Louca Obsessão (Misery. 1990)

É incrível como os filmes baseados nas histórias de Stephen King que não são do seu gênero mais conhecido, o horror, são de uma qualidade impressionante. Temos vários exemplos, como “A Espera de Um Milagre”, “O Aprendiz”, “Um Sonho de Liberdade”, “Eclipse Total” e “Louca Obsessão” – todos excelentes e sem precisar valer-se de criaturas ou demônios da escuridão.

Os dois últimos desta lista foram interpretados pela magnifica Kathy Bates, sendo que neste último sua interpretação foi tão suprema que lhe valeu o Oscar de melhor atriz, além de um Globo de Ouro. Também não é para menos: o que Bates faz em “Louca Obsessão” é semelhante ao que Jack Nicholson faz em “O Iluminado” – uma aula de variações de expressões que traduzem perfeitamente o sentimento da personagem, que varia da tranquilidade para a insanidade em questão de poucos segundos.

A história não tem nada de mais: um escritor famoso por uma série de livros envolvendo uma personagem chamada Misery deseja escrever o último episódio. Ao se retirar com o manuscrito, acaba por se envolver em um acidente de carro num local distante.

Annie Wilkes, uma moradora das redondezas, socorre o escritor, que está bem debilitado, e passa a cuidar dele. Quando acorda, ele se encontra na cara de Wilkes, que se apresenta como enfermeira e fã número de sua personagem Misery. Devido à tempestade de neve que está caindo, ela fica impossibilitada de leva-lo para o hospital, então resolve trata-lo ali mesmo.

Tudo parecem flores para o escritor, que até então vinha sendo muitíssimo bem tratado até que Wilkes lhe faz um respeitoso pedido: que pudesse ler o manuscrito de Misery. Como forma de gratidão, o escritor consente sem nem imaginar os problemas que isto iria lhe trazer.

Logo nos primeiros capítulos, Wilkes fica possessa com o vocabulário chulo de Misery, porém quando ela descobre que a protagonista morre no final do livro é que a mulher se converte numa figura pior que o próprio diabo: tem início o terror psicológico e a tortura física que irá impor ao seu convidado.

Com momentos extremamente tensos e aterrorizantes, provenientes de situações inesperadas, “Louca Obsessão” tem um resultado muito acima da média do gênero, fruto dos diálogos bem construídos somados com as interpretações magistrais de Bates e de James Caan. Outro filme imperdível que não pode ficar de fora.

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Pronta para Amar (A Little Bit of Heaven. 2011)

Amei! Chorei baldes, mas com brilho nos olhos o tempo todo porque a estória é cativante. Também porque me identifiquei em alguns pontos com a protagonista. Principalmente pelo jeito irreverente dela. Espirituosa. Que ri da própria sombra. Tão alegre que escolhe para ser seu Deus, a atriz e comediante: Whoopi Goldberg. Só por essa escolha já seria motivo para ter amado “Pronta para Amar” (A Little Bit of Heaven. 2011), a ponto de querer rever outras vezes. Mas tem mais!

Começo então pela protagonista: Kate Hudson. Ela fez cada solo magistral. Antes do filme, me peguei a pensar se ela seria uma versão masculina de “Tudo por Amor” (Dying Young. 1991), mas nesse aqui, o “Acorda!” veio da sua personagem, Marley, alguém já em fase terminal. Claro que é uma estocada no peito alguém com tanta vontade de viver, ter de sair da vida ainda jovem. Mas a sua personagem nessa sua redenção final, leva aos que lhes são mais próximos repensarem em suas próprias vidas. Como estão levando. Como também em como ficar ao lado de alguém querido, mas com pouco tempo de vida. Como lidar com inevitável: sozinha ou com pessoas a volta? E outros questionamentos mais. Sem esquecer é claro que um filme também é para entreter. Nesse quesito, esse filme também é excelente!

Marley estava galgando postos mais altos em sua carreira de publicitária. Além de talentosa, tinha um olhar clínico para perceber dos demais. Seu lado pessoal era meio solitário, mas até então feliz com a companhia de seu cachorro, o Stanley. Se fechara ao amor, aos relacionamentos mais longo; ao longo do filme ficamos sabendo o porque. Parece que isso também vem agregado ao destino como num: aproveite a vida, irá sair dela cedo. Acontece que, se isso não estava bem resolvido, teria que passar a limpo. O que nos remete às suas conversas com o seu próprio Deus. Divertidíssimos esses papos: Kate e Whoopy estão ótimas! Que no fundo, não deixa de ser um tête-à-tête consigo mesma: se ela é uma pessoa divertida, seu “eu” mais íntimo também seria.

Como também nos leva aos títulos: o original – A Little Bit of Heaven -, e o dado aqui no Brasil: “Pronta para Amar“. Quando se chega na cena onde o título original aparece, é bem engraçada. Mas se ela estaria indo morar de vez no paraíso, porque não viver, sentir um pouquinho dele nesses seus últimos dias de vida. É quando Marley recebe outra ajuda, sendo de que essa, de alguém real. Ou seria um anjo da guarda no mesmo estilo do Deus escolhido!? Sendo ele agora alguém sacana, mas pela irreverência, e um cara do bem. Ele, o Vinnie (Peter Dinklage. Um Emmy em 2011), lhe mostra que ela está pronta para amar. Que deve buscar pelas circunstâncias. Mas também o título daqui sugere que ela está pronta para reconhecer que no fundo sempre amou a mãe, e que quer amar seu pai. O que demonstra ser aceitável o título nacional. Mas o original é de fato sensacional!

Quem se toca de que Marley está murchando literalmente para a vida, é sua amiga Sarah (Lucy Punch, de “Professora Sem Classe“). Intrigada, vai fazer exames. É onde conhece o tímido Doutor Julien (Gael García Bernal). Mais do que uma empatia entre os personagens em cena – deu química entre Gael e Kate -, seu ótimo desempenho me fez querer rever um outro com ele, o “Jogo de Sedução” (Dot the I. 2003). Julien tem também como fator a superar, o fato de não poder se envolver com uma paciente. Mexicano, vê como presente do céu, ter sido escolhido para a equipe de um renomado oncologista do Estados Unidos: Dr. Sanders (Alan Dale). E esse faz marcação cerrada. Assim como Marley, Julien também está em ascenção na profissão amada: e no caso dele, tem um futuro pela frente. E para deleite nosso, Marley e Julian irão se revezar entre “criador e criatura”.

Marley também teria que zerar as rusgas com seus pais: Beverly (Kathy Bates) e Jack (Treat Williams). Uma mãe presente demais, com um pai ausente demais. Para os três, uma tomada de decisão visceral. Até porque pela ordem natural da vida, não é com pais enterrando filhos. São cenas que me levaram do riso às lágrimas. Comoventes, mas na medida certa. Não deixa de cair dos céus um tempo para pendências como essa! Sou fã da Kathy Bates, para mim ela está sempre brilhante. E nesse, ela e a Kate deram um show! Treat Williams também não fez feio, como também vale muito a pena vê-lo em “O Primeiro da Classe” (Front of the Class. 2008).

Não era só com o Stanley, que Marley dividia suas horas de folgas até então: tinha os amigos e uma menininha filha de uma das amigas, a Renee (Rosemarie DeWitt), que está grávida. Mais que atestar que é o ciclo da vida seguindo em frente – um morre, outro nasce -, Renee viverá o empasse de não estar pronta para vivenciar isso ao mesmo tempo. Se dói nela, que dirá em Marley. Quanto à Sarah, estará em segurar a onda de que sem querer, levou Marley saber da doença. Mas que deu a Marley um tempinho para também aproveitar bem esse pouco tempo. E com o amigo Peter (Romany Malco), a dor pela perda será compensada por mesmo sem querer, levar Marley a conhecer um “pedacinho do paraíso”.

Pronta para Amar” tem como cenário a bela cidade de Nova Orleans. O que nos remete a uma Trilha Sonora maravilhosa. Ambos, Fotografia e Músicas, como coadjuvantes de gala nesse filme até o final. Final esse que me fez pensar: “Quero o meu assim!” E meus aplausos calorosos também para a Direção de Nicole Kassell! Um filme nota 10! Que me levou a desejar que não terminasse logo.

Minhas lágrimas desceram sim em profusão, mas de um jeito lívido. Por ser Marley também como eu, alguém super de bem com a vida, mesmo quando a vida nos atropela de um jeito irreversível. E o filme também é mais um a mostrar aqueles que levam a vida tão a-ferro-e-fogo, que ninguém sairá vivo dela. Sorria para a vida!

Ah! O filme também traz uma simulação de orgasmo que entrou para meu Top Ten. Não deixem de assistir esse filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Pronta para Amar (A Little Bit of Heaven. 2011). Direção: Nicole Kassell. Roteiro: Gren Wells. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 106 minutos.

Dizem Por Aí… (Rumor Has It… 2005)

Com um tempinho chuvoso, ligo a tv e no Guia um título chamou a minha atenção. Curiosa, fui olhar mais informações sobre o filme. Ali mesmo, era só teclar mais um botão no controle remoto. Numa de curtir um momento preguiçoso, em vez de cair no sono, o filme me cativou. Dai trouxe-o para vocês, mas terá alguns spoilers. Foi inevitável. Mas nada que vá tirar o prazer em ver o filme. Em ver ‘Dizem por aí…

Foi o nome do Diretor me fez de imediato querer ver o filme. Ele é o Rob Reiner. Reiner tem um jeito todo especial de falar sobre relacionamentos entre pessoas que de certa forma passam por algum momento junto. Seus filmes podem não atrair milhões de espectadores, mas seu público meio que segue seus filmes com carinho. Sendo que alguns ficam em nossa memória cinéfila, nem que o mote maior tenha sido mais por uma cena em especial. Como exemplo: é dele a cena onde Meg Ryan simula um orgasmo em pleno restaurante, no filme ‘Hally & Sally‘. Mesmo com um certo glamour, mostrando pessoas de uma classe média dos Estados Unidos, suas estórias mostram situações comuns em todas as classes sociais, e em outros lugares. É em ‘Hally & Sally’ que temos uma das frases mais românticas que alguém pode ouvir daquele que muito ama, uma verdadeira declaração de amor:

Eu vim aqui hoje porque quando você se toca que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes.”

Claro que os nomes no elenco também eram um belo convite: Shirley MacLaine, Richard Jekins, Kevin Costner, Jennifer Aniston, Mark Ruffalo e a sempre maravilhosa mesmo em uma participação pequena Kathy Bates.

O filme faz uma brincadeira muito gostosa. Que acredito fazer parte do imaginário de muitos Diretores: contar o que aconteceria a mais num dos Clássicos. E Rob Reiner escolheu ‘The Graduate‘. Ficamos sabendo disso logo no início do filme. Quem nos conta é Sarah, a personagem da Jennifer Aniston. Ela vem a ser a neta daquela que inspirou e se tornou a Sra. Robinson, do Livro e depois do Filme. Quem faz a sua avó é Shirley MacLaine.

Sarah está indo com o recente noivo (Mark Ruffalo) assistir o casamento da irmã caçula. Ela não entende a calma da irmã às vésperas do matrimônio. Como também a sua própria reação no momento do pedido. Ficara muito aquém do que idealizara.

Será que só quem ouve os sinos tocando são as personagens dos filmes? Como saber se é mesmo com aquela pessoa que você quer para uma vida a dois? O que de fato fará o casamento não morrer com a rotina diária? Porque com o passar dos anos o convívio pode tirar a paixão ardente dos primeiros anos.

Não tendo a mãe enquanto crescia, Sarah se achava não pertencendo a sua própria família. Não se identificava com seu pai e com sua irmã. Achando que caíra de pára-quedas no seio daquela família. Dai, lhe veio a dúvida de ter um outro pai. Ainda como a somar nesses seus anseios, sua vida profissional não decolara. Jornalista em um grande jornal, mas escrevendo Obituários. Assim, tentando se achar, Sarah resolve investigar um mistério que ronda o passado de sua mãe. Tendo ela morrido quando Sarah era uma criança é com a sua avó que colhe as primeiras informações. Cruciais ou não, naquele momento era uma desculpa perfeita para se afastar também do noivo. Então ela parte…

Mulher pode tudo sim! Até em experimentar outros prazeres antes de tomar uma decisão tão séria: o “até que a morte os separe“. Mas desde que se desligue da relação atual. E isso vale para homens e mulheres.

Jennifer Aniston, a impagável Rachel em ‘Friends‘, tem feito muitas Comédias Românticas ultimamente. Com altos e baixos nesses filmes. Em ‘Dizem Por Aí…‘ a performance dela me surpreendeu. Creio que o mérito é o Diretor que tirou o melhor dela.

Os demais personagens estão bem, tanto em atuação como no contexto da estória. Assim, destacarei um deles, Richard Jenkins, que faz o pai de Sarah. Aquele que ela diz que não tem nada a ver com ela. Esse pai que criou as duas filhas praticamente sozinho. O filme também pode ser visto por esse ângulo: uma paternidade abraçada por amor e devoção as filhas. Uma única fala dele já traduziria tudo isso. Num dos questionamentos dela, ele responde:

“_Porque você estava dentro dele.”

A cena por si só, já emociona. Mas também faz uma bela homenagem a pais como ele.

Não é um filme que ficará memorável como ‘Harry & Sally‘, mas deixo a sugestão. Mas mais precisamente para um público que dá valor a um relacionamento duradouro; as relações que queremos que se perpetuem. Um bom filme. Que vale a pena ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dizem Por Aí… (Rumor Has It…). 2005. Austrália / EUA. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Ted Griffin. +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.

Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009

Sendo baseado num caso real, já seria uma grande motivação para ver ‘Um Sonho Possível‘. Mas nesse em especial, houve um aditivo a mais: o fato da Sandra Bullock ter ganho o Oscar de Melhor Atriz. Dos filmes listados para essa final de 2010, só tinha visto até então, ‘Julie & Julia‘. E… Um Oscar por esse personagem? Bem, tentando entender o porque do prêmio… Ela conseguiu não ser a Sandra Bullock. Não mostrou as caretas tão delas. Em ‘Crash – No Limite‘ ela já havia mostrado que sabe fazer um Drama, não apenas Comédias Românticas. Mas nesse ficou um pouco travada. Como a seguir à risca um manual. Muito embora não tenha me levado a pensar durante o filme se outra atriz teria feito desse personagem memorável. O que eu já defino como uma boa atuação.

Mas seria porque a personagem ou mesma a estória do filme soasse como americana demais? Isso ficou ainda mais nos meus pensamentos quando no final do filme apareciam fotos dos reais personagens dessa estória enquanto subia os créditos. As deles num show de tv com platéia me fez pensar no personagem da Ellen Burstyn em ‘Réquiem para um Sonho‘. Há por lá essa cultura de mostrar na tv a Família… Bem, pelo menos a desse filme aqui tinha de fato algo a ser mostrado.

Aprendemos em criança que uma boa ação não deve ser propagandeada. Mas a desse filme não teria como passar despercebida. Uma família lourinha resolve adotar um jovem negro. Em plena Mississipi. Palco de grandes tragédias por conta do racismo. Sendo uma Família da Classe Alta da cidade o fato em si não passaria despercebido. Não naquele local. E indo além um pouco: o mundo carece de mais oportunidades aos menos favorecidos. Dai um feito desse deve sim ser mostrado para que motive outros mais a fazerem coisas assim. Até porque também lembrei dessa frase do filme ‘O Declínio do Império Americano‘ (Filme esse que quero rever, sendo que dessa vez junto com ‘As Invasões Bárbaras‘.):

A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História. Isso significa, por exemplo, que os negros da África do Sul estão destinados a vencer um dia, enquanto os negros americanos, provavelmente, não conseguirão.

Parece cruel, mas de fato para muitos faltam uma oportunidade. Por menor que seja. Por vezes a própria mãe precisa tomar uma decisão: em salvar a vida de um filho. Em dar a ele uma chance de crescer com dignidade. Há um filme comovente nesse tocante: ‘Um Herói do Nosso Tempo‘. Há também quem receba tantas oportunidades que termina por não dar valor a nenhuma. E ainda culpar as circunstâncias, por não sair do lugar. Por não ter um norte.

Assim há de se pensar também que deveria haver algo mais em comum entre quem dá essa chance e quem a recebe quando ela consegue germinar. De cara vem que há um coração puro de ambos os lados. E é que parece que temos aqui, não apenas entre os dois – Leigh (Sandra Bullock) e Michael (Quinton Aaron) -, mas de todos na Família Tuchy: o marido, Sean (Tim McGraw); a filha mais velha, Collins (Lilly Collins); e o caçula, S.J. (Jae Head).

Michael pelo porte físico não seria alguém que passa despercebido. Levado por um dos namorados da mãe até um Colégio do lado rico da cidade para que façam dele um atleta. Pela força física o técnico (Ray McKinnon) resolve aceitar. Tendo que enfrentar o corpo docente de lá. Só uma Professora, Miss Boswell (Kim Dickens), que tal qual Leigh também acreditou que Michael poderia sair-se bem nos estudos. Leigh contrata uma explicadora, Sue (Kathy Bates). Que tenta repetidas vezes encontrar um meio dele assimilar os estudos. Já que dependia também de notas para se diplomar.

Algo que gostei de ver: se de um lado várias instituições educacionais estavam interessadas apenas no atleta, um Professor de Literatura (Tom Nowicki) ainda queria saber se ele aprendera bem sua matéria. E numa interpretação de um texto, ele mostrou que aprendera sim. Até em mostrar que tinha sentimentos nobres.

O título original – The Blind Side -, refere-se a um posicionamento dentro do futebol americano. Pela importância de um jogador que terá que defender um companheiro de time mesmo sem ver qual é ou em onde ele está. Terá que estar em sintonia com ele para que ele consiga avançar. Aquele que não vê, definirá partida. Não entendo nada desse jogo. Mas o que fica seria em acreditar em si próprio que será capaz de fazer algo, e grande, mesmo não tendo todo o conhecimento sobre tal ato. É cada um fazendo a sua parte, aquilo que sabe fazer e bem, para o engrandecimento da equipe. Quiçá do mundo. É essa superação de Michael que nos é mostrada. Leigh mostrou a ele que ele também fazia parte daquela engrenagem.

Por outro lado, ‘The Blind Side‘ também pode significar que ele veio do lado feio da cidade. Da periferia desassistida. Onde pobreza e miséria se fazem presente. Onde o crime alicia muitos jovens. Um lado que o outro lado rico nem quer ver. E que se faz necessário pessoas como a personagem da Sandra Bullock dar uma oportunidade para que cresçam com dignidade. Para que tenha a chance de ter uma profissão. E por que não: que eles se sintam amado. Que fazem parte de uma família estruturada. Que saibam também como impor o limite com respeito.

O filme emociona! Há momentos engraçados principalmente na maioria das cenas de Michael com S.J. Aprende-se um pouco do Futebol Americano. A Trilha Sonora está bem integrada ao contexto. É um bom filme. Mas com gosto de Sessão da Tarde.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009. EUA. Direção e Roteiro: John Lee Hancock. +Cast. Gênero: Biografia, Comédia, Drama, Esporte. Duração: 129 minutos. Baseado no livro ‘The Blind Side: Evolution of a Game’, de Michael Lewis.

CURIOSIDADE:
– Sandra Bullock levou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2010.

Por Amor (Personal Effects. 2009)

personal-effectsVão-se as pessoas, ficam os anéis

Mesmo o peso do filme focando nos objetos pessoais dos que foram mortos, é com o avaliar o peso desses bens que conta mais: se manterão ou se irão se desfazer desses bens herdados. Por conta do título nacional, eu definiria o filme numa única palavra: gratidão. Woody Allen abordou em ‘Annie Hall‘ esse se sentir grato por alguém numa relação, mas sem querer mantê-la baseado nisso. Se um ajudou o outro a se descobrir, ótimo! Agora, não é que por conta disso que ficará numa eterna dependência. Que não haja cobranças. Que ninguém se sinta obrigado a agradecer de um jeito que irá tolhir a si próprio.

Nesse o título nacional – Por Amor -, não traduz o que levou o jovem Clay (Spencer Hudson) a fazer. E não estou trazendo spoiler. Pois o filme começa com ele numa espécie de parlatório numa instituição penal. Ele de um lado do vidro e sua mãe, Linda (Michelle Pfeiffer), do outro. Clay conta o que escreveu para ela. Então o filme retrocede para que saibamos o porque de tudo.

É triste quando ele diz que morreu para o mundo no dia que nasceu. Por conta da surdez. E é aqui um dos motivos que falei do peso de se sentir grato a alguém. A ele não deram a chance de saber tudo o que fora descoberto depois. Faltou tempo para uma comunicação na linguagem dos sinais? A que ele entenderia? Ou faltou um olhar mais perspicaz? Pois Clay já dera um sinal: fizera um questionamento.

A gratidão dele, e de Linda também, era endereçada a Walter (Ashton Kutcher). E onde, ou como o caminho deles se cruzaram? Linda e Walter se conheceram numa Terapia de Grupo. Ele fora mesmo por insistência de sua mãe, Glória (Kathy Bates). Walter viu Clay na saída.

Em comum nesse grupo: perderam um ente querido. Linda tivera o marido assassinado por um colega. Numa das muitas noites de bebedeiras que ambos faziam. Além do vício da bebida, ambos gostavam de atirar. Clay viu o pai ser morto, só não pode escutar o porque. Se é que há um motivo para um amigo tirar a vida do outro. Se não estivessem armados… Se já sabiam que iriam beber as armas poderiam ter ficado em casa. Quer ser pela profissão, quer seja pela cultura de se ter armas, elas foram feitas para atirar. Logo, com todas as probabilidades de um tiro fatal.

Walter perdera a irmã. Ela fora assassinada de modo brutal. Com a notícia ele voltou a casa materna. Largando seu futuro profissional no esporte com um tipo de luta. Sem muitas opções, nessa volta vai trabalhar de garoto propaganda numa lanchonete. Fantasiado de galinha.

Agora o título original: Personal Effects = objetos pessoais. No filme, objetos daqueles que morreram.

No caso de Linda a arma do pai de Clay era o único bem que ele deixara. Por isso ela guardava. Mesmo que fosse uma peça de colecionador teria sido melhor tê-la vendido, e com o dinheiro arrecadado empregasse na formação do filho. Por aí. Pois não entendo o porque mantê-la em casa com um filho como o Clay. Era fechado demais em seu mundo. Sua revolta só fora canalizada por conta da ajuda de Walter. Foi quando ele se sentiu vivo pela primeira vez. Feliz. E por gratidão fez o que fez.

Me detive mais até aqui comentando sobre o Clay pois dos três fora o único que saiu perdendo. Perdeu a liberdade. E com tão pouco tempo em sentir que estava vivo. Sem uma arma em casa talvez encontraria outra forma de compensar a sua gratidão.

Walter na vida de Linda era como uma compensação do destino. Para alguém sem ambições, que estava satisfeita com a vidinha que levava, a entrada dele veio trazer algo novo. Além da terapia em grupo compartilhavam a sala de espera do Tribunal. Esperavam por justiça. Que aqueles que lhes tiraram seus entes queridos – marido de uma, e irmã do outro -, pagassem por isso.

Glória tenta dar um destino na coisas que a filha deixou. Faz uma venda de garagem. A cena emociona. Até a que Glória entende que o bem mais precioso que sua filha deixara fora a netinha. Mesmo num papel secundário Kathy Bates deixa a sua marca. Gosto muito das interpretações dela.

Por fim, caberia a cada um avaliar com o que seguiriam dali. Para um recomeçar mais leve. E ai sim, se seria por amor.

Um bom filme. Dou nota 8. Mas não me deixou uma vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Por Amor (Personal Effects). 2009. EUA. Direção: David Hollander. Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 100 minutos.

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)

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O nome Foi Apenas um Sonho soou pra mim como uma proposta altamente romântica da realidade conjugal. Mesmo fazendo a leitura da sinopse, o mal trato feito com a tradução do nome do filme no Brasil não dava margem para abstrair outro tema que não fosse somente mais um romancezinho… Não se trata de insensibilidade da minha parte – assisto e recomendo vários filmes que abordam romances conjugais… (a exemplo de Click e Um Homem de Família com Nicolas Cage)… Ocorre que particularmente sempre preferi uma abordagem mais realista e verdadeira da forma de fazer cinema, referindo-se “à vida como ela é” (pobre Nelson Rodrigues, que Deus o tenha)

No meu caso, me deixou realmente indignado o fato de eu quase ter sido enganado a não assistir o filme por julgar a trama inicialmente apenas pelo nome.

A escolha da tradução do nome do filme para o português é simplesmente CRIMINOSA e demonstra uma falta de respeito terrível com um público que é fiel ao estilo do filme… Deveria estar sujeito à demissão por justa causa essa gangue que tenta “adaptar” um nome qualquer para um filme com “objetivos mercadológicos” sem levar em consideração o significado correto que o diretor tentou passar com o nome verdadeiro do título.

Na minha opinião, essa maneira escusa de “vender” o filme pelo nome, só coopera para aniquilar a essência da trama, além de manipular o público a filtrar as escolhas do filme pelo nome através de um critério mesquinho (o que dá lucro) e maldoso.

Pois bem… ao contrario do que se pensa, a trama não fala somente de relacionamento conjugal, ele também aborda sobre escolhas e frustração pelo não realizável no sentido individual… Mostra também o retrato da personalidade feminina com maestria no tocante à sensibilidade da mulher e principalmente (sem exageros da minha parte) às variações de humor…Foi perfeito a maneira como o diretor retratou a personalidade da mulher, e não digo somente da personagem principal, maravilhosamente estrelada por Winslet.. a ultima cena do filme, além de ser hilária, conseguiu trazer um desfecho brilhante sobre o tema do filme… Muitas vezes é exatamente isso que faz um relacionamento se tornar duradouro, porque convenhamos, a arte da convivência muitas vezes é como um caminhar sem apoio numa linha tênue, onde não se enxerga o final da trajetória… Fiquei perplexo com a atuação de Dicaprio e Winslet…

Ao final do filme, logo se percebe que o nome Original do filme, Estrada Revolucionária, seria muito mais evidente do que esse nomezinho fajuto: Foi Apenas um Sonho… Para falar bem a verdade, o filme contrapõe totalmente em seu roteiro a concepção de que a história não passa de “apenas um sonho”… Muito pelo contrário, a única mensagem que poderia ser abstraída pelo publico é a percepção de que aquilo é a mais clara e explicita realidade dos casais que ainda não se separaram… Que Deus os abençoe!

Por: Magalhoeira.