Série: Caras e Caretas (1982-1989). O que transmitir ou não as novas gerações?

caras-e-caretas_serie_1982-1989Por: Morvan Bliasby.
Nestes tempos aziagos de “Escola Sem Partido“¹, golpes institucionais e outras ideias ‘jeniais‘, além de uma mesmice estarrecedora das SitComs, das Soap Operas, etc., numa revisita quase mandatória à década de 80 do Século XX, a sua explosão de comédias de situação e o começo da distensão “lenta e gradual”, como preconizavam os donos do mundo, entre as potências que alimentavam a fogueira da Guerra Fria. Deste caldeirão ultra efervescente se sobressai a SitFamily Ties“², nominada, no Brasil e em Portugal, respectivamente “Caras & Caretas” e “Quem Vem Aos Seus“, neste segundo estranho título temos, claramente, uma ironia, pois parece degenerar, e muito.

O Enredo

Steven (Michael Gross) e Elyse Keaton (Meredith Baxter) são dois hippies classe média típicos, economicamente falando, ultra liberais nos costumes e que se casaram havia duas décadas.

Um tanto quanto nonsense, no tocante à educação dos filhos, eles creem piamente que os filhos os seguiriam em seus valores, teriam uma vida “zen” e seriam filosoficamente parecidos com estes.

O tempo lhes mostrou o quão errados estavam, mormente no tocante ao filho mais velho, Alex (Michael J. Fox). Este, um executivo, na cabeça e nos valores (um admirador incorrigível de Ronald Reagan!). Isso mesmo. Reagan. Importante para nos ambientarmos. Reagan, Tatcher e a ideia do Estado mínimo, do tamanho de uma bacia, nas palavras dos próprios. Este é o ambiente da série. Alex utilizava chavões dos republicanos e portava até mesmo um cartão de sócio do clube dos conservadores. Inteligente, ganancioso, reacionário. uma cópia (carbono) exata de seus pais. Alex se encaixa perfeitamente no estereótipo do “self-made man”, tão usual, à época e hoje.

Já a moça, Mallory (Justine Bateman), ao contrário, relaxada, preguiçosa, fútil e cujo círculo de interesse consistia em compras, rapazes e… compras e rapazes.

Vem, a seguir, Jennifer (Tina Yothers), a caçula. Todo o seu sonho era ser uma pessoa normal. Dependendo da situação, razoável, não?

Family_Ties_castA série, malgrado de forma às vezes sutil, até demais, teve a virtude de discutir preconceitos, censura, gravidez adolescente, vício (drogas), relacionamento familiar e círculos criados em torno de interesses similares. Todos os personagens da série, inclusive os papeis satélite, contribuem para uma discussão sutil e ao mesmo tempo rica sobre os valores de então.

O sucesso estrondoso da Sit tem a ver com isso. quem sabe, além do fato de ter sido a propulsora e impulsionadora de celebridades precoces, como o Micheal J. Fox.

Mas a discussão subjacente da comédia de sucesso parece ser a questão educacional (não somente educativa, educacional, de finalidade da formação). Até que ponto a formação dos nossos filhos, de uma geração, por exemplo, pode ser vilipendiada, a ponto de achar que as coisas se repetirão por osmose. Que não precisaremos assumir uma posição mais protagonista, com relação ao tipo de pessoa humana que queremos formar, subvertendo, se necessário, os valores vigentes e até a educação formal, via escola. A ‘Escola Sem Partido‘, esta aberração imposta pelos nossos nefandos “amigos” ideólogos, daqui e d´alhures, por exemplo, é uma mostra de protagonismo às avessas, ou seja, não seja inocente de pensar que existe neutralidade em qualquer aspecto da vida. Tal movimento aposta na interdição do debate natural na escola, na vida, para a nova geração de zangões…

Séries como Family Ties e “Todo Mundo Odeia o Chris” são muito eficazes em, sob o pretexto de discutir amenidades, ir bem fundo nos costumes e preconceitos e acabam, neste roldão, se tornando fotografia de uma época. Family Ties parece bem atual, traçando um paralelo com o momento em que assistimos ao desmonte de vários Estados nacionais. Esta já é uma boa razão para assisti-la, como análise comparativa. Além dos canais da tevê paga, que vez por outra a reprisa, geralmente com o título original, além de poder vê-la nos sítios dos Estúdios originais ou nos canais de “stream“.

Série: Caras e Caretas (1982-1989)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

¹ Uma ideia tão imbecil para se acreditar ter saído da cabeça de educadores. Felizmente, não!.
² No Brasil, curiosamente, uma novela, tempos após, recebeu o nome literal da comédia de situação: Laços de Família.

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Boyhood: Da Infância à Juventude (2014)

boyhood_2014_posterPor Luz de Luma.
A banalidade da vida é tediosa para aqueles que estão fora dela.

boyhood_2014_personagensDoze anos se passaram em marcha lenta desde que Yellow tocava. O mundo continuava a girar e canções, filmes, videogames e livros serviam de referência para aqueles dias.

Boyhood“, o filme que levou 12 anos para ser feito.  Vale conferir o trailer e imaginar o que se passa na vida de um garoto dos 5 aos 18 anos. Mason (Ellar Coltrane), cresce na tela diante de nossos olhos. Foram usados os mesmos atores em todos os anos de filmagem; eles se encontravam alguns dias por ano entre 2002 e 2013. Ethan Hawke e Patricia Arquette interpretam os pais, Lorelei Linklater, a irmã de Mason em torno do qual gira o filme.

Escrito e dirigido por Richard Linklater, da trilogia: “Antes do amanhecer”, “Antes do pôr-do-sol” e “Antes da meia-noite”, é um filme ambicioso e diferente de qualquer outro já feito. É ao mesmo tempo uma cápsula nostálgica do tempo do passado recente e uma ode ao crescimento e parentalidade. É impossível não assistir Mason e sua família, sem pensar em nossa própria jornada.

Quando recebi o convite para assistir “Boyhood“, aceitei rapidinho por ser fã do trabalho de Linklater. Eu realmente gostei da trilogia de “Antes do Amanhecer” que também contou com a participação de Ethan Hawke. Mas não foi amor à primeira vista. Quando assisti achei monótono e com muito blá-blá-blá, até que entendi toda a tônica de uma história baseada em fatos reais. Ficou mais interessante. Foi como fechar um livro e começar a lembrar cada vez mais das partes e perceber que é um filme em que as mensagens (diálogos) são mais importantes que a história em si.

boyhood_richard-linklaterInfelizmente Amy Lehrhaupt morreu um ano antes do primeiro filme ser lançado; foi ela a mulher que passou uma noite com Richard Linklater em 1989 e o inspirou a escrever: “Da meia-noite a seis da manhã (…) andando por aí, flertando, fazendo coisas que você nunca faria agora“. O encontro, por acaso, foi dentro de uma loja de brinquedos e antes de se despedirem, seguiu-se a conversa:
Ele: “Vou fazer um filme sobre isso.”
Ela: “Como assim, isso? Do que você está falando?
ELe: “Apenas isso. Este sentimento. Essa coisa que está acontecendo entre nós“.

E minhas expectativas foram atendidas, em ambos os casos e estou admirada com a ambição e paciência para produzi-los. Ainda mais porque “Boyhood” não é enigmático, apesar de acompanhar o envelhecimento dos personagens envolvidos, mas não é o foco central e a história se move de forma natural, não há tensão artificial e dramas inventados para manipular o público. Realmente capta o sentimento do que é ser jovem para muitas pessoas. Mas nem todas, é claro. Nem mesmo para todos os meninos. Qual é a minha queixa sobre o filme: O título é horrível.

boyhood_a-familiaAs escolhas dos pais e as interferências que essas escolhas causam no futuro dos filhos. Escolhas feitas em busca da sobrevivência, exigindo resistência e força. E vidas são moldadas pelas escolhas ou pela falta de opções? Os pais podem sair de casa, mudar de cidade e carregar os filhos como se eles fossem ocos e sem apego, que não sentirão saudades, que na infância muita coisa será esquecida e que muito se perderá na memória.

A questão é que a memória é feita de uma forma para não apenas termos lembranças, mas dela tirarmos base para que acontecimentos futuros entrem no roll das boas memórias, ou não. Freud afirmou que “sofremos de reminiscências que se curam lembrando”, na pior das hipóteses, são as reminiscências também a causa de todos os males.

boyhoodO Aparelho psíquico interage e reflete no corpo, pois também é um órgão. Ele precisa se alimentar de ações e pensamentos saudáveis. Lembrando um fato, ampliamos a ideia da reconstrução histórica, repetindo e recolocando no presente aquilo que não teve lugar psíquico em seu próprio tempo. Lembrar é colocar na consciência do ego, que evolui o fato e esse passa a significar.

Quando o assunto é o padrão humano, ele não tem que responder por todos os outros. Não é como preencher um formulário em que se verifica a escrita sempre na mesma “caixa” (espaço) de resposta.

É sucesso, virou meme!! “Cathood” (ou “Boyhood – Cute Kitten Version”), Manboyhood, Potterhood (Harry Potter), Apehood (Planeta dos macacos)…

Boyhood: Da Infância à Juventude (2014). EUA. Direção e Roteiro: Richard Linklater. Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, +Cast. Gênero: Drama, Família. Duração: 165 minutos.

P.s: Segue o link do texto original: http://luzdeluma.blogspot.com.br/2014/08/a-banalidade-da-vida-e-tediosa-para.html

O Cinema Mostrando que Entre Pais e Filhos Não Deveria Ser uma Via de Mão Única!

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Confesso que pensei em por como título isso: “Filho é para quem pode!” Mas iria soar grotesco. Agora, seria algo mais direto. Não falo apenas na questão financeira. Engloba muito mais! Até a estrutura psíquica da pessoa. Melhor! Do casal estar de fato integrado ao novo compromisso: o de trazer um filho ao mundo. De criá-lo até que possa se fazer por si próprio. Então, dando um giro pelo Filmes para ver a quantas andas essa relação: Pais & Filhos. Vem comigo!

A foto inicial é do filme: “Menina dos Olhos” (Jersey Girl). Aqui, com a morte da esposa no parto, ele, o pai, fica desorientado. Não apenas perde o emprego, como fica desacreditado na profissão. Então, vai morar com o pai no subúrbio. Mas o tempo passa e ele só pensa em voltar ao topo. Delegando ao seu pai, ser o pai de sua filha. Até que… Tem mais aqui.

nobodyknowsEsses dois outros são mais difíceis de achar, mas vale a pena procurar. Como também é para quem curte o Cinema Asiático, por serem longos e num ritmo lento. O primeiro é: “Ninguém pode Saber” (Dare mo Shiranai). Uma mãe jovem demais, que um belo dia abandona os 4 filhos, numa de que ela tem direito de ir curtir a vida. Então, o mais velho, com 11 anos, faz de tudo para ser pai e mãe dos irmãos. Conto mais aqui.

O outro é de Animação: “A Viagem de Chihiro” (Spirited Away). Revoltada por conta de ir morar em outro lugar, no caminho, ela e seus pais vão parar num local estranho. A personagem então terá que enfrentar seus medos para conseguir sair desse lugar assustador, como também tirar o feitiço dos pais. O legal de assistirem com crianças é deles perceberem que a melhor arma é o amor, a amizade, a solidariedade, como também aceitar as diferenças… Tem mais aqui.

the-simpsons-the-moviePor falar em Animação… Esse outro traz um pai que é mais um bebezão. Alguém que nem deveria ter sido pai. Pela foto, essa figura já é bem conhecida. Eu confesso que não curto o desenho. Mas vi o Longa. O Bart faz de tudo para receber carinho e atenção do pai. Mas esse, nem está ai. Tem mais de “Os Simpsons” aqui.

Há quem busque por uma família, um lar. Buscando por um carinho que não receberam. Em alguns, a rejeição abala tanto que faz da fantasia uma armadura. Nesse, deixo a sugestão de “Ensinando a Viver” (Martian Child). O menino dessa história se faz de marciano. Vive em um orfanato. Um viúvo, por ser escritor de ficção científica, é contactado para uma adoção. Por não se sentir capaz, recusa. Mas uma amiguinha de orfanato resolve dar uma forcinha. E termina por conseguir que os dois se encontrem. A partir dai, será um longo caminho entre esses dois. Tem mais aqui.

Um outro que eu também amei, traz um ainda bebê abandonado pela mãe na porta de uma igreja. Ele então é adotado por uma família onde é maltratado por não aceitarem a homossexualidade dele. Então ele usa a fantasia para contar uma história para si próprio. O filme é “Café da Manhã em Plutão” (Breakfast on Pluto). Ele sonha encontrar sua mãe verdadeira. E quando a encontra, descobre um tesouro maior. Tem mais aqui.

anche-libero-va-benePor falar em abandono… Bem, se alguém ficou um tempo enorme, forçosamente ou não, sem ver os próprios filhos, numa volta ao lar há de encontrar certa resistência. Pelo menos de um dos membros dessa família que ficou sem a sua presença e que de repente ocupará um lugar que não existia antes. Esse olhar meio triste, meio perdido em pensamentos, ai na foto, é do filho caçula em “Estamos bem mesmo sem você” (Anche libero va bene). Ele meio que se resguarda por não entender o porque a mãe o abandonou. Mais detalhes aqui.

O ser humano é uma caixinha de surpresas. Alguns, não aguentam o tranco do destino e… Nesse outro filme, a mãe saiu do casamento por conta das contas que se acumularam com o marido desempregado. Ela até tentou levar o filho, mas o pai implorou que o deixasse com ele. É o “À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness). E esse pai faz de tudo para que o filho sinta que eles ainda têm um lar, mesmo pernoitando no metrô. Conto mais aqui.

Se trouxe o filho ao mundo a responsabilidade por ele cresce. Até em passar bons exemplos. Mas quando esse nascimento veio sem ser planejado, e mais, se não souber segurar a barra, o melhor a fazer é buscar por ajuda de um profissional. Pois o acúmulo de um desequilíbrio, um dia vai explodir.

white-oleanderClaro que as pessoas têm o direito a momentos seus. Namorar, é algo sempre bem-vindo. O que não deveria é se deixar dominar por uma paixão. Ainda mais numa mente já com um parafuso solto. É um passo para cometer um crime. Com isso terminam deixando o filho a deus-dará. E é mais ou menos isso que temos em “Deixe-me Viver” (White Oleander). A mãe envenena o namorado, com a prisão, sua filha conhece o mundo sozinha. Tem mais aqui.

Há algo que para a maioria dos pais é uma dor insuportável: o de enterrar um filho. Ainda mais sendo uma criança, e mais ainda por uma irresponsabilidade de uma pessoa. Em “Traídos pelo Destino” (Reservation Road) o atropelamento foi um estopim. Um tipo de “Acorda!” bem abrupto para um também pai. E para o pai da criança atropelada, a perda do filho encobriu-lhe a visão na busca pelo culpado. Aqui.

Gente! Esse outro filme foi super criticado. Agora, eu adorei! Eu ri muito, como também chorei numa cena onde a Diane Keaton confessa algo a filha caçula. Num papo de mulher para mulher, mas algo raro entre mãe e filha em gerações como a minha. O filme é o “Minha Mãe Quer Que Eu Case” (Because I Said So). Querendo arrumar alguém decente para sua filha, essa mãe põe até anúncio na internet, e faz as entrevistas. Claro que às escondidas. Tem mais aqui.

Pais! Chega uma hora que acabam virando filhos. Quer seja por idade, ou doença. Enfim, chega a hora de aceitarem as limitações que a vida impôs. A questão é saber se seus filhos hão de querer também aceitar que serão eles agora os responsáveis nos cuidados. Se não verão como um fardo a se carregar. Ou se darão um jeito de alguém disposto a isso. Nesse tocante, trago um filme lindo de ver e rever. É o “Conduzindo Miss Daisy” (Driving Miss Daisy). Por não estar mais em condições de guiar o carro o filho contrata um motorista. Acontece que a mãe é turrona, não dar o braço a torcer. Por outro lado, o motorista é um cuca-fresca adorável. E aos poucos, vai nascendo uma linda amizade entre eles. Conto mais aqui.

the-savagesJá nesse outro a minha motivação maior para vê-lo foi por estar no elenco o Philip Seymour Hoffman. Aqui a senilidade do pai fará com que dois irmãos busque pelo sentimento família. Não tiveram a presença da mãe, como também tão logo puderam se virar sozinhos, cairam no mundo fugindo da tirania do pai. E nessa reunião forçada da “A Família Savage” (The Savages), eles tentarão ser de fato uma família. Aqui.

Um filme que todos da família deveriam assistir é o “Conversando com Mamãe” (Conversaciones con Mamá). O filme faz uma radiografia em quase todos os problemas modernos pertinentes a uma família. Como diz o título é um papo com a mãe e cujo filho já é adulto. Por estar desempregado, a mulher o pressiona para que venda a casa da mãe, porque ela não quer perder o status. Ele, que nos últimos tempos só falava com a mãe por telefone, ao chegar na casa dela se surpreende até por ela ter um namorado. E nessa conversa ele descobrirá mais que a infância perdida. Conto mais aqui.

el-hijo-de-la-noviaBem, há muitos filmes que abordam essa relação. Que ficarão para uma próxima vez. Para encerrar, um convite ao casamento dos próprios pais. Por que não, não é mesmo? É o “O Filho da Noiva” (El Hijo de la Novia). Que após um ataque cardíaco : “O filho que tomou às rédeas do restaurante da família. O filho que passa a olhar a mãe, que agora sofre do mal de Alzheimer, com outros olhos. O filho que tenta entender a vontade atual do pai, em casar na igreja com sua mãe. O pai, que ele até então estava se comportando (um dia na semana para estar com a filha). O namorado, ou melhor, o namoro que apenas ia levando… E outras descobertas mais nessa pós-parada.”

Enfim que em vez de Pais versus Filhos, que seja Pais e Filhos!
E que um colo é sempre bom de dar, como também em receber!
See you!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em: 19/06/08).

Curta: Traz Outro Amigo Também (2010)

O Amigo Imaginário!

Quem teve oportunidade de se deliciar com o Festival do Rio 2011, certamente sentirá saudades. Por outro lado, terá como prêmio as novas boas recordações que serão acrescentadas à memória. Dos muitos idiomas estrangeiros, escolhi um da minha pátria para guardar com carinho dentre outros de diferentes nações que selecionei para prestigiar. Trata-se do Curta Traz outro amigo também (2010), de Frederico Cabral, contando uma belíssima e singela história que costuma pertencer ao universo infantil, mas a surpresa aqui é descobrir que é algo que independe de faixa etária.

É a história de um detetive (Felipe Mônaco) que foi contratado por um homem (Clemente Viscaíno) para encontrar seu amigo imaginário de infância, desaparecido há mais de cinquenta anos. Como encontrar alguém que só existe na imaginação de um homem? Esse é o dilema do detetive particular que pede ajuda a algumas crianças para resolver esse impasse.

Um conto fantástico que remete o expectador ao maravilhoso universo infantil. Um amigo imaginário pode povoar o mundo de qualquer  um que queira.

E como resgatar o amigo imaginário? Eis a questão. Manter viva a criança que agora ocupa o espaço do adulto tem um lado compensador e desafiador.

O curta permite diversas associações ligadas ao comportamento infantil, e o detetive usou a lógica para cumprir sua missão, ou seja, estabelecer contato com o imaginário da criança e a partir daí fazer sua expedição em busca do suposto amigo imaginário de seu cliente.

A vida é assim, feita, às vezes, de grandes momentos vividos em poucos minutos, mágicos instantes em breves segundos, parecidos com um curtametragem, e que ficam eternizados para sempre na memória da gente…

Não vou contar mais para não estragar a surpresa. Um filme comovente. Taí o vídeo. Divirta-se!

Traz Outro Amigo Também. 2010. Brasil. Curta metragem. Direção: Frederico Cabral. Elenco: Felipe Mônaco – Samuel, Clemente Viscaíno – Artur, Gabriel Rocha – Gonçalo, Renan Brambath – Luís, Nataniélhe Pacheco – Carla. Adaptado do conto de mesmo nome, do escritor português Yves Robert.

Karenina Rostov.

Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro. 1988)

Por: Andinhu S. de Souza.

Tonari no Totoro Totoro, totoro totoro

Mori no naka ni, Makushi kara Sunderu
Tonari no Totoro Totoro, totoro totoro
Kodomo no Toki ni Dake, Anata ni Otozureru
Fushigi – na Deai

Magia, emoção, e uma bela viagem aos tempos de infância nessa, que é uma das mais maravilhosas obras do mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki, que trás uma bela e emocionante história, que nos faz voltar aos tempos em que acreditávamos em fantasmas, brincávamos no jardim com toda aquela energia. Meu Amigo Totoro é uma dádiva que nos faz perceber com clareza a criança e a inocência escondida dentro de cada um de nós.

Baseado numa obra literária, a obra começa com um homem e suas duas filhinhas se mudando para uma casa localizada na zona rural do Japão; o motivo, ficamos sabendo só algum tempo depois, é a doença da mãe delas, que a obriga a estar em um hospital ali perto. As duas meninas passam a maior parte do dia sozinhas, pois seu pai é professor e trabalha em uma universidade longe dali; são elas o centro do filme, que é de uma delicadeza extrema. Quando chegam no novo lar, as meninas Mei (a mais nova) e Satsuki (a mais velha) começam a explorá-lo, logo ficam animadas em saber que a tal casa pode ser mal assombrada pelos Makure Kurosuke que são fantasmas bem conhecidos nas fábulas do Japão. Ficam maravilhadas ao encontrar os Susu Ataki, que são as bolinhas pretas de fuligem.

Mas é em uma tarde qualquer, enquanto sua irmã Satsuki está na escola e seu pai está trabalhando na sala, que Mei viverá uns de seus dias mais graciosos. Brincando no jardim, ela persegue dois coelhinhos pequeninos até que cai em um buraco, onde conhece Tororo, que é conhecido dentro da fábula do filme como o deus guardião da floresta, e só quem é criança pode conseguir vê-lo. O personagem do Livro é chamado de Tororu, mas Mei pronunciava errado, Totoro. Esse encontro possui algumas caracteríscas do filme Alice no País das Maravilhas, no qual Alice cai num buraco até chegar no tal país.

Totoro é quase um desses bichos fofinhos que costumamos ver em animações, Digo quase porque, em vez de humanizá-lo, o que o tornaria mais adorável, Miyazaki opta por deixá-lo em estado bruto, por assim dizer, como bicho mesmo; ele não possui nenhum sentimento humano, é antes um animal e se comporta assim. O fato de se afeiçoar às meninas não lhe muda em nada o comportamento; e é por isso que às vezes o seu sorriso pode ser assustador. É um personagem apaixonante, demora a aparecer no filme, e continua aparecendo pouco. Mas é impossível não ficar ansioso quando Mei está preste a vê-lo pela primeira vez, e em todos os poucos momentos em que ele aparece.

Miyazaki usa várias referências da cultura japonesa que enriquecem a obra como o costume das pessoas de reverenciar uma árvore com sinal de respeito, como o Jizo-san, o padroeiro dos viajantes e os santuário na estrada; o respeito e a empolgação dos pais ao verem o entusiasmo dos filhos ao se encontrarem com fantasmas ou deuses. Miyazaki cria cenas fabulosas, e de uma intensidade emocional incrível. A relação familiar mostrada é um dos pontos fortes do filme. O laço familiar no qual envolve a familia de Mei é muito belo. A vontade de rever a mãe no hospital, a sintonia entre o pai e as crianças, a vontade de escrever tudo o que está acontecendo para a mãe.

O importante em “Meu Amigo Totoro” é soltar a imaginação, pois no filme não fica claro quando algo é real ou não. E Miyazaki usa vários pontos para nos fazer imaginar, como a cena em que Tororo, os coelhinhos e as meninas estão dançando em frente de um cercado no qual as meninas estão esperando crescer as sementes e com a ajuda de Totoro as sementes crescem e se torna uma árvore gigante. A cena mais maravilhosa do filme, com uma trilha sonora mais do que bela e nostalgica. Outro ponto é o “Gatoônibus” que é um ônibus em forma de gato que transporta Totoro pra não sei aonde. Só alguns conseguem vê-lo. As bolinhas de fuligem do começo do filme, nos faz pensar que elas seriam algo de grande importância para a finalização da obra. Mas é impossível não curtir o momento em que eles estão em cena!

Não possui momentos agitados, a não ser nos minutos finais do filme quando Mei se perde, tudo é levado de maneira alucinante deixando nossos olhos brilhando o filme inteiro, com personagens que gostaríamos de ter em casa e com trilha sonora linda mesmo. A delicadeza com que Miyazaki trata a infância e os sentimentos com ela relacionados é algo entre o melancólico e o feliz, capaz de emocionar tanto crianças como adultos, razão pela qual Meu amigo Totoro possa ser mesmo considerado o ponto alto na carreira do realizador.

Meu amigo To to ro Totoro, To to ro totoro
Que viveu na floresta desde os tempos antigos
Só quando se é criança
Alguém poderá visitá-lo
Será um encontro maravilhoso

Nota: 9.0

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness)

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Guarda dos filhos: um direito apenas da mãe? E do pai, não?

Sobre o título original, o “y” em vez de um “i” em happyness faz parte da história. É interessante o porque dele.

O filme é baseado numa história real. De início, parece um drama comum, atual, em tantos lares: questões financeiras. Contas a serem pagas e pouco dinheiro entrando. Bem, o diferencial, talvez esteja no fato do personagem querer manter seu filho próximo.

A história conta das dificuldades de um cara em tentar conciliar família, estudo e profissão. Acreditando no seu potencial, investe tempo e dinheiro numa venda. Acontece que escolheu um item difícil de ser vendido. Com a falência batendo na porta, a mulher vai embora. Para ela surgiu uma oportunidade de trabalho. Mas longe dali. Então, ele lhe implora para que não leve o filho. Até pela infância que teve… ele não quer o mesmo para seu filho.

Abrindo um parêntese. Não sou contrária ao pai ficar com a guarda dos filhos. E esse filme, meio que de leve, aponta para que isso deixe de ser algo negativo. Até porque as mulheres também têm direito de pensar e cuidar do seu lado profissional; de sua carreira. Antes, um papel só bem visto para os homens.

Sendo assim, mesmo quando sua vida parece descer ladeira-abaixo… Chris Gardner (Will Smith) faz o impossível para que o filho sinta que eles ainda têm um lar. Se quem se emocionou com a história do casaco ligando pai e filha no filme “Crash – No Limite”… Não tem como não se emocionar com a história da caverna para que filho sinta que têm um lar. A cena arrepia! Até mesmo num albergue para desabrigados… Ele mostra o significado da palavra Lar.

Também ficamos ciente do que fazem, alguns, com estagiários… Haveria também algo de discriminação por ele ser um negro? O que fizeram com ele não poderia ter sido um teste em paralelo ao estágio… Jogaram pesado!

Will Smith, me surpreendeu! Eu que sempre o vi como um ator cômico; a menção de seu nome, logo pensava em “MIB”, em “Hitch”… agora terei também esse personagem. Foi ótimo! Confesso que chorei com ele no finalzinho.

A trilha sonora é linda! Citando algumas: “This Masquerade”, com George Benson; “Jesus Children of America”, com Stevie Wonder; “Lord, Don’t Move That Mountain”, com The Glide Ensemble. E amei a versão que a Roberta Flack deu para “Bridge over troubled water”!

Um filme que entrou na minha lista de que será gostoso revê-lo. Gostei! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez.

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness). 2006. EUA. Direção: Gabriele Muccino. Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, Jay Twistle, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller. Gênero: Drama, Bibliografia. Duração: 117 minutos. Classificação: Livre.