O Novíssimo Testamento (2015). Voos um Tantinho Mais Profundos.

o-novissimo-testamento_2015o-novissimo-testamento_2015_00Por: Carlos Henry.
Deus (Benoît Poelvoorde) existe, vive num universo paralelo em Bruxelas, é casado com uma idiota que ele detesta (Yolande Moreau), bem como os filhos JC (David Murgia) – que não vive na mesma casa -, e a filha adolescente problemática Ea (Pili Groyne). A garota não concorda com as atitudes do pai, enfiado o dia inteiro num salão onde num computador se ocupa em criar leis para azucrinar a humanidade, e após uma das brigas, se vinga liberando uma informação perigosa para toda a raça humana: A data e horário exatos de suas mortes. Em seguida, foge orientado por JC através de um código pela máquina de lavar roupa. Deus, desesperado com o controle adquirido pelas suas criações, vai atrás da filha, determinada a reescrever o testamento com a ajuda de seis novos apóstolos.

Se fosse uma produção americana, “Le tout Nouveau Testament” seria mais uma comédia amalucada provavelmente estrelada por Jim Carrey. Mas dirigido pelo belga Jaco Van Dormael, o roteiro surreal, alça voos um tantinho mais profundos, sem perder a graça. Os tons coloridos e a presença sempre bem-vinda de Catherine Deneuve (Com seu hilário parceiro gorilão) como uma das apóstolas que vão sendo aos poucos acrescentados à Santa Ceia de Da Vinci, não garantem a indicação do filme a uma determinada audiência de religiosos ferrenhos. Já os de mente aberta certamente vão aproveitar belos e engraçados momentos repleto de soluções criativas até o desfecho bacana, ainda que algo feminista demais.

O Novíssimo Testamento (Le Tout Nouveau Testament. 2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

O Evangelho Segundo São Mateus (Il vangelo secondo Matteo. 1964)

o-evangelho-segundo-sao-mateus_1964Por Lidiana Batista.
Dirigido pelo italiano Pier Paolo Pasolini (Salò ou 120 Dias de Sodoma), a obra retrata fielmente a vida de Jesus Cristo segundo o Evangelho de São Mateus. Desde o seu nascimento, os milagres, suas pregações até sua morte e ressurreição.

Este filme me surpreendeu em vários aspectos. Primeiro porque para quem não conhece o diretor italiano Pasolini, atrevo-me a dizer que ele foi um gênio incompreendido não só na sua época como também nos dias atuais.

pier-paolo-pasolini_1964Pasolini era assumidamente homossexual, ateu e comunista. Todos os seus filmes são uma crítica à política italiana e à igreja católica que influenciava diretamente na política da época. Em Salò, sua última obra e talvez a mais criticada, Pasolini utilizou um conto do Marquês de Sade e transformou em uma grande denúncia não só contra o fascismo, mas contra todos os regimes ditatoriais. Infelizmente foi assassinado de forma brutal e a causa ainda é desconhecida, embora no filme Nerolio que retrata os últimos dias de vida do diretor, mostra que ele foi espancado até a morte por um garoto de programa, mas existe a hipótese de ter sido uma emboscada política.

Amado e odiado, Pasolini quando lançou O Evangelho Segundo São Mateus, muitos não entenderam já que ele era ateu. O que queria Pasolini com um filme que mostrava a vida de Jesus Cristo? Eu mesma fiquei surpresa. Se estamos falando de um diretor tão polêmico, esperava algo tão incompreendido quanto “A Última Tentação de Cristo” de Martin Scorsese.

o-evangelho-segundo-sao-mateus_1964_02No entanto, Pasolini fez uma obra belíssima, filmada em preto e branco com uma trilha sonora irretocável. O Jesus Cristo deste italiano não é como os dos americanos e europeus (representado sempre na figura de um homem loiro e com olhos azuis, como se no oriente-médio fosse fácil encontrar alguém com tais características). Pasolini escolheu um ator amador ( ele gostava de trabalhar com amadores), alto, moreno, com sobrancelhas grossas para fazer o papel de Jesus. Já saiu do estereótipo de vários filmes sobre a vida de Cristo que foram lançados nesta época.

Mas enfim, o que levou um ateu filmar a vida de Cristo? Modismo? Não. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão que não foi por modismo e muito menos por fé, mas por política. Pasolini sendo comunista admirava a figura de Jesus Cristo que era um reacionário, lutava contra o sistema opressor, estava sempre à favor dos mais humildes e indefesos e não seria esta uma das premissas do comunismo?

Não estou querendo dizer com isto caro leitor que Jesus era comunista, mas talvez era para Pasolini, ou talvez Pasolini acreditava na existência de Cristo e admirava o trabalho e a coragem que ele teve, ironicamente morrendo por questões políticas.

Filmado em algumas terras áridas da Itália a fotografia é bela, olhares que expressam dor, alegria, a música que toca a alma. Pasolini conseguiu transformar a vida de Cristo em poesia. É uma obra imperdível de um dos maiores cineastas de todos os tempos e que ainda conta com a participação de sua mãe, Sussana Pasolini no personagem de Maria já com idade mais avançada.

BEN-HUR (1959)

ben-hurFala povo!!
Depois da páscoa fiquei motivado em digitar algo sobre um filme que fazia tempo que eu não assistia e quando eu vi o dvd, logo veio o entusiasmo e que definitivamente marcou muitas gerações… Mas eu sei que tem muito cinéfilo que acha que Titanic ou o Senhor dos Anéis foi o colosso definitivo em filmes… ledo engano ou memória curta?!

Este fime, BEN HUR, é p/ quem entende bem a arte de atuar, eis aqui, a descrição e curiosidades:

ben-hur_messalaO filme se passa na época de Jesus Cristo, e conta a vida de um príncipe judeu, que é traído por seu amigo romano e é então escravizado. Ele luta pela liberdade e volta para conseguir a vingança. Em Jerusalém, no início do século I, vive Judah Ben-Hur, um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala, um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento devido a visões políticas divergentes faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas Ben-Hur terá uma oportunidade de vingança!!!

Após uma bem sucedida corrida de bigas, ele começa a se vingar dos que destruíram a vida de sua família. Teores religiosos, inclusive com discretas aparições de Jesus, complementam o tempero desta obra-prima vencedora de 11 Oscar, incluindo Filme e Direção.

Curiosidades…por trás dos bastidores…
Ben-Hur foi uma caríssima produção, que exigiu mais de 300 conjuntos dispersos 340 acres (1,4 km ²). Os US $ 15 milhões da produção foi uma aposta feita pela MGM para salvar-se da falência, a aposta paga quando ele ganhou um total de US $ 75 milhões. Isto aí é p/ ver como os gringos escondiam o jogo hein?!

Atores que negaram o papel de BEN HUR:por incrível que pareça Marlon Brando negou o papel, Bur Lancaster tb negou e Rocky Hudson idem…..

TEOR DO TEXTO:
# Gore Vidal declarou certa vez que o roteiro original previa um relacionamento homossexual entre Ben-Hur e Messala. Como o diretor Wyler sabia que Heston nunca aceitaria interpretar um personagem assim, Vidal sugeriu contar apenas a Stephen Boyd (Messala) sobre esse relacionamento — o que pode ser notado nas interpretações de Ben-Hur e Messala…. Esse Gore Vidal só podia ser ecritor gay….

Barco Romano
A MGM queria que um autêntico barco romano fosse utilizado nas cenas de batalha. Para tanto, contratou um engenheiro que se dedicava à arquitetura romana. Quando ele apresentou o design do barco aos engenheiros da MGM, estes disseram que o barco afundaria, pois era muito pesado… Ainda assim o barco foi construído e, ao ser colocado no oceano, inicialmente flutuou. Porém uma pequena onda foi suficiente para afundar a embarcação. Por causa disso, as cenas foram rodadas em um gigantesco tanque, com cabos prendendo o barco ao tanque.
Após a construção do tanque, era preciso dar à água (que estava marrom-escura) o tom azul-mediterrâneo necessário para que as cenas parecessem reais. Foi utilizado um composto químico que realmente azulou a água, mas também formou sobre ela uma crosta, que precisou ser toda retirada do tanque por operários da MGM.

ben-hur_03Corrida de bigas
8.000 figurantes, em conjunto, o maior filme jamais construída, cerca de 18 acres (73.000 m 2). Dezoito carros foram construídos, com metade a ser utilizada para a prática. A corrida teve cinco semanas para filmar.

CONCLUSÃO
Tudo isto e feito sem computador hein pessoal o que deixa qqer filme de hoje no chinelo…já vi n pessoas ou diretores reclamarem pela falta do micro …uma vergonha!!
Se fosse p/ refilmarem o épico não teria o glamour e sucesso do passado….nem com os atores de hoje…

Diretor/parte final
William Wyler não era um diretor qualquer, era um dos mais perfeccionistas do cinema, exigia todo o potencial de seus atores, não é por acaso que tantos atores ganharam Oscars em filmes dirigidos por ele… E não é de se admirar que seu único filme épico fosse feito à base de tantos problemas. Mas sempre o resultado final dos filmes de Wyler são inquestionáveis !!!!

Por: Ulisses Pereira. Site: Blitz do Bar.

BEN-HUR. 1959. EUA. Direção: William Wyler. Elenco: Charlton Heston (Judah Ben-Hur), Jack Hawkins (Quintus Arrius), Haya Harareet (Esther), Stephen Boyd (Messala), Hugh Griffith (Xeique Ilderim), Martha Scott (Miriam), Cathy O’Donnell (Tirzah), Sam Jaffe (Simonides), Finlay Currie (Balthasar), Frank Thring (Poncius Pilatus). Gênero: Épico. Duração: 219 minutos. Baseado em livro de Lew Wallace.

Sacrifício e Redenção em ‘A Paixão de Cristo’

passion-of-the-christPor: Eduardo S. de Carvalho.

Quando “A Paixão de Cristo” estreou nos EUA, ouvimos muito sobre o grau de violência da fita. No maior país católico do mundo, isso seria uma propaganda negativa. Ao estrear o filme em terras brasileiras, instaurou-se a mesma polêmica, levando porém milhares de pessoas às salas de cinema e perguntando-se: por quê tanta violência no filme?

O catolicismo exacerbado de Mel Gibson levou-o a uma visão muito particular sobre a questão do sacrifício enquanto caminho para a redenção. Em seu filme “Coração Valente”, o protagonista William Wallace, também vivido por Gibson, sofre uma violência similar, digna de Jesus. Wallace chega a ser esticado pelos braços por cordas, adotando a posição de um crucificado. Não é de estranhar, portanto, que Gibson tenha filmado as últimas horas de Jesus com tal intensidade. Sua obra anterior dava as pistas deste projeto.

Passada a polêmica inicial, podemos pensar em tudo o que causou-a. Por menos religiosa que uma pessoa diga ser, a formação moral na maioria das famílias brasileiras passa pela educação cristã, seja católica ou protestante, em suas várias ramificações. A figura de Jesus está impregnada no imaginário coletivo. Por isso, discutiu-se muito sobre religião e muito pouco sobre as qualidades do filme em si. Ouviu-se muitas vezes a frase “Não vi e não gostei”. Um terapeuta ligado a cinema chegou a dizê-la, o que mostra a força de valores religiosos em um profissional que deveria, no mínimo, ter uma visão mais abrangente e imparcial sobre o tema.

passion-of-the-christ-01O que nos leva a tal identificação extrema, seja ela positiva – “Vou conferir se a violência é tão grande assim” – ou negativa – a já citada “Não vi e não gostei”? Uma certa fixação pela crucificação aponta para um recalcado sentimento masoquista, onde o sofrimento alheio exerce um atrativo a quem assiste. Pouco falou-se em relação à sutil e belíssima cena final do filme, quando da ressurreição de Jesus; a celeuma girou toda em torno da violência e da morte do Cristo.

O conceito freudiano de pulsão de morte, representada aqui pela crença neste sacrifício que salva e redime, instaura-se, assim, na origem da formação de nosso psiquismo durante a apreensão dos primeiros valores morais e religiosos. Um ponto a ser discutido e revisto na educação infantil, cujas conseqüências não podemos medir.

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ). 2004. EUA. Direção e Roteiro: Mel Gibson.  Elenco: James Caviezel, Maia Morgenstern, Monica Bellucci, Hristo Jivkov, Hristo Shopov, Rosalinda Celentano. Gênero: Drama. Duração: 126 minutos.