Série: Os Desajustados (2011 / ). Eles São o que São! Mas com Muitas Reticências…

shameless_serie_personagensA Pobreza Não Glamourizada nos Estados Unidos.

A Série “Shameless” traz como pano de fundo a realidade do “lado pobre” em um país tido como do primeiro mundo. Uma realidade sem os retoques tão comuns por Hollywood num retrato 3×4 de um microcosmo dentro de uma metrópole como Chicago. A pobreza existe em qualquer país! Daí é muito bom quando isso é mostrado bem de perto até porque uma das principais críticas ao Cinema Brasileiro seria justamente por isso: em retratar muito mais a pobreza no país. E mesmo que alguns filmes tragam esse mesmo pano de fundo, como em “O Solista“, por exemplo, terminam sendo diluido por contra da trama principal. Com isso é muito bom quando o tema vem numa Série porque terá bastante tempo para maiores detalhes. Melhor ainda quando usa o humor para fazer sua crítica ao establishment vigente.

Quem é você não apenas para si próprio, mas também para as pessoas ao seu redor?

shameless_serie_00E é assim que segue “Shameless” levando com humor o drama da Família Gallagher. Que como o nome da série também diz: eles vão levando a vida sem o menor pudor até para sobreviver, mas principalmente em não deixarem de ser uma Família. Talvez seja essa a principal mensagem: que mesmo sendo uma família disfuncional, eles são os Gallagher para o que der e vier.

Os Gallagher tem como patriarca um cara mais preocupado com a própria sobrevivência do que ser um pai de fato. Personagem de William H. Macy cujo papel lhe caiu muito bem até por conta do esteriótipo/meio estigma que Hollywood lhe trouxe. Sendo mais um loser em sua carreira ou não… Macy está excelente como Frank Gallagher. Nossa! É até surreal seu empenho em conseguir um rim! Um tanto macabro também por fazer humor com sua tragédia. Nessa “campanha” terá ajuda primeiro de um dos Gallagher, seu filho Carl (Ethan Cutkosky). Mesmo ou até pela lealdade ao pai, Carl vai fundo nessa ajuda. O que tem como agravante é que Carl está entrando na adolescência sem nenhuma referência sobre a moral e a ética. É como um carro desgovernado sem saber quando irá parar, sem se dar conta dos estragos…

Eles não têm muito em suas vidas no sentido de segurança, e assim por seus relacionamentos se tornam mais e mais importantes. A questão que entra em jogo para todos eles é: Como o amor ou carinho um pelo outro compensa a escassez?” (John Wells, criador da Série).

shameless_serie_01Sem a presença de uma mãe… É a filha mais velha, Fiona Gallagher (Emmy Rossum), que toma para si essa missão em cuidar dos cinco irmãos. Mas Fiona ainda é jovem, logo mais propensa a não visualizar o todo em cada atitude tomada. E numa delas, é quando terá que prestar conta com a justiça: “ganhando” uma tornozeleira eletrônica. Com isso, perde o emprego que era a principal renda da família. Fiona terá que se virá nos trinta para não desestruturar de vez a família. Como também amadurecer.

Por conta disso, Phillip “Lip” Gallagher (Jeremy Allen) o único da família a cursar uma universidade, mas mesmo com uma bolsa integral sabe que precisa ter uma renda própria para se manter por lá. O que dificulta se manter acima da média para não perder a bolsa. Com a história de Fiona, Lip até pensa em deixar a faculdade para cuidar do caçula da família, o pequeno Liam. Lip acaba trazendo a irmã de volta à realidade das consequências dos próprios atos. E Fiona o demove de deixar a faculdade. Agora, numa de os fins justificando os atos… Lip tem uma saída nada ética para colocar comida na mesa da família.

shameless_serie_02Dentro do universo dessa família ainda há Ian Gallagher (Cameron Monaghan) e Debbie Gallagher (Emma Kenney). Ian sentiu necessidade de ser afastar da família para então assumir a homossexualidade. Sem bem que pode ser por conta de uma provável bipolaridade como “herança materna”. Com a crise provocada pelo deslize de FionaIan volta para casa, mas onde também volta a se relacionar com um cafetão russo, o MilkovichPor último há Debbie Gallagher. Sensível, sofrendo pela entrada na adolescência e com tudo mais que essa fase trás. Onde ante às pressões externas, carece a presença de uma pessoa madura nos aconselhamentos. Até por ser levada, de modo torpe pelas colegas da escola, a perder a virgindade. Algo que a levará não medir os atos.

Nós temos na comédia um tradição de tirar sarro de pessoas nesses ‘mundos’. A realidade é que essas pessoas não são ‘os outros’ – eles vivem quase na mesma quadra de onde você mora” (Paul Abbot, criador da Série)

Shameless” é mais uma série levada pelos Estados Unidos de um sucesso do Reino Unido. Traz como marca um questionamento no início de cada episódio com um dos personagens perguntando algo ao espectador para logo então entrar na cena. De qualquer forma esse remake é muito bom! Atuações ótimas! Roteiro afiado! Uma gama de personalidades distintas com um ponto em comum: a Família como um porto! Enfim, vale a pena assistir! Transmitida aos domingos, às 22 horas pelo canal TNT Séries. Fica a sugestão!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

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As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012).

as-vantagens-de-ser-invisivel_2012_personagensPor Francisco Bandeira.
Em um mundo cheio de pessoas chatas e enfadonhas, ou simplesmente “normais” como manda a sociedade, as pessoas diferentes, malucas ou revolucionárias sempre se destacam, sejam de forma boa ou ruim. Mas há também aquelas pessoas que acham uma vantagem serem invisíveis.

O filme mostra as afetações que um jovem pode ter se não possuir uma boa base familiar. Charlie (Logan Lerman) parece pertencer a outro mundo, até conhecer Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller), dois jovens que parecem livres, que não ligam para a opinião dos outros e vivem a vida da forma que acham melhor para eles. Logo eles adotam o protagonista, mostrando pra ele a vida que o mesmo está desperdiçando se fechando em seu mundo.

A obra realmente é repleta de ternura e melancolia, tendo um final sem muito impacto (sim, não achei foda), porém profundo e tocante. A mistura entre melancolia e inocência casa perfeitamente com a proposta do livro, além de ter uma visão bem interessante sobre essa geração.

Ainda que você não goste da fita, vale pelo questionamento sobre relacionamentos x amor verdadeiro e a cena que Charlie se sente infinito. Todos nós devíamos sentir essa sensação, talvez seja essa a real vantagem de ser invisível.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012). Ficha Técnica: página no IMDb.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012)

as-vantagens-de-ser-invisivel_01O filme “As Vantagens de Ser Invisível” é um jeito sensível de mostrar o lado dos que se veem deslocados dentro das cercanias da escola. E se tratando dos Estados Unidos o binômio ‘loser x winner‘ agrava muito mais pelo bullying que sofrem. Algo que pode gerar traumas que duram a vida toda. Mas o filme não fica apenas dentro das escolas. A trama adentra na intimidade dos lares desses jovens. Foco onde muita das reações diante às adversidades da vida começa. Já que cada um irá reagir de um jeito próprio. Ou até se achando original mesmo imitando o comportamento de um grupo específico: as “tribos”. Muita das vezes pais ou responsáveis não percebem certos sinais anterior a um fato, acabando por responsabilizar ao incidente o comportamento do jovem. Quando muito foi um jeito torto de trazer à tona um antigo trauma. Se faz necessário estar atento.

logan-lerman_the-perks-of-being-a-wallflowerCriado num lar feliz, o jovem Charlie (Logan Lerman) está para enfrentar um novo desafio: seu primeiro ano numa escola de ensino médio. Extremamente tímido. Ainda saindo da perda de seu grande e único amigo até então. Então até para se proteger ele estabelece como meta contar os dias que faltam para terminar aquele primeiro ano letivo. Como também tentar ficar invisível aos olhos dos demais. Principalmente dos valentões. Mas que não deixa de doer o fato de se ver sozinho na mesa do refeitório. Fato esse que o colocaria numa exposição maior e então chamando a atenção de todos para si se não fosse por outros continuarem a bola da vez. O que acaba por dar a Charlie uma sensação de alívio. São as incongruências da vida!

Um desses grupos fazem questão de chamar para si todos os holofotes. Não são dos nerds, nem tampouco dos atletas, ficando “no meio”. Sendo que o que os deixam um pouco “protegidos” de não se tornarem saco de pancadas dos valentões da escola é o fato dos pais serem ricos. Alguns deles até já sabem o que querem ser no futuro, com isso também se sentem nessa contagem regressiva. Claro que por serem mais “safos” não dão o mesmo peso que Charlie. Esse pequeno grupo se auto intitulam de: os deslocados. São eles:
– Sam (Emma Watson) que é tida como vagaba pelos valentões. Mas assim como Charlie, Sam também traz um segredo do passado. Algo que deflagrou para o comportamento atual.
– Patrick (Ezra Miller), meio irmão de Sam. Alguém que mesmo assumindo muito bem sua sexualidade, tenta ocultar com quem mantém um relacionamento amoroso. Como também não se importa de o chamarem de bicha, mas não tolera que o chamem de “ninguém” e por algo que aconteceu no passado. O que o leva a se fazer notado por todos. Usando até do personagem que encena numa versão da peça teatral “The Rocky Horror Picture Show“.
– Mary Elizabeth (Mae Whitman) tenta um meio termo entre a doutrina budista com um estilo punk com um jeito patricinha de ser. Ela vai dar um nó na cabeça de Charlie.

Para ser aceito no “Os Deslocados” não há os testes de força/burrice tão comuns nos demais grupos. Sam viu nele algo especial, muito mais que a inteligência. Ainda sem mesmo ter a certeza de estar se apaixonando, por sua má fama Sam não se sente à altura do amor de Charlie, se contentando em ser apenas amiga. Para Patrick, o carimbo no passaporte de Charlie veio com um ato tão igual aos brigões, mas por uma rebeldia com causa. O que de um jeito meio torto sela a amizade do trio: Sam, Charlie e Patrick.

as-vantagens-de-ser-invisivel_02Charlie sabe que serão novas pressões nessa nova fase. Com isso sabe que não pode perde o foco, nem o controle sobre si próprio. Usando para esse tento mais a razão do que a emoção. Mas é por justamente não saber como lidar que termina não ficando tão invisível como gostaria. Mesmo assim, com todos os prós e os contras, com todas as vantagens e desvantagens, com certeza esses “1385 dias” ficará como um divisor de água na vida dele e de mais alguns. Sem esquecer de que em se tratando do universo escolar, também há aquele professor que fará a diferença na vida do protagonista. Personagem de Paul Rudd, Mr. Anderson, o professor que lhe dará o foco para se tornar um escritor.

Com uma Direção brilhante de Stephen Chbosky que também assina um Roteiro impecável – adaptado de um livro de sua própria autoria -, com um Elenco afinadíssimo, com uma Trilha Sonora soberba, o filme “As Vantagens de Ser Invisível” consegue fazer a diferença entre muitos outros que abordam o universo dos não tão mais adolescentes. Com temas que mesmo doloridos ainda fazem parte do mundo fora da telona o que lhe confere ponto positivo. Abordando com muita sensibilidade o bullying, a pedofilia, os traumas, a violência entre os jovens, a timidez, a carência afetiva, a inveja, o se sentir um loser, a homossexualidade, pais relapsos, suicídio, professores como verdadeiro mestres, ser calouro… e claro, o primeiro amor. Enfim a guerrilha urbana e emocional que muitos jovens se veem obrigados a vivenciar, e tentar sobreviver incólume. Não deixa de ser um rito de passagem!

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012). EUA. Direção e Roteiro: Stephen Chbosky. Elenco: Joan Cusack, Paul Rudd, Emma Watson (Sam), Logan Lerman (Charlie), Nina Dobrev (Candace), Mae Whitman (Mary Elizabeth), Melanie Lynskey (Tia Helen), Ezra Miller (Patrick), Kate Walsh, Dylan McDermott, Johnny Simmons, Nicholas Braun, Erin Wilhelmi (Alice). Gênero: Drama, Romance. Duração: 102 minutos. Baseado em livro homônimo de Stephen Chbosky.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper. 2009)

uma-prova-de-amor_2009Não se trata de crise existencial de adolescente. Do tipo: ‘Quem sou eu?’, ‘Qual é a minha missão nesse mundo?‘… É muito mais! É de ter o direito de ser dona do próprio corpo. Da própria vida. Mesmo que para isso se busque pelos caminhos legais. Por uma lei que faça a família simplesmente deixar a natureza agir. E nessa família quem fechava todas as portas para a morte era uma mãe. Lutou com todas as armas para manter viva uma filha.

Uma Prova de Amor‘ é um filme que leva a várias leituras. Pelo peso de uma doença tão brutal no seio de uma família.

Pela mãe que esquece até dos outros filhos por conta desse que está com leucemia. Uma mãe, jovem ainda, mas que parece sentir-se responsável pela doença que acometeu na filha ainda em criança. Levando a todos a gravitarem em torno da Kate (Sofia Vassilieva).

Por um pai (Jason Patric) que cai em si a tempo de ver que seus filhos cresceram logo que buscam por seus próprios caminhos. Não que tivesse sido omisso demais. Mas sim por concordar com o mundo de Sara. Alguém desconhece o que é viver num matriarcado? Ou mesmo num patriarcado. Mas do tipo: que todos rezem da mesma cartilha.

Pelos filhos. Já que quem ‘rouba’ as atenções para si também se sente mal, não apenas os que se sentem relegados.

Aqui, separam-se também os familiares. De um lado, uma tia que realmente colocou a família da irmã na sua rotina de vida. De outro, os que vão apenas visitar Kate com mensagens de otimismo. Onde Kate em meio as dores sorri para eles. A fé num milagre, era uma utopia. E limpar os vômitos das quimios, são poucos os que aceitam fazer.

My SisterÕs KeeperSara Fitzgerald (Cameron Diaz) é a mãe que largou a própria vida para viver em razão da Kate. Nem viu o pequeno Jesse (Evan Ellingson) crescer, nem que ia mal nos estudos por ser disléxico. Quando o médico sugeriu que um filho de proveta poderia trazer uma cura, ela nem hesitou. E assim veio ao mundo a pequena Anna (Abigail Breslin). Para que doasse partes físicas de si, a Kate. Começou com o cordão umbilical, mais tarde veio o líquido da sua medula, depois vieram várias transfusões. Até que queriam um dos seus rins. Mas e ai?

Doar um órgão ainda em vida, ainda tendo uma longa vida pela frente, por ainda ser adolescente, é um caso a pensar. Até porque quem receberia o rim só ganharia mais um curto espaço de tempo. Uma sobrevida a mais entre quimios, ambientes hospitalares, e quase sem chances de um tempo em casa. É um gesto mais que humanitário, mas também egoísta. Porque fariam de Anna uma pessoa com cuidados de saúde pelo resto de sua vida.

Anna então procura um advogado, Alexander (Alec Baldwin), e conta a sua história. Pedindo a ele que quer emancipação do seu corpo para fins médicos. Ele aceita. Anna fica sabendo depois o porque dele abraçar a sua causa. Essa sua decisão evidencia o racha que havia naquela família. Sara fica sozinha nessa sua missão de tentar salvar Kate. Decide ser ela mesma a advogada contra Anna. E para julgar a questão, uma juíza (Joan Cusack) que voltava de licença: tinha perdido uma filha adolescente.

É Anna quem nos conta a história. Em flashback, até voltar ao desfecho da sua tomada de decisão.

Conheço mães como Sara. Logo, não vi nada incomum no contar esse drama. O único porém, que não o fez ficar um ótimo filme, foi a escolha de Cameron Diaz. Uma outra atriz teria feito de Sara uma mãe memorável. Poderia ter batido um bolão com a pequena grande atriz Abigail Breslin. Essa tem um grande talento. Os outros atuaram bem. Foi a primeira vez que vi Sofia Vassilieva atuando. Gostei muito! Não deu para segurar as lágrimas com a maturidade de Kate no finalzinho.

Eu gostei! É um bom filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper). 2009. EUA. Direção: Nick Cassavetes. +Cast. Gênero: Drama. Duração: 109 minutos. Baseado num Romance de Jodi Picoult.

O Galinho Chicken Little (Chicken Little. 2005)

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Eu sou fã de desenhos animados. E ultimamente eles são certeza de uma boa pedida. Fui. Esse é o primeiro da Disney sem a ajuda da Pixar. Antes teve “Procurando Nemo”, “Toy Story”, “Monstros SA” e “Os Incríveis”. Cada um melhor do que o outro. Aí eu vejo na tela um galinho cabeçudo, com uns óculos verdinhos e camisa listrada. Ele pode ser até fofinho, mas é um chato.

No começo pensei que ele fosse assim um tipo de nerd. Mas ele é style… As figuras que o cercam são todas estereótipos da sociedade infantil norte-americana. A menina feia e dentuça, mas cheia de amor pra dar… O gordinho meio gay, que é um porco. Só gostei do menino-peixe. Ele não fala, talvez por isso. Caladinho fica legal. Não dizendo baboseiras psicanalíticas e de auto-ajuda.

No início o galinho sofre um acidente e alarma toda a cidade. Não vou negar que os desenhos são bem feitos. Mas são estandartizados. Tudo igual. E as musiquinhas inseridas são fraquíssimas. Que saudades de “Rei Leão” com seu início gradiloquente e roteiro fantástico. Este foi o último desenho animado, só da Disney, que prestou.

Mas vamos ao filme… Tentando provar ao pai e à população em geral que ele é confiável, o galinho se esforça. Na seqüência dos treinos e jogo de beisebol é boa. Gosto em especial da maneira como um pai lida com o filho que tem dificuldades de socialização. Nem todos serão campeões ou os bonitões do colégio. A grande massa é comum, assim como a maioria dos filhos e das pessoas.

O carinho do galão é lindo. Mas a falação da marreca, desnecessária. Esse negócio de discutir a relação é coisa de revista Capricho e similares. Então acontece o inevitável. Cai novamente na cabeça do menino um pedaço de uma nave espacial. E dessa vez nem dá para comparar com a avelã…

Entre a terrível dúvida de contar ou não para o povo o que está acontecendo, o galinho e seus amigos padecem. Boas cenas dos alienígenas. Nessa hora meus filhos gostaram. Antes, só comentários esparsos… Adorei o fenômeno-espelho da nave.

A ação aumenta e o filme fica legal. Ufa! O final é uma lição de moral muito boa e também uma feliz crítica ao endeusamento de Hollywood às pessoas que fazem algo de diferente. Só então o enredo cresceu.

O que há de bom: cores e cenas modernas com soluções de estilo, típico de desenhos da Disney

O que há de ruim: em vez de só mostrar os conflitos e suas naturais resoluções, fica com blá-blá-blá, criança não gosta e nem adulto

O que prestar atenção: a dublagem é feita por profissionais do ramo, e não atores globais, ficou perfeita! Aliás, a voz do porco e a tradução do seu nome, são melhores do que o original

A cena do filme: momento de respiração e de discothéque do porcão, hilário

Cotação: filme regular (@@)

Por Giovanni Cobretti – COBRA.

O Galinho Chicken Little (Chicken Little). 2005. EUA. Direção:  Mark Dindal. Elenco (Vozes): Zach Braff (Chicken Little), Joan Cusack (The Ugly Duckling), Katie Finneran (Goosey Lucy), Don Knotts (Turkey Mayor), Garry Marshall (Father), Amy Sedaris (Foxy Loxy), Jeremy Shada (Alien Boy), Steve Zahn (Runt). Gênero: Animação, Aventure, Comédia, Family, Sci-Fi. Duração: 81 minutos.

Ensinando a Viver (Martian Child. 2007)

ensinando-a-viver_2007Parece que certos adultos esquecem que já foram crianças um dia. Pelas atitudes que tomam. Ou pior, pelo que acabam fazendo. E aqui, nesse filme, uma dessas coisas estaria em impor um prazo. Prazo? Não. Não para uma dupla que se dispuseram a ver se seriam pai e filho!

A vontade em adotar uma criança partiu de um casal. Mas eis que a companheira se foi. Faleceu. Tudo parecia esquecido, ou sepultado, até que por delicadeza… Ou seria o destino? Bem, o lance foi que David (John Cusack) em vez de morrer com aquele assunto por telefone, vai pessoalmente explicar a Diretora do Orfanato (Sophie Okonedo). E por curiosidade pergunta porque ele fora lembrado, ainda mais sendo um viúvo. Pois deveria ter casais na lista de espera.

Abrindo um parêntese. Em “Juno” temos aqueles que querem adotar uma criança, mas ainda quando é bebê. Nesse, “Ensinando a Viver“, a adoção já atinge as crianças mais crescidas. Que já tem consciência do que fazem ali. Sentindo mais a rejeição, o medo, a perda de um carinho, de um lar. Enfim, é um quadro triste,  como também cruel com esses inocentes. Voltando ao filme.

David fora lembrado por ser um escritor de ficção científica. Pois o pequeno Dennis (Bobby Coleman) diz ter vindo de Marte. Daí o título original do filme. Embora uma luzinha se acende em David, ele recusa. Diz que não está preparado. Acontece que mais alguém quer isso. Gente! Momento lindo esse! Uma amiguinha de orfanato que faz essa ponte entre David e Dennis. Talvez numa de: “Ele tem menos chances que eu em ser adotado.” E consegue que David olhe para o pequeno marciano.

Ao conversar com a irmã (Joan Cusack), mais do que fazê-la acreditar que ele mesmo estando sem uma mulher do lado, ele e o menino serão uma família, fazendo-a lembrar a criança que ele fora, que não se adequava ao grupo, um solitário, reacendendo a sua própria infância, ele se sente, se vê como um pai para o Dennis.

Mas por considerarem Dennis uma criança problemática, David em vez de aliados, tem do Conselho Tutelar uma ducha fria. Eles não facilitam em nada. Então David os convencem ao dizer: “E uma das coisas que eu aprendi sobre fantasia, na minha vida, é que pode ser uma técnica de sobrevivência. Funciona como um mecanismo de fuga, uma maneira de lidar com os problemas que são maiores que você, maiores do que você é capaz de lidar.

Além dessa vigília em torno dessa adoção, de ter um tempo limite, de ter seu agente lhe dizendo que o prazo para entregar um novo livro está se esgotando, David tem o de chegar ao Dennis. Em estabelecer um contato. Em fazê-lo entender que eles agora serão pai e filho. E que não é nada fácil. Dai, numa cena onde ele recusa a mãozinha de Dennis, a voz do nosso coração pode até não acreditar, mas que a voz da razão entende o porque.

Enfim, temos nesse filme um homem e um menino num diálogo onde todos os sentidos entram. Numa troca onde tudo é válido. Quer seja assistindo uma partida de baseball, onde diz que mesmo errando muitas vezes, ainda assim terá chances de mostrar o seu valor, que não se deve é desistir. Quer seja usando a linguagem da dança. E mesmo com todas as imposições, eles seguem sem pressa.

Ah! Anjelica Huston faz uma participação para lá de especial. Embora curtinha, marcou presença!

A trilha sonora veio somar na história desses dois. Como nessa música de Cat Stevens, “Don’t Be Shy”: “Levante a cabeça e deixa que teus sentimentos saiam.“.

Gostei! Nota: 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Ensinando a Viver (Martian Child). EUA. 2007. Direção: Menno Meyjes. Com: John Cusack, Bobby Coleman, Amanda Peet , Joan Cusack , Oliver Platt , Sophie Okonedo, David Kaye. Gênero: Comédia dramática. Duração: 106 minutos.