A Condenação (Conviction. 2010)

A história em si foi o que me motivou mais a ver esse filme. Em conhecer essa mulher que lutou por anos tentando inocentar o irmão. Já imaginando que com isso ela deixaria outras vidas à margem. Mais do que um amor fraternal, haveria um amor maternal dentro de si. Mas e para os próprios filhos, eles ficariam mesmo de lado durante essa missão? Lugar comum ou não, há no coração de uma mãe o se doar mais ao filho que tem mais chance de sair do caminho. O que tem uma mente mais suscetível as tentações da vida. Como na Parábola, essa irmã/mãezona vai em busca da ovelha desgarrada.

O título original é perfeito, pois se não tivesse tanta convicção da inocência do irmão o mesmo iria apodrecer na prisão.

Em ‘A Condenação’ a história é dessa personagem – Betty Anne Waters -, muito bem interpretada por Hilary Swank. Nossa! Tem hora de desejar que o irmão seja mesmo inocente por causa dela. E que quando entra em cena a personalidade do irmão… Essa convicção ganha uma oitava maior. Bravo Betty Anne!

Sam Rockwell é quem faz o Kenny, o irmão de Betty. Nossa! Ele quase rouba todas as cenas. Perfeito no papel! Talvez por conta de sua performance que no Brasil escolheram como título “A Condenação“. Com o desenrolar da história Kenny me fez pensar no personagem de River Phoenix do filme “Conta Comigo” (Stand by Me. 1986). Por conta de um temperamento instável, por vezes bem agressivo, fica mais fácil de induzir a todos que acreditem na culpa dele. Que o condenem mesmo sendo inocente.

O filme é longo, mas não perde o ritmo, como também deixa um querer ver de novo pelo menos até o julgamento onde condenaram Kenny por assassinato em primeiro grau. Onde mulheres se voltaram contra ele em testemunho, além de uma policial, Nancy Taylor, tentando mostrar serviço. Papel esse interpretado por Melissa Leo. Perfeita. Uma das mulheres que testemunhou que fora ele o assassino é interpretada por Juliette Lewis. Meio irreconhecível, mas também perfeita. Essas duas, mais a mãe da filha de Kenny, conseguem nos transmitir indignação pelo o que fizeram. E com isso das atrizes merecerem aplausos pela performance.

A Condenação” começa num tempo próximo ao presente da história. Em flashback conhecemos um pouco desde a infância desses dois irmãos. Dos dois, mesmo sendo Betty a caçula, há nela a força de salvaguardar o irmão. São arteiros os dois, mas com o temperamento pavio curto dele, e a falta de paciência dos adultos, Kenny cresce com a fama de bad boy. Com isso num local pequeno o “Recolham os suspeitos de sempre!” Kenny é sempre indiciado.

Voltando a falar do amor maternal… A mãe de Betty e Kenny praticamente só os trouxera ao mundo. O que aumenta em Betty o amor até como proteger o irmão. Mais tarde com o primeiro filho Betty chega a dizer que nunca seria como a mãe dela foi. Mas com a condenação do irmão, mesmo estando sob o mesmo teto com seus filhos, mesmo tentando ser presente na vida deles, era como se estivesse ausente. Seus filhos foram crescendo vendo a mãe com o tio dominando seus pensamentos e atos. Ela até voltou aos estudos. Queria muito cursar Direito, ser advogada, e tentar achar um jeito de inocentar o irmão. Por tudo isso, não tem como julgá-la negativamente. O máximo seria em se perguntar se faríamos o mesmo ou não. Mas há mais reflexões. Tanto dos filhos da Betty com ela. Como de quem seria Kenny se não fosse o amor da irmã.

A condenação do irmão acontece em 1983. De lá para cá a ciência evoluiu fazendo com que as Leis se adequasse em aceitar novos meios de se provar algo. Era uma nova porta que se abria. Mas… Outros obstáculos pareciam não evoluir. Admitir que errara, era um deles.

Betty fora o tempo todo incansável. Só se deixou abater por causa de um motivo. Que lhe quebrantou sua alma. Por sorte o destino colocara em sua vida uma amiga de verdade: Abra Rice. Mais uma magistral interpretação nesse filme, e de Minnie Driver. Pois é! Como se não bastassem tantos temas abordados nesse filme, ele nos presenteia com essa linda história de amizade. Abra entra na vida de Betty como uma lufada da brisa da manhã. Traz vida nova! É daquela que diz a verdade com convicção de que o faz por gostar, por querer bem, a amiga. Abra nos mostra que amizade como a dela está ficando mais raro. Pois muitos só querem amigos para massagear o ego.

Por tudo isso, e muito mais que eu dou Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Condenação (Conviction. 2010). EUA. Direção: Tony Goldwyn. Roteiro: Pamela Gray. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 107 minutos. Baseado em fatos reais.

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A Condenação (Conviction. 2010)

A razão que  me levou ao cinema para assistir “Conviction, 2010“, foi a atriz Hilary Swank (Betty Anne), e a estória do filme em si- embora soubesse do final. “Conviction” é o segundo filme dirigido pelo ator Tony Goldwyn (o vilão Carl de “Ghost”, 1990), e achei que ele fez um belo trabalho.

O filme começa com as conseqüências de um terrível assassinato em Ayer, Massachusetts. O policial local Nancy Taylor (uma Melisa Leo desconfortável vestida de policial-, mas num desempenho bonito, principalmente na sua ultima cena, no filme), tem problemas contra Kenny Waters (Rockwell), após anos de seu comportamento vadio. Apesar de suas alegações não furar, anos depois, Kenny é condenado pelo crime com base no depoimento de sua ex-esposa e uma amiga que afirmam que ele se gabou do crime.

Ao longo dessa introdução, o filme relembra Betty Anne e Kenny quando crianças- muitas vezes se metendo em confusão. A mãe deles é negligente e vive se embriagando. Essas cenas fazem um trabalho louvável, que estabelece a convicção de Betty em lutar por 18 anos para ver o seu irmão livre.

O filme tem um pouco de “Erin Brockovich”: Betty sacrifíca o seu casamento, abandona a guarda de seus dois filhos, luta para conseguir um diploma de Direito. Se torna advogada. Tem ajuda de uma amiga vivida por Minnie Driver e, pelo famoso advogado Barry Scheck (Peter Gallagher), que  ajudou na defesa de  J. O Simpson, como consultor jurídico.

Os desempenhos de Swank e Rockwell elevam o filme. Tem cenas que não contive as lágrimas. Rockwell fez Kenny de um modo, onde gira sobre o humor e o charme, e, às vezes, mostrando um temperamento elevado, onde se pode sentir sua raiva, rebeldia, e a esperança pelo melhor.  Uma atuação digna de ser indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, em 2011.  O personagem Betty Anne não exige muito de Swank, mas a autenticidade, a bravura, e  convicção do seu desempenho fazem esse papel um dos mais atraentes de sua carreira.  Ainda, acredito que haja uma vaga para ela entre as 5 candidatas ao Oscar de melhor atriz, em 2011.

A atuação de Juliete Lewis é outro ponto marcante do filme. Ela faz  o papel da namorada rabujenta de Kenny. Lewis praticamente rouba todas as cenas do filme- pena que são poucas-, mas recordo que quando vi os dentes dela, eu quis sair do cinema e ir imediatamente para um dentista. Foi tão brutal vê-la falar, que sinceramente, pode sentir o cheiro de seus dentes.

O Ponto fraco:

A narrativa parece apressada para chegar ao cerne da questão e, depois fica no drama entre Kenny e sua filha adulta, fazendo o final se arrastar demais. Embora, como um drama de tribunal (chega ao patamar de “Erin Brockovich”), isso é, “Conviction” é superior a qualquer filme de televisão em horário nobre.

P.S.: O filme esqueceu de destacar que Kenny Waters morreu de traumatismo craniano causado por uma queda em apenas três meses após a sua libertação da prisão.

Sem data de lançamento no Brasil 😦

Conviction (2010)- 107 min. Drama. Direção: Tony Goldwyn  Roteiro: Pamela Elenco: Hilary Swank,  Sam Rockwell, Minnie Driver, Juliette Lewis, Melissa Leo, Peter Gallagher.

Amelia. Aquilo sim, é que era mulher?!

Em outubro de 2009, o filme “AMELIA,” estreou por aqui, recebendo críticas negativas. Mesmo assim, fui vê-lo por dois motivos: aprender sobre a vida de Amelia Earhart e apreciar mais um trabalho de Hillary Swank. Creio que num filme de 111 minutos é impossível descrever em detalhes sobre essa marcante figura norte americana. Na verdade, mesmo se fosse um filme de 3 horas, acho que muitos americanos de hoje não encontrariam motivação para ver um filme sobre esta aviadora que morreu aos 39 em 1937. Além disso, é importante lembrar que Earhart foi no seu tempo uma dos dez figuras americanas mais famosa do mundo.

Muitas coisas negativas podem ser ditas sobre “AMELIA,” mas vou começar pelos pontos relevantes, e que mais gostei: o filme restaura um equilíbrio à saga de Earhart, fielmente traçando seus triunfos antes de habitação, até ao seu vôo fatídico final. Outro ponto positivo no filme é a trilha sonora de Gabriel Yared. Achei-a belissima e bastante emotiva. Um erro a academia não ter reconhecido esse trabalho dele! Também, a fotografia de Stuart Dryburgh é perfeita!. As cenas de vôo são muito bem feitas, ganhando mais brilho com as belas faixas escritas por Yared.

Infelizmente, o roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan se preocupa mais com a construção de um triângulo amoroso entre Amelia, Putnam (o coroa, a quem ela se casa em 1931) e seu jovem rival, Gene Vidal (Ewan McGregor, a pior interpretação da carreira dele, que já vi). O Vidal de McGregor é de uma suavidade, que não pude acreditar o que uma mulher tão forte como Amélia vê nele, ou vice-versa. Também, não há muita coisa acontecendo entre Amélia e Putnam (Gere, desde vez, não consegue nem fazer o típico romântico e mesmo desesperado pelo amor de Amélia, ela explica o que ela está procurando. Além disso, “o sussurro” parece tomar o centro do palco com o desempenho de Gere). Achei que o roteiro não explora os motivos que Amelia queria tanto voar. Ela quer apenas voar e voar. Bem, creio que às vezes, o ser humano gosta tanto de algo, que nem sempre encontra as razões para justificar. Contudo, como leigo sobre quem era realmente era essa figura da aviação, esperava compreender os motivos que esse mulher queria tanto voar. No filme, a Amelia de Swank vive na base de muito otimismo. Num sol ensolarado, os vôos surgem apenas para ela “se divertir” e não deixar ninguém “invadir o seu caminho.”

Swank parece como Amelia. Ela também sorrir como Amelia, e evoca Amelia, mas não é consistente na criação da personagem. Já no início do filme, nota-se que Swank, de certa forma, fala com os dentes e não com a boca. Depois, o sotaque fica um pouco melhor, mas o desempenho não. Não nego que sou fã de Hillary Swank. Mas, ela faz parte de um tipo de atriz que não convence em todo tipo de papel. Contudo, quando ela evoca algo, Hillary brilha como poucas atrizes. Seu desempenho neste filme, em muitas cenas carece de inspiração, todavia, é ainda uma atuação mais interessante do que vê uma Sandra Bullock recebendo uma indicação ao Oscar este ano. Gosto muito da cena quando Amelia está ao ‘telefone’ com o marido (Gere) e tenta esconder sua fraqueza. Nota-se uma mulher mais humana, e menos “fora” do limite que vai além de uma obsessão para voar. Essa cena foi tão boa e emocionante, que me fez querer rever o filme, agora que foi lançado em DVD.

Mesmo que perdi um pouco de esperança de me envolver emocionalmente ou visceralmente com a vida Amelia Earheart, Mira Nair pega velocidade nos minutos finais do filme. Ao mostrar o vôo ao redor do globo e segurar uma tensão genuína ao mostrar Amelia atingindo a sua última etapa. Finalmente, temos um senso palpável dos riscos selvagem tomadas pelos pioneiros da aviação. Amélia, uma heroína da vida real, que me faz chegar a conclusão de que ela estava certa! Bendita boca que cantou verdades dizendo: “Aquilo sim, é que era mulher!” Emancipou-se, foi à luta!. Ai Meu Deus, mas terá mais gente que sentirá saudades dessa Amélia?

Menina de Ouro (Million Dollar Baby. 2004)

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Não quero medir a altura do tombo. Nem passar agosto, esperando setembro. Se bem me lembro, o melhor futuro este hoje, escuro… Eu não quero ter o tédio, me escorrendo das mãos…

Eu assisti mais esse filme porque um amigo disse que ‘Menina de Ouro’ era melhor que ‘Mar Adentro‘ e ‘O Escafandro e a Borboleta‘. De imediato, deu para imaginar o que estaria contido nele, já que ligou esse aos outros dois. Dois que eu amei! Mas em se tratando de luta de boxe, uma fatalidade não seria tão inusitada assim… Calhou do dvd estar em promoção, e lá fui eu comprá-lo e constatar se era ou não. Se eu gostaria desse tanto quanto os outros dois. Mas…  Antes de contar o que eu achei, dois pontos relevantes.

Um deles sobre a minha resistência em somente agora ver um filme tão aclamado pelo público; nem lembro se pela crítica especializada, também o foi. Bem, o filme a grosso modo foca o mundo do boxe. Mais adiante eu entrarei na história em si. Mas sem dúvida nenhuma temos nesse os bastidores do boxe. Filmes com essa temática, eu não curto muito. Na infância eu até assistia algo similar na tv, o TeleCatch. Mas se a memória não falhou, era tudo encenação. Sem esmurrar de fato o adversário. E via mesmo, por estar na casa de primos, dai, era mais pela companhia, ou falta de opção… De lá para cá… vi ‘Rocky, Um Lutador‘, mas o que ficou mesmo retido na memória, foi o choro do menininho no filme ‘O Campeão’, e só.

O outro ponto a destacar é que irei contar detalhes do filme. Terá spoiler. Agora, outros que também viram ‘Mar Adentro’ e ‘O Escafandro e a Borboleta’ e ainda não viu ‘Menina de Ouro’ já podem imaginar o que o filme irá abordar também. Alguma sequela grave, seria uma. E também a eutanásia. Pronto! É isso.

O que temos nesse filme é praticamente a aposentadoria forçada de um homem. Que ela não saiu como ele esperava. Será? Pois se sua profissão era quase como preparar galos de brigas. Então nem vejo méritos nela. Nem honrarias no que se viu obrigado a fazer. Algo meio que: o criador pondo fim na criatura. Ele não teve culpa, nem diretamente. Seus reflexos estavam bons, mas a distância não o deixou chegar a tempo de retirar o banquinho fatídico.

menina-de-ouroO que se tem no boxe? Ali no meio do ringue ficam duas feras prontas para matar o outro de socos. Que seria o adversário ali naquela hora? Que prazer era aquele em bater sem dó nem piedade? Que tipos de pessoas escolhem essa profissão? A mim, pode até ser preconceito meu até por pouco entender desse universo, pois o que penso é que são desprovidos de inteligência. De não saberem canalizar sua força destruidora em outra profissão. Agora, e quem é o comandante dessas marionetes? Ele, o treinador.

O começo do fim… na vida de um treinador. E que nos é contada por uma das suas criaturas… Um, que sobreviveu o bastante para contar essa história.

Ele, o treinador, é Frankie Dunn (Clint Eastwood). Alguém que acha que poderá eternizar a vida profissional dos seus fantoches. Um deus dos bastidores. Mas essas feras pelo menos sabem que não podem perder tempo na lapidação, pois têm que agarrar o momento do estrelato, e ele é curto, e ele é o agora! Sua lição maior: ‘Proteja-se, sempre!‘ Ok! Mas no afã da luta as regras podem ser esquecidas.

Para mim, o jovem Danger Barch (Jay Baruchel), é o que melhor se enquadra no perfil do boxeador. Não estou sendo irônica. É que como já contei, é o esteriótipo que tenho deles. Pois pobreza, rejeição dos pais… não é motivador para os levarem a esmurrar a vida. Nem em apanhar até a se rebentarem todo. Ou mesmo a perderem a vida. Mais! E a troco de que?

Que prazer é esse que leva a todos a essa arena?

Nem vou entrar no mérito de quem assiste, muito embora, se não houvesse público o boxe já teria acabado. Ai, fica-se a imaginar o porque de ainda existir. No Brasil, por exemplo, temos o futebol como um meio de ascensão para jovens carentes. Pelo menos nesse esporte a violência em campo são pelos que jogam sujos. Diferente do boxe onde a violência é incentivada. Em lugares como os Estados Unidos deveriam dar outra opção aos jovens carentes, mais ainda aos jovens “não-branquinhos“. Se bem que com a Invasão do Iraque a opção dada não é tão diferente do ringue. Pois os jovens recrutas também são programados para matar. Pior! Recebem licença para isso.

Na vida desse treinador ora pendia confrontar-se com o sagrado (o padre), ora com o profano. Mas quem seria esse? Ou a que papel ele representava de fato em sua vida? Um amigo de fé? Pelo ringue? Ou alguém a lhe mostrar que sua profissão também mutilavam as pessoas tal qual numa guerra?

million-dollar-baby-02O instrutor, zelador da academia, mais do que um amigo, Eddie Scrap (Morgan Freeman) acabou como uma sombra ao lado de Frankie. Mostrando que há falhas nesse processo de criação? Pode ser. Mas o que ressalta também é que não há futuro para quem se perdeu pelo caminho. Claro que há quem não almeje o topo. Que queira viver, mais que sobreviver na selva da civilização. Eddie como já que não poderia mais atuar no ringue e sem ter por onde tomar outro rumo fora do boxe ficou como o segundo homem dali. Generoso e sem as encucações de Frankie vive na e pela a academia. E ele meio que adota Danger Barch.

million-dollar-baby-5Para completar essa trindade, surge Maggie (Hilary Swank). Uma mulher obstinada a… a esmurrar os outros!? Ela se sentia como um peixe fora d’água no seio de própria sua família. A bem da verdade: “Que família!” Mas por que aos 31 anos de idade vai atrás de algo perigoso? Até porque com essa idade e já com tantas amarguras a lhe pesar nos ombrosseria difícil se deixar guiar por completo. Não sei, mas creio que em seu interior já havia um desejo de sair de cena. Claro que o acidente fora por conta e obra da oponente que não respeitou o toque do intervalo lhe dando o soco que a derrubaria para cima daquele banquinho virado.

A queda! Caramba! Aquele barulhinho foi um dos sons mais angustiantes de se ouvir. Se bem que em filmes com personagens máquinas-assassinas tal som é até aplaudido. Voltando a esse filme. Com o ocorrido haveria de se culpar alguém? Quem? O rapaz que preso a sua função corre para colocar o banquinho, mas tão automático que nem presta mais atenção no que faz? A oponente que ainda presa na idéia de vencer a partida vai ao encontro de Maggie para derrubá-la de vez? Se ali ambas estão programada a vencer sem pensarem se vão desfigurar, ou até levar a morte o outro.

Bem coube ao treinador o tiro de misericórdia. Nada adiantou todos os seus questionamentos a sua religião pelo aquilo que acreditou e creditou toda a sua vida até então: o universo do boxe. Naquela decisão tomada seria apenas ele a cumprir. O Criador daquilo, daqueles. E logo para aquela que lhe trouxera o sentir ser um pai. E foi a esse Pai que ela pediu a sua redenção.

Sobre a decisão que ela tomou não cabe a mim julgá-la. Não o fiz também em ‘Mar Adentro’.  Fico sim no respeito a decisão tomada! Não deve ser fácil depender quase que cem por cento da generosidade alheia para sobreviver. Há de se ter uma grande tesão em continuar vivo. Somando-se a isso: o fato de ter que dar trabalho a outras pessoas. E que para ela iria contar com quem? Com a família que possuía é que não! Frankie? Scrap? Não, pois seria jogar neles um alto tributo. Assim, sem nenhuma perspectiva, não quis adiar, e Frankie acatou.

menina-de-ouro-posterEnfim, por fim, o filme é dele, desse Treinador! Desse Deus para seus seguidores. Mas que é mortal. E que não queria sair de cena assim. Scrap e Maggie foram mais que seus louros. Lhes deixaram um sabor agri-doce como o daquela torta de limão.

Para aquilo que se propôs a mostrar, a aposentadoria forçada de um treinador de boxe, digo que é um ótimo filme. Mas que a mim não deixou a vontade de rever. Nota? Um 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Menina de Ouro (Million Dollar Baby). 2004. EUA. Direção: Clint Eastwood. Elenco: Clint Eastwood (Frankie Dunn), Hilary Swank (Maggie Fitzgerald), Morgan Freeman (Eddie Scrap-Iron Dupris), Jay Baruchel (Danger Barch), Mike Colter (Big Willie Little), Lucia Rijker (Billie ‘The Blue Bear’). Gênero: Drama, Esporte. Duração: 137 minutos.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You. 2007)

p-s-i-love-you-posterHá algum tempo vi o livro em uma livraria e comprei por gostar da sinopse. Li e amei!!! Título: PS, Eu te amo. Autora: Cecelia Ahern.

“Apaixonados desde a escola secundária, Holly e Gerry eram o tipo de casal que conseguia terminar as frases um do outro, e mesmo quando brigavam (como sobre quem sairia da cama para apagar a luz a cada noite) eles acabavam rindo. Holly não sabia onde estaria sem Gerry. Nenhum dos dois sabia. E foi assim que “A Lista” começou… como uma brincadeira. Se algo acontecesse a Gerry, ele teria de deixar para Holly uma lista de coisas que ela deveria fazer a fim de sobreviver são e salva.

Então, aos 30 anos, Holly vivencia o impensável. Gerry é diagnosticado com uma doença terminal. Holly não sabe e, na verdade, não quer continuar sem ele. Mas Gerry tem planos diferentes para ela. Dois meses após a morte de Gerry, Holly sai de casa e depara-se com um misterioso pacote. Quando o abre, descobre que Gerry manteve a palavra. Ele lhe havia deixado “A Lista”: uma carta para cada um dos dez meses que se seguiam a sua morte, todas assinadas com um “PS, Eu te amo”. As cartas instruem Holly a realizar uma série de tarefas inesperadas. Algumas delas a deixam rindo alto, outras fazem-na tremer nas bases.

p-s-i-love-youQuer as execute sozinha ou com suas melhores amigas, as tarefas por fim mostram a Holly um mundo muito mais vasto do que aquele que foi forçada a deixar para trás. Rodeada de amigos de inteligência aguçada e de uma família rude e cativante que a sufoca, ama e deixa louca, Holly hesita, se contorce, chora e brinca na sua trajetória em direção a uma nova vida. Com uma linguagem nova e original em ficção, PS, Eu te amo é uma história terna, divertida e inesperadamente romântica, que os leitores guardarão em seus corações e mentes muito tempo depois de terem fechado suas páginas.”

Foi uma ótima surpresa quando soube que havia sido adaptado para o cinema. Vi o filme em DVD e gostei muito também, apesar do roteiro não ser exatamente igual ao livro. Mas a adaptação é muito boa, as mudanças não interferem no desenvolvimento da história e os atores estão ótimos.

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Recomendo tanto o livro quanto o filme pois ambos são ótimos, cada um a sua maneira!

Por: Tânia Pimenta.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You). 2007 EUA. Direção: Richard LaGravanese. Roteiro: Steven Rogers e Richard LaGravanese, baseado em livro de Cecelia Ahern. Elenco: Hilary Swank (Holly Kennedy), Gerard Butler (Gerry Kennedy), Lisa Kudrow (Denise Hennessey), Gina Gershon (Sharon McCarthy), Kathy Bates (Patricia Rawley), Harry Connick Jr. (Daniel Connelly), Jeffrey Dean Morgan (William “Billy” Gallagher). Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 126 minutos.

Escritores da Liberdade (Freedom Writers. 2007)

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida…

Algumas pessoas acham que Diploma já é o topo. Creio que essas o exibe como um troféu na parede. Sei que a profissão de Professor não é muito valorizada pelos políticos atuais. Travando o idealismo de poucos para o engrandecimento de muitos. Quando a dificuldade não parte deles, vem do próprio Conselho de Ensino. Rígidos demais às regras. Ficando cegos à realidade local. Fechando as portas, numa mão única.

Eis que entre tantos, chegam um que faz toda a diferença. Um que sabe que mais do que ensinar o que está no livro oficial, quer preparar seus alunos para a vida. A esse que tem o magistério como o seu sacro-ofício cabe, de fato e de direito, o título de Mestre.

Falando nisso, há pouco tempo revi o “Ao Mestre com Carinho 2”. O primeiro, marcou minha pré-adolescência. Perdi as contas das vezes que vi; e em todas eu chorava. Esse segundo também me emocionou! Rever o ator Sidney Poitier é sempre um grato prazer! Talvez por isso, comecei a ver “Escritores da Liberdade” como se ele fosse uma versão feminina desse Grande Mestre. E me encantei com a Mestre desse!

Erin Gruwell (Hilary Swank) em vez de seguir a carreira de advocacia, algo trazido da infância por admirar o pai nas causas civis, vai ser professora. Num Colégio onde passou a receber alunos da periferia: os de baixa-renda. E uns que cumpriam uma liberdade condicional por crimes cometidos. Sendo assim, um colégio para lá de misto. Cheia de motivação, primeiro não recebe um apoio que esperava por conta da Diretora. Essa, descarrega toda a aversão por ter que receber esses alunos em seu santuário. Ela os despreza.

Depois, Erin se assusta com os seus alunos. Mas sua determinação a faz seguir em frente em sua odisséia. Seus alunos são como animais feridos. Reagem e agem num círculo viciante até por questão de sobrevivência. Não se tocando que o que tanto criticam no outro, fazem igual. A partir de uma caricatura que um dos alunos fez para ridicularizar um colega de classe negro, ressaltando os lábios, ela também cai na real. De que ali eles formam guetos. E começa a falar do Holocausto. Algo que só um deles sabia o que era.

Desde o início o filme prende a atenção. Não se sente o tempo passar. Acompanhamos numa torcida a cada um daqueles alunos que consigam quebrar a corrente do preconceito. Que hispanos, asiáticos, negros e um único “branco” sintam-se iguais. Ao tentar fazer com que leiam o “O Diário de Anne Frank”, a Diretora proíbe. Os livros do Acervo da escola não são para eles. Incrível, uma biblioteca proibida aos carentes; por temer que irão destruir. Por essa, e outros impedimentos mais, Erin resolve ter outros trabalhos; uma renda extra. Para dar aos seus alunos o que a escola nega. Então cada um deles constrói o seu próprio Diário.

A cada satisfação, a cada acesso obtido na mente de seus alunos, fazendo-os pensarem por si mesmo no quanto agiam errado, a cada pequeno sucesso deles, além das duchas-frias da Diretora que ela vai aprendendo a tirar de letra, Erin tem um abalo em seu casamento.

Esse filme veio pontuar algo que costumo reclamar. Para o meu contentamento, ele será um a mais na lista de grandes personagens femininas. Aqui, mostrando carreira e casamento de uma mulher. Algo bem real. Mas como também não tão irreal, o de um homem não segurar a barra em ver a esposa crescer, quer seja em sua profissão, quer seja no seu talento. Erin está radiante. Investindo em si mesma, até por conta de que está em seus planos, mais a frente, constituir família: filhos. O contrário do marido que já não tinha mais ambição alguma.

É um filme que tem muito para comentar, mas para não tirar mais a emoção que irão sentir, paro a história por aqui. Fica a certeza de que houve momentos que meu corpo arrepiou, noutros que não retive as lágrimas. Minhas faces ficaram umedecidas até o final do filme. Faço votos que os governantes assistam esse filme. Que invistam mais nesse Profissional. Heróis e Mentores para muitos.

Um filme que vale a pena ver e rever sempre! Nota 10 com louvor! Eu também gostei da trilha sonora!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Escritores da Liberdade (Freedom Writers). 2007. Alemanha. Direção: Richard LaGravenese. Elenco: Hilary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton. Gênero: Drama. Classificação: 14 anos. Duração: 123 min.