As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012).

as-vantagens-de-ser-invisivel_2012_personagensPor Francisco Bandeira.
Em um mundo cheio de pessoas chatas e enfadonhas, ou simplesmente “normais” como manda a sociedade, as pessoas diferentes, malucas ou revolucionárias sempre se destacam, sejam de forma boa ou ruim. Mas há também aquelas pessoas que acham uma vantagem serem invisíveis.

O filme mostra as afetações que um jovem pode ter se não possuir uma boa base familiar. Charlie (Logan Lerman) parece pertencer a outro mundo, até conhecer Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller), dois jovens que parecem livres, que não ligam para a opinião dos outros e vivem a vida da forma que acham melhor para eles. Logo eles adotam o protagonista, mostrando pra ele a vida que o mesmo está desperdiçando se fechando em seu mundo.

A obra realmente é repleta de ternura e melancolia, tendo um final sem muito impacto (sim, não achei foda), porém profundo e tocante. A mistura entre melancolia e inocência casa perfeitamente com a proposta do livro, além de ter uma visão bem interessante sobre essa geração.

Ainda que você não goste da fita, vale pelo questionamento sobre relacionamentos x amor verdadeiro e a cena que Charlie se sente infinito. Todos nós devíamos sentir essa sensação, talvez seja essa a real vantagem de ser invisível.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012). Ficha Técnica: página no IMDb.

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Panorama do Festival do Rio 2013 – Parte II

festival-do-rio-2013A GAROTA DAS NOVE PERUCAS (Heute Bin Ich Blond) de Marc Rothemund tem um tema forte. Uma menina cheia de vida que de repente enfrenta um câncer devastador. Quando começa a perder cabelos por conta do tratamento, decide comprar várias perucas e assumir diversas personalidades. O humor e a criatividade da jovem ajudam a combater a doença. Um tema comum numa ótica alemã bem diferente, cheia de talentos e sem os excessos de dramaticidade comuns a Hollywood.

TATUAGEM é uma pérola hedonista de Hilton Lacerda. Ambientado numa periferia nordestina no final da ditadura no Brasil (1978) traça um retrato pouco visto da época já exaustivamente focada no eixo Rio/São Paulo. Ao sair dessa zona urbana conhecida, o filme ganha um colorido único com números musicais poderosos e sequências geniais amparadas por um roteiro preciso e um elenco vigoroso onde todos se destacam. Clécio (O excelente Irandhir Santos) quer montar um show ousado num cabaré decadente com o nome de chão de estrelas e se apaixona por um menino soldado cujo apelido é Fininha (Jesuita Barbosa). A paixão resulta num aparente contraste entre a resistência burlesco-nordestina e a severidade militar. Não tarda para que a trupe comece a se rebelar contra a aparente ameaça. O extravagante Paulete (Rodrigo Garcia numa composição inspiradíssima) está à frente dessa pacífica oposição. O que mais funciona no filme é a ausência de falsos pudores nos diálogos e especialmente nas cenas de sexo. O primeiro encontro de Clécio e Fininha é um primor de erotismo precedido de uma arquitetura de sedução notável, bem como o assédio sexual no quartel militar. Destacam-se também os curiosos relatos populares ligados ao pecado como o bebê que nasce sem cabeça ou o burburinho causado pela liberação de obras proibidas como “A Laranja Mecânica” de Kubrick com as famosas bolinhas pretas censurando a nudez frontal dos atores. Tudo costurado com primor e talento formando um espetáculo único e inesquecível que volta a orgulhar o cinema nacional ultimamente estremecido com produções grosseiras de bilheteria fácil. Salve o nordeste!

BEHIND THE CANDELABRA foi concebido para ser exibido na tela grande, daí a qualidade em todos os quesitos da produção. No entanto, o diretor Steven Soderbergh teve de se contentar em vender os direitos para a televisão por conta da temática gay exagerada. Como conseguir conter um personagem como o músico Liberace que exalava excentricidade por todos os poros? Liberace já era famoso e tinha quase 60 anos quando conheceu o adolescente Scott Thorson que se tornou seu amante por muitos anos. Os dois são vividos magistralmente por Michael Douglas e Matt Damon que travam batalhas verbais elaboradas numa estória muito bem roteirizada. Mas o ponto alto é para a maquiagem que transforma Damon de menino a adulto, Michael num velho afetado que definha com uma doença mortal e Rob Lowe em um cirurgião plástico hilário e deformado que certamente é um dos pontos altos de sua carreira. Vai passar na HBO. Vale a pena ser visto.

SHAMPOO um filme de Hal Ashby datado de 1975 provou que perdeu força ao longo do tempo. Exibido em película riscada, com a cor adulterada e o som distorcido, mostra os então jovens Warrem Beaty e Goldie Hawn numa comédia de difícil digestão com drama demais inserida no roteiro para ser engraçado. Tudo gira em torno do cabeleireiro George, que aproveita da fama homossexual que a profissão lhe conferia na época para se envolver com todas as mulheres que se aproximavam. O atrativo maior da sessão seria a presença da estrela Goldie Hawn que simplesmente não apareceu.

GRAVIDADE (Gravity) de Affonso Cuarón apesar de incursões mais profundas inseridas nos (bons) diálogos deve ser encarada como puro entretenimento. Diversão do tipo montanha-russa mesmo com muita aflição. A sensação conferida com o 3D e o Imax  é de queda livre e afogamento. Tudo se passa no espaço dividido pela engenheira Ryan e pelo astronauta Matt numa missão delicada quando são atacados por uma chuva de meteoros que os deixam flutuando à deriva sem contato com a Terra. George Clooney está perfeito como sempre, mas o filme é de Sandra Bullock que imprime terror e coragem assombrosos em cada fotograma onde aparece lutando pela vida. Hollywood continua a fazer filmes extraordinários.

GATA VELHA AINDA MIA de Rafael Primot teve sessão de gala no Odeon com a presença das estrelas Regina Duarte e Barbara Paz. Regina é Gloria Polk, uma escritora solitária que já teve seus dias de Glória e é entrevistada por uma jovem jornalista (Paz) num embate furioso regado à inveja e amargura. Ainda que com deslizes no roteiro, o filme mantém interesse por conta dos diálogos cáusticos e da força das atrizes, ganhando um diferencial no epílogo surpreendente, quase noir com toques de terror para acabar derrapando um pouco no desfecho um tanto mal solucionado. De qualquer modo, vale conferir nem que seja para observar a estranha composição de Gilda Nomacce no papel da intrometida vizinha Dida. Gilda já havia feito outro filme exótico e excelente, o cultuado “Trabalhar Cansa”.

GIGOLÔ AMERICANO (American Gigolo) teve apresentação em película no CCBB o que é sempre uma boa experiência apesar do desgaste do tempo. O próprio diretor Paul Schrader estava presente na projeção desbotada e riscada de sua obra de 1980. Richard Gere brilha no auge de sua beleza, numa trama quase ingênua para os dias de hoje, vivendo um prostituto de luxo envolvido num crime. O talentoso Giorgio Moroder faz a música no mais fraco dos seus trabalhos para o cinema e Armani assina os figurinos que marcam época. Schrader afirmou na conversa após a sessão que não faria o filme hoje com o conteúdo homofóbico daquela versão que coloca gays como vilões inescrupulosos e o personagem de Gere imitando gratuitamente um homossexual. Cita a boate The Probe mostrada no filme como um cenário estereotipado e underground. No entanto era um lugar freqüentado por todos, inclusive por ele na época. Revela, afirmando não ter preconceitos.

festival-do-rio-2013_03O LOBO ATRÁS DA PORTA pode ser considerado um thriller. Baseia-se no caso conhecido como “A Fera da Penha” que chocou o Rio na década de 60. Extremamente bem conduzido por Fernando Coimbra, o longa conta com um elenco de grandes nomes como Milhem Cortaz, Leandra Leal e Fabíula Nascimento nos papéis principais, bem como participações muito especiais de Juliano Cazarré e Thalita Carauta (A Janete de Zorra Total num papel parecido com o trabalho que vem fazendo, mas com o sabor de cinema). Tudo começa com o desaparecimento de uma criança. Os pais da menina são chamados à delegacia e Rosa, a amante do pai, é a principal suspeita do sequestro. Nesta versão, o macabro acontecimento continua a acontecer no subúrbio do Rio, embora se desloque um pouco da Penha para Oswaldo Cruz e tem a época atualizada para o tempo corrente, o que lhe confere um distanciamento perfeito para manipular com a suposta obscuridade psicológica de cada personagem sem a preocupação da exatidão e fidelidade dos fatos. O resultado é um grande filme.

O ABC DA MORTE (The Abcs of Death) como quase todo filme com muitos diretores não é um filme regular. No caso, a situação se agrava por conta de reunir diretores de diversas partes do mundo para contar o tema macabro através do alfabeto. No entanto, há momentos muito originais e até geniais no meio de uma sucessão de escatologia e terror gore. Digamos que muitas letras se salvam.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012)

as-vantagens-de-ser-invisivel_01O filme “As Vantagens de Ser Invisível” é um jeito sensível de mostrar o lado dos que se veem deslocados dentro das cercanias da escola. E se tratando dos Estados Unidos o binômio ‘loser x winner‘ agrava muito mais pelo bullying que sofrem. Algo que pode gerar traumas que duram a vida toda. Mas o filme não fica apenas dentro das escolas. A trama adentra na intimidade dos lares desses jovens. Foco onde muita das reações diante às adversidades da vida começa. Já que cada um irá reagir de um jeito próprio. Ou até se achando original mesmo imitando o comportamento de um grupo específico: as “tribos”. Muita das vezes pais ou responsáveis não percebem certos sinais anterior a um fato, acabando por responsabilizar ao incidente o comportamento do jovem. Quando muito foi um jeito torto de trazer à tona um antigo trauma. Se faz necessário estar atento.

logan-lerman_the-perks-of-being-a-wallflowerCriado num lar feliz, o jovem Charlie (Logan Lerman) está para enfrentar um novo desafio: seu primeiro ano numa escola de ensino médio. Extremamente tímido. Ainda saindo da perda de seu grande e único amigo até então. Então até para se proteger ele estabelece como meta contar os dias que faltam para terminar aquele primeiro ano letivo. Como também tentar ficar invisível aos olhos dos demais. Principalmente dos valentões. Mas que não deixa de doer o fato de se ver sozinho na mesa do refeitório. Fato esse que o colocaria numa exposição maior e então chamando a atenção de todos para si se não fosse por outros continuarem a bola da vez. O que acaba por dar a Charlie uma sensação de alívio. São as incongruências da vida!

Um desses grupos fazem questão de chamar para si todos os holofotes. Não são dos nerds, nem tampouco dos atletas, ficando “no meio”. Sendo que o que os deixam um pouco “protegidos” de não se tornarem saco de pancadas dos valentões da escola é o fato dos pais serem ricos. Alguns deles até já sabem o que querem ser no futuro, com isso também se sentem nessa contagem regressiva. Claro que por serem mais “safos” não dão o mesmo peso que Charlie. Esse pequeno grupo se auto intitulam de: os deslocados. São eles:
– Sam (Emma Watson) que é tida como vagaba pelos valentões. Mas assim como Charlie, Sam também traz um segredo do passado. Algo que deflagrou para o comportamento atual.
– Patrick (Ezra Miller), meio irmão de Sam. Alguém que mesmo assumindo muito bem sua sexualidade, tenta ocultar com quem mantém um relacionamento amoroso. Como também não se importa de o chamarem de bicha, mas não tolera que o chamem de “ninguém” e por algo que aconteceu no passado. O que o leva a se fazer notado por todos. Usando até do personagem que encena numa versão da peça teatral “The Rocky Horror Picture Show“.
– Mary Elizabeth (Mae Whitman) tenta um meio termo entre a doutrina budista com um estilo punk com um jeito patricinha de ser. Ela vai dar um nó na cabeça de Charlie.

Para ser aceito no “Os Deslocados” não há os testes de força/burrice tão comuns nos demais grupos. Sam viu nele algo especial, muito mais que a inteligência. Ainda sem mesmo ter a certeza de estar se apaixonando, por sua má fama Sam não se sente à altura do amor de Charlie, se contentando em ser apenas amiga. Para Patrick, o carimbo no passaporte de Charlie veio com um ato tão igual aos brigões, mas por uma rebeldia com causa. O que de um jeito meio torto sela a amizade do trio: Sam, Charlie e Patrick.

as-vantagens-de-ser-invisivel_02Charlie sabe que serão novas pressões nessa nova fase. Com isso sabe que não pode perde o foco, nem o controle sobre si próprio. Usando para esse tento mais a razão do que a emoção. Mas é por justamente não saber como lidar que termina não ficando tão invisível como gostaria. Mesmo assim, com todos os prós e os contras, com todas as vantagens e desvantagens, com certeza esses “1385 dias” ficará como um divisor de água na vida dele e de mais alguns. Sem esquecer de que em se tratando do universo escolar, também há aquele professor que fará a diferença na vida do protagonista. Personagem de Paul Rudd, Mr. Anderson, o professor que lhe dará o foco para se tornar um escritor.

Com uma Direção brilhante de Stephen Chbosky que também assina um Roteiro impecável – adaptado de um livro de sua própria autoria -, com um Elenco afinadíssimo, com uma Trilha Sonora soberba, o filme “As Vantagens de Ser Invisível” consegue fazer a diferença entre muitos outros que abordam o universo dos não tão mais adolescentes. Com temas que mesmo doloridos ainda fazem parte do mundo fora da telona o que lhe confere ponto positivo. Abordando com muita sensibilidade o bullying, a pedofilia, os traumas, a violência entre os jovens, a timidez, a carência afetiva, a inveja, o se sentir um loser, a homossexualidade, pais relapsos, suicídio, professores como verdadeiro mestres, ser calouro… e claro, o primeiro amor. Enfim a guerrilha urbana e emocional que muitos jovens se veem obrigados a vivenciar, e tentar sobreviver incólume. Não deixa de ser um rito de passagem!

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012). EUA. Direção e Roteiro: Stephen Chbosky. Elenco: Joan Cusack, Paul Rudd, Emma Watson (Sam), Logan Lerman (Charlie), Nina Dobrev (Candace), Mae Whitman (Mary Elizabeth), Melanie Lynskey (Tia Helen), Ezra Miller (Patrick), Kate Walsh, Dylan McDermott, Johnny Simmons, Nicholas Braun, Erin Wilhelmi (Alice). Gênero: Drama, Romance. Duração: 102 minutos. Baseado em livro homônimo de Stephen Chbosky.

Qual é o Nome do Bebê? (Le Prénom. 2012)

Qual-e-o-Nome-do-Bebe_2012Uma divertidíssima Comédia Dramática Francesa que me fez lembrar das Italianas justamente pelo pano de fundo da trama: uma casual reunião em família. Eu citei que também é um Drama? Não, não é! Só se focar com um olhar politicamente correto. É porque nesse jantar muita roupa suja será lavada. Não vai ficar pedra sobre pedra. Assim, abstraiam esse pensamento para aproveitar a diversão com esse barraco em família. Até porque se as pessoas envolvidas pesarem como algo catártico irão remover muita tralha inútil da mente. Ou, como bem disse a anfitriã: “Uma noite onde ninguém tem que pedir perdão a ninguém!” E ligue o fuck you!

Todos irão se tocar que estavam seguindo a máxima de um peso para duas medidas. O que me fez lembrar do filme de Polanski, “Deus da Carnificina“. Até o cenário com a lareira de fundo numa alusão de que tinha lenha alimentando essa fogueira. Tinha muita coisa engasgada pronta para eclodir. Onde o tempero desse jantar começou a desgringolar já na cozinha. Embora sentisse prazer em preparar todo o jantar, Elisabeth (Valérie Benguigui) já estava adentrando numa terceira jornada de trabalho naquele dia. Que além dos cuidados da casa, tinha o ser professora primária. Nem ajuda do marido, Pierre (Charles Berling), obteve para esse jantar.

Com isso os primeiros convidados quando chegam a pegam ainda terminando o jantar. O primeiro a chegar foi Claude (Guillaume de Tonquedec), um amigo de infância da família de Elizabeth. Amigo e confidente dela. Claude comparece sozinho, e até pelo seu modo de ser será posto na fogueira. Cordato e muito gentil, acabará explodindo uma bomba no colo dela e do irmão desta, o Vincent (Patrick Bruel).

Vicent causa uma certa inveja nos demais, pois mesmo não tendo nem levado os estudos a sério, foi o que se deu bem financeiramente. Levava uma vida meio de playboy quarentão até conhecer Anna (Judith El Zein), uma empresária bem sucedida. Após um ano de casados decidem ter um filho. Anna será a última a chegar, quando a discórdia parecia estar apagando, mas na realidade estava em banho-maria.

Para todos quem começou mesmo a discórdia foi Vicent. Que para ele fora uma simples brincadeira com o cunhado. Mas o que quis mesmo foi atazanar a erudição do Pierre. Conscientemente sabia que o outro iria fazer toda uma preleção com o suposto nome que Vincent escolheu para o filho. Anna estava grávida de cinco meses, e nesse dia por uma ultrassonografia ficaram sabendo o sexo do bebê.

Qual-e-o-Nome-do-Bebe_01Pois é! Um nome como pivô. Pensar que um simples prenome fez aflorar: ressentimentos, cobranças, inveja, desânimo, omissões, falsidades, preconceitos, conceitos, segredos… E no que prometia ser um feliz jantar entre eles. Mas que resultou numa apimentada reunião. Mostrando que nem todas as verdades devem ser ditas. A sociedade, ou mesmo na intimidade de um lar a sinceridade não é de toda bem-vinda. De aparências construídas muitos assim preferem viver; se ver.

A bem da verdade o tempo nos coloca como platéia, sem julgar ninguém. Nem mesmo o esteriótipo que o outro tão bem encarna, já que o faz até por força da própria sociedade. As pressões do dia-a-dia o leva a agir assim, meio que ligando o automático. Mal percebendo que acabou se perdendo da sua própria essência ao não assumí-la, nem na intimidade. Ou que não soube canalizar essa sua essência para ser o que é sem se importar com o que os outros pensam de si. E se o outro quer viver, ou não ver que vive esse tormento, isso é um problema dele.

Então, é isso! Roteiro, Direção, Elenco… tudo mais fazem de “Qual é o Nome do Bebê?” um filme redondinho sem nada a retocar. Nem a longa duração tira a atenção. Nem por querer chegar ao desfecho, mas sim em acompanhar todos os segredos que os personagens vão revelando ao longo dele. Um filme que tão logo acabou me deu vontade de rever. Porque há muitas falas. Daí, revendo se pode acompanhar melhor perfomances e cenário. Até mesmo os locais mostrados logo no início do filme. De uma Paris bem sinistra por mostrar que aquelas belas fachadas escondem muita sujeira.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Qual é o Nome do Bebê? (Le Prénom. 2012). França.
Diretor: Alexandre de la Patellière, Matthieu Delaporte.
Gênero: Comédia.
Duração: 110 minutos.

Livro: O Advogado do Diabo, de Morris West, 1959

Se deve educar primeiro o coração depois a cabeça

Talvez muitos tenham deixado de ler influenciado apenas pelo título. Também não tem nada a ver com o filme americano. Abaixo segue uma sinopse oficial do livro. Agora, eu gostaria mesmo de deixar as minhas impressões de O Advogado do Diabo, de Morris West.

Na incredulidade, não existe pai, não existe relação. A gente não vem de parte alguma, não vai para parte alguma. Nossos atos mais nobres são destituídos de significado.”

Quando comecei a ler eu sabia o que representava o termo “advgado do diabo” para a Igreja Católica; e lendo a contra-capa do livro, à época, interessei-me. Confesso que não esperava tanto. É fascinante a história, e que segue num crescente até o final. Há uma passagem, logo no início, onde o padre Meredith se questiona, mais ou menos assim:

Como ele que foi um bandoleiro vai virar um santo, e eu que dediquei minha vida à igreja vou deixar minha vida em branco?“. Outra que também emociona é quando ele se sente traído por um Deus que dedicou-se tanto.

Pode até parecer que deste ponto em diante será um quase duelo de egos; que ressentimentos irão deixar a narrativa angustiante, pesada. Creiam! Dai para frente o desenrolar da história é um brinde a nossa sensibilidade! Investigando sobre Giácomo, Meredith fará um mergulho em si mesmo. E na vida que não viveu.

Quando não se sabe de onde virá a nossa próxima refeição, como é que se pode pensar ou preocupar-se com a situação de nossa alma? A fome não tem moral.”

A descoberta de novas sensações muito mais que novas emoções, nos levarão a viajar com ele. Quase que sentindo o mesmo prazer; o mesmo gozo. Uma em especial torna-se um grande convite. E não dá para buscar um refinamento numa palavra, porque nem aroma, nem fragância, nem muito menos perfume, terá o significado simples e especial para ele: cheiro. Sim, para ele que passou grande parte da vida mergulhado nos livros, de repente começar a sentir novos cheiros, inclusive, cheiro de mulher. E fica vislumbrado! Não! Não somente ele, mas a todos que se dispõe a ler esse livro.

Sinto a vida escoando-se de mim. Quando vem a dor, choro, mas não existe prece em meu pranto. Somente medo.

Esse livro entrou na minha lista “the best”. Leiam, não perderão a viagem!

Já houve uma adaptação para o Cinema, em 1977, “Des Teufels Advokat“, de Guy Green, com Roteiro do próprio Morris West. Mas bem que poderiam fazer uma versão mais recente. A história é excelente!

Como acontece com a maioria das pessoas bem educadas, não tinha defesa contra a grosseria dos outros.”

Sinopse: Na Calábria, sul da Itália, surge um culto não-oficial em torno da memória de Giacomo Nerone. Milagres são atribuídos ao eremita, que se tornou mártir ao ser assassinado pelos comunistas nos últimos dias da Segunda Guerra. O Bispo Valenta ordena uma profunda investigação no caso. Ficando a cargo do padre inglês Blaise Meredith. Um verdadeiro advogado do diabo, que tem a obrigação de encontrar e denunciar qualquer fato que possa impedir as santas honras sejam dadas a Giacomo. O protagonista se envolve numa trama rica em contradições e descobertas que chegam a modificar seu enfoque sobre a vida. Sem dúvida, quem o ler modificará seus prismas ou, no mínimo, ampliará os horizontes.

Advogado do Diabo = No contexto da Igreja Católica, um padre é designado para investigar se uma determinada pessoa considerada santa de fato é digna da beatitude que lhe é atribuída.

Milk – A Voz da Igualdade (2008)

milk_movieAinda não assisti o filme que levou o Brad Pitt a ser indicado ao Oscar, me falta tempo, mas Sean Penn com certeza era mesmo um páreo duro pra ele como Harvey Milk.

Harvey foi um ativista das causas Homossexuais na Política Americana da década de 70; tornou-se, portanto, o primeiro homossexual a ter um cargo importante nos EUA.

O filme retrata essa trajetória de um homossexual que consegue centralizar tanto o povo quanto a Política num único bem comum. À parte do ativismo, se é que há como separar essas instâncias, mostra a vida dele íntima com seu companheiro Scottie, a falência de uma relação pelos motivos de sempre: ausências, falta de atenção etc.

Eu entendo esse filme como “extremamente Shakespeariano”: a tragédia é um fato diante das obscuridades que movem o ser humano.

Nada mais humano do que a inveja e o ciúmes…

Por: Vampira Olímpia.

Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Gênero: Drama, Política

EUA – 2008