Kumiko, a Caçadora de Tesouros (2014). Realidade e Fantasia Tornando uma Coisa Só!

Kumiko-a-Cacadora-de-Tesouros_2014_posterFargo_1996Por: Eunice Bernal.
Em “Kumiko, a Caçadora de Tesouros” o argumento, a principio, é bem básico e fácil de entender, mas para que a história tome forma e faça sentido ao espectador, é recomendável antes de tudo, ter conhecimento do longa “Fargo” dos Irmãos Coen, saber qual é a ideia central, e inteirar-se dos fatos que ocorrem ali porque todo o desenrolar do conto de fadas com a protagonista japonesa tem a ver com esse clássico estadunidense com toques de humor negro. Portanto, para continuar sabendo dessa história, é bom relembrar, ao menos, o que se passa em “Fargo“. Evidentemente que se entenderia de qualquer forma a história da personagem-título “Kumiko, a Caçadora de Tesouros“, mesmo não tendo assistido ao aclamado dos Irmãos Joel e Ethan ou de ter, ao menos, lido a sinopse. É mais para que se possa situar no enredo.

Fargo_cenas-do-filmeKumiko e Fargo: duas obras interessantes de diretores de mesma nacionalidade; talvez o diretor David Zellner seja admirador dos criadores de Fargo, e como forma de homenageá-los, usou como ponte, uma cena interessante para traçar o paralelo entre as duas histórias, e nessa bela roupagem metalinguística o gancho ao tesouro é uma mala recheada de dólares, enterrado na neve em Dakota do Norte, seria o predicado para a garimpagem de um outro tesouro invisível na sétima arte: o próprio filme Fargo, ou uma cópia em VHS sendo desenterrado, eis a questão. Só mesmo alguém com um pouquinho de perspicácia para ter uma imaginação fértil e ter bolado essa cena.

Então relembrando aqui a sinopse de Fargo (1996): Em 1987 em Fargo, no Dakota do Norte, o gerente (William H. Macy) de uma revendedora de automóveis, ao se ver em uma delicada situação financeira, elabora o sequestro da própria esposa (Kristin Rudrud) e faz um acordo com dois marginais, que ganhariam um carro novo e metade dos 80 mil dólares que seriam pagos pelo seu sogro, um homem muito rico. Mas uma série de acontecimentos não previstos cria logo de início um triplo assassinato e uma chefe de polícia grávida (Frances McDormand) tenta elucidar o caso, que continua provocando mais mortes. Apesar de o filme ser declarado como “baseado em fatos reais”, a história passada em Fargo foi na verdade elaborada pelos próprios Irmãos Joel e Ethan Coen, roteiristas do filme, ou seja, uma inverdade.

Kumiko_cena-do-filme-03Quanto a sinopse de “Kumiko, a Caçadora de Tesouros” (2014): Uma solitária japonesa convence-se de que uma sacola de dinheiro enterrada em um filme de ficção é, de fato, real. Abandonando sua vida estruturada em Tóquio para ir viver na região congelada e selvagem Minnesota, ela embarca em uma busca impulsiva para procurar sua mítica fortuna perdida.

Em Kumiko também o roteirista optou em declarar em letras garrafais nos créditos iniciais tratar-se de obra baseada em acontecimentos verídicos, só que até o momento, pelas minhas pesquisas, isso não foi confirmado e nem negado. Chego à conclusão que o autor do argumento por ser apóstolo dos Coen optou por brincar com a situação repetindo a dose nesse parque de diversões.

O fato é que Kumiko, a balzaquiana, acredita piamente que o tesouro (a mala recheada de dólares) continuava lá, em Fargo, Dakota do Norte enterrada próximo àquela cerca com um objeto vermelho fincado no solo marcando o local exato (talvez ela tenha pensado que mesmo sendo um filme, aquele dinheiro era de verdade e depois das gravações esqueceram de pegar de volta; talvez ela não soubesse que uma boa parte do filme tivesse sido rodado no Canadá, por ser o frio lá mais rigoroso do que nos EUA, e na época das gravações na terra do Tio Sam era primavera.

Kumiko_cena-do-filmeKumiko existe? Pessoas como ela sim, claro, que existem aos montes por aí, que vivem no mundo de Matrix, não sabendo distinguir a linha tênue que separa a realidade da ficção.

Inverossímeis ou não, duas obras capazes de nos causar sensações de desconforto, de nos tirar do sério e nos deixar participar dessa viagem ao mundo da magia e encanto que o cinema proporciona; às vezes é primordial sair da zona de conforto, enfrentar trânsito para ver um especial como este num telão!

Kumiko não é só ingênua; dentro dessa jovem mora um pouco de maldade e de malícia. Desgostosa com o mundo real, não ligando sequer para a própria aparência, tampouco para a mãe, para trabalho e nem para os conhecidos e uma amiga que encontra na rua ou olhar uma criança deixada aos seus cuidados; destrata seu chefe, jogando suas roupas numa lixeira, cuspindo em sua bebida e roubando seu cartão de crédito para comprar sua passagem para viajar em busca de um suposto tesouro no outro lado do mundo, digno de uma criatura exótica…

Kumiko_cena-do-filme-04Considero o filme Kumiko, do diretor e roteirista David Zellner com colaboração de Nathan Zellner no roteiro – na história do cinema moderno pra lá de formidável, uma joia rara, um tesouro que a sétima arte deve guardar a sete chaves com carinho no museu do cinema e para os cinéfilos sempre que quiser poder ver e rever. Achei formidável a própria história que aconteceu no filme referência Fargo como a que aconteceu com a jovem no Japão ter entrado de cabeça nesse mundo da imaginação e mesclado a sua própria realidade, não sabendo onde começa um e termina o outro. Parece que novamente realidade e fantasia se confundem tornando uma coisa só. Já testemunhamos tanto trabalho original e criativo no mundo do Cinema e parece que de vez em quando somos surpreendidos como agora nessa história de KUMIKO de roteiro incrível.

No prólogo, a protagonista é apresentada caminhando pela praia segurando um mapa e ela parece que estava predestinada a encontrar um tesouro perdido numa gruta naquela proximidade e acaba encontrando um filme em VHS enterrado lá, e essa fita ela viu muitas vezes e que dizia ser baseado em fatos reais. Talvez ela tenha acreditado que realmente fosse fatos reais e alguém enterrou ao lado de uma cerca uma mala contendo muito dinheiro como se isso fosse um fato real e não encenação.

Sim, Fargo é um tesouro! E Kumiko – a cinéfila que com seus mapas vive por ai garimpando ótimos filmes – é mais um filme com roteiro inteligente e que certamente vai para a minha galeria dos instigantes. Curti!
Eunice Bernal

Kumiko, a Caçadora de Tesouros (Kumiko, the Treasure Hunter. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015)

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_cartazmad-max_tina-turner_e_mel-gibsonDa Saga Mad Max iniciada 1979 (Um outro em 1981 e mais um em 1985) as lembranças se foram quase por completo. Ficando mais de dois personagens, ou melhor, da caracterização deles: de um Mel Gibson com uma jaqueta de couro preta e uma Tina Turner com um visual meio que de uma amazonas futurista… O forte mesmo na lembrança vem de um dos temas musicais de um dos filmes com a poderosa voz de Tina Turner cantando “We don’t Need Another Hero“. Aliás a simples menção do nome “Mad Max” é essa música que de imediato vem da memória. Sendo assim era pegar a pipoca para assistir “Mad Max: Estrada da Fúria” com sabor de uma primeira vez. E o que o tempo dirá do que ficará dessa nova versão também com a assinatura de George Miller.

vietnam-napalm_criancas_foto-de-nick-utMas antes um pouco da história real da década de 70 já que foi quase no final dela que a história do filme foi escrita. Uma década recém saída de Woodstock: o mundo não era nada “paz e amor“. Da corrida armamentista. Da revolução iraniana. Da União Soviética ganhando status de potência mundial. Das Ditaduras Militares na América Latina. Do genocídio em Timor Leste. Dos Estados Unidos perdendo na Guerra do Vietnã. Onde a imagem de uma menina correndo fica como símbolo dos inocentes das guerras estúpidas. Onde se manterem no poder institucionalizam a censura, a tortura, a repressão e um clima de terror do tipo “alerta laranja” em nome de uma segurança nacional. Década da grande crise do petróleo com os países árabes dando às cartas. Com isso afetando a Economia de vários países… Com jovens saídos da era de aquário e mulheres tentando se integrar no mercado de trabalho, mas sem muita formação especializada. Com as migrações até em busca de uma vida melhor, mas deixando-os marginalizados nas novas pátrias… Agora, para não dizer que não falei das flores… A preocupação pela devastação dos recursos naturais do planeta assumiu um caráter mais coletivo, saindo do campo visionário e colocando o timbre em documentos: os primeiros passos na proteção do meio ambiente! Pelo menos algo positivo numa década que no mínimo bem explosiva e com um futuro pouco animador: meio apocalíptico. E esse era o mundo que inspirou George Miller: um mundo onde a realidade supera a ficção…

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_Tom-HardyAgora sim entrando na história do filme o qual tentarei não trazer spoiler. Mesmo não sendo um Thriller, deixar um pouco de suspense é sempre bom num filme de muita Ação.

Nessa nova versão, além dos avanços tecnológicos, a história coloca o herói já na estrada tentando fugir dos seus próprios fantasmas ao mesmo tempo que tentando sobreviver num mundo pós apocalíptico: Max Rockatansky já se tornara um selvagem solitário e ele é o mestre de cerimônia em “Mad Max: Estrada da Fúria“. Uma pausa para falar do ator Tom Hardy que nas primeiras cenas me fizeram lembrar de Russell Crowe do que de Mel Gibson. Sinal de que para mim o filme continuava com ares de primeira vez, mas em pensar em outro ator para o personagem daria a Tom Hardy um peso maior na performance até o final… E posso dizer que ele conseguiu! Conquistou de vez papel: atuou muito bem!

Max é logo capturado por um grupo e feito prisioneiro para algo um tanto quanto estranho. Mais ainda quando o levam em uma missão com “garotos da guerra“: jovens preparados para morrer com a promessa do paraíso. Algo familiar ao mundo real, não? Como também pelo contexto da trama me fez lembrar da do livro “Os Meninos do Brasil“, de Ira Levin.

Não só esses jovens, mas um grande exército, aliás são três porque mais dois se juntam a esse primeiro numa perseguição a algo maior que fora roubado desse primeiro. E quem o levara fora alguém dessa elite. Logo a Imperatriz que se rebela e foge com esse pequeno grande tesouro; e à ela irão se juntar Max e mais um dos tais jovens, (Nicholas Hoult). Bem nem se trata de um spoiler pois faz parte do contexto de um herói: os mosqueteiros ajudando a mocinha do filme. Muito embora, e com o nome de Furiosa, ela é uma destemida guerreira. Parte dessa trama com ela entre essas perseguições e outras coisas mais, me fizeram lembrar do filme “Tank Girl“, de 1995. Que em nada descaraterizou a heroína desse aqui: a uma lembrança me levou a sorrir. Sei lá, mas talvez o Diretor George Miller tenha deixado um lado também para o humor, ou mesmo mais leve para essa personagem. Até porque ela ainda tem história para contar num próximo filme. Agora, em uma da cena onde ela se prostra ao chão… ficaria muito melhor tendo ao fundo a música “We don’t Need Another Hero“, muito embora eu também pensei nesse trecho de uma das nossas: “Um homem pra chamar de seu, mesmo que ele seja eu“… Contudo mesmo com todo o elenco estando ótimos… a performance de Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria” foi magistral.

mad-max-estrada-da-furia-2015_01Em “Mad Max: Estrada da Fúria” parece que o mundo fora dividido entre três governos tiranos. Com cada um controlando algo muito importante: um é a água, o outro combustível e o terceiro os alimentos. O do combustível parece que queria mais ser um astro de rock (Richard Carter)… Mas é o que detém o controle da água, o tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) o grande vilão dessa história. E é a sua Cidadela que iremos conhecer um pouco mais de perto. Digo isso porque até como o título do filme mostra ele se passa quase todo por estradas num deserto com direito a corridas também em desfiladeiros. Possesso, Immortan Joe, vai pessoalmente, e com todos os outros, atrás dos fugitivos numa perseguição alucinante.

Então é isso! A nova roupagem para a “Saga Mad Max” está aprovada! Já ansiosa para a continuação! Peguem bastante pipoca para não perder nenhum segundo em quase duas horas de filmes! Parabéns a George Miller pelo conjunto da obra! Um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015).
Ficha Técnica: na página do IMDb.

Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover – Part III. 2013)

se-beber-nao-case-parte-3_2013Eis que chega a última parte da trilogia ‘Se Beber, Não Case!‘ sob a batuta de Todd Phillips. Nos anteriores já havia de antemão a despedida de solteiro de um deles. Onde no primeiro “ganharam” de brinde o pancadão do Alan (Zach Galifianakis) por Sid (Jeffrey Tambor), o sogro do Doug (Justin Bartha). E Alan mostrou e provou que no quesito aventura urbana ele não faz por menos, apronta mesmo. Só que no fundo é um crianção. Talvez por conta disso Doug, Phil (Bradley Cooper) e Stu (Ed Helms) podem não ter caído de amores por Alan a princípio, mas depois fizeram dele um amigo. Com certeza mesmo o elo que o ligava aos três amigos já de longa data é por ser Alan cunhado de Doug. Por outro lado, Alan os tem como amigo, tendo Phil como um líder para essas loucuras. Algo que na cabeça de Alan é tudo normal. Até ter ficado amigo de outro louco como Chow (Ken Jeong).

se-beber-nao-case-parte-3_00Mas mais do que alguém carente de afeto, Alan extrapolou com sua última aventura. Mais precisamente com uma aquisição: a compra de uma girafa viva. Mais do que um brinquedinho, o sem noção dos limites do Alan termina provocando uma tragédia na auto-estrada, cujas consequências levou o pai a um ataque fulminante. Sem Sid que ainda detinha um certo controle sobre ele, sua mãe e irmã decidem interná-lo. Cabendo então aos três amigos levá-lo para a tal instituição.

E é quando a última aventura começa! Seria realmente a última? De qualquer forma, a caminho da clínica para doentes mentais tinha mais do que uma pedra a mudar o plano inicial. Sendo que dessa vez alguém corria risco de ser morto.

se-beber-nao-case-parte-3_01Como nas aventuras dos filmes de 2009 e de 2011, Doug também fica de fora nesse. Sendo que dessa vez a turma terá que fazer um servicinho para tirá-lo das mãos de um gângster. Onde entra em cena o personagem de John Goodman, o nem todo poderoso chefão Marshall. Que quer reaver algo que Chow roubou dele. E como Alan e Chow mantém contato, Doug fica de refém até recuperarem as barras de ouro roubadas. Assim, Phil, Stu e Alan partem para Las Vegas. Como bem disse o finado Sid certa vez: ‘O que acontece em Vegas, fica em Vegas!‘. Mas querendo também que o seja para Tijuana, no México.

se-beber-nao-case-3_02Além de trazerem personagens dos filmes anteriores, algumas participações merecem destaque. Uma é com a Melissa McCarthy. Ela faz Cassie, que se mostra tão louca como eles. Ela se encanta por um deles, e que há reciprocidade. Quem se lembra pelo menos um pouco do primeiro, viu que havia um bebê. Alan passou grande parte do filme carregando ele no colo até descobrirem a mãe dele. Pois nesse ele cresceu um pouco. Ele é Tyler (Grant Holmquist). O menininho não titubeou diante do louco Alan. Foi ótimo! Vida longa ao pequeno Holmquist!

se-beber-nao-case-parte-3_03O filme também traz como referências cenas de outros filmes, que termina como um ‘Quiz’ para quem assiste. Há como elo de ligação: a amizade, ou melhor, a cumplicidade entre os personagens. Uma seria com a fuga em ‘Um Sonho de Liberdade‘. Uma outra com a travessia da faixa de pedestre mais famosa do mundo. Uma, com o Alan no elevador bancando um funcionário do hotel me fez lembrar de uma em ‘Margin Call – O Dia Antes do Fim‘. Se foram homenagens ou não, já valeram pelo sorrisão no rosto.

Mas do que viverem uma nova e última aventura, ‘Se Beber, Não Case! Parte III‘ no final das contas também foi uma despedida de solteiro. Fechando assim o ciclo desse tipo de evento masculino a caminho do altar. Se bem que o final do filme deixou uma porta aberta para novas agruras… Ops! Digo novas aventuras com esses marmanjos. Que se vier, com certeza eu irei ver! Até porque um filme antes de tudo é entretenimento.

O Diretor Todd Phillips provou que sabe conduzir bem temas bem corriqueiros do Cinema. Atestado com mais esse. Conseguindo fechar e bem a trilogia com a saga desses homens em suas despedidas de solteiros. Mesmo  esse terceiro não tenha sido uma comédia rasgada quanto o segundo, eu gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover – Part III). 2013. EUA. Direção e Roteiro: Todd Phillips. Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, Heather Graham, Jeffrey Tambor, Sasha Barrese, Rachael Harris, Jamie Chung, Mike Tyson, John Goodman, Mike Epps. Gênero: Comédia. Duração: 100 minutos.

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2010)

coracoes-perdidos_2010Por Norma Emiliano.

A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe”. Allá Bozarth-Campbell

A morte de um filho, principalmente jovem, bem como a da mãe quando se é criança, provoca sentimentos ambivalentes, nos quais a culpa, a raiva, o desalento constroem muros, isolando as pessoas até de si mesmo.

O filme Corações Perdidos cruza as vidas de um casal (Lois e Doug), que perdera sua filha adolescente, e de uma jovem órfã (Allison) que perdera a mãe desde os cinco anos.

O silêncio impera entre o casal que não fala da morte e de nada que os incomode; na casa, o quarto da filha mantém-se intacto sinalizando a negação da morte. Alisson vaga solitária pela vida sem amor a si própria, trabalhando como strip, sujeitando-se à prostituição.

Na trama, Lois, após a morte da filha, fica deprimida, não consegue sair de casa e sua relação com Doug é distante e conturbada. Ele vive uma relação extraconjugal, e a morte abrupta da amante o deixa sem direção. Porém, quando viaja à negócios, seu encontro com Allison lhe desperta os cuidados paternos e ele abandona a esposa.

Lois tenta superar seu pânico e vai ao encontro do marido e acaba também se envolvendo com as questões de Alison. No desenrolar do roteiro, Allison fará com que o casal lembre-se do real motivo que os uniu e sua relação com eles transforma suas vidas.

O luto é inevitável; superar a dor da perda é um processo cujo tempo é subjetivo, pois cada pessoa tem um “tempo emocional”. No filme os personagens encontram-se aprisionados à negação, “dormência emocional”. O cruzamento das histórias (casal e jovem prostituta) dispara o movimento para cura através da quebra do silêncio, da recuperação da autoestima e da mudança de hábitos.

Reine Sobre Mim (Reign Over Me. 2007)

Fica, ó brisa fica pois talvez quem sabe /  O inesperado faça uma surpresa / E traga alguém que queira te escutar / E junto a mim queira ficar.”

Como pano de fundo em “Reine Sobre Mim” vemos dois tipo de fugas. Um, por não ter superado um grande trauma. O outro por não saber como resolver uma pendência doméstica. O que me levou a algumas reflexões. Algumas vezes basta uma noite do sono para desanuviar a mente e então se chegar ao solução de um problema. Noutras, se faz necessário procurar por ajuda de um profissional. Noutras ainda, há quem prefira se agarrar em tentar sanar um problema alheio como meio de não pensar no próprio. Mesmo achando que esse de outra pessoa seja muito mais sério que o próprio em algum momento terá que ter uma tomada de decisão. Mas adiar também pode dar chance de algo inesperado trazer a solução.

E quem seria esses dois fugitivos que o destino fez suas vidas se cruzarem?

Um deles é Alan Johnson (Don Cheadle). Que está passando por uma crise pessoal. Se divide entre o consultório dentário e a família, quase literalmente. O que não lhe deixa espaço para si próprio. Até sente falta de um amigo com o qual teria esse momento só seu. Sem querer fazer uma terapia, meio que tenta obter esperando a Psicóloga Angela Oakhurst (Liv Tyler) na saída do consultório dela. Um dia Alan vê passar por ele um ex-colega de quarto da faculdade, mas esse parece não reconhecêlo.´Alan ciente da tragédia que abateu sobre esse amigo, decide investir seu tempo na recuperação dele.

Esse outro é Charlie Fineman (Adam Sandler). Charlie se colocou dentro de muros invisíveis, protegido pelo contador (Bryan Sugarman) e a síndica do prédio (Melinda Dillon). O que dificulta ainda mais a aproximação a ele. Como se não bastasse, Charlie para não ouvir os próprios pensamentos, ouve música quase o tempo todo, com um enorme fone de ouvidos. Se dedica a duas coisas. Uma é colecionar discos em vinis. Sendo que uma de suas músicas preferidas também dá título ao filme, é “Love, Reign O’er Me“. Meio paradoxal já que não quer pensar na perda da esposa que tanto amava, fica ouvindo um hino ao amor. Sua outra atividade compulsiva, e que o faz como uma penitência é reformar sempre a cozinha.

Tudo isso tem um elo que leva Alan a ir atrás do fio da meada. Um jeito de abrir uma passagem até a mente de Charlie. Angela termina ajudando Alan nesse resgate a Charlie. Mas os ex-sogros, Jonathan (Robert Klein) e Ginger (Melinda Dillon) Timpleman, de Charlie que tentavam uma reaproximação terminam piorando ainda mais. Mas pareciam mesmo que queriam interditar o genro para se apoderarem da grana que ele recebeu com seguro pela morte de sua  filha e neta que estavam num dos aviões do 11 de Setembro. Deixando nas mãos do Juiz Raines (Donald Sutherland) decidir o destino de Charlie.

Não me vejo como uma estudiosa no tocante a Cinema, mas sim uma cinéfila que de um tempo para cá buscou se aprofundar um pouco no trabalho de alguns Diretores. Talvez por ser recente o escrever sobre filmes, ou mesmo por uma simples curiosidade. A questão é que buscando um elo entre os filmes de cada um deles, a tal marca pessoal, pode-se ver em qual temática ele se identifica mais. Curioso também que tenho feito isso a partir de um filme que gostei. Como agora após assistir “Reine Sobre Mim“. No qual acrescento a lista o Diretor Mike Binder. Sendo dele também o Roteiro fui olhar quais mais ele escreveu. Dos que eu já vi, foram “O Cadillac Azul” (1990), que me deu vontade de rever, e o “A Outra Face da Raiva” (2005). Que me leva a dizer que Mike Binder é muito bom em histórias com um divisor de água.

“Reine Sobre Mim” leva o drama maior sem cair na pieguice. Até porque há momentos de humor. Claro que emociona. Até porque houve uma invasão de privacidade. O que leva a se perguntar se os fins justificam os meios? Até onde um amigo pode ir para tirar um amigo de quase um mundo paralelo. Ainda mais quando se sente que ele deixou uma porta entreaberta. E o final do filme vem com a sensação de alma lavada, de ter valido a pena ter pego esse atalho pois uma missão foi cumprida e enfim conseguiu ter um momento só seu. Aplausos também para Don Cheadle e Adam Sandler! Ambos os atores estiveram ótimos!

Então é isso! O filme por um todo é muito bom! E que me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Reine Sobre Mim (Reign Over Me. 2007). EUA. Direção e Roteiro: Mike Binder. Gênero: Drama. Duração: 124 minutos.

Madagascar 3 – Os Procurados (Madagascar 3: Europe Most Wanted. 2012)

O Gênero Animação para nós adultos além é claro de pura diversão, vem como uma doce nostalgia dos tempos das leituras das histórias infantis. Momentos mágicos juntos aos personagens. Onde não havia limites para a imaginação: animais falavam, o tempo tinha mais tempo, as distâncias encurtavam ao sabor da trama… Por aí! Daí não tem porque buscar por verossimilhança nos fatos das histórias contadas nesse tipo de filme. Onde a fantasia era a chave para aquele portal. Isto posto! Dos livros para a telona, e no momento atual, seria se há de fato justificativa para o uso do 3D. Porque os Produtores ainda não pensam que Salas para essa tecnologia continua sendo minoria. Se havia encanto com simples desenhos nos livros, o 3D tem mesmo que vir como um grande coadjuvante nos filmes, e não com o pensamento voltado para as bilheterias. Enfim, “Madagascar 3 – Os Procurados” é mais um a abusar desse recurso. Todo o brilho do espetáculo circense foi feito para o Cinema em 3D. O que irá comprometer um pouco quem assistir em 2D.

Agora, se o 3D tira ou não o romantismo das nossas histórias infantis é um caso a pensar. O fato é que os fãs dessa turminha irão se divertir com essa continuação. Se com o nosso “Sítio do Picapau Amarelo” tínhamos aventuras mil, o mesmo também acontece os amigos fugitivos do Zoo do Central Park. Na trama atual temos Alex (leão), Marty (zebra), Gloria (hipopótamo) e Melman (girafa) desencantados com a dureza em solo africano. Como crianças que fugiram além da esquina, querem voltar para casa, ou seja, ao coração de Nova Iorque. Uma grande selva de asfalto.

Mas para isso, eles ainda confiam numa outra turminha: os pinguins Capitão, Rico, Kowalski e Recruta. Que para mim, roubam o filme sempre que aparecem. Esses levam a vida na flauta. Compromisso mesmo só um: o de fazer a aventura prosseguir para continuarem curtindo a vida adoidado. São adeptos de: viva o percurso. E no momento dessa busca, eles mais os chimpanzés se encontram em Monte Carlo. Com referências a alguns filmes, eles descobrem como quebrar a banca nos cassinos.

Atrapalhados, nesse reencontro, terminam chamando a atenção de uma policial, a Capitã Chantel DuBois. Que usa o uniforme para poder praticar um hobbye: o de caçadora. Ao ver que terá a cabeça de um leão, e com isso abrilhantar sua coleção, não medirá esforços nessa caçada pela Europa.

Tentando ganhar tempo para poderem voltar as Américas, eles resolvem se “esconderem” num Circo. Além de tentarem quebrar o gelo do ex-astro do Circo, Vitaly (tigre), precisam ajudar a trupe a alavancar novamente o show que apresentam. Porque assim o Circo ganharia patrocínio para se apresentarem em Nova Iorque. Mas para isso precisam buscar um talento em cada um deles. Até o de não se deixarem pegar pela Chantel. Além do tigre russo, fazem parte do grupo desse circo: Gia, uma puma italiana; e Stefano, um leão marinho também italiano.

O mote principal desde o primeiro filme é a amizade entre um grupo tão heterogêneo. Louvável, sim! Até para lembrar aqueles que preferem “cópias” de si mesmo como amigos. Mas também muito engraçado até pelo bom humor entre eles. E é aí que fica um querer ver essa e mais histórias com todos eles. Afinal, o show deve continuar!

Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Madagascar 3 – Os Procurados (Madagascar 3: Europe Most Wanted. 2012). EUA. Diretor: Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon. Roteiro: Eric Darnell, Noah Baumbach. Elenco Original (Vozes): Ben Stiller (Alex), Chris Rock (Marty), David Schwimmer (Melman), Jada Pinkett Smith (Gloria), Sacha Baron Cohen (Rei Julien), Cedric the Entertainer (Maurice), Andy Richter (MorK), Tom McGrath (Capitão), Frances McDormand (Capitã Chantel DuBois), Jessica Chastain (Gia), Bryan Cranston (Vitaly), Martin Short (Stefano), Chris Miller (Kowalski), Christopher Knights (Recruta), Conrad Vernon (Mason). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Duração: 90 minutos. Classificação: Livre para todos os públicos.

Elenco Brasileiro:
Alexandre Moreno como Alex, o leão.
Felipe Grinnan como Marty, a zebra.
Heloísa Périssé como Glória, o hipopótamo.
Ricardo Juarez como Melman, a girafa.
Guilherme Briggs como Rei Julian, o lêmure.
Ricardo Schnetzer como Maurice, o aie-aie.
Christiano Torreão como Mork, o microcebus.
Claudio Galvan como Capitão, o pinguim.
Eduardo Dascar como Kowalski, o pinguim.
Gustavo Veiga como Recruta, o pinguim.
Marcelo Sandrine como Rico, o pinguim.
Pedro Eugenio como Mason (Phil não tem diálogo).
Monica Rossi como capitã Chantel DuBois.
Mauro Ramos como Vitaly, o tigre.
Sylvia Saluste como Gia, a jaguar.
Marcos Frota como Stefano, o leão marinho.