Alice Através do Espelho (2016). O Tempo Salva a Continuação…

alice-atraves-do-espelho_2016_posterPor: Beathriz.
Alice Através do Espelho” é um filme fantasia inspirado na obra de Lewis Carroll, claro. Que não foi dirigido por Tim Burton, mas por James Bobin. Como sequencia do primeiro filme de Alice no Pais das Maravilhas.

alice-atraves-do-espelho_2016_04O filme se passa anos depois do desfecho do primeiro, com Alice (Mia Wasikowska) na carreira náutica. Sendo capitã do navio de seu pai. Ela é ótima no que faz, porém em meio a desavenças com sua mãe entre o que quer fazer e o que uma mulher tem de fazer. Ela está a beira de perder o Wonder, o navio. E é ai que ela vai para o Pais das Maravilhas, porque o Chapeleiro, interpretado por Johnny Depp, está com problemas.

Então é ai que está o problema. Eu sou uma fã de Alice, gostei do primeiro filme. Mas esse filme não consegui engolir. A historia é toda cheia de remendos, você não vê uma motivação real, algo realmente especial. São pequenas coisas que juntaram para tentar fazer um enredo de um filme grande. Não deu certo. Todos os pontos no enredo foram mal utilizadas, com exceção na volta ao tempo, que fez sentido e foi bem explicada. Colocaram um pouco de empoderamento feminino, relação de família, questões de manicômio, romance e independência na história fora dos pais das maravilhas. Mas tudo isso foi muito jogado, como forma de fazer uma média para o publico.

Ah, vocês gostam de Alice doidona? Toma uma cena dela no manicômio pra ficarem felizes!

alice-atraves-do-espelho_2016_02Faltou historia! As obras de Alice tem várias referencias, é tanta loucura e pequena referencia nos livros que você tem liberdade para seguir para qualquer lugar. Então eu não fico chateada quando não seguem a risca. Mas simplesmente eu vi uma tentativa de fazer dinheiro bem bonita, não vi um filme com história.

Existem algumas referencias aos livros: o espelho, o Humpy Dumpy, o tabuleiro de xadrez, o Tempo amalçoando a hora do chá. Mas poderiam ter colocado todos os personagens originais que ainda não ia conseguir salvar o enredo pobre que foi utilizado.

Alice cresceu, gostei mais da atuação de Mia nesse filme. No anterior ela parece bem perdida em como proceder. Aqui ela está mais familiarizada, porem continua sem muito tempero. A Rainha Vermelha, interpretada pela Helena Bonham Carter, está engraçada e eu gostei dela. Gostei da relação dela com a Mirana, Anne Hathaway, apesar de achar um pouco forçado demais. Mas enquanto Iracebeth está com média, Mirana está com notas vermelhas. Sua atuação assim como do Chapeleiro está extremamente forçada. Quase que caricata.

alice-atraves-do-espelho_2016_03Então temos o Chapeleiro e sua motivação mais sem pé nem cabeça. Ele está triste porque acha que sua família ta viva, e fica tão triste que quase morre. Sério mesmo? A atuação de Johnny Depp está muito robótica, chega a ser bem ridículo. A maquiagem que colocaram na cara dele foi tanta que você perde uns bons 5 segundo tentando encontrar uma pessoa por trás de tanta base. E quando vemos sua família, surpresa, parece que adotaram o pobre Tarrant (Que descobrimos ser o nome dele) de tão diferentes. São pessoas normais e comuns, o que foi muito decepcionante.

E é ai que poderiam ter buscado inspiração nas obras originais, nos livros, o chapeleiro só é louco em referencia aos chapeleiros da época de Lewis que usavam uma substancia que os deixavam doidos. Eu queria uma família toda de chapeleiros doidos.

alice-atraves-do-espelho_2016_05O destaque maior, foi o Tempo. Que sempre foi citado, porém nunca mostrado. Todos sabemos que Tempo sempre foi tratado quase que como uma pessoa nas obras. E aqui ele ganha forma e é interpretado por Sacha Baron Cohen. Ele tem personalidade, motivação e camadas de profundidade. Tem horas no filme que você gosta mais dele do que de Alice, que você torce para ele. Ele é misterioso, e você não sabe logo de cara se é do bem ou do mal. Mas sabe que ele é muito importante para o universo das maravilhas. Quase que um Deus.

alice-atraves-do-espelho_2016_01O filme esteticamente é lindo, você fica estasiado com cada cenário e animação. Com destaque para o castelo do Tempo, que é realmente deslumbrante e a casa da Rainha Vermelha. O 3D é realmente de fazer os olhos brilharem. Eu até vi referencia do jogo que tanto amo, Alice Madness Return.

Mas como forma de desfecho de tudo isso que poderia ser bom mas não foi, o final é tão clichê que você sabia. Se pausassem o filme no cinema e perguntassem, “Então Beatriz o que você acha que acontece?” Eu narraria o fim do filme sem saber.

Então entramos na questão, filmes infantis não precisam ser retardados para atraírem sue público! Eu pensei que nesse século a gente já tinha combinado que é muito ruim subestimar a capacidade de nossas crianças. E de nós mesmos, pois todo mundo sabe que não é só criança que assiste Alice. (Inclusive, não vi uma criança na sessão que eu fui.)

criancasVivemos num mundo de Divertida Mente, ToyStory e Shrek. Eu sinto ódio quando para explicar um filme fantasia rum dizem “é para crianças”. Gente, mas isso não pode, eu sou uma eterna criança e estou aqui pra dizer que isso não é desculpa. As crianças gostam de coisinhas meio bestas sim, mas isso não segura nenhum filme. A gente precisa de história, e existem sim ótimos roteiristas prontos para dar uma historia fantástica para adultos e crianças com leveza e carga critica.

No fim eu aconselho você a assistir depois, sem gastar muito. No final de tudo senti que aconteceu um amaldiçoamento dos roteiristas para o filme. O que é um pecado, poderiam ter feito isso com qualquer filme mais superficial, que não tem o que explorar. Mas não com Alice.

Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass. 2016)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Don Juan Demarco (1994). Romantismo e Loucura…

don-juan-demarco_1994_capaPor Cristian Oliveira Bruno.

Romantismo e Loucura em uma Adaptação Fora dos Padrões

Com o auxilio da produção de Francis Ford Coppola, o roteirista Jeremy Leven (Diário de Uma Paixão; Gigantes de Aço) se aventurou pela primeira – até onde me lembro, única – vez no comando de um filme lá no longínquo e rico ano de 1994. Sua adaptação do clássico de Lord Byron, Don Juan Demarco, possui toda uma identidade própria e aposta num tom de comédia romântica das boas para conduzir uma narrativa extremamente lenta, baseada apenas em diálogos, mas que divertem e encantam na maior parte do tempo.

don-juan-demarco_1994_01Marlon Brando interpreta o Dr. Jack Mickles, psiquiatra de um instituto para pessoas com distúrbios mentais que, a dez dias de se aposentar, salva um misterioso jovem antes que este cometesse suicídio. Este jovem (Johnny Depp) acredita fielmente ser Don Juan Demarco e um trato faz com o Dr. Mickles – quem ele acredita ser Don Octávio da Silva, tio do de Don Francisco, o único homem que pode lhe conceder uma morte honrosa – que consiste no seguinte: se nestes dez dias ele não convencer o Dr. Mickles de que realmente é Don Juan, ele aceita submeter-se aos medicamentos e ao tratamento. Do contrário, pede o aval para ir embora.

don-juan-demarco_1994_02À medida que as sessões vão acontecendo e o jovem vai contando sua fantasiosamente absurda e igualmente apaixonante história, o Dr. Mickles começa a reavaliar sua vida e os rumos que ela tomou e acaba por indagar-se: o que houve comigo? Cadê aquela paixão de outrora? Será tarde de mais para retomar os trilhos e viver tudo o que eu sempre quis?Será que meu mundo é tão diferente do deste jovem, ou será que só vivo uma fantasia da felicidade? Embora saibamos, assim como os personagens, que aquele garoto não é Don Juan, é quase impossível não ser tocado pela paixão na sua voz. Uma pessoa capaz de enxergar beleza em tudo e em todos seria mesmo assim tão louca, ou só teria uma visão diferenciada das coisas? E a relação entre as histórias mirabolantes de Don Juan e as experiências de vida do Dr. Mickles começam a afetar o psiquiatra de uma maneira positiva, fazendo com que, inclusive, redescubra uma maneira de olhar para sua amada companheira como não fazia há um bom tempo nestes últimos 32 anos.

don-juan-demarco_1994_03Porém, fica evidente que aquele jovem sofre de um trauma gravíssimo, o qual o Dr. Mickles encontra uma barreira que o impede de acessar: a imagem fixa que ele tem de seus pais. Mesmo com a distorção dos fatos, algumas peculiaridades são percebidas, como a possível infidelidade de sua mãe e a trágica morte de seu pai. Aliás, há um belo momento, após Don Juan contar sua versão da morte de seu pai, percebemos os olhos do Dr. Mickles cheios de lágrimas e a câmera de Leven percorre a sala e encontra várias fotos do personagem com seu pai. Nada mais é dito, pois não é necessário. Um belíssimo momento muito bem dirigido por Leven.

Do meio pro final, Don Juan Demarco (o filme) assume de vez seu lado fantasioso e inverossímil, inclusive optando por um desfecho improvável que serve para ressaltar seu romantismo. Quem conseguir entregar-se ao filme e sua magia, com certeza terá uma experiência doce e muito bonita. É uma bela pedida contra as adaptações enfadonhas que vemos aos montes por aí.

Nota: 7.0.
Don Juan Demarco (1994)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012)

Desde que eu vi um dos primeiros teasers já fiquei na maior expectativa. Querendo muito ver toda a história contada pelo genial Tim Burton. Como também a performance de Johnny Depp, prometia. Enfim o filme chegou por essas praias. E… Peguem a pipoca no tamanho grande, pois não desgrudarão os olhos da tela. É diversão garantida!

Vi numa entrevista na tv que o filme foi baseado numa antiga Série de tv. Como eu não a conheço, vou me ater ao filme em si. Tim Burton contou, e muito bem, a história da Família Collins. Só pecou num único detalhe, que eu contarei qual é mais adiante. O filme “Sombras da Noite” foi muito bem construído. Fazendo certas homenagens a outros filmes numa ponte entre os de Terror com as Paródias a esses. O que não deixa de ser um show à parte: um quiz para identificar que cena lembra a tal filme. Não querendo estragar a brincadeira, mas deixo um: “O Exorcista” (1973), por exemplo. Se é com alta dose de humor, será fácil matar essa charada. Além da cena clássica desse, uma outra me fez lembrar, mas de um outro filme mais recente, o “A Morte lhe Cai Bem” (1992), pela performance da Meryl Streep, que me fez pensar se uma outra atriz mais tarimbada teria também dado um show em “Sombras da Noite“. Pois nesse aqui, foram outros dois personagens que brilharam.

São pequenas homenagens que abrilhanta a trama, pois afinal, essa Família não tem nada de comum.

Há cenas que me fizeram lembrar do Vovô da “Família Monstro” quando ele tentava dormir em alguns lugares inapropriados. E segue por ai as referências a outras obras. Mas ainda no campo dessas homenagens, Tim Burton não esqueceu de, em vez de lembrar, trazer um ator dos Clássicos do Gênero. Tim deu um personagem para Christopher Lee, que já participou de outros filmes dele. Mesmo num pequenino papel, um grande ator quer é mais continuar atuando. Valeu, Tim!

O filme “Sombras da Noite” vem em dois atos. Ou seria em três? Por conta do final que deixa um gancho para uma continuação.

Há um prólogo, contando o início de uma família inglesa em solo americano, no ano de 1752. Tendo gostado, e prosperado, por lá resolveram morar, construindo uma imponente mansão. O lugar, por ter se tornado um importante porto de pesca graças a essa família, ganha o nome de Collinsport. E a mansão, de Collinswood.

Numa virada de tempo, com os filhos já crescidos, um deles passa a ser cobiçado por corações femininos. É o então personagem de Johnny Depp: Barnabas Collins. Mas que só tinha olhos para uma jovem. Acontece que uma das preteridas, uma das criadas da mansão, não deixará barato. Tendo ai o início de uma briga secular. Ela é Angelique, personagem de Eva Green. Onde para mim Tim Burton errou na escolha dessa atriz. Pois ela deixou escapar um importante papel: o de vilã dessa história. Mesmo na cena de uma transa ao som de “You’re the First, the Last, My Everything”, de Barry White, cena essa que ficará na História do Cinema, mas o brilhou ficou mesmo com o “partner” e os efeitos especiais. Teve momentos que ela me fazia lembrar da Anne Hathaway. E quando isso acontece, já são pontos a menos para a atuação. Além do que, não esteve à altura da performance de Depp. Esse foi fenomenal!

Após uns rounds, Angelique põe o belo príncipe para dormir, mas diferente do Conto da Bela Adormecida, ele vira um vampiro e Collinsport continua viva, não “adormece” com ele.

Passando então para o segundo ato, que na verdade é quase o filme por inteiro. Nessa passagem de tempo, Collinsport se encontra no ano de 1972. A cidade prosperou. Em contrapartida, a mansão entrou em decadência.

Junto com ela, os membros da Família Collins: a então nova matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer); sua adolescente e rebelde filha, Carolyn (Chloë Moretz); um irmão que tenta manter uma pose de lorde, Roger (Jonny Lee Miller), com seu filho David (Gulliver McGrath), que todos acham que pirou após a morte da mãe.

Morando também na mansão: – Há dois empregados: o faz tudo Willie (Jackie Earle Haley), que depois será um mordomo para o Barnabas; muito boa a cena onde ele escuta e canta “The Lion Sleeps Tonight”, de The Tokens. E uma senhorinha cujas cenas são hilárias depois com o Barnabas de volta à mansão, nas que ele tenta dormir; merecendo também o registro do nome da atriz: Ray Shirley. Ainda na residência dessa estranha Família, uma convidada que fora contratada para tratar do pequeno David, mas que acabou por lá ficando: a Dra. Julia Hoffman, personagem da Helena Bonham Carter. Uma Psiquiatra, diria que “aditivada”. Uma outra jovem chega à mansão, e que será a governanta do David. É Victoria Winters (Bella Heathcote), que ao longo do filme vamos conhecendo a sua história, e porque foi parar ali. Só a Dra. Julia que não morreu de amores por Victoria.

Além de Depp, outras das excelentes performances foram com as atrizes Michelle Pfeiffer e Helena Bonham Carter. Excetuando Eva Green que eu daria uma nota 6, aos demais, estiveram ótimos.

Cenário, Maquiagem, Figurino, Fotografia, Efeitos Especiais, além claro desse trio primoroso – Direção, Roteiro e Trilha Sonora -, dariam ao filme uma nota máxima. Mas… Pelo o que já contei acima, darei nota 8. E o personagem do Depp deixou uma vontade de vê-lo num Number Two.

Então, é isso! Peguem a pipoca, pois terão diversão garantida!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012). EUA. Direção: Tim Burton. +Elenco. Gênero: Comédia, Fantasia. Duração: 113 minutos. Baseado em Série de Tv.

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011)

Eles sabem o preço de tudo e o valor de nada.” (Oscar Wilde)

Primeiramente eu diria que se faz necessário buscar na memória as aulas de História sobre a década de 60 (Surgimento do Feminismo, dos Movimentos Civis em favor dos Negros e dos Homossexuais, a Contracultura, a Revolução Cubana com Fidel Castro, os Hippies, a Guerra Espacial, o assassinato de John F. Kennedy…), como também é válido lembrar das aulas de Geo-Política. Já que estamos falando de Porto Rico, que ainda se mantém ligado aos Estados Unidos como ‘Estado Livre Associado’, e cuja localização era um importante ponto econômico-militar no Caribe para o Tio Sam. Como também, pela beleza natural do Caribe, a especulação imobiliária é como achar uma arca de tesouros. Vimos essa parte, mas em outra “colônia” do Tio Sam em “Os Descendentes“. Digo isso que assim poderão absorver melhor o filme “Diário de um Jornalista Bêbado“.

Por se tratar de período e local dessa história. Onde entre uma golada e outra, o Roteiro do também Diretor do filme, Bruce Robinson, traz muita informação histórica. Claro que em pequenas doses. Mas que deixaram uma vontade de ler o livro, “The Rum Diary“, do jornalista Hunter S. Thompson, o qual o filme foi baseado. E que para entender um pouco mais do personagem principal, também se faz necessário algo da realidade de Thompson. É que ele foi um criador de um estilo denominado Jornalismo Gonzo: em seus artigos há uma total liberdade em narrar um fato, intercalando ficção e realidade, colocando seu parecer. Um jornalista cronista. Nada imparcial. No filme “O Solista” se tem uma ideia de que Thompson realmente fez escola!

Então, por conta disso a ida do personagem principal para Porto Rico caiu como uma luva para uns investidores do ramo hoteleiro. Ele é o jornalista Paul Kemp, vivido por Johnny Depp. Kemp abandonou a Big Apple. Queria Rum, Mulheres e liberdade para escrever do seu jeito as crônicas do dia a dia. Muito sagaz, em seus momentos sóbrios, por tudo aquilo que vê, quase prefere voltar a ficar ébrio por mais tempo. Ciente de que para levar a vida ao seu estilo, precisará de alguém que banque.

Kemp ao largar tudo em Nova Iorque, nem imagina o que vivenciará em Porto Rico. Na bagagem, levará o seu talento para escrever. Aceitando um emprego num jornal local, vai com a cara e a coragem, mas só toma ciência do cargo já estando na ilha, e na presença do Editor-Chefe Lotterman. Personagem do sempre ótimo Richard Jenkins! Coube a Kemp a Coluna de Horóscopo e a de Turistas. Sem outro jeito, ele aceita.

Na Redação ele conhece o Fotógrafo Sala. Papel muito bem interpretado por Michael Rispoli. Houve uma química ótima entre esses dois. Como também há uma cena que entra para a História do Cinema no quesito: dois no volante. É hilária! Como só ela já pagaria em assistir esse filme. Se Kemp realizou o sonho de morar em Porto Rico, Sala mantém o sonho de ir para o México. Mas sem a coragem de largar tudo, vai levando a vida como pode. Kemp e Sala tornam-se grandes amigos. Companheiros também na esbórnia. Mas que os deixa como ‘Dom Quixote e Sancho Pancha’ porque um consegue frear o outro quando se faz necessário.

Sala apresenta a sua Porto Rico para Kemp: lugares e habitantes. É quando Kemp conhece outro jornalista etílico: Moberg. Numa magistral interpretação do Giovanni Ribisi. Ele quase rouba todas as cenas, só não faz isso porque chama a todos para o pódio. Sem querer, Moberg fará com que Lotterman “promova” Kemp. E sem ter planejado, Kemp tem o seu talento também cobiçado por Sanderson. Personagem Aaron Eckhart, que não faz feio, mas pelo personagem poderia ter voado mais alto.

O Grupo de Sanderson quer construir um grande Hotel, aliás, dois. Um, para a Elite. E o outro para os Turistas de Classe Média. Esses, só ficam mesmo no perímetro do Hotel. Têm medo de saírem pelas ilhas, por acharem perigoso. Em parte é! Já que são vistos como os brancos colonizadores. Que lhes tomam o belíssimo litoral.

Kemp vai tentando levar os “dois patrões”, até porque ainda não conseguiu encontrar o tom certo em seu texto. Ele quer ouvir a sua voz interior. Mais uma vez, será Moberg que o levará a isso. Pelo jeito, naquela ilha encantada, entre vudus e muito rum, existe um anjo da guarda um tanto quanto torto. Mas com tanto imprevistos, Kemp não contava por um: o se apaixonar pela mulher de um dos seus patrões, o Sanderson. Ela é Chenault, personagem de Amber Heard. Loura e linda, será disputada por dois galos de brigas: Kemp versus Sanderson. E será uma briga feia! Por fim, a Voz é ouvida. Lhe dando munição para lutar contra os que fazem parte do Sistema, a quem Kemp chama de ‘Bastardos’.

O “Diário de um Jornalista Bêbado” está todo amarradinho. Conseguindo mostrar, e sem entediar, a passagem de Paul Kemp por Porto Rico. Para alguém que só trouxe como bagagem um talento ainda adormecido, ele cresce como pessoa e no campo profissional também. Johnny Depp está excelente! Seu Kemp é único. Muito bom quando um ator consegue diferenciar todos os personagens. Ainda mais que estando no Caribe poderia ter escorregado para o seu Jack Sparrow. Great!

Então é isso! Com um elenco afinado. Paisagem belíssimas. Trilha Sonora à altura da obra. O filme cumpre a sua missão, de entreter, e de querer rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011). EUA. Direção e Roteiro: Bruce Robinson. Elenco: Johnny Depp, Richard Jenkins, Giovanni Ribisi, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Amaury Nolasco, Karen Austin, Marshall Bell, Andy Umberger, Bill Smitrovich. Gênero: Aventura, Comédia, Drama, Romance. Duração: 110 minutos. Baseado no romance homônimo de Hunter S. Thompson.

Curiosidades:
» Bruce Robinson rodou o filme em 2009, em Porto Rico.

Inimigos Públicos (Public Enemies. 2009)

inimigos-publicos_2009Indo apenas pelo título, e pensando nos tais ‘atos secretos’ do nosso Senado, ficaria a impressão de que seria um documentário sobre eles. Piadinha podre, mas foi irresistível.

Claro que um filme estrelado por Johnny Depp ganha muita divulgação, assim já ficamos ciente da trama principal. E ele merece os holofotes! Por mostrar que é mais que um rostinho bonito. Que já está no patamar dos grandes atores. Daqueles que cada papel é único. Que por mais que o personagem anterior ainda esteja vivo na memória, tão logo começamos a vê-lo atuando com o recente, o outro se dissipa.

Mas não foi apenas o Depp que me motivou a assistir esse filme – Inimigos Públicos -, teve também em saber como mostrariam o início do FBI (Federal Bureau of Investigation). E não iriam mostrar esse início com um final desfavorável para eles. Assim, não há surpresas com o destino dos homens procurados. Nosso interesse fica em como chegaram a eles.

Se em plena década de 30 já utilizavam escutas… dá para imaginar o que usam atualmente nas investigações com todo o avanço tecnológico que há. Se o que querem são resultados, então não existe limites para consegui-los. Se posicionam-se como em estado de guerra, mais do que ‘Recolham os suspeitos de sempre!‘, também entram nessa dança: familiares, amigos, colaboradores… Se estão como numa guerra, às investigações por métodos racionais cedem a vez também para as torturas.

Esses homens procurados concentram-se em Chicago. Ali, são acobertados por um sistema corrupto. O que faz querer levá-los para serem julgados em outro estado. E são até levados às celas, mas acabam fugindo. John Dillinger (Johnny Depp), pelo carisma, pelo atrevimento, ganha o status de inimigo público number one. Sempre encontra meios de fugir. Por assaltar bancos, ganhou a simpatia do povão que sofre com a recessão.

Acontece que J. Edgar Hoover (Billy Crudup) quer, e muito, que o seu Departamento exerça um poder nacional. O que o leva a importar bons policiais. Um deles é o policial Melvin Purvis (Christian Bale). Usaram mais o olhar de Bale, para dar uma frieza maior ao seu personagem. Mas na cena onde se postou de frente ao Cinema, a mim, ficou a impressão que estava esperando seu par para irem dançar na Estudantina. Voltando ao Purvis, ele quase abandonou a caçada, por conta das baixas em seu contingente. Para continuar, pede por mais policiais, e de outros lugares.

Como o FBI, estava querendo mostrar serviço, nessa história, foram mesmo em cima de Dillinger e seu bando. Quanto aos policiais corruptores, deixaram para uma outra história.

Com as baixas também do lado de Dillinger, como também com o cerco se fechando, ele bem que poderia fugir.

Fugir… Adivinhem para onde ele queria ir morar? Affe! Bem que poderiam escolher outro lugar nesse roteiro. Mas… por conta dos pizzaoilos na política… o estigma que Bigs jogou no Rio de Janeiro, pelo jeito ganhou novo combustível.

O que reteve Dillinger de fato nos Estados Unidos, foi ter se apaixonado. Por Billie Frechette (Marion Cotillard).

Foi algo meio machista, como também um tanto frio, mas tenho que concordar com uma fala: ‘_Para isso, inventaram as prostitutas‘. Numa de que, quem escolhe levar esse tipo de vida, deveria evitar uma relação a dois mais séria, porque pode mantê-lo preso ao local, como deixá-lo vulnerável.

As atuações estavam de acordo com a época. Meio caricato, mas nada que comprometesse muito.

A trilha sonora foi muito bem escolhida. Com a Diana Krall atuando cantando.

O filme usou muito mais o período noturno para o cerco. O que fez o espetáculo dos tiroteios. Agora, houve uma dessas cenas, que me fez lembrar do que escrevi sobre o filme ‘Moscou em Chamas‘. A cena em questão era: de um lado, um dos procurados, com uma metralhadora em ação. Do outro lado, o Agente Purvis, também atirando, mas com uma pistola. O da metralhadora, caído, com o corpo já crivado de balas. Então, a câmera se posiciona por trás dele, mostrando que o Agente está bem próximo, de pé, e sem nenhuma bala. Nessas horas, dá até vontade de dizer: ‘_Milagre! Aleluia!‘ Assim, foi irresistível não rir. É! Eu realmente não entendo de armas.

O filme é bom. Agora, revê-lo? Só se for para tentar descobrir o nome da música que o Dillinger canta numa das fugas, enquanto guiava. Ah! Em destaque: a cena de Dillinger dentro da sala onde se concentravam as investigações sobre ele. É ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Inimigos Públicos (Public Enemies). 2009. EUA. Direção: Michael Mann. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, História, Romance, Policial, Thriller. Duração: 140 minutos. Baseado em livro-reportagem de Bryan Burrough.

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

sweeney-todd-the-demon-barber-of-fleet-streetUm homem retorna a Londres após 15 anos de ausência decidido a se vingar daquele que o enviou para longe sob falsas acusações, com o objetivo de roubar sua esposa e sua filha.

Muito bom.

Tim Burton consegue mais uma vez nos prender pelo tom sombrio da obra e a beleza estética.

O humor negro é razoável – acho que foi dosado em meio ao drama (prevalecência), não poderia ter sido diferente num contexto de ópera. As músicas acertam o tom e por menos melodiosas que sejam (ninguém sai com elas na cabeça), traz um encaixe perfeito a cada cena triste ou tétrica. Penso que Burton tenta buscar exatamente imagem em detrimento de narrativa ou diálogos. As imagens e expressões falam por si só. Não acho que é falta de talento para a narrativa, é opção de dar peso aquele quesito.

Ah, Depp se saiu bem como cantor, apesar de ser bem mais talentoso em interpretação. É incansável o talento desse ator. E Bonham Carter, conseguiu minha simpatia mais uma vez, por seu tipo multifacetado, bem parecida com Depp.

Já o casalsinho 20, teria sido menos cansativo se a menina tivesse puxado a personalidade do pai rsrsrs. Piegas um pouco além da conta esse contexto.

Filme nota 9,0, pelo desenvolvimento melhor do roteiro; e de certas pieguices, perdeu 1,0 ponto no quesito. Apesar de Depp ser meu ator favorito atualmente.

Por: Tita R. P.   Blog:  Na Tela.

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street). 2007. EUA. Direção: Tim Burton. Elenco: Johnny Depp (Sweeney Todd / Benjamin Barker), Helena Bonham Carter (Sra. Lovett), Alan Rickman (Juiz Turpin), Timothy Spall (Beadle Bamford), Sacha Baron Cohen (Adolfo Pirelli). Gênero: Crime, Drama, Musical, Thriller. Duração: 116 minutos. Baseado num Musical da Broadwway.