Álbum de Família (August: Osage County. 2013)

album-de-familia_2013Por: Eduardo Carvalho.
album-de-familia_sam-shepard-e-meryl-streepViolet Weston, viciada em pílulas. Beverly Weston, viciado em álcool. Em seus primeiros diálogos na tela, sobram alfinetadas e amarguras. No dia seguinte, Beverly some. Encontrado morto dias depois, torna-se motivo para a reunião da família.

Álbum de Família mostra uma família disfuncional, no calorento meio-oeste americano, em que cada membro mostra suas garras, quando se reencontram por conta do desaparecimento do pai. Em permanente estado de pé de guerra, as três filhas do casal se ressentem da dureza da mãe; uma das filhas encontra-se em conflito com o marido, enquanto a filha deles tenta lidar – à sua maneira – com o casamento fracassado de ambos; personagens em crise constante, tentando estabelecer-se como indivíduos, enquanto mal cumprem seus papéis sócio-familiares.

O público vê tais situações todos os dias na tela da TV. Não por acaso, o diretor John Wells vem de seriados como ER e West Wing. No entanto, os diálogos ácidos e certeiros, cheios de rancor e demais afetos, mal caberiam na tela da televisão. O filme é uma adaptação da peça de Tracy Letts, August: Osage County, sucesso da Broadway e vencedora do Pulitzer, feita pelo próprio autor em colaboração com John Wells. Ambos trabalharam por meses na transposição do texto, e parece que Letts não fez questão de esconder seu tom autobiográfico. Seu avô realmente teria se afogado, e sua avó viciou-se em pílulas.

album-de-familia_2013_personagensMas não bastariam a força dos diálogos e da estória para que o filme funcionasse. É certo que a obra fisga o público pela identificação deste com seus próprios históricos familiares – a competição dos filhos pelo amor dos pais, traições, mentiras e segredos, são elementos comuns em famílias numerosas. Álbum de Família atinge ainda mais pelo trabalho de todo o elenco, que dá vida e a intensidade necessárias ao texto de Letts. Chris Cooper, sempre um coadjuvante de luxo, protagoniza a hilária cena da oração à mesa de jantar, de onde resultam risos mal contidos da plateia. Juliette Lewis faz com rara felicidade a mulher sonhadora, fácil de ser iludida pelo “namorado da ocasião”, nas palavras de uma das irmãs. Julianne Nicholson, a filha que “escolheu” ficar próxima aos pais, tem nos conflitos íntimos da personagem a maior força do papel. Sam Shepard, no pequeno e marcante papel que lhe coube, dá mostras de seu grande talento.

album-de-familia_julia-roberts-e-meryl-streepPorém, os grandes destaques não poderiam ser outros. Uma desglamurizada Julia Roberts faz Barbara Weston, a filha que, em face do esfacelamento da família – e como a favorita do pai morto – tenta ficar à frente da situação. É tão dura quanto a mãe, com quem trava grandes embates verbais – e não verbais. E Meryl Streep, especializando-se em mulheres detestáveis, mantem-se no topo do panteão das grandes atrizes. Dificilmente uma atriz emenda duas grandes atuações em sequência – como esquecer sua Dama de Ferro? –, mas Streep é a exceção que confirma a regra. A complexidade de sua Violet, amargurada e ressentida pelo desdém das filhas, pela morte do marido e pelo tratamento de um câncer, torna a matriarca digna de raiva e compaixão por parte do público. E consta que ela não queria o papel…

Tantos talentos reunidos resulta em um dos grandes filmes americanos de 2013.

Álbum de Família (August: Osage County. 2013). EUA. Diretor: John Wells. Elenco: Meryl Streep (Violet Weston), Sam Shepard (Beverly Weston), Julia Roberts (Barbara Weston), Julianne Nicholson (Ivy Weston), Juliette Lewis (Karen Weston), Abigail Breslin (Jean Fordham), Chris Cooper (Charlie Aiken), Ewan McGregor (Bill Fordham), Margo Martindale (Mattie Fae Aiken), Dermot Mulroney (Steve Huberbrecht), Benedict Cumberbatch (Little Charles Aiken), Misty Upham (ohnna Monevata). Gênero: Drama. Duração: minutos. Baseado em Peça Teatral de Tracy Letts, que também assina o Roteiro do Filme.

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A Dama de Ferro (2011). E o que realmente a retirou de cena!

Se meus críticos me vissem andando sobre as águas do rio Tâmisa, diriam que é porque eu não sei nadar.” (Margaret Thatcher)

Por vários fatores eu não teria como deixar de assistir esse filme. Por Meryl Streep, sim! Por trazer uma personagem feminina como protagonista, inclusive. Mas indiscutivelmente por centrar na primeira mulher a governar uma democracia moderna: Margaret Thatcher. Isso feito, contando da minha emoção com “A Dama de Ferro“!

Ser poderosa é como ser uma dama. Se você tem que provar aos outros que você é, você não é.” (Margaret Thatcher)

O título do filme – A Dama de Ferro – cria uma expectativa de que se verá nele apenas a trajetória política dessa grande estadista. Mesmo que esse lado até nos livros escolares é mostrado, o filme mostra sua subida ao poder e depois seu declínio como passado. Vêem em lembranças em momentos de lucidez, devido a sua condição real e atual: por estar com Alzheimer. Mesmo que até pelo filme não dá muito para dissociar a Política da Mulher, também é por ele que esse outro lado ficamos conhecendo: o de uma mulher a frente do seu tempo. Se alguns acham injustos mostrarem ela já nesse período outonal da vida, que olhem por um outro prisma: a de que certas doenças terminam por tirar de cena quem ainda tem muito por fazer em vida. Então que vejam como um Tributo a essa que fez História: Margaret Thatcher!

Lembranças não podem ficar apenas na memória. Com o tempo, elas se apagam.” (Everton Nunes)

Eu gosto de filmes biografias. Claro que de imediato há uma certa liberdade em como contarão uma história. Primeiro com um texto, depois dando a ele uma nova leitura, e ai já dentro de um contexto visual. Ficando ainda com o Roteiro. Quem escreveu sobre esse filme foi Abin Morgan. Que pelo o que eu li, ela baseou-se em um livro escrito pela filha de Thatcher, o: “Diary of an election: with Margaret Thatcher on the campaign trail in 1983“. Mas como a presença do marido de Thatcher no filme é bem marcante, creio que a Abi também leu um outro da Carol Thatcher, com a biografia de seu pai, Denis Thatcher, o “Below the Parapet“.

Isso vem reforçar, que mesmo o filme partindo da realidade atual de Thatcher, e apenas mostrando o seu passado em flashback, está sim reverenciando essa que foi uma das grandes Personalidades do século XX. Partiu de um olhar da própria filha, passou pelo de Abi, chegando no da Diretora Phyllida Lloyd. E essa por sua vez tinha diante de si um desafio, em contar com muita sensibilidade verso e reverso dessa mulher. A escolha de Meryl Streep foi perfeita! Como também da que faz a Thatcher mais jovem: Alexandra Roach; sendo que essa com um biotipo de acordo com ambas: a real e a Meryl. Saindo-se bem. Conseguiu fazer uma bela ponte para Meryl Streep. Essa por sua vez nos leva com emoção até o final. Um Bravo para todas essas Mulheres, reais e da ficção!

Merece também os aplausos quem fez a maquiagem em Meryl Streep: J. Roy Helland. Foi perfeito no envelhecimento. Ficou muito real. Muito natural. Dando a personagem um envelhecer nada caricato. Em “A Dama de Ferro” também o Figurino como o Cenário atuam como um coadjuvante de peso. É uma bela viagem a um passado recente. E numa Londres sedutora.

O Pai (Iain Glen), o Amigo Airey Neave (Nicholas Farrell), o espirituoso Marido Denis (Jim Broadbent), e o Filho. Esses foram os homens que pontuaram a vida de Margareth, mesmo tendo boa parte dela em meio a um número muito maior. Os três primeiros lhe deram incentivo para que sempre seguisse em frente; e que só a morte que os separaram dela. Dois, morreram de causas naturais. Já o amigo dileto, vítima de um atentado. Já o filho… Bem, esse só aparece em criança. Talvez não tenha perdoado de todo a mãe. Talvez ainda se sinta abandonado pela mãe. Talvez ainda achando que lugar de mulher é em casa.

Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país!” (John F. Kennedy)

Margareth Thatcher governou o Reino Unido de 1979 até 1990. Num Parlamento onde até então era um território masculino. Fora uma Primeiro-Ministro que não fez política, nem politicagem. Bateu de frente com os Sindicalistas, fazendo com que eles entendessem que manter o emprego era mais importante que lutar por regalias. Talvez, que compreendessem que deveriam sim lutar por capacitar melhor os trabalhadores. Obstinada, tirou o Reino Unido da recessão pela Crise do Petróleo. Escapou de um atentado, em 1984. Ganhou o título – Dama de Ferro -, por severas críticas a União Soviética. Determinada, sua popularidade se solidificou com a Guerra das Malvinas. Mas com oposição até de dentro do seu partido, até suas qualidades eram minadas por eles. Sozinha, se viu na obrigação de renunciar ao cargo também no Partido Conservador.

O marido de Margareth, Denis (Jim Broadbent), fora também o seu melhor amigo. Um fã como também um crítico sincero do lado político dela. Apaixonado, foi com certeza o seu porto seguro. Já que diariamente, ao longa da sua vida política, e até o dia da sua renúncia, ela se via sozinha na arena. Assim, tendo que matar um leão por dia, saber que teria o colo do marido, dera a ela suporte para seguir em frente. Como fizera antes, seu pai. Sempre a incentivando a fazer uso da sua inteligência. Machuca, quando ela tem que enterrar de vez, Denis. Em respeito a tudo que ele representou, era preciso fazê-lo em um dos momentos de lucidez. Em ainda sendo a Margareth Thatcher, a esposa que o amava. Porque dali em diante, por conta do Alzheimer, já poderia nem mais saber quem ela foi algum dia. Sem esquecer também do ator Harry Lloyd que faz o Denis quando jovem. Ele também é muito carismático.

Um líder é alguém que sabe o que quer alcançar e consegue comunicá-lo.”

Para mim o filme conseguiu sim mostrar quem foi A Dama de Ferro! Uma guerreira! Uma mulher que não se intimidou com arenas com muita testoterona, e no âmbito internacional. Ele também nos leva a mais que julgá-la tentar entender o porque de suas atitudes. Mas sobretudo, o filme faz uma radiografia da pessoa como um todo: a filha, a esposa, a mãe, a política, a amiga, a primeira-ministra, a patroa, a governante… e a mulher solitária que a doença além de afastar as pessoas a deixa como uma prisioneira. De mulher para mulher: bateu orgulho em conhecer um pouco mais dela! Mesmo lembrando que na época, minha torcida fora para a Argentina. Por tudo o que mostrou e do jeito como contou eu digo que foi um fechar às cortinas que me emocionou! Que eu até voltaria a rever, principalmente para ver de novo as cenas com essa dupla: Meryl Streep e Jim Broadbent.

Um filme que assisti com brilho nos olhos. Que me levou a emitir umas sonoras interjeições, ora como um elogio a ela e ao marido, noutras em solidariedade, algumas com pesar, e outras foram mesmo uns sonoros palavrões, mas por certas situações. Uma delas por conta do banheiro feminino no Parlamento. E isso foi um nada por tudo aquilo que teve que enfrentar. Bravo, ao casal Margaret e Denis Thatcher!

Então é isso! “A Dama de Ferro” é um filme excelente! Que mesmo com lágrimas nos olhos, me fez sorrir por também querer bailar ao som de ‘Shall We Dance?’ do filme ‘O Rei e Eu’ (1956).
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Dama de Ferro (The Iron Lady. 2011). Reino Unido. Direção: Phyllida Lloyd. +Elenco. Gênero: Biografia, Drama, História. Duração: 105 minutos.

Adaptação (Adaptation. 2002)

Por Alex Ginatto.

Sabe aquele filme que você ouve um comentário e se interessa? Não que você ache que seja muito bom, afinal, depois de anos do seu lançamento, você não se recorda de ter ouvido falar nele. Acontece que alguém comenta, você se interessa, assiste e…resolve escrever uma leitura para o site de tão bom que achou! Foi assim com “Adaptation” (Adaptação).

O filme conta a história de Charlie Kaufman ao tentar adaptar o roteiro de um livro sobre orquídeas para o cinema. Porém, algo que poderia parecer simples se torna cada vez mais complicado para Charlie, conforme o prazo de entrega de seu rascunho se aproxima.

O livro “The Orchid Thief”, da escritora Susan Orlean se torna um desafio para Kaufman por se tratar de algo comum, sem uma história, como ele mesmo define durante o filme. Um livro que descreve o roubo de orquídeas de uma reserva estadual por um homem chamado Laroche e que se torna objeto de estudo e de interesse da autora, por se tratar de uma figura ímpar. Porém, para desespero de Kaufman o livro simplesmente termina sem algo extraordinário, sem algo que possa virar filme.

Do alto de seu perfeccionismo e lutando contra seus conflitos existenciais e sua mente inquieta, Kaufman decide que o livro deve ser representado fielmente em seu filme. Hesita em apelar para alguma história paralela, ficticia, que fuja à simplicidade descrita por Susan no livro.

Kaufman é um sujeito estranho, introvertido e que mal consegue decidir o destino amoroso de sua vida, mesmo convivendo com seu par ideal durante todo o filme.

Para piorar a situação, seu irmão gêmeo Donald resolve passar uma temporada em sua casa e se tornar um escritor de roteiros para o cinema, seguindo os passos do irmão. Ao contrário de Charlie, no entanto, Donald se revela um escritor sem muita imaginação, recorrendo inúmeras vezes aos clichês utilizados em Hollywood: serial killers, perseguições de carro, múltiplas personalidades…

O convívio dos irmão passa a ser cada vez mais complicado com a diferença entre suas ideologias, ou a falta dela no caso de Donald. Além disso, fazendo cursos de aprendizado rápido e recorrendo aos seus clichês, Donald parece ter seu trabalho desenvolvido de forma muito mais rápida do que Charlie e consegue terminá-lo em dias, para desespero do irmão.

A esta altura Charlie não sabe mais por onde iniciar seu roteiro, por onde seguir, em quem centralizar o filme. Num surto de desespero, decide ir a Nova Iorque conhecer pessoalmente a escritora do livro, mas seu medo interior e sua timidez não o deixam completar a missão.

É aí que o filme muda, literalmente. Charlie parece aceitar a derrota de sua arrogância utópica em relação à praticidade do irmão e recorre à sua ajuda. O irmão se empolga com a ideia e é quem vai falar com a escritora no lugar de Charlie, aproveitando-se da igualdade dos DNAs.

A partir daí os irmãos descobrem algo mais em relação à escritora do que descrito no livro e parece fazer sentido o fato do término da história sem algo muito emocionante: parecia estar escondendo algo. Deste ponto até o final o filme se torna exatamente tudo aquilo que Charlie sempre abominou, com os clichês, os apelos, a história atraente.

Seguindo o exemplo do que foi feito em “Being John Malkovich”, citado no início do filme, o escritor mistura a realidade com o cinema de uma forma confusa, mas extraordinária! Ao sofrer durante a maior parte da história sem saber por onde começar ou quem colocar como peça central do roteiro, Charlie acaba se entregando ao que parece ser o mais óbvio: descrever sua dificuldade para adaptar o roteiro ao livro, e se coloca como o centro da história!

Completando, o filme de 2002 rendeu indicação ao Oscar das três figuras principais do filme: Nicolas Cage, como ator principal pelo papel dos escritores gêmeos; Meryl Streep como atriz coadjuvante pelo papel da autora do livro; Chris cooper, este inclusive premiado pela Academia como ator coadjuvante pelo papel de Laroche, o ladrão de orquídeas. Excelente atuação dos três, difícil escolher o melhor, o que se torna ainda mais interessante para um filme deste calibre.

Com a certeza de que quem não assistiu ao filme deve estar achando tudo muito confuso, apenas uma sugestão: assista. E assista de novo porque vale a pena entender cada detalhe, cada sinal de Kaufman sobre a genialidade de escrever e participar de um roteiro para um filme inicialmente proposto para algo completamente diferente.

Nota 08.

As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995)

Por Kauan Amora.

As Pontes de Madison é um conto sobre amor, e sobre honestidade, sobre todas coisas que buscamos e as coisas que temos, e como somos obrigados a nos acostumar com elas.

Robert Kincaid, jornalista fotográfico da National Geographic e Francesca Johnson, uma dona de casa do Iowa, não estavam à procura de qualquer reviravolta nas suas vidas. Cada um já tinha chegado a um ponto da vida em que as expectativas pertenciam ao passado. Contudo, quatro dias depois de se conhecerem não querem perder o amor que encontraram. Meryl Streep premiada com Oscares da Academia (foi nomeada pela 10ª vez por esta interpretação) e Clint Eastwood (que produziu e realizou o filme) encantam com uma brilhante e poderosa interpretação dos personagens criados pelo escritor Robert James Waller neste best-seller de amor, decisões e consequências. O Entertainment Weekly afirma: “Streep e Eastwood, tanto em imagem como em espírito, estão tão perfeitos que parecem sair das páginas do livro”. Também perfeitos estão os pequenos detalhes e as grandes emoções do grande amor de uma vida. Com sorte, mais cedo ou mais tarde, um amor destes acontece na vida de cada um. Para Robert e Francesca foi tarde. Mas foi glorioso.

Francesca tem uma sinceridade dolorosa sobre a vida, é uma mulher que busca inconscientemente pelo novo, pelo especial, aquilo que a faça tremer, mas que já está acostumada com o convencional e comum, uma espécie de rendição própria, mas todos os seus sonhos e desejos vêm na figura desse homem fotógrafo e forasteiro que a faz sentir viva de novo, mas como ela já está tão acostumada a se render e entregar seus sonhos ao passado é exatamente isso que ela faz, ou pelo menos tenta fazer.

As Pontes de Madison que recentemente foi adaptado para o teatro cativa pela simplicidade em sua essência, que pode ser a palavra chave para melhor descrever a obra adaptada do romance de Robert J. Waller, sem jamais ir para o absurdo e exagerado. É sobre duas pessoas que se amam mas são inteligentes o bastante para enxergar os dois lados dessa relação, sem nunca tirar os pés do chão.

Algumas vezes As Pontes de Madison consegue até ser erótico, mas do seu próprio modo, como na cena em que Francesca toma banho na banheira que Robert tinha acabado de usar.

Meryl Streep e Clint Eastwood são competentes ao perceber que a força do filme não está somente em suas performances, mas no roteiro do filme, percebem que Francesca e Robert se apaixonam um pelo outro por motivos opostos, ela se apaixona por ele por ser um forasteiro cheio de histórias e experiências do mundo, e ele se apaixona por ela por ser uma dona de casa comum e triste, eles percebem que se completam.

O fato é que As Pontes de Madison é um dos romances mais honestos da década de 90.

NOTA: 8,5
Por Kauan Amora.

Simplesmente Complicado (It’s Complicated. 2009)

Sensacional! Eu amo os roteiros de Nancy Meyers! Seus diálogos são tão reais. Contando as vicissitudes, as alegrias, as tristezas, as surpresas… tão rotineiras em nossas vidas. E sendo ela a detentora da estória, sua Direção flui melhor.

Mesmo o título explicando bem eu diria que é Realmente Complicado. Viver? Não! Os relacionamentos. Mesmo que cheguemos num ponto que parece já estar tudo estabilizado, o inesperado se faz presente. Com isso, lá vamos nós desatar um novo novelo. Agora se ele vem com o sabor de comida requentada… será preciso achar um ingrediente novo para realçar, ou até para enganar o nosso paladar.

Tendemos a complicar mais onde nem teria porque. Mas insistir para que? Ou por que? O melhor seria virar a página e seguir em frente. Mas tem ocasiões, lances… que até que vale a pena insistir um pouco mais. Numa de: ainda dá um bom caldo. Ou mesmo por esperar que isso aconteça.

Simplesmente Complicado‘ até poderia atrair somente um público bem mais adulto. Mas por eu ver tantos jovens com mentes bem retrógradas, que os convido a assistirem também. Assim, quem sabe já vão deixando de complicar seus relacionamentos. E até para que vejam que três jovens do filme também complicaram a vida dos pais. Conto já, o que fizeram. Só um, o futuro genro – Harley (John Krasinski), que não. Além do que ele é ótimo!

Antes, quero falar dos atores que formam o triângulo amoroso.

Meryl Streep está glamourosa. É de fato uma Grande Diva do Cinema. Nesse filme, enquanto deu química com Alec Baldwim, com o Steve Martin não decolou. A mim, ele parecia intimidado com a presença dela. Fiquei pensando se um outro ator teria esquentado mais a estória deles. Não que fez feio, mas eu ficava querendo que chegasse logo outra cena dela com o Alec. E Martin já conseguiu química contracenando com a Goldie Hawn, Daryl Hannah, Queen Latifah. E creio que nem é pela Meryl. Pois recentemente conseguiu química com Stanley Tucci. Enfim, não gostei da escolha de Steve Martin para esse filme.

Agora sim, entrando na trama do filme…

Meryl faz Jane. Mãe de três filhos – Luke (Hunter Parrish), Gaby (Zoe Kazan), Lauren (Caitlin Fitzgerald). Dona de uma Confeitaria (Padaria). Que enfim, conseguiu manter um bom relacionamento com seu ex marido, Jake (Alec Baldwin). Encontra-se com amigas – Joanne (Mary Kay Place), Trish (Rita Wilson), Diane (Alexandra Wentworth), Sally (Nora Dunn) -, de vez em quando para entre degustações de suas receitas conversarem sobre a vida.

Jake, casado com uma mulher mais jovem, no auge da sua carreira profissional, já pensando num – desfrutar a vida sem mais correrias… se vê envolvido com um enteado pequeno, e a atual esposa querendo um filho com ele. Que pelo jeito, está querendo mais um ‘Lar Doce Lar‘… Filhos criados… Uma mulher boa de cama e fogão… e já resolvida por um todo. Onde mais encontraria tudo isso? Com a atual? Ou com a ex?

Então, Jane e Jake após dez anos de divórcio começam a ter um caso. E ai começa a complicação. Não deveria. Mas

Para Jane estava um gosto nada desejado de vingança. É! Mesmo não sendo ético era como se estivesse vingando daquela que roubara seu marido. Que mandasse às favas as convenções sociais. No auge da sua independência tinha mais que curtir esse caso amoroso. E saber se conseguiriam reacender a velha chama dessa paixão antiga. Jake estava achando que redescobrira o quanto a amara. Será mesmo que estava novamente apaixonado pela ex esposa?

Ambos aproveitam para discutirem a relação de outrora.

Paralelo a isso, Jane conhece o arquiteto que conseguiu colocar no papel a tão sonhada ampliação da sua casa. Ele é Adam (Steve Martin). Ainda sofrendo com um divórcio recente. Mas que se encanta por Jane. Complicando a relação por não querer ser mais um na cama. Querendo exclusividade. Ora! Será que não via que deveria curtir mais a vida nova: voltar a ser solteiro.

Bem nem todo mundo teme a solidão. E chega a uma certa altura da vida… que é melhor cueca pelo chão de vez em quando do que na gaveta permanentemente.

Estaria Jane dividida entre dois amores? Ou pensando em ter um homem novamente em casa?

Mas não fica apenas nisso. Pois mesmo estando já crescidos e morando fora do lar, seus filhos não gostaram dessa novidade: seus pais tendo um caso. Queriam o que? Ver a mãe entre preparando quitutes e cuidando da horta? Achavam que ela estava velha para os romances? Ai, a mãezona se sente insegura. Agradar ou não os filhos?

Em a quem ou o que Jane ouviria… Seu coração? Seu corpo? Sua mente?…

Num Top Ten de Comédia Romântica, ‘Simplesmente Complicado‘ já garantiu um lugar. O filme é excelente! Eu ri muito. E a cena do baseado é quase um convite a experimentar. Ah! A Trilha Sonora é nota mil! Sem esquecer que o lugar onde a Jane mora é paradisíaco: Santa Bárbara.

Por fim… Não compliquem, pessoal! Pois a vida é curta!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Complicado (It’s Complicated). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. +Cast. Gênero: Comédia Romântica. Duração: 118 minutos.

O Diabo Veste Prada (2006). Ou: A Arte de Engolir Sapos

Quando criança somos levados a engolir o choro. Numa de frear mais que nossos impulsos, a nossa espontaneidade. Ali meio que sem saber discernir direito somos levados a saber que no mundo dos adultos há normas demais tolhendo em ser uma pessoa única. Tem mais! Já na fase adulta, e no tocante ao lado profissional da mulher. As cobranças são superiores as impostas aos homens. A nós, um pequeno vacilo toma proporções gigantescas. Não se constrói uma carreira sólida, e de respeitarem seu nome, tão fácil. E para se chegar lá, uma das coisas a se aprender é: de engolir sapos.

Assim, Miranda Priestly (Meryl Streep) não chegou ao topo fazendo concessões, relevando erros de membro da equipe, enfim não sendo “boazinha”. E por que? Era o seu nome que estaria na guilhotina. Seu nome, carreira, reputação e emprego. Se ela cobrava de si mesma total dedicação, também tinha o direito de cobrar também da sua equipe. Principalmente para o posto alcançado. Já que a Moda é algo que muda muito rápido. Com isso, seu cargo estava sempre em risco. Pois os acionistas da Runaway Magazine, como todos em geral, só visavam o lucro. A eles não interessavam toda a trajetória dela. Aliás, os estadunidenses possuem essa cultura do Mercado de Ações.

Miranda meio que se visualizou em início de carreira ao contratar a jovem Andrea “Andy” Sachs (Anne Hathaway). Mas mais pela autencidade da jovem. Em não ser mais uma mera cópia. Até porque para chegar onde chegou, Miranda tinha um talento nato. Andy que até então desconhecia esse mundo da Miranda termina se deixando seduzir. Perdendo até o que lhe era mais caro: namorado e amigos. E principalmente, o seu verdadeiro talento: o de escrever. Era o seu sonho: seguir a carreira de jornalista. Mas não de Moda, nem da Alta Costura. Mas sim das mazelas do dia a dia.

Até que descobre que esse não era o mundo que queria. Se teria que engolir sapos, que fosse no que queria seguir. Pois é algo que não escapamos. Sempre terá alguém que nos leve a engolir. Mas sem sombra de dúvida, nenhum com o charme de Meryl “Miranda” Streep. Ela é ótima! E Andy sabe que valeu a pena esse aprendizado. Ah! O personagem de Stanley Tucci, Nigel, também teve que engoli um dos grandes. Ele também é ótimo!

Um bom filme, até para rever. E a trilha sonora é ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada). 2006. EUA. Direção: David Frankel. Elenco: Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne Hathaway (Andrea “Andy” Sachs), Emily Blunt (Emily), Stanley Tucci (Nigel), Adrian Grenier (Nate), Tracie Thoms (Lilly), Rich Sommer (Doug), Gisele Bundchen (Serena), Heidi Klum (Heidi Klum), Valentino Garavani (Valentino Garavani). Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 109 minutos. Baseado em livro de Lauren Weisberger.