A Viagem (Cloud Atlas. 2012)

a-viagem_2012Por José Bautzer Fusca.

( Sinto que algo importante aconteceu comigo. Nossas vidas não nos pertencem, estamos conectados a outras vidas, no passado, no presente e no futuro. )

Um filme pode ser importante por seu lugar na história do cinema, por sua linguagem cinematográfica, pela boa condução do seu diretor, pela boa fotografia, por um bom roteiro, por ter origem em um bom texto literário, ou porque por razões subjetivas tocou nossa emoção e intelecto.

O filme que irei indicar é importante porque é fruto de um excelente texto literário, que deu origem a um ótimo roteiro, que por sua vez propiciou uma obra cinematográfica revolucionária ao usar diretores diferentes em trabalho independente para diferentes segmentos da obra final. Conseguindo ser a fina ourivesaria poética de uma preciosa equação: A vida diante da eternidade.

Cloud Atlas, cognominado A Viagem, no Brasil, é um filme rico em conteúdo e requer atenção aos detalhes para revelar-se ao intelecto como a obra prima que seu roteiro é. Em uma estória fragmentada e diluída ao longo de centenas de anos, no passado e no imaginário futuro, com o artifício literário de uma marca de nascença na pele dos personagens protagonistas de seis diferentes estórias, identifica-se um personagem inter-temporal que vivencia cada um destes personagens, unificando e dando sentido as diferentes estórias fragmentas e diluídas no tempo.

O autor da obra homônima – DAVID MITCHELL – que inspira o roteiro previne o expectador no monologo que abre o texto/filme: que na boca de diferentes personagens, diluídos no tempo, ha uma única voz que as une em uma só.

Autores como Carlos Castaneda são literalmente citados e implicitamente discutidos nesse rico roteiro, que expõe uma visão poética do eterno retorno, cujo conceito é explicitado em insights, premonições e dejavus dos personagens. Algo comum na experiência existencial de todos nós, ou de alguns de nós. Tocante, quando a personagem jornalista Luisa Rey reconhece a sinfonia Cloud Atlas, composta pelo desconhecido músico Robert Frobisher, sua persona, na vida imediatamente anterior.

Este mundo possui uma ordem natural, e aqueles que tentam subvertê-la não se dão bem.”

O que esta obra sugere é que nascemos para subverter esta ordem explicita da natureza – os fracos são a carne dos fortes – por uma outra, apenas implícita: O amor é a maior força na construção da vida, e não reconhece fracos ou fortes.

Se você quer um entretenimento que o emocione e excite seu intelecto, este é a obra de arte que fará isso.

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Across the Universe (2007)

O filme Across the Universe dirigido pela norte-americana Julie Taymor é uma verdadeira obra-prima do cinema atual e recebeu muitos justos elogios dos críticos e uma indicação ao Globo de Ouro na época do seu lançamento. É um musical diferente de todos os que já assisti contando uma singela história de amor entre os jovens Jude e Lucy interpretados por Jim Sturgess e Evan Rachel Wood, aproveitando a maioria das letras de músicas dos Beatles, desde a formação do casal de protagonistas com canções-símbolo do grupo inglês de Liverpool como a clássica “Hey Jude” e “Lucy in the Sky with Diamonds” e outras preciosidades retiradas de álbuns diversos.
Sem dúvida, gostoso de se ouvir e de se assistir cantando, exatamente por causa da seleção musical dos simpáticos rapazes reis do iê-iê-iê… talvez seja essa a razão principal de ter sido super badalado na sua estréia e que só agora tive a oportunidade de testemunhar.
A começar pelo título “Across the Universe” retirado de uma canção dos Beatles e que, reza a lenda, esta música foi enviada por um satélite ao espaço como forma de tentar fazer algum contato com seres alienígenas pelas galáxias, e além disso, os nomes de todos os  personagens foram retirados de suas músicas, sem exceção.
A história se passa nos anos 60 onde muita coisa estava acontecendo simultaneamente: retrata as lutas, guerras e paixões; a explosão do uso desenfreado das drogas, a liberdade sexual, rock n´roll, paz & amor, faça amor, não faça guerra, a Era de Aquários, hippies e muito mais, ambientando toda uma época através das obras musicais dos Beatles. Sem dúvida que o roteiro foi um mero pretexto para se contar uma história de amor com as belas canções do grupo inglês muito querido e assim registrar a patente para sempre o de “Beatles Forever”.
A história do casal é toda contada em formato de videoclipes, sendo o protagonista Jude um artista que passa o tempo todo desenhando e aspira ao cargo de diretor de arte em propaganda. Outros personagens como, por exemplo, a jovem Prudence, entra e sai da história apenas para provocar um número musical, aqui ao som de “Dear Prudence”, que ficou maravilhoso! Inspirações sublimes.
O elenco é formado pela maioria de jovens super talentosos que interpretam e cantam como o personagem de Joe Anderson. O filme também conta com algumas participações especiais de Bono do U2 e Joe Cocker, Salma Hayek.
A história começa em Liverpool, onde o inglês Jude (Jim Sturgess) decide partir para os EUA à procura de seu pai. Lá ele conhece Max (Joe Anderson), um estudante rebelde, tornam-se amigos e ele se apaixona por Lucy, irmã de Max (Evan Rachel Wood). Esta por sua vez, acaba se envolvendo com emergentes movimentos de contracultura e toma a frente aos protestos contra a Guerra do Vietnã. Em meio às turbulências da época, Jude e Lucy vão passar por situações que colocam sua paixão em ‘xeque’.
O filme é contagiante, formidável, exatamente pela discografia, pelos clássicos e pelos hits conhecidos mundialmente dos Beatles, como Come Together, Let it Be, Strawberry Fields Forever, Lucy in the Sky with Diamond, Hey Jude, I wanna hold your hand. Across the Universe é um  belíssimo musical que combina com qualquer estação do ano, e bom para se ver a qualquer momento.
Sem dúvida, o filme é contagiante. Fabuloso! Veja com os amigos, com a namorada, sozinho, mas não deixe de prestigiar essa obra musical.
Concordo: Beatles 4 Ever!
Karenina Rostov

*
Across the Universe
Reino Unido / Estados Unidos
2007 / cor / 133 min
Produção
Direção: Julie Taymor
Roteiro: Julie Taymor
Dick Clement
Ian La Frenais
Elenco: original Evan Rachel Wood, Jim Sturgess,Joe Anderson
Dana Fuchs, Martin Luther McCoy,T.V. Carpio
Género: musical
Idioma original: inglês

Caminho da Liberdade (The Way Back. 2010)

Os convido para uma longa e emocionante jornada em busca da liberdade. De poder vivenciá-la dentro dos seus próprios ideais. Por um grupo de prisioneiros que ousaram afrontar um governo tirano. Essa história começa em naquela que veio a ser a 2ª Grande Guerra. E para um deles, essa caminhada só findará décadas depois. A jornada é longa sim, mas que nos deixa atentos até o final.

Pontos altos:

Meus primeiros aplausos irão para o Diretor: Peter Weis. Para alguém que tem no currículo o filme “Gallipoli“, já carimba o meu passaporte para assistir outras obras suas. Ainda mais um com relatos de guerras. Em “Caminho da Liberdade” Weis se baseou em memórias de quem sobreviveu, e quis contar. Assim é também uma vibrante aula de Geopolítica. Mais! Quando se ver o nome da National Geographic nos créditos iniciais já se pode esperar por paisagens de tirar o fôlego.

Com o filme também temos uma aula interessante de História. Até em mostrar como sobreviviam os prisioneiros nos Gulags. Como barreiras: invernos rigorosos da Sibéria, fome, trabalhos forçados, guardiões desumanos. Eram etapas diárias a serem vencidas para permanecerem vivos, sonhando com a libertação. E em caso de tentarem uma fuga, teriam que escapar da população local, pois essas receberiam recompensas por suas cabeças. Para os Gulags, basicamente iam dois tipos de sentenciados: os contrários ao regime político e os profissionais do crime: ladrões, assassinos. Inocentes ou culpados, não tinham a quem apelar. Então, só ficava a alternativa de sobreviverem também nessa guerra lá dentro.

Era o alicerce da União Soviética se formando. Precisava de prisioneiros para o trabalho sem remuneração, como também para intimidar quem fosse contrário ao Comunismo. Assim, tendo a Sibéria como escolha do local da prisão, era como já estar com o pé-na-cova.

A temática principal: um grupo de prisioneiros fogem de um Gulag, e do Comunismo.

A própria localização dessas prisões já se tornava um grande desafio para uma segunda etapa de uma fuga. Porque a primeira era a motivação que os levariam a saírem dali. Nesse ponto, e sem demérito nenhum a esse filme, eu lembrei de uma cena de um outro, de o “O Sol da Meia-noite“. De quanto cada um conseguirá se libertar da sua própria prisão. De não mais se acomodar àquela situação. De qual seria o tamanho da sua liberdade?

De onde então segue agora meus aplausos para as performances dos atores. Em destaque: os prisioneiros.

Inicio com Jim Sturgess. Quem o viu em “Quebrando a Banca”(21), e o vê nesse aqui, no mínimo exclamará um “Uau!”. O cara cresceu também como ator! Não sei se nesse caso os aplausos vão quase na totalidade para o Diretor que o conduziu nesse soberbo voo. Seu Janusz o deixou um outro homem. Não dá para comparar. O que carimba de vez o seu passaporte para o time dos grandes atores. Bravo!

Para uma fuga se faz necessário buscar por uma saída mais facilitada. O que quase sempre vem de alguém com mais tempo ali. É quando Janusz é notado pelo personagem de Mark Strong. Esse fora condenado por interpretar um aristocrata; que para o Regime era enaltecer a antiga nobreza. Numa espécie de tour, ele dá a Janusz um raio-X do local. Meio que o adota-o como um aprendiz.

Janusz se cai nas boas graças de um, o mesmo não acontece de pronto com o personagem de Ed Harris. Mas o que pode ser visto como um cara sem coração, mais tarde verá que fora uma primeira aula de sobrevivência. Ele faz um engenheiro americano, Sr. Smith. Pode até ser lugar comum elogiar a atuação de Ed Harris, mas não dá para não aplaudi-lo também nesse filme.

Contrário de Janusz, temos o personagem de Colin Farrell. Um escroque. Pavio-curto. Frio ao extremo. Muito ladino, pressente que um grupo está planejando escapar. Seu salvo-conduto para ser aceito é que é o único a possuir uma faca.

A Fuga!

Quantos irão? Num grupo bem heterogêneo, o talento de cada um também pesará. Além é claro, da resistência física. Mas um jovem quase cego, Kazik, clama ao amigo que também o leve. Andrei, que sobrevivia ali desenhando, sem contar aos demais, leva o rapaz. Com eles seguem mais dois. Decidem fugir numa noite de tempestade, em pleno Outono. Para que a neve encubra os rastros, dificultando também a perseguição dos cães.

No meio desse caminho, aparece uma jovem, Irena. Irão relutar em levá-la, por temer que ela os retardará. Mas Irena mostra que até uma fragilidade também pode ser mais um instrumento que ajudará nessa fuga. Ela é a personagem de Saoirse Ronan. Outra atriz rumando para o topo.

O Destino!

Planejam seguir pelo sul até o Lago Baikal. De lá tentariam cruzar a Transiberiana com destino a Mongólia. Mal sabendo eles que o Regime Comunista também chegara até ali. Guiando-se mais pelo instinto de sobrevivência, esse grupo irão descobrir o quanto de força interior têm de reserva.

Cenas que emocionam:

– a baixa de se pensar na frase “Tão longe, tão perto!
– a de quem ultrapassou todos os limites das suas forças.
– a de quem a redenção lhe deu novas forças.
– a cena final.

Pontos negativos: não há. Talvez porque não atrairá um grande público sedentos dos filmes bem comerciais. Fica então uma esperança de ser levado à Sala de Aula. Para que mais gente assistam a esse filme.

Fotografia, Maquiagem, Figurino irretocáveis também. Enfim, um excelente filme! De querer rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Caminho da Liberdade (The Way Back). 2010. EUA. Direção e Roteiro: Peter Weir. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 133 minutos.

Quebrando a Banca (21. 2008)

Também usávamos sinais manuais. Braços cruzados: a mesa está quente. Um toque no olho: precisamos conversar. E uma mão passando pelo cabelo, significava uma coisa: “Saia. Agora!!”.

Vê o nome de Kevin Spacey nos créditos, a mim já é um motivo para assistir o filme. Nesse, um outro fator também. O de ser baseado num fato real. Bem, tirando a longa duração do filme, até que gostei. Sem uma meia hora de filme, a história ficaria amarradinha, e até melhor.

Filmes com jovens superdotados na maioria caem em esteriótipos. Ganhando até um termo: nerds. Mas em ‘Quebrando a Banca‘ até que deixa algo do tipo: a vingança dos nerds. E por conta de que? Além de terem escolhidos jovens que não seria rotulados assim à primeira vista. Também por eles curtirem a vida fora da sala de aula. Além de que tiraram proveito prático das suas genialidades. Great!

A longa duração do filme nada mais é que um tremendo merchan dos Cassinos e Hotéis de Las Vegas. São um deslumbre, mas não precisavam exagerar.

Antes de entrar na história do filme, mas por conta do jogo de cartas… Lembro que em criança, tinha colegas que os pais não permitiam baralho em casa. Mas em vez de proibirem, deveriam ter usado o jogo como um aliado para um gosto pela matemática. Pois foi o que meu pai fez. Foi ele quem nos ensinou, a mim e meus irmãos. E nenhum de nós ficamos ‘viciados’ em baralho. Era sempre uma diversão. Um tempinho atrás, confesso que gostei de ver o netinho de uns tios jogando o 21. Por vê-lo fazendo as contas de cabeça rapidinho… É um jeito lúdico de ensinar a Tabuada.

Em relação a Cassinos, dica de um livro para que a sua ida seja uma diversão e só! Separe a quantia que daria si mesmo como um presente. Coloque-a no bolso direito da calça, por exemplo. Fique por lá até essa quantia terminar. Se ganhou algum dinheiro, coloque-o no bolso esquerdo. Não use essa parte. Porque já não estaria mais se distraindo.

Agora sim, a história do filme… Ben (Jim Sturgess) sonha cursar medicina em Harvard. Mas precisaria de pelo menos uns US$ 300 mil para isso. Estudante do MIT, durante uma certa aula de matemática, sem querer, ou melhor, sem saber, é notado por um certo clubinho.

Pausa para registrar isso: Prestem atenção a essa aula de matemática. Só por ela já vale a pena até rever o filme.

Voltando… O tal Clubinho tem como Mentor o professor de Matemática Micky Rosa (Kevin Spacey). E os já membros: Jill Taylor (Kate Bosworth), Kianna (Liza Lapira), Choi (Aaron Yoo) e Jimmy Fisher (Jacob Pitts). Ali aprendem como usar a técnica de contar as cartas nas mesas do 21, o Blackjack. Sem se deixarem pegar. Trabalho em equipe. Cientes de que têm que obedecer as regras do Micky. Nem se deixarem seduzir por aquele mundo.

A princípio, Ben não aceita. Mas depois deixa-se seduzir, entrando no jogo. Assim, os cinco mais o Micky passam os finais de semana em Las Vegas. O que ganham é divido entre eles. Cabendo uma parte maior ao professor. Acontece que nem tudo são flores, pois um tipo de capataz da firma de vigilância, por estarem perdendo clientes (Cassinos), decide mostrar serviço. Ele é Cole Williams (Laurence Fishburne), que fica na cola deles. É onde o filme fica com mais ação.

Enfim, se pensarem que esse filme também traz como um bônus um – “Conheça Las Vegas!” -, terão um bom sessão pipoca!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebrando a Banca (21). 2008. EUA. Direção: Robert Luketic. Elenco: Jim Sturgess, Kevin Spacey, Kate Bosworth, Aaron Yoo, Liza Lapira, Jacob Pitts, Laurence Fishburne. Gênero: Drama. Duração: 123 minutos. Inspirado no livro: “Bringing Down the House: The Inside Story of Six M.I.T. Students Who Took Vegas for Millions”.