Planeta dos Macacos: A Origem. Tecnologia demais às vezes atrapalha.


Um dos filmes que eu aguardava nesse ano de 2011. Até por estar na minha memória afetiva. A simples menção desse título – Planeta dos Macacos -, me vem à mente uma pequena estória. E é com os olhos de um ator. Foi a partir desse filme que eu passei a prestar mais atenção no nome dele. Debaixo de tanta maquiagem, seus olhos se destacavam num personagem carismático: o Cornelius. Mas foi assistindo um outro filme, e já de cara lavada, que em pensei: “Eu conheço esses olhinhos! Conheço, sim!” Numa rápida pesquisa, descobri que era o ator Roddy McDowall. Fica aqui um pequeno tributo a esse ator: seu Cornelius foi memorável.

Mas “Planeta dos Macacos – A Origem” não é um remake.

Como o título original – Rise of the Planet of the Apes – diz, ele veio para contar como tudo pode ter iniciado. Numa nova roupagem, se adequando ao mundo de agora. Por mais primitiva que possa ser a estória – ascensão dos símios ao comando do planeta -, a parte científica dos homens continua evoluindo ininterruptamente. Muito embora muitos dos humanos ainda vivam irracionalmente. E embora muita das pesquisas científicas possam ter um caráter humanitário, ela precisa de alguém que a banque. É aí que mora o perigo!

O filme também tem agora todo avanço da computação gráfica.

Assim, os atores se livraram do peso da maquiagem e da roupagem de antigamente, para atuarem cheio de filamentos pelo corpo diante de uma tela-verde (Chroma Key), ou até em externas, cujas performances ganham um “novo corpo” pelo computador. Mas essa tecnologia de agora não veio para tirar o glamour dos filmes de outrora. Pois esses já têm um lugar cativo na nossa memória cinéfila. Os filmes atuais estão vindo para que também os apreciemos. Desde que esses avanços venham como um novo coadjuvante. Até por conta disso que eu quis conferir “Planeta dos Macacos – A Origem“. Conferido! E…

Saudosismo à parte… como tudo começou!

O filme atual até para mostrar uma evolução dos símios traz como grande mote uma pesquisa no campo farmacológico. Descobrir, se não a cura, pelo menos um jeito de estacionar o “Mal de Alzheimer“. Basicamente, essa doença mexe com o sistema cognitivo dos idosos. A perda da memória é o fator inicial. Sem entrar muito nos méritos da doença, a pesquisa no filme era para se chegar a um fator que estimulasse o cérebro a produzir “novas células” numa autoregeneração. Sem nenhum Greenpeace, ou Ong de Proteção Animal por perto, o Laboratório Gen-Sys, usava livremente símios em suas pesquisas. Mais em específico: chimpanzés.

No meio do caminho tinha um (des)humano.

Há de se perguntar o porque de alguém tão jovem como Will (James Franco) se dedicar a pesquisar a cura para o campo geriátrico. A resposta está em querer ajudar o próprio pai, Charles (John Lithgow. Que roubou todo o filme. Foi brilhante a atuação de Lithgow!). Mas um funcionário do laboratório pos tudo a perder ao buscar a chimpanzé Olhos Brilhantes para a apresentação da droga ALZ-112 ao Conselho dos Acionistas. Já que são eles que iriam liberar verba maior para se chegar a virar um Medicamento legalizado. Em vez de docilidade, ele a incita. Então ela revida com fúria. Numa cadeia de tensões e medos por quase todos, um dos seguranças a mata. Pondo fim a pesquisa. E mais! Acreditando que essa fúria era um efeito colateral da droga, Jacobs (David Oyelowo), dono da empresa, manda Franklin (Tyler Labine) sacrificar todos os outros chimpanzés, cobaias do ALZ-112.

Mas Olhos Brilhantes deixara um filhote recém-nascido.

Franklin (Tyler Labine) que omitiu o fato, sem muitas opções deixa nas mãos de Will o filhote para que ele tome uma decisão: ou o mata, ou o leva para longe dali. Will então leva o pequeno símio para a sua casa. Mostrando ao seu pai. Já que precisava saber se ele reagiria bem a essa nnovidade. Charles não apenas gosta, como escolhe o nome: César. Com isso, Will leva sua pesquisa também para casa. Mas foi seu pai quem primeiro notou a super inteligência de Cesar.

Alguns poucos anos depois, num descuido, Will deixa a janela aberta. César que sempre acompanhou do seu quarto as crianças andarem de bicicleta, resolve experimentar. Uma das crianças se assusta, o pai dela machuca César. Will o leva a uma Veterinária do Zoo. Ela é Caroline (Freida Pinto), especialista em Chimpanzés.

Um lugar na mata…

Caroline acha que já estava na hora de César se exercitar também ao ar livre. Charles, já curado com o ALZ-112, os leva até um Parque de Sequóias. Passado mais uns anos, já com Will e Caroline juntos, numa saída do tal Parque, o cachorro de uma família, preso numa coleira, leva a César a questionar Will sobre sua existência. Que papel ele representava na vida de Will. Um bicho de estimação? Sem ainda saber que ele era parte de uma experiência. Uma cobaia. Que de certa forma, ajudou na recuperação de Charles. Mas se aquela revelação abala as estruturas de Caroline, que dirá de César, agora um jovem adulto de cinco anos de idade.

Somos todos cobaias?

Superficialmente, o filme traz à mesa de debate a questão da cobaia. Não apenas com animais, mas o lance dos portadores da doença. Se eles não mais têm condições de aceitarem ou não embarcarem numa possível cura, pesará para a família deixarem que sejam cobaias. Se um membro dessa família for um cientista, e com os meios para continuar tentando achar a cura, há de se ter algo ou alguém que o faça pensar, pesar o que está de fato querendo. Se ainda tem maior peso o caráter humanitário da pesquisa.

Se para os chimpanzés o sistema imunológico reagiu bem a tal droga, o mesmo não aconteceu com o de Charles, que fabricou anticorpos resistentes. Com isso a doença voltou. Sendo a vez de César de querer cuidar dele. Os papéis se inverteram, até numa breve escapada agora de Charles. Esse ao querer dirigir, entra num carro. Ao sair batendo, provoca a ira do proprietário do veículo. César sai em sua defesa. Acontece que sendo agora um chimpanzé adulto, estando brabo, intimida muito mais. Acabando sendo preso. Numa prisão com outros símios.

O início da revolta.

Os animais ficam lá até serem requisitados por Laboratórios. Se por conta de uma burocracia ou não, Will não se empenha muito em tirá-lo dali. Estando mais interessado numa fórmula mais agressiva que não deixe o sistema imunológico humano combatê-lo, mas que o aceite. Então convence Jacobs de partir para o ALZ-113. Enquanto se dedica a nova pesquisa, mais sentindo-se abandonado fica César. Com o tratamento recebido naquela prisão, a docilidade de César vai dando lugar a uma ferocidade.

Acontece que César quer controlar a todos, ciente de que em maior número terão mais chances de sobreviverem. Mas é contido por um orangotango que também entende a linguagem dos sinais. Com esse conselho, César dar prosseguimento ao seu plano. Com tempo. Tudo estudado. Enquanto isso, Will percebe que o ALZ-113 despertou a cobiça de Jacobs, a ponto de não mais cobrar por uma pesquisa mais criteriosa. Com César e Jacobs inflamados, cabe a Will contornar a situação que ele que iniciou.

Planeta dos Macacos: A Origem” talvez só traga surpresa quanto ao final, para os bem mais jovens que desconhcem os filmes de outrora. Para mim, nem ficou uma pequena torcida para que ultrapassem a Golden Gate Bridge. Gostei sim de vê-los indo por cima e por baixo da ponte nessa fuga final. Aliás, desde a primeira cena, todas com os símios foram ótimos. E a emoção mesmo, nesse final, ficou com a despedida entre César e Will.

O desejo por uma continuação não ocorreu como em “Sherlock Holmes“, mas se vier, será bem-vinda! Foi um bom filme! Vale conferir! Mas não eletrizou, nem me empolgou. A Trilha Sonora é legal, mas fiquei pensando em Hans Zimmer, logo não me encantou de todo. E Andy Serkis que fez o César não o deixou memorável como o Cornelius de Roddy McDowall. Com isso, “Planeta dos Macacos – A Origem” não me deixou vontade de rever. Pelo conjunto da obra, dou nota 08. Talvez meu saudosismo teria me deixado com muita expectativa!

Por: Valéria Migue (LELLA).

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes. 2011). EUA. Direção: Rupert Wyatt. +Elenco. Gênero: Ação, Aventura, Drama, Sci-fi, Thriller. Duração: 105 minutos.

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127 Horas (127 Hours. 2010)

Por: Alex Ginatto.

Assisti ontem (02/08/11) a “127 Horas” por ter visto que estava bem cotado entre as novidades da locadora.

Confesso que me incomodam um pouco filmes com roteiros sucintos, sem muitas reviravoltas e principalmente os que se passam em sua maioria no mesmo cenário. Sofri um pouco com “Enterrado Vivo” (Buried), mas ainda assim consegui aproveitá-lo e imaginei que o mesmo aconteceria com 127 Horas.

Engano puro…o filme tem uma dinâmica bem maior e consegue lhe manter preso ao drama vivido por Aron.

Diante de um descuido, uma queda, um braço preso e pronto: ele se coloca no que seria o foco do filme até os minutos finais.

O desespero inicial para tentar retirar a pedra, o gerenciamento de alimento e água imaginando que demorariam vários dias até que alguém desse por sua falta, os devaneios de sua mente, oscilando momentos de descontração, tristeza e lembranças.

Muito boa atuação do ator James Franco, conseguiu encarnar bem o papel de Aron. Excelente escolha da trilha sonora, dinamismo dos corte das cenas e um cenário de tirar o fôlego.

Recomendo muito! Nota 7.

127 Horas (2010). Os louros vão para Danny Boyle

E no meio do caminho tinha uma pedra…

Às vezes gosto de saber dos filmes que entrarão em cartaz no Brasil. Por curiosidade mesmo. Como a lista é grande, vou olhando aos poucos as sinopses. Desse filme em especial, o título me chamou a atenção, dai fui ler uma sinopse:

127 Horas é a história real do alpinista Aron Ralston. Ele cai numa fenda num cânion isolado no Parque Nacional de Utah. Uma rocha prendeu seu braço. Nos dias seguintes, Ralston tenta ganhar coragem para sobreviver com os meios disponíveis, ao mesmo tempo em que é visitado pelas lembranças de amigos e familiares.”

Confesso que não me empolguei de pronto. Só mesmo quando meus olhos bateram no nome Diretor, e também Roteirista: Danny Boyle. É! Esse cara tira-leite-de-pedra. O que para mim a estória mal daria um Média Metragem, com ele já antevia um jeito de contá-a nos deixando atentos. E ele foi além, pois o filme é ótimo. O ator até se sai muito bem, mas com toda a certeza “127 Horas” é de Danny Boyle. Os louros são para ele.

Porque o drama que se abate com o jovem Aron, interpretado por James Franco, ocorre nos primeiros quinze minutos de filme, talvez um pouco mais. E ai é o Aron, dentro de uma fenda profunda numa grande rocha, preso, no que para ele foram essas 127 horas – onde só tinha água e suprimentos para apenas umas horas de caminhada pelo cânion -, mas que para nós um pouco mais de uma hora de filme. Boyle nos deixa ligado na estória. Tem que ver para tirar a dúvida. Boyle não nos deixa tirar os olhos da tela.

O início do filme com uns clipes já me encantaram. Numa tradução literal minha seria que há quem queira se aventurar longe das pessoas. Até por se sentirem sozinhos em meio a multidão. Ou em buscarem nesses momentos solitários em meio a natureza um tipo de recarregar as baterias. Até ai, tudo bem!

Agora, há de se preparar para os im-previstos. Como eu escrevi para o filme “Na Natureza Selvagem“, que a natureza mesmo selvagem também tem suas regras. Certos tipos de esportes, e em determinadas regiões, deveria ser feito com companhia. Acidentes podem ocorrer. Tendo alguém para pedir por um socorro, denota de bom senso. Mas Aron mesmo ciente disso tudo, ignora até os pequenos sinais. Só dará atenção a eles, já bem combalido. E se foi miragem, ou visão trazida do seu subconsciente como se dissesse para ele não desistir da vida, o certo foi mesmo é que fora sua injeção para continuar vivo, e pelo jeito, atrás de mais desafios a até contra sua própria natureza: sempre sozinho. Já que o Aron não se emenda…

Meus aplausos seguem quase na totalidade para o Diretor Danny Boyle! E ele fez mais! Me levando às lágrimas nos minutos finais. Não deixem de ver. Ah sim! A paisagem é deslumbrante.

Antes de encerrar, deixo mais uma impressão. É que me bateu uma curiosidade. Saber o que diriam os da Área Psi sobre o menino que aparece para Aron. Se diriam que foi mesmo uma previsão? Ou a sua criança interior pedindo para não desistir?

Por: Valéria Miguez (LELLA).

127 Horas (127 Hours. 2010). EUA / Reino Unido. Direção e Roteiro: Danny Boyle. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 94 minutos.

COMER REZAR AMAR (2010). Um Mergulho no Universo Feminino.

_Sabe quando reformou a cozinha, comprou um livro de receitas, e disse que iria aprender a cozinhar? Pois bem! Isso é o mesmo que ir meditar na Índia. Só que em cultura diferente.” (*)

Deixo um convite a Todos, não importando o sexo, e quase para todas as faixas etárias – para os adolescentes também. Que vão assistir esse filme – “Comer, Rezar, Amar“. Para que conheçam, entendam, sintam o que é ser mulher. Porque nele não é mostrado apenas a cabeça da personagem principal, mas de muitas. Desde a cabeça de uma menina aos quatro anos de idade, até de mais idosas. Aos homens, fica um convite especial. Verão qual é o limite que leva a uma mulher a dar um basta numa relação. Mesmo ainda sentindo amor por ele.

Assim, após assistirem, o convite é para uma troca de impressões. O porque disso? É que a partir daqui, o texto terá spoiler. Hesitei um pouco se traria ou não, mas senti uma vontade intensa em destacar vários trechos desse filme. O que ficaria complicado sem contar os detalhes.

Não li o livro, mas fiquei com vontade de ler. Como também, de ter o dvd. Até porque nele há várias falas que eu gostei. Clichês ou não, elas traduzem uma cabeça comum: livre de um certo pedantismo advindos de muitos estudos. Mas também sempre gostei de colecionar Citações, que para mim segue junto na composição de um texto. Gosto tanto, que até abri uma comunidade no Orkut de Frases de Filmes. Em “Comer, Rezar, Amar“, essas frases, a maioria delas, são como peças de um quebra-cabeça para se chegar a mente feminina. São várias reflexões que na montagem final temos o universo singular e particular de cada uma delas. E porque não, de cada uma de nós.

A fala com que iniciei o artigo, a escolhi, primeiro por mostrar um dos propósitos da protagonista, depois pela sapiência contida nela. Pela Liz (Julia Roberts), surgiu nela uma busca espiritual. Pela frase como um todo, em mostrar que essa busca não depende muito do lugar, mas sim da ferramenta usada. Mais até, em desligar a mente da questão maior fazendo outra coisa até fora da rotina diária. O que me lembrou de uma frase que ouvi num filme (Layer Cake): “Meditar é concentrar parte da mente numa tarefa mundana para que o restante encontre a paz.“ Também por mostrar que cada pessoa agirá de um jeito próprio, quando se dispõe a se conhecer por inteiro. Alguns levarão anos, outros, o farão num tempo menor. Outros nem terão esse desejo, e nem por isso serão infelizes. O que a estória mostrará, é um encontro com a religiosidade.

Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa realmente ter certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer.”

A Liz encontra-se às vésperas de completar trinta anos de idade. Que seria uma data marcada para uma mudança radical em sua vida. Algo decidido num passado recente, por ela e o então marido, Stephen (Billy Crudup). Talvez uma promessa feita no calor da paixão. Haviam decidido que ela sossegaria, teriam filhos, que se dedicaria mais ao lar. Tudo já planejado. Num processo depressivo, em vez de remédios, decide rezar. Pedir a Deus que lhe mostre um caminho. E é quando se houve: se sua mente estava conturbada, seu corpo, cansado fisicamente, clamava por uma boa noite de sono.

Acontece que Liz não se via como mãe. Não ainda. Diferente de sua grande amiga Delia (Viola Davis). É Delia quem tenta convencê-la a não partir, a não abandonar a casa que ela, Liz, participou ativamente da reforma à decoração, e principalmente a não se separar de Stephen. Delia sempre quis ser mãe, dai não entendia muito o fato da amiga não querer. O que me fez lembrar de um fórum recente. São escolhas que em nenhum momento denigre uma mulher. Aliás, um dos pontos positivos que esse filme trouxe, é o fato da mulher se libertar daquilo já imposto pela sociedade. Uma liberdade que ainda pesa quando parte da mulher. Um largar tudo e botar o pé na estrada ainda é um território masculino. Assim, quando uma jornada dessa é feito por uma mulher: recebe a minha benção.

As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho: a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo, para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não! Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesma, e depois vão embora.

Liz não entendia ainda o porque do desconforto sentido em seu relacionamento com Stephen. O amava, mas seu interior estava sufocado. Ao se separar, apesar do litígio, se sentia culpada pelo rompimento. Só se libertaria desse peso, em sua passagem pela Índia. Uma cena emocionante, que me levou às lágrimas. É que meus olhos já estavam marejados pela anterior a essa. Quando a vida apresenta que não podemos nem esperar muito de alguém, nem que esse alguém, também espere muito de nós, vem como uma libertação. Para alguém com o pé no mundo, cada dia era de fato um novo dia.

Liz após esse rompimento, conhece David (James Franco). Um jovem ator. Com esse romance, era mais uma tentativa de se encaixar nas tradições. Mas por ser alguém muito Zen, David leva Liz a conhecer um lado religioso. Por ele, indiretamente, lhe vem a vontade de ir a Índia. Conhecer de perto o Templo, e a comunidade da Guru. Mas isso só se concretizou, quando viu que com David também levaria um casamento tradicional. O acorda veio com uma observação de um amigo. Com David, o rompimento em definitivo, vem num email.

Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados.

Liz se dá conta de que passou grande parte da vida sem um tempo só pra si. Tão logo saia de um relacionamento, entrava em outro. Então resolve fazer a sua jornada. Como era alguém que queria sempre ter controle da sua vida, mesmo querendo fugir de tudo planejado, traçou uma rota. Ficaria um ano longe de família, amigos, carreira, NY… Passaria quatro meses em cada um desses países: Itália, Índia, Indonésia. Ela vê uma curiosidade na escolha dos três: começam com “I”, que em sua língua, é “Eu”. Faria um encontro com ela mesma; com o seu self. Algo que eu adorei nessa sua peregrinação foi o fato de não fazer um caminho solitário. Mesmo indo sozinha, não se isolou do mundo, das pessoas.

Seu período na Itália veio como puro prazer. Quase como o alimentar o corpo. Transgredindo o pecado da gula. Primeiro, ou melhor, a escolha por esse país partiu porque sempre quis aprender a língua italiana. Mas chegando lá, descobriu também o prazer em comer. Ela tinha fome! De comer sem culpa. Comer sem se preocupar em engordar. De comer até se fartar. Afina o seu paladar entre sabores, aromas e saberes.

A cena da Julia Roberts saboreando um espaguete – e do jeito que eu amo: com muito molho de tomates -, ficará na memória. Sabe aquele prato que te leva a esquecer do mundo? Que lhe vem à mente – Não quero que nem Deus me ajude!? A cena em si, nos leva a pensar nisso. E regada ao som de: Der Hölle Rache Kocht In Meinem Herzen.

Mas esse período não ficou só em comilanças, e conhecendo a cultura e o jeito de levar a vida dos italianos. Liz faz uma descoberta de si mesma. A de que há partes da sua personalidade que ficarão para sempre. Que se adaptarão a cada nova realidade que a vida lhe trouxer. O que me levou a pensar nessa frase da Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” Liz aprenderá a canalizar essas forças dentro de si, nos períodos passados nos outros dois países.

Ainda na Itália, lhe vem o desejo de encontrar a sua palavra: aquela que a definirá. Que será o seu norte. E a palavra vem na Itália, mas só terá consciência dela em Bali. Voltarei a ela mais para o final.

Galopamos pela vida como artistas de circo, equilibrados em dois cavalos que correm lado a lado a toda velocidade – com um pé sobre o cavalo chamado ‘destino’, e o outro sobre o cavalo chamado ‘livre arbítrio’. E a pergunta que você precisa fazer todos os dias é: qual dos cavalos é qual? Com qual cavalo devo parar de me preocupar, porque ele não esta sob meu controle, e qual deles preciso guiar com esforço concentrado.”

Na Índia, antes de chegar ao Templo da Guru, fica assustada com o trânsito local. Numa de se perguntar em como do caos chegam ao equilíbrio zen. Já no Templo, constata que tal como o de NY, não há a presença física da Guru, mas sim um retrato. Depois entenderá que a busca é para dentro de si.

Essa sua passagem pela Índia, nos leva do riso às lágrimas. A diferença cultural, mais que deixá-la em choque, a levará a se por em xeque. Ela quis aprender a se devotar a algo maior. A encontrar a espiritualidade em si.

Duas forças amigas serão o peso em sua balança. De um lado, uma jovem indiana, Tulsi (Rushita Singh) que sonha seguir carreira como Psicóloga. Que gostaria de se rebelar com o seu destino: um casamento arranjado. Tradição familiar e cultural. Liz vai a cerimônia de casamento, e dá um belo presente a jovem. Algo não material. E que também fez com que Liz descobrisse mais de si. Que fazemos parte de uma engrenagem, não somos, não devemos nos ver como peça isolada o tempo todo. Há vários momentos que estaremos em contato com alguém. Então, é saber a arte de uma boa convivência. Mais! Que há vivências que não teremos como escapar. Assim, o melhor a se feito é tirar um proveito da situação.

Do outro lado, estava Richard (Richard Jenkins), o seu James Taylor. Richard ficava levando-a a conhecer seus limites, para então ultrapassá-los. Além do ex-marido, do jovem ator, ele foi mais um personagem masculino a mostrar que não basta só um querer manter a relação a dois. No caso dele, o desrespeito chegou aos extremos: bebidas, drogas, relações extra-conjugais… Ao contar a sua estória, dá um aperto no coração. Principalmente quando pessoas como ele, fazem parte do nosso ciclo, ou familiar, ou de amizade. Certa vez, eu perguntei a uma pessoa se fora preciso mesmo abraçar uma religião, para então dá valor a linda família que possuía, e ele disse que sim.

Liz, Richard e Tulsi foram parar ali por motivos diferentes, mas igual no que buscavam: depurar o passado, se adequarem ao presente, para então seguirem mais confiantes para o futuro. Inconscientemente, um ajudou o outro nessa busca. Dos três, o fardo maior trazido do passado, era o de Richard. Perdera um tempo enorme de não ver o filho crescer, por não o ter colocado antes em sua vida. Voltando ao tema do início. De que maternidade e paternidade tem que querer de fato. Até pela responsabilidade que terá com a criança. E quando Liz consegue perdoar a si própria… minhas lágrimas desceram. Leve. Por me levarem a pensar num momento meu.
Eu quero vê-la dançar novamente“… Livre, era chegada a hora de seguir em frente. Próxima parada: Bali.

Imagine que o universo é uma imensa máquina giratória. Você quer ficar perto do centro da máquina – bem no eixo da roda -, e não nas extremidades, onde os giros são mais violentos, onde você pode se assustar e enlouquecer. O eixo da calma fica no seu coração. É aí que Deus reside dentro de você. Então, pare de procurar respostas no mundo. Simplesmente retorne sempre ao centro, e sempre vai encontrar a paz.”

Da vez anterior, que estivera a trabalho em Bali, Liz conhecera um Xamã: Ketut. Uma figuraça! Então, o procura. Gostei muito mais de Ketut – até pelo seu jeito irreverente de ser -, do que da Guru da Índia. Ketut, mesmo com todo o peso de ser um Xamã, é alguém mais objetivo. Ligado com o que há por vir. Por conta disso, propõe uma troca a Liz: ela transcreveria seus manuscritos – que com a ação do tempo estavam se esfarelando – e ele a ajudaria nesse seu vôo em sua alma. Ah! A companheira de Ketut mostra-se uma mulher de grande sapiência.

Se na Índia, Liz se livrou de bagagens inúteis para seguir em frente, em sua passagem por Bali iria aprender de fato a adequar sua personalidade com tudo mais a sua volta. A ter um equilíbrio, até quando a vida lhe tirasse dele.

Em Bali, Liz conhece uma Doutora da Floresta: alguém que cura pelas plantas. Ela é Wayan (Christine Hakim). Tem uma filha, Tutti (Anakia Lapae). Uma menina que aos 4 anos de idade, dá um sábio conselho à mãe. Que mesmo sendo penoso, até por conta da cultura local, Wayan aceita. As três ficam amigas. E por elas, Liz entende que há mais religiosidade num ato, do que passar horas num templo. Seu ato, faz um resgate a uma vida condigna a essas duas amigas. Mãe e filha não precisariam mais ficarem peregrinando. Ganham de Liz, e de seus amigos, um porto seguro. O mundo carece de atitudes como essa.

Ao longo dessa sua peregrinação, Liz convive com várias mulheres. De culturas diferentes. Algumas, como ela, nadando contra a correnteza, ou pelo menos, tentando. Mas mesmo as que seguem como reza a tradição, não estão infelizes. Esse é um dos pontos altos desse filme. É um verdadeiro ode a alma feminina.

Quando tudo parecia seguir por um caminho certo, Liz se vê literalmente jogada para fora da estrada. Bagunçando o seu equilíbrio novamente. Seria o destino testando-a? O autor dessa proeza seria o homem que Ketut viu nas linhas de sua mão? Aquele com quem teria um longo relacionamento? O que sustentaria essa ligação por anos? É quando entra em cena o personagem de Javier Bardem: Felipe. Alguém que trazia também um peso do passado.

Pausa para falar do ator, ou melhor, do homem: Javier Bardem. Ele está um tesão nesse filme. A maturidade o deixou mais sedutor. Lindo demais! Mesmo eclipsado pela performance da Julia Roberts, eu gostei dos dois juntos. Deu química.

Seu personagem é um brasileiro que adotou Bali como Lar. Tal como Liz, é alguém que ama viajar. O prazer nisso, até por força da profissão. No momento da estória, ele é um Guia Turístico em Bali. Leva Liz a conhecer aromas e sabores da cultura local.

Fazendo ele um brasileiro, fica difícil não comentar duas coisas:
– o filme passa a ideia de que pais brasileiros beijam seus próprios filhos na boca. De que isso é algo cultural. Como eu não li o livro, não sei de onde tiraram isso. Não há esse costume aqui.
– o lance dele dizer muito “Darling!”. Se é como “Querido(a)!”, também o costumeiro por aqui, ganha a conotação de algo superficial. Mas o seu personagem passa a ideia de um tratamento afetuoso, de intimidade com a pessoa.
É o único ponto negativo em todo o filme. Nem a longa duração do filme, me fez perder o brilho nos olhos. Até porque, sendo bem contada, eu gosto de uma longa estória.

Como citei anteriormente, “Comer, Rezar, Amar” traz várias falas reflexivas, e uma delas vem com a palavra que Liz então escolhe para si. Que para mim, é a que melhor traduziria como deveria ser uma relação a dois: attraversiarmo. É, ela a escolheu na língua italiana. Ela faz a ponte para a união de dois seres distintos. Donos de suas particularidades, um não anulará isso no outro. Saberão encontrar o ponto em comum, e respeitando as diferenças. Mas principalmente, respeitando o parceiro, a união, o porto seguro que farão com essa relação.

E é Ketut que leva-a a descobrir que estava pondo tudo a perder, ao voltar aos velhos hábitos. Deveria se entregar de corpo e alma a esse universo que chegara à sua porta. Isso, se colocava fé nessa relação. Até porque, os relacionamentos certinhos demais, de outrora, nunca a deixara satisfeita. Também, algo como o jovem Ian (David Lyons) propunha não era o que queria. Então, por que não vivenciar o que Felipe lhe propôs? Uma ponte entre NY e Bali… Em sua despedida ao Ketut, minhas lágrimas desceram…

A estória, ou as estórias, a Fotografia, a Trilha Sonora, as atuações… tudo em harmonia para um filme nota 10. E que entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Não deixem de ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Comer, Rezar, Amar (Eat, Pray, Love). 2010. EUA. Direção: Ryan Murphy. +Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 133 minutos. Baseado no livro homônimo e autobiográfico de Elizabeth Gilbert.

(*) Foram tantas as Citações, que essa logo no início, me fugiu um pouco a lembrança palavra por palavra. Quando eu encontrar a transcrição literal, eu trarei para cá. Por hora, fica o sentido da fala.

Milk – A Voz da Igualdade (2008)

milk_movieAinda não assisti o filme que levou o Brad Pitt a ser indicado ao Oscar, me falta tempo, mas Sean Penn com certeza era mesmo um páreo duro pra ele como Harvey Milk.

Harvey foi um ativista das causas Homossexuais na Política Americana da década de 70; tornou-se, portanto, o primeiro homossexual a ter um cargo importante nos EUA.

O filme retrata essa trajetória de um homossexual que consegue centralizar tanto o povo quanto a Política num único bem comum. À parte do ativismo, se é que há como separar essas instâncias, mostra a vida dele íntima com seu companheiro Scottie, a falência de uma relação pelos motivos de sempre: ausências, falta de atenção etc.

Eu entendo esse filme como “extremamente Shakespeariano”: a tragédia é um fato diante das obscuridades que movem o ser humano.

Nada mais humano do que a inveja e o ciúmes…

Por: Vampira Olímpia.

Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Gênero: Drama, Política

EUA – 2008

MILK – A Voz da Igualdade (2008)

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Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, felizmente existem mais coisas entre a resenha e a crítica especializada que nos faz ir ao cinema, sem nos importarmos com o que elas ditam! Não fosse o Oscar recebido por Sean Penn e talvez muitas centenas de brasileiro não tivessem ido assistir a este filme. Então parabéns a Academia! Não importam os motivos que a levaram a premiar o filme, se é que existe algum outro motivo além da atuação do seu ator principal e o mérito do roteiro. É fato que o filme é muito bom! As imagens de arquivos incluídas no filme lhe emprestam certa contundência, a princípio parecem longínquas, fragmentos arqueológicos de um passado com atitudes condenáveis do sentimento repulsivo que é a intolerância e a representação da falta de liberdade. No final, as fotos das personagens verídicas confrontadas com a dos atores, nos faz admirar as escolhas da produção.

Não dá pra sair da sessão sem refletir sobre o “miolo” do filme e nem é preciso ser gay para isso, se alguma sensibilidade existir no expectador, será um processo mais do que natural.Até ver o filme eu nem ‘sonhava’ com Harvey Milk, depois de ver, percebi que o conhecia nos amigos gays abafados em armários ou assumidos vida afora, com consciência que ser homossexual não é um diferencial.   

milk_james-franco-and-sean-pennMilk tentou eleição para o cargo de “supervisor” (equivalente a um vereador ou talvez um subprefeito) da região que vivia várias vezes, tentou sem obter, o endosso para essas eleições. A cada derrota, a margem de votos perdidos diminuía e a vitória só chegou quando uma nova assessora, buscou o apoio da mídia, não para um militante da causa gay, mas para um bom comerciante. É verdade que o filme mostra o preconceito dentro do gueto, as piadinhas dos cabos eleitorais para uma mulher, agora responsável pela imagem e campanha do eterno candidato. Minha primeira conclusão: O gay tem preconceito tanto ou mais que uma hétero…  Minha segunda conclusão: somente um segmento, não elege um candidato, as pessoas não votam em causas, podem até votar em causas próprias desde que não se exponham por isso.

Aqui no Rio de Janeiro, fala-se muito em amor de carnaval, como se boas pessoas, capazes de se apaixonarem e viverem uma relação duradoura fossem obrigadas a não  gostar de carnaval… Concluo que se é amor, ele acontecerá, não importando o local ou a data nem mesmo o sexo, nem mesmo nosso ideal de pessoa perfeita para relacionamento. Nessa altura da narrativa, Milk mora em Nova Yorque e busca relacionamentos discretos, escondidos para não sofrer represálias. Diz que tem 40 anos e nada fez de relevante em sua vida. Ele e Scott concluem então, que é preciso mudar de ares e lá se vão eles para São Francisco, Califórnia, Rua Castro. Podemos dizer que aí o filme começa.

milk_06Nos primeiros momentos do filme, no dia do seu aniversário, Harvey Milk, ainda no armário, paquera um rapaz, Scott Smitt  (James Franco) numa estação de metrô. Não é preciso ser garoto de programa, nem cliente para uma paquera tão ousada  num lugar tão mal afamado. O rapaz, então lhe diz que não sai com ninguém acima dos 40 anos e, a primeira mostra do bom humor da personagem é a sua resposta: “Hoje é seu dia de sorte, ainda estou com 39 anos”. Eles saem, ficam juntos e vivem um relacionamento tanto estável quanto inesquecível! 

Trabalha duro durante as campanhas, volta a usar o visual comportadinho – e não é que me lembrei do nosso presidente Lula e seu banho de loja travestindo-se com seus Armanis!  

No último cheque desemprego de Scott Smith, Milk decide abrir uma lojinha de fotografia. A recepção no bairro não é amigável, sofrem ameaça do presidente da associação de lojistas ou algo que o valha. De visual hippie, não se intimidam, a loja vira referência, o bairro transforma-se em point gay (o que continua sendo até hoje) e Milk começa suas tentativas de se eleger.

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 Quando Harvey Milk, finalmente consegue eleger-se, a cena é de uma festa como só os gays sabem fazer. Antes dessa vitória Scott já tinha se mandado, parece que ele não agüentou tanta invasão, tanta gente, a casa eternamente lotada. Tantas tentativas de eleição foi demais para ele. É quando surge Jack Lira (Diego Luna), um desajustado, desequilibrado a quem Milk acolhe e ama. É, o gay não é realmente o estereótipo que pensamos, pelo menos Harvey Milk neste filme não é!Coisa rara e jamais comentada, o amor masculino é capaz de doação e Milk ressente-se de talvez não ter feito tudo o que podia ou deveria tentar ter feito pelos seus relacionamentos.

 Não sei o quanto este filme é fiel a vida real de Harvey Milk, sei que Sean Penn interpreta magistralmente um homossexual, que mesmo assumido não sucumbiu ao prazer de divertir a sociedade com uma caricatura. Que fazia piadas com a sua condição sem perder o respeito. Que um gay não depende de chiliques para demonstrar suas emoções, antes, se emociona e muito. Que uma liderança pode mostrar a um jovem paralítico e execrado pela família que ele pode sim, mover-se em busca daquilo que ele é realmente e que ser homossexual e paralítico não é uma linha entre duas desgraças sem fim.

 Quando surge em cena a Sra. Anita Bryant, cuja aparição é mostrada apenas em imagens da época, utilizando a religião como ferramenta legal na defesa de um Deus preconceituoso e perseguidor de outros seres humanos, com a Proposta 6, que sob o pretexto de salvar as crianças americanas das aberrações que são os homossexuais, como um início de caça às bruxas, apartando os gays de seus empregos, proibindo professores gays de exercerem sua profissão, Milk se lança numa cruzada em defesa do “seu público”. Nesse momento vemos que aquelas imagens de arquivos incluídas no filme não são peças de arqueologia nem as Cruzadas se extinguiram com a Idade Média…Vale mencionar o desempenho de Josh Brolin como Dan White, um sujeito tão bitolado que não percebe necessidades do seu distrito dignas de elevá-lo a categoria de líder. Dan White numa determinada cena desabafa que Milk tem uma causa, como se a causa fizesse dele tudo o que ele era em vez do contrário. A vida é assim: os medíocres acreditam verdadeiramente nos seus conceitos e conseguem lançar mão da arbitrariedade,  utilizam-se da violência que transforma leis, religiões e pensamentos em armas! Eu não quero concluir que as mentes medíocres crêem com muito mais força e veemência nas suas verdades do que as mentes singulares acreditam nos direitos e liberdade!

05_13_nicoletta1Por fim, minha última conclusão: Quando a arbitrariedade é absurda demais, os oprimidos se unem de tal forma, que naquela época as “gays parades” tiveram sentido e objetivo inteligível para todo o restante da sociedade. O preconceito velado é muito mais perigoso que o a voz dos políticos em megafones conclamando toda uma população a fazer valer os diretos de Deus, como se eles tivessem uma procuração do Altíssimo. Num momento onde as perseguições (se é que existem) são discretas, a Proposta 8, que impede o registro da união  entre pessoas do mesmo sexo, foi aprovada em 2008,  nos Estados , o que originou o comentário de Sean Penn durante o recebimento da sua merecida estatueta: “Aos que votaram contra o casamento gay, envergonhem-se.” A montagem deste filme é primorosa, seu ritmo embaladíssimo para uma cinebiografia, o elenco é sensacional, o filme merece ser visto e merecia ter sido mais apreciado pelos especialistas em resenhas e pelos críticos que pararam na sua superfície ou talvez no beijo de Sean e James…

 Por: Rozzi Brasil.  Blog: Crônicas Urbanas.

MILK – A Voz da Igualdade (MILK). 2008. EUA. Direção: Gus Van Sant. Elenco: Sean Penn (Harvey Milk), Josh Brolin (Dan White), Emile Hirsch (Cleve Jones), James Franco (Scott Smith). Gênero: Biografia, Drama, Romance. Duração: 128 minutos.