O Cinema Mostrando que Entre Pais e Filhos Não Deveria Ser uma Via de Mão Única!

jersey-girl

Confesso que pensei em por como título isso: “Filho é para quem pode!” Mas iria soar grotesco. Agora, seria algo mais direto. Não falo apenas na questão financeira. Engloba muito mais! Até a estrutura psíquica da pessoa. Melhor! Do casal estar de fato integrado ao novo compromisso: o de trazer um filho ao mundo. De criá-lo até que possa se fazer por si próprio. Então, dando um giro pelo Filmes para ver a quantas andas essa relação: Pais & Filhos. Vem comigo!

A foto inicial é do filme: “Menina dos Olhos” (Jersey Girl). Aqui, com a morte da esposa no parto, ele, o pai, fica desorientado. Não apenas perde o emprego, como fica desacreditado na profissão. Então, vai morar com o pai no subúrbio. Mas o tempo passa e ele só pensa em voltar ao topo. Delegando ao seu pai, ser o pai de sua filha. Até que… Tem mais aqui.

nobodyknowsEsses dois outros são mais difíceis de achar, mas vale a pena procurar. Como também é para quem curte o Cinema Asiático, por serem longos e num ritmo lento. O primeiro é: “Ninguém pode Saber” (Dare mo Shiranai). Uma mãe jovem demais, que um belo dia abandona os 4 filhos, numa de que ela tem direito de ir curtir a vida. Então, o mais velho, com 11 anos, faz de tudo para ser pai e mãe dos irmãos. Conto mais aqui.

O outro é de Animação: “A Viagem de Chihiro” (Spirited Away). Revoltada por conta de ir morar em outro lugar, no caminho, ela e seus pais vão parar num local estranho. A personagem então terá que enfrentar seus medos para conseguir sair desse lugar assustador, como também tirar o feitiço dos pais. O legal de assistirem com crianças é deles perceberem que a melhor arma é o amor, a amizade, a solidariedade, como também aceitar as diferenças… Tem mais aqui.

the-simpsons-the-moviePor falar em Animação… Esse outro traz um pai que é mais um bebezão. Alguém que nem deveria ter sido pai. Pela foto, essa figura já é bem conhecida. Eu confesso que não curto o desenho. Mas vi o Longa. O Bart faz de tudo para receber carinho e atenção do pai. Mas esse, nem está ai. Tem mais de “Os Simpsons” aqui.

Há quem busque por uma família, um lar. Buscando por um carinho que não receberam. Em alguns, a rejeição abala tanto que faz da fantasia uma armadura. Nesse, deixo a sugestão de “Ensinando a Viver” (Martian Child). O menino dessa história se faz de marciano. Vive em um orfanato. Um viúvo, por ser escritor de ficção científica, é contactado para uma adoção. Por não se sentir capaz, recusa. Mas uma amiguinha de orfanato resolve dar uma forcinha. E termina por conseguir que os dois se encontrem. A partir dai, será um longo caminho entre esses dois. Tem mais aqui.

Um outro que eu também amei, traz um ainda bebê abandonado pela mãe na porta de uma igreja. Ele então é adotado por uma família onde é maltratado por não aceitarem a homossexualidade dele. Então ele usa a fantasia para contar uma história para si próprio. O filme é “Café da Manhã em Plutão” (Breakfast on Pluto). Ele sonha encontrar sua mãe verdadeira. E quando a encontra, descobre um tesouro maior. Tem mais aqui.

anche-libero-va-benePor falar em abandono… Bem, se alguém ficou um tempo enorme, forçosamente ou não, sem ver os próprios filhos, numa volta ao lar há de encontrar certa resistência. Pelo menos de um dos membros dessa família que ficou sem a sua presença e que de repente ocupará um lugar que não existia antes. Esse olhar meio triste, meio perdido em pensamentos, ai na foto, é do filho caçula em “Estamos bem mesmo sem você” (Anche libero va bene). Ele meio que se resguarda por não entender o porque a mãe o abandonou. Mais detalhes aqui.

O ser humano é uma caixinha de surpresas. Alguns, não aguentam o tranco do destino e… Nesse outro filme, a mãe saiu do casamento por conta das contas que se acumularam com o marido desempregado. Ela até tentou levar o filho, mas o pai implorou que o deixasse com ele. É o “À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness). E esse pai faz de tudo para que o filho sinta que eles ainda têm um lar, mesmo pernoitando no metrô. Conto mais aqui.

Se trouxe o filho ao mundo a responsabilidade por ele cresce. Até em passar bons exemplos. Mas quando esse nascimento veio sem ser planejado, e mais, se não souber segurar a barra, o melhor a fazer é buscar por ajuda de um profissional. Pois o acúmulo de um desequilíbrio, um dia vai explodir.

white-oleanderClaro que as pessoas têm o direito a momentos seus. Namorar, é algo sempre bem-vindo. O que não deveria é se deixar dominar por uma paixão. Ainda mais numa mente já com um parafuso solto. É um passo para cometer um crime. Com isso terminam deixando o filho a deus-dará. E é mais ou menos isso que temos em “Deixe-me Viver” (White Oleander). A mãe envenena o namorado, com a prisão, sua filha conhece o mundo sozinha. Tem mais aqui.

Há algo que para a maioria dos pais é uma dor insuportável: o de enterrar um filho. Ainda mais sendo uma criança, e mais ainda por uma irresponsabilidade de uma pessoa. Em “Traídos pelo Destino” (Reservation Road) o atropelamento foi um estopim. Um tipo de “Acorda!” bem abrupto para um também pai. E para o pai da criança atropelada, a perda do filho encobriu-lhe a visão na busca pelo culpado. Aqui.

Gente! Esse outro filme foi super criticado. Agora, eu adorei! Eu ri muito, como também chorei numa cena onde a Diane Keaton confessa algo a filha caçula. Num papo de mulher para mulher, mas algo raro entre mãe e filha em gerações como a minha. O filme é o “Minha Mãe Quer Que Eu Case” (Because I Said So). Querendo arrumar alguém decente para sua filha, essa mãe põe até anúncio na internet, e faz as entrevistas. Claro que às escondidas. Tem mais aqui.

Pais! Chega uma hora que acabam virando filhos. Quer seja por idade, ou doença. Enfim, chega a hora de aceitarem as limitações que a vida impôs. A questão é saber se seus filhos hão de querer também aceitar que serão eles agora os responsáveis nos cuidados. Se não verão como um fardo a se carregar. Ou se darão um jeito de alguém disposto a isso. Nesse tocante, trago um filme lindo de ver e rever. É o “Conduzindo Miss Daisy” (Driving Miss Daisy). Por não estar mais em condições de guiar o carro o filho contrata um motorista. Acontece que a mãe é turrona, não dar o braço a torcer. Por outro lado, o motorista é um cuca-fresca adorável. E aos poucos, vai nascendo uma linda amizade entre eles. Conto mais aqui.

the-savagesJá nesse outro a minha motivação maior para vê-lo foi por estar no elenco o Philip Seymour Hoffman. Aqui a senilidade do pai fará com que dois irmãos busque pelo sentimento família. Não tiveram a presença da mãe, como também tão logo puderam se virar sozinhos, cairam no mundo fugindo da tirania do pai. E nessa reunião forçada da “A Família Savage” (The Savages), eles tentarão ser de fato uma família. Aqui.

Um filme que todos da família deveriam assistir é o “Conversando com Mamãe” (Conversaciones con Mamá). O filme faz uma radiografia em quase todos os problemas modernos pertinentes a uma família. Como diz o título é um papo com a mãe e cujo filho já é adulto. Por estar desempregado, a mulher o pressiona para que venda a casa da mãe, porque ela não quer perder o status. Ele, que nos últimos tempos só falava com a mãe por telefone, ao chegar na casa dela se surpreende até por ela ter um namorado. E nessa conversa ele descobrirá mais que a infância perdida. Conto mais aqui.

el-hijo-de-la-noviaBem, há muitos filmes que abordam essa relação. Que ficarão para uma próxima vez. Para encerrar, um convite ao casamento dos próprios pais. Por que não, não é mesmo? É o “O Filho da Noiva” (El Hijo de la Novia). Que após um ataque cardíaco : “O filho que tomou às rédeas do restaurante da família. O filho que passa a olhar a mãe, que agora sofre do mal de Alzheimer, com outros olhos. O filho que tenta entender a vontade atual do pai, em casar na igreja com sua mãe. O pai, que ele até então estava se comportando (um dia na semana para estar com a filha). O namorado, ou melhor, o namoro que apenas ia levando… E outras descobertas mais nessa pós-parada.”

Enfim que em vez de Pais versus Filhos, que seja Pais e Filhos!
E que um colo é sempre bom de dar, como também em receber!
See you!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em: 19/06/08).

Anúncios

BIUTIFUL (Biutiful. 2010)

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.
Um diretor que acerta em todos os filmes que já participou, deve ser respeitado. Sua característica maior de fragmentação de locações e histórias de outras empreitadas, agora se inverte. Ele torna-se único e uno. Uma cidade, Barcelona. Um ator principal, Javier Bardem. Um tema, a morte. Uma câmera, granulada. Um sentimento, a inevitabilidade – da vida. E a inquietude – da platéia.

Fala de despedida, rapaz na neve, Bardem e ele conversam em primeiro plano, ambos fumam. Apresentam uma certa nostalgia e familiaridade entre si. Cena inicial. Corta. Uxbal (Bardem) está com hematúria, consulta médica, revela seu passado de drogadicto. Close monumental no rosto do ator, que é embrutecido, traços grosseiros, barba por fazer, homem feio à primeira vista, mas sua masculinidade e conjunto; agradam.

Sua vida é coalhada de tragédias, pequenas e grandes. Seu irmão vivo é um idiota que precisa se afirmar (vide seus relacionamentos e profissão) como homem. Pais estão mortos. Filhos em idade escolar, no ensino fundamental em Barcelona. Não aquela da praia, das Ramblas, mas da Ciutat Vella, de Barri del Raval. Eles, apesar de tudo vão à escola todos os dias, fazem tarefa e comem nos horários certos. A mãe? Paciente psiquiátrica, medicada, mas não controlada. Carente e agressiva. Sorridente e triste. Magra e forte. Um poço de contradições, assim como Uxbal.

Ele é médium. Ouve os mortos. E o filme gira em torno dela, a morte. No seu inefável círculo. Ele ganha dinheiro com isso. Também agencia estrangeiros para trabalhar em condições subumanas. Os senegaleses, que ficam na rua vendendo bugigangas que ninguém quer e os chineses, que as fabricam em regime de semi-escravidão.

Um subtexto forte, pois eles também têm famílias, sonhos, dificuldades imensuráveis de sobrevivência, além da óbvia barreira da língua e racial. Uxbal se preocupa com eles, mas não deixa de ser culpado pelos infortúnios que ocorrem. E são muitos, e são graves.

Sua doença é terminal. Mas o diretor não alisa, as coisas pioram para ele. Onde ficarão meus filhos? E com quem? Não há redenção e nem saídas. A câmera que se movimenta mais do que o normal contribuindo para isso. Além das passagens de cena serem marcadas por mariposas no teto, por lagartixas, por um ambiente sempre degradado e degradante. Como se o tempo todo o filme estivesse suando, nervoso, abafado, tenso. Isso incomoda deveras.

O fim está chegando. Não há um momento de conforto, de cenas claras, de grandes externas, apesar de Barcelona ser linda, assim como toda a Catalunha. O círculo se fecha. Quase um réquiem. Os poucos e breves momentos foram quando ele tentou unir a família, que um dia existiu. As outras famílias apresentadas são todas quebradas, dissociadas, perecíveis, um aspecto de finitude e fragilidade. Não há felicidade, talvez paz. Talvez.

O que há de bom: habilidade de conduzir uma história rica e complexa e nos afetar
O que há de ruim: nenhuma esperança
O que prestar atenção: repare bem no personagem que está pregado no teto, ao final
A cena do filme: ele, a filha, o anel, e o pai

Cotação: filme ótimo(@@@@)

COBRA

BIUTIFUL.(Biutiful. 2010). EUA. Diretor e Roteiro: Alejandro González Iñárritu. Elenco: Javier Bardem, Blanca Portillo, Maricel Álvarez, Rubén Ochandiano. Gênero: Drama.Duração: 147 minutos.

Laços de Ternura (Terms of Endearment. 1983)

lacos-de-ternuraRevendo o filme, ‘Laços de Ternura‘, após tanto tempo, me levou a pensar num paralelo com a atualidade. Além do ato de ser mãe. Nesse tocante vem a máxima que diz que mãe é tudo igual, só mudando o endereço. E pela época do filme, pela história contida nele, nem dá para dizer que muita coisa mudou de lá para cá.

Mais de 20 anos se passaram e ainda vemos muitas mulheres gerando um filho atrás do outro sem o menor planejamento. Meio frio de minha parte, concordo. Mas há sim o de se pesar o orçamento do casal. Se terá como arcar financeiramente com a educação. Jogar nos ombros dos avós essa responsabilidade eu não acho justo. Não com uma imposição velada. Uma das ajudas que poderia ser, seria por conta de algo como nesse filme. No final dele.

O filme também fala do aborto. Numa conversa entre mãe e filha. Para que vejam que nada mudou em todos esses anos ainda é feito em larga escala, mesmo sendo ilegal. Recentemente foi feito uma pesquisa sobre esse tema, chegando nesse resultado: “Quase 4 milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos. Em sua maioria, o grupo não é formado por adolescentes, mas por mulheres entre 20 e 29 anos. Mais da metade se declarou católica. E mais de dois terços já têm filhos. A maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar.” Como podem ver, faltou o o planejamento que citei anteriormente.

O filme também traz as puladas de cerca. De um lado, procurando nisso dar vazão aos desejos do corpo. Do outro, por não querer romper de vez com o matrimônio. Naquela de até que a morte os separe? Há também um terceiro motivo: os filhos. E até por conta deles também pesará as pensões advindas num rompimento. Se a grana anda curta, o que dirá tendo que manter duas casas? Então, enquanto ninguém reclamar, mantém-se toda a situação.

Entraria aqui até essa máxima: “O que os olhos não vêem, o coração não sente“. Ou outra mais cínica: “Se quer trair, que o faça sem deixar rastros“. Até aqui como podem verem todos esses anos nada mudou. Muito de nós conhecemos relacionamentos assim. Mas apesar de pontos em comuns, cada relação é única.

Entrando no filme… Aurora (Shirley MacLaine) só quis ter uma filha. Talvez pelo seu temperamento. Com mais um tempo de casada, enviuvou. O filme dá outro salto no tempo, e então começa de fato toda a trama. Às vésperas do casamento de sua filha Emma (Debra Winger) com Flap (Jeff Daniels). Aurora não aprovava o casamento. Para ela, a filha iria sofrer por ele ganhar muito pouco. Flap era Professor. Mas Emma nasceu para ser Dona de Casa. Nem quis continuar os estudos, nem arrumar um emprego fora de casa. Queria mesmo cuidar do Lar, do marido e dos filhos. Então foram morar longe de Aurora.

jack-nicholson_and_shirley-macLaine_terms-of-endearmentAurora por sua vez embora sempre cortejada por uns amigos se fechou a um novo amor, ou mesmo as simples relações. Bloqueando os seus apetites sexuais. Diferente da filha que mantinha um caso extra-conjugal com Burns (John Lithgow). Flap também mantinha um caso com uma aluna. Tudo seguia sua rotina na vida de Aurora até que entra em cena um barulhento vizinho, Garret (Jack Nicholson), e que não saía mais de seus pensamentos. Mas passaram-se 15 anos para ela tomar a iniciativa. A cena da primeira saída dos dois é memorável.

Por não gostar de rédeas, após um namoro, Garret mesmo gostando dela, resolve sair de cena. Até que com uma virada do destino, pela perda de um membro da família, todos se unem para cuidarem das três crianças.

Um belo filme! Para ver e rever. A trilha sonora é linda, mas uma em especial, é de querer ouvir várias vezes. Ouça-a:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Laços de Ternura (Terms of Endearment). 1983. EUA. Direção e Roteiro: James L. Brooks. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado em livro de Larry McMurtry.

Quatro Irmãos (Four Brothers. 2005)

Esses quatro não são nada comparados ao que seriam sem ela.

Antes… Esse filme é um remake do faroeste “Os Filhos de Katie Elder”, estrelado por John Wayne e Dean Martin. Mas como uma história do Velho Oeste ficaria ambientada nos tempos atuais? E em Detroit. Acontece que os bandidos se adequam ao tempo em que vivem. Como também continuam e em todas as esferas; em todos os Poderes. Embora eu adore Western, eu vim falar sobre esse aqui.

No início do filme vemos uma simpática senhorinha ser assassinada a sangue-frio. Durante um assalto a um mercadinho onde fora comprar o peru para o almoço do Dia de Ação de Graças. Ela é Evelyn Mercer (Fionnula Flanagan). Alguém que dedicou parte de sua vida a encontrar um lar para as crianças do orfanato. E a quatro, por não encontrar quem os adotasse, mais que dar a eles um sobrenome, deu também amor. Deu um colo de mãe. O carinho e o aconchego de um verdadeiro lar.

Após o funeral, o Policial Green (Terrence Howard) traça um perfil dos quatro irmãos ao seu companheiro de equipe Fowler (Josh Charles). Ficamos conhecendo um pouco deles: Bobby (Mark Wahlberg), Jeremiah (André Benjamin), Jack (Garrett Hedlund) e Angel (Tyrese Gibson). Ao cumprimentar Green, Bobby diz que não veio para o funeral da mãe. É, ele quer o de quem tirou deles, o bem mais precioso. E ao descobrir que pode ter sido uma execução… A ele, junta-se mais dois irmãos nessa investigação… Não irão deixam barato!

Pessoal! Esqueçam o politicamente correto. Afinal trata-se de um filme. Juntem-se a eles. É tanta corrupção, bandidagem que diariamente aparece na mídia… Usem o filme como uma catarse.

Além dos atores darem um show de interpretação. O filme conta com uma trilha sonora incrível! Com alguns hits para quem curtiu a turma da Motown Records. Um deles: “Papa was a Rolling Stone” (The Temptations).

Nota máxima geral! Filmaço! De querer rever outras vezes mais.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quatro Irmãos (Four Brothers). 2005. EUA. Direção: John Singleton. Elenco: Mark Wahlberg, Tyrese Gibson, André Benjamin, Garrett Hedlund, Terrence Howard, FionnulaFlanagan, Chiwetel Ejiofor, Sofia Vergara, Josh Charles. Gênero: Ação, Crime, Drama, Suspense. Duração: 109 minutos.

Elsa e Fred – Um Amor de Paixão (Elsa y Fred. 2005)

elsa_fred.jpg

Fiquei com vontade de reunir aqui um outro filme, o “Ensina-me a Viver“. Pela lição de vida com que as duas personagens nos brindam. Acontece que merecem um texto único até porque ambas, as atrizes, deram um show de interpretação! Sendo assim, a Maude seguirá em outra análise. Aqui, é a hora e vez de Elsa.

E o que temos em “Elsa e Fred – Um Amor de Paixão“? Dizer que é um namoro entre duas pessoas com quase 80 anos de idade seria resumir muito a história. Dizer que um deles tenta motivar o outro que ficou viúvo recentemente, já se aproxima. Mas tem muito mais! Um, inventa doenças. O outro, tenta conciliar a existência de uma com a sede de ainda querer viver até o último momento. Mas ambos nos levam a sorrir, a emocionarmos, a torcer por eles.

Numa atualidade onde o novo é logo descartado por outro mais novo, o filme primazia por mostrar aqueles que discriminam os idosos que eles ainda têm muito a dizer. Que eles ainda têm muito o que fazer.

Elsa (China Zorrilla) é uma explosão de alegria. Alguém que ainda quer aproveitar a vida sem medo de ser feliz. Que num jeito meio inconseqüente nos cativa, até pelo jeito em que prioriza os seus atos. Não apenas com os estranhos, mas também com seus filhos. Fred (Manuel Alexandre) é um cavalheiro e um sujeito encantador! Que descobrirá a vida novamente graças a ela.

O filme me levou às lágrimas numa cena com a Elsa. Quando ela diante do espelho diz: “Olá! Estranha!“. Quando o que o espelho mostra não condiz com o interior, o jeito é aceitar para uma convivência pacífica com si próprio. Novos tempos. Novos rumos.

Amei! Nota: 10. Em tudo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Elsa e Fred – Um Amor de Paixão (Elsa y Fred). Espanha. 2005. Direção e Roteiro: Marcos Carnevale. Com: China Zorrilla, Manuel Alexandre. Gênero: Drama, Romance. Duração: 108 minutos. Classificação: 12 anos.

Juno (2007). Gravidez na Aolescência. E Agora?

juno2.jpg

Transar é muito bom! Mais há de se pensar no amanhã. Onde até os cuidados para isso podem ser prazeirosos nas preliminares. Além das DSTs corre-se o risco de uma gravidez. E se ela veio sem ser planejada. Fazer o que? O Filme “Juno” traz à mesa de discussão esse tema: gravidez precoce.

Simplesmente encantador esse filme! São raros os filmes que mostra esse universo adolescente sem os eternos clichês. E d um jeito mais real. Até porque nós que passamos por essa fase sabemos quais foram os nossos verdadeiros dramas; e queríamos respeitos por isso. Afinal, todos compõem essa tribo, quer seja um nerd, ou um alienado, ou um do meio-termo…

Merece elogios também por abordar algo que está em triste ascensão: a gravidez na adolescência. Os problemas advindo com esse ato. Aborto… Adoção… Os Pais… A escola… Por aí…

Claro que também para quem já conhece minhas resenhas… Nesse EU dou um BRAVO por ser mais um que aborda o universo feminino sem estereótipos, e o faz com muito respeito. Ainda mais com algo tão feminino: a concepção. E o desejo de fato de querer ser mãe ou não. Pois não basta só gerar uma criança.

Outro grande trunfo está nos atores. Bela escolha de elenco!

Entrando na história… Juno (Ellen Page) tem consciência do que fez. Não fora algo apressado. Aconteceu. Ou melhor! É o quem tem grande chances de ocorrer numa transa se não se precavem: a gravidez. Ao contar primeiro a uma amiga Juno nos conquista de vez!! É! O “pai” (Michel Cera) fica sabendo depois. E dentro de todo um aparato…

O lance seguinte é contar aos seus pais. A mãe, mora longe; fez outra família. A presenteia com cactos. Juno mora com o pai e a madrasta. Contar. Como contar a eles… Outro ponto alto do filme! A cena é perfeita! Os medos e anseios que passam na cabeça de cada um antes de ouvir… E no modo maduro após a notícia. Afinal, já está feito.

Nesse ponto há algo de muita maturidade. Algo que muitos adultos ainda não alcançaram esse nível de desprendimento. Quando Juno decide que uma outra família é que criará seu filho. E o faz com tanta naturalidade. Sem os preconceitos morais, religiosos tão comuns no mundo adulto. Eu amei!

Juno segue na escolha de um casal feliz, que se amam, que darão muito amor ao seu filho! Mas existe um casal perfeito? Uma criança precisa realmente de ter pai e mãe perto dela para ser feliz?

Juno e o Pai (J.K. Simmons) se querem muito bem. E durante uma conversa, querendo saber da tristeza dela em querer saber se duas pessoas podem mesmo ficar juntas para sempre… Ele então diz: “Que o melhor a fazer é achar alguém que a ame pelo que você é. De bom ou mau humor. Feia ou bonita. O que for… Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.” Lindo conselho!

E destaque também para a trilha sonora!

Ah sim! Já me disseram que não sou um parâmetro em saber se o filme tem trechos que emocionam ou não. Hehe… Por eu ser manteigona. Bem, nesse para mim teve sim. De lágrimas riscarem a minha face com algumas cenas.

Amei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Juno. EUA. 2007. Direção: Jason Reitman. Roteiro: Diablo Cody. Com: Ellen Page, Michel Cera, J.K. Simmons, Allison Janney, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman.

Curiosidade: Diablo Cody levou o 0scar 2008 em Roteiro Original. E foi a sua estréia como roteirista. Premiação merecida!