Férias Frustradas de Verão (Adventureland. 2009)

ferias-frustradas-de-verao_2009Por Francisco Bandeira.
ferias-frustradas-de-verao_2009_01Adolescentes e suas inúmeras páginas em branco esperando para serem preenchidas durante o tempo. Tudo tão confuso, isentos de responsabilidades, em uma época tão intrigante e verdadeira. Amizades e paixões que vem e vão, restando-nos histórias para contar num futuro não muito distante. Aprendizado de vida que nos torna, teoricamente, mais sábios e maduros. Tempo de descobertas, inseguranças, intensidade, mudanças (físicas e emocionais) e companheirismo, onde compartilhamos com alguém nossas fraquezas, pensamentos, risadas, lágrimas e arrependimentos. Onde nos abrimos e demonstramos o que sentimos de verdade, sem medo de sermos felizes.

Em “Férias Frustradas de Verão” não é diferente. Aqui, conta-se a história de James Brennan (Jesse Eisenberg), que recentemente acabou os estudos e está se preparando para curtir a vida. Mas, devido a problemas financeiros de sua família, o jovem tem que arrumar um emprego que se quiser ir para uma boa faculdade como almeja. Depois de tentativas frustradas para conseguir uma ocupação, ele acaba indo trabalhar em Adventureland, um parque de diversões aparentemente chato, onde logo faz boas amizades e se apaixona pela bela Em (Kristen Stewart), vendo que nem tudo é tão ruim quanto parece.

ferias-frustradas-de-verao_2009_00O elenco está afiado, tendo a dupla central formada por Jesse Eisenberg e Kristen Stewart. A química entre os dois é genuína, sendo extremamente sensível, ao mesmo tempo em que notamos a sinceridade no casal e nos divertimos também com sua relação. Stewart traz uma vulnerabilidade incrível e uma inocência maravilhosa a sua EM, enquanto Eisenberg lembra muito o tipo de personagem dado a Michael Cera, o que mostra que sua escalação para o projeto realmente inteligente, tornando seu James uma figura muito carismática.

O elenco secundário não fica de fora, trazendo Ryan Reynolds em um de seus melhores desempenhos, num personagem trágico construído brilhantemente pelo Diretor Greg Mottola. Outra que chama atenção é Margarita Levieva que interpreta a enigmática Lisa P., uma garota provocante, sensual, extrovertida, descolada e puritana. As cenas de dança da moça são bastante envolventes, assim como seu jeito cativante. E ainda tem espaço para Bill Harder e Kristen Wiig brilharem como Bobby e Paulette, o casal hilário que toma conta do parque e trata seus clientes e funcionários da forma mais engraçada e excêntrica possível. Matt Bush como Frigo e Martin Starr como Joel também cumprem bem seus papéis.

E a trilha sonora é extremamente perfeita, tornando-se um personagem a mais no filme. Temos Lou Reed, David Bowie, The Cure, além de clássicos que marcaram época como “Rock Me Amadeus”, do Falco. Ainda são concebidos momentos inspirados com uso da trilha musical no filme, onde destaco dois em especial: a apresentação de Lisa P. ao som de “Tops”, dos Rolling Stones, já se torna emblemática desde a aproximação de câmera feita por Mottola ao rosto de James, até o corte preciso para a bela Levieva ir preenchendo a tela com enorme charme e desenvoltura. O outro acontece numa bela noite, enquanto vemos os fogos da comemoração de Quatro de Julho ao som de “Don’t Dream It’s Over”, do Crowded House, tornando-se simplesmente inesquecível.

greg-mottola_cineastaO grande trunfo do cineasta é mostrar que essa fase da vida é para ser aproveitada sem medo de arriscar, pois a vida é uma só. Devemos aproveitar esse momento da forma mais intensa possível, sem tempo de arrependimentos. É tempo de idas e vindas, de perguntas e respostas, de amar e odiar, de ser prender ao imprevisível e se libertar do inevitável, quebrar estereótipos e renovar as esperanças de uma geração que parece cada vez mais derrotada.

São dos acasos da vida que tiramos aprendizados, conhecimentos, experiências de vida. São das aventuras que construímos grandes amizades, paixões e momentos que se tornarão inesquecíveis lembranças, pois uma das grandes vantagens de ser adolescente é poder aproveitar a vida ao máximo com preocupações mínimas, poucas responsabilidades e muito tempo para diversão. “Adventureland” é um grito de liberdade para a juventude e um sopro de nostalgia para os que já fizeram a transição da adolescência para a vida adulta, e lembram-se dessa bela fase com um sorriso estampado no rosto.

Por Francisco Bandeira. Avaliação: 8.5

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O Duplo (The Double. 2013)

o-duplo-2013_cartazPor Francisco Bandeira
(O texto contém spoiler..)
Richard Ayoade_CineastaQuem quer vivenciar um pesadelo surreal de outra pessoa? Ninguém, certo? Para Richard Ayoade não. O cineasta convida o espectador a presenciar o embate da identidade física x identidade mental, mostrando que as pessoas podem ser completamente diferentes, mesmo sendo tão semelhantes. Pegando emprestado a ideia do escritor Fyodor Dostoyevsky, na qual um funcionário fica cara a cara com ser um idiota, arrogante e manipulativo, mas que se parece bastante com ele, uma espécie de cópia, um duplo que está inserido no título da obra.

A trama gira em torno de Simon (Jesse Eisenberg), um homem bastante retraído que, quando chega em seu local de trabalho, descobre que um homem semelhante a ele, James (Eisenberg novamente), usurpou seu cargo pouco importante na empresa. Sempre humilhado pelas pessoas, o neurótico Simon agora precisa lidar com um sósia que é tudo que ele não é: confiante, charmoso, arrogante, divertido e bem sucedido. E quando James consegue tudo que ele almejou: Promoções, respeito e amor de Hannah (Mia Wasikowska), ele tem que tomar uma trágica decisão.

Logo de cara, percebemos que Ayoade e o roteirista Avi Korine trabalham seu filme em cima de um problema universal: a instabilidade de identidade pessoal. Tendo um estilo cômico bem semelhante ao do Monte Phyton, mostrando uma distopia ao melhor estilo de Brazil, do diretor Terry Gilliam e com um tom de filme noir visto em filmes de David Lynch, Ayoade ainda consegue usar de forma inteligente os travelings a lá Martin Scorsese (uma boa lição para O. Russell), o voyeurismo visto em filmes de Hitchcock (Janela Indiscreta) e Brian De Palma (Dublê de Corpo) e inserindo de forma bastante interessante (e econômica) o slow motion, tendo como grande mérito manter seu estilo próprio, apesar das inúmeras referências notadas em seu filme.

o-duplo-2013_01O grande problema do protagonista é realmente sua crise existencial. Simon é um cara que entra no trabalho como visitante, seu chefe, o Sr. Papadopoulos, o chama de novato (ele já trabalha lá a mais de 7 anos). O porteiro nunca é amigável com quem não conhece e nem mesmo o elevador parece reconhecê-lo. E quando seu contraponto surge, o filme ganha um ritmo impressionante, sendo inserido um humor pra lá de inteligente (ninguém nota a semelhança entre os dois) e um tom melancólico através da inocência do protagonista e em como seu sósia usa disso para manipulá-lo e, posteriormente, humilhá-lo de maneira impiedosa.

A diferença mais notória entre os dois é na percepção da igualdade entre eles. Reparem no desconforto e curiosidade de Simon ao ver seu sósia e em como James usa dessa semelhança e da bondade do outro para tirar proveito próprio (ele chega a achar engraçado usar disso para manipular Simon), tornando-se amigo daquela figura tímida e sem graça, oferecendo aconselhamento romântico e promoções no trabalho, até que o mesmo entrega de mão beijada tudo isso à James (ele faz um teste no trabalho para o sujeito, pede para o mesmo conquistar a sua garota pois não consegue fazer isso), vendo a chance de infiltrar-se em seu meio para se tornar bem sucedido cair em seu “colo”.

A parte técnica do longa também merece elogios. Da fotografia escura, relembrando o climão de filme noir empregado em ‘Veludo Azul’, ressaltando a sensação de desconforto do protagonista e na obscuridade da cidade (parecendo a Nova York de Scorsese em ‘Depois de Horas’, mas aqui, não existe dia), passando pelo fantástico designer de som, onde constantemente Simon escuta barulhos que sugerem sons de metrôs, sirenes e tremores de terra. E a trilha sonora, abastecida com um bom pop japonês dos anos 60 e um desempenho incrível de Danny e os Islanders, que dão um aspecto meio “extraterrestre”, servindo para reforçar o sentido de deslocamento do personagem central.

o-duplo-2013_02As atuações são formidáveis, desde a composição inteligente e cuidadosa de Wallace Shawn como o Sr. Papadopoulos, chefe de Simon até a ironia de Noah Taylor na pele do conformado Harris. Mas são Eisenberg e Wasikowska que impressionam. O primeiro entrega talvez sua melhor performance, na pele de Simon/James. Enquanto empresta um caráter introspectivo à Simon, desde seu modo de falar até trejeitos interessantes (reparem nas mãos do sujeito quando fica nervoso, seu modo de olhar para as pessoas) até a autoconfiança e sinismo de seu James, tornando-o um ser quase desprezível, se não fosse pelo ar de brincalhão do mesmo. Já a segunda, demonstra uma presença cênica inteligente, tornando-se magnética, usufruindo de sua personagem enigmática para trabalhar seu alcance dramático (e realmente surpreende nos momentos finais), ainda usando a seu favor sua tão criticada inexpressividade.

A direção de Ayoade se mostra bastante inventiva, se beneficiando da montagem brilhante do filme (e que merece realmente aplausos), reverenciando seus “mestres” sem soar um mero copiador, filmando algumas cenas de ângulos interessantes e colocando a câmera na mão nos momentos certos.

O resultado da ascensão de James e do declínio de Simon é assustador, causando uma enorme estranheza, que culmina em um clímax bastante impactante e reflexivo, que resulta em ótimos questionamentos e um crime bastante bizarro (se é que pode chamá-lo de crime). Simon era um homem que queria ser lembrado, não passar despercebido, como um fantasma, pois sem isso ele sequer poderia dizer que viveu um dia. Sua decisão inicial não o torna melhor ou pior do que ninguém, mas apenas decifra tudo o que ele queria ser: ÚNICO!

Avaliação: 08.

A Rede Social (The Social Network. 2010)

E pensar que tudo começou com o rompimento de um namoro. Mais! Por conta do orgulho ferido de um aspirante a macho. É! Se uma ideia leva a outra… Ele não apenas se conteve em xingá-la de vaca em seu blog. Quis mostrar que todas as mulheres valem apenas pela aparência física. Hackeou fotos de jovens e belas estudantes, e fez umas enquetes, colocando duas por vez, para que dissessem quem seria a mais bela. Com o volume de acessos Mark (Jesse Eisenberg) viu que tinha um filão em suas mãos, mas faltando saber como faria uso disso.

Gênio em Programação pega a ideia de um grupo de também estudantes de Harvard. E é aqui que eu entro para falar do Facebook. Antes mesmo de ver o filme comecei um esboço para um artigo: “Minhas impressões sobre esse site de Relacionamentos”. Eu só passei a participar um pouco mais dele para não perder contato com amigos que conheci no Orkut, mas que migraram para o Facebook. De conclusão ficou que é como quando trocamos os móveis de lugar da nossa casa. Quando não se tem dinheiro para ir morar em outro lugar, nem muito menos grana para trocar de móveis. Com isso, o simples remanejamento dos móveis, já massageia nosso ego: parecendo estar num ambiente novo.

O Orkut sim que foi uma mudança de fato. Para mim o que esses jovens fizeram foi em pegar um grande filão, mas desse outro. Que para quem está no Orkut desde 2004 sabe bem qual é, ou quais são eles. Uma parcela muito grande só usava o Orkut para ler e deixar recados. Como também para xeretar os outros perfis. Então veio o Facebook e fez a alegria desse povo que até tinha Programas de passar Spams para passarem recados em massa. No Facebook, não mais precisavam deles, bastando publicarem em seus próprios perfis que o mesmo seria visto nos demais perfis. Eu ainda prefiro o bom e velho Orkut para debater, trocar impressões sobre os mais variados assuntos. Até tem onde fazer isso no Facebook, em Grupos. Mas não tem a elegância do designer das Comunidades do Orkut. No Facebook ainda é tudo muito desorganizado.

Voltando ao filme, ‘A Rede Social‘… Se tudo começou por conta dos brios feridos de um macho… Muitos reunidos, são penas voando para todos os lugares. Há os que irão pleitiar serem dono da ideia original. Há aquele que se sentirá traído: onde achava que haveria amizade, havia o ser-o-dono-do-cheque que iniciou o projeto. Há também aquele que segue a máxima: quem já foi rei, nunca perde a magestade. Enfim, os criadores de uma nova mídia social.

O filme é muito bom! Que eu até veria outras vezes. É a História sendo feita. Valendo até para incentivar a nova geração a estudarem mais, principalmente se não nasceram gênios. Válido também por mostrar os “nerds” em ação: ganhando muito dinheiro com uso da inteligência. Como os Tigres Asiáticos que tornam os inventos dos outros mais rentáveis. Se copiando ou não, não deixam de merecer os louros.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Rede Social (The Social Network). 2010. EUA.Direção: David Fincher. Elenco: Jesse Eisenberg (Mark Zuckerberg), Andrew Garfield (Eduardo Saverin), Brenda Song (Christy Lee), Justin Timberlake (Sean Parker), Rooney Mara (Erica), Joseph Mazzello (Dustin Moskovitz), Malese Jow (Alice), Shelby Young (K.C.), Caleb Landry Jones (Fraternity Guy), Cherilyn Wilson (Coke Girl). Duração: 120 minutos. Gênero: Biografia, Drama, História. Conta a história de Mark Zuckerberg, fundador do site Facebook, baseada no livro do jornalista Ben Mezrich, The Acidental Billionaires.