Milk – A Voz da Igualdade (2008)

milk_movieAinda não assisti o filme que levou o Brad Pitt a ser indicado ao Oscar, me falta tempo, mas Sean Penn com certeza era mesmo um páreo duro pra ele como Harvey Milk.

Harvey foi um ativista das causas Homossexuais na Política Americana da década de 70; tornou-se, portanto, o primeiro homossexual a ter um cargo importante nos EUA.

O filme retrata essa trajetória de um homossexual que consegue centralizar tanto o povo quanto a Política num único bem comum. À parte do ativismo, se é que há como separar essas instâncias, mostra a vida dele íntima com seu companheiro Scottie, a falência de uma relação pelos motivos de sempre: ausências, falta de atenção etc.

Eu entendo esse filme como “extremamente Shakespeariano”: a tragédia é um fato diante das obscuridades que movem o ser humano.

Nada mais humano do que a inveja e o ciúmes…

Por: Vampira Olímpia.

Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Gênero: Drama, Política

EUA – 2008

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MILK – A Voz da Igualdade (2008)

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Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiro não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção.

Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.Até ver o filme eu nem ‘sonhava’ com Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em armários ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.   

milk_james-franco-and-sean-pennMilk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região que vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que uma hétero…  Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.

Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não  gostar de carnaval… Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.

milk_06Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt  (James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada  num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível! 

Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho – e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!  

No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.

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 Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

 Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

 Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média…Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade,  utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!

05_13_nicoletta1Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade. O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união  entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008,  nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.” A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

 Por: Rozzi Brasil.  Blog: Crônicas Urbanas.

MILK – A Voz da Igualdade (MILK). 2008. EUA. Direção: Gus Van Sant. Elenco: Sean Penn (Harvey Milk), Josh Brolin (Dan White), Emile Hirsch (Cleve Jones), James Franco (Scott Smith). Gênero: Biografia, Drama, Romance. Duração: 128 minutos.