Valente (Brave.2012)

Amo as histórias da Velha Escócia! Elas me remetem as da Távola Redonda, entre outras. Mas em “Valente” em vez de um grande herói, temos uma heroína que trilhará um árduo caminho em um período de sua vida. Um momento de transição onde seu destino parecia estar traçado. E que ela quis mudar. Só que sem maturidade ainda ao forçar um como desejava, termina metendo os pés pelas mãos, restando-lhe tentar consertar o seu erro.

A Animação “Valente” é belíssima! É mágica, de nos levar para dentro dela para acompanhar mais de perto toda a trama. Com certeza agradará a diversos públicos. O qual eu destacaria um mais específico: os que gostam de traçar um paralelo entre história e personagem com a simbologia voltada à Psicologia. Em especial: os arquétipos. Onde em vez de um mergulho na lendária Brumas… aqui será no coração da Floresta Negra. A jovem em questão terá que lidar não apenas com a sua própria Sombra, mas com outras que desencadeou nesse atalho.

Ela é Merida, a primogênita do Rei Fergus e da Rainha Elinor. Ele, um cara muito tosco, mas dono de um enorme coração. Que além de muito carinho, transmitiu a filha o gosto por aventuras. Além de incentivá-la nas artes tradicionalmente masculinas. Merida além de amar cavalgar, é talentosíssima no arco e flecha. Por conta disso é muito mais ligada ao pai do que a mãe. Por repelir tudo o que vem da Rainha, será o principal motivo de se deixar levar pela emoção do momento. Jung já dizia que o que nos incomoda no outro deveria nos ajudar a nos conhecermos melhor, o que seria um caminho para uma elevação espiritual.

Merida já trazia em sim uma certa valentia não condizente às mulheres da época. Ainda em criança não desgrudou os olhos da luta entre seu amado pai e um grande urso negro. Assim, até inconscientemente esse ser a acompanhou até esse seu grande momento crucial. Mesmo ele já tendo se tornado um grande inimigo do povo: incorporado ao inconsiente coletivo. Lenda e realidade se mesclavam na cultura local.

Valente” também me fez lembrar de dois filmes em especial. Um, o “Alice“, de Tim Burton. Vendo, entenderão o porque. Contar aqui seria trazer spoiler, e eu não quero quebrar o encantamento ao assistir esse filme. O outro foi “A Viagem de Chihiro“. Tal e qual essa outra personagem, Merida se encontrava insatisfeita com a mudança em seu futuro tão próximo. Ambas, ao seguirem por um atalho, perceberam que não seria por aí que mudariam o próprio destino. Para alcançar o livre arbítrio se faz necessário primeiro se adequar, estudar a questão, e então ter a certeza em querer traçar seu destino.

Acontece que nesse atalho escolhido como fuga, ou por ganhar um tempo maior, feito de um jeito louco, acabou alterando o destino de outros drasticamente. Iriam enfrentar suas próprias Sombras, querendo ou não. Com isso, não teriam como sair facilmente de algo bem tenebroso. E o que era pior, provocado por Merida. Ela então precisava correr contra o tempo. Provar que era de fato valente para evitar uma tragédia maior. Mais! Tentar também conciliar as duas heranças recebidas de seus pais, quer fossem genéticas ou culturais, para então assumir de fato a sua personalidade, a sua maturidade. Afinal, em seu futuro estaria o trono daquele reino.

Para a elegante e fina rainha, Merida estava entrando em idade de ser cortejada por futuros pretendentes. Mas pelo temperamento da filha, a rainha quis adiantar o destino dela. Com isso, ao impor como fato consumado, lhe faltou tentar um diálogo maior com a filha, em ouvir o que ela queria para si. E foi para fugir desse casamento arranjado, que essa menina de cabelos cor de fogo levou a todos quase a beira de um inferno. Quase, porque também foi o período que mais levou as duas – mãe e filha – ficarem mais próximas, e durante essa idade tão difícil que é a adolescência. Cabendo então a mãe reconhecer que Merida era uma rebelde com causa.

São ainda poucos os filmes a mostrarem personagens femininos memoráveis e adoráveis. “Valente” veio para fazer parte dessa pequena e seleta lista. Filmaço! De querer rever. Mesmo sendo ele perfeito até com final, em mim deixou um querer ver novas aventuras com essa valente mocinha.

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Valente (Brave.2012). EUA. Diretor: Mark Andrews, Brenda Chapman. Roteiro: Brenda Chapman, Irene Mecchi. Gênero: Ação, Animação, Aventura. Duração: 100 minutos.

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Trainspotting – Sem Limites (1996)

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É um filme tão absolutamente chocante, tresloucado, insano, que o melhor é assisti – lo às 2 da manha num pre – porre. Brincadeira gente!

Apologia ao uso das drogas e a total perda de limites entre a realidade e as alucinações em que um grupo de jovens se envolvem, inclusive uma jovem que é mãe e cujo bebê vive entre eles. Estou para ver no cinema cena pior do que o bebê largado no berço com a mãe drogada em qualquer lugar da casa, quando um dos junckers tem uma fração de lucidez ao avistar a criança. De brochar até quem tiver pensando num fumacê pós filme.

Em Edimburgo, em uma casa, para escaparem da moderna vida tediosa e do dia-a-dia frustrante da cidade, um grupo de jovens resolve se entregar à heroína. As consequências chegam em pouco tempo, e a ruína para eles não será pequena.

Em minha opinião, na mesma proporção que os ingleses fazem as melhores tiradas de humor, eles consequem criar climas soturnos, sombrios, deprimentes, cinzentos que não existe nas produções cinematográficas no mundo.

Filme recomendadíssimo. É um cult.

Transpotting – Sem Limites (1996).
Direção: Danny Bole

Elenco: Ewan Macgregor, Paul lynch, Roberto Carlyle, Jonny Lee Miller
Origem: Reino Unido, colorido, 94 min
Conteudo: de tudo um pouco.

Por motivos aleatorios a minha vontade, nao consegui deixar aqui a lista do soundtrack.
Comprem o dvd. comprem o cd!

Just a perferct day (velvet underground)

Just a perfect day
Drink sangria in the park
And then later when it gets dark we go home
Just a perfect day
Feed animals in the zoo
And then later, a movie too and then home
Oh it’s such a perfect day
I’m glad I spend it with you
Oh such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on
Just a perfect day
Problems all left alone
Weekenders on are own
It’s such fun
Just a perfect day
You make me forget myself
I thought I was someone else
Someone good
Oh it’s such a perfect day
I’m glad I spend it with you
Oh such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on
You’re going to reap
Just what you sow
You’re going to reap
Just what you sow
You’re going to reap
Just what you sow
You’re going to reap
Just what you sow

por: criz barros

Trainspotting – Sem Limites (1996)

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Pelo que estou lembrado do ano… achei a melhor produção de 96 sem sombras de dúvida. Assisti mais pela curiosidade pois havia assistido o primeiro filme de Danny Boyle (COVA RASA) e achei interessantemente diferente. Enquanto o primeiro apareceu meio tímido na telona, esse teve direito até a Outdoors com a data do lançamento.

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A visão é fantástica!  Pois as produções de até então mostravam o viciado como uma vítima de tudo que gira em torno de seu vício (como no caso de Diário de um Adolescente de 95). Já o filme de Danny Boyle não! Se afundam no vício sujo sem serem vítimas… são protagonistas! As fusões de realidade e surrealismos das viagens incomodam e Ewan MacGregor desponta como o astro que se tornou. Eu ja havia gostado de seu papel em O LIVRO DE CABECEIRA (96) e inclusive por isso assisti COVA RASA (95). E inevitavelmente parti para a dobradinha Boyle/MacGregor. O resultado não podia ter sido melhor!

O filme é uma pancada na cabeça, psicodélico, diferente, diverte… fora a trilha sonora fodástica com muito som Made in UK. Destaque especial para “Born Sleep” do Underworld que despontou com a trilha e 12 anos depois continua firme e forte.

Uma realidade dura e suja sendo utilizada para a realização de um filme ousado e marcante.

Por: Korben Dallas.

Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting). 1996. Reino Unido. Direção: Danny Boyle. Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd, Robert Carlyle, Kelly Macdonald. Gênero: Drama. Duração: 96 minutos. Baseado em livro de Irene Welsh.

Coisas que Perdemos Pelo Caminho (Things We Lost in the Fire. 2007)

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Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente“.

Assisti o filme por uma indicação, e gostei! Uma lida apenas na sinopse, talvez não o assistiria logo. Mas com o aval de quem me indicou foi que despertou a minha curiosidade de cinéfila. Até porque a tal sinopse não contava quase nada. Ou porque ao ver um nome por lá, me fez ficar desmotivada. Enfim, valeu mesmo ter assistido “Coisas que Perdemos pelo Caminho“! Só não sei se conseguirei omitir spoilers. Assim, se ainda não viu o filme, fica aqui a sugestão: Assista! O filme é muito bom! Depois então volte para uma troca de impressões.

Começo falando do título. De imediato, eu pensei em coisas que perdemos por displicência, por relapso… mas que sabemos que de uma hora para outra vai aparecer novamente. Mas assistindo o filme, claro que a perda principal fora por assassinato. Foi, e sem chances de voltar. Agora, com o desenrolar da história ficamos sabendo que há também a perda por… por preconceito!? Não! O termo seria outro. Por talvez criar uma barreira a aquilo que vai mexer com a rotina certinha da família. Ou dela própria. Uma atitude mais reacionária.

Entrando no filme. Um casal feliz, com um casal de filhos, voltam das férias ao lar doce lar. Antes da vida seguir a rotina normal – trabalho, escola… -, eis que o paizão, Brian (David Duchovny), sai para comprar sorvete para os filhos, à noite, e é baleado. Não por um assaltante, mas sim por um homem que batia violentamente numa mulher. Brian foi intervir. Parando para ajudar, para fazer um bem, terminou perdendo a vida. Então, em vez do maridão, Audrey (Halle Berry) recebe a polícia com a trágica notícia.

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Como citei no início, um nome não me motivava a assistir esse filme. O dessa atriz, Halle Berry. Até então, não gostava das suas interpretações. No que vi antes desse, “A Estranha Perfeita“, mais parecia uma cópia da Angelina Jolie. Para mim, faltava a ela uma performance visceral. Nesse ela está no caminho certo. Ela conseguiu passar dor, revolta, medo, frustração, raiva, comiseração, tristeza, desejo, serenidade… E por ela mesmo, sem me levar a pensar em outra atriz. Mais um ponto que me fez gostar desse filme.

Durante o velório lembra que tem que avisar alguém. Então seu irmão, Neal (Omar Benson Miller), vai buscar a tal pessoa. Ele é Jerry (Benicio Del Toro). Alguém muito especial para o Brian. Eram grandes amigos. Mas por ser um viciado seus encontros eram longe do seu sacrossanto lar. Na primeira fase do filme, paralelo ao velório e ao enterro, se tem os momentos que antecederam a morte do Brian. Ele teve tempo de comemorar o aniversário do Jerry. É quando vemos o carinho e a cumplicidade entre os dois. Algo que Audrey não entende. Até põe a culpa em Jerry pelo sumiço de um dinheiro dentro do carro do casal.

Ao descobrir o dinheiro caído entre os bancos do carro, a título de diminuir a sua culpa, o leva para morar num quarto ao lado da garagem. Agora, com o desenrolar da história, ela irá lidar com outros fantasmas seus. E Jerry será o seu saco de pancada.

Para o pequeno Harper (Alexis Llewellyn), a chegada de Brian fora uma benção, pois veio suprir a perda repentina do pai. Já para Dory (Micah Berry), já adolescente, há um misto de rejeição, receio de se apegar e haver uma nova perda, mas há um bem querer.

Durante o velório, o vizinho e amigo de Brian, Howard (John Carroll Lynch), primeiro se espanta em saber que Jerry também era amigo de Brian, por nunca tê-lo visto, nem tinha conhecimento dele. E mais um pouco ao saber que era um viciado. Mas o jeitão do Jerry, somado ao fato de ter sido especial para Brian, joga fora seus pensamentos, nascendo ali uma amizade. Muito embora, ambos não sabiam. Jerry apesar do vício, era uma pessoa cativante.

benicio-del-toro1Pausa para falar do Benicio Del Toro. Ele dá um um show de interpretação. E mais! Faz uma bela dobradinha com a Halle Berry. Não tira o brilho nem dela, nem dos demais com que contracena. Dá ao seu personagem um jeito meninão, mais de um modo que seduz a todos.

Enquanto com a morte de Brian, Jerry tenta se livrar das drogas, Audrey põe para fora todos os sentimentos. E através de falas que põe o dedo na ferida. Algumas me levavam a exclamar um ‘PQP! Por que isso agora, mulher!?‘ Noutras ficava num simples ‘Putz!‘. É! Por essas falas ela descarregava nele toda a sua revolta por ter perdido o seu grande amor. Por ser ele um inútil, viciado em drogas. Por descobrir que ele sabia tanto de tudo o que tinha acontecido com a sua família, de coisas que nem ela sabia. Por ele estar tomando o espaço do pai para seus filhos. Por ele estar vivenciando momentos que seriam do Brian. Enfim, a raiva maior dela foi ter descoberto que perdeu momentos por ter sido tão reacionária.

Antes do desfecho final se o Jerry não fosse tão especial teriam os dois arruinados suas vidas. No caso dele, teria sido a ruína de vez. A cada frase dura, proferida a Jerry, a enfraquecia mais. Audrey, ora o jogava num inferno, ora o tirava de lá. Uma fera ferida. Num momento de lucidez Jerry viu que precisava fazer algo por aquela família, mas que não conseguiria sozinho.

E no final… Bem, eles souberam que enterraram mais que o Brian. Que na vida há perdas irreparáveis, como também que há aquelas que se faz necessário “perder” para então seguir em frente sem cargas inúteis. Há realmente coisas que se deve abandonar pelo caminho. Que há também aquelas que um dia voltam renovadas. Para eles dois, foram pelo bem querer que o Brian deixou a seus entes queridos.

É um filme que deixou uma vontade de revê-lo um dia. Mas não o chamaria de filmaço. Nem daria uma nota máxima. Dou um 9.

Por: Valeria Miguez (Lella).

Coisas que Perdemos Pelo Caminho (Things We Lost in the Fire). 2007.  Reino Unido. Direção: Susanne Bier. Elenco: Halle Berry, Benicio Del Toro, David Duchovny, Alexis Llewellyn, Micah Berry, Alison Lohman, John Carroll Lynch, Omar Benson Miller. Gênero: Drama. Duração: 118 minutos.