Boa Noite, Mamãe (2014). Um único defeito… nesse primor do Terror!

Boa-Noite-Mamae_2014_posterPor: Carlos Henry.
Logo que começa esta pérola austríaca, é inevitável não lembrar de outra joia do terror psicológico dos anos 70: “A Inocente Face do Terror” (The Other), de Robert Mulligan. Até no curioso fato de os atores principais, também terem emprestado seus nomes verdadeiros aos personagens principais: Um misterioso par de meninos Gêmeos. Embora a trama seja diferente, os diretores de “Boa Noite, MamãeVeronika Franz e Severin Fiala certamente se inspiraram naquele trabalho notável de 1972 para criarem este suspense de 2015, onde os irmãos Lukas e Elias Schwarz vivem uma difícil relação de desconfiança e agressividade com a mãe numa mansão isolada.

Boa-Noite-Mamae_2014Se em “The Other”, os meninos Chris e Martin Udvarnoky mantinham uma discreta bizarrice em sua dual relação com a família, no filme deste século os garotos descambam em dado momento para o mais explícito gore sangrento, o que quebra o clima tenso e enigmático do delicado conjunto artístico, sendo talvez o único defeito grave da obra. Apesar de arranhada pela relativa gratuidade da violência exagerada e desagradável que rompe abruptamente o ritmo lento e preciso da história, o filme é primoroso no que tange a seu invólucro, executado em gloriosos 35mm como é alardeado nos créditos finais. Ainda assim, um filme muito bom de assistir para os apreciadores deste gênero raro.

Boa Noite, Mamãe (Ich Seh, Ich See – Eu Entendo, Eu Entendo. 2014)
Ficha Técnica: na página do IMDb.

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A BRUXA (2015). Obra Prima que Assombra no Sentido mais Profundo!

a-bruxa_2015_postera-bruxa_2015_01Por: Carlos Henry.
The Witch, O filme de Rober Eggers precisa ser rotulado, então ele acaba sendo vendido como uma fita de terror. No entanto, é muito mais do que isso. O roteiro elaboradíssimo, baseado em escritos antigos transporta a plateia mais atenta a uma profunda experiência psicológica que envolve fanatismo, religião e sexualidade apresentados num conjunto irretocável de preparação de elenco, trilha sonora e direção. Som e imagens, essências do cinema, estão magníficos. A fotografia monocromática que realça o vermelho em momentos chave e o coral de vozes lúgubres e sons assustadores (Incluindo a impressionante voz pregadora de Ralph Ineson) garantem o tom pretendido. O resultado não podia ser mais perturbador.

a-bruxa_2015A história se passa no século XVII, onde uma família comum composta de pai, mãe e os filhos (Uma adolescente, um casal de gêmeos ainda crianças e um bebê) estão tentando se reestruturar numa região isolada, após terem sido expulsos de uma comunidade por conta de divergências religiosas. Na nova casinha na floresta, o primeiro acontecimento estranho acontece. O bebê desaparece. Poderia ser um lobo, mas também poderia ser uma bruxa para usar a criança em conhecidos rituais satânicos de rejuvenescimento. A partir daí, uma sucessão de tragédias começa a desarmonizar a família. A menina não se dá conta do poder sexual que exerce. Esta confusão de sentimentos, absolutamente normal, mas difícil de ser entendida especialmente na época, inicia um confuso conflito entre todos a ponto de confundirem abalos da fé com pecados mortais e sentimentos da puberdade com sinais do mal. Nisso, o aparentemente inofensivo bode preto carinhosamente batizado de Black Philip pelas crianças gêmeas assume um ar maléfico, suscitando um perigoso jogo de culpa e punição.

A dubiedade delirante é o ponto alto da obra. Dependendo da interpretação, que é amplamente permitida, o filme pode ser visto como mais um mero exercício de terror. A visão mais larga, capaz de perceber o imenso leque de nuances no roteiro vai reconhecer em “A Bruxa” uma autêntica obra prima que assombra no sentido mais profundo.

A Bruxa (The Witch. 2015)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Minissérie: The Casual Vacancy (2015). As Elites em Lados Opostos!

the-casual-vacancy_minisserie_hboPor: Valeria Miguez (LELLA).
the-casual-vacancy_livro_jk-rowlingEm três episódios a minissérie “The Casual Vacancy” é baseada no livro homônimo da escritora JK Rowling. Onde ela deixa o mundo da fantasia da “Saga Harry Potter” para adentrar na realidade dos moradores de um pequeno vilarejo no Reino Unido – Pagford -, mas que também se ambientaria bem em um em qualquer país pelas temáticas abordadas. Como pano de fundo o destino de uma Clínica de Reabilitação para viciados em drogas que parte da elite local quer vender onde então seria construído um SPA de luxo. A decisão fica a cargo do Conselho Distrital que até o início estaria empatada na dependência de um voto e justamente do conselheiro que morre de repente no início da história: e ele era um dos que queriam a permanência da tal clínica. Pois é! Nem se trata de um spoiler pois como o nome da história nos mostra toda a trama se desenvolve com essa vaga que surge. Abrindo então uma acirrada disputa para quem ocuparia essa vaga que daria o voto decisivo. Num vale tudo onde muita coisa virá à tona.

the-casual-vacancy_enterro-de-barryA vaga surge com a morte de Barry Fairbrother (Rory Kinnear) que deixara a reunião sem finalizar seu voto. Advogado. Escritor. Professor de Educação Física. Barry mantinha um bom relacionamento com os adolescentes. Pelo bom humor. Pela generosidade. Barry tentava ajudar principalmente os que seguiam pelos caminhos das drogas. Mas também aqueles que ainda não tinham metas para um futuro próximo mesmo tendo algum talentos: era o verdadeiro Mestre indicando caminhos. Entre os que ele estava ajudando tinha a jovem Krystal Weedon (Abigail Lawrie). Sendo ela uma das personagens importante na história voltarei a ela mais adiante.

the-casual-vacancy_01Continuando com Barry que não era muito querido pelo meio irmão Simon Price (Richard Glover). Mas esse até pelo temperamento violento nem era estimado pelos próprios filhos. Barry tinha também deixado uma “porta aberta” para um dos sobrinhos, o Andrew “Arf” Price (Joe Hurst). E esse talvez em reconhecimento ao tio, ou mesmo numa desforra ao pai que entre os maus tratos por conta da acne de Andrew o chamava de “Cara de Pizza“, ele então invade a website de Pagford e difama Simon às vésperas da eleição para a vaga advinda da morte de Barry. Mas além disso ele pensa no futuro e até longe dali, para tanto vai trabalhar numa Cafeteria.

the-casual-vacancy_02Na busca por um Conselheiro e que siga com a permanência da Clínica a médica Parminder Jawanda (Lolita Chakrabarti) tenta convencer o Vice Diretor da escola local, Colin “Cubby” Wall (Simon McBurney). Pelo temperamento “sem ter papas na línguaParminder acaba cutucando com vara muito curta o principal casal opositor: Howard (Michael Gambon) e Shirley Mollison (Julia McKenzie). Como também deixa a princípio um clima tenso entre o casal Cubby e sua esposa Tessa Wall (Monica Dolan), Orientadora Educacional e grande amiga de Parminder. Para Cubby além da timidez essa eleição o deixa apreensivo por descobrirem algo do seu próprio passado.

the-casual-vacancy_03Tessa e Cubby têm um outro grande problema: o rebelde filho Stuart “Fats” Wall (Brian Vernel). Fats tem como melhor amigo Arf, mas a amizade entre os dois terá altos e baixos ao longo da história. Talvez por ter sido adotado Fats busca por uma superioridade, mas mais por intimidação praticando bullying contra os próprios colégios da escola. Fats também se envolve com Krystel mesmo contrariando a mãe que embora gostando da jovem tem consciência que o filho não tem estrutura para um relacionamento mais sério com a jovem que além de ser mãe solteira tem uma mãe que vive drogada e em más companhias. Fats fica mesmo num baseado de vez em quando e sem nenhuma vontade de trabalhar.

the-casual-vacancy_04Entre os que se veem nas mãos de Fats por conta de ser disléxica se encontra Sukhvinder Jawanda (Ria Choony): filha de Parminder com um famoso cirurgião plástico, Vikram Jawanda (Silas Carson). Com a campanha para que Cubby vença Parminder acaba negligenciando Sukhvinder que se ressente ainda mais. Se retrai no mundo da música. Como também resolve colocar “fogo” na eleição invadindo também a website de Pagford, mas como o “Fantasma de Barry Fairbrother“. Que além de desagradar alguns, causa curiosidade entre os principais interessados no “voto decisivo” em saber qual babado forte virá a seguir.

the-casual-vacancy_05Os Mollisons veem com o casal que quer construir o tal SPA a entrada para uma elite bem acima deles. Como comerciantes bem sucedidos de Pagford se veem a si mesmo como a fina flor da sociedade local. Mais até! Odiando a base da pirâmide social. E então para conseguirem o tão sonhado “voto decisivo” tentam convencer o próprio filho, Miles Mollison (Rufus Jones), a entrar na disputa. Mesmo que para isso baguncem o já fragilizado casamento de Miles com Samantha Mollison (Keeley Hawes). Por certo Miles gostaria mesmo de tentar conciliar a vontade dos pais com o relacionamento com a esposa. Além de continuar exercendo tranquilo sua advocacia, ainda mais que com a morte do sócio, o Barry, terá a firma só para si. Mas Samantha não deixará barato a indiferença conjugal como a falta de postura do marido perante os pais. Para tanto organiza um jantar com os principais opositores dos sogros. Um jantar bem apimentado!

Há outras tramas paralelas como também atreladas a disputa pela tal vaga. Com interessados ou com os que nem estão ligando eleição, e até por aqueles que teriam na tal Clínica uma saída do mundo das drogas. A mobilização de fato recai entre parte da elite do pequeno vilarejo: onde de um lado há os que querem ver pobres e drogados bem longe dali e do outro lado os que possuem um pensamento socialista por quererem menos desigualdade no condado.

A Minissérie “The Casual Vacancy” foi apresentada em 2015 pelo canal HBO. Mas como tem sido reprisada vale conferir. Até para rever! Que foi o que eu fiz até por conta dos temas abordados. Que nos leva a reflexões. Ficando o querer rever todo esse longo filme. Como também me deixou com vontade de ler o livro no qual o filme foi baseado. Livro esse que aqui no Brasil recebeu o errôneo título de “Morte Súbita“. É que desfigura o contexto principal da trama: a guerra pela vaga aberta. Enfim, confiram essa excelente história!

The Casual Vacancy (2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: Jornadas nas Estrelas (1966/1969). E o Futuro Imperfeito

jornadas-nas-estrelas_seriePor Morvan Bliasby.
jornadas-nas-estrelas_Kirk-e-UhuraJornadas nas Estrelas, o seriado que encantou, desde a década de 1960, até os dias atuais, toda uma geração de fãs (não, não se refere aos Trekkers; eu disse fãs, sem o ‘nático’.) inovou em tudo, ou quase. Foi a primeira série a apresentar, principalmente para a sociedade estadunidense, reconhecidamente refratária, a possibilidade de coexistência de pessoas, humanas ou não, e até de haver interação e romance entre estas. Foi a primeira vez, por exemplo, que um homem australoide beijou uma mulher afrodescendente, clara e ostensivamente (a tevê estadunidense já havia ensaiado esta ousada cena, com a desculpa de esbarros, para não irritar os sulistas, reconhecidamente etnicistas) no episódio Plato´s Stepchildren (Enteados de Platão, literalmente) entre o Capitão James T. Kirk (William Shatner) e a Tenente Nyota Uhura (Nichelle Nichols).

jornadas-nas-estrelas_alimentacao-e-lixoJornadas nas Estrelas inovou em quase tudo, reitere-se. Para início de conversa, deixou Malthus falando sozinho, ao resolver o problema alimentar, pelo menos na Enterprise e onde a Federação aparecesse. Nada que as pesquisas em agrobiologia não já o fizessem, mas os sintetizadores de alimentos da Enterprise resolviam também o problema da limpeza e da reciclagem dos utensílios. O melhor de dois ou mais mundos, não?

Inovou na medicina, na tecnologia em rádio-transmissão (os comunicadores, mesmo os trambolhos da série original, são o protótipo do sistema de codificação do celular de Hedy Lamarr e dos nossos, claro).

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Uma das maiores abordagens utópicas de Jornadas nas Estrelas talvez venha a ser a possibilidade de haver paz e colaboração entre raças, não restringindo mais o problema da intolerância à espécie humana. Vulcanos, klingons, cardassianos, romulanos, vidianos, ferengui, talaxianos, todos, um a um, acabariam por se filiar à Federação dos Planetas Unidos (uma versão bem abrangente, ecumênica, sincrética, até, da Organização das Nações Unidas — se só há uma raça, aqui, a humana, então, a Federação haveria de comportar as outras espécies inteligentes dos Universos. Um bom recado aos intolerantes humanos contemporâneos). No caso dos vulcanos, malgrado seu passado violento, a aliança com a Federação pareceu mais natural, apesar disto, mas, no caso dos klingons, eles só se aliaram à Federação após ter, em um dos filmes da franquia, seu mundo iminentemente destruído, caso não recorressem à aliança; de qualquer modo, é pouco crível que uma raça beligerante e de hierarquia vertical, os klingons, consiga construir naves espaciais. É uma licença poética da franquia, sem dúvida.

Registre-se o fato de ser a Capitã[o] Janeway a primeira mulher a comandar uma nave. Há mulheres em altos postos na Federação, humanas ou não. Mas só em Jornadas nas Estrelas – Voyager, há uma capitã.

A série e os filmes da franquia pouco a pouco foram deixando ‘recados’ para as suas diversas gerações. Estes falam em tolerância, paz, avidez por descobertas, divulgação, tendo sempre como foco a Primeira Diretriz, que parece ser o mais próximo do conceito da autodeterminação das raças.

jornadas-nas-estrelas_simbolosMas há um aspecto na franquia que causa questionamentos: existe um irrecorrível apelo marcial, apesar das mensagens subliminares de paz e de congraçamento entre raças de todos os universos. Há muito símbolos náuticos na série, bem mais do que aquela saudação fúnebre, sempre que um corpo é ejetado da nave, e em toda a franquia, até aqui, mas não se discuta isso. Mais e além.

Para uma franquia que sobrepujou o preconceito étnico, pregou a paz universal, erradicou a cobiça, o dinheiro, o comércio como simplesmente fonte de lucros (a Federação comercia, mas, nota-se, claramente, numa abordagem de intercâmbio cultural, exceto, por eles claro, com os Ferengui), faz alianças com raças extremamente belicosas, como os hyrogens, ou os romulanos, etc., a inexpugnável tutela militar parece incoerente e muito mal explicada. Seria esta a verdadeira distopia conceitual de Jornadas nas Estrelas, nosso futuro imperfeito? A Federação não encontrou meios de organização civis, só há a saída pela via militar? Todas as raças elencadas, durante toda a marca Jornadas, parecem ter a tutela militar como forma irrecorrível de organização.

Seria intencional, esta “marciogonia”, seria fruto da inspiração de seus roteiristas, medo de propor temas espinhosos, como a verdadeira democracia, sem protetores e sem salvadores, de propor um “indo além”, no caso, uma sociedade anárquica, autorregulada, por estarem inseridos numa sociedade, como a estadunidense, refratária a qualquer ideia que possa redundar em comunismo, em superação de Governos e de tutores?

jornadas-nas-estrelas_personagensSão muitas perguntas. Nenhuma resposta, por ora. E o leitor, o que pensa? Param aí, as inovações de Jornadas nas Estrelas? Ou Mad Max, Ellysium e outros distópicos têm razão, o futuro é sombrio, ou seja, só nos resta sermos tutelados ou rebelados? Gostaria de ouvir o que você pensa, sobre isso.

Séries: “CSI: Investigação Criminal”, “CSI: Miami” e “CSI: NY”. Por Que Acabar com Elas?

csi_csi-miami_csi-ny_cartazCSI_cartazA primeira a chegar e o quase a última a sair, assim chega a vez da Série “CSI: Investigação Criminal” se despedir após 15 Temporadas e com um bônus extra nesse encerramento: um episódio estendido como num longa-metragem. Agora, terminar por que? Já que teria fôlego e histórias para outras temporadas mais. Mas como sempre acontece para os fãs de outros países ficam à mercê do “mercado de audiência” no país de origem; e não apenas para os dessa Série.

Pessoas loucas fazem pessoas sãs agirem loucamente.” (CSI) “Nunca confunda absolvição com inocência.” (CSI: Miami) “As pessoas perdem tempo para colocar os seus segredos mais sombrios e então enviá-los para alguém que não conhecem. Duas perguntas: por que e…por quê?” (CSI: NY)

Será que os Produtores, ou mesmo os principais responsáveis dos canais onde as Séries são criadas, não entendem que o principal rival atualmente não é uma outra Série e de um outro Canal de Televisão, mas sim a Web. Que até tendo um canal pela internet, onde se veria os programas de televisão, esse ainda trava muito para ainda a maioria de usuários da internet. Daí muitos fãs ainda prefiram assistir por um canal à cabo ou de um da televisão aberta. Bem, a realidade mudou… Onde uma grande parcela da sociedade atualmente prefiram muito mais às mídias sociais do que acompanhar Séries por televisão. Pensem! Dentro do universo das pessoas que você conhece pessoalmente quantas ainda gostam de acompanhar Séries de Televisão? Que até haja um número maior dos quem acompanhem novelas até por que elas lançarem “tendências” e assim se sentirem “na moda” pelas mídias sociais. Até porque são os personagens de novelas que mais lançam modas… Por outro lado… Creio ainda ter muito menos desistências de fãs de Séries do que dos que passam a gostar delas.

Pessoas mentem, evidências não.” (CSI) “A culpa nos mantém em alerta, nos torna melhores.” (CSI: Miami) “Um pequeno erro pode ser usado para mudar toda a dinâmica do que vem a seguir.” (CSI: NY)

csi-miami_cartazComo também que mesmo que a desculpa seja por altos salários de alguns atores… creio que em séries como “CSI” os personagens são sim coadjuvantes de peso, mas é a trama que é o ponto alto. Mesmo que alguns dos personagens tenham sua própria legião de fãs… a grande maioria continuaria assistindo-a sem o seu ídolo… E meio que para “cortar os custos”… Para esses com altos salários bastaria “aposentá-los”, ou em serem “assassinado”… Gerando assim uma nova história…

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “A descoberta de algo inesperado é interessante. Mas, muitas vezes, a ausência inesperada de algo é ainda mais interessante.” (CSI: Miami)

Hoje até pode ser mais fácil montar todo uma estrutura como dos laboratórios que aparecem em “CSI: Investigação Criminal“, até por computação gráfica… A título de uma comparação em locações e cenários… Vale lembrar de que para o início da gravação da Série “ER” – chamado de “Plantão Médico” quando da exibição por um canal de tv abertA no Brasil -, usaram de fato um hospital real que se encontrava desativado, e que só depois que foi criado um para as gravações. De qualquer forma, atualmente os custos de filmagens em “CSI: Investigação Criminal” mesmo com alguns salários altos devem ser bem menor do que em 2000 quando ela foi criada. Claro que respeitando a proporcionalidade dos custos entre 2000 com o de 2015.

As melhores intenções são abastecidas com desapontamentos.” (CSI) “Só porque você sabe uma coisa sobre uma pessoa não significa que saiba tudo sobre ela.” (CSI Miami) “Às vezes, o esquecimento é o melhor.” (CSI: NY)

CSI-NY_cartazAlém do que a trama não ficava apenas dentro do que acontecia nos Estados Unidos. Nem muito menos com apenas histórias fictícias. Pois alguns dos episódios “levavam” para lá histórias baseadas em fatos reais ocorridos em outros países. Como por exemplo, quando se “inspiraram” no ocorrido na Boate Kiss, no Brasil… Ou como a falta de água em São Paulo também foi parar num dos episódios quando investigavam a morte de um corretor do Mercado de Ações… Sendo que esse não sei ao certo em quais dos “CSI” passou: se no principal ou em um dos spin-offsCSI: Miami” ou “CSI: NY” (Ambas canceladas, respectivamente, em 2012 e 2013.). Ou apenas trazendo algo ocorrido em outro continente como a chuva ácida nas lavouras cacaueiras na África… Onde também não deixou de citar o trabalho infantil e escravo que há por lá, mesmo que en passant… O que corrobora de que sempre teriam o que contar em suas tramas: “CSI: Investigação Criminal” (2000–2015); “CSI: Miami” (2002–2012); “CSI: NY” (2004-2013).

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “Bem aventurados são aqueles que não tem que enfrentar aquilo que são capazes de fazer.” (CSI) “Nós acordamos do sonho apenas uma vez.” (CSI)

De qualquer forma há as reprises para não nos deixar de todos órfãos e em pelo menos dois canais a cabo: o “TNT Series” e o “AXN“. Além do que há um novo, o “CSI: Cyber“, mas esse terá um texto único. No mais, fica uma torcida para que um dia voltem com episódios inéditos!

_O medo tende a vencer a lógica.
_Depende da lógica.
_Ou do medo.” (CSI: NY)

Por: Valéria Miguez (LELLA).

CSI: Investigação Criminal (2000–2015)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: Miami (2002–2012)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: NY (2004-2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013)

trem-noturno-para-lisboa_2013trem-noturno-para-lisboa_2013_04Pensamento e ação unos. Assim eram os antigos romanos…

Sou apenas uma admiradora do legado de Jung. Com isso, é muito mais uma visão leiga do pensamento junguiano. Digo isso porque creio que esse filme é um belo exemplo de um de seus estudos. Já que ele traz uma sucessão de eventos cujo final trouxera significado para alguém. Eventos esses que de repente levou um certo professor a sair de sua rotina… Que levaria o nome de sincronicidade. Parece até que o primeiro sinal viera com a caixa de chá vazia. Um simples esquecimento bem casual a muitos, fez com que ele buscasse por uma solução bem fora do comum. O alerta mesmo que diminuto, já deixara o cérebro processando…

trem-noturno-para-lisboa_2013_01O verdadeiro cenógrafo da vida é o acaso, um cenógrafo repleto de crueldade, de compaixão, de fascinante encanto“.

Mas teria sido o acaso que levou aquele professor a passar naquela ponte justo a tempo de salvar aquela jovem de tentar se jogar lá do alto? Mais! Teria sido levado apenas por um impulso que o levou a fazer tudo mais a partir desse episódio? Fora de fato um sinal do destino? Essas são só algumas das reflexões que deixa desde o início e até mesmo pela conclusão de “Trem Noturno para Lisboa“.

As horas decisivas da vida, quando a direção dela muda para sempre, nem sempre são marcados por dramatismos ruidosos. Aliás, os momentos dramáticos das experiências que a alteram são frequentemente muitíssimo discretos. Quando exibem os seus efeitos revolucionários e se certificam que a vida é mostrada a uma nova luz, e fazem silenciosamente. E é nesse maravilhoso silêncio que está sua especial nobreza“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_06Uma chuva… um pequeno atraso… eis que avista a jovem já de pé na amurada… corre… a pasta se abre espalhando os trabalhos de seus alunos… o guarda-chuva sai voando até o rio… mas ele então consegue salvá-la a tempo! A jovem em choque, talvez nem acreditando que tomara tal decisão, encontra nele um amparo imediato. Uma segurança para que pudesse concatenar seus próprios pensamentos. Daí segue-o até a sala de aula. Lá, até causa espanto aos alunos vê-lo com a jovem. Tentando não perder o foco, ele dá início a aula.

Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido.”

trem-noturno-para-lisboa_2013_03Passado um tempo, talvez já refeita do susto, ou nem tanto assim já que ao ir embora, a jovem esquece o casaco. Ele ainda tenta alcançá-la, mas ela se foi. Então, vasculhando os bolsos do mesmo, encontra um livro com o carimbo de uma livraria conhecida. Segue para lá, deixando seus alunos sozinhos. Causando espanto até no Diretor do Colégio… Bem, se aquele dia já o fizera sair de sua rotina… Era então seguir pela noite adentro. Que foi o que fez! Pois encontrando uma passagem de trem para Lisboa, e na tentativa de encontrar a tal jovem na estação… ela não estando lá… ele então embarca… E de Berna, Suíça, até Lisboa ele aproveita para ler o tal livro, cujo titulo era “Um Ourives das Palavras“. Apontamentos num diário de um jovem médico em constante ebulição com tudo que o cercava.

trem-noturno-para-lisboa_2013_07Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever“.

Para alguém já acostumado a dormir pouco, passar uma noite lendo seria tranquilo. Talvez até pegasse o trem de volta… Mas a história do livro lhe tocou tão profundamente que resolveu ficar em Lisboa e tentar conhecer os personagens daquele livro de memórias. Pelo menos parte deles que pelo contexto vivenciaram uma parte importante da história daquele país e culminando com a Revolução dos Cravos…

Se descer sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será concretizada, subitamente deixamos de saber viver o tempo que já não pode fazer parte da nossa vida“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_02

Embarquemos junto com Jeremy Irons nessa comovente viagem com o seu Professor Raimund Gregorius. Que quase vira um menino levado até pela curiosidade, mas muito mais com o coração aberto que acaba descobrindo também mais de si próprio. Nem precisa dizer que ele está esplêndido! Aliás, o filme também conta com um time de primeira: Mélanie Laurent, Bruno Ganz, Lena Olin, Christopher Lee, Charlotte Rampling… Mesmo tendo como pano de fundo uma História real de Portugal – Ditadura de Salazar -, o Diretor Bille August deixa tudo fluir com um timing preciso entre passado e presente. Como nos versos do tal livro. Deixando até a vontade de ler o livro de Pascal Mercier o qual o filme foi inspirado. Filme para ver e rever! Cujo único senão foi que também deveria ter falas em português. Mesmo assim… Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013).
Ficha Técnica: na página no IMDb.