Melancholia ( 2011)

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O entediado e deprimido diretor Lars von Trier não faz um filme sem surpreender. A sua mais recente obra “Melancholia” é um meio-irmão do apocalíptico  “The Tree of Life” de Terrence Malick. O filme  é sobre o fim do mundo. E, Von Trier parte da instância de felicidade humana: um “feliz” casamento, ou uma recepção de casamento para ser mais específico, o qual é realizado em um castelo luxuoso, onde o cineasta- roteirista traça o significado da total (in) felicidade.

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A sequência de abertura, de oito minutos, é um espetaculo aos olhos; e prenuncia a destruição da terra em câmera lenta. Depois isso, encontramos os felizes recém-casados Justine e Michael (Kirsten Dunst e Alexander Skarsgard), ao caminho da recepção de casamento organizada  pela irmã da noiva, Claire (Charlotte Gainsbourg) e seu marido John (Kiefer Sutherland) .

Os pais da noiva (Charlotte Rampling e John Hurt) parecem catalisadores para o clima pesado da festa. A mãe dispara aos recém-casados, “aproveitem enquanto dura.” A partir dessa cena, o sorriso visto no rosto de Justine ( Dunst) ilustra o seu olhar vazio, onde residirá até a duração do filme. O casamento de Justine é esmagado apenas horas depois de dizer “o sim”, e, é não impossivel de notar que a moça é a depressão em forma de gente. Diante do fim do mundo, Von Trier deixa claro a ingenuidade de todos que rodeiam a sua heroina, mais precisamente, Claire, que lamentávelmente como muito de nós, é dominada pela ansiedade –  o medo de enfrentar a realidade, e se deparar com a morte. Mas não seria o medo uma forma de morrer antes da propria morte em si?

A atuação de Dunst é nada menos do que espetacular – vai do olhar ao sorriso vazios, até ao silencio. O restante do elenco é igualmente muito bom, especialmente a Gainsbourg, que tem aqui um desempenho bem melhor do que fez em “Anticristo” (2009).

Embora o filme não seja tão controverso como o “Anticristo”, “Melancholia” estimula questionamentos em relação do porque Justine se casa com Micheal, sabendo que o mesmo não a fara feliz. E, por que ela deixaria a sua festa para urinar no campo de golfe, e depois ter relações sexuais com um estranho?.

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Von Trier está certissimo quando disse que esse é um belo filme. Um filme que tem também a capacidade de assombrar a gente por dias, ou semanas, isto, graças a fotografia de Manuel Alberto Claro, e o pessimismo impiedoso do proprio Von Trier. “Melancholia” é mais uma prova que cada um de nós teremos uma percepção diferente ao chegar a conclusão do filme.

 Nota 9

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Entre Segredos e Mentiras (All Good Things. 2010)

O filme é baseado num caso real – o desaparecimento de uma jovem, em 1982, no seio de uma rica e tradicional família novaiorquina. Onde o Diretor Andrew Jarecki leva o espectador a conhecer de perto toda a estória. Mesmo ela sendo contada pelo principal suspeito, o marido da jovem. Em “Entre Segredos e Mentiras” mais que tirar conclusões sobre como ocorreu o desaparecimento – já que o filme lança suspeita de como aconteceu o sumiço -, ele nos leva analisar os principais envolvidos: além do jovem casal, o pai do suspeito. Até por conta disso eu fiquei na dúvida: mergulhar na personalidade de cada um desses três personagens – David Marks (Ryan Gosling), Katie Marks (Kirsten Dunst) e Sanford Marks (Frank Langella) -, ou fazer um resumo de modo a motivá-los a ver esse filme. Pois o filme é muito bom! Tentarei não trazer spoilers. Muito embora o filme nos leva mais a um estudo dessas personalidades.

Não sei se pelo fato do ator, ou da estória desse sumiço que fica sem uma punição, ou até por ambos, o lance foi que pensei em “Um Crime de Mestre“. Sem que isso deponha contra o filme, talvez reforce a performance de Ryan Gosling para esse gênero de filmes. Nesse aqui, é ele quem brinca com todos que queiram penalizá-lo pelo sumiço da esposa. Parodiando o outro: “Matei minha esposa. Agora provem!

O filme começa com duas vozes em off, dentro de um tribunal, em 2002. Uma dessas vozes é de David. E nesse interrogatório, ele retrocede no tempo. Esses flashback começam na sua infância. Onde tudo parecia ser saudável. Principalmente a relação dele com a mãe. Depois o filme avança até o dia em que ele conhece Katie. A estranheza que ambos sentiram pela ida dele até o apartamento dela, é meio que explicado mais tarde, já num almoço entre Sanford, David, Katie e a mãe dela.

Aos olhos de Sanford, Katie era uma interesseira. Mas sendo ela culta, e pelo filho estar muito apaixonado, ele faz vista grossa. Só interferindo depois. Mas não a ponto de ver o filho como um sociopata. Aos olhos dele, David era um fraco. Com o desenrolar da estória ficamos sabendo o porque de carregar uma culpa. E que devido a ela, fez o que fez pelo filho. Só não deu a ele o controle da empresa.

Katie se encanta com David, e até com tudo que ele pode lhe oferecer. Mas depois vai descobrindo que o marido não era quem ela imaginava. Fantasiara, mesmo ele tendo lhe dito certas coisas. Não que isso o abone pelo o que ele fez. Mas fica uma reflexão no porque dela ter voltado atrás no rompimento ao saber que sairia sem grana nenhuma. É fácil falar com conjecturas, mas vem a ideia de que sairia sim sem um tostão, mas sairia viva desse casamento.

Sobre a personalidade de David, deixo a sugestão em especial a todos da área psico: terão nele um excelente material de estudos. Para mim, leiga no assunto, o relaciono a uma sociopatia num grau maior. Para os não leigos, talvez já dariam-no como um psicopata.

E o que levou, ou melhor, o que trouxe à tona vinte anos depois esse desaparecimento, tem como consequência esse julgamento que ouvimos desde o início do filme. Levando David a uma queima de arquivos.

Além de toda essa trama, que nos deixa até perplexos, é interessante ver como era a Times Square naquela época. Esse é daqueles filmes que dá vontade de rever logo em seguida, pois deixa a impressão que perdemos uma peça desse jogo. Tamanho é o fio condutor sobre tudo o que aconteceu. Tudo amarradinho num filme muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Entre Segredos e Mentiras (All Good Things. 2010). EUA. Direção: Andrew Jarecki. Roteiro: Marcus Hinchey e Marc Smerling. Gênero: Crime, Drama, Mistério. Duração: 101 minutos.Censura: 16 anos.

Melancolia (Melancholia/Lars Von Trier/2011)

Por: Celo Silva.

Um lançamento do diretor e autor Lars Von Trier é um excelente motivo para uma ida ao cinema, mexe com os cinéfilos e as realizações do diretor sempre são obras para serem sentidas, que valem muito o clima da sala escura, que de maneira notada influi para uma melhor apreciação de Melancolia, longa imbuído de polêmica mesmo antes de seu lançamento, por conta de declarações infelizes de seu criador, mesmo que não necessariamente sobre a obra.

Logo após o epílogo apoteótico ao som de uma bela e condolente canção instrumental, o áudio é cortado bruscamente, os créditos sobem em silêncio total e o mais impressionante que a sala relativamente cheia, todas as pessoas saíram taciturnas, como em respeito a obra que tinham presenciado. Confesso que sai um tanto angustiado, não com a possibilidade do fim do mundo, mas com o sofrimento que o ser humano é passível de sentir, sofrimento que pode virar tristeza e consequentemente depressão, às vezes nos transformando de maneira aterradora, como acontece com a noiva Justine (Kirsten Dunst, em excelente atuação) no dia de seu casamento, abatimento e desordem atingem a moça de uma maneira brutal, levando a atos extremos, como se premeditasse o que viria a acontecer.

O próprio cineasta citou em certa entrevista, que Melancolia é um belo filme sobre o fim do mundo, a expressão é mais do que correta, até porque com tantas cenas dolorosas, Lars Von Trier consegue dar ao filme sempre um olhar terno, seja com a irmã de Justine, Claire (a talentosa Charlotte Gainsbourg) que cuida da irmã nos momentos de depressão e guarda um medo cruciante de que o planeta Melancholia, em rota de colisão com a Terra, acabe com suas vidas e principalmente a de seu pequeno filho ou com as pequenas, importantes e marcantes participações de John Hurt e Charlotte Rampling, cada um a seu jeito transmitem sentimentos conflitantes e protagonizam situações constrangedoras que influenciam o esmorecimento de Justine.

Melancolia também pode ser visto como uma opera trágica, ate pela pulsante trilha sonora instrumental, com belas seqüências que remetem a pinturas, como uma em que Kirsten Dunst aparece nua em pelo, deitada na beira de um rio, com a lua refletindo seu belo corpo, como se redimindo, aproveitasse seus últimos momentos de existência. O fio condutor da parte mais cientifica da historia vem de Kiefer Sutherland, que defende o marido de Claire, estudioso, um homem centrado e preocupado com a família, mas que em certo momento também perde seu equilíbrio. Outro fato interessante é ver Lars Von Trier usando de efeitos visuais para conceber seus belos e tocantes momentos, como quando o planeta Melancholia se aproxima do nosso. Com certeza, Melancolia é o filme mais poético desse controvertido, habilidoso e inventivo cineasta, mesmo que para isso ele nos leve a uma jornada de sofrimento e tristeza.

Um Louco Apaixonado (How to Lose Friends & Alienate People)

um-louco-apaixonadoA imprensa livre é a última linha de defesa contra a tirania da estupidez.

No mundo das celebridades, a moeda de troca é a propaganda. Para manter-se sempre na mídia, como também, em ter sempre alguém nela. Pois ambos os lados sairão ganhando. De um lado, no veículo que coloca os holofotes no famoso. Do outro lado, aquela de quem estão noticiando. É um ciclo. Enquanto estiver em evidência, mais chances de permanecer nesse topo terá, mas lucro nas vendas. Mas também há um outro lado nessa pirâmide, que é quem alimenta essa cadeia: o público/cliente/leitores…

Enfim, o circo só se mantém por uma lei simples: a da oferta versus procura. E por mais que algum jornalista, que se propõe a escrever sobre as celebridades, queira ficar fora dos favorecimentos, do uma mão lava a outra, de continuar com os refletores nesses famosos com um texto totalmente liberto… será difícil não se deixar seduzir por esse mundo.

Foi o que aconteceu com o jornalista inglês Sidney Young (Simon Pegg), em ‘Um Louco Apaixonado‘. Ele até tentou manter a sua revista, a Post Modern Review, longe desses favorecimentos, mas estava a um passo da falência. Nessa derradeira tentativa, ao armar uma tremenda confusão numa festa com várias celebridades, em vez de conseguir um escândalo para a sua revista, acaba sendo notícia para as outras.

Por sorte, caiu na admiração do dono de uma grande revista em Nova York: Clayton Harding (Jeff Bridges). Esse, convida Sidney para trabalhar com ele. Que aceita. Cruza o oceano. E já fica deslumbrado com a noite novaiorquina. Tentando sempre ser engraçado no contato pessoal, acaba por assustar as pessoas.

Num barzinho, tem um atrito com uma jovem. Que descobre depois que são colegas de trabalho, na revista. Ela é Alison (Kirsten Durst). E que o ajuda nas confusões que apronta. Ambos, estão apaixonados por duas celebridades. Alison, pelo seu Editor. Sidney, por uma atriz novata.

Entre as agruras por essas paixões, e não perderem de foco o trabalho na revista, o dois nos farão rir, emocionar e até aprender um pouquinho desse tipo de jornalismo. Desse mundo da fama. Gostei! Filme bom para ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Louco Apaixonado (How to Lose Friends & Alienate People). 2008. Inglaterra. Direção: Robert B. Weide. Elenco: Simon Pegg (Sidney Young), Kirsten Dunst (Alison Olsen), Jeff Bridges (Clayton Harding), +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 110 minutos. Baseado no livro de Toby Young,

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2. 2004)

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Aviso: Caso ainda não tenha assistido ao filme, o texto a seguir contém spoilers.

Quando saí do cinema tive a sensação de ter assistido um ótimo… episódio de um seriado de tv. Parece que eles pegaram um capítulo de uma série de 50 minutos e esticaram por duas horas usando toda a sorte de truques possíveis.

Homem-Aranha 2 é muito superestimado. É o que me vêm à cabeça quando penso nesse filme. Eu me lembro da época, ficava procurando alguma crítica que não necessariamente dissesse que ele era ruim (até porque não é) mas, em vez de só enaltecer as suas qualidades, reconhecesse também os seus defeitos, e olha que alguns são primários.

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Bom, o longa continua acompanhando a vida de Peter Parker após os eventos do primeiro filme. Agora morando sozinho, ele está mais azarado do que nunca nos dois empregos, mal consegue falar com Mary Jane, não consegue controlar o ódio de Harry pela morte do pai, e os estudos estão péssimos. Tudo pelo stress de sua vida dupla como Homem-Aranha. Existe principalmente, até mais do que no primeiro filme, uma tendência desde a primeira cena a focar a história na relação entre Peter e Mary Jane, o que é um equívoco, pois joga o filme no nicho dos romances lugar-comum. Afinal, Peter idealiza a Mary Jane (não é bem a Mary Jane) e não convence que realmente gosta da pessoa dela. Ao menos, a mim não convenceu…

O melhor do filme é mesmo Sam Raimi mostrando que sabe dirigir drama. A rotina estafante de Peter não cansa o público, pelo contrário.

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Por outro lado a trama da origem do Dr. Octopus é completamente largada no meio do filme. O Alfred Molina pode ser um ótimo ator, as cenas de ação podem ser fodas, mas não dá comparar em importância na vida do Peter (e esse é justamente o filme que mais foca no seu lado pessoal) o Duende Verde com ele. Primeiro ponto fraco do roteiro é não conseguir amarrar bem as ações do Octopus na trama.

Mas a verdadeira escorregada começa quando o herói perde os poderes. Tá certo que ele perde gradativamente, mas haja abstração do público pra entender como funciona a biologia do Homem-Aranha.

Mas isso logo é esquecido por aquela belíssima sequência com o Tio Ben no carro, extremamente simbólica.

As cenas de Peter voltando ao “normal” são ótimas. Como o primeiro filme já tinha visitado toda a fase clássica e procurado transformar numa história de começo, meio e fim pra um longa, o segundo recuou um pouco pra aproveitar o que tinha sido pulado, como fica claro na antológica cena do uniforme na lata do lixo.

Também é muito positivo a forma como Peter vai percebendo que tem que ser o Homem-Aranha, como na cena do incêndio.

É interessante como a única trama que anda nesse momento é a do Peter. Mary Jane tá cuidando do enxoval, Harry tá bêbado em algum lugar e o Dr. Octopus só vai reaparecer como capanga desse último. O universo do Aranha nunca apareceu tão pobre diante da excelente caracterização do protagonista.

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Mesmo assim, mais um vez o filme dá uma bela guinada quando Peter revela a Tia May como o Tio Ben morreu. Essa é A cena do filme! O jeito como ela se levanta quando ele vai segurar sua mão é de partir o coração. A cena é tão boa que em nenhum momento Peter precisou mencionar o Homem-Aranha.

Logo vem outro ótimo momento, quando a Tia May diz a Peter com uma naturalidade comovente o que é um verdadeiro herói. Tia May está pra Homem-Aranha 2 como o Tio Ben pro Homem-Aranha 1. Fantástica!

Infelizmente, a seguir a coisa degringola.

A cena de Peter conversando com Mary Jane no restaurante quando Octopus ataca é um ótimo comercial de carro, mas esquisita demais nesse longa. Pior é o jeito ridículo como Peter sai dos escombros já com os poderes de volta num estalo. Isso depois dele sofrer a perda dos mesmos bem lentamente.

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Então, mais uma vez, temos um ponto alto pra compensar o furo anterior. A luta no trem é incrível mesmo. E a na sequência, o jeito como o Aranha para o trem é extraordinária. Só que ele ser visto logo depois por meio mundo não é exatamente a idéia mais bem bolada possível. É o tipo ame ou odeie.

O que realmente odiei é o que vem depois.

Aquele final é bizarro. Quando você ainda está se acostumando com a idéia de que tanta gente viu o Homem-Aranha sem máscara, o Dr. Octopus o deixa à mercê do filho de seu inimigo… e Harry Osborn desmascara o Homem-Aranha de novo! E do jeito mais clichê possível!

Daí na sequência vai Peter salvar Mary Jane, que foi gratuitamente sequestrada pelo vilão e, para convencer Octopus a impedir a explosão de uma bomba para destruir Nova York, Peter… TIRA A MÁSCARA OUTRA VEZ! Eu, que me emocionei nas cenas com a Tia May e vendo o Aranha se arrebentando pra parar o trem, tive uma súbita vontade de levantar e ir embora do cinema!

O pior de tudo não é ele perder a máscara três vezes seguidas! A essa altura o que eu me perguntava era porque diabos eles deram ao trabalho de fazer ele RECOLOCAR A MÁSCARA PRA PERDÊ-LA AUTOMATICAMENTE NA CENA SEGUINTE!

Na sequência, enquanto Dr. Octopus dá razão a Peter após conversar com seus tentáculos… Ops! CONVERSAR COM OS TENTÁCULOS? De ONDE tiraram uma idéia tão cretina, Meu Deus? O que o bom doutor diria pra alguém que o estivesse incomodando? Em vez de “Fala com a minha mão”, “Fala com o meu tentáculo”? kkkk

Bom, pra acelerar as bizarrices e chegarmos logo ao fim…

O Dr. Octopus se sacrifica pra salvar a cidade. Peter salva Mary Jane, que descobre sua identidade secreta ao vê-lo sem máscara.. .ela e a torcida do Flamengo! Essa cena da revelação é TÃO sem sal… num comparativo ela não tem um pingo da sutileza da revelação de Bruce a Rachel em Batman Begins, que é um clichê, mas bem-feito e não jogado de qualquer jeito como aqui. A seguir tem um momento visualmente bonito da conversa entre Peter e Mary Jane.

E depois de não terem feito nada de útil o filme inteiro…

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Na última hora Harry descobre o legado do Duende Verde. Mary Jane “recebe” Julia Roberts e sai correndo da igreja largando o filho de Jameson no altar para ir atrás de Peter. Essa parte é tão atroz que vendo ela correndo eu tive a nítida impressão que o Peter estava prestes a embarcar num avião pra bem longe… Mas lá estava Peter Parker, sentado no seu apartamentinho… mais broxante impossível! hehehehe!!!

O roteiro desse filme não consegue criar uma história bem amarrada, com começo, meio e fim como o anterior. O que se vê aqui caberia melhor numa série de tv. Outro erro é não pensar a longo prazo, o que ajudou a prejudicar a franquia como um todo.

Se Norman, além da fórmula do Duende, precisava de uma armadura pra enfrentar o Aranha no primeiro filme, como o Dr. Octopus pode sair na porrada com o Escalador de Paredes se ele só tem tentáculos acoplados ao corpo e não super-força e muito menos proteção? Raimi peca pelo exagero em ambos, mas no caso de Octopus beira a inverossimilhança, já que vai contra a lógica criada pelo próprio diretor.

E se em vez do síndico e de sua filha, não seria melhor que quem ocupasse esse espaço fossem o Capitão Stacy e Gwen, assim já apresentando-os ao público? Mas não, eles acabaram sendo jogados no 3, que acabou sendo um filme ainda mais equivocado do que esse…

Quando o Octopus mata a equipe de cirurgia. Essa cena fez referência ao cinema de terror, tem momentos em que só aparecem as sombras dos tentáculos, sem falar da serra elétrica. O Sam Raimi está habituado com isso, desde os tempos de Uma Noite Alucinante. Mas eu fiquei meio frustrado de no fim o vilão ser a inteligência artificial dos braços e não o próprio Octavius.

Continuo achando o primeiro filme melhor do que esse.

O filme 3 só é bom naquelas propagandas compradas que passavam na tv quando o filme estava em exibição no cinema. Era um negócio tão exagerado que estava na cara que era pra melhorar a imagem do filme.

harry-osborn-in-spider-man2Quanto ao 2 continuo achando que exatamente a bela caracterização do Peter Parker/Homem-Aranha deixa mais nítido o quanto o universo dele foi pobremente adaptado no cinema. Nesse filme Harry fica bêbado metade do tempo, Mary Jane fala com o Peter como se fosse a Gwen Stacy (por que não usaram a Gwen logo então?) e Tia May e Jameson são os únicos coadjuvantes que aparecem bem desenvolvidos. O filho do Jameson está fazendo o que nessa história, meu Deus? Até o Octopus querendo fazer um aparelhão de fusão nuclear que destruiria a cidade parece mais assunto pra um episódio de uma série do que de um longa-metragem. E não podemos esquecer da brilhante participação do mordomo de Harry Osborn… que aparece em UMA CENA em HA 2 e no HA 3 resolve tudo! rsrs

Por: Guilherme Cunha.   Blog: Panorama Imaginário.

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2). 2004. EUA. Direção: Sam Raimi. Elenco: Tobey Maguire (Peter Parker / Homem-Aranha), Kirsten Dunst (Mary Jane Watson), Alfred Molina (Otto Octavius / Dr. Octopus), James Franco (Harry Osborn), Elizabeth Banks (Betty Brant), Bruce Campbell (Snooty Usher), Rosemary Harris (Tia May), J.K. Simmons (J.J. Jameson), Vanessa Ferlito (Louise), Ted Raimi (Hoffman), Dylan Baker (Dr. Curt Connors), Joanne Baron (Jane Brown), Daniel Gillies (John Jameson), Donna Murphy (Rosalie Octavius), Willem Dafoe (Norman Osborn). Gênero: Ação, Aventura, Crime, Sci-Fi, Thriller. Duração: 127 minutos. Baseado em estória de Miles Millar, Alfred Gough e Michael Chabon e nos personagens criados por Steve Ditko e Stan Lee.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire. 1994)

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Louis perdera sua esposa e seu filho no decorrer do parto da mesma. Sua primeira morte. Na obra, Louis diz: “Não suportava a dor da perda; queria me livrar dela. Queria perder tudo: minha riqueza, minha propriedade, minha sanidade. Mais do que tudo, eu queria morrer. Eu sei agora, EU A ATRAÍ. Uma libertação da dor de viver. Meu convite estava aberto a qualquer um. À prostituta ao meu lado. Ao cafetão que seguia. Mas foi um VAMPIRO que o aceitou.”

Eis que Lestat entra na vida de Louis e o morde; drena seu sangue e o deixa à beira da morte. Pergunta-lhe: “Ainda deseja morrer ou já experimentou o suficiente?” Louis responde: “Suficiente“.

Vejamos o que já tenho para dissertar diante desses primeiros dez minutos de filme.

Schopenhauer é sábio ao dizer: “Cuidado com seus desejos, eles acontecem“. Sim! Os desejos acontecem, sobretudo esses que são de uma ordem que o sujeito não imagina tê-los pois são inconscientes. Aqui não me refiro sobre desejar uma pessoa e tê-la… não… isso é uma bobagem! Desejo aqui é de outra ordem… refiro-me ao desejo, por exemplo, de sentir dor e cair no chão sem mais nem menos; ou desejo de morrer e a partir disso “gripar” com frequência… Essas coisas são pouco associadas ao desejo, pois os sujeitos tendem a pensar que desejo é sempre altruísta, e não é!

Ora, vamos Vampira, quer dizer então que eu atraio a desgraça? SIM! Se este for seu desejo, mesmo que inconsciente, sim! Nada, além de você, é responsável por aquilo que lhe acomete! E Louis sabia disso… e disse: EU A ATRAÍ. Quem? A Morte! Pelas mãos de quem? De Lestat. Casal perfeito na ocasião: um queria morrer e o outro queria matar.

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E então, depois de Lestat ter abandonado Louis nas margens do Mississipi, em algum lugar perto da vida e da morte, Louis foi se despedir do amanhecer. Ele diz: “Naquela manhã, eu não era um vampiro e vi meu último amanhecer. Lembro-me muito bem, mesmo que não me lembre de nenhum anterior a esse. Vi a magnitude do amanhecer pela última vez como se fosse a primeira. Então me despedi da luz do Sol e me preparei para me tornar o que me tornei“.

Quantas vezes damos valor aquilo que aparentemente temos todos os dias? Quando se perde, há o valor? Louis implorou para perder tudo e perdeu… embora toda perda implique num ganho, mesmo que secundário.

É o que a Psicanálise chama de Ganho Secundário da Doença. Por exemplo, o sujeito quer atenção, carinho, amor e não sabe falar que quer isso, nem sabe dizer de quem ele quer receber isso, pois nem dele mesmo não serve. Então ele adoece, e assim recebe carinho, nem que seja dos médicos… quantos não vemos nessa condição? Nesse pedição de esmolas? Muitos né? Louis não era diferente disso… em nome de seu desejo, ele encontrou-se com a morte em vida. E como todo bom neurótico, a condição existencial dele, como vampiro, era culpa de Lestat rs. Não culpemos os desejos do bom rapaz… rs

Acredite: você que me lê agora, assim como eu, é culpado de muita desgraça alheia rs. Lestat brinca, em certa ocasião, com Louis, aliás, com a culpa de Louis. Lestat diz: “Como você ama essa maldita culpa“.

Sensacional!!! Matou a charada!!!

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Aliás, Lestat é brilhante! Ao menos para mim. Enquanto Louis choraminga sua condição existencial perante à sua natureza e à natureza em si; Lestat vive em conformidade com à natureza, inclusive e sobretudo, à sua própria. Sente dor? Obviamente que não! Dor desprazerosa é para quem não aceita sua condição. E Lestat diz isso… Ele fala: “O mal é um ponto de vista, Louis. Você é o que é! A dor é terrível para você? Sente-a como nenhuma outra criatura porque és um vampiro. Não quer continuar a sentir dor? Então faça como manda a sua natureza“.

Vejamos, aqui não digo que devemos maltratar as pessoas, mas devemos ser como nós somos independente se isso causará um desamor, um desafeto; isso nos evita adoecermos!!!

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Lestat transforma Claudia em Vampira e a entrega a Louis como sua nova filha. Louis, de repente, ganha outra família! Mas a sua culpa, seus excessos de lamúrias o faz perder tudo, menos a vida de vampiro… E depois que perde tudo, percebe que perdeu duas famílias, propriedades, riquezas; como ele assim desejou.

Amém, que seja feita as nossas vontades

Por: Vampira Olímpia.  BLog: Castlevanya.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire). 1994. Com a direção de Neil Jordan, apresentaram-se nessa linha tênue vida/morte um elenco de primeira qualidade: Tom Cruise – Lestat; Brad Pitt – Louis; Antonio Banderas – Armand; Stephen Rea – Santiago; Kirsten Dunst – Claudia; Christian Slater – Malloy. Gênero: Terror. Duração: 123 minutos. Baseado em livro de Anne Rice.