Interestelar (Interstellar. 2014)

Interestellar_2014_cartazPor: Monica T. Maia.

Interestellar_2014_01 Qual é o Nosso Lugar Entre as Estrelas?

Bom entretenimento que expande os horizontes. Literalmente. “Interestelar” é o filme mais sensacional dos últimos tempos exatamente porque não tem limites comuns. Baseado na Física mais moderna, sacode preconceitos e conceitos atávicos que são repetidos como se fossem verdades imutáveis.

Antes olhávamos para o céu e perguntávamos qual era o nosso lugar nas estrelas. Agora olhamos para baixo e preocupamo-nos com o nosso lugar na poeira”.

Interestellar_2014_02O comentário de Cooper (protagonista interpretado por Mathew McConaughey) no diálogo com o sogro Donald (John Lithgow) trata do Ser e de seus ‘por ques’. Ser piloto de naves espaciais ou ser fazendeiro numa Terra que está sendo carcomida por poeira ácida criada pelo próprio homem? Cooper ‘olha para cima’ como fez William Herschel, astrônomo alemão naturalizado inglês que preferiu descobrir os anéis de Saturno e a radiação infravermelha ainda nos séculos XVIII e XIX, em vez lutar em guerras sangrentas. Ou como fez o grego Erastóstenes de Cirene (276 a.C.-195 a.C.) que mostrou que a Terra era redonda quando todos acreditavam piamente que era plana. Ou o astrônomo persa Abd al-Rahman al-Sufi que descobriu as primeiras estrelas fora da Via Láctea. Enfim, há dezenas desses sábios incríveis…

Interestellar_2014_04Assusta-nos a perspectiva de sermos cósmicos – cidadãos de um Cosmo infinito – e não simplesmente cidadãos de uma cidade entre milhares de um pequeno planeta entre trilhões e septilhões que nem sabemos quanto são ao todo. O filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella tem palestras maravilhosas sobre isso disponíveis no youtube: somente na nossa galáxia há pelo menos 200 bilhões de sóis como o nosso. Não há matemática humana que consiga contabilizar o Universo.

Além de inspirado em Ciência real – o consultor científico é o físico teórico Kip Thorne – “Interstellar” foi possível porque o diretor Christopher Nolan se despiu de qualquer fronteira que pudesse embaçar a busca pelo futuro. Se enxergar a Lua já é uma ilusão – esse astro está sempre 1 segundo no passado porque está a 300 mil quilômetros de distância – então, o que dizer sobre o que sabemos realmente? Afinal, a ‘Terra redonda’ era a ficção científica dos antigos…

Há muito o que conversar sobre “Interstellar”…

Interestelar (Interstellar. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)

o-amor-e-estranho_2014É! O amor é estranho por levar a uma decisão que deixará ambos felizes, mesmo tendo consciência que isso terá consequências desagradáveis. Mas pelo momento em si, vai lá e faz assim mesmo! Arrojo, maturidade…? Pode ser… O amor é estranho por levar alguém a ficar de longe admirando a pessoa amada, e que depois descobre que ela fazia o mesmo, e que mesmo assim travou o desejo da aproximação. Timidez, inexperiência…? Poder ser… O amor é estranho por fazer alguém a ser quase coadjuvante na vida do outro até que decide protagonizar a própria vida quando então o outro descobre o quanto esse amor era importante. Seguir em frente? Dar outra chance?… São certezas, dúvidas que permeiam a todos, principalmente em relacionamentos… No fundo é quase um momento de olhar no espelho e dizer amigavelmente: “Olá, estranho!

Muito bom quando se vê uma Hollywood colocando como protagonistas um casal homo e que por décadas levam uma vida plena de amor! Não que isso seja o pano de fundo em “O Amor é Estranho“, mas sim porque isso é que se deveria ver em toda a sociedade moderna. O que o filme traz são as incongruências das e nas atitudes que as pessoas são levadas a fazer em nome do amor. Até pela atitudes destemperadas por falta de um diálogo mais franco. Que às vezes nem se trata de ser por falta de amor, mas sim por acumular coisas mal resolvidas. Até pelo imediato de não pesar prós e contras… Indo por uma boa intenção… Levando então as explosões que poderão deixar feridas… E aí é cada um assumindo de um jeito próprio por mais estranho que isso possa parecer.

o-amor-e-estranho_2014_01Em “O Amor é Estranho” o casal Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) após décadas de uma relação cheia de amor resolvem oficializar a união. Família e amigos comparecem até para abençoarem o gesto. Acontece que sai das intimidades desses lares… incomodando a Igreja. Tudo porque George dar aulas de Música num Colégio Católico. Todos – pais, alunos, corpo docente – até sabiam da relação dos dois, mas ao colocar num papel… O Diretor da instituição se vê obrigado a seguir a um outro papel: onde o casamento de George e Ben peca contra os preceitos da religião.

Com isso, só a renda da aposentadoria de Ben e somada as aulas particulares de piano dadas por George não dariam para cobrir todos os gastos de onde moravam. Decidem vender o imóvel e comprar um mais acessível aos bolsos dos dois. Mas até lá precisariam ficar de favor na casa de alguém. Ben então vai para a casa do sobrinho Elliot (Darren E. Burrows) e George vai para a casa do filho Roberto (Manny Perez). E é quando se convive sob o mesmo teto com esses familiares que a coisa começa a desandar.

o-amor-e-estranho_2014_02Elliot é casado com Kate (Marisa Tomei) e têm um único filho, o “adolescente” Joey (Charlie Tahan). Kate trabalha em casa: é escritora. Ben dorme numa beliche no quarto de Joey que não gostou nada dessa intromissão. Ben fica sem saber onde passar as horas do dia, sem querer também incomodar Kate que está escrevendo um novo romance… Para piorar essa nova vida dos quatro… Algo vem à tona: um temor de Elliot em relação ao próprio filho. É! Na intimidade de um lar é que se conhece de perto alguém… Mas mais do que uma panela de pressão prestes a explodir… É de Ben que Joey recebe uma real atenção, e mesmo tendo sido tão rude com o tio. Se na outra casa é por demais silenciosa… Na casa de Roberto que vive maritalmente com Ted (Cheyenne Jackson) mais parece uma boate onde todas as noites acabam em festas. Levando George a poucas horas de sono, e acabam deixando-o sem paciência durante as aulas… À primeira vista pode-se achar que Ben e George deveriam ter trocado de casas: um poderia dormir à noite e o outro durante o dia. Enfim, mesmo parecendo terem errado nessa “estadia provisória”… Foi devido a uma dessas baladas noturnas da casa do filho que George conheceu Ian (Christian Coulson) e…

Fora um jeito do destino tentar reorganizar a vida de todos? Mesmo já tendo abalado alguns dos relacionamentos? Essa nova virada ainda estaria em tempo para aproveitá-la? As feridas se cicatrizaram? Pode até ser… Pois tendo amor no coração ele tambem deixa um convite a fechar um capítulo, tendo novas páginas para seguir em frente até como se nada tivesse acontecido… Afinal, o amor é estranho mesmo!

o-amor-e-estranho_2014_diretor-e-proagonistasO Diretor Ira Sachs merece aplausos pelo conjunto da obra: atuações, trama, trilha sonora…! Um filme que pelo o que consta gerou polêmica nos Estados Unidos até pela “liga da moralidade e dos bons costumes” a MPAA – órgão censor daquele país -, que classificou-o como inapropriado para menores de 17 anos. Caramba! Só por beijos na boca entre homens? Mas enfim, querendo saber mais sobre essa tal MPAA, sugiro o Documentário “Este Filme Ainda Não Foi Classificado“, do Diretor Kirk Dick. Há um porém nesse filme e numa fala que o liga ao Brasil, a um certo estigma, e que eu fiquei sem entender até porque quem também assina o Roteiro é o brasileiro Mauricio Zacharias (de “O Céu de Sueli”). Ele bem que poderia não ter colocado tal estigma. Seria ele um “coxinha”?

No mais, “O Amor é Estranho” é muito bom! Merece ser visto! Quanto a rever, quem sabe algum dia… Nota 08!

O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Planeta dos Macacos: A Origem. Tecnologia demais às vezes atrapalha.


Um dos filmes que eu aguardava nesse ano de 2011. Até por estar na minha memória afetiva. A simples menção desse título – Planeta dos Macacos -, me vem à mente uma pequena estória. E é com os olhos de um ator. Foi a partir desse filme que eu passei a prestar mais atenção no nome dele. Debaixo de tanta maquiagem, seus olhos se destacavam num personagem carismático: o Cornelius. Mas foi assistindo um outro filme, e já de cara lavada, que em pensei: “Eu conheço esses olhinhos! Conheço, sim!” Numa rápida pesquisa, descobri que era o ator Roddy McDowall. Fica aqui um pequeno tributo a esse ator: seu Cornelius foi memorável.

Mas “Planeta dos Macacos – A Origem” não é um remake.

Como o título original – Rise of the Planet of the Apes – diz, ele veio para contar como tudo pode ter iniciado. Numa nova roupagem, se adequando ao mundo de agora. Por mais primitiva que possa ser a estória – ascensão dos símios ao comando do planeta -, a parte científica dos homens continua evoluindo ininterruptamente. Muito embora muitos dos humanos ainda vivam irracionalmente. E embora muita das pesquisas científicas possam ter um caráter humanitário, ela precisa de alguém que a banque. É aí que mora o perigo!

O filme também tem agora todo avanço da computação gráfica.

Assim, os atores se livraram do peso da maquiagem e da roupagem de antigamente, para atuarem cheio de filamentos pelo corpo diante de uma tela-verde (Chroma Key), ou até em externas, cujas performances ganham um “novo corpo” pelo computador. Mas essa tecnologia de agora não veio para tirar o glamour dos filmes de outrora. Pois esses já têm um lugar cativo na nossa memória cinéfila. Os filmes atuais estão vindo para que também os apreciemos. Desde que esses avanços venham como um novo coadjuvante. Até por conta disso que eu quis conferir “Planeta dos Macacos – A Origem“. Conferido! E…

Saudosismo à parte… como tudo começou!

O filme atual até para mostrar uma evolução dos símios traz como grande mote uma pesquisa no campo farmacológico. Descobrir, se não a cura, pelo menos um jeito de estacionar o “Mal de Alzheimer“. Basicamente, essa doença mexe com o sistema cognitivo dos idosos. A perda da memória é o fator inicial. Sem entrar muito nos méritos da doença, a pesquisa no filme era para se chegar a um fator que estimulasse o cérebro a produzir “novas células” numa autoregeneração. Sem nenhum Greenpeace, ou Ong de Proteção Animal por perto, o Laboratório Gen-Sys, usava livremente símios em suas pesquisas. Mais em específico: chimpanzés.

No meio do caminho tinha um (des)humano.

Há de se perguntar o porque de alguém tão jovem como Will (James Franco) se dedicar a pesquisar a cura para o campo geriátrico. A resposta está em querer ajudar o próprio pai, Charles (John Lithgow. Que roubou todo o filme. Foi brilhante a atuação de Lithgow!). Mas um funcionário do laboratório pos tudo a perder ao buscar a chimpanzé Olhos Brilhantes para a apresentação da droga ALZ-112 ao Conselho dos Acionistas. Já que são eles que iriam liberar verba maior para se chegar a virar um Medicamento legalizado. Em vez de docilidade, ele a incita. Então ela revida com fúria. Numa cadeia de tensões e medos por quase todos, um dos seguranças a mata. Pondo fim a pesquisa. E mais! Acreditando que essa fúria era um efeito colateral da droga, Jacobs (David Oyelowo), dono da empresa, manda Franklin (Tyler Labine) sacrificar todos os outros chimpanzés, cobaias do ALZ-112.

Mas Olhos Brilhantes deixara um filhote recém-nascido.

Franklin (Tyler Labine) que omitiu o fato, sem muitas opções deixa nas mãos de Will o filhote para que ele tome uma decisão: ou o mata, ou o leva para longe dali. Will então leva o pequeno símio para a sua casa. Mostrando ao seu pai. Já que precisava saber se ele reagiria bem a essa nnovidade. Charles não apenas gosta, como escolhe o nome: César. Com isso, Will leva sua pesquisa também para casa. Mas foi seu pai quem primeiro notou a super inteligência de Cesar.

Alguns poucos anos depois, num descuido, Will deixa a janela aberta. César que sempre acompanhou do seu quarto as crianças andarem de bicicleta, resolve experimentar. Uma das crianças se assusta, o pai dela machuca César. Will o leva a uma Veterinária do Zoo. Ela é Caroline (Freida Pinto), especialista em Chimpanzés.

Um lugar na mata…

Caroline acha que já estava na hora de César se exercitar também ao ar livre. Charles, já curado com o ALZ-112, os leva até um Parque de Sequóias. Passado mais uns anos, já com Will e Caroline juntos, numa saída do tal Parque, o cachorro de uma família, preso numa coleira, leva a César a questionar Will sobre sua existência. Que papel ele representava na vida de Will. Um bicho de estimação? Sem ainda saber que ele era parte de uma experiência. Uma cobaia. Que de certa forma, ajudou na recuperação de Charles. Mas se aquela revelação abala as estruturas de Caroline, que dirá de César, agora um jovem adulto de cinco anos de idade.

Somos todos cobaias?

Superficialmente, o filme traz à mesa de debate a questão da cobaia. Não apenas com animais, mas o lance dos portadores da doença. Se eles não mais têm condições de aceitarem ou não embarcarem numa possível cura, pesará para a família deixarem que sejam cobaias. Se um membro dessa família for um cientista, e com os meios para continuar tentando achar a cura, há de se ter algo ou alguém que o faça pensar, pesar o que está de fato querendo. Se ainda tem maior peso o caráter humanitário da pesquisa.

Se para os chimpanzés o sistema imunológico reagiu bem a tal droga, o mesmo não aconteceu com o de Charles, que fabricou anticorpos resistentes. Com isso a doença voltou. Sendo a vez de César de querer cuidar dele. Os papéis se inverteram, até numa breve escapada agora de Charles. Esse ao querer dirigir, entra num carro. Ao sair batendo, provoca a ira do proprietário do veículo. César sai em sua defesa. Acontece que sendo agora um chimpanzé adulto, estando brabo, intimida muito mais. Acabando sendo preso. Numa prisão com outros símios.

O início da revolta.

Os animais ficam lá até serem requisitados por Laboratórios. Se por conta de uma burocracia ou não, Will não se empenha muito em tirá-lo dali. Estando mais interessado numa fórmula mais agressiva que não deixe o sistema imunológico humano combatê-lo, mas que o aceite. Então convence Jacobs de partir para o ALZ-113. Enquanto se dedica a nova pesquisa, mais sentindo-se abandonado fica César. Com o tratamento recebido naquela prisão, a docilidade de César vai dando lugar a uma ferocidade.

Acontece que César quer controlar a todos, ciente de que em maior número terão mais chances de sobreviverem. Mas é contido por um orangotango que também entende a linguagem dos sinais. Com esse conselho, César dar prosseguimento ao seu plano. Com tempo. Tudo estudado. Enquanto isso, Will percebe que o ALZ-113 despertou a cobiça de Jacobs, a ponto de não mais cobrar por uma pesquisa mais criteriosa. Com César e Jacobs inflamados, cabe a Will contornar a situação que ele que iniciou.

Planeta dos Macacos: A Origem” talvez só traga surpresa quanto ao final, para os bem mais jovens que desconhcem os filmes de outrora. Para mim, nem ficou uma pequena torcida para que ultrapassem a Golden Gate Bridge. Gostei sim de vê-los indo por cima e por baixo da ponte nessa fuga final. Aliás, desde a primeira cena, todas com os símios foram ótimos. E a emoção mesmo, nesse final, ficou com a despedida entre César e Will.

O desejo por uma continuação não ocorreu como em “Sherlock Holmes“, mas se vier, será bem-vinda! Foi um bom filme! Vale conferir! Mas não eletrizou, nem me empolgou. A Trilha Sonora é legal, mas fiquei pensando em Hans Zimmer, logo não me encantou de todo. E Andy Serkis que fez o César não o deixou memorável como o Cornelius de Roddy McDowall. Com isso, “Planeta dos Macacos – A Origem” não me deixou vontade de rever. Pelo conjunto da obra, dou nota 08. Talvez meu saudosismo teria me deixado com muita expectativa!

Por: Valéria Migue (LELLA).

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes. 2011). EUA. Direção: Rupert Wyatt. +Elenco. Gênero: Ação, Aventura, Drama, Sci-fi, Thriller. Duração: 105 minutos.

Laços de Ternura (Terms of Endearment. 1983)

lacos-de-ternuraRevendo o filme, ‘Laços de Ternura‘, após tanto tempo, me levou a pensar num paralelo com a atualidade. Além do ato de ser mãe. Nesse tocante vem a máxima que diz que mãe é tudo igual, só mudando o endereço. E pela época do filme, pela história contida nele, nem dá para dizer que muita coisa mudou de lá para cá.

Mais de 20 anos se passaram e ainda vemos muitas mulheres gerando um filho atrás do outro sem o menor planejamento. Meio frio de minha parte, concordo. Mas há sim o de se pesar o orçamento do casal. Se terá como arcar financeiramente com a educação. Jogar nos ombros dos avós essa responsabilidade eu não acho justo. Não com uma imposição velada. Uma das ajudas que poderia ser, seria por conta de algo como nesse filme. No final dele.

O filme também fala do aborto. Numa conversa entre mãe e filha. Para que vejam que nada mudou em todos esses anos ainda é feito em larga escala, mesmo sendo ilegal. Recentemente foi feito uma pesquisa sobre esse tema, chegando nesse resultado: “Quase 4 milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos. Em sua maioria, o grupo não é formado por adolescentes, mas por mulheres entre 20 e 29 anos. Mais da metade se declarou católica. E mais de dois terços já têm filhos. A maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar.” Como podem ver, faltou o o planejamento que citei anteriormente.

O filme também traz as puladas de cerca. De um lado, procurando nisso dar vazão aos desejos do corpo. Do outro, por não querer romper de vez com o matrimônio. Naquela de até que a morte os separe? Há também um terceiro motivo: os filhos. E até por conta deles também pesará as pensões advindas num rompimento. Se a grana anda curta, o que dirá tendo que manter duas casas? Então, enquanto ninguém reclamar, mantém-se toda a situação.

Entraria aqui até essa máxima: “O que os olhos não vêem, o coração não sente“. Ou outra mais cínica: “Se quer trair, que o faça sem deixar rastros“. Até aqui como podem verem todos esses anos nada mudou. Muito de nós conhecemos relacionamentos assim. Mas apesar de pontos em comuns, cada relação é única.

Entrando no filme… Aurora (Shirley MacLaine) só quis ter uma filha. Talvez pelo seu temperamento. Com mais um tempo de casada, enviuvou. O filme dá outro salto no tempo, e então começa de fato toda a trama. Às vésperas do casamento de sua filha Emma (Debra Winger) com Flap (Jeff Daniels). Aurora não aprovava o casamento. Para ela, a filha iria sofrer por ele ganhar muito pouco. Flap era Professor. Mas Emma nasceu para ser Dona de Casa. Nem quis continuar os estudos, nem arrumar um emprego fora de casa. Queria mesmo cuidar do Lar, do marido e dos filhos. Então foram morar longe de Aurora.

jack-nicholson_and_shirley-macLaine_terms-of-endearmentAurora por sua vez embora sempre cortejada por uns amigos se fechou a um novo amor, ou mesmo as simples relações. Bloqueando os seus apetites sexuais. Diferente da filha que mantinha um caso extra-conjugal com Burns (John Lithgow). Flap também mantinha um caso com uma aluna. Tudo seguia sua rotina na vida de Aurora até que entra em cena um barulhento vizinho, Garret (Jack Nicholson), e que não saía mais de seus pensamentos. Mas passaram-se 15 anos para ela tomar a iniciativa. A cena da primeira saída dos dois é memorável.

Por não gostar de rédeas, após um namoro, Garret mesmo gostando dela, resolve sair de cena. Até que com uma virada do destino, pela perda de um membro da família, todos se unem para cuidarem das três crianças.

Um belo filme! Para ver e rever. A trilha sonora é linda, mas uma em especial, é de querer ouvir várias vezes. Ouça-a:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Laços de Ternura (Terms of Endearment). 1983. EUA. Direção e Roteiro: James L. Brooks. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado em livro de Larry McMurtry.