“O Espião que Sabia Demais” (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

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“O Espião que Sabia Demais” é literalmente uma tradução do livro de John le Carre, o qual foi anteriormente adaptado em uma bem respeitada minissérie da BBC de seis horas de duração em 1979, com Alec Guinness. O talentoso diretor Tomas Alfredson cortou as seis horas da minissérie e fez um filme de apenas 2 horas, mas ainda assim, achei o filme extremamente longo, e confuso.

Para quem é? 

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Para quem gosta de filme de espionagem, “Tinker Tailor Soldier Spy” é um bom prato.

Atores:

O elenco é maravilhoso com destaque para Gary Oldman, o qual me fez lembrar de Ryan Gosling, em “Drive” (2011), com uma atuação sutil e minimalista. O desempenho de Oldman está em seus olhos, quando ele faz  perguntas, reage às respostas de uma forma bastante interessante. Oldman simplesmente carrega o filme em seus ombros, oferecendo um desempenho lento, e preciso, e talvez por isso, assim como o Gosling não irão ao Oscar – até uma indicação parece algo distante para eles, mas espero que não seja impossivel!. . ImagemOutro ator que brilha nesse filme é Tom Hardy ( excelente ator!!!!) , o qual também está igualmente perfeito, no interessante filme “Warrior” (2011), fazendo um homem lutando por uma resolução para sua dor e assombrado pelas decisões que ele fez na vida. Celo Silva fez uma boa leitura sobre “Warrior” aqui: http://umanoem365filmes.blogspot.com/2011/12/359-guerreiro-warriorgavin-oconnor2011.html

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Seria muito bom se os roteiristas e o director de “O Espião que Sabia Demais” tivessem injetado mais vida, em termos de entretenimento ao filme. Bem, o requinte dos cenarios, a fotografia de Hoyte Van Hoytema, que respira nos anos 70, com o céu cinza, e esfumaçado; o belo trabalho de edição, e uma trilha sonora muito boa de Alberto Iglesias, apenas enriquece o filme, mas faltou alma/ vida. Um belissimo filme, que custou apenas 21 milhões de dolares – o Polanski gastou 25 milhões no seu “Carnage” o qual é plasticamente inferior ao filme de Alfredson!. Longe de ser um filme ruim, mas “O Espião que Sabia Demais” tem personagens demais, situações demais, e acabei me perdendo em torno da beleza plastica do filme.

Por essa beleza plastica e os atores, dou nota 7,5

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O Guarda (The Guard. 2011)

Além de gostar muito de Comédias, o título desse me fez ficar com saudades de uma série de filmes onde o ator Louis de Funès interpretava um gendarme. É no mínimo curioso em ver os holofotes focando um cara da lei. Mas também tem Don Cheadle no elenco. Um ator que arrasa em Drama. Dai, quis vê-lo num papel cômico. E por último, o país de origem desse filme: Irlanda.

Começo então pelo Cinema desse povo insular europeu, que possuem um tipo de humor admirável. Se o tema é contravenção acobertada até pela sociedade local, eu lembro de “O Barato de Grace“. Eu não sei se o Diretor, que também assina o Roteiro, John Michael McDonagh, foi, ou é um também fã dos Monty Python. É que há um quê deles aqui. Até em mostrar personagens cultos, mesmo escrachando o modus operandi deles próprios. “O Guarda” transita entre a paródia e uma homenagem a filmes de mocinho versus bandido. Se posicionando contra o FBI, para logo em seguida mostrarem-se fãs da série CSI. Hilário essas cenas.

Embora os caras-da-lei também ajam como foras-da-lei, há um trio de bandidos bem inusitados. Na realidade eram quatro, um deles aparece morto logo no início do filme. Quanto ao trio, temos: o que se acha o poderoso chefão, o Francis (Liam Cunningham); o insatisfeito com a passividade da polícia local dando a eles plena liberdade de agirem, o Clive (Mark Strong); e o que faz questão de dizer que não é um psicopata, mas sim um sociopata, o Liam (David Wilmot). Esses trio, enquanto aguardam um grande carregamento de drogas, que chegará pelo mar, entre matar e corromper tiras, discutem Filosofia e Literatura. Ou melhor, que filólogo ou escritor cada um prefere. Se Schopenhauer, Nietzsche, Bertrand Russell… Ah! O Liam também é fã trompetista Chet Baker.

O personagem principal é o policial nada ortodoxo Sargento Gerry Boyle (Brendan Gleeson). Com ele também teremos o aprofundamento em como chegaram a essa cumplicidade quase explícita com um sistema já tão corrompido. Pode não ser a causa, mas pelo menos explica o fato. Gerry tenta lidar bem com o fato da mãe estar com pouco tempo de vida. Pois não entende como, se ela ainda se mostra cheia de vida. A atriz Fionnula Flanagan é quem faz a mãe de Gerry. Ao visitá-la, entre outros assuntos, gostam de conversar sobre escritores russos.

Em se tratando da Irlanda, não haveria de faltar o IRA. Ou, de quem facilita a chegada de armas até eles. Mas esse não é o motivo que levará um agente do FBI até lá, mas sim o tal carregamento de drogas. Wendell Everett (Don Cheadle) ficará que nem cego em tiroteio para conseguir o seu intento. Além de não perceber o quanto de liberdade tem os bandidos por ali, se sentirá perdido porque os habitantes não falam inglês. Numa de: ‘Se você quer ouvir alguém falar inglês, vá para Londres‘. É um escracho total com o FBI.

Gerry e Everett serão uma dupla para lá de dinâmica. E nesse ponto, é melhor deixar o modo politicamente correto desligado para se divertir com com o que Gerry diz, e a cara de Everett ao ouvir. Gerry não tem papas na língua. A grande questão é que certas falas podem sim magoar as pessoas, por conta do racismo. Mas o exagero aqui fica por conta dos esteriótipos até enfatizados pelo Cinema. Como também pelo filme debochar de muito mais coisas.

Assim, com um Roteiro enxuto e afiado, uma Direção que mostrou que veio pegar o seu lugar ao sol, com ótimas atuações, uma Trilha Sonora também perfeita, temos em “O Guarda” um ótimo filme. De querer rever. Nota 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Guarda (The Guard. 2011). Irlanda. Direção e Roteiro: John Michael McDonagh. Gênero: Comédia, Crime, Policial, Thriller. Duração: 96 minutos.

Caminho da Liberdade (The Way Back. 2010)

Os convido para uma longa e emocionante jornada em busca da liberdade. De poder vivenciá-la dentro dos seus próprios ideais. Por um grupo de prisioneiros que ousaram afrontar um governo tirano. Essa história começa em naquela que veio a ser a 2ª Grande Guerra. E para um deles, essa caminhada só findará décadas depois. A jornada é longa sim, mas que nos deixa atentos até o final.

Pontos altos:

Meus primeiros aplausos irão para o Diretor: Peter Weis. Para alguém que tem no currículo o filme “Gallipoli“, já carimba o meu passaporte para assistir outras obras suas. Ainda mais um com relatos de guerras. Em “Caminho da Liberdade” Weis se baseou em memórias de quem sobreviveu, e quis contar. Assim é também uma vibrante aula de Geopolítica. Mais! Quando se ver o nome da National Geographic nos créditos iniciais já se pode esperar por paisagens de tirar o fôlego.

Com o filme também temos uma aula interessante de História. Até em mostrar como sobreviviam os prisioneiros nos Gulags. Como barreiras: invernos rigorosos da Sibéria, fome, trabalhos forçados, guardiões desumanos. Eram etapas diárias a serem vencidas para permanecerem vivos, sonhando com a libertação. E em caso de tentarem uma fuga, teriam que escapar da população local, pois essas receberiam recompensas por suas cabeças. Para os Gulags, basicamente iam dois tipos de sentenciados: os contrários ao regime político e os profissionais do crime: ladrões, assassinos. Inocentes ou culpados, não tinham a quem apelar. Então, só ficava a alternativa de sobreviverem também nessa guerra lá dentro.

Era o alicerce da União Soviética se formando. Precisava de prisioneiros para o trabalho sem remuneração, como também para intimidar quem fosse contrário ao Comunismo. Assim, tendo a Sibéria como escolha do local da prisão, era como já estar com o pé-na-cova.

A temática principal: um grupo de prisioneiros fogem de um Gulag, e do Comunismo.

A própria localização dessas prisões já se tornava um grande desafio para uma segunda etapa de uma fuga. Porque a primeira era a motivação que os levariam a saírem dali. Nesse ponto, e sem demérito nenhum a esse filme, eu lembrei de uma cena de um outro, de o “O Sol da Meia-noite“. De quanto cada um conseguirá se libertar da sua própria prisão. De não mais se acomodar àquela situação. De qual seria o tamanho da sua liberdade?

De onde então segue agora meus aplausos para as performances dos atores. Em destaque: os prisioneiros.

Inicio com Jim Sturgess. Quem o viu em “Quebrando a Banca”(21), e o vê nesse aqui, no mínimo exclamará um “Uau!”. O cara cresceu também como ator! Não sei se nesse caso os aplausos vão quase na totalidade para o Diretor que o conduziu nesse soberbo voo. Seu Janusz o deixou um outro homem. Não dá para comparar. O que carimba de vez o seu passaporte para o time dos grandes atores. Bravo!

Para uma fuga se faz necessário buscar por uma saída mais facilitada. O que quase sempre vem de alguém com mais tempo ali. É quando Janusz é notado pelo personagem de Mark Strong. Esse fora condenado por interpretar um aristocrata; que para o Regime era enaltecer a antiga nobreza. Numa espécie de tour, ele dá a Janusz um raio-X do local. Meio que o adota-o como um aprendiz.

Janusz se cai nas boas graças de um, o mesmo não acontece de pronto com o personagem de Ed Harris. Mas o que pode ser visto como um cara sem coração, mais tarde verá que fora uma primeira aula de sobrevivência. Ele faz um engenheiro americano, Sr. Smith. Pode até ser lugar comum elogiar a atuação de Ed Harris, mas não dá para não aplaudi-lo também nesse filme.

Contrário de Janusz, temos o personagem de Colin Farrell. Um escroque. Pavio-curto. Frio ao extremo. Muito ladino, pressente que um grupo está planejando escapar. Seu salvo-conduto para ser aceito é que é o único a possuir uma faca.

A Fuga!

Quantos irão? Num grupo bem heterogêneo, o talento de cada um também pesará. Além é claro, da resistência física. Mas um jovem quase cego, Kazik, clama ao amigo que também o leve. Andrei, que sobrevivia ali desenhando, sem contar aos demais, leva o rapaz. Com eles seguem mais dois. Decidem fugir numa noite de tempestade, em pleno Outono. Para que a neve encubra os rastros, dificultando também a perseguição dos cães.

No meio desse caminho, aparece uma jovem, Irena. Irão relutar em levá-la, por temer que ela os retardará. Mas Irena mostra que até uma fragilidade também pode ser mais um instrumento que ajudará nessa fuga. Ela é a personagem de Saoirse Ronan. Outra atriz rumando para o topo.

O Destino!

Planejam seguir pelo sul até o Lago Baikal. De lá tentariam cruzar a Transiberiana com destino a Mongólia. Mal sabendo eles que o Regime Comunista também chegara até ali. Guiando-se mais pelo instinto de sobrevivência, esse grupo irão descobrir o quanto de força interior têm de reserva.

Cenas que emocionam:

– a baixa de se pensar na frase “Tão longe, tão perto!
– a de quem ultrapassou todos os limites das suas forças.
– a de quem a redenção lhe deu novas forças.
– a cena final.

Pontos negativos: não há. Talvez porque não atrairá um grande público sedentos dos filmes bem comerciais. Fica então uma esperança de ser levado à Sala de Aula. Para que mais gente assistam a esse filme.

Fotografia, Maquiagem, Figurino irretocáveis também. Enfim, um excelente filme! De querer rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Caminho da Liberdade (The Way Back). 2010. EUA. Direção e Roteiro: Peter Weir. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 133 minutos.

Sherlock Holmes (2009) = Lógica + Ação

Sensacional! De acompanhar toda a história com brilho no olhar e sorriso na face. Mais! De no final querer que venha logo uma outra estória. Com o vilão que nesse ficou nas sombras, o Professor Moriat. Pois nesse, a dupla – Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) e Dr. John Watson (Jude Law) – tem pela frente um outro vilão, Lord Blackwood (Mark Strong). Como também uma vilã, Irene Adler (Rachel McAdams). Da qual Holmes é apaixonado.

O Diretor Guy Ritchie deu muito mais ação a esses personagens tão famosos. Colocando na dupla além das observações dos detalhes, muito mais agilidade. Deixando um lado meio bonachão para o Inspetor Lestrade (Eddie Marsan), da Scotland Yard. Esse, no fundo, um fã de carteirinha de Holmes. Na guerra contra os grandes foras da lei, os que possuem costas-quentes, seria estupidez não ajudar por baixo dos panos o ousado Holmes.

Downey carimbou de vez esse personagem. Seu intrépido Holmes é cativante. Por vezes, quase um meninão a precisar dos cuidados do Watson. É muito bom quando um ator consegue fazer de seu personagem, um único. Sem nos lembrar de outros. Bravo Downey! Vida longa a ti, e também a seu Holmes!

A minha expectativa maior estava em Jude Law. Em querer ver como encarnaria o Dr. Watson. Até pelo biotipo de muitos que fizeram esse personagem. Jude me surpreendeu de modo agradabilíssimo. Gosto dele! Ele teria aqui que inverter um pouco o seu jeitinho de meninão pidão. Pois o Watson é como um irmão mais velho de Holmes, mais compenetrado. E ele conseguiu. Foi grande! Até em mostrar-se indiferente aos caprichosos, ou testes de Holmes. Amei o Watson de Jude! Vida longa aos dois!

Eu que costumo reclamar de ter tão pouco bons papéis femininos em filmes como esse, onde os protagonistas são personagens masculinos, até que gostei do espaço dado para a Irene Adler. Cuja performance de Rachel McAdams foi muito boa. Claro que não a ponto de eclipsar Holmes e Watson. Mas a ponto de carimbar seu passaporte para fazer outra vez a Irene. Mas do que aparentar uma mulher fatal, para conseguir o seu intento, um jeitinho angelical tem mais a ver com a personagem. Ela tem o time certeiro em cena. Uma outra personagem feminina que não fez feio, foi Kelly Reilly. A noiva de Watson. Alguém que seria a pedra no sapato de Holmes.

Dois animais também fizeram bonito nesse filme. Um deles é o cachorro da dupla, o Gladstone. Holmes e Watson reivindicam a posse dele. Que é uma eterna cobaia nas experiências de Holmes. Esse rouba a cena em suas poucas aparições, mas de forma encantadora. O outro dá um toque mais sombrio à noite londrina, é um corvo. Meio a la Profecia… quando ele surge é aviso de que alguém vai se dar muito mal.

Um pouco da trama do filme:

Holmes é convocado por uma Ordem Secreta. Querem que dê um fim a um ex importante membro: Lord Blackwood. Que diante de um poder… atemorizando o povo… pretende uma conquista maior…

Entre crise existencial por Watson estar se mudando – vai se casar -, Holmes e Watson, fingindo acompanhá-lo só para protegê-lo, irão tentar desvendar também esse grande mistério:

Magia negra existe mesmo?

O filme é excelente! De querer rever, até para prestar mais atenção as deduções que ambos nos trazem. Nem precisa dizer que Londres é um cenário perfeito para uma aventura com essa dupla de detetives. A trilha sonora assinada por Hans Zimmer acende o mistério. E como disse no início: o filme é divertido. Não deixem de ver!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sherlock Holmes. 2009. Reino Unido, EUA. Direção: Guy Ritchie. +Cast. Gênero: Ação, Aventura, Crime, Drama, Mistério, Thriller. Duração: 128 minutos.

Revólver (2005)

revolver-2005So para os fas de Guy Ritchie que gostam de ficar tentando adivinhar ou entender o enredo e o que uma coisa tem a ver com outra, e as vezes parece que nao entendeu nada.

É a história do perturbado Jake, bandidão que sai da cadeia disposto a vingar os anos em que esteve preso. Sua missão é destruir a vida de Macha, um poderoso chefão que manda matar sem dó. Os dois se envolvem com Lord John, o mais temido de todos os facínoras. Jake, Macha e Lord não são flores que se cheirem. O encontro dos três é big bomba pronta para explodir.

Jake foi julgado e teve duas opções para cumprir a pena: ou ficar 7 anos na solitária ou ficar 14 anos na cadeia. Jack opta por ficar na solitária, onde a unica comunicação com o mundo são livros que pode ler.
Nessas trocas de livros, descobre que tem de cada lado da cela outros presos (tambem na solitária) que estão jogando xadrez atraves de códigos escritos nestes livros. Começa a acompanhar os 2 “colegas” ate o dia em que eles fogem da solitária, da cadeia. Essa fuga nao é explicada, tambem nao se preocupe em entender.

Passados 7 anos, Jack é solto – ele resolve ir atras de Macha (Ray Liotta), que o colocou na prisão. Solto, Jack é chantageado por agiotas, um deles Avi (André Lauren Benjamin, do grupo Outkast).

Macha, é um chefão, machão metrosexual que tem uma ridicula cor bronze -alaranjada, adquirida de tanto ficar numa sala de bronzeamento artificial construida na mansão onde mora. Coisa cafona.

Tem uma gangue barra pesada de japas. Coisa trash total, muito bom.

Parece q a vingança de Jack tera que ficar para depois, mas aos poucos, todas as pessoas vao se envolvendo ate q a chantagem termina em 3 pontas: Macha, um tal de Lord que ninguem sabe quem é e Jack – sempre seguido de perto pelos agiotas.
Não existem cores gritantes, tem cenas slow motion, sobreposição de imagens, uma coisa meio non sense mas com bons resultados.

Indico p final de semana com pizza.

Elenco: JASON STATHAM & RAY LIOTTA & ANDRÉ BENJAMIN & VINCENT PASTORE
Direção: GUY RICHIE; França / Inglaterra; colorido; tempo: 104