Birdman (2014). O Canto do Cisne em Seu Apogeu!

birdman_de-wws-harrisPor: Cristian Oliveira Bruno.
Alejandro-Inarritu_Edward-Norton_Michael-KeatonAo terminar de ler o roteiro de Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância) [2014], Edward Norton (A Outra História Americana) pergunta ao diretor e roteirista Alejandro González Iñarrítu (Babel) quem havia sido escalado para o papel principal do longa. Ao ouvir o nome de Michael Keaton (Batman – O Filme) como resposta, Norton tem uma epifania: “É claro! É tão óbvio….e tão perfeito!“.

E é assim, trazendo um ator que viveu o auge de sua carreira no início dos anos 90, ao interpretar um popular super-herói no cinema, vivendo o personagem de um ator que viveu o auge de sua carreira no início dos anos 90, ao interpretar um popular super-herói no cinema que Birdman estabelece-se como um escarnio metalinguístico crítico e auto-crítico de primeira qualidade, brincando de fazer cinema com bom gosto e com alto grau de originalidade, fazendo de um filme simples o melhor filme de 2014.

birdman_2014_cenasO roteiro de Birdman é tão bem escrito que qualquer um de seus personagens poderia ser escolhido como protagonista – embora Riggan Thomson (Michael Keaton) realmente apresente-se como principal eixo dramático da trama. Se, por vezes, o excêntrico Mike Shiner de Edward Norton parece querer tomar todas as atenções para si – e de quando em vez até consiga – e a Sam de Emma Stone tenha lhe rendido uma justificada indicação ao Oscar, uma personagem e sua intérprete parecem ter ficado à sombra de sua real grandeza: Naommi Watts e sua Lesley, uma talentosa e sonhadora atriz que vive simultaneamente o melhor momento de sua carreira e uma das fases mais conturbadas de sua vida pessoal. Tanto a personagem, quanto a interpretação de Watts deveria ter recebido maiores holofotes, pois são marcantes e dignos de nota. Inusitadamente trazendo uma trilha composta unicamente por solos de bateria, Birdman é justamente aquilo que seu diretor pensa sobre cinema: “um conjunto de elementos distintos em constante movimento trabalhando em conjunto pelo mesmo propósito“. Assim sendo, Iñarrítu se desprende de qualquer estigma narrativo e/ou estrutural, sentindo-se mais do que à vontade para transpôr sentimentos e sensações para a tela. Portanto, não estranhe os quase intermináveis planos-sequência (que geraram preocupação por parte se toda a equipe para com a saúde dos cameramens, que sustentavam o pesado equipamento móvel por muitos minutos, transitando pelos vários cenários – um teatro real foi usado como locação) ou cenas em que Michael Keaton levita ou move coisas com a mente. Tudo isso é tão bem construído que se torna a mais pura apresentação de contexto e personagem elaborada nos últimos sei lá quantos anos.

birdman_2014_01Sem poupar ninguém nem fazer concessões, Birdman critica e desnuda tudo e todos que compõem seu universo, atacando sem piedade – porém, com muita elegância – todos aqueles que integram o mundo glamouroso da Broadway, sejam atores, diretores, platéia e críticos. E principalmente, Birdman ataca seus egos, principal fio condutor de sua trama. Pois não há nada mais instável do que o ego. Ele que nos faz acreditar sermos capazes de fazer o capazes somos – nem nunca seremos – capazes – de fazer e nos leva a cometer os mais mirabolantes atos.

Birdman é o cinema em sua mais pura forma e utilizando-se de absurdos, metalinguagem, fantasia e técnicas para fazer uma verdadeira obra-prima contemporâneo. Birdman está aí para nos mandar um recado: Hollywood ainda tem esperança, mesmo que esteja fora dali.

Nota: 9,5.

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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância). 2014

birdman_2014_01alejandro-gonzalez-inárritu_cineasta_birdmanJá adiantando que o filme é excelente e que tentarei não trazer spoiler! Até porque eu estou em suspense em como contar essa história onde parece estarmos numa poltrona mágica levados por toda trama com receio até de que se paramos cogitando se perdera algo poderemos de fato perder parte dela. Já tivera essa sensação em “Pina“, mas ai Wim Wenders usou com maestria a tecnologia do 3D. Já nesse aqui, eu diria que Alejandro González Iñárritu fez uso do talento de seus técnicos + espaço cênico. Conduzidos por esse genial cineasta!

Para quem conhece pelo menos um pouco da obra de Iñárritu sabe que ele parte de um ato único para então interligar todos os demais personagens ao protagonista. Assim, temos como pano de fundo em “Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância” alguém querendo provar até a si próprio de que ainda é um ótimo ator. Que em se tratando dos Estados Unidos, os mais antigos ainda glamoriza a Broadway: a meca das produções teatrais. Como se a Hollywood não atestasse o talento de um ator. Para esse ator, essa segunda escalada ele já alcançara no passado com então o personagem que dá nome a primeira parte do filme: “Birdman“. Queria então partir para o seu segundo ato: tentar conquistar a Broadway. Para quem acompanhou a Série “Smash” teve uma ideia do quanto é difícil conquistar um dos importantes palcos dali, mais ainda em permanecer em cartaz, o que por si só já denotaria o sucesso da peça teatral. Bem, a história do filme já o coloca lá numa pré estreia. Assim, temos quase toda a trama focada nas apresentações dos ensaios técnicos abertos ao público.

birdman_2014Claro que o peso maior recai sobre esse ator, Riggan Thomson. Grande atuação de Michael Keaton! Para Riggan além do peso de anos sem atuar, há o do personagem que de ícone passara a ser Cult, lembrado em grande maioria por um público adulto. Quem lhe dará o toque de que precisa se atualizar para então atrair um público mais jovem é sua filha Sam. Personagem de Emma Stone, uma camaleoa ao se passar por uma adolescente rebelde. Dizendo que os tempos são outros, que deveria aproveitar da velocidade advinda dos iphones para as redes sociais. Que para esse grande público não bastava o peso de quem o fora no passado, eram atraídos mais por algo que escandalizasse. Bem, de qualquer forma, sem querer Riggan atrai para si esse tipo de flash. Mas que piora seu embate com o novo ator trazido por quem faz sua esposa na tal peça, a Lesley (Naomi Watts). Essa mesmo ciente do temperamento desse outro, o traz. Talvez imbuída da urgência, ou até por querer o sucesso da peça a qualquer custo, afinal era a Broadway e ela estava preste a realizar um sonho de criança… Riggan também concordara… Enfim, era alguém que atrai um público que soma o peso do nome com os escândalos que provoca. Ele é Mike Shiner, personagem do sempre ótimo Edward Norton. Pois é! Sem fugir da tal fama, ou até por conta dela, Mike de alto do seu egocentrismo tentará roubar o espaço em cena com Riggan. Um duelo de egos. Ou seria de alter-egos? Mike seria um James Dean da atualidade. Mas é ele quem acaba dando um toque em Sam para que pese a sua própria rebeldia contra o pai.

birdman_2014_01Já em relação a dicotomia entre celebridade x notoriedade, ator de filmes x ator de teatro… e por ai vai. É alimentada pela crítica teatral Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan), odiada e venerada por uma gama de maior idade, mas desconhecida ou não endeusada pela parcela mais jovem. Terá um embate primeiro com Mike, depois com Riggan. Com esse não ficará pedra sobre pedra… E é dela que vem a segunda parte do título do filme: “A Inesperada Virtude da Ignorância“. Agora… Quem até então ignorara o que?

Além de tentar também se apaziguar com a ex-mulher, Sylvia (Amy Ryan), fora a filha… Riggan tem em seu calcanhar seu agente/advogado, Jake (Zach Galifianakis. Bom vê-lo num personagem mais sério.): com o orçamento em vermelho, com os acidentes de percurso na condução da peça teatral… Jake só não dimensiona a gravidade do estado de Riggan. Esquizofrenia ou para-normalidade? Sem como perceber de fato o que se passa com Riggan, Jake no fundo é um bom amigo. Até porque o próprio Riggan não admite para si mesmo que precisa de ajuda de um profissional da área, nem fala para ninguém. Até fala para Sylvia, mas não sendo explícito, essa também não avalia a gravidade… Com isso, meio que sozinho, ele acabará travando um embate com Birdman. Fora tudo mais a lhe pesar também a alma… Será muita coisa para ele digerir… Paro por aqui para não lhes tirar o suspense.

Então é isso! Preparem o fôlego porque irão voar, subir, descer… pela câmera vasculhando toda a trama, que é um deleite também para também os da área psico. Os atores estão em uníssonos! A Trilha Sonora, tirando uma certa bateria, é ótima! Com um Final em aberto? Eu diria que Riggan deixa todos livres para os seus próprios solos. Espero que não venham com uma continuação. Bem, de qualquer forma para “Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância” os louros vão em primeiro lugar para Alejandro G. Iñárritu! Ele é um gênio! Que por conta de como contou essa história criou uma obra prima! Que só por isso o filme merece até ser revisto!

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância. 2014. Ficha Técnica: página no IMDb.

Uma sutil referência a… ou uma lembrança vaga

Às vezes, assistindo a um filme, nos deparamos em uma determinada cena situações ou aspectos que nos remetem a outro filme. E uma atmosfera gira em torno dessa lembrança que pode sem em forma de música, citações, atores, diretores, lugares, objetos, cenários, enfim, um verdadeiro exercício de memorização, nos leva a uma pesquisa dentro de nosso arquivo-morto ou atual.

Recentemente assistindo ao Pai e Filha do diretor japonês Yasujiro Ozu, a tia da protagonista faz referência ao ator Gary Cooper dizendo achá-lo parecido com o rapaz que é o amigo da família. Ele foi citado tantas vezes que acabei aprendendo o seu nome verdadeiro: Frank James Cooper.

No filme O Nevoeiro do diretor Frank Darabont, baseado na obra do mestre do terror Stephen King, o ator David Drayton (Thomas Jane) é um artista que cria cartazes para filmes de Hollywood. Enquanto está em seu ambiente de trabalho, aparece num canto da parede o cartaz de A COISA, (The Thing) de John Carpenter (aqui no Brasil foi batizado de O Enigma do outro mundo).

E a cena do carrinho de bebê descendo as escadarias de Odessa, do clássico Encouraçado Potemkin de Serguei Eisenstein, inspirou a cena final de Os Intocáveis de Brian de Palma escrito por David Mamet, sem dúvida a arte imitando brilhantemente a arte. Dois momentos emocionantes.

E as lembranças e citações não param por aí. Gosto de encontrá-las. Se acaso você se lembrar de alguma…

Karenina Rostov

Drive (2011). E Tinha uma Loura no Meio do Caminho…

É o Amor / Que mexe com minha cabeça / E me deixa assim / Que faz eu pensar em você / E esquecer de mim / Que faz eu esquecer / Que a vida é feita pra viver.”

Meio brega, mas mesmo com uma belíssima Triha Sonora era esse estribilho que vinha em minha mente durante o filme. Grudou de uma maneira tal que ao final do filme eu vi o porque. Já que o protagonista fez o que fez por amor. Seu coração era a única máquina que ainda não sabia guiar. E por conta disso, capotou feio. Pois é! Temos em “Drive” a história de um cara que apesar de tudo tinha um lado romântico escondido em si.

Mas não se trata de um Drama Romanceado, “Drive” é muito mais. É também um excelente Thriler. Porém desliguem o reloginho de querer adivinhar a trama do filme. Desliguem principalmente o botão do politicamente correto. Para ir de carona junto com esse herói bandido. Pois será uma viagem alucinante. E quem é ele?

Ele é Driver. Isso mesmo! Alguém sem passado. Sem um nome próprio. Que leva nessa identidade a marca do seu talento maior: é muito bom no volante. Mas ele não apenas guia, ele sempre buscou conhecer o carro por um todo. Para ai sim ter o domínio por completo. Foi por conta disso que um dia pediu um emprego na Oficina Mecânica de Shannon (Bryan Cranston), caindo nas graças desse. Shannon vendo o potencial de Driver, o leva para ser Dublê em cenas de perseguição de carros. Driver é o personagem de Ryan Gosling. Que está com uma excelente performance. Aplausos para ele!

Assim, esse pacato cidadão tem dois empregos a tomar o seu dia, mas também tem um outro que lhe ocupa durante a noite. O de Hollywood também lhe rende outros ensinamentos para esse seu ofício noturno. Se com a ajuda de Shannon tem uma máquina turbinada, é nas filmagens que aprende a se manter calmo diante do perigo. Com isso, é preciso nesse outro trabalho. Driver aluga o seu talento para ser o motorista de fuga em um assalto. Onde mantém toda a calma. Toda a tensão recai nos assaltantes. Se cercando de cuidados, até para eventuais acidentes de percurso, ele não admite vacilos de quem contratou, nem de quem pensa em contratar seus serviços.

Tudo seguia dentro dessa normalidade, até que se esbarra numa vizinha do prédio onde morava. Mesmo ficando muito pouco em casa, um dia teriam que se cruzar. Ou pelo corredor, já que moravam no mesmo andar. Ou no elevador… Enfim, Driver arriou os quatro pneus por aquela lourinha. Fora amor à primeira vista. Ele até tentou ignorá-la, mas seu lado cavalheiro não poderia deixar de ajudá-la numa hora que o carro dela enguiçara. Ainda mais com compras e um garotinho. No fundo, ele até gostou desse momento família. Mas ela era casada. Às vésperas do marido sair da cadeia.

Ela é Irene. Personagem de Carrey Mulligan. Não sei se pesou na escolha da atriz e em ficar com os cabelos louros o fato de ter dado muita química entre Ryan Gosling com duas louras em trabalhos anteriores: com Michelle Williams em “Blue Valentine” e com Kirsten Dunst em “Entre Segredos e Mentiras“. Se sim ou não, o fato que Carrey Mulligam também conseguiu que sua Irene desse química com o Driver de Ryan Gosling. Irene e Driver trafegam entre a amizade e uma relação perigosa. E Benício (Kaden Leos), o filho de Irene, também se encanta com Driver.

Sendo Driver muito bom no volante, cresce uma outra cobiça em Shanon. Em fazer dele um piloto de corridas. Mas faltava grana para o investimento inicial. Ele recorre então a Bernie Rose. Personagem de Albert Brooks. Um coadjuvante de peso! Com isso um novo tipo de holofotes recai sobre Driver. Acontece que Bernie vê nisso uma chance de se livrar de uma dívida. Sem contar para os dois, traz Nino (Ron Perlman) para participar dessa empreitada. O jogo complica. E para piorar a estrada de Driver, Standard (Oscar Isaac) já sai da prisão com uma grande dívida. Como um aviso de cobrança, é espancado, e à vista de Benício. Driver então, pelo amor à criança, além da Irene, resolve quitar a dívida desse.

Há algo dentro de você / É difícil de explicar / Estão falando de você, garoto / Mas você ainda é o mesmo.” (Nightcall)

Mas quando caiu em si, já era tarde demais. Ele não sabia que esses caminhos convergiam em um único ponto. Se entrou teria que arranjar um jeito de sair. Essa seria a rota de fuga mais difícil que já fizera. A mais perigosa. A mais traiçoeira. E pensar que Hollywood era logo ali. Mas a realidade ali não trazia roteiro pronto. Ele que teria que ser o autor, e em tempo real, se queria ter de novo o controle da sua vida.

O Diretor Nicolas Winding Refn começa muito bem sua carreira. Ganhando a Palma de Ouro 2012, em Cannes, para a Melhor Direção. Mesmo diante de um ótimo Roteiro, tem nas cenas sem falas a certeza de também ter escolhido bem os atores. Como escolhera bem a história. O filme é baseado no livro homônimo de James Sallis. Agora, o filme está tão completo, que nem me fez querer ler o livro. Sei lá, pode ser que o Driver do livro não seja como o de Ryan Gosling. Esse quase domina por completo o filme. Excelente do início à cena final. Além disso, destacando também a Fotografia. Onde conhecemos os arredores de uma Hollywood a quilometros da dos cartões postais. E embalados numa Trilha Sonora perfeita a nos guiar por essas ruas junto com Driver.

Então é isso! Não deixem de ver “Drive”!
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quem São os Eleitores do Oscar? E o que Teria de Novidade no Oscar 2012?

O ‘Cinema é a minha praia!‘ mais uma vez presente na mais monumental premiação à Sétima Arte: a entrega do OSCAR. Todo o processo gera expectativas nos envolvidos diretamente nos Filmes, como também no público. E muito além das fronteiras dos Estados Unidos. Se a Academia procura inovar a festa da premiação, fica também um querer saber se a cada ano houve alguma diferença por conta da escolha dos finalistas. Como chegaram a eles? Por que alguns ficaram de fora?

Então o que o OSCAR 2012 trouxe de diferencial em relação aos anos anteriores?

Partindo da arrecadação, temos que enquanto nos Estados Unidos a bilheteria mostrou uma leve queda em relação a 2011, no Brasil pelo contrário, houve um grande acréscimo em ingressos vendidos. Fato esse que coloca o país no mesmo patamar dos maiores mercados do mundo. O que o levantamento pela Ancine mostrou, Atores e Diretores de outros países já sabiam, a ponto de virem ao Brasil nos lançamentos dos filmes, e em um número muito maior. Não tenho estimativa, mas talvez na Europa por conta da crise econômica também possa ter havido uma queda. A pergunta que fica, é o que mais estaria por trás dessa queda dentro dos Estados Unidos além dessa crise na economia dos países do primeiro mundo?

Em se tratando do Oscar 2012, parte desse público tem o poder de voto para essa premiação. Por conta disso, é um dos fatores para se refletir.

A premiação do Oscar em si chega a ser paradoxal. De um lado, temos o apelo comercial muito forte, de abranger outros países. Um filme quando indicado ganha uma acentuada projeção; quase como uma mega propaganda gratuita. O que o faz ser exibido em muito mais Salas de Cinemas. Mas por outro lado isso cria uma desvantagem para um maior número de filmes, e que terão que desejar até por uma outra forma gratuita de divulgação feita por nós os amantes do Cinema, quer em Blogs e, ou nas Mídias Sociais. Pois alguns desses filmes chegam ao ponto de serem encaixados em horários alternativos em estabelecimentos onde os mais comerciais ganham mais destaque. E ai, em se tratando de quem tem o poder de voto pela Academia, teria que estar muito a fim mesmo de ver tal filme. Mesmo fora de ser votado ou não, para quem quer assistí-los teria também os custos para se chegar até onde está sendo exibido.

No Brasil o número de Salas cresceu por conta dos Shoppings. Em contrapartida, esses locais tendem a levar mais um público que faz da Sessão do Cinema a sua sala de visita, isso quando não vira um playground deles. Às vezes sinto saudades do Lanterninha que “convidava” essas pessoas a saírem do Cinema. Para os Amantes do Cinema fica até um desejo não dito de sessões exclusivas: apenas ele e o filme na Telona. Claro que é gostoso ter companhia, e uma que também está muito a fim de ver tal filme, mas deixando a troca de impressões a partir da subida dos créditos finais. Eu li que esse aumento de um público barulhento é um dos motivos lá nos Estados Unidos afastar os que realmente estão afim de ver o filme. Um outro, seria o aumento dos preços dos ingressos.

Em se tratando da premiação, e para o Oscar 2012, teria sido por essa meia inversão de público que fez até diminuir o número de filmes indicados? Apenas 9, em vez de 10 filmes? Se inflacionaram as Salas com mais exibições de um número menor de filmes, os votos que levariam mais um filme a ser indicado não devem ter atingidos o mínimo de votos exigidos? Pois bons filmes ficaram de fora. São algumas das reflexões que a Academia deveria pensar, e pesar.

Algo a mais de diferencial para esse Oscar 2012, é que embora ainda alguns Diretores insistam no 3D, baseando seus Filmes nos Efeitos dessa tecnologia, uma grande parte dos Filmes finalistas, e nas diversas premiações, trazem como carro chefe as atuações. As performances viscerais dos Atores criaram uma atmosfera que valorizaram, e muito, todo o contexto do Filme, e onde o 3D não fez a menor falta. E essa seria se não a melhor pelo menos a lição maior a ser estudada.

Claro que nós, público, não queremos limitar o vôo de nenhum dos Diretores, mas talvez para alguns dos Produtores, sim. Para que dêem um tempo nessa febre do 3D. Parem, reflitam se fará, trará mesmo um diferencial na trama o uso dessa tecnologia. Até por conta de ainda um número reduzido de Salas para o 3D. Por exemplo, aqui no Brasil nem 500 Salas no formato 3D Digital, há. Sendo que 75% delas estão nas Regiões Sul e Sudeste. Não tenho estimativas de outros países. Mas se o Cinema de Hollywood também visa o mercado externo, esse fato deveria ser levado em conta.

Reflexões que ficam. Mas voltando ao público que vota, ou para ser mais exato, no que votou, saber quem são eles agora, passou para segundo plano. A abertura dos envelopes ganha as nossas atenções. Porque agora é: “E O OSCAR 2012 VAI PARA?

Seguindo o link terão os indicados e posteriormente os premiados com o Oscar 2012. Lista completa e com os respectivos links das análises dos filmes pela nossa Equipe.
Lista com os Indicados e (posteriormente) contemplados ao OSCAR 2012.

Curiosidade: A votação é feita em dois turnos. No primeiro, membros da Academia – pessoas ativas no processo de produção de cinema -, votam dentro da sua área de atuação (Ator votando em Ator; Diretor em Diretor…) e têm direito a um voto também na categoria Melhor Filme. É daí que saem os indicados. Com a lista de candidatos em mãos, os jurados recebem cédulas de votação que vão decidir os ganhadores. Para ser elegível ao prêmio, o filme deve ter ao menos 40 minutos (exceto nas categorias de curtas-metragens), ser exibido em Los Angeles entre os dias 1º de janeiro e 31 de dezembro e ter cópias em 35mm ou 70mm ou digitais de 24 ou 48 quadros por segundo.

2- Uma detalhada pesquisa do LA Times põe rosto no perfil padrão do eleitor do Oscar: Ele é homem, branco, com aproximadamente 62 anos. Jamais foi indicado para um Oscar e há dois anos não produz/dirige/supervisiona/divulga/trabalha/atua em um filme. Mora muito bem, em alguns dos bairros mais caros e luxuosos de Los Angeles, e há uma grande chance de estar aposentado.

77% dos 6 mil votantes são homens; 94% são brancos; 64% jamais foram indicados para o prêmio que escolhem; 42% fizeram seu projeto mais recente em 2010; 79% tem mais de 50 anos.

Em 83 anos de Oscar, apenas 4% dos prêmios de atores/atrizes foram para não-brancos; Kathryn Bigelow é única mulher a receber um Oscar por direção; os 43 membros da diretoria da Academia incluem apenas seis mulheres e uma pessoa negra; há departamentos – principalmente direção de fotografia e roteiristas – com um contingente 90% masculino.

As regras de acesso à Academia não mudaram em seus mais de 80 anos de existência: é preciso ser profissional da indústria há pelo menos 5 anos, ter endosso de pelo menos dois membros ou ter sido indicado ao Oscar. Mas nos anos 1990 a Academia fez um esforço concentrado de recrutamento para aumentar números e qualificações de seus integrantes. E de fato mais profissionais jovens, mais mulheres e mais pessoas de outros grupos étnicos e culturais  tornaram-se votantes. Mas nem assim o perfil mudou  substancialmente _ a idade média baixou de 64 para 62 anos (onde está agora), e em vez de 96% brancos, seus integrantes tornaram-se “apenas” 94% brancos.