Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive. 2013)

amantes-eternos_2013O novo filme de Jim Jarmusch, “Amantes Eternos“, retrata o cotidiano de um sofisticado casal de vampiros do século XXI. Tão modernos a ponto de viver em continentes separados, Adam (Tom Hiddleston) em Detroit – U.S.A. e Eve (Tilda Swinton) em Tangier – Marrocos.

Amantes-Eternos_Tom-Hiddleston_e_Tilda-Swinton Ele é músico recluso com tendência à depressão e nostalgia e ela muito mais antenada com a tecnologia atual, diferenças ajustadas por conta de uma inteligência assombrosa. Esse pequeno desequilíbrio de evolução no tempo, natural de quem vive muito, não atrapalha a comunicação frequente de ambos e quando a saudade aperta, viajam de primeira classe com uma maleta de mão lotada de… livros. Sim, eles são inteligentes, ricos e elegantes, vestem-se com estilo e bebem sangue em taças como o melhor vinho. Preocupados com as mazelas do século, preferem ter “fornecedores” seguros do líquido vital a arriscar uma provável contaminação. Vivem assim o torpor ocioso dessa rotina lânguida e modorrenta até o momento em que recebem a visita da irmã mais nova de Eve, a espevitada Ava (Mia Wasikowska), que já havia causado problemas no passado por conta de sua jovial irresponsabilidade.

Amantes-Eternos_Mia-Wasikowska_e_John-HurtA escolha acertadíssima dos atores, sobretudo Tom Hiddleston e Tilda Swinton fazendo o enigmático casal, é o ponto alto da obra que tem ainda Mia Wasikowska e John Hurt completando o elenco. Também destaca-se a primorosa direção de arte, tão cirurgicamente detalhista que enche os olhos harmonizando sempre com o visual extravagante dos personagens (Os cabelos ressequidos e armados dos vampiros estão geniais). Tudo embalado por uma música envolvente (que inclui um divertido clip de Soul Dracula dos anos 70) permanecendo na mente mesmo após o filme e uma fotografia esmerada que valoriza enquadramentos belíssimos como as estranhas posições em que dormem as criaturas ou a visão bucólica e pitoresca da rua em que vive Eve, na exótica Tangier. Exalta a essência do tempo baseada no conhecimento e sabedoria como bem maior em diálogos cheios de nuances e um amontoado de imagens misteriosas que lançam suspeitas lúgubres a um suposto envolvimento de Shakespeare ou Kafka com uma longevidade vampiresca.

Assim como Adam e Eve, o filme “Fome de Viver” (1993) de Ridley Scott finalmente acaba de encontrar um par à altura para juntos serem cultuados eternamente.

Por: Carlos Henry.

Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive. 2013). Reino Unido. Direção e Roteiro: Jim Jarmusch. Elenco: Tom Hiddleston, Tilda Swinton, Mia Wasikowska, John Hurt. Gênero: Drama, Romance, Terror.

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“O Espião que Sabia Demais” (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

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“O Espião que Sabia Demais” é literalmente uma tradução do livro de John le Carre, o qual foi anteriormente adaptado em uma bem respeitada minissérie da BBC de seis horas de duração em 1979, com Alec Guinness. O talentoso diretor Tomas Alfredson cortou as seis horas da minissérie e fez um filme de apenas 2 horas, mas ainda assim, achei o filme extremamente longo, e confuso.

Para quem é? 

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Para quem gosta de filme de espionagem, “Tinker Tailor Soldier Spy” é um bom prato.

Atores:

O elenco é maravilhoso com destaque para Gary Oldman, o qual me fez lembrar de Ryan Gosling, em “Drive” (2011), com uma atuação sutil e minimalista. O desempenho de Oldman está em seus olhos, quando ele faz  perguntas, reage às respostas de uma forma bastante interessante. Oldman simplesmente carrega o filme em seus ombros, oferecendo um desempenho lento, e preciso, e talvez por isso, assim como o Gosling não irão ao Oscar – até uma indicação parece algo distante para eles, mas espero que não seja impossivel!. . ImagemOutro ator que brilha nesse filme é Tom Hardy ( excelente ator!!!!) , o qual também está igualmente perfeito, no interessante filme “Warrior” (2011), fazendo um homem lutando por uma resolução para sua dor e assombrado pelas decisões que ele fez na vida. Celo Silva fez uma boa leitura sobre “Warrior” aqui: http://umanoem365filmes.blogspot.com/2011/12/359-guerreiro-warriorgavin-oconnor2011.html

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Seria muito bom se os roteiristas e o director de “O Espião que Sabia Demais” tivessem injetado mais vida, em termos de entretenimento ao filme. Bem, o requinte dos cenarios, a fotografia de Hoyte Van Hoytema, que respira nos anos 70, com o céu cinza, e esfumaçado; o belo trabalho de edição, e uma trilha sonora muito boa de Alberto Iglesias, apenas enriquece o filme, mas faltou alma/ vida. Um belissimo filme, que custou apenas 21 milhões de dolares – o Polanski gastou 25 milhões no seu “Carnage” o qual é plasticamente inferior ao filme de Alfredson!. Longe de ser um filme ruim, mas “O Espião que Sabia Demais” tem personagens demais, situações demais, e acabei me perdendo em torno da beleza plastica do filme.

Por essa beleza plastica e os atores, dou nota 7,5

Melancholia ( 2011)

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O entediado e deprimido diretor Lars von Trier não faz um filme sem surpreender. A sua mais recente obra “Melancholia” é um meio-irmão do apocalíptico  “The Tree of Life” de Terrence Malick. O filme  é sobre o fim do mundo. E, Von Trier parte da instância de felicidade humana: um “feliz” casamento, ou uma recepção de casamento para ser mais específico, o qual é realizado em um castelo luxuoso, onde o cineasta- roteirista traça o significado da total (in) felicidade.

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A sequência de abertura, de oito minutos, é um espetaculo aos olhos; e prenuncia a destruição da terra em câmera lenta. Depois isso, encontramos os felizes recém-casados Justine e Michael (Kirsten Dunst e Alexander Skarsgard), ao caminho da recepção de casamento organizada  pela irmã da noiva, Claire (Charlotte Gainsbourg) e seu marido John (Kiefer Sutherland) .

Os pais da noiva (Charlotte Rampling e John Hurt) parecem catalisadores para o clima pesado da festa. A mãe dispara aos recém-casados, “aproveitem enquanto dura.” A partir dessa cena, o sorriso visto no rosto de Justine ( Dunst) ilustra o seu olhar vazio, onde residirá até a duração do filme. O casamento de Justine é esmagado apenas horas depois de dizer “o sim”, e, é não impossivel de notar que a moça é a depressão em forma de gente. Diante do fim do mundo, Von Trier deixa claro a ingenuidade de todos que rodeiam a sua heroina, mais precisamente, Claire, que lamentávelmente como muito de nós, é dominada pela ansiedade –  o medo de enfrentar a realidade, e se deparar com a morte. Mas não seria o medo uma forma de morrer antes da propria morte em si?

A atuação de Dunst é nada menos do que espetacular – vai do olhar ao sorriso vazios, até ao silencio. O restante do elenco é igualmente muito bom, especialmente a Gainsbourg, que tem aqui um desempenho bem melhor do que fez em “Anticristo” (2009).

Embora o filme não seja tão controverso como o “Anticristo”, “Melancholia” estimula questionamentos em relação do porque Justine se casa com Micheal, sabendo que o mesmo não a fara feliz. E, por que ela deixaria a sua festa para urinar no campo de golfe, e depois ter relações sexuais com um estranho?.

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Von Trier está certissimo quando disse que esse é um belo filme. Um filme que tem também a capacidade de assombrar a gente por dias, ou semanas, isto, graças a fotografia de Manuel Alberto Claro, e o pessimismo impiedoso do proprio Von Trier. “Melancholia” é mais uma prova que cada um de nós teremos uma percepção diferente ao chegar a conclusão do filme.

 Nota 9

Melancolia (Melancholia/Lars Von Trier/2011)

Por: Celo Silva.

Um lançamento do diretor e autor Lars Von Trier é um excelente motivo para uma ida ao cinema, mexe com os cinéfilos e as realizações do diretor sempre são obras para serem sentidas, que valem muito o clima da sala escura, que de maneira notada influi para uma melhor apreciação de Melancolia, longa imbuído de polêmica mesmo antes de seu lançamento, por conta de declarações infelizes de seu criador, mesmo que não necessariamente sobre a obra.

Logo após o epílogo apoteótico ao som de uma bela e condolente canção instrumental, o áudio é cortado bruscamente, os créditos sobem em silêncio total e o mais impressionante que a sala relativamente cheia, todas as pessoas saíram taciturnas, como em respeito a obra que tinham presenciado. Confesso que sai um tanto angustiado, não com a possibilidade do fim do mundo, mas com o sofrimento que o ser humano é passível de sentir, sofrimento que pode virar tristeza e consequentemente depressão, às vezes nos transformando de maneira aterradora, como acontece com a noiva Justine (Kirsten Dunst, em excelente atuação) no dia de seu casamento, abatimento e desordem atingem a moça de uma maneira brutal, levando a atos extremos, como se premeditasse o que viria a acontecer.

O próprio cineasta citou em certa entrevista, que Melancolia é um belo filme sobre o fim do mundo, a expressão é mais do que correta, até porque com tantas cenas dolorosas, Lars Von Trier consegue dar ao filme sempre um olhar terno, seja com a irmã de Justine, Claire (a talentosa Charlotte Gainsbourg) que cuida da irmã nos momentos de depressão e guarda um medo cruciante de que o planeta Melancholia, em rota de colisão com a Terra, acabe com suas vidas e principalmente a de seu pequeno filho ou com as pequenas, importantes e marcantes participações de John Hurt e Charlotte Rampling, cada um a seu jeito transmitem sentimentos conflitantes e protagonizam situações constrangedoras que influenciam o esmorecimento de Justine.

Melancolia também pode ser visto como uma opera trágica, ate pela pulsante trilha sonora instrumental, com belas seqüências que remetem a pinturas, como uma em que Kirsten Dunst aparece nua em pelo, deitada na beira de um rio, com a lua refletindo seu belo corpo, como se redimindo, aproveitasse seus últimos momentos de existência. O fio condutor da parte mais cientifica da historia vem de Kiefer Sutherland, que defende o marido de Claire, estudioso, um homem centrado e preocupado com a família, mas que em certo momento também perde seu equilíbrio. Outro fato interessante é ver Lars Von Trier usando de efeitos visuais para conceber seus belos e tocantes momentos, como quando o planeta Melancholia se aproxima do nosso. Com certeza, Melancolia é o filme mais poético desse controvertido, habilidoso e inventivo cineasta, mesmo que para isso ele nos leve a uma jornada de sofrimento e tristeza.

O Homem Elefante (The Elephant Man. 1980)

o-homem-elefante_1980_capaHá tempos queria assistir esse filme, mas sempre algo me tirava desse destino. As coisas não são por acaso, é preciso um olhar mais calmo com esse filme de David Lynch, o mais “normal” até então, em minha opinião. Também não daria pro Lynch chafurdar o bizarro, pois o ‘O Homem-Elefante‘ já é por demais estranho e o Homem-normal, mais ainda.

o-homem-elefanteO ser humano, pra mais uma vez comprovar que não respeita as diferenças, faz de uma deformidade física, uma doença rara,  uma atração circense. À margem da sociedade até que um médico (Anthony Hopkins, super novo) volta seu olhar pra ele. Interesse? Status? Descoberta Científica?

Fato é que de um suposto bronco em nome de seu aspecto físico deplorável, temos uma bela criatura em seu interior dócil, inteligente e gentil. A Bela e a Fera morando na mesma casa, no mesmo corpo. As atitudes pacíficas de Merrick (John Hurt: Homem-Elefante) tornam-se cada vez mais tocantes quando postas frente-a-frente à arrogância de um homem saudável; homem que colonializa, que é mais predador do que qualquer outro animal no Planeta.

Lynch não poupa esforços pra ilustrar essa crítica. Ele me tirou o fôlego em três cenas:

1. Quando seus companheiros de circo e feira (corcundas, anões, gigantes e outros seres dotados de deformidades) se unem e o conduzem para a liberdade;

2. Na Estação Ferroviária onde as pessoas o cercam como se ele fosse um bruto, uma besta, e ele se defende afirmando sua humanidade (bem mais humano que muitos “humanos”);

3. Quando ele serve de atração para bêbados e prostitutas.

Nunca, nunca!
Nada morrerá.
O rio corre,
o vento sopra,
as nuvens movem-se rapidamente,
o coração bate.
Nada morrerá.

Um dos melhores trabalhos de Lynch, sem dúvidas. E pros que dizem que a Trilha Sonora não se diferencia, essa é bem diferente. Conta com “Adagio for Strings (Tiësto)” de Samuel Barber, uma música triste que a Rede Globo usou muito em suas novelas da década de 80…

O Homem Elefante – The Elephant Man

Direção: David Lynch

Gênero: Biografia, Drama

EUA – 1980

**Baseado em fatos reais.

Curiosidades:

– O diretor Mel Brooks foi um dos produtores executivos de “O Homem Elefante”, tendo sido o responsável pela contratação de David Lynch e pela decisão em filmar em preto e branco. Entretanto, para evitar que o público considerasse que o filme fosse um sátira pela simples presença de seu nome, Brooks pediu que não estivesse presente nos créditos do filme.

– O diretor David Lynch chegou a tentar ele mesmo fazer a maquiagem de “O Homem Elefante”, mas desistiu após concluir que não conseguiria fazê-la de forma satisfatória.

– A maquiagem de “O Homem Elefante” levava 12 horas para ser feita a cada vez que era aplicada em John Hurt.

– O orçamento de “O Homem Elefante” foi de US$5 milhões.

Por: Deusa Circe.

Contato (1997). Ciência e Religião com Ética

contact_1997O filme Contato não traz apenas as pesquisas científicas sobre ETs, mas também aspectos éticos e morais do inconsciente de seus personagens. Nele, tempo e espaço não são apenas conceitos físicos, mas também valores sentimentais: uma viagem na memória afetiva. Buscando vencer os limites dos dois mundos: o interior e o exterior. Com o rádio o homem transcendeu as distâncias muito mais rápido. Indo mais longe. Com isso podendo até pesquisar se existem seres inteligentes fora da Terra. Mostrando o bom e o mau, o filme põe em xeque os valores éticos e morais da ciência e da religião. Numa tentativa de encontrar um equilíbrio.” (A. Mattos)

Contato marcou profundamente minha vida. Foi a partir dele que concluí que realmente eu queria ser astrônoma. Ainda não comecei os estudos da Física, mas em breve prestarei vestibular iniciando minha jornada rumo à Astronomia!

Tinha um dia de chegar (nos filmes) esse conflito entre ciência, religião e ética de uma maneira mais madura e mais centrada em grandes acontecimentos.

Além disso há uma preocupação em manter esses acontecimentos somente com a Dra. Eleanor, creio que para que houvesse a transformação que aconteceu com ela durante todo o filme. No início era ateísta, depois passou a acreditar em algo maior, numa força além de nossas suposições.

Depois disso, não lembro agora direito quem, mas um dos membros do conselho a que ela foi submetida confirmou a veracidade de que tinham se passado 18 horas de estática no vídeo que ela gravou. Como isso seria possível em 3 minutos? (Que foi o tempo que eles a viram na máquina)

Talvez seja a grande jogada do filme. E me pareceu assim: a ciência (representada pela Dra. Eleanor) aceitando a Deus, O conselho (se não me engano era em relação è religião) aceitando, pelo menos parte, da ciência. Isto é, para o progresso da humanidade, ciência e religião deverão tentar andar juntas. Não sei se foi bem isso que o filme quis passar.

O filme foi baseado no livro de Carl Sagan e, sem dúvida, foi o filme sobre Física que mais seguiu as leis da Física. Claro que como todo filme de ficção cometeu suas gafes. Mas inclusive no aspecto científico o filme é hiper interessante!!

Adorei relembrar esse marco!

Por: Thaís D. B.  Blog:  Tempestade Interior.

Contato (Contact). 1997. EUA. Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Jodie Foster (Dr. Eleanor Ann Arroway), Matthew McConaughey (Palmer Joss), Tom Skerritt (David Drumlin), David Morse (Theodore Arroway), James Woods (Michael Kitz), Angela Bassett (Rachel Constantine), Rob Lowe (Richard Rank), John Hurt. Gênero: Drama, Mistério, Sci-Fi, Thriller. Duração: 150 minutos. Baseado em livro de Carl Sagan.