Série: Os Mistérios de Laura (2014 / )

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Lucille Ball - Debra Messing - Sitcom

Lucille Ball – Debra Messing – Sitcom

Ver Debra Messing integrando uma nova Série deixa uma tristeza porque com isso se vai a esperança de novas Temporada para a Série “Smash”. Mas por outro lado, e até porque o show deve continuar, é muito bom vê-la atuando em uma nova Série! É que ela é uma ótima atriz! E ela me leva a lembrar de Lucille Ball. Já que Messing também ocupa o espaço que Ball fez tão bem, as comédias de situações (sitcom) na televisão americana. Se a Ball estampava o papel da mulher em décadas passadas, estereotipando mesmo esse papel na sociedade de então, a Messing a coloca na nova realidade da mulher, com multi-tarefas, inclusive trabalhando fora, sem esquecer do humor. Primeiro com a Série “Will & Grace” e agora com “Os Mistérios de Laura“. É! O lar não é mais o limite da mulher!

os-misterios-de-laura_02Assim, temos como pano de fundo em “Os Mistérios de Laura” o drama da mulher moderna em conciliar o papel de mãe, dona de casa com o lado profissional. E em se tratando de uma série cômica há de se exagerar nessa balança… Enquanto a detetive da polícia tem que encarar até marginais barra pesada, a mãe precisará lidar e tentar por freios nos próprios filhos que são hiperativos: os gêmeos Nicholas e Harrison Broderick (Charles e Vincent Reina). Mais! Com doçura ou firmeza, de qualquer forma a mulher atual ainda tem diante de si um mundo ainda dominado por homens, e mesmo dentro da cultura ocidental.

os-misterios-de-laura_josh-lucas_e_debra-messingA personagem de Debra Messing é a Detetive Laura Diamond, da Homicídios de Nova Iorque, que prima mais pela intuição para solucionar os casos. Laura logo no início vê a tão sonhada promoção se esvair: é que colocam um homem para o tal cargo. Como se não bastasse quem ocupa a vaga é seu ex-marido, o agora Capitão Jake Broderick, personagem vivido por Josh Lucas. Jake ainda nutre um desejo de voltar a ocupar o coração de Laura, mas a pulada de cerca que dera ainda está bem viva nas lembranças dela. Pelo menos ambos mantém um clima mais tranquilo diante dos filhos.

Esses gêmeos meio que desconcentram a mãe na educação deles. O que ao longo da série tem surgido babás que tentarão ajudá-la nesse intento. Até porque pelo pai “ausente” eles acabam é ganhando mais pilha para a bagunça. Laura até contratou uma ativista que tinha sido presa: uma jovem mimada que mostrou ter um certo poder de intimidação sobre os gêmeos em visita a chefatura de polícia. Ambos os atores mirins ainda não demonstraram todo o talento que os personagens pedem. O que é uma pena! Tomara que consigam! Até porque o contexto pede carisma desses personagens. Do contrário quem continuarão roubando as cenas, além da Laura, serão as babás. A tal ativista, Sami (Kahyun Kim), merece até voltar mais vezes!

os-misterios-de-laura_03Laura tem como parceiro o Detetive Billy Soto (Laz Alonso). Por querer muito bem a ela, e até em respeito a essa parceria que tem dado certo quando estão em campo, sente que poderá ser pressionado pelo novo chefe. Mas Billy é um cara safo, logo podendo ficar sem tomar partido entre Laura e Jake! Alonso até que faz uma boa dobradinha com a Messing. Ainda na Chefatura há Meredith Bose (Janina Gavankar) e Max Carnegie (Max Jenkins). Enquanto Meredith tenta mostra sua competência no campo da investigação, Max prefere mais é ficar nas pesquisas via internet. Além da Laura, outro que rouba as cenas quase sempre é ele, o Max.

Os Mistérios de Laura” é muito mais um sitcom – mesmo não tendo as risadas de fundo tão comuns a esse tipo de comédia -, do que uma série policial: é puro entretenimento. Que em meio a tantas séries criadas sem saber se sobreviverão ao mercado da audiência da televisão nos Estados Unidos, já chega pelas bandas de cá com duas temporadas. É transmitida pelo canal Warner. Se haverá uma terceira, ainda é uma incógnita. O bom mesmo é em ver Debra Messing atuando! Que também pode ser vista nas reprises da outra série, a ótima “Will & Grace“, que o canal Sony resolveu dar mais espaço, já que antes só era transmitida pela madrugada. Pois é! É uma série puxando outra… Bom para nós, fãs de Debra Messing!

Ah! “Os Mistérios de Laura” é uma adaptação de uma série mexicana. Onde até o momento ainda não entendi bem o porque desse “mistérios” no título. Não sei se porque a série original pende mais para o drama… Enfim, com ou sem mistérios de fato, a versão americana é uma comédia. Fica a sugestão pois é uma ótima distração! Eu estou gostando! Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

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A Primeira Coisa Bela (La Prima Cosa Bella. 2010)

Mama! Por que eu sou tão triste?

Pode um Sol fazer mal aqueles que tanto ama? Ainda mais se o que mais quis foi iluminar as faces desses seres. Mais ainda nos períodos de trevas. Por outro lado, pode alguém não saber lidar com alguém tão carismático a ponto de lhe desnortear por tanta luz que irradia? Essas são algumas das reflexões desse filme. Que basicamente “A Primeira Coisa Bela” nos mostra uma relação entre mãe e um filho.

Ela, a mãe, é o Sol dessa história e em via de se extinguir: por conta de se encontrar em fase terminal. Ela é um ser de tanta luz, que nem esse fato a aquebrantou. A cada amanhecer resplandece com tanta alegria que causa admiração entre o corpo médico e os demais internos. Na primeira fase, que conheceremos por flashback do filho, ela, Anna Michelucci, será interprtada por Micaela Ramazzotti. Já na fase atual, quem fará é a atriz Stefania Sandrelli. Não sei se por carência de um excelente maquiador que o Diretor Paolo Virzì preferiu assim, em colocar duas atrizes. Mesmo com todo o processo penoso de um câncer, seriam um salto de quase três décadas entre as duas fases mostradas. Mas ficou melhor assim, já que o peso de uma maquiagem ao envelhecer essa personagem, por certo tiraria o viço ainda existente nessa criatura esfuziante.

A frase no alto do texto é meio sussurrada por esse filho, e já na fase atual. Ele é Bruno (Valerio Mastandrea). Um Professor, que no passado sonhou ser um Poeta. E que se sente um perdido na vida. Mesmo mantendo uma relação estável com alguém de mais posse do que ele. Mesmo tendo ele próprio preferido abandonar seu passado ainda adolescente. Muito embora só tomou essa decisão sob um certo patrocínio: de alguém que também se ressentia da presença marcante de Anna. Mas Bruno parecia ainda preso a esse rebelde sem causa.

Quem vai buscar pessoalmente Bruno, é sua irmã Valéria (Claudia Pandolfi). Ela que de certa forma era a quem mais admirava a mãe a enfrentar as vicissitudes da vida. Mesmo ainda criança, assim ainda sem consciência de fato com o que acontecia a sua volta. Com isso, ela não entendia muito a fuga do irmão. Nem lembrando muito da violência do pai. Esse era outro que não soube entender Anna. Valéria, sem maiores pretensões por uma carreira profissional, casou cedo e foi tentar ser o Sol para a sua própria família: marido e dois filhos. Mas seus filhos também admiravam a avó. Um deles meio que idolatrava o tio Bruno, mas pelo o que a avó contava. Anna meio que fantasiava a realidade, mas não como fuga, e sim como um jeito de prestar mesmo a atenção no que poderia tirar de positivo. Um jeito Amélie Poulain de ser. Bela por demais, despertava a luxúria dos homens, e uma inveja pelas mulheres na pequena cidade de Livorno.

A princípio Bruno se nega a voltar a cidade natal, não se sente preparado para revisitar antigos fantasmas. Mas como se encontra também com dificuldade em enfrentar o seu momento atual, se deixa levar. No fundo, talvez sua maior frustração seja o de se deixar levar por mulheres mais decididas. E nessa volta, ele fará um grande mergulho e conduzido por sua mãe, mas por conta de uma fuga dela do asilo. Ela queria, tinha ainda umas coisas a fazer. Ou melhor, ainda a vivenciar antes de morrer.

E é nessas últimas horas vividas com a mãe, que Bruno descobrirá suas próprias verdades. Será um divisor de água em sua vida. Enfrentando seus medos. Mas pelo seu day after, no final do filme, eu sonorizei um “Nossa!”. Detalhar o porque, seria trazer um grande spoiler. Mas ressalto que meu uma certa pena no porque ele conseguiu se libertar dos seus grilhões.

O título do filme – A Primeira Coisa Bela -, é o nome de uma canção que Anna cantava junto com os filhos nos piores momentos, e o fazia para que sorrissem para a vida. Como na máxima: “Quem canta seus males espantam!”

Então é isso! É um mergulho num universo masculino, numa parada para revisão, mas que de certa forma foi o destino que o livrou de uma prisão que ele próprio construiu. Por isso, e muito mais, eu digo que o filme é muito bom! Mas que não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Primeira Coisa Bela (La Prima Cosa Bella. 2010). Itália. Direção: Paolo Virzi. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 122 minutos.

Precisamos Falar Sobre O Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)

CLIQUE NO GIF ACIMA PARA VER A CURTA ANIMAÇÃO PREPARADA PARA VOCÊS.

Olá, pessoal. Hoje farei uma crítica que já planejo há um bom tempo, entretanto preferi esperar para que o filme estreasse nos cinemas brasileiros para que as pessoas que lessem tivessem a oportunidade de assistir. Quem leu meu post sobre Adaptações Cinematográficas de Livros deve lembrar que citei esse filme como sendo uma das adaptações mais diferentes que já assisti. Quando digo diferente não é no sentido de não haver fidelidade para com o livro, e sim do longa não ofender o romance, mas apresentar uma visão bastante particular da trama. Taxado como polêmico, assustador e surpreendente. “Precisamos Falar Sobre o Kevin está chocando o público, vocês devem estar perguntando o porquê disso. E é simplesmente por que tudo aquilo é algo bastante realista e não há nada mais assustador no cinema do que nós acreditarmos que aquilo mostrado nas telas pode acontecer na realidade. O relacionamento de amor e ódio de uma mãe com o filho, possivelmente, psicopata é algo que realmente instiga as pessoas. Numa das cenas geniais, Kevin comenta em tv aberta o fato do público televisivo dar tanta atenção aos psicopatas, afinal será mesmo que as pessoas não gostam de ouvir esse tipo de coisa? essa é uma das sugestões polêmicas que a história coloca.

Best-Seller de Lionel Shriver

O livro de Lionel Shriver foi recusado por muitas editoras e quando finalmente foi aceito, virou sucesso. A trama acompanha a história de uma mãe, Eva (Tilda Swinton), que sofre as conseqüências dos atos de seu filho Kevin (Ezra Miller), já preso por cometer uma chacina na escola. Como se não bastasse ser julgada e perder todo o dinheiro no tribunal, acusada de negligência materna, Eva tem que suportar diariamente o preconceito nas ruas, as pessoas acreditam que a revolta do rapaz possa ter vindo de falhas maternas. Então ela faz uma recapitulação, narrando tudo para Franklin (John C. Reilly), seu marido que a deixou levando a filha pequena. A partir daí acompanhamos do nascimento de Kevin até a data do massacre, sempre alternando entre o presente e as memórias de Eva. Quando tudo começa, ficamos espantados com a relação entre os dois. Kevin não era uma criança fácil e sempre fez questão de expôr sua natureza fria utilizando a mãe como alvo. Eva também não fica muito atrás, seus pensamentos de raiva pelo menino nos deixam na dúvida se realmente seus atos influenciaram no que Kevin se tornou. E é aí que surgem nossas dúvidas. Por que Kevin fez aquilo? Será que sua monstruosidade é justificável pelo elo fraco com a mãe? Eva é ou não culpada? Kevin sempre foi psicopata? Eva estaria paranóica desde que a criança nasceu ou é verdade que o tempo todo notara as inclinações assassinas do filho?

Momentos tensos

As respostas para as perguntas acima são bastante relativas, o que faz com que cada pessoa saia da sala de cinema com um filme diferente na cabeça. Acredito que a monstruosidade do rapaz seja tamanha que ficará bastante constrangedor para alguém defendê-lo, no livro até o advogado se sente desconfortável pela reação de Eva. Ela tenta “permanecer de pé”, evita chorar na frente dos outros, o que faz com que a maioria pense que é uma mulher fria. Eva guarda a culpa para si mesma, o que torna tudo tão doloroso. Ela sente que precisa ser castigada pelo que seu filho fez, por isso não se zanga com a reação violenta das pessoas. Cabe a nós sabermos se ela realmente influenciou.  Quando chegamos ao final da trama, temos uma revelação que mudará todo o jogo. O assustador final é inevitável e alerto para que as pessoas estejam preparadas para a indignação.

Falando em indignação, estou profundamente decepcionado com a Academia do Oscar que não indicou Tilda Swinton como Melhor Atriz, mas indicou Rooney Mara. Não que a novata não mostre talento, mas quem assiste a “Precisamos Falar Sobre o Kevin” sabe muito bem que aquele talvez tenha sido o papel da vida de Tilda. Ela se entregou completamente para o papel, não assisti a nenhuma atuação tão surpreendente durante todo o ano. Logo é natural que a credibilidade do Oscar caia no meu conceito. John C. Reilly não tem quase nada a ver com a aparência do Franklin do livro. Apesar dele não ter muitos diálogos, só sua imagem é suficiente para o associarmos com um pai preocupado e que tenta simplesmente acreditar que seu filho é normal. Kevin se transforma na presença do pai, o que faz com que Eva sempre seja julgada como exagerada pelo marido.

A água como a vida aparentemente calma de Eva, até Kevin acabar com tudo com apenas um toque.

Ezra Miller parece que vem se preparando involuntariamente para Kevin através de outros papéis. Após interpretar um garoto com possíveis tendências psicopatas em outro filme de Cannes (Depois das Aulas), o jovem agora pode ser conhecido como o bad boy de Hollywood. A participação de Ezra como Kevin não é longa, porém marcante. Quem rouba a cena como Kevin é o ator mirim Jasper Newell, que provavelmente conseguiu a proeza de despertar a vontade de todas as mães, na platéia, de lhe dar uma bela surra.

Ela percebeu as tendências do filho desde o princípio

O defeito do filme é em alguns momentos deixar escapar a semelhança de Kevin com outros monstrinhos do cinema. É inevitável não lembrar de Damien de A Profecia. A diferença de Kevin para Damien é que o filho de Eva é praticamente uma abordagem nova sobre a psicopatia. Se em A Profecia, o menino não tinha um bom elo com a mãe por ser o anticristo, em Kevin a situação é explorada sem receio. A realidade é que muitas mães sofrem por não conseguirem ter uma boa ligação com seus filhos (exemplo disso é a depressão pós-parto), isso sempre foi visto de maneira assustadora pela sociedade, mas é algo que acontece. Em A Profecia, isso foi transformado numa fantasia onde a desculpa pela falta de vínculo materno ocorre pela criança não ser o filho verdadeiro do casal e, sim, do diabo. O que torna “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tão assustador é justamente o fato de não haver fantasias. Kevin não é adotado e não é o anticristo. Eva teve muita dificuldade em gostar da criança no princípio, porque para ela aquele bebê significava a perda da independência. Nós sabemos que a criança sente quando isso acontece, o problema é a reação de Kevin. Quando a mãe tenta se aproximar dele, ele sempre recua e não deixa uma oportunidade de machucar a mãe passar em branco.

Eva imaginando o afogamento do filho

Há uma situação que talvez alguns não entendam completamente no filme, porém que fica bastante claro no livro. A cena em que Eva quebra o braço de Kevin num acesso de fúria pelo que o menino faz. O menino estava com um leve sorriso no rosto quando isso aconteceu. Kevin não contou para ninguém o feito da mãe. O que nos deixa intrigados é o porquê dele fazer isso. Ao mesmo tempo que Kevin mantém segredo, ele utiliza isso como arma para “aprontar” sem que a mãe o delate, senão ele conta sobre o braço. Mas, como todas as atitudes de Kevin têm dois lados da moeda. É possível também que ele não tenha contado para ninguém porque, como Eva cita no livro, aquele foi o único momento em que ele pôde se identificar com a mãe, pois se sua natureza era violenta ele buscava alguém com quem se identificar, e é terrível sua alegria quando a mãe demonstra raiva. Parece uma maneira de “atiçar” Eva como desculpa para também ver o lado obscuro de outra pessoa. Em uma das partes do livro, Kevin na escolinha convence uma menina com doença de pele a descascar a pele ruim (até sair sangue), como se desejasse libertá-la daquele incômodo ou fazê-la se machucar. Não há limites para as crueldades do menino até a adolescência, poucos notam sua verdadeira face, mas suas atitudes sempre possuem duas possibilidades. E o mesmo jamais demonstra culpa.

Kevin sente culpa?

Sobre o conteúdo, não é fácil para algumas pessoas ler os diálogos cruéis do livro. Por isso algumas coisas foram suavizadas no filme. Um exemplo são as visitas de Eva a Kevin, onde no romance há uma troca de farpas de deixar qualquer pessoa horrorizada com tamanha crueldade do filho e as respostas terríveis da mãe. No longa isso não aconteceu, deixando o silêncio tomar conta das cenas como uma forma de expressar a dificuldade que Eva possui ao ter de visitar o filho. No final da leitura e da projeção percebemos o porquê dela odiar o filho em tantos momentos. Mas não se assuste, você (leitor dessa crítica). Apesar do filme revelar que não há limites para a crueldade humana, também coloca a ausência de barreiras para o amor de uma mãe. Eva continua vendo Kevin porque ainda tem a esperança de que um filho que a ama esteja ali dentro. “Precisamos Falar Sobre o Kevin” prova isso da maneira mais realista possível. Enquanto assistimos a esse filme é importante ficar claro a quantidade de mulheres que estão passando por esse sofrimento de culpa ao presenciar a prisão do filho. A verdadeira pergunta que deixo aqui é: Será justo julgá-las sempre negativamente?

Tilda Swinton na cena mais emocionante, a da descoberta. Digna de Oscar.

Laços de Ternura (Terms of Endearment. 1983)

lacos-de-ternuraRevendo o filme, ‘Laços de Ternura‘, após tanto tempo, me levou a pensar num paralelo com a atualidade. Além do ato de ser mãe. Nesse tocante vem a máxima que diz que mãe é tudo igual, só mudando o endereço. E pela época do filme, pela história contida nele, nem dá para dizer que muita coisa mudou de lá para cá.

Mais de 20 anos se passaram e ainda vemos muitas mulheres gerando um filho atrás do outro sem o menor planejamento. Meio frio de minha parte, concordo. Mas há sim o de se pesar o orçamento do casal. Se terá como arcar financeiramente com a educação. Jogar nos ombros dos avós essa responsabilidade eu não acho justo. Não com uma imposição velada. Uma das ajudas que poderia ser, seria por conta de algo como nesse filme. No final dele.

O filme também fala do aborto. Numa conversa entre mãe e filha. Para que vejam que nada mudou em todos esses anos ainda é feito em larga escala, mesmo sendo ilegal. Recentemente foi feito uma pesquisa sobre esse tema, chegando nesse resultado: “Quase 4 milhões de mulheres fizeram aborto no Brasil nos últimos 20 anos. Em sua maioria, o grupo não é formado por adolescentes, mas por mulheres entre 20 e 29 anos. Mais da metade se declarou católica. E mais de dois terços já têm filhos. A maior parte optou pelo aborto como forma de planejamento familiar.” Como podem ver, faltou o o planejamento que citei anteriormente.

O filme também traz as puladas de cerca. De um lado, procurando nisso dar vazão aos desejos do corpo. Do outro, por não querer romper de vez com o matrimônio. Naquela de até que a morte os separe? Há também um terceiro motivo: os filhos. E até por conta deles também pesará as pensões advindas num rompimento. Se a grana anda curta, o que dirá tendo que manter duas casas? Então, enquanto ninguém reclamar, mantém-se toda a situação.

Entraria aqui até essa máxima: “O que os olhos não vêem, o coração não sente“. Ou outra mais cínica: “Se quer trair, que o faça sem deixar rastros“. Até aqui como podem verem todos esses anos nada mudou. Muito de nós conhecemos relacionamentos assim. Mas apesar de pontos em comuns, cada relação é única.

Entrando no filme… Aurora (Shirley MacLaine) só quis ter uma filha. Talvez pelo seu temperamento. Com mais um tempo de casada, enviuvou. O filme dá outro salto no tempo, e então começa de fato toda a trama. Às vésperas do casamento de sua filha Emma (Debra Winger) com Flap (Jeff Daniels). Aurora não aprovava o casamento. Para ela, a filha iria sofrer por ele ganhar muito pouco. Flap era Professor. Mas Emma nasceu para ser Dona de Casa. Nem quis continuar os estudos, nem arrumar um emprego fora de casa. Queria mesmo cuidar do Lar, do marido e dos filhos. Então foram morar longe de Aurora.

jack-nicholson_and_shirley-macLaine_terms-of-endearmentAurora por sua vez embora sempre cortejada por uns amigos se fechou a um novo amor, ou mesmo as simples relações. Bloqueando os seus apetites sexuais. Diferente da filha que mantinha um caso extra-conjugal com Burns (John Lithgow). Flap também mantinha um caso com uma aluna. Tudo seguia sua rotina na vida de Aurora até que entra em cena um barulhento vizinho, Garret (Jack Nicholson), e que não saía mais de seus pensamentos. Mas passaram-se 15 anos para ela tomar a iniciativa. A cena da primeira saída dos dois é memorável.

Por não gostar de rédeas, após um namoro, Garret mesmo gostando dela, resolve sair de cena. Até que com uma virada do destino, pela perda de um membro da família, todos se unem para cuidarem das três crianças.

Um belo filme! Para ver e rever. A trilha sonora é linda, mas uma em especial, é de querer ouvir várias vezes. Ouça-a:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Laços de Ternura (Terms of Endearment). 1983. EUA. Direção e Roteiro: James L. Brooks. Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado em livro de Larry McMurtry.

A TROCA (Changeling. 2008)

changeling-posterLembro-me de um filme bastante aterrorizante da década de 80, chamado: “A Troca” (The Changeling) de Peter Medak. O filme em questão apesar de ter quase o mesmo título foi dirigido por Clint Eastwood e não é de terror, mas assombra da mesma forma, especialmente por ser baseado em fatos reais e impressionantes.

A estória mantém o espectador com os olhos grudados na tela para acompanhar o sumiço de uma criança que é inacreditavelmente substituída na intenção de tentar melhorar a imagem da polícia californiana, imersa na corrupção, desídia e truculência dos anos 20.

Nada mais apavorante do que a angústia de uma dúvida. A incerteza apavorante que atravessa o filme inteiro lhe confere com justiça o status de thriller. Há alguns excessos em algumas cenas de morte e em algumas performances. Uma abordagem mais sutil em alguns momentos o transformaria num grande filme, mas não vou falar mal de Angelina Jolie que está sendo injustiçada. Ela está bem no papel.

Por: Carlos Henry.

A TROCA (Changeling). 2009. EUA .Direção: Clint Eastwood. Elenco: Angelina Jolie, John Malkovich, Riki Lindhome, Jeffrey Donovan, Amy Ryan, Colm Feore, Devon Gearhart, Kelly Lynn Warren. Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 141 minutos.