Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013)

trem-noturno-para-lisboa_2013trem-noturno-para-lisboa_2013_04Pensamento e ação unos. Assim eram os antigos romanos…

Sou apenas uma admiradora do legado de Jung. Com isso, é muito mais uma visão leiga do pensamento junguiano. Digo isso porque creio que esse filme é um belo exemplo de um de seus estudos. Já que ele traz uma sucessão de eventos cujo final trouxera significado para alguém. Eventos esses que de repente levou um certo professor a sair de sua rotina… Que levaria o nome de sincronicidade. Parece até que o primeiro sinal viera com a caixa de chá vazia. Um simples esquecimento bem casual a muitos, fez com que ele buscasse por uma solução bem fora do comum. O alerta mesmo que diminuto, já deixara o cérebro processando…

trem-noturno-para-lisboa_2013_01O verdadeiro cenógrafo da vida é o acaso, um cenógrafo repleto de crueldade, de compaixão, de fascinante encanto“.

Mas teria sido o acaso que levou aquele professor a passar naquela ponte justo a tempo de salvar aquela jovem de tentar se jogar lá do alto? Mais! Teria sido levado apenas por um impulso que o levou a fazer tudo mais a partir desse episódio? Fora de fato um sinal do destino? Essas são só algumas das reflexões que deixa desde o início e até mesmo pela conclusão de “Trem Noturno para Lisboa“.

As horas decisivas da vida, quando a direção dela muda para sempre, nem sempre são marcados por dramatismos ruidosos. Aliás, os momentos dramáticos das experiências que a alteram são frequentemente muitíssimo discretos. Quando exibem os seus efeitos revolucionários e se certificam que a vida é mostrada a uma nova luz, e fazem silenciosamente. E é nesse maravilhoso silêncio que está sua especial nobreza“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_06Uma chuva… um pequeno atraso… eis que avista a jovem já de pé na amurada… corre… a pasta se abre espalhando os trabalhos de seus alunos… o guarda-chuva sai voando até o rio… mas ele então consegue salvá-la a tempo! A jovem em choque, talvez nem acreditando que tomara tal decisão, encontra nele um amparo imediato. Uma segurança para que pudesse concatenar seus próprios pensamentos. Daí segue-o até a sala de aula. Lá, até causa espanto aos alunos vê-lo com a jovem. Tentando não perder o foco, ele dá início a aula.

Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido.”

trem-noturno-para-lisboa_2013_03Passado um tempo, talvez já refeita do susto, ou nem tanto assim já que ao ir embora, a jovem esquece o casaco. Ele ainda tenta alcançá-la, mas ela se foi. Então, vasculhando os bolsos do mesmo, encontra um livro com o carimbo de uma livraria conhecida. Segue para lá, deixando seus alunos sozinhos. Causando espanto até no Diretor do Colégio… Bem, se aquele dia já o fizera sair de sua rotina… Era então seguir pela noite adentro. Que foi o que fez! Pois encontrando uma passagem de trem para Lisboa, e na tentativa de encontrar a tal jovem na estação… ela não estando lá… ele então embarca… E de Berna, Suíça, até Lisboa ele aproveita para ler o tal livro, cujo titulo era “Um Ourives das Palavras“. Apontamentos num diário de um jovem médico em constante ebulição com tudo que o cercava.

trem-noturno-para-lisboa_2013_07Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever“.

Para alguém já acostumado a dormir pouco, passar uma noite lendo seria tranquilo. Talvez até pegasse o trem de volta… Mas a história do livro lhe tocou tão profundamente que resolveu ficar em Lisboa e tentar conhecer os personagens daquele livro de memórias. Pelo menos parte deles que pelo contexto vivenciaram uma parte importante da história daquele país e culminando com a Revolução dos Cravos…

Se descer sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será concretizada, subitamente deixamos de saber viver o tempo que já não pode fazer parte da nossa vida“.

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Embarquemos junto com Jeremy Irons nessa comovente viagem com o seu Professor Raimund Gregorius. Que quase vira um menino levado até pela curiosidade, mas muito mais com o coração aberto que acaba descobrindo também mais de si próprio. Nem precisa dizer que ele está esplêndido! Aliás, o filme também conta com um time de primeira: Mélanie Laurent, Bruno Ganz, Lena Olin, Christopher Lee, Charlotte Rampling… Mesmo tendo como pano de fundo uma História real de Portugal – Ditadura de Salazar -, o Diretor Bille August deixa tudo fluir com um timing preciso entre passado e presente. Como nos versos do tal livro. Deixando até a vontade de ler o livro de Pascal Mercier o qual o filme foi inspirado. Filme para ver e rever! Cujo único senão foi que também deveria ter falas em português. Mesmo assim… Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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As Palavras (The Words. 2012)

as-palavras_2012_cartazTalvez haja dois critérios básicos para se tornar um grande escritor: talento com as palavras e um olhar atento para o que acontece ao redor. Para então conseguir traduzir num texto o que sentiu, o que viu, o que imaginou, o que vivenciou… Deixando o pensamento correr livre. Sem cercear até mesmo a imaginação. E quando conta a história num longo texto terá também que manter o interesse do leitor até o final. Que mesmo escrevendo um breve conto se faz necessário também encantar quem o ler. Num misto de admiração e surpresa na leitura de todas aquelas palavras impregnadas de carga emocional.

Saber escrever bem até pode ser até pode ser um misto de constância com a escrita e técnicas de redação. Mas sobre tudo há o de se gostar de escrever. Descrever em palavras o pensamento. Em narrar a emoção da historia vivida ou imaginada. Onde muita das vezes mesmo tendo um talento nato ele pode ficar adormecido. Onde só ira acordar com um fator desencadeante. Que pode ser vindo de outra pessoa, mas em geral o estalo vem de algo vivido pela própria pessoa. Seja como for deve dar o primeiro passo. E mais outro. Escrevendo sempre, e principalmente quando der a vontade. Podendo até ser pequenas anotações. Onde a própria crítica seja mais como um incentivo a ser aperfeiçoar na escrita.

Agora, quem ou o que define quem é um grande escritor a ponto de colocá-lo no topo dos clássicos? A história em si? O número de leitores? A quantidade de palavras em cada livro? A continuidade nas escritas para não ser um autor de uma única obra?

No filme ‘As Palavras‘ temos três formas distinta de escritores: o verdadeiro autor da obra, o que se apropriou da obra e o que conta a estória desses dois. Deixando para quem assiste separar a ficção da realidade. Ou julgar ou se solidarizar com eles.

Rory Jasen (Bradley Cooper) trabalha em uma editora de livros alimentando um sonho em um dia ter o seu próprio livro publicado. Mas passar o dia naquele mar de palavras em nada lhe ajuda como inspiração. Falta talento? Pode ser. O tempo vai passando e o sonho virando um pesadelo. Somado a essa frustração lhe vem a realidade das contas a serem pagas no final do mês. Sua esposa Dora (Zoe Saldanha), um pouco alheia ao real drama de Rory, mas por ele não lhe confidenciar, tenta incentivá-lo. Até o leva a uma pequena loja de antiguidades e lhe dá de presente uma pasta de couro. Mal sabendo ambos que aquela peça antiga trazia escondida um tesouro. Tal qual a lâmpada mágica era o sonho de Rory virando realidade. Pois ao limpar a tal pasta ele encontra um maço de folhas amareladas pelo tempo. Ele então ler todo o texto que o deixa fascinado. E logo se vê digitalizando todo o texto. Copiando palavra por palavra.

Ainda alheia a agora ao novo dilema em que se encontra o marido Dora ler o texto achando ser dele. Pronto! Era o incentivo que faltava a Rory. Então ele apresenta como sendo seu ao seu chefe. Que publica o livro. Virando um sucesso em vendagem, crítica e prêmios. Só que o tempo vai passando e com ele a cobrança de um novo livro. De uma outra grande história. Que também não vem. Mas dessa vez em vez de encontrar um novo texto surge o tal gênio da lâmpada. Ou seja, o verdadeiro autor da obra. Personagem do sempre ótimo Jeremy Irons. A princípio tudo que impõe a Rory que ouça toda a história. Como todas aquelas palavras surgiram. Ele vivenciou tudo aquilo, e soube contar em palavras.

Palavras apenas / Palavras pequenas / Palavras

as-palavras_2012Não há como voltar atrás depois de ter feito uma escolha. Até pelas consequências desse ato. Ainda mais quando houve perdas irreversíveis. Foram perdas e ganhos na balança do destino. É tentar se redimir? Buscar por uma expiação ou por uma redenção? Culpabilizar o forte e egoísta desejo de se tornar um escritor? Mas aí não deveria ter seguido o caminho solitário para não deixar na solidão os entes mais próximos? Pois como bem disse Saint-Exupéry “Você se torna responsável por aquilo que cativas.

Se para um ao contar toda a história seria como exorcizar antigos fantasmas, para o outro ao ouvir seria como ficar frente e a frente com os seus ainda lhe assombrando. E para quem conta toda essa história que sentimento quis tirar dali?

Eu gostei do filme! Foram palavras que resultaram numa bela história. Mostrando que Direção e Atuação possuem intimidade com as palavras. No mínimo terão um exercício para que quem saiba um dia venha se tornar um escritor. Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Palavras (The Words. 2012). EUA. Direção e Roteiro: Brian Klugman, Lee Sternthal. Elenco: Dennis Quaid (Clay Hammond), John Hannah (Richard Ford), Jeremy Irons (The Old Man), Bradley Cooper (Rory Jansen), Zoe Saldana (Dora Jansen), J.K. Simmons (Mr. Jansen), Olivia Wilde (Daniella). Gênero: Drama, Mistério, Romance. Duração: 102 minutos. Idade Indicativa: 12 anos.

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). Ou Como Aplicar um Mega 171 Impunemente!

Claro que tendo esses três atores – Kevin Spacey, Stanley Tucci e Jeremy Irons – no elenco já me motiva a ver o filme. Agora, sendo um baseado numa história real, e pelo fato em si, ai já carimbava de vez em conferir “Margin Call – O Dia Antes do Fim“.

Mais do que ver como pode ter acontecido o que impacta mais hoje é que assim como muito outros fatos marcantes depois vão se apagando quer dos noticiários quer da memória de muitos. Mesmo esse tendo ocorrido bem recentemente: em 2008. O que antes eram manchetes terminam virando itens de bancos de dados. Por outro lado por conta da crise atual dos países tidos como primeiro mundista assistindo agora “Margin Call” é de aplaudir com entusiasmo. Não apenas para um refresco à memória em mostrar de quando veio a recessão atual, como também pela solução escolhida na época.

O filme foca num apenas importante Banco de Investimento da época e que embora também no cenário mundial era do poder que detinha no local: Estados Unidos. O maior símbolo do Capitalismo. Onde o “investir em” é algo cultural. Não importa em que, mas mais no que poderá lucrar com isso. Ou mesmo no que provavelmente poderia lucrar. E foi por ai que os lobos deitaram e rolaram. Pois porque teriam escrúpulos em aplicarem o mais monumental conto do vigário da História do Capitalismo se o sistema não fora inventado por eles? Se escamoteado por uma “margem de risco” havia um querer por muitos dividendos, e num “sem suar a camisa“, deram a eles uma permissão para serem ludibriados. Como citei antes faz parte da cultura deles, dai nem se pode falar que foi pura ganância, e para ambos os lados. De um dos lados, faz parte vender até algo podre. Do outro, se tampou as narinas na hora da compra, fora porque quis. Mas mesmo se tratando de algo trágico para muitos, também me levou a pensar numa Comédia que fizeram com esse lance de “investir em”. Um filme com a Barbra Streisand, “For Pete’s Sake” (de 1974), porque nesse a queda nas Ações resultou cenas hilárias.

O filme também me fez lembrar de um Documentário que vi pela televisão, o “Zero: An Investigation Into 9/11” (de 2008). Pois teoria da conspiração ou não, a queda do World Trade Center não deixou de limpar muita sujeira de empresas como essa sediadas nos prédios desabados. A do filme já estava na busca de tentar “reciclar” a própria sujeira. Mas não tiveram um novo desabamento de prédio – um atentado salvador-da-pátria -, e nem mais tempo hábil. E só sentiram a fedentina toda por conta de um funcionário, aliás um recém ex-funcionário, de ainda se sentir ético com a empresa que mais que uma demissão, o levaram até a porta da rua.

É com um tipo de limpeza que começa o filme “Margin Call“: mostrando que se sonhos começam na Wall Street, muitos também terminam nela. Nem importando também por quanto tempo o funcionário trabalha na empresa. E nesse caso em especial, o corte de funcionários começou logo com um que deveriam é tê-lo mantido. Principalmente pelo cargo que ocupava: Analista de Risco. Logo ele: foi o primeiro a ser demitido. É o personagem de Stanley Tucci, Eric Dale; falo mais dele mais abaixo. Eric consegue passar um pendrive para um de seus pupilos, dizendo: “_Tenha cuidado!” É! O conteúdo ali era TNT pura.

Agora, por falar em limpeza, mesmo em qualquer significado, quero registrar a passagem da senhorinha do setor de faxina da empresa. Ela marcou presença. Ficou irresistível em não tirar os olhos dela. Ela eclipsou Demi Moore e Simon Baker na cena do elevador. Fui procurar na página do elenco no IMDb, mas até a presente data não há o nome da Cleaning Lady. Tomara que coloquem. Ela merece os créditos!

Ainda falando em limpeza, mas dessa vez com uma orgânica… O ator Penn Badgley será lembrado por interpretar alguém “do andar debaixo” que tendo umas horas “no andar de cima“, sentiu-se feliz por realizar um grande sonho dentro do banheiro dos Chefões. Caramba! Que vontade de escrever o português claro, sem eufemismo. E nem seria por não querer trazer um spoiler. Mas porque a cena em si é memorável! Vale a pena curtir a cena! Pobreza de espírito do jovem? Não! Sujeira muito maior seus outros colegas de firma seriam levados a fazer, mas sim nos sonhos de outras pessoas de fora dali. Pois, ou compactuavam com a sujeirada dos patrões, ou perderiam o emprego. Aliás, já ciente de uma outra ordem: a de que quanto mais trouxas enganassem, menos chance teriam de serem demitidos.

O subtítulo dado no Brasil foi um eufemismo para toda a sujeira mostrada na trama do filme: “- O Dia Antes do Fim“. Fim de quem cara-pálida!? Dos incautos, sim. Dos que em sua grande maioria fazem parte da base da pirâmide social. Também dos que estão na parte central, mas em menor número. Desses, poucos chegarão ao topo e que por lá permanecerão. Porque ainda dessa outra parte, uma maior parte terá que contar por uma virada do destino, mas onde na realidade dará é suporte para um a mais tempo no topo permanecer por lá por muito mais tempo ainda. Pois quase sempre esses da segunda base uma grande parcela ficarão nesse é andar intermediário.

Quem bem exemplifica isso é o personagem de Paul Bettany, Will Emerson. Muito bom em vê-lo se despir de um outro personagem que tão bem interpretou, o Silas em “O Código Da Vinci” (de 2006). Em “Margin Call” ele está brilhante também. Mas pelo contexto de agora a cena dele que destaco é a dele com Eric Dale (Stanley Tucci), em frente à casa desse outro. Onde mais do que ele falou, foi o que não disse. Talvez algo como: “E o que eu faria se fosse você?” de posse com aquilo que Eric descobrira, mas que fora concluído por Peter (Zachary Quinto). E Eric põe uma pá de cal nesse pesar, mas só assentindo o que Will já concluíra. É de arrepiar!

Seja o primeiro. O mais esperto. Ou trapaceie!

Agora, o que se subentende, e sem o menor floreio, do título original – Margin Call -, é que tiveram um jeito legal (=Lei) de aplicarem o maior 171 da História do Capitalismo. Dai prefiro o meu subtítulo…rsrs Bem, no jargão economês, margin call significa um pedido de cobertura. Então foi o que os corretores fizeram, em pouquíssimas horas, antes que toda a sujeirada vazasse alem daquelas cercanias: uma colossal venda de títulos podres. A história do filme centra-se nesse curto período do tal Banco se safar do que seria um desastre para ele. Tendo início no fim de noite, indo até antes do meio do dia seguinte.

Pontos medianos, mas acima da média:
Demi Moore não fez feio. Mas me levou a pensar que se ela tivesse se espelhado, por exemplo, na personagem da Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada” ai sim teria deixado a sua passagem memorável. Enfatizando com algo dito por uma outra grande Diva, e nossa, a Fernanda Montenegro, algo: “_Que não importa se é um papel curtinho, se marcar sua passagem mostrará a sua grandeza.”
Simon Baker também não fez feio. Muito embora me fez pensar mais em seu personagem na Série de Tv “The Mentalist“. No filme ele não se intimidou ante os atores mais ilustres. Fez cara de Chefe bonzinho. Mas seu personagem era até um desconhecido para os funcionários dos andares de baixo. Até por isso, poderia ter marcado mais presença. Também pelo o que estava em jogo para o seu personagem. Creio que será lembrado mesmo, ou mais, como o executivo no banheiro. Na cena onde o tal corretor realizara um sonho. Pela cara que ele fez, numa de: “Não entendi nada!

Pontos altos do filme:
J.C. Chandor, o Diretor e também Roteirista. Provou com “Margin Call” que tem um belo futuro. Porque tem que ser muito bom para nos manter atentos até o final. Mais! Conseguiu algo raro, o de eu querer que não terminasse logo. E tem cada fala, como a: “_Jogue um grande osso…” É de dar um frio na espinha. Bravo! Longa carreira para ele!
Kevin Spacey rouba todas as cenas em qualquer filme. Nesse também. Destaco uma em especial, que não deixa de ser uma marca dele. É logo no comecinho. O ar quase blasé que faz com o corte dos funcionários, mas mostrando qual seria a sua preocupação daquele momento. Que seria trágico, senão fosse cômico. Essa cena é memorável!
– Memorável também a cena onde o personagem de Jeremy Irons tenta entender a crise que se abateu em seu império. Ele faz de um jeito que parece nos levar ao iniciar da sua trajetória de poder. Daqueles que conseguem vender carros ocultando o motor fundido. Que chegou onde chegou, por ser um lobo bem voraz. Claro que ele também rouba todas as cenas, assim como bate um bolão com Kevin Spacey.
– As participações do Stanley Tucci também são excelentes! Destacando uma. Onde seu personagem se vê obrigado a voltar ao Banco, no dia seguinte da sua demissão. Tranquilo, fica retido ali, numa de: “O tiro saiu pela culatra. Pois o pé-na-bunda que me deram, me fez foi ficar imune a toda essa sujeira!
Paul Bettany também faz uma outra cena forte. A que simboliza a solução encontrada por alguns quando muitos endividados. Chocante!
– A participação de Zachary Quinto também rendeu algumas tensões. O que por si só já denota uma ótima performance. Ele soube conduzir muito bem seu personagem é a personificação de que não foi mesmo o fim. Como exemplifica bem uma cena entre os personagens de Jeremy Irons e Kevin Spacey. É, o Sistema continua!

No mais, todos, tudo, merecem aplausos. Uma Nova Iorque noturna de tirar o fôlego. Um clarear de um dia que ficou na História. Uma Trilha Sonora que atua como um grande coadjuvante; créditos para: Nathan Larson. Roteiro soberbo. Onde tudo é revelado num timming perfeito! Inclusive para a escolha da que termina “Margin Call“. Aquele som na subida dos créditos finais deve ter doído na alma dos que caíram no colossal golpe, mas do real Banco de Investimento, o Lehman Brothers.

Então é isso! Um filme imperdível! Que nem precisa ser especialista em finanças para entender os jargões usados. “Margin Call” é de querer rever. Como também de ter o Dvd, mas isso irei esperar por uma mega promoção.
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). EUA. Direção e Roteiro: J.C. Chandor. Elenco: Kevin Spacey (Sam Rogers), Stanley Tucci (Eric Dale), Paul Bettany (Will Emerson), Jeremy Irons (John Tuld), Simon Baker (Jared Cohen), Demi Moore (Sarah Robertson), Zachary Quinto (Peter Sullivan), Penn Badgley (Seth Bregman). Gênero: Suspense. Duração: 109 minutos.

Curiosidades: No canal FoxLife passa um programa, o “Property Virgins“, que dá um pouco a dimensão das Hipotecas Imobiliárias. Onde basta estar empregado por 30 dias para conseguir um financiamento na compra de uma casa própria. Mas também que já compram o imóvel pensando em investimento: com uma revenda num futuro.

No noticiário dessa semana foram descobertos, e apreendidos, Títulos falsos em nome do Tesouro dos Estados Unidos. Fabricados em 2007, estavam desde então guardados em Banco Suiço. Talvez esperavam a poeira baixar de todo com a Crise de 2008. Num valor de US$ 6 trilhões, ficaria a pergunta: “Que Banco de Investimento passariam esses títulos?“, mas sobretudo fica a certeza de que novos incautos escaparam de cair nesse golpe.

Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (2008)

Desde os fabulosos Os Imperdoáveis e Tombstone eu não havia encontrado mais nada no gênero Western que me chamasse a atenção. Estes dois são clássicos do cinema que estão para além de qualquer suspeita, afinal existe uma grandiosa história por trás de intocável elenco. Nada poderia ser melhor.

Nem mesmo Onde os fracos não tem vez (o fajuto ganhador do Oscar de Melhor – argh! – Filme) e nem mesmo o excelente O Assassinato de Jesse James conseguiram repetir a façanha destes dois citados acima.

Porém recentemente conferi um hit que conseguiu saciar a minha sede do estilo. Trata-se do magnífico Appaloosa – Cidade Sem Lei, filme que repete a fórmula de sucesso dos clássicos: excelente roteiro aliado a um excelente elenco.

Neste caso temos um ingrediente especial: um dos meus atores prediletos do cinema assina o roteiro, a direção e ainda atua como personagem principal! Este cara é Ed Harris e os louros são todos para si, devido ao imenso risco de fracassar ao assumir tudo sozinho.

Se o filme não fosse bom, a imagem de Ed Harris poderia ser prejudicada, mas não: tudo funciona perfeitamente bem!

Na companhia de Ed Harris, ainda temos Viggo Mortensen – representado pelo seu fiel escudeiro Everett -, Renée Zellweger, como a senhora que mexe com os brios do mocinho, e o estupendo Jeremy Irons, como o vilão da história.

Coloque estes quatro cidadãos no liquidificador, bata e veja o que sai: uma bebida com um sabor inesquecível. Assim é Appaloosa, um grande momento do cinema.

Appaloosa é uma cidade tomada pelos bandidos e constituem uma terra sem lei. Virgil e Everett formam uma destemida dupla que está habituada a este tipo de situação e que são contratados para restabelecer a ordem.

A dupla chega a lembrar de dois personagens clássicos de Miguel de Cervantes: Dom Quixote e Sancho Pança, e desconfio que ambos tenham sido verdadeiramente inspirados pelo livro do espanhol.

Agora o triunfo do filme reside nos irreverentes diálogos. É uma provocação sem fim que lhe deixa tenso em diversos momentos. Se tivesse que comparar com a televisão, Virgil é como um Dr. House versão Bang-Bang. Imagine só então o que vem por aí! Recomendado!

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Beleza Roubada (Stealing Beauty. 1996)

beleza

Por: Rafael Lopes.
Por acaso você se lembra do primeiro beijo? Você lembra-se da sua primeira vez? De quantas vezes suspirou por alguém? Lembra-se de ter se apaixonado, mas se apaixonado como nunca antes? Seria o amor um sentimento ou algo que atiça as mais loucas vontades? O que é amor?

Acho que tudo pode ser respondido em cenas desse filme. Um resumo bem grande desse sentimento louco que nos confunde e às vezes engana. Há o amor entre família, entre casais, entre amigos, entre a arte, amor à vida. As personagens dissertando sobre sexo esquecendo-se do amor só mostram quão ocas as pessoas são em relação a esse tema. E o mais irônico é que o dono da casa esculpe em madeira pessoas. Sua arte é bem mais recheada de sentimento e vida que muita gente.

Um sentimento forte é sentido pelas belas imagens feitas da Itália. E que Itália linda o diretor conseguiu captar. A bela fotografia faz a luz tornar-se intensa, e esse brilho a mais desperta em quem assiste o clima perfeito para acompanhar a história de Lucy (Liv Tyler). Ela com seus 19 anos parte para a Itália com a aparente vontade de reencontrar uns amigos. Mas lá chegando, percebemos que na verdade procura por duas coisas: seu pai e um sentido na vida, já que perdera a mãe, que se suicidou.

E revendo a todos que não via há 4 anos, começa a perceber naquelas pessoas que demonstram uma falta de pudor e exalam sensualidade, aproveitando o que de melhor há na vida, que o que ela procura realmente está ali: seu pai e um sentido na vida. E começa a procura por ambos.

E entre desilusões amorosas, encontros e desencontros, vai mostrar a todos que amor é mais que uma palavra ou um incentivo para incendeio de paixões, amor é sentimento.

Filmado pelas lentes de Bernardo Bertolucci, mestre na arte de falar sobre esse tema sem ser apelativo ou gratuito. O que se vê é a composição perfeita do que é se apaixonar, do que é se conhecer, do que é encontrar seu motivo para continuar. E com precisão e firmeza, sente-se vendo o filme o que é realmente o que ele quer falar. E isso flui de forma tão fantástica, que é impossível não se envolver com o filme.

O passos de Lucy filmados com delicadeza e sentimento. Ela, interpretada pela linda Liv Tyler, que mesmo herdando a bocarra do pai, se mostra perfeita para a personagem. E ela atua direitinho, mandou bem realmente. Sabe transmitir suas inquietações, insegurança, medo. Mas no fundo disso tudo, há coragem, já verdade, há virtudes. Mas claro, isso é inibido, uma vez que, ela, no auge de sua timidez e jeito de menina, está na casa de pessoas tão desinibidas, sem pudor, mas que entendem porque sentem o sentimento. Ou acham que sentem.

E Lucy está nesse lugar para justamente mostrar o que ainda não viram com relação a isso. O casal de meia idade passando pela crise sexual, o casal fogueira que na verdade se mostra de amantes, o velho poeta sem inspiração, o antigo paquera que se mostra um belo mulherengo e seu irmão que a ama, a mulher vivida e um jovem que se interessa por ela, e todos envolvidos pelo que Lucy trás.

E no momento mais memorável do filme, ela os faz ver isso. A cena é linda. É sexy. É amor exalado em frames. Isso é sentido. Mas o sentimento quando sentido, pode produzir outros.

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Seja ele de bem estar, como o casal de meia idade, seja ele de ódio, mas regado à saudade , o que também gera o amor, como o casal fogueira, ou a nostalgia do poeta perto de morrer.

E as descobertas que ela vai fazendo ao longo do caminho, moldam o seu perfil. E quando ela mesmo descobre seu amor, o amor por si ao se entregar finalmente e descobrir aquilo que estava procurando, o filme chega ao seu ápice. Ela encontrando seu pai e sua primeira vez são sublimes. Filmados com uma sensibilidade maravilhosa. E em cada uma, podemos entender sobre as facetas desse louco sentimento que é o amor, e que o diretor está trabalhando ao longo do filme.

Acho que o único defeito está no fato de pouco explorar seus personagens e às vezes inserir outros que de quase nada ajudam no desenvolvimento da trama. Mas isso é perdoável, uma vez que nos brinda com cenas maravilhosas de Lucy escrevendo belas e poéticas palavras que a definam, e logo depois se desfazendo do que escreveu. Tem coisa mais humana? Se desfazer do que ainda não conhece e desacredita. E tenho certeza que ela não mais fará isso, uma vez que descobre aquilo que vinha procurando, e aquilo que vinha apagando.

E o desenrolar da história, misturando a sensualidade e o frescor da Itália com as atitudes e anseios humanos é belo. E essa, creio eu, é a assinatura do diretor. Bem como fez com o eterno O Último Tango em paris ou Os Sonhadores, aqui ele dissertou de forma séria e sem ser repetitivo ou piegas, o que torna seu cinema diferente dos que tentam fazer romance hoje em dia. Sem implorar ao espectador que se envolva ou debulhe em lágrimas, como o lamentável Um Amor Pra Recordar.

E Bertolucci faz do romance um estudo quase patológico de como o corpo e a mente reagem a esse sentimento.
Sem moralismos, sem ser didático, as vezes alfinetando (como numa cena em que uma mulher seduz um homem e logo mostra uma dança onde um está preso aos pés do outro, meio que grudado e inseparável) e sempre eficiente na proposta de falar sobre o amor, suas implicações nos relacionamentos das pessoas e como age. E claro, sempre atinge.

Beleza Roubada é considerado por muitos como uma obra menor do diretor. Mas vejo aqui quase todas as qualidades que fizeram o nome Bertolucci ser tão forte no cinema. É um filme sensível e que fala sobre um tema tão complicado utilizando todos os artifícios ao seu favor. Uma narrativa envolvente, trilha sonora bem encaixada, atuações fortes e marcantes (adorei as cenas de Liv Tyler e Jeremy Irons e todas as aparições de Rachel Weiz), fotografia maravilhosa do iraniano Darius Khondji (que consegue um efeito maravilhoso nos planos abertos e usa a luz de forma linda e sensual) e uma montagem ousada de Pietro Scalia. Tudo funciona. E isso é bem sentido no filme.

Uma bela declaração de amor ao amor.

Nota: 9,5
Cotação: *****.

Stealing Beauty, EUA (1996)

Direção: Bernardo Bertolucci.
Atores: Liv Tyler , Carlo Cecchi , Sinéad Cusack , Joseph Fiennes , Jason Flemyng.
Duração: 114 minutos.

A Casa dos Espíritos (The House of the Spirits. 1993)

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A Casa dos Espíritos – The House of the Spirits

Direção: Billie August

Gênero: Drama

EUA – 1993

A Casa dos Espíritos nem de longe se refere a fantasmas de outro mundo que morreram e ficaram presos na mansão assombrada… Boooooooooooooooooooo! Entendo “Espírito” num sentido Filosófico do termo. Para a Filosofia Hegeliana, o Espírito é o retorno da idéia (princípio inteligível da realidade) para si mesma. Assim que vejo essa obra: um filme magnífico que retrata a história Política do Chile sob o olhar da família Trueba na narrativa consciente da filha Blanca (Winona Ryder).

Com um elenco fenomenal, que reuniu Meryl Streep, Jeremy Irons, Winona Ryder, Glenn Close, Antonio Banderas, Vanessa Redgrave e Maria Conchita Alonso, a trama se desenrola do macro para o microssocial; aquilo que se externa na sociedade e influencia o interior de uma família e vice-versa.

Seria uma família bastante comum praquela época se não fosse o poder e a personalidade da mãe Clara (Meryl Streep): infinitamente tranquila e de um semblante tão sereno que em certas cenas parece Maria (mãe de Jesus) ou o que pintam dela. Clara consegue unir aqueles que estão pra sempre separados, consegue acalmar e dar paz para a agitação política de seu marido e suas controversas atitudes. Seu nome foi bem escolhido, dá um tom de transparência, sinceridade, leveza. O mesmo ocorre com Blanca, sua filha?

Enquanto Clara está viva, existe uma organização familiar aparentemente Patriarcal mas que é maestrada pelo silêncio e voz calma da Matriarca. Quando ela morre, seu espírito (as recordações das pessoas que a cercaram) ronda aquela família que se desestrutura passo-a-passo.

Percebe-se que aquela mãe era o verdadeiro pilar de tudo, mesmo considerada erroneamente como frágil e fraca.

As pessoas tendem a considerar como fraqueza aquilo que é sereno e tranquilo. Ao contrário, pessoas assim são de uma força interior gigantesca. Meryl Streep está deslumbrante nesse papel, uma mãe IDEAL, uma esposa IDEAL, uma cunhada IDEAL, uma amiga IDEAL, uma patroa também IDEAL. Todos os papéis sociais de uma mulher ela o representa como aquilo que é idealizado pela maioria. Longe de ser passiva, age com passividade e amor. Amarra com fios de cobre toda a trama.

Um filme pra ser visto e revisto.

Por: Vampira Olímpia.