uma imagem de felicidade e boas relações (isso faz parte de seu papel social). E é aí que chegamos no ponto, pois é esse o questionamento relativos às redes sociais, por exemplo, onde as pessoas fabricam e postam imagens de viagens, fotos felizes, reuniões de amigos. É só entrar e veremos a infinidade de pessoas felizes (na maioria aparentemente mais felizes do que nós) falando de seus eventos sociais e outras realizações.

as-redes-sociaisSendo assim, é possível perceber que as redes sociais tornaram-se mais uma vitrine da imagem que as pessoas gostariam de passar do que propriamente um espaço para relações.

Outra coisa que as redes sociais parecem ilusoriamente sanar é a sensação de que estamos cada vez mais isolados e sem vínculos reais, ou seja, os amigos e os contatos virtuais preenchem de alguma forma o medo e a solidão.

Eu compartilho. Portanto eu existo”. Esse é o tema da animação intitulada “The Innovation of Loneliness” (A Inovação da Solidão, em tradução livre), inspirado no livro da psicóloga Sherry Turkle: Alone Together, onde ela analisa como os nossos dispositivos e personalidades online estão redefinindo a conexão humana.

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Hugo (2011) + Scorsese + Uso Inteligente do 3D = Obra-Prima!

Mesmo já tão decantado em versos e prosa – e com todo mérito -, mesmo com um certo atraso, eu não poderia deixar de registrar a minha impressão desse filme. Até por conta das referências de eu ir assistir numa Sala em 3D. Então fui conferir, e…

Depois do sucesso de bilheteria de “Avatar“, de James Cameron, vulgarizaram tanto o 3D atrás de rendas grandiosas, que talvez seja esse o motivo que tal feito no filme de Martin Scorsese não tenha se repetido. Pelo menos em relação ao Oscar 2012 lhe fizeram justiça. Mas faltou o de Melhor Diretor. Pela grandiosidade do uso da tecnologia do 3D. Como também por nos manter atentos por duas horas de filme. É uma pena que o grande público não pode absorver a belíssima história contada por Martin Scorsese. E quem assistiu “A Invenção de Hugo Cabret” numa Sala em 3D, com certeza ficou com vontade de aplaudir ao final do filme.

Já ciente de que o filme seria longo, mas também de que era muito bom, arrisquei e levei, junto comigo para assistir, três “termômetros”: um adulto que gosta muito mais do Gênero Comédia, um adolescente o qual desconheço o gosto, e uma criança que iria ver seu primeiro 3D. Minha dúvida recaiu-se nesse, até pela duração do filme. De início ele ficou encantado com essa tecnologia; naquela de até querer tocar na imagem. Mas lá pela metade do filme resolveu explorar a Sala de Cinema. Como fez isso em silêncio, como também não tinham nem umas vinte pessoas, relaxei e voltei de todo minha atenção ao filme, mas ainda a tempo de ver três mulheres saindo da Sala. Cheguei a pensar se teria sido por algo que comeram antes da sessão. Mas enfim, voltei ao filme.

O talento para algo pode ser genético. Faltando a um adulto mais próximo mostrar a chave para que o jovem a descubra, por vezes ainda na infância. Mas a vida traçou uma linha torta para Hugo Cabret (Asa Butterfield). Lhe tirando seu bem mais precioso: seu pai. Uma pequena grande participação de Jude Law. Viviam felizes os dois entre responsabilidades, estudos de forma prazeirosa, e muita diversão. Fora o seu pai que despertou nele a paixão por Cinema. Mas um incêndio leva o seu pai. Então seu tio Claude (Ray Winstone) se torna o responsável levando-o para morar com ele. E Hugo leva algo que ele e o pai vinham consertando nas horas vagas: um autômato encontrado num museu. Assim, era como ter o pai junto a si. Aplausos para Asa Butterfield!

Sem o coração, não pode haver entendimento entre a mão e o cérebro”.

Claude morava numa Estação de Trem, em Paris. Era ele quem fazia a manutenção dos relógios. Ensinando o seu ofício ao menino. Beberrão, a vinda do menino lhe daria mais folga não apenas para beber, mas também para sair daquelas cercanias. Para Hugo, todo aquele mundo que via através dos grandes relógios ajudou a amenizar a dor pela perda do pai. E aprendendo a consertar relógio, lhe deu um caminho para a tal engenhoca. Mantendo os relógios pontuais, ambos se tornavam invisíveis aos olhos de todos.

O vai e vem diário dos passageiros, assim como dos trabalhadores e frequentadores das lojas na Estação de Trem, era para Hugo como a tela de um filme. Dos seus pontos de observação, ele já conhecia os hábitos de todos. Por caminhos internos, de desconhecimento geral, Hugo ia de um ponto a outro. Sempre a observar. Sonhando em voltar a sentir o calor e carinho de uma família. Até esse dia chegar, ia vivendo uma aventura solitária. Mas com o relapso tio, para não passar fome, se via obrigado a roubar pães, frutas, leite… Sendo que para isso teria que se fazer de fato invisível aos olhos do Inspetor da Estação. Personagem de Sacha Baron Cohen. Que está formidável!

Se você já se perguntou de onde vem os seus sonhos, olhe ao seu redor. É aqui que eles são feitos.”

Hugo também tentava se tornar invisível para o dono da loja de brinquedo. É que Hugo precisava de pecinhas dos brinquedos de corda, para a tal engenhoca. Mas um dia, o dono da loja, Georges Méliès (Ben Kingsley), lhe dá um flagrante. Dando início a uma nova aventura. Sendo que dessa vez Hugo não mais estará observando, ele fará parte desse roteiro de vida. Tudo porque George lhe toma o livro de anotações do seu pai. O que leva Hugo a conhecer e ficar amigo da sobrinha de George, a jovem Isabelle (Chloë Grace Moretz). Essa, sedenta por vivenciar uma aventura real, como dos livros que lia. Ela levará Hugo para conhecer o seu mundo dentro da Estação de Trens: a loja de livros do Monsieur Labisse. Outra grande participação nesse filme, pois quem interpreta é Christopher Lee. Aplausos também para Ben Kingsley e Chloë Grace Moretz!

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” (Chaplin)

A história de “A Invenção de Hugo Cabret” é fascinante: em colocar paixão naquilo que fizer. Mesmo o filme estando bem redondinho, fiquei com vontade de ler o livro homônimo de Brian Selznick, no qual o filme foi inspirado. O Roteiro de John Logan conseguiu contar e bem toda a aventura e desventura de Hugo. E Martin Scorsese conseguiu sim fazer um excelente uso do 3D. O que até me leva a ser repetitiva, mas é por uma torcida de que os demais Diretores só usem esse recurso de modo inteligente. Como também que as crianças que assistirem esse filme, além de ser tornar um cinéfilo, que também passem a gostar de lerem livros. O filme também tem isso de bom: incentivo à leitura. Great!

Um vídeo muito bom para quem não viu, ou viu e queira rever, de um Making Of dos Efeitos Visuais em “A Invenção de Hugo Cabret“: Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Então é isso! Uma Obra-Prima que vale o ingresso para assistir em 3D. Um filme onde não se resiste em aplaudir no final.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

É o filme mais-que-perfeito que vi nos últimos cem anos. Parece que todos os deuses da sétima arte resolveram colaborar com o mestre Scorsese a superar seu próprio recorde de genialidade. Uau! Nessas horas até podemos nos dar ao luxo de esquecer por alguns minutos da eterna pergunta “Quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha?” Ou quem foi que inventou o cinema: Thomas Edison ou irmãos Lumière? Em Hugo, os dois eis que contracenam.

O importante é lembrar que também somos feitos da mesma matéria do cinema e a história resume-se na re-união de todos os elementos desde sua criação.

“A chegada do trem na estação” pode-se dizer que esse veículo sai dos trilhos pegando de surpresa os passageiros na poltrona: um 3D para ninguém reclamar de susto. E um presente com um pouco dos 80 filmes de Georges Méliès foi “A viagem à Lua”,… e as mais acertadas escolhas para nos brindar são as presenças de Christopher Lee, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, grande elenco, grandes nomes, filme fantástico.

Bravo, bravíssimo!
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A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

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Scorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” (2004).

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O filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

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O cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da bela fotografia de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.

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“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  “Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se não fosse tão longo!.

Nota 8,5

A Suprema Felicidade (2010)

Arnaldo Jabor, o excelente cineasta dos ótimos “Eu te amo” e “Tudo Bem” quebra o jejum de décadas e reestreia nas telas com “A Suprema Felicidade”. O diretor vem sendo duramente criticado por ser pessoal e nostálgico nesta última obra, esquecendo que Fellini, Ingmar Bergman e outros gênios já fizeram o mesmo em vários de seus trabalhos.

Munido de um elenco excelente, Jabor reinventa suas próprias reminiscências com maestria, sensibilidade e experiência, criando cenas que provavelmente não serão esquecidas facilmente. Evitando um roteiro linear, a ação se concentra numa família comum no meio do século XX desfilando tipos e situações que poderiam se misturar às lembranças de qualquer um. O protagonista é o menino Paulinho (Caio Manhent) que aparece em várias idades sem ordem cronológica. Quando os hormônios afloram, o rapaz (Jayme Mataraz) se envolve com uma estranha cantora médium (Maria Flor envolvida com espíritos e ectoplasmas) e com uma belíssima artista de cabaré (Tammy Di Calafiori) sem perceber que o melhor amigo também se interessa por ele.

O avô (Marco Nanini) é músico e sugere o título em vários momentos. É casado com uma polaca vivida pela ótima e subestimada Elke Maravilha. Dan Stulbach faz o papel do pai aviador com a perfeição de sempre e Mariana Lima vive a esposa intensa e atormentada pelo constante fantasma da traição. Há personagens e cenas paralelas que pouco acrescentam ao roteiro mas colorem e floreiam o enredo com eficiência, como o pipoqueiro desbocado (João Miguel de “Estômago”), o padre afetado (Ary Fontoura) que ameaça as crianças com as punições divinas ao pecado do “sexo solitário”, a mãe bêbada (A talentosíssima Maria Luísa Mendonça) que agencia a própria filha adolescente e a interessante sequência de homicídio num movimentado e decadente prostíbulo.

As memórias do autor podem confundir-se com as do expectador mais sensível que é lembrado o tempo todo de que é apenas uma obra de arte flertando com os sentimentos, a descoberta do sexo, a ambiguidade, o carnaval daqueles tempos em imagens reais, o sobrenatural, a música e o glamour de alguma época. Apesar do desfecho não corresponder ao nível geral do filme, “A Suprema Felicidade” é puro cinema e um deleite para os sentidos.

Carlos Henry

Depois da Vida (Wandafuru Raifu. 1998)

Por: Eli@ne L@nger.
Depois da VidaDepois da vida me apaixonou também porque o vi depois de o A Partida. Em A Partida, aprendemos a respeitar os mortos antes de serem cremados, como é de costume no Oriente. Nos ensina que nossa verdadeira ‘vocação’/missão é respeitar a vida, acima de tudo, de todos e de nós mesmos e de nosso ego tão imponente; honrar o morto tal como foi em sua melhor fase no plano físico – ou torná-lo melhor. O carinho e respeito como é tratado por especialistas ao embelezar a figura do morto, faz com que o respeitemos e dá a noção de uma vida vivida (mesmo que nossos egos e os dos outros não a tenham aceito) aos parentes e amigos presentes nos funerais. Ressuscita o que há de melhor em cada um e não, os momentos infelizes – seja pela tristeza que causou a nós e/ou aos outros; seja pela ignorância em si e inconsequência sobre nossos atos.

Depois da Vida nos mostra que, por mais dificuldades que possamos ter passado, haverá algum momento feliz que merece ficar registrado para a eternidade. A proposta é a de relevar todo o resto: assim deveríamos ter feito em vida. Depois da Vida nos dá a chance de nos vermos como alguém que pôde ser feliz, nem que seja por uma fração de segundos e que esta fração é o que realmente conta. É a felicidade o que conta e não, as mazelas mas que, diante delas, acabamos não registrando na memória que algumas vez, pelo menos uma, pudemos nos sentir bem dentro de nós mesmos, dentro de nossos corpos.

É um filme otimista, acima de tudo; muito intimista, pois vasculha a vida pessoal de cada um, entre mortos e vivos, não mais à procura das dores e dos sofrimentos, mentiras, omissões, faltas e falhas humanas. Este vasculhar as cenas vividas nos dá a sensação de um documentário, já que é exatamente isto o que NÃO fazemos conosco (relevar nossas manias e/ou defeitos), mas que poderíamos, a fim de pararmos de lamentar por todo o ‘mal’ que passamos. Pobres ou ricos, cultos ou não, inteligentes ou inábeis, todos merecemos ter uma boa imagem de nós mesmos, agora despojados de nossas ambições e/ou frustrações. Todos podem, ao menos por uns segundos. Sem isto, passar pra outro estágio de vida, nos torna como que ‘gavetas’ de mágoas: todo o resto será deletado da memória pra que possamos recomeçar com o que houve de melhor e não, de pior. Esta noção reafirma a crença reencarcionista, presente na cultura oriental.

Além disso, também o vi exatamente como o faria um diretor de cinema, até chegar às cenas ideais pra serem gravadas e exibidas aos futuros espectadores, no caso, os mortos. Pois que assistir a um filme é, por algumas horas ou minutos, morrer um pouco ou, em palavras melhores, deixar com que outro estado de consciência – onde o tempo/espaço se tornam relativos – nos transporte, como deveria ser, por outro enredo, como se ali estivéssemos e fôssemos os protagonistas.

Um cineasta me disse pessoalmente: ‘Ser cineasta é ser um eterno sonhador, que tem o olhar pro futuro. Eis porque não envelhecemos” – são eternos. Pois que agora compreendi o fundo dessa mensagem. São nossos melhores sonhos os que nos tornam eternos…

Depois da Vida (Wandafuru Raifu). 1998. Japão. Diretor e Roteiro: Hirokazu Kore-eda. Gênero: Drama. Duração: 118 minutos. Elenco: * Takashi Mochizuki – Arata; * Shiori Satonaka – Erika Oda; * Satoru Kawashima – Susumu Terajima; * Takuro Sugie – Takashi Naito; * Kyoko Watanabe (Ichiro’s Wife) – Kyoko Kagawa; * Kennosuke Nakamura – Kei Tani; * Ichiro Watanabe – Taketoshi Naito; * Gisuke Shoda – Toru Yuri; * Yusuke Iseya – Yusuke Iseya; * Kana Yoshino – Sayaka Yoshino; * Nobuko Amano – Kazuko Shirakawa; * Kenji Yamamoto – Kotaro Shiga; * Kiyo Nishimura – Hisako Hara.