A Corrente do Bem (2000). A Conta que Muda o Mundo (Cinema, Educação e Rede Social)

Por José Antonio Klaes Roig, do Blog Educa Tube.

Estava zapeando canais de TV, de noite, quando eis que paro justamente na cena acima do filme A Corrente do Bem, que já havia assistido tempo atrás, mas não com o enfoque educacional. Dessa feita, percebi o quanto é possível trabalhar cinema, educação e redes sociais através desta cena ou do filme como um todo.

A conta que pode mudar o mundo é bem simples, como na cena demonstra, mas para se atingir o resultado satisfatório requer que acreditemos no que pregamos, sejamos pais ou educadores…

Nós somos o elo de uma corrente e podemos dar continuidade ou quebrá-la, com nossas ações… Como educadores, temos ou deveríamos ter a consciência, como disse alguém certa vez, que não educamos para o Hoje, e sim para o Amanhã… Não ensinamos uma turma, mas uma geração! E como blogueiros educacionais não temos a dimensão de nossas ações no mundo real, a não ser quando alguém deixa algum comentário… Mas se socializamos nossa prática, divulgamos ações, atividades, projetos relevantes nossos, da escola e/ou de outros colegas, estamos ampliando a corrente e mostrando ao mundo virtual, o que a grande mídia desconhece ou não mostra no horário nobre…

A corrente do bem é pensar, não apenas em ações imediatas com resultados instantâneos, mas ações a médio e longo prazo, que sejam aplicáveis, sustentáveis e significativas… Mas pra isso, é preciso saber mediar o tempo, o espaço, os recursos, sujeitos e agentes envolvidos neste processo… Planejar tudo isso é preciso… Boas ações não se mantém com apenas boas intenções…

A corrente do bem não é criar grandes projetos – muitos mirabolantes e pouco executáveis – para concorrer a premiações, mas fazer coisas simples, autênticas e de uma praticidade que motive outros a também seguirem o exemplo, e ai, por si só, o reconhecimento virá…

E cada vez mais, num mundo cheio de estímulos visuais, para se envolver o aluno é preciso conhecer esse novo mundo do jovem… que é bombardeado por todo tipo de coisa, sem o devido acompanhamento dos pais… E a corrente do bem precisa necessariamente iniciar na família, continuar na escola e seguir nos demais ambientes sociais… precisamos ser o exemplo do que queremos propor.

A pedagogia do exemplo tem que começar sempre por nós, eis a conta que pode mudar o mundo, a começar pelo nosso próprio…

Aprendi com meu pai, que pintava sempre as mesmas paisagens, mas nunca os quadros eram iguais um ao outro, haviam tons e detalhes únicos em cada um… Assim deveria ser o ato de educar, repetir-se enquanto artista sem ser uma repetição da mesma obra… Múltiplos olhares sobre a mesma paisagem humana…

Disse César Coll: “Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende“. Metodologia e didática adequadas áquele tempo e espaço propostos dão significado à prática escolar, que precisa promover significação para o aluno… Afinal, como declarou Carl Rogers: “Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.” Educar para o mundo e para a vida, antes mesmo que para o trabalho… O sentido da vida é justamente buscar um sentido, um significado para a existência, dentro de uma corrente, de uma rede social…

A Corrente do Bem (Pay It Forward. 2000).

Anúncios

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). Ou Como Aplicar um Mega 171 Impunemente!

Claro que tendo esses três atores – Kevin Spacey, Stanley Tucci e Jeremy Irons – no elenco já me motiva a ver o filme. Agora, sendo um baseado numa história real, e pelo fato em si, ai já carimbava de vez em conferir “Margin Call – O Dia Antes do Fim“.

Mais do que ver como pode ter acontecido o que impacta mais hoje é que assim como muito outros fatos marcantes depois vão se apagando quer dos noticiários quer da memória de muitos. Mesmo esse tendo ocorrido bem recentemente: em 2008. O que antes eram manchetes terminam virando itens de bancos de dados. Por outro lado por conta da crise atual dos países tidos como primeiro mundista assistindo agora “Margin Call” é de aplaudir com entusiasmo. Não apenas para um refresco à memória em mostrar de quando veio a recessão atual, como também pela solução escolhida na época.

O filme foca num apenas importante Banco de Investimento da época e que embora também no cenário mundial era do poder que detinha no local: Estados Unidos. O maior símbolo do Capitalismo. Onde o “investir em” é algo cultural. Não importa em que, mas mais no que poderá lucrar com isso. Ou mesmo no que provavelmente poderia lucrar. E foi por ai que os lobos deitaram e rolaram. Pois porque teriam escrúpulos em aplicarem o mais monumental conto do vigário da História do Capitalismo se o sistema não fora inventado por eles? Se escamoteado por uma “margem de risco” havia um querer por muitos dividendos, e num “sem suar a camisa“, deram a eles uma permissão para serem ludibriados. Como citei antes faz parte da cultura deles, dai nem se pode falar que foi pura ganância, e para ambos os lados. De um dos lados, faz parte vender até algo podre. Do outro, se tampou as narinas na hora da compra, fora porque quis. Mas mesmo se tratando de algo trágico para muitos, também me levou a pensar numa Comédia que fizeram com esse lance de “investir em”. Um filme com a Barbra Streisand, “For Pete’s Sake” (de 1974), porque nesse a queda nas Ações resultou cenas hilárias.

O filme também me fez lembrar de um Documentário que vi pela televisão, o “Zero: An Investigation Into 9/11” (de 2008). Pois teoria da conspiração ou não, a queda do World Trade Center não deixou de limpar muita sujeira de empresas como essa sediadas nos prédios desabados. A do filme já estava na busca de tentar “reciclar” a própria sujeira. Mas não tiveram um novo desabamento de prédio – um atentado salvador-da-pátria -, e nem mais tempo hábil. E só sentiram a fedentina toda por conta de um funcionário, aliás um recém ex-funcionário, de ainda se sentir ético com a empresa que mais que uma demissão, o levaram até a porta da rua.

É com um tipo de limpeza que começa o filme “Margin Call“: mostrando que se sonhos começam na Wall Street, muitos também terminam nela. Nem importando também por quanto tempo o funcionário trabalha na empresa. E nesse caso em especial, o corte de funcionários começou logo com um que deveriam é tê-lo mantido. Principalmente pelo cargo que ocupava: Analista de Risco. Logo ele: foi o primeiro a ser demitido. É o personagem de Stanley Tucci, Eric Dale; falo mais dele mais abaixo. Eric consegue passar um pendrive para um de seus pupilos, dizendo: “_Tenha cuidado!” É! O conteúdo ali era TNT pura.

Agora, por falar em limpeza, mesmo em qualquer significado, quero registrar a passagem da senhorinha do setor de faxina da empresa. Ela marcou presença. Ficou irresistível em não tirar os olhos dela. Ela eclipsou Demi Moore e Simon Baker na cena do elevador. Fui procurar na página do elenco no IMDb, mas até a presente data não há o nome da Cleaning Lady. Tomara que coloquem. Ela merece os créditos!

Ainda falando em limpeza, mas dessa vez com uma orgânica… O ator Penn Badgley será lembrado por interpretar alguém “do andar debaixo” que tendo umas horas “no andar de cima“, sentiu-se feliz por realizar um grande sonho dentro do banheiro dos Chefões. Caramba! Que vontade de escrever o português claro, sem eufemismo. E nem seria por não querer trazer um spoiler. Mas porque a cena em si é memorável! Vale a pena curtir a cena! Pobreza de espírito do jovem? Não! Sujeira muito maior seus outros colegas de firma seriam levados a fazer, mas sim nos sonhos de outras pessoas de fora dali. Pois, ou compactuavam com a sujeirada dos patrões, ou perderiam o emprego. Aliás, já ciente de uma outra ordem: a de que quanto mais trouxas enganassem, menos chance teriam de serem demitidos.

O subtítulo dado no Brasil foi um eufemismo para toda a sujeira mostrada na trama do filme: “- O Dia Antes do Fim“. Fim de quem cara-pálida!? Dos incautos, sim. Dos que em sua grande maioria fazem parte da base da pirâmide social. Também dos que estão na parte central, mas em menor número. Desses, poucos chegarão ao topo e que por lá permanecerão. Porque ainda dessa outra parte, uma maior parte terá que contar por uma virada do destino, mas onde na realidade dará é suporte para um a mais tempo no topo permanecer por lá por muito mais tempo ainda. Pois quase sempre esses da segunda base uma grande parcela ficarão nesse é andar intermediário.

Quem bem exemplifica isso é o personagem de Paul Bettany, Will Emerson. Muito bom em vê-lo se despir de um outro personagem que tão bem interpretou, o Silas em “O Código Da Vinci” (de 2006). Em “Margin Call” ele está brilhante também. Mas pelo contexto de agora a cena dele que destaco é a dele com Eric Dale (Stanley Tucci), em frente à casa desse outro. Onde mais do que ele falou, foi o que não disse. Talvez algo como: “E o que eu faria se fosse você?” de posse com aquilo que Eric descobrira, mas que fora concluído por Peter (Zachary Quinto). E Eric põe uma pá de cal nesse pesar, mas só assentindo o que Will já concluíra. É de arrepiar!

Seja o primeiro. O mais esperto. Ou trapaceie!

Agora, o que se subentende, e sem o menor floreio, do título original – Margin Call -, é que tiveram um jeito legal (=Lei) de aplicarem o maior 171 da História do Capitalismo. Dai prefiro o meu subtítulo…rsrs Bem, no jargão economês, margin call significa um pedido de cobertura. Então foi o que os corretores fizeram, em pouquíssimas horas, antes que toda a sujeirada vazasse alem daquelas cercanias: uma colossal venda de títulos podres. A história do filme centra-se nesse curto período do tal Banco se safar do que seria um desastre para ele. Tendo início no fim de noite, indo até antes do meio do dia seguinte.

Pontos medianos, mas acima da média:
Demi Moore não fez feio. Mas me levou a pensar que se ela tivesse se espelhado, por exemplo, na personagem da Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada” ai sim teria deixado a sua passagem memorável. Enfatizando com algo dito por uma outra grande Diva, e nossa, a Fernanda Montenegro, algo: “_Que não importa se é um papel curtinho, se marcar sua passagem mostrará a sua grandeza.”
Simon Baker também não fez feio. Muito embora me fez pensar mais em seu personagem na Série de Tv “The Mentalist“. No filme ele não se intimidou ante os atores mais ilustres. Fez cara de Chefe bonzinho. Mas seu personagem era até um desconhecido para os funcionários dos andares de baixo. Até por isso, poderia ter marcado mais presença. Também pelo o que estava em jogo para o seu personagem. Creio que será lembrado mesmo, ou mais, como o executivo no banheiro. Na cena onde o tal corretor realizara um sonho. Pela cara que ele fez, numa de: “Não entendi nada!

Pontos altos do filme:
J.C. Chandor, o Diretor e também Roteirista. Provou com “Margin Call” que tem um belo futuro. Porque tem que ser muito bom para nos manter atentos até o final. Mais! Conseguiu algo raro, o de eu querer que não terminasse logo. E tem cada fala, como a: “_Jogue um grande osso…” É de dar um frio na espinha. Bravo! Longa carreira para ele!
Kevin Spacey rouba todas as cenas em qualquer filme. Nesse também. Destaco uma em especial, que não deixa de ser uma marca dele. É logo no comecinho. O ar quase blasé que faz com o corte dos funcionários, mas mostrando qual seria a sua preocupação daquele momento. Que seria trágico, senão fosse cômico. Essa cena é memorável!
– Memorável também a cena onde o personagem de Jeremy Irons tenta entender a crise que se abateu em seu império. Ele faz de um jeito que parece nos levar ao iniciar da sua trajetória de poder. Daqueles que conseguem vender carros ocultando o motor fundido. Que chegou onde chegou, por ser um lobo bem voraz. Claro que ele também rouba todas as cenas, assim como bate um bolão com Kevin Spacey.
– As participações do Stanley Tucci também são excelentes! Destacando uma. Onde seu personagem se vê obrigado a voltar ao Banco, no dia seguinte da sua demissão. Tranquilo, fica retido ali, numa de: “O tiro saiu pela culatra. Pois o pé-na-bunda que me deram, me fez foi ficar imune a toda essa sujeira!
Paul Bettany também faz uma outra cena forte. A que simboliza a solução encontrada por alguns quando muitos endividados. Chocante!
– A participação de Zachary Quinto também rendeu algumas tensões. O que por si só já denota uma ótima performance. Ele soube conduzir muito bem seu personagem é a personificação de que não foi mesmo o fim. Como exemplifica bem uma cena entre os personagens de Jeremy Irons e Kevin Spacey. É, o Sistema continua!

No mais, todos, tudo, merecem aplausos. Uma Nova Iorque noturna de tirar o fôlego. Um clarear de um dia que ficou na História. Uma Trilha Sonora que atua como um grande coadjuvante; créditos para: Nathan Larson. Roteiro soberbo. Onde tudo é revelado num timming perfeito! Inclusive para a escolha da que termina “Margin Call“. Aquele som na subida dos créditos finais deve ter doído na alma dos que caíram no colossal golpe, mas do real Banco de Investimento, o Lehman Brothers.

Então é isso! Um filme imperdível! Que nem precisa ser especialista em finanças para entender os jargões usados. “Margin Call” é de querer rever. Como também de ter o Dvd, mas isso irei esperar por uma mega promoção.
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011). EUA. Direção e Roteiro: J.C. Chandor. Elenco: Kevin Spacey (Sam Rogers), Stanley Tucci (Eric Dale), Paul Bettany (Will Emerson), Jeremy Irons (John Tuld), Simon Baker (Jared Cohen), Demi Moore (Sarah Robertson), Zachary Quinto (Peter Sullivan), Penn Badgley (Seth Bregman). Gênero: Suspense. Duração: 109 minutos.

Curiosidades: No canal FoxLife passa um programa, o “Property Virgins“, que dá um pouco a dimensão das Hipotecas Imobiliárias. Onde basta estar empregado por 30 dias para conseguir um financiamento na compra de uma casa própria. Mas também que já compram o imóvel pensando em investimento: com uma revenda num futuro.

No noticiário dessa semana foram descobertos, e apreendidos, Títulos falsos em nome do Tesouro dos Estados Unidos. Fabricados em 2007, estavam desde então guardados em Banco Suiço. Talvez esperavam a poeira baixar de todo com a Crise de 2008. Num valor de US$ 6 trilhões, ficaria a pergunta: “Que Banco de Investimento passariam esses títulos?“, mas sobretudo fica a certeza de que novos incautos escaparam de cair nesse golpe.

Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses. 2011)

Confessando que tal qual um dos personagens, eu também pensaria no filme com o Danny DeVito, “Jogue a Mamãe do Trem”, quando um outro personagem sugeriu que trocassem de assassinato para sairem impunes. Um filme que eu ri muito. Só não lembro do fator que ele usou para persuadir o personagem de Billy Cristal a aceitar. Nesse aqui, “Quero Matar Meu Chefe” veio em série a “motivação” em levarem esse plano adiante de eliminar seus terríveis chefes.

São três amigos querendo se livrar dos seus respectivos patrões. Se livrarem do emprego, não passa pela cabeça deles. O ficar desempregado os assustam mais ainda, ao verem o que um antigo colega de colégio, Kenny (P.J. Byrne) faz para sobreviver. Sendo isso um dos fatores que levaram os três a seguirem adiante. São eles: Nick Hendricks (Jason Bateman), Kurt Buckman (Jason Sudeikis) e Dale Arbus (Charlie Day). Houve uma ótima química entre eles. Só a cara que fazem com as trapalhadas dos outros, já valem o filme. Mais as divagações, como por exemplo, se forem parar na prisão, é hilário. O Roteiro por um todo também é ótimo!

O único ponto negativo foi a escolha da atriz Jennifer Aniston. Ela é uma dos três chefes a serem eliminados. Dos três,  eu só não gostei da performance dela. Logo eu que gosto dela em Comédias Românticas e Dramáticas. Mas nesse aqui, fazendo uma dentista tarada, ficou falso. Sem sombra de dúvida, essa atriz é lindíssima! A questão que o seu perfil não a deixa vulgar como seria mais de acordo com o personagem. Também não ficou com um ar fatal, nem escurecendo os cabelos. Ficou longe da personagem da Demi Moore, em “Assédio Sexual”. Assim, o seu assédio a Dale, foi salvo pela cara dele: hilária! Agora, acho meio difícil existir um homem que recusaria transar com uma mulher como ela.

Colin Farrel é Bobby, o filho vagabundo do chefe de Kurt. Mas esse, o Jack Pellit (Donald Sutherland), um ótimo chefe, morre logo no início. Com isso, Bobby assume. Infernizando a vida de Kurt. Sendo esse o contador da firma, Bobby quer mais corte gastos, afim de obter mais lucro para continuar mantendo a vida de antes: Bobby tem a idade mental de um adolescente em busca de fama. Kurt abomina algo que ele quer fazer. E para salvar um povoado no México, só vê como solução, eliminar Bobby.

Colin Farrel disse uma entrevista que receberam do Diretor Seth Gordon, essa deixa: “Sejam o mais psicóticos que puderem!“. E em “Quero Matar Meu Chefe“, sem sombra de dúvida, o hour concours é o personagem de Kevin Spacey, Dave Harken, supervisor-chefe de Nick. Pausa para falar do ator: Kevin Spacey. Que para mim já está no topo dos grandes atores. Gosto ainda mais dele, que não se importa se é um filme Classe A, ou um bem Pipocão: ele quer mesmo é atuar. Como também, porque faz muito bem todo tipo de personalidades, ou mesmo Gênero de Filmes. Aqui nesse filme, ele simplesmente trucida seu funcionário Nick. Mas com a alma de um grande ator, não rouba a cena: fez uma excelente dobradinha com Jason Bateman.

Dois outros personagens também merecem destaque. Um, é o ‘MF’ Jones (Jamie Foxx). Dá uma volta legal nos três amigos. De eu exclamar um: “Bem Feito!”, mas rindo. Como também, é hilária a cena onde conta o porque tem esse palavrão “FdP” como apelido. O outro personagem, é a voz pelo GPS do carro de Kurt, o Gregory/Atmanand (Brian George). Gregory participa ativamente com os três, e em seus planos.

Creio que pelo menos em algum momento da vida houve o desejar a morte de alguém atravancando o nosso caminho. Mas uma coisa é desejar, outra é materializar esse desejo. Ainda mais quando não tem tendência para isso. Ai, mesmo insistindo numa maluquice dessa, há de se exclamar: “Vai dar merda!” Aqui, junta-se a isso a total falta de jeito dos três!

Então, preparem a pipoca, desliguem-se do politicamente correto, como também em querer adivinhar o final, e assistam, é diversão garantida! Eu ri muito! Muito bom o filme! De querer rever, como também em ver esses três juntos novamente. Com isso, que venha uma continuação! Ah sim! O filme também mostra que ser fã de uma Série de Tv, vale por uma aula.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses. 2011). EUA. Direção: Seth Gordon. +Elenco. Gênero: Comédia, Crime. Duração: 98 minutos. Roteiro: Michael Markowitz, John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, baseados na história do próprio Markowitz.

Beleza Americana (American Beauty. 1999)

american beauty 2American beauty é um tipo de rosa muito cultivada nos Estados Unidos, com uma peculiaridade: ela não possui espinhos nem cheiro, uma metáfora sobre o vazio do americano comum.

O vazio tratado com humor negro e maturidade.

Acordar todos os dias cedo, tomar café com a família, dar um beijo de despedida na esposa, fingir ser pai com a filha na adolescência, ir pro emprego enfadonho que você odeia, voltar pra casa, encarar um jantar cheio de papos falsos e dormir.

american beauty9

A rotina acaba com as pessoas.

A corrosão começa quando menos se espera, e é por meio de detalhes minúsculos que ela aparece. Tudo conduz a alma ao desespero, você não se sente realizado e se arrepende de tudo o que podia ter feito e não fez. E ali está você, perdido no meio da sua rotina, prestes a explodir.

Lester Burham (Kevin Spacey perfeito) sente o peso disso. Em casa vive trocando farpas com a esposa Carolyn (Annette Bening perfeita), que vive mau por não ter o sucesso que planejava, a filha adolescente e com crise existencial Jane (Thora Birch perfeita) que não aguenta mais a infelicidade que se tornou viver ali.

É uma família tradicional americana. Só que se deixaram cair na mais completa monotonia por conta de tudo o que fazem. Com Jane tentando alguma coisa, os pais se sentem obrigados a ver o progresso da filha na escola, se apresentando com aquelas dançarinas gostosinhas do time da escola, e é lá que as coisas passam a tomar outro rumo. Lá Lester conhece a “fogosa” Angela (Mena Suvari muito diferente do que mostrou em American Pie), que logo desperta algum desejo nele. Enquanto o navio que é aquela casa afunda, Lester decide voltar a viver.

Assim que é demitido, Lester encontra o momento perfeito e deixa de ser o típico homem que vive pra família e começa a viver pra ele mesmo.

american beauty 7Sentindo o peso de ser a única com “responsabilidades” em casa, Carolyn se entrega ao trabalho, com direito a pulada de cerca com seu maior inimigo no ramo imobiliário, e Jane se encanta com o misterioso Ricky Fitts (Wes Bentley), um jovem traficante que vive filmando tudo o que vê por hobby. Recém chegado no bairro, mudou-se com sua aparentemente “comum” família: uma mãe sem sal nem sazon e um pai linha dura, ex militar interpretado por um Chris Cooper perfeito. No meio disso tudo, desenrola-se uma trama que envolve segredos, mentiras, preconceito e dismistifica o tal “american way of life”, mostrando que o sonho americano não passa de ilusão.

É com maestria que o diretor Sam Mendes mostra em seu primeiro trabalho todo o cuidado necessário pra encher uma trama densa de sentimento e tensão. Os diálogos são afinadíssimos, as cenas de troca de farpas são deliciosas e ajudados pelo roteiro incrível o elenco arrebenta em cada cena.

AmericanBeauty 6 Kevin Spacey que saiu vencedor do OSCAR por esse filme, demonstra uma capacidade de criar rostos para todos os sentimentos possíveis de seu personagem, tristeza, angústia, medo, solidão, pena, juventude, tudo num mesmo homem, uma das interpretações mais perfeitas do cinema. Cada ângulo, cada quadro, cada momento que ele aparece o filme se torna mais interessante e divertido. Spacey em cena, atuação beirando a perfeição.

Annette Bening também arrasa, sua personagem é forte e fraca ao mesmo tempo, coisa que fica mais evidente ao final do filme (me emociono na ultima vez que ela aparece em cena, abraçando as roupas do marido que acaba de morrer.). Ela odeia e ama o marido, ela odeia e ama trabalhar, ela faz tudo errado sabendo que podia fazer o certo, ela é ser humano e comete erros.

Thora Birch não podia ser melhor escolha para o papel de Jane, ela entrega uma veracidade perfeita ao personagem. Vinda de um histórico de filmes mais comerciais (Abracadabra, Perigo Real e Imediato) ela mostra muita tranqüilidade e segurança em seu personagem. Sem apelar para aqueles “caras e bocas” comum entre atores jovens, ela consegue convencer até quando não quer.

AmericanBeauty 5A loirinha Mena Suvari prova ser boa atriz, contrariando a sua personagem sem sal de American Pie, a bonitinha arrebenta. É mentirosa, sexy, e leva tudo com a barriga, típica adolescente americana popular. Mas o melhor fica pro final, quando ela tira a máscara de sedutora e veste a de uma inocente.

A mudança de humor e a capacidade incrível de nos enganar por duas horas comprova o grande talento da loirinha.

Quanto a Wes Bentley, um dos personagens mais incríveis do filme, fica sua melhor atuação da carreira. Ele é ácido, envolvente, misterioso e com aquela cara de babaca consegue enganar muito bem todos a sua volta. Seu personagem é complexo, mas ele passa uma segurança que é sentido pelo espectador.

E Chris Cooper, outra performance memorável, arrebenta na pele de um militar casca grossa que comanda todos os passos do filho e reprime todos em casa com seus preconceitos e mandamentos. A surpresa maior do filme sem dúvida é a dele no final.

american beauty 4 Sam Mendes aparece no seu melhor filme. O cara tira leite de pedra aqui.
Mostrando preparo e cuidado em cada quadro do filme, nota-se a influencia teatral em muitas cenas. As cenas no jantar, feitas da maneira mais tensa possível é uma das coisas que se pode destacar aqui.

O jantar falso funciona como termômetro da situação incomoda que a família vem passando.

Vindo do teatro, o jovem diretor inglês, inspirado em Kubrick e cheio de idéias criativas, capta as sutilezas do ótimo roteiro de Alan Ball (mente por trás de séries fantásticas como Six Feet Under) e consegue colocar na tela de uma forma acessível e sem precisar abusar de artimanhas desnecessárias para emocionar (erro cometido por diretores como Gabriele Muccino, de Sete Vidas, onde usa de emoção forçada para criar o clima de seus filmes.). Mendes consegue bolar situações que mesmo parecendo absurdas, são de uma interpretação singular. A cena do saco por exemplo, as “gags” involuntárias responsáveis pelo desfecho do filme ou até as cenas em que a família está jantando, querendo ou não fazem o espectador se sentir passando por tudo aquilo.

É complicado assistir esse filme sem sentir um incomodo consigo mesmo, e esse incomodo, atingido com perfeição pela forma como Mendes conduz seu filme, lhe valeu o merecido OSCAR.

Com uma trilha instigante e até certo ponto cômica de Thomas Newman, músicas que desenham as fases de humor de todos os personagens, sendo All right now do Free a mais “irônica” delas, o filme vai aos poucos afunilando as conseqüências dos atos de todos. A pulada de cerca da esposa, o vício em maconha do marido, a cachorra virando um anjo, o machão mostrando ser uma boneca e um casal estranho se formando, desenrola um final surpreendente e até inesperado para todos os personagens.

AmericanBeauty 3Bom humor apenas aparente: o casamento dela está a um fio.

A premiada fotografia é curiosa. Vermelha na hora de ser vermelha, lembrando as rosas “beleza americana”, e representando o vazio dos personagens. Elas estão presentes em grande parte do filme, e sempre com essa dualidade de significados. A beleza e o vazio. O filme é sobre isso.

Eu deveria ter ficado muito puto com o que me aconteceu, mas é dificil ficar nervoso quando se tem tanta beleza no mundo .” Lester Burhan.

Para mim, uma obra prima indiscutível. Nota: 10.

Olhem bem de perto.

Por: Rafael Lopes.

American Beauty. Direção: Sam Mendes.

A Vida de David Gale (The Life of David Gale. 2003)

kevin-spacey_a-vida-de-david-galeQuanto vale lutar por um ideal? Dinheiro? Felicidade? Relações? Vida? Vale por a vida em jogo por um ideal? Fico tentada a dizer que não, pois uma verdade não vale uma fogueira, mas quando esse ideal é sinônimo de uma vida inteira, querendo ou não, não tem preço.

Gale (Kevin Spacey), professor de Filosofia e nessa imagem acima – uma das primeiras cenas – ele ministra sobre O objeto pequeno a Lacaniano, maravilhoso. O objeto pequeno a lacaniano é o Objeto Causa de Desejo que faz parte da fórmula da Fantasia. Assunto extenso e complexo, mas acho brilhante o filme ter seu início pautado no Desejo… Ideal está para e desde sempre na ordem do Ideal…

A luta idealística e idealizada de Gale e sua amiga Constance (Laura Linney) é a abolição da Pena de Morte.

Eu não sei se sou contra ou a favor dessa pena, pois cada caso é um caso e não se pode generalizar. Vejo que o Judiciário ficaria mais moroso ainda se as leis fossem individuais, o que definitivamente não procede. Ao mesmo tempo, existem casos de patologia psíquica que não há cura, como por exemplo, os Psicopatas.

Manter Psicopatas na prisão é um custo sem retorno para o Estado. Mas isso significa que eles não merecem viver? Hoje estou boazinha rsrsrs, e acho que até mesmo os mais perversos assassinos merecem a vida, nem que seja punitiva, mas merecem viver. Mas por esse pensamento, não ponho minha vida em jogo. David e Constance colocaram…

Por: Deusa Circe.

A Vida de David Gale – The Life of David Gale

Direção: Alan Parker

Gênero: Drama, Suspense

EUA – 2003

Beleza Americana (American Beauty. 1999)

american-beauty_movieUm cara nascido em Portugal, naturalizado no Reino Unido dirige uma “fábula” sobre o classe media americana e o pior que ele passa uma imagem que compreende eles melhor do que eles próprios.

O filme exemplifica a indiferença e frieza social americana e o mundo das aparências onde o que importa é vender a imagem batida de “american way of life“.

Toda a sociedade apresentada na película tem seus distúrbios, manias e bizarrices, desde a pseudo dona de casa exemplar ao patriota com tendências nazistas. O único casal com uma vida saudável apresentado no filme é justamente um casal gay.

Tudo muito pouco convencional e por isso mesmo brilhante. E parafraseando as palavras de um velho conhecido do universo cinematográfico nacional… hehe…:

Será que os norte-americanos entenderam o filme?

Sinceramente eu tenho as minhas dúvidas hehe….

Por: Korben Dallas.

Beleza Americana (American Beauty). 1999. EUA. Direção: Sam Mendes. Elenco: Kevin Spacey (Lester Burham), Annette Bening (Carolyn Burham), Chris Cooper (Coronel Fitts), Thora Birch (Jane Burham), Wes Bentley (Ricky Fitts), Mena Suvari (Angela Hayes), Peter Gallagher (Buddy Kane). Gênero: Drama. Duração: 121 minutos.

Curiosidades:
– American beauty é um tipo de rosa muito cultivada nos Estados Unidos, com uma peculiaridade: ela não possui espinhos nem cheiro, uma metáfora sobre o vazio do americano comum.
–  Ganhou 5 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Kevin Spacey), Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia.