O Substituto (Detachment. 2011)

o-substituto_2011Por: Francisco Bandeira.
E eu nunca me senti tão imerso em uma pessoa ao mesmo tempo em que estou tão desapegado de mim mesmo e tão presente no mundo.” (Albert Camus)

Tony-Kaye_CineastaMas Tony Kaye escancara que os problemas da sociedade hoje são ligados diretamente a criação dos jovens e a um mal que vem tomando conta do mundo: A SOLIDÃO. Sim, essa que nos afeta, que nos faz guardar nossos segredos, ao ponto de virarmos uma verdadeira bomba relógio prestes a explodir. É a solidão que nos deprime que nos enfraquece e que nos coloca o medo e nos tira sentimentos preciosos como amizade e compaixão.

E o que falar da loucura deste mundo de hoje? Que abraçar uma pessoa pode te colocar como suspeito de um crime grave, porém matar a sangue frio um animal é algo que parece rotineiro em nosso cotidiano. Que mundo é esse que o desapego parece ser hereditário? Que mundo é esse onde os pais estão mais despreparados que os filhos? Que não sabem decifrá-los, que não sabem orientá-los para o melhor caminho. Que mundo é esse, onde as pessoas que querem fazer algo para mudar parecem perder a esperança ao ponto de escolherem tirar suas próprias vidas de tão exaustos que estão delas mesmas?

o-substituto-2011_adrien-bodryO Substituto‘ poderia soar cansativo pelo teor extremamente cru e pessimista, porém neste aspecto a montagem é brilhante por dar um ritmo agradável ao longa e usando flashbacks de forma inteligente durante o filme. A fotografia do próprio Kaye é interessante, alternando cores fortes, preto e branco, usando as sombras quando Adrien Brody aparece sozinho, fazendo meio que um depoimento e embaçando o rosto do protagonista de forma curiosa durante a projeção. Seu trabalho de direção é preciso, empregando um tom quase documental a obra, aumentando ainda mais o impacto de algumas cenas. O roteiro é o ponto forte do filme, com questionamentos fortes, inteligentes e conduzidos com maestria. Reparem no tom pessimista através dos monólogos de Barthes, como se tivesse perdido a esperança nos jovens e, especialmente, em sua família, mostrando que não resta muita coisa aos professores que operam verdadeiros milagres em sala de aula.

O elenco está fabuloso, repleto de nomes conhecidos como Lucy Liu, James Caan, Blythe Danner e Marcia Gay Harden brilhando em cena. A surpresa fica por conta da estreante Sami Gayle, que consegue pegar uma personagem meio batida e inserir uma enorme complexidade nela, graças a coragem em sua composição. Ainda tem Louis Zorich espetacular como o avô do protagonista, em um homem que sofre de Mal de Alzheimer e pensa sinceramente que sua vida não merece ser lembrada, afinal, nem ele se lembra dela mesmo. Mas o grande destaque fica pela atuação visceral de Adrien Brody. O ator vive Barthes de forma intensa, oferecendo um dos melhores (senão o melhor) desempenhos de sua carreira. E o interessante em seu desempenho vem de sua postura com os ombros curvados, do olhar cabisbaixo, devastado, da mudança em seu tom de voz, a fúria contida explodindo de dentro pra fora. Suas lágrimas, que soam verdadeiras, assim como a profunda melancolia estampada em seu rosto, em suas lembranças e na desesperança presenciada em seu dia-a-dia, mostrando todo peso que aquele homem carrega mesmo tendo como regra a INSENSIBILIDADE.

o-substituto-2011_01Bullying, suicídio, assédio, abuso, prostituição infantil, desigualdade social, sistema de ensino público e hospitais com pessoas desinteressadas e desmoralizadas regendo algo de fundamental importância. Todos esses problemas são tratados com extrema atenção por Kaye, que dá a cara para bater, nunca fugindo dos questionamentos levantados durante a fita, que permeiam este vigésimo primeiro século de vida. O filme não é uma crítica direta a “Geração Y” como muitos apontam, mas sim aos pais destes jovens de hoje. “Deve haver um currículo para ser um pai“, fala Barthe durante o longa. Nas reuniões das escolas, onde a pergunta que ecoa pelos corredores escuros e vazios são “onde estão os pais dessas crianças?“, em um tom quase desesperador. É o desapego passando quase que de forma hereditária, sendo refletida em manchetes de primeira página dos jornais, mas que ninguém parece ligar para isso.

Sim, os pais precisam de pré-requisitos, pois o comportamento dos filhos é de grande parte influenciada por seus genitores, por aqueles que nos criam e que são nossos exemplos diários. Onde estão aqueles que se importam com seus descendentes? O que vemos é o inverso, são os que têm suas crias como verdadeiros fardos, que vão à escola brigar com os professores por ter que ficar em casa cuidando de “seu rebanho”. Cadê os sentimentos básicos como amor, amizade, respeito, cumplicidade e compreensão? Será que tudo está perdido? Em qual universo a depressão é tratada como uma mera bobagem? Em que lugar você discriminar alguém é engraçado? De que maneira desmoralizar as pessoas pode ser um estímulo para que a mesma possa tentar melhorar suas deficiências? Desde quando você tentar ajudar as pessoas é um delito? É revoltante pensar que tantas questões possam ser levantadas durante 97 minutos, e ainda serem tratadas de maneira tão banal pela sociedade. Será que todos precisam de um Henry Barthes? Porque não podemos simplesmente ser um Henry Barthes? A verdade machuca, mas aqui, é necessária… Necessária não, é obrigatória para acordarmos e começarmos a fazer nossa parte, antes que o desapego tome conta e nos faça querer desistir do amanhã.

Por Francisco Bandeira.
Avaliação: 8.5

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O Cinema Mergulha no Universo Feminino E Sai Revigorado!

because-i-said-soQuem diz que nós mulheres somos o sexo frágil por certo não aguentaria a tripla jornada de trabalho que não apenas executamos bem como também ainda com um sorriso face a face. Pois é! Nosso giro cinematográfico será com personagens femininas. De dondocas às que pegam no pesado. Doidivanas ou centradas. Amadas ou não. As que romperam seus próprios limites. Mas acima de tudo com orgulho em ser mulher. Enfim, um pouco de cada uma delas. Vem comigo!

Entre tantos filmes para iniciar acabei optando por um que apesar da crítica ter crucificado, eu gostei! É o “Minha Mãe quer que eu case“. E por que? Não apenas por eu ser fã da Diane Keaton. Mas até por uma passagem do filme (Durante a cena da foto.) onde ela confidencia algo para a sua filha. Algo que era raro de acontecer entre as mulheres de gerações passadas. Não apenas de confidenciar a própria filha sobre relações sexuais, como também o fato de nunca ter sentido orgasmo. Cena belíssima que não deu para segurar as lágrimas. Mas o filme também foca em uma preocupação nas gerações atuais: o casamento. Ou a preocupação por uma filha que focou mais na carreira profissional esquecendo o lado pessoal. Agora, traçando um paralelo com um outo filme, o “Sex and the City – O Filme” – o qual eu resumiria nisso: ‘as-patricinhas-de-beverly-hills-agora-são-quarentonas‘ -, onde o em comum seria procurar por um marido, eu prefiro muito mais o com a Diana Keaton por já escrachar de vez a situação. Ah sim! O ‘quarentona’ não tem um sentido pejorativo. Ok? É apenas um registro da mudança de idade.

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Ainda em cima de casamentos, no “Vestida para Casar” tem algo como o que disseram (Frase acima.) no “O Amor não tira Férias“. Onde a personagem em questão (Do primeiro filme.) estava vivendo o ser uma ‘dama-de-honra-oficial’ nos casamentos de outras mulheres esquecendo até de si própria. Aceitando apenas o fantasiar em sua vida. Até curtia um amor platônico pelo chefe. Enfim, como as duas personagens do segundo filme, ela também não estava protagonizando a própria vida. E as três mesmo indo bem profissionalmente, não iam bem no lado pessoal. Quem assina a Direção e Roteiro do segundo filme é Nancy Meyers que mete o dedo na ferida nesse tipo de questão: amar e não ser correspondida.

intolerable-crueltyA protagonista de “O Amor Custa Caro” faz do enlace um meio de vida. Ela e um tal ‘clubinho’ por lá, vivem da pensão advinda do divórcio. Se nome de Diretor pesa em não torcer a cara para alguns tipos de filmes, saibam que quem dirige esse é Joel Cohen. O que poderá motivar alguns. Só que eu confesso que o que me motivou mesmo a assistir esse filme foi o ‘colírio’ George Clooney. Gente! As mulheres desse filme chega a assustar, mesmo tendo muitas delas também no mundo fora da ficção.

Agora, também tem aquelas que após anos de casada de repente se veem sozinhas, tendo que arcar não apenas com as despesas, mas também com dívidas que ficaram. Entre tantas sugestões escolho um filme até por ser de um gênero que eu amo: Comédia. Pois a personagem desse filme encontrou um jeito bem peculiar de quitar a dívida deixada pelo marido, e que a levaria a perder a própria casa. E foi ajudada pelo ex-jardineiro. Precisam ver o “O Barato de Grace” um filme de ver e rever. A Grace é ótima! Até porque precisou pegar um atalho para então voltar ao caminho certo.

Acreditariam que um cara abandonou a esposa por ela ser uma pessoa boa demais? Onde até o Padre a induz que cometa um pecado. Mas para alguém que nunca pecou fica difícil sentir que está pecando. Afinal, o que é pecar? Teria apenas um peso para a Religião? Mais! Sexo é algo tão pecaminoso assim? Mesmo sendo “Sexo por Compaixão“? Pois é! O título do filme é mesmo esse, e que vale muito a pena vê-lo. E o grande barato é que essa personagem só fez o que fez para recuperar o marido. E por tabela, acabou salvando muitos casamentos já com longa quilometragem. Onde também só uma esposa muito mais jovem mostrou-se ser a mais radical.

irina-palm-3Agora, entre ficar rezando por um milagre, uma senhorinha resolveu agir. Para conseguir custear o que seria a última chance de salvar seu netinho internado num hospital, essa personagem arregaçou as mangas e pôs a mão na massa, literalmente. Dona de casa até então, sem nenhum preparo profissional, ela teve que superar o que a sociedade prega como viver dentro da moral e dos bons costumes. Mas seria algo tão imoral assim? Seria o fim justificando os meios? Para ela o que pesava na balança era ter a grana para o tratamento do neto. Ela é “Irina Palm“. E que encarou o único emprego que lhe daria um retorno rápido em dinheiro. Como também lhe deu alma nova. O tal empregou a revigorou. O filme é ótimo!

Como se encara uma traição? Dar um tempo indo para longe e vendo se assim esqueceria mais rápido? Ou tentar pagar na mesma moeda?

Foi meio por ai que a personagem de “Um Beijo Roubado” fez ao por o pé na estrada: tentar diminuir a dor pela traição sofrida. Onde nesse percurso conheceu outras desilusões amorosas. Outras formas de tentar reter um amor que já se foi. Num aprisionamento dolorido para ambos. Ou mesmo os que sufocam a queixa de um amor que não era o que esperavam. Um filme lindo! E do mesmo Diretor de “Amor à Flor da Pele” que também fala dessa dor. Sendo que nesse outro há o encontro dos cônjuges traídos, mas pensando em dar um troco. Uma gravata masculina que fez a ponte. Outro filme belíssimo!

Mas quando se descobre que a traição está dentro da própria família? O que faria se soubesse que o marido a está traindo com sua irmã caçula? O que pesa também o se sentir trocada por alguém mais jovem. Você iria mesmo querer saber? Seguindo a máxima: “O que os olhos não veem, o coração não sente.”. Ou você iria preferir fingir que não está sabendo? Numa de: “Ruim com ele, pior sem ele.”. Essa opção é meio complicada em aceitar nos dias de hoje. Mas para gerações passadas era até bem comum. Numa de dizer: “Prefiro as mentiras de meu marido, a ouvir as verdades dos outros.” Quem disse isso, já na velhice, passou seus últimos dez anos inerte numa cama, e teve do marido, tantas vezes infiel, o mais carinhoso, o mais paciente companheiro. Que não demorou muito a falecer depois dela. É algo a se pensar!

hannah-and-her-sisters1Voltando na história onde o marido a trai com a irmã caçula, é no filme “Hannah e suas Irmãs“. Essa personagem, de toda a família, ela é a mais centrada. O que irrita um pouco alguns. Que não esperam dela chiliques, nem muito menos o “rodar a baiana“. Onde mesmo que inconscientemente todos a têm como um porto seguro, e deles próprio. Ela é uma atriz de sucesso. E que nos deixa em suspense se a sua melhor atuação fora em fingir que de nada sabia. Vale muito a pena ver esse filme de Woody Allen.

Mas na busca por prazeres sexuais tem também aquela que trai o marido. Por querer vivenciar o que não sentia em seu casamento. Um Clássico com esse tipo de história é “A Bela da Tarde“. Onde a bela Catherine Deneuve consegue envolver não apenas a platéia masculina, mas a feminina também. Um lado prostituta de ser por gostar muito de fazer sexo, e sexo selvagem. Mas que queria que esse lado ficasse na clandestinidade. Ou seria na sombra? Até porque gostava de todas as mordomias que a vida de casada lhe dava. E um acidente do destino ouviu suas preces, deixando-a livre para levar as duas vidas: dona de casa e  prostituta.

Falando em Clássicos um filme que nos deixou uma outra personagem feminina marcante, e às vésperas dos 80 anos de idade, é “Ensina-me a Viver“. Onde ela mostra que se pode escolher sair de cena com dignidade. Ela, a Maude é eletrizante até seus últimos dias de vida. Levando a um jovem a ver que ele estava desperdiçando a própria vida. E que nos leva a refletir também em cima desse lance: a eutanásia. Belíssimo filme!

awayfromher1Mas como bem diz a canção “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…“, há também um tentar sair de cena, não da vida ainda, mas do relacionamento, com dignidade quando ainda terá um pouco de noção de seus próprios atos. Até em libertar o marido do peso que a doença (Alzheimer) trará na vida do casal. Essa personagem além disso também preferiu não dizer que sabia das escapulidas (traição) do marido ao longo do casamento. Levando-o a amá-la mais por isso, mas até por isso se vê obrigado a respeitar essa decisão dela. Em aprender a viver “Longe Dela“. Ela é especial até por isso.

Com certeza voltarei a esse tema. Até porque em minhas críticas costumo salientar que há muito mais filmes que mostram com muita sensibilidade o universo masculino. Onde também há muitos que costumam esteriotipar o universo feminino. Sendo assim, farei questão de trazer mais e mais personagens femininas. Por hora, fico por aqui. E parodiando a canção: “Não as provoque, essas rosas choque!“.

A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.” Anaïs Nin.
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Um texto de uma coluna em um outro site… Publicado lá em: 11/07/08)

A Dama de Ferro (2011). E o que realmente a retirou de cena!

Se meus críticos me vissem andando sobre as águas do rio Tâmisa, diriam que é porque eu não sei nadar.” (Margaret Thatcher)

Por vários fatores eu não teria como deixar de assistir esse filme. Por Meryl Streep, sim! Por trazer uma personagem feminina como protagonista, inclusive. Mas indiscutivelmente por centrar na primeira mulher a governar uma democracia moderna: Margaret Thatcher. Isso feito, contando da minha emoção com “A Dama de Ferro“!

Ser poderosa é como ser uma dama. Se você tem que provar aos outros que você é, você não é.” (Margaret Thatcher)

O título do filme – A Dama de Ferro – cria uma expectativa de que se verá nele apenas a trajetória política dessa grande estadista. Mesmo que esse lado até nos livros escolares é mostrado, o filme mostra sua subida ao poder e depois seu declínio como passado. Vêem em lembranças em momentos de lucidez, devido a sua condição real e atual: por estar com Alzheimer. Mesmo que até pelo filme não dá muito para dissociar a Política da Mulher, também é por ele que esse outro lado ficamos conhecendo: o de uma mulher a frente do seu tempo. Se alguns acham injustos mostrarem ela já nesse período outonal da vida, que olhem por um outro prisma: a de que certas doenças terminam por tirar de cena quem ainda tem muito por fazer em vida. Então que vejam como um Tributo a essa que fez História: Margaret Thatcher!

Lembranças não podem ficar apenas na memória. Com o tempo, elas se apagam.” (Everton Nunes)

Eu gosto de filmes biografias. Claro que de imediato há uma certa liberdade em como contarão uma história. Primeiro com um texto, depois dando a ele uma nova leitura, e ai já dentro de um contexto visual. Ficando ainda com o Roteiro. Quem escreveu sobre esse filme foi Abin Morgan. Que pelo o que eu li, ela baseou-se em um livro escrito pela filha de Thatcher, o: “Diary of an election: with Margaret Thatcher on the campaign trail in 1983“. Mas como a presença do marido de Thatcher no filme é bem marcante, creio que a Abi também leu um outro da Carol Thatcher, com a biografia de seu pai, Denis Thatcher, o “Below the Parapet“.

Isso vem reforçar, que mesmo o filme partindo da realidade atual de Thatcher, e apenas mostrando o seu passado em flashback, está sim reverenciando essa que foi uma das grandes Personalidades do século XX. Partiu de um olhar da própria filha, passou pelo de Abi, chegando no da Diretora Phyllida Lloyd. E essa por sua vez tinha diante de si um desafio, em contar com muita sensibilidade verso e reverso dessa mulher. A escolha de Meryl Streep foi perfeita! Como também da que faz a Thatcher mais jovem: Alexandra Roach; sendo que essa com um biotipo de acordo com ambas: a real e a Meryl. Saindo-se bem. Conseguiu fazer uma bela ponte para Meryl Streep. Essa por sua vez nos leva com emoção até o final. Um Bravo para todas essas Mulheres, reais e da ficção!

Merece também os aplausos quem fez a maquiagem em Meryl Streep: J. Roy Helland. Foi perfeito no envelhecimento. Ficou muito real. Muito natural. Dando a personagem um envelhecer nada caricato. Em “A Dama de Ferro” também o Figurino como o Cenário atuam como um coadjuvante de peso. É uma bela viagem a um passado recente. E numa Londres sedutora.

O Pai (Iain Glen), o Amigo Airey Neave (Nicholas Farrell), o espirituoso Marido Denis (Jim Broadbent), e o Filho. Esses foram os homens que pontuaram a vida de Margareth, mesmo tendo boa parte dela em meio a um número muito maior. Os três primeiros lhe deram incentivo para que sempre seguisse em frente; e que só a morte que os separaram dela. Dois, morreram de causas naturais. Já o amigo dileto, vítima de um atentado. Já o filho… Bem, esse só aparece em criança. Talvez não tenha perdoado de todo a mãe. Talvez ainda se sinta abandonado pela mãe. Talvez ainda achando que lugar de mulher é em casa.

Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país!” (John F. Kennedy)

Margareth Thatcher governou o Reino Unido de 1979 até 1990. Num Parlamento onde até então era um território masculino. Fora uma Primeiro-Ministro que não fez política, nem politicagem. Bateu de frente com os Sindicalistas, fazendo com que eles entendessem que manter o emprego era mais importante que lutar por regalias. Talvez, que compreendessem que deveriam sim lutar por capacitar melhor os trabalhadores. Obstinada, tirou o Reino Unido da recessão pela Crise do Petróleo. Escapou de um atentado, em 1984. Ganhou o título – Dama de Ferro -, por severas críticas a União Soviética. Determinada, sua popularidade se solidificou com a Guerra das Malvinas. Mas com oposição até de dentro do seu partido, até suas qualidades eram minadas por eles. Sozinha, se viu na obrigação de renunciar ao cargo também no Partido Conservador.

O marido de Margareth, Denis (Jim Broadbent), fora também o seu melhor amigo. Um fã como também um crítico sincero do lado político dela. Apaixonado, foi com certeza o seu porto seguro. Já que diariamente, ao longa da sua vida política, e até o dia da sua renúncia, ela se via sozinha na arena. Assim, tendo que matar um leão por dia, saber que teria o colo do marido, dera a ela suporte para seguir em frente. Como fizera antes, seu pai. Sempre a incentivando a fazer uso da sua inteligência. Machuca, quando ela tem que enterrar de vez, Denis. Em respeito a tudo que ele representou, era preciso fazê-lo em um dos momentos de lucidez. Em ainda sendo a Margareth Thatcher, a esposa que o amava. Porque dali em diante, por conta do Alzheimer, já poderia nem mais saber quem ela foi algum dia. Sem esquecer também do ator Harry Lloyd que faz o Denis quando jovem. Ele também é muito carismático.

Um líder é alguém que sabe o que quer alcançar e consegue comunicá-lo.”

Para mim o filme conseguiu sim mostrar quem foi A Dama de Ferro! Uma guerreira! Uma mulher que não se intimidou com arenas com muita testoterona, e no âmbito internacional. Ele também nos leva a mais que julgá-la tentar entender o porque de suas atitudes. Mas sobretudo, o filme faz uma radiografia da pessoa como um todo: a filha, a esposa, a mãe, a política, a amiga, a primeira-ministra, a patroa, a governante… e a mulher solitária que a doença além de afastar as pessoas a deixa como uma prisioneira. De mulher para mulher: bateu orgulho em conhecer um pouco mais dela! Mesmo lembrando que na época, minha torcida fora para a Argentina. Por tudo o que mostrou e do jeito como contou eu digo que foi um fechar às cortinas que me emocionou! Que eu até voltaria a rever, principalmente para ver de novo as cenas com essa dupla: Meryl Streep e Jim Broadbent.

Um filme que assisti com brilho nos olhos. Que me levou a emitir umas sonoras interjeições, ora como um elogio a ela e ao marido, noutras em solidariedade, algumas com pesar, e outras foram mesmo uns sonoros palavrões, mas por certas situações. Uma delas por conta do banheiro feminino no Parlamento. E isso foi um nada por tudo aquilo que teve que enfrentar. Bravo, ao casal Margaret e Denis Thatcher!

Então é isso! “A Dama de Ferro” é um filme excelente! Que mesmo com lágrimas nos olhos, me fez sorrir por também querer bailar ao som de ‘Shall We Dance?’ do filme ‘O Rei e Eu’ (1956).
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Dama de Ferro (The Iron Lady. 2011). Reino Unido. Direção: Phyllida Lloyd. +Elenco. Gênero: Biografia, Drama, História. Duração: 105 minutos.

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin. 2011)

Por Alex Ginatto.
Pude assistir ontem a este surpreendente filme. De início acho que fui um pouco preconceituoso por se tratar de um filme iraniano, mas o enredo se aplica a qualquer lugar do mundo, talvez se focarmos um pouco menos na religião.

Realmente conseguimos sentir a aflição de todos os lados:
-o marido orgulhoso que não quer que a esposa se vá, mas também não diz isso a ela;
-a esposa, preocupada com o futuro de sua filha, querendo sair do país, mas não suportando a ideia de que o marido não concorde com ela;
-a filha em uma época complicada, diante da separação dos pais, se vendo como objeto de disputa;
-o senhor que não pode vencer o corpo e mente desgastados pela doença;
-o casal mais pobre entre a religião e o dinheiro devido aos credores.

O filme se mostrou muito maior do que se imagina pelo título e acho que a ideia do diretor ao finalizar sem um lado é justamente focar no todo e não somente na separação do casal.

Tudo o que acontece durante o filme é fruto de mentiras e decisões precipitadas iniciadas pela saída de Simin de sua casa. Ou seja, a separação é o início de tudo, e o filme termina com a certeza de que o que fica pendente durante todo o seu desenrolar, ao contrário do que parece, tem um fim, se concretiza.

Não sei se para rever, mas para se pensar e aplicar em nossas vidas.

Excelente filme!
Nota 8.

A Separação (2011). Ou: o Declínio da Família Contemporânea.

E quem estaria com a razão? Todos… Ninguém… Pois tanto em termos da natureza humana, quanto da sociedade, tudo dependerá de seu próprio ponto de vista.” (Asghar Farhadi)

O filme “A Separação” traz em primeiro plano uma reação em cadeia devido a separação de um casal. Pois quase todos os envolvidos se viram na obrigação de mentir, ccomo também de omitirem certos fatos. E que para alguns deles o que antes parecia ser uma mentirinha de nada, tomou um rumo inesperado.

Agora, seria mesmo uma casualidade de chegarem ao ponto onde chegaram? Que ao mentirem crendo ser com boas intenções não haveria implicações? Até porque para manter a mentira que se contou terá que obter pelo menos o silêncio de outros envolvidos. E estando de posse da mentira do outro, teria como se eximir da própria? O ato de mentir traria muito mais o peso do pecado ou o do perjúrio? Mas e quando Religião e Estado ocupam o mesmo estado de direito? Mais! E quando o Sistema Judiciário, sobrecarregado, se perde nas próprias malhas da Lei? A sucessão de erros fora por que alguém não segurou a onda? Mas quem, ou melhor, o que foi o ponto inicial desse drama familiar? Que terminou envolvendo outras pessoas. Onde inocentes ou culpados todos pagaram um preço.

Além dessas reflexões, o filme também traz um outro tema: o de ter um membro da família já idoso, com o agravante de precisar de atenção e cuidados por quase 24 horas diárias. Interná-lo, ou mantê-lo em casa? Quando a renda familiar não permite colocar profissionais para esses cuidados, aceita-se qualquer um? Mas nesse filme vemos um outro ponto. A mulher ganhando mais que o marido, e sendo o idoso o pai dele. Onde eu acho que tudo começou. Sobrecarregada, mesmo gostando do sogro, ela tomou uma decisão precipitada. O marido que antes já não tinha aceitado que a esposa pagasse por enfermeiro, não seria com a nova decisão dela que ele mudaria de opinião. Numa de que é o “macho que sustenta a todos da família”? Mas ele também se precipita aceitando a primeira que apareceu para tomar conta do pai. E o pobre do idoso, sem querer, termina por ser a causa da separação do casal.

A separação veio por mais uma decisão sem pensar de Simin (Leila Hatami) que vira na permissão dos vistos (passaportes) uma chance de sair do Irã. Acontece que o marido, Nader (Peyman Moadi), não quis abandonar o próprio pai (Ali-Asghar Shalbazi); o tal idoso, e acometido do Mal de Alzheimer. Então, também orgulhosa, ela pede a separação de direito do casal. Até porque Nader concordou com o desenlace deles, mas  não concordou que ela levasse a filha do casal: Termeh (Sarina Farhadi, filha do Diretor do Filme: Asghar Farhadi.). E que essa por sua vez, já uma adolescente, não queria perder os estudos.

Simin pensou que assim intimidaria o marido. O que talvez teria conseguido se houvesse mais diálogo entre o casal. Já com quase 15 anos juntos, estavam à beira de uma crise, e que pelo jeito nenhum dos dois percebeu. A seu favor, havia o peso de uma sociedade machista e autoritária, e de tradição centenária. Dai o fato de ter focado mais no destino final – o de viverem em outro país -, do que ir preparando terreno aos poucos. Sufocada, não pensou direito.

Tanto um quanto o outro usaram a própria filha como desculpa. Grande erro! Pior! Jogaram nos ombros dela a decisão final. Simin via em sair do pais um futuro não tão rígido para Termeh. Já para Nader ele achava o país o melhor lugar para criar a filha. Mas no fundo, ambos sabiam que a filha os manteriam pelo menos próximos um do outro. E é algo que machuca: em ver que ainda havia amor entre esse casal.

Termeh, em meio a esse fogo cruzado, fica sem saber o que fazer. Como agir. Talvez por conta de um temperamento calado, muito mais propensa aos rigores da tradição do país, do que a própria mãe, ela foi cozinhando os dois em banho-maria. Desejava a reconciliação deles.

Em “A Separação” vemos como pano de fundo um Irã de uma classe média alta. Se não fosse pelos lenços cobrindo as cabeças das mulheres, o lugar passaria por um bairro em algum país do Ocidente. Mas avançando o olhar, ele é definido como sendo um com tradição Islã pela modo como tratam as mulheres.

Agora, como em todo lugar do planeta, se há a classe que se dá o luxo de pagar por empregados domésticos, também há esse outro contigente advindos das classes mais baixas. Onde moram no filme é ilustrado pelos ônibus: significando que moram longe dali. O que pesa também para essas pessoas: distância + custo das passagens + cansaço por essa jornada…

Personificando esse proletariado teremos um outro casal, e que serão envolvidos nessa separação inicial. A primeira envolvida será Razieh (Sareh Bayat), com a filhinha. Depois, seu próprio marido: Hodjat (Shahab Hosseini). Se para o primeiro casal, nem o fato de “não faltar nada em casa” pesou para manter o casamento, o mesmo foi um fator preponderante em salvar a própria união. É que desesperada em ver o marido, há meses desempregado, ter sido levado pelos credores, Razieh mesmo grávida, mesmo indo contra a sua religião, implora pelo emprego a Nader. E ocultando tal fato do marido.

Nader tendo que ir trabalhar, não querendo ser render de que precisaria da esposa de volta, ciente também de que estaria indo contra os princípios do islamismo, aceita que Razieh tome conta do pai, e da casa. Ela por sua vez fica ciente de que o idoso Alzheimer. Logo, em algum momento teria que tocar nele. Num homem. E quando tal hora chega, é um quadro patético em vê-la ao telefone querer saber se isso seria pecado ou não.

Não ficando só nisso, ainda há lhe pesar… Pela distância percorrida até chegar nesse emprego, pela gestação em período de cuidados, pela jornada dupla de trabalho, Razieh coloca a filhinha para ajudá-la no serviço da casa. A criança ao descer as escadas com o lixo, acaba entornando-o. Uma moradora do prédio impõe que Razieh limpe, e logo. Aturdida, ela esquece do idoso. E…

A partir daí mais erros se sucedem. Como uma avalanche. Mentiras e omissões em lugar de diálogos francos e respeitosos. E quando Hodjat descobre tudo, a teia de situações conflitantes aumentam. A grande questão que se estampa: Quem iria dar um freio aquilo tudo? Para no mínimo tentar uma conciliação geral. Um meio-termo onde ninguém achasse que não teve razão no que fez.

Não pude evitar em pensar na crise atual e no mundo real. Onde estão aumentando a população pobre dos países tidos como do primeiro mundo. Como também, que mesmo criticado por muitos, o Brasil com o seu Bolsa-isso-Bolsa-aquilo fez foi diminuí-la. Então, no filme, para esse casal de baixíssima renda, o próprio país era ainda mais opressor do que para o outro. Não havia o Bolsa Família do Ocidente, por exemplo.

Mas tanto Estado quanto Religião, em geral, incentiva em se ter uma família. Não importando se terão como mantê-la ou não. Não é de boa política o planejamento familiar. Algumas tradições ainda incentivam em trazer mais filhos ao mundo.

Para o casal pobre o desemprego viera já estando casados e com uma filha nascida e outra a caminho. Pesando ainda o fato de que psicologicamente Hodjat não estava tarimbado para ser um pai, nem em constituir uma família. A recessão que passava só trouxe a tona seu temperamento explosivo. Com tudo isso, o casal não apenas se envolveu, como também Hodjat quis tirar proveito de um fato. Já que com a indenização, teria como se livrar dos credores.

Além da crise financeira poderia se pensar que é por culpa de uma cultura machista? Se sim, ela não é privilégio das de tradição Islã. As do Ocidente, mesmo que veladamente, também se calca nela. Se alguém achar que não, que preste atenção nas propagandas de algum produto voltado ao lar, a família, só como exemplo. Eles colocam a mulher como compradora compulsiva, ou como uma “do lar”. Já para o homem, o mesmo produto é vendido como um hobby. Então a culpa não seria por ocidentalizar os costumes locais.

Para mim, o que Asghar Farhadi quis mostrar em “A Separação” é que a instituição Família que está em falência.

Que não importa se no Ocidente, ou no Oriente, é esse laço que precisa ser revisto. Ser pesado. Ser reavaliado sempre. O “sombrio” sentar para discutir a relação precisa acontecer. E que em vez de já numa mesa de um Juiz da Vara de Família, por que não com a ajuda de alguém da Área Psico, assim evitando chegar as vias de fato. Tem uma certa hora que o melhor a fazer é sentar e conversar. Saber o que cada um ainda estaria procurando nessa relação. O que, ou em que, cada um cederiam para uma boa convivência. Pesar se é o ser ou o ter que é alicerce da mesma. É por aí. Já que para cada casal também há conflitos únicos.

Não sei se por conta de não sofrer censura do governo e com isso não teria o filme liberado que Asghar Farhadi deixou o final em aberto. Os créditos subindo, e de cá ficamos sem saber a sentença final. Mas que para mim houve sim um desfecho. Como citei anteriormente: ele quis mostrar o declínio da instituição Família. Em qualquer classe social, e a bem da verdade, em qualquer cultura também!

O filme deixa uma vontade de rever logo em seguida. Por ficar a sensação de ter perdido tal cena quando mais a frente ficamos ciente de que foi ela que levou a tal consequência, a tal mentira. É uma uma mentira levando a outra, e depois a outra, e mais outra… A trama vai se revelando aos poucos, como num Thriller. A impressão de não termos prestado atenção no fato anterior, é por também querer conhecer, saber de todos os detalhes para melhor avaliar; para então ver se havia razão de ser. O ter como ponderar, como numa cena entre Nader e Termeh. Na realidade, sabemos como o fato anterior se deu. Julgá-los já se perde a razão de ser. Até porque: está feito! Como também não é de nossa alçada.

Então é isso! Com um elenco afinado – de querer vê-los em outros trabalhos -, temos em “A Separação” um filme Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin. 2011). Irã. Direção e Roteiro: Asghar Farhadi. Gênero: Drama. Duração: 123 minutos.

Amizade Colorida (Friends with Benefits. 2011)

Muito bom quando um filme me surpreende! Pois foi o que aconteceu com esse aqui, “Amizade Colorida“. Confesso que mesmo achando que seria mais do mesmo, eu queria muito assistir um novo trabalho com a Mila Kunis. Amei seu trabalho anterior em “Cisne Negro“. E o filme foi me conquistando logo no início. A partir dai, assisti atenta até o final. Mais! Com brilhos nos olhos, que em algumas cenas se encheram de lágrimas. Mas também houve cenas em que eu ri muito.

Amizade Colorida” é uma Comédia Romântica, logo com todos os ingredientes comuns a todas. O diferencial nesse viria em se espelhar nos relacionamentos familiares. Tenha sido uma união perfeita ou não, às vezes ao fugir com receio de não virar meras cópias, termina sendo. E acaba se desiludindo. Ou o que é pior, sufocando o querer ter, vivenciar uma relação duradoura. A relação dos próprios pais, invariavelmente pesa na avaliação das que os filhos querem para si próprios. Além disso o filme brinca com outros desse gênero, mas mais como uma homenagem a eles, como também a nós fãs de Comédias Românticas.

O título dado no Brasil descaracteriza o que os dois jovens queriam de fato. Já que amizade colorida denota ser meio pueril, sem identificação entre o casal. Eu traduziria o título original assim: Amizade com Praticidade. Sem os eufemismo que tantos amam, o lado prático de uma relação a dois acaba sendo ignorado. Mas seria o ideal com a tal da ponte que comentei em “Comer Rezar Amar“. Uma relação sem cobranças, sem querer anular o outro, saboreando com prazer o momento a dois, respeitando a individualidade um do outro. A responsabilidade com essa união viria de um comum acordo. E o romantismo, por exemplo, na hora da transa, seria nas preliminares, como também no depois. Porque na hora mesmo do sexo é puro prazer da carne. Um satisfazendo o corpo do outro. Claro que não estou falando de sexo doentio.

Vale lembrar também que complica racionalizar um sentimento. Quando a emoção aflora, se tentar pelo controle total, periga perder o vivenciar momentos que poderiam marcar como um capítulo importante na vida de uma pessoa. Então, bom quando alguém ou algo vem com o “Acorda! A vida é curta!“. Por ai que será a caminhada do casal protagonista em “Amizade Colorida“. Eles se conheceram num encontro não por acaso. Dois jovens com talento na profissão que abraçaram, mas desiludidos no lado amoroso. Ambos levaram um fora de seus respectivos parceiros.

Um perfil desse casal principal. São eles:
– Ela é Jamie, personagem de Mila Kunis. Uma caça-talentos, não só de Artistas, mas também de profissionais de outras áreas. Se de um lado é alguém super extrovertida, de outro é alguém super romântica, de sonhar por um príncipe encantado. Por conta da mãe ainda viver nos tempos de Woodstock, ela não sabe quem foi seu pai. E no fundo gostaria mesmo de um relacionamento “careta”.
– Ele é Dylan, personagem de Justin Timberlake. Um Web Designer. Que aceita o trabalho em NY, mas mais por estar meio fugindo de uma barra maior: a doença do pai. Para Dylan que teve que superar tantas limitações, ver o pai com Alzsheimer, algo irreversível, o deixa sem ação. Dylan é o oposto de Jamie, um cara travado fora do ambiente de trabalho. Além dela, terá mais um a lhe apoquentar a sua timidez: um novo companheiro de trabalho.

A princípio Jamie e Dylan vão descobrindo que gostam da companhia um do outro. Com a afinidade em alta combinam transarem sem envolvimento emocional. Tudo parecia ir bem até passarem um feriado juntos com a família de Dylan. Onde as emoções afloraram e o que era doce, salgou…

Agora, um pouco de outros personagens que ora nos diverte noutras emociona:
– Mr. Harper, o pai de Dylan, personagem de Richard Jenkins. Em uma cena faz um solo lindo ao mesmo tempo que machuca na alma. Num momento de lucidez mostra o quanto é cruel o Mal de Alzsheimer, e para alguém que ainda teria muito a contribuir com a sociedade, com os familiares, e até consigo próprio. Essa cena me fez lembrar de uma em “Longe Dela“. Richard Jenkins nesse filme aqui continua mostrando que ele pertence ao topo dos atores. E que quer continuar atuando. Bravo!
– Lorna, a mãe de Jamie, personagem de Patricia Clarkson. Uma porra-loka que encontra na filha um porto-seguro. Meio que irrita Jamie, mas que no fundo entende que ela não conseguiria levar uma vida “certinha” demais. Meu único porém nesse filme foi que pareceu que travaram a Patricia Clarkson. Para alguém bem cuca-fresca sua personagem estava um tanto quanto intimidada. Espero que não tenha sido por recear ofuscar Mila Kunis. Seria infantilidade da Direção.
– Tommy, personagem de Woody Harrelson. Ele faz um Editor de Esportes onde Dylan foi trabalhar. Um homossexual assumido, divertidíssimo, que não apenas encabulará Dylan, mas que depois se tornarão bons amigos. Tommy proporcionará um belo momento de vida numa hora de lucidez para o pai de Dylan. Que me fez lembrar de uma cena do filme argentino “O Filho da Noiva“. E ver Woody Harrelson como um desportivo, me fez querer revê-lo em “Homens Brancos Não Sabem Enterrar” (White Men Can’t Jump. 1992).
Ainda vale destacar as presenças de: Annie (Jenna Elfman) e Sam (Nolan Gould). Irmã e sobrinho de Dylan.

Contar mais é cair em spoiler, embora não seja um Thriller essa estória é para ser saboreada aos poucos. Até o desfecho. Estória, Atuações, um convite a visitar Nova Iorque, participar de Flash Mob, a Trilha Sonora… fazem de “Amizade Colorida” um filme Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amizade Colorida (Friends with Benefits. 2011). EUA. Direção: Will Gluck. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 105 minutos.